As medidas anunciadas por Dilma de surpresa antes da reunião com os governadores e prefeitos tinha dois objetivos. O primeiro era criar um fato novo que capturasse a agenda nacional. Conseguiu. No Twitter vemos que já existem mais menções sobre reforma política ou constituinte do que protestos. Os jornais engoliram a isca e a nova pauta, ao mesmo tempo que a intensidade dos protestos diminuiu. O segundo era dar uma resposta real aos protestos. Neste quesito falhou.
O barulho das ruas ecoou em Brasília e todos tentaram faturar mostrando-se sensíveis ao pleitos dos protestos. A Câmara rejeitou a PEC 37 e aprovou proposta que ajuda reduzir tarifa do transporte coletivo. A CCJ aprovou o fim do voto secreto para cassação de mandato. No Senado, Renan Calheiros tornou-se um portal de canalização dos pedidos das ruas. Criou uma pauta para os próximos 15 dias inteiramente dedicada aos pleitos dos protestos. Crime de corrupção tornou-se hediondo e projeto para passe livre aos estudantes com a utilização dos royalties do petróleo está na pauta. Renan ainda sugeriu diminuir o número de ministérios. O Presidente do Senado sabia que sua cabeça pode virar bandeira nas manifestações. Decidiu se proteger. No Judiciário veio a decisão de prisão de um deputado federal. Algo pleiteado há tempos. Pode não ter relação com os protestos, mas a sintonia foi perfeita.
O único poder que pareceu errático até o momento foi o Executivo. Consegui seu fato novo, mas não sabe-se até onde dura e mostrou-se despreparado para levar seu projeto adiante. Propôs constituinte. Depois desistiu. Agora é só plebiscito. Não haverá espanto se desistir do plebiscito também, até porque é uma medida intempestiva, considerando-se eleições presidenciais no próximo ano.
O problema de Dilma é que os efeitos nocivos de suas medidas que já afetavam a economia se tornaram ainda mais danosos com as manifestações. O dólar disparou e o Banco Central não dá sinais de controle da cotação. As bolsas despencam capitaneadas pelo desmonte do império de Eike Batista, que flerta com a lona. A inflação não dá trégua. Por tudo isso, Lula deu uma dica valiosa para Dilma: demitir Guido Mantega e indicar Henrique Meireles para o comando da Fazenda com carta branca. Ela resiste. Enquanto isso, a economia derrete.
Lula tem um bom faro político. Sabe que ainda é possível vencer as eleições do próximo ano, entretanto, isso só é viável com a economia nos eixos. A política desenvolvimentista inflacionária de Dilma pode custar o governo. Dilma pode aprontar as estripulias que desejar com medidas de contenção erráticas nesta crise, entretanto, Lula mira mais longe, na sua própria volta em 2014. Para isso precisa de inflação baixa. Para isso precisa trocar o comando da economia. Para ontem.
quarta-feira, junho 26, 2013
terça-feira, junho 25, 2013
Cegueira Republicana
Sob todos os aspectos a proposta de reforma política mediante uma constituinte exclusiva e plebiscito proposta por Dilma é um equívoco. Primeiramente é um equívoco jurídico, o que impede a proposta de ir adiante. Foi um equívoco político, pois não foi articulado com a base no Congresso Nacional. Foi um equívoco institucional, pois a proposta soa como um golpe branco.
Dilma tentou, na verdade, com um movimento resolver vários problemas. A proposta tenta jogar a crise nas mãos do Congresso, responsável pelos próximos passos. Além disso, levanta uma cortina de fumaça política, pois agora a pauta política e jurídica tornou-se a reforma política e por fim, usando a insatisfação das ruas com outros assuntos, tenta seqüestrar a agenda dos manifestantes mediante a convocação de uma constituinte exclusiva com nuances populistas de uma estratégia que soa chavista.
Nos meios jurídicos houve um misto de cautela e rejeição e o único ministro do Supremo que achou a idéia interessante foi Ricardo Lewandowski, o que já diz muito. Os outros descartam a possibilidade institucional de uma constituinte parcial. As críticas mais contundentes vieram de Marco Aurélio Mello e Luís Roberto Barroso.
Enquanto o ex-Presidente Fernando Henrique classificou a proposta como autoritária, no meio político ela foi defendida por Renan Calheiros. No Congresso Nacional já existe uma proposta de reforma política, vale lembrar. O governo tem maioria folgada para passar uma reforma deste naipe no Congresso sem precisar convocar constituinte ou plebiscito. Aliás, o projeto que está em tramitação, corre sob a relatoria do deputado Henrique Fontana, do próprio PT. Convocar uma constituinte exclusiva, portanto, não deixa de ser uma cortina de fumaça, além de ser juridicamente impossível.
A proposta de Dilma surgiu apenas para dissuadir e mostrar que o governo está agindo. O que Dilma ainda não entendeu é que manifestantes querem mudanças reais, não movimentos políticos em Brasília que apenas embalam discussões de especialistas e fazem manchetes de jornais. As medidas para evitar a escalada das manifestações são mais simples e fáceis. Dilma, que nunca levou jeito para política, mostrou que não entendeu realmente a mensagem das ruas, o que não deixa de ser muito perigoso.
Dilma tentou, na verdade, com um movimento resolver vários problemas. A proposta tenta jogar a crise nas mãos do Congresso, responsável pelos próximos passos. Além disso, levanta uma cortina de fumaça política, pois agora a pauta política e jurídica tornou-se a reforma política e por fim, usando a insatisfação das ruas com outros assuntos, tenta seqüestrar a agenda dos manifestantes mediante a convocação de uma constituinte exclusiva com nuances populistas de uma estratégia que soa chavista.
Nos meios jurídicos houve um misto de cautela e rejeição e o único ministro do Supremo que achou a idéia interessante foi Ricardo Lewandowski, o que já diz muito. Os outros descartam a possibilidade institucional de uma constituinte parcial. As críticas mais contundentes vieram de Marco Aurélio Mello e Luís Roberto Barroso.
Enquanto o ex-Presidente Fernando Henrique classificou a proposta como autoritária, no meio político ela foi defendida por Renan Calheiros. No Congresso Nacional já existe uma proposta de reforma política, vale lembrar. O governo tem maioria folgada para passar uma reforma deste naipe no Congresso sem precisar convocar constituinte ou plebiscito. Aliás, o projeto que está em tramitação, corre sob a relatoria do deputado Henrique Fontana, do próprio PT. Convocar uma constituinte exclusiva, portanto, não deixa de ser uma cortina de fumaça, além de ser juridicamente impossível.
A proposta de Dilma surgiu apenas para dissuadir e mostrar que o governo está agindo. O que Dilma ainda não entendeu é que manifestantes querem mudanças reais, não movimentos políticos em Brasília que apenas embalam discussões de especialistas e fazem manchetes de jornais. As medidas para evitar a escalada das manifestações são mais simples e fáceis. Dilma, que nunca levou jeito para política, mostrou que não entendeu realmente a mensagem das ruas, o que não deixa de ser muito perigoso.
segunda-feira, junho 24, 2013
Pior para Dirceu
Se existe alguém que deverá ser atingido indiretamente pelas manifestações é José Dirceu e os demais condenados do Mensalão. Existia até a semana passada a esperança de que os novos ministros do Supremo, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso pudessem reverter ou abrandar condenações, o que livraria Dirceu e alguns mensaleiros do cárcere. Depois das manifestações da última semana, dificilmente a história tomará este curso.
O julgamento do Mensalão constitui-se em uma das mais importantes ações contra a corrupção na história do Brasil. Reverter as condenações em grau de recurso, alterando os votos de ministros já aposentados, poderia ferir a integridade do STF e macular sua imagem perante a opinião pública. Mais do que que isso, uma decisão neste sentido reacenderia a dinâmica dos protestos e colocaria um tema na mira dos manifestantes: a absolvição dos mensaleiros pelo Supremo. Caso o STF reverta o resultado do julgamento, entregará de bandeja aos manifestantes uma bandeira clara para lutar.
Existe esperança no horizonte dos mensaleiros porque ninguém sabe o que se passa na cabeça de Teori Zavascki e seu histórico leva a acreditar que poderia haver tendência em abrandar as penas ou condenações. Já Barroso, apesar de ser um respeitado nome do meio jurídico, atuou em defesa de Cesare Battisti, o terrorista italiano abrigado pelo PT, asilado por Lula. Na bolsa de apostas da política, muitos tendem a acreditar que Barroso poderia aliviar a situação dos petistas.
Se este era o plano, é bom colocar as barbas de molho. Os novos ministros do Supremo não devem arriscar sua reputação e virar alvo dos protestos das ruas. Uma decisão neste sentido, na história (por enquanto) de ficção imaginada por Elio Gaspari, poderia gerar a fúria de Joaquim Barbosa, que tiraria a toga, renunciaria ao cargo (na mesma sessão do STF que absolveria os mensaleiros), faria um discurso e pegaria um táxi para casa. Ali nasceria um candidato imbatível nas eleições presidenciais.
Para o PT seria inteligente não lutar pela absolvição de Dirceu, João Paulo Cunha e José Genoínio. Politicamente seria mais interessante entregar os anéis e manter os dedos. Assim o PT mostraria que depurou internamente seus fantasmas e viraria a página. É algo a se pensar.
Mas se isso realmente acontecer, podem esperar, como disse meu amigo, o cientista político Paulo Kramer, por prisões espetaculares dos mensaleiros, com transmissão pela TV e dirigida de modo cinematográfico pela Polícia Federal, que faturaria muitos pontos com a opinião pública durante o show.
O fato é: o movimento das ruas dificultou a vida dos mensaleiros. Pior para Dirceu, mas também para João Paulo, Marcos Valério, José Genoíno e todos os demais condenados.
sábado, junho 22, 2013
Joaquim e Marina
Começaram a surgir as primeiras pesquisas que indicam alguns pontos importantes sobre os manifestantes que tomaram as cidades brasileiras nas últimas semanas. Os resultados são uma espécie de quebra-cabeça que nós, cientistas políticos, montamos com o máximo cuidado no intuito de desenhar os cenários futuros.
O ponto principal é o indício de declínio da popularidade de Dilma. Ainda é cedo para dizer que sua reeleição está comprometida, entretanto, podemos dizer com certeza que está seriamente ameaçada. O PT já considera alternativas, como o retorno de Lula - que se ocorrer, será apresentado com muito cuidado.
Mas o que as pesquisas sugerem, na esteira da indignação geral é o nome de Joaquim Barbosa, o Ministro do Supremo, relator do caso do Mensalão e que defendeu penas duríssimas para os acusados. Joaquim, que surge com a preferência de 30% dos manifestantes, personifica os ideais de probidade e justiça defendidos nos protestos. Ninguém conhece suas posições políticas com clareza ou sua idéia de País, mas todos conhecem sua probidade, origem humilde e ascensão meritocrática. Eis o mais importante para o povo neste momento. Joaquim é o nome que canaliza a solução para a indignação geral que tomou conta do povo brasileiro. Seus eventuais projetos de país neste momento pouco importam. Ele buscou fazer justiça encarcerando políticos que desviaram recursos públicos. É isto que importa para o povo.
Outro nome que surge com muita força entre os manifestantes é o de Marina Silva. Aparece com 22%. Por ser política de carreira e já ter disputado uma eleição presidencial, merece ser encarada com seriedade. Monta, no momento, um partido sem o nome "partido", mas "rede" e mira claramente nas eleições presidenciais de 2014. Sua imagem também carrega um ideal de probidade e seriedade, aliada as causas ambientais e sociais. Sua fragilidade é o conservadorismo exacerbado, travestido de modernidade. Mas dentro do quadro político, é quem mais se beneficia do quadro como se mostra hoje.
Dilma aparece com 10%, Aécio com 5% e Eduardo Campos com 1%. É um claro recado de repulsa aos políticos e estruturas partidárias conhecidas. Os manifestantes preferem algo afastado da política tradicional. A pesquisa não levou em conta o nome de Lula.
O mais perigoso é o vetor de rejeição a política tradicional. Situações como essa, se consolidadas, tendem a gerar aventureiros sem compromisso com programas sérios para o País e com tendências autoritárias. As pesquisas mostram que o eleitor manifestante está disposto a tentar o novo e o desconhecido. No balanço geral, por circular entre as duas esferas, Marina se fortalece, mas um nome novo, como Joaquim Barbosa, se decidir entrar no páreo, dentro do quadro atual, pode fazer toda a diferença.
O ponto principal é o indício de declínio da popularidade de Dilma. Ainda é cedo para dizer que sua reeleição está comprometida, entretanto, podemos dizer com certeza que está seriamente ameaçada. O PT já considera alternativas, como o retorno de Lula - que se ocorrer, será apresentado com muito cuidado.
Mas o que as pesquisas sugerem, na esteira da indignação geral é o nome de Joaquim Barbosa, o Ministro do Supremo, relator do caso do Mensalão e que defendeu penas duríssimas para os acusados. Joaquim, que surge com a preferência de 30% dos manifestantes, personifica os ideais de probidade e justiça defendidos nos protestos. Ninguém conhece suas posições políticas com clareza ou sua idéia de País, mas todos conhecem sua probidade, origem humilde e ascensão meritocrática. Eis o mais importante para o povo neste momento. Joaquim é o nome que canaliza a solução para a indignação geral que tomou conta do povo brasileiro. Seus eventuais projetos de país neste momento pouco importam. Ele buscou fazer justiça encarcerando políticos que desviaram recursos públicos. É isto que importa para o povo.
Outro nome que surge com muita força entre os manifestantes é o de Marina Silva. Aparece com 22%. Por ser política de carreira e já ter disputado uma eleição presidencial, merece ser encarada com seriedade. Monta, no momento, um partido sem o nome "partido", mas "rede" e mira claramente nas eleições presidenciais de 2014. Sua imagem também carrega um ideal de probidade e seriedade, aliada as causas ambientais e sociais. Sua fragilidade é o conservadorismo exacerbado, travestido de modernidade. Mas dentro do quadro político, é quem mais se beneficia do quadro como se mostra hoje.
Dilma aparece com 10%, Aécio com 5% e Eduardo Campos com 1%. É um claro recado de repulsa aos políticos e estruturas partidárias conhecidas. Os manifestantes preferem algo afastado da política tradicional. A pesquisa não levou em conta o nome de Lula.
O mais perigoso é o vetor de rejeição a política tradicional. Situações como essa, se consolidadas, tendem a gerar aventureiros sem compromisso com programas sérios para o País e com tendências autoritárias. As pesquisas mostram que o eleitor manifestante está disposto a tentar o novo e o desconhecido. No balanço geral, por circular entre as duas esferas, Marina se fortalece, mas um nome novo, como Joaquim Barbosa, se decidir entrar no páreo, dentro do quadro atual, pode fazer toda a diferença.
quinta-feira, junho 20, 2013
Protestos e Inflação
O ponto inicial, que foi o motor das insatisfações que motivaram os protestos pelo Brasil afora, tem nome e responde por inflação. O reajuste das passagens, a falta de poder de compra, o custo de vida que sobe e o dólar que dispara. Todos esses fatores são desdobramentos de uma política econômica que teve aprofundamento no governo Dilma.
É a economia, estúpido, dizia James Carville em 1992, quando levou Clinton à Casa Branca. No Brasil o caso é a economia. Depois de viver 16 anos dentro de uma certa estabilidade que, vale lembrar, era apenas o primeiro passo de um grande leque de reformas que ainda faltam ao País, o brasileiro passou a viver novamente com o reajuste de preços e a falta de poder de consumo.
O monstro é maior, porque aliado a inflação, que corrói o poder de compra, vivemos em um país onde muitos brasileiros vivem em prestações, endividados além de sua capacidade, o que pode tornar o que está por vir ainda mais perigoso.
O desajuste na economia veio pelas mãos de Dilma, isto é inegável. Mas ao contrário do que muitos pensam, não vem do PT. Dilma, como sempre lembro, é uma cristã-nova no PT. Ela é oriunda do PDT e das políticas nacionalistas e intervencionistas de Leonel Brizola. O pedetismo de Dilma não se descolou de seu DNA. O resultado tem sido este brutal desajuste na economia brasileira que lembra o período desenvolvimentista dos anos de Geisel frente à Presidência.
O PT em sua essência é menos danoso para a economia, pois busca tão somente acúmulo de poder. Por mais que em suas veias corram idéias sindicalistas e socialistas, o comando central do partido está disposto a abrir mão disto se houver sua manutenção no poder. Lula, em seus primeiros anos, aplicou uma política econômica mais austera que a de Fernando Henrique. No segundo mandato relaxou um pouco, mas o barco começou a fazer água quando Dilma assumiu os manetes da economia e aplicou as idéias trabalhistas.
Quem já sentiu a escalada de preços foi a classe média, que orienta os protestos Brasil afora. Em breve a inadimplência da classe C começará a aparecer e logo depois vem o poder de compra da classes D e E.
Existe conserto nesta altura? Sim, existe. Mas Dilma precisaria trair suas convicções, algo que certamente ela não está disposta a fazer.
quarta-feira, junho 19, 2013
O Salvador da Pátria
Dilma foi ao encontro de Lula e Haddad para resolver o problema. O Prefeito de São Paulo, que não entendeu a magnitude dos protestos, resistiu a idéia de revogar o aumento da tarifa de transporte público. Foi convencido por Lula de que era necessário. Dilma assistiu.
Um dia depois Lula já estava reunido com as centrais sindicais organizando sua estratégia. Todas estavam lá escutando o que ele tinha a dizer.
Tudo indica que as manifestações criaram o ambiente político tão esperado por Lula para que ele assuma cada vez mais o papel de candidato. Não é novidade que o ex-Presidente deseja voltar ao Planalto. Percorre o país já em campanha, apesar de dizer que apóia a reeleição de Dilma. Em Brasília, a volta de Lula é vista com bons olhos. Os políticos gostam mais do estilo dele na condução da acomodação de espaços. Com Lula a base aliada libera verbas e recebe afagos. Dilma é dura e raivosa.
O principal desdobramento, na esfera política, das manifestações, por enquanto, foi enfraquecer Dilma, que já enxerga sua popularidade derreter. Um ambiente que chancela a entrada de Lula em cena para garantir a manutenção do partido e seus aliados no poder. Se com uma Dilma forte Lula já se articulava nos bastidores para voltar, com uma Dilma fraca, o PT pedirá para o ex-Presidente concorrer. Dilma deve estar com as barbas de molho.
Neste cenário, Lula garante a manutenção do atual grupo no poder, afasta a crise com a certeza de que Dilma sai de cena aos poucos, acalma as forças políticas com seu retorno, restabelece confiança para investidores com a volta da política econômica de seu governo e sabe que o resultado das urnas estará ao seu lado, afinal, a indignação não chegou no grosso de seu eleitorado. O movimento ainda está restrito, em seu bojo, na classe média das grandes cidades - um eleitorado que já não vota em Lula há tempos.
Haddad e Dilma não são políticos. Foram forjados por Lula. Ambos vacilam exatamente na condução política de suas funções e ela ainda apostou em um modelo desenvolvimentista inflacionário para a economia. Exatamente por essas questões, especialmente Dilma, abre um vácuo de poder por onde Lula pode passar. E voltar como salvador da pátria. A conferir.
Um dia depois Lula já estava reunido com as centrais sindicais organizando sua estratégia. Todas estavam lá escutando o que ele tinha a dizer.
Tudo indica que as manifestações criaram o ambiente político tão esperado por Lula para que ele assuma cada vez mais o papel de candidato. Não é novidade que o ex-Presidente deseja voltar ao Planalto. Percorre o país já em campanha, apesar de dizer que apóia a reeleição de Dilma. Em Brasília, a volta de Lula é vista com bons olhos. Os políticos gostam mais do estilo dele na condução da acomodação de espaços. Com Lula a base aliada libera verbas e recebe afagos. Dilma é dura e raivosa.
O principal desdobramento, na esfera política, das manifestações, por enquanto, foi enfraquecer Dilma, que já enxerga sua popularidade derreter. Um ambiente que chancela a entrada de Lula em cena para garantir a manutenção do partido e seus aliados no poder. Se com uma Dilma forte Lula já se articulava nos bastidores para voltar, com uma Dilma fraca, o PT pedirá para o ex-Presidente concorrer. Dilma deve estar com as barbas de molho.
Neste cenário, Lula garante a manutenção do atual grupo no poder, afasta a crise com a certeza de que Dilma sai de cena aos poucos, acalma as forças políticas com seu retorno, restabelece confiança para investidores com a volta da política econômica de seu governo e sabe que o resultado das urnas estará ao seu lado, afinal, a indignação não chegou no grosso de seu eleitorado. O movimento ainda está restrito, em seu bojo, na classe média das grandes cidades - um eleitorado que já não vota em Lula há tempos.
Haddad e Dilma não são políticos. Foram forjados por Lula. Ambos vacilam exatamente na condução política de suas funções e ela ainda apostou em um modelo desenvolvimentista inflacionário para a economia. Exatamente por essas questões, especialmente Dilma, abre um vácuo de poder por onde Lula pode passar. E voltar como salvador da pátria. A conferir.
terça-feira, junho 18, 2013
A Vitória de Rohani no Irã
A vitória de Hassan Rohani no Irã é exatamente isso que parece. Um movimento claro de afastamento da população de uma visão mais radical de governo. Apesar de ser um centrista, sabemos que o vencedor, aos olhos de qualquer governo ocidental, é o conservador, mas na dinâmica política iraniana, é um centrista.
A estratégia política por trás de Rohani funcionou. O ponto central foi a desistência de Reza Aref, o candidato moderado que dividiria os votos centristas e poderia deixar ambos fora de um segundo turno. Com o acordo entre Aref e Rohani, abriu-se a possibilidade de os moderados e centristas despejarem seus votos em somente um candidato. A vitória foi avassaladora.
Do outro lado, o voto conservador se dividiu e não foi possível concentrar os esforços somente em um candidato. Ao contrário dos moderados, viu-se uma desorganização e uma certeza de vitória que iludiu aqueles que pensavam as eleições do lado mais conservador.
Foi uma vitória de Kathami, o antigo Presidente, anterior a Ahmadinejad. Kathami foi o principal articulador nesta reta final e se tornou a ponte para que Reza Aref abrisse mão de sua candidatura em prol de um bem maior, que seria a vitória de um centrista. Não deixa de ser uma vitória também do ex-Presidente Rafsanjani, alijado do processo pelo Conselho de Guadiões, que depositou todas suas fichas na eleição de Rohani. Funcionou.
A população, que compareceu em massa para votar, também mostrou que, depois dos tristes episódios de 2009, estava preparada e decidida a mudar. Mostrou seu posicionamento com contundência a levar Rohani para vitória já no primeiro turno, uma agradável surpresa.
Agora o mundo quer saber quem é Rohani. Bem, é preciso entender que apesar de moderado para termos iranianos, é um conservador e possui o apoio necessário do Aiatolá Khamenei para assumir o cargo. Mas as notícias são boas. Querem saber quem é Rohani? Vamos olhar para Rafsanjani e Khatami e entender que ele deve governar na mesma linha. Internamente recuperando a economia e trazendo menos beligerância no font externo. Ao fim e ao cabo, foi bom para o Irã e foi ótimo para o mundo.
A estratégia política por trás de Rohani funcionou. O ponto central foi a desistência de Reza Aref, o candidato moderado que dividiria os votos centristas e poderia deixar ambos fora de um segundo turno. Com o acordo entre Aref e Rohani, abriu-se a possibilidade de os moderados e centristas despejarem seus votos em somente um candidato. A vitória foi avassaladora.
Do outro lado, o voto conservador se dividiu e não foi possível concentrar os esforços somente em um candidato. Ao contrário dos moderados, viu-se uma desorganização e uma certeza de vitória que iludiu aqueles que pensavam as eleições do lado mais conservador.
Foi uma vitória de Kathami, o antigo Presidente, anterior a Ahmadinejad. Kathami foi o principal articulador nesta reta final e se tornou a ponte para que Reza Aref abrisse mão de sua candidatura em prol de um bem maior, que seria a vitória de um centrista. Não deixa de ser uma vitória também do ex-Presidente Rafsanjani, alijado do processo pelo Conselho de Guadiões, que depositou todas suas fichas na eleição de Rohani. Funcionou.
A população, que compareceu em massa para votar, também mostrou que, depois dos tristes episódios de 2009, estava preparada e decidida a mudar. Mostrou seu posicionamento com contundência a levar Rohani para vitória já no primeiro turno, uma agradável surpresa.
Agora o mundo quer saber quem é Rohani. Bem, é preciso entender que apesar de moderado para termos iranianos, é um conservador e possui o apoio necessário do Aiatolá Khamenei para assumir o cargo. Mas as notícias são boas. Querem saber quem é Rohani? Vamos olhar para Rafsanjani e Khatami e entender que ele deve governar na mesma linha. Internamente recuperando a economia e trazendo menos beligerância no font externo. Ao fim e ao cabo, foi bom para o Irã e foi ótimo para o mundo.
segunda-feira, junho 17, 2013
Os Protestos
Tudo começou em São Paulo. Um protesto contra o aumento das passagens no transporte público. Onde vai parar, se é que vai parar, ninguém sabe, mas ninguém nega que as manifestações que se espalharam desde a capital paulista pegaram o país de surpresa.
O Brasil não vive um bom momento. O aumento da inflação coloca em risco o Plano Real e a estabilização da economia. O aumento de preços e a perda do poder de compra da moeda brasileira é sentida em especial pela classe média e não tardará a se espalhar para as camadas mais pobres da população.
Muitos dizem que o somatório de insatisfações, com a corrupção, gastos com as obras para a Copa, inflação, impunidade, entre tantas outras coisas motivaram a escalada das manifestações. Mas ainda não está claro a que vieram tais protestos e com quais objetivos. A falta de liderança mostra que o movimento é legítimo quanto ao somatório de insatisfações, mas ainda falta um mote, um objetivo, uma meta para toda esta agitação. Querem protestar contra o transporte público? Organizem um dia de boicote. Querem protestar contra os gastos da Copa? Esvaziem os estádios de forma constrangedora.
O grande risco é este movimento se tornar um grito cívico que ecoe em um vazio. Esta chance é grande enquanto o movimento não mostrar a cara e onde quer chegar. É preciso propor mudanças pontuais para que as manifestações estejam calcadas em pleitos claros que possam mudar o estado de coisas que incomoda os brasileiros que tomaram as ruas.
O mais curioso é perceber que as pesquisas não apontavam esta indignação. O governo tem números de aprovação altíssimos. Dilma flerta com uma reeleição tranquila e o assunto mais importante do momento é a transferência de Neymar para o Barcelona. A inflação mostra suas garras, mas ainda não mostrou sua face mais perigosa e o estrago que pode causar.
Se o Brasil acordou de sua eterna letargia é preciso tomar um rumo. O grupo de indignados que tomou as ruas é grande. Mas o que significa mudança para toda essa gente? Já é hora de responder. Caso contrário, o grito cívico será lembrando apenas como uma agitação juvenil.
O Brasil não vive um bom momento. O aumento da inflação coloca em risco o Plano Real e a estabilização da economia. O aumento de preços e a perda do poder de compra da moeda brasileira é sentida em especial pela classe média e não tardará a se espalhar para as camadas mais pobres da população.
Muitos dizem que o somatório de insatisfações, com a corrupção, gastos com as obras para a Copa, inflação, impunidade, entre tantas outras coisas motivaram a escalada das manifestações. Mas ainda não está claro a que vieram tais protestos e com quais objetivos. A falta de liderança mostra que o movimento é legítimo quanto ao somatório de insatisfações, mas ainda falta um mote, um objetivo, uma meta para toda esta agitação. Querem protestar contra o transporte público? Organizem um dia de boicote. Querem protestar contra os gastos da Copa? Esvaziem os estádios de forma constrangedora.
O grande risco é este movimento se tornar um grito cívico que ecoe em um vazio. Esta chance é grande enquanto o movimento não mostrar a cara e onde quer chegar. É preciso propor mudanças pontuais para que as manifestações estejam calcadas em pleitos claros que possam mudar o estado de coisas que incomoda os brasileiros que tomaram as ruas.
O mais curioso é perceber que as pesquisas não apontavam esta indignação. O governo tem números de aprovação altíssimos. Dilma flerta com uma reeleição tranquila e o assunto mais importante do momento é a transferência de Neymar para o Barcelona. A inflação mostra suas garras, mas ainda não mostrou sua face mais perigosa e o estrago que pode causar.
Se o Brasil acordou de sua eterna letargia é preciso tomar um rumo. O grupo de indignados que tomou as ruas é grande. Mas o que significa mudança para toda essa gente? Já é hora de responder. Caso contrário, o grito cívico será lembrando apenas como uma agitação juvenil.
sexta-feira, junho 14, 2013
O Risco Turco
Enquanto no Brasil vive-se um período de protestos, na Turquia a coisa já é um pouco mais séria há tempos. Lá, o Estado democrático e secular fundado por Mustafa Kemal Atatürk começa a fazer água. Não começou agora, mas com a chegada pelo voto dos islâmicos ao poder. Hoje controlam a chefia de Estado e de governo.
Estive a trabalho na Turquia em 2007, quando morava em Viena. Naqueles dias havia também esta tensão entre estado laico e a pressão dos partidos islâmicos que vencem eleições. Nada contra partidos islâmicos, o problema existe quando estes tentam interferir nas estruturas do país para torná-lo mais moldável aos seus preceitos.
O Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdogan está no poder desde 2003. Seu partido, aos poucos tem mudado a face da Turquia, inclinando o país em direção aos preceitos islâmicos. Há resistência. A Turquia moderna, fundada pelo amado Atatürk, um admirador do iluminismo, é laica e sempre se mostrou bindada a qualquer tentativa de intervenção aos preceitos defendidos por seu fundador: "nosso George Washington" me disse um turco, quando estive por lá. O elemento de equilíbrio por ali sempre foram as forças armadas, dispostos a depor e restabelecer os princípios norteadores do país.
Erdogan é um político hábil. Vejam esta capa da Time. Transita no Ocidente e conversa com o Irã. Mas internamente trabalha minando as instituições aos poucos. Há oposição, mas fraca. A imprensa sofre com prisão de jornalistas e os militares também foram atingidos, por serem, evidentemente, a força que poderia depor o governo.
Muito turcos enxergam as novas medidas como a gota d'água contra o estado laico. Tem razão. Os preceitos onde a Turquia moderna foi balizada correm riscos. Por isso os protestos. Por isso a repressão forte aos manifestantes e as teorias de conspiração que levam jornalistas, professores e militares para a prisão. Mas o governo turco joga na esfera internacional de modo inteligente. Não se compromete, mostra-se como o fiel da balança e transita livremente nos salões internacionais. Até que o mundo se dê conta que a Turquia não é mais Turquia que conhecemos.
Estive a trabalho na Turquia em 2007, quando morava em Viena. Naqueles dias havia também esta tensão entre estado laico e a pressão dos partidos islâmicos que vencem eleições. Nada contra partidos islâmicos, o problema existe quando estes tentam interferir nas estruturas do país para torná-lo mais moldável aos seus preceitos.
O Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdogan está no poder desde 2003. Seu partido, aos poucos tem mudado a face da Turquia, inclinando o país em direção aos preceitos islâmicos. Há resistência. A Turquia moderna, fundada pelo amado Atatürk, um admirador do iluminismo, é laica e sempre se mostrou bindada a qualquer tentativa de intervenção aos preceitos defendidos por seu fundador: "nosso George Washington" me disse um turco, quando estive por lá. O elemento de equilíbrio por ali sempre foram as forças armadas, dispostos a depor e restabelecer os princípios norteadores do país.
Erdogan é um político hábil. Vejam esta capa da Time. Transita no Ocidente e conversa com o Irã. Mas internamente trabalha minando as instituições aos poucos. Há oposição, mas fraca. A imprensa sofre com prisão de jornalistas e os militares também foram atingidos, por serem, evidentemente, a força que poderia depor o governo.
Muito turcos enxergam as novas medidas como a gota d'água contra o estado laico. Tem razão. Os preceitos onde a Turquia moderna foi balizada correm riscos. Por isso os protestos. Por isso a repressão forte aos manifestantes e as teorias de conspiração que levam jornalistas, professores e militares para a prisão. Mas o governo turco joga na esfera internacional de modo inteligente. Não se compromete, mostra-se como o fiel da balança e transita livremente nos salões internacionais. Até que o mundo se dê conta que a Turquia não é mais Turquia que conhecemos.
quinta-feira, junho 13, 2013
Eleições no Irã
Poucas coisas na política são tão interessantes quanto eleições no Irã. Um misto de autoritarismo clerical e democracia. As pessoas votam, mas a lista de candidatos deve ser aprovada pelo Conselho de Guardiões. Bem, depois de várias etapas serem vencidas, amanhã os iranianos irão votar, a última etapa deste longo processo.
Os candidatos a Presidente do Irã eram 600. Os clérigos deixaram concorrer apenas oito. Dois desistiram. A corrida final, portanto, será entre seis concorrentes. Como provavelmente haverá segundo turno, apenas dois disputarão o cargo de Ahmadinejad.
O único reformista aprovado pelo Conselho de Guadiões, Mohammad Reza Aref, desistiu de concorrer, talvez porque fosse fosse dividir os votos dos reformistas com o centrista Hassan Rouhani, que é apoiado pelo antigo chefe de governo, Mohammed Khatami. Tudo indica que este convenceu Aref a desistir do páreo para tentar levar um centrista para o segundo turno. Como vemos, a política iraniana teve uma guinada conservadora, dentro de seu espectro, na última década. Ahmadinejad, que deixa o poder, venceu a opção "moderada" no segundo turno de 2005, Akbar Rafsanjani, que tentava voltar ao poder, depois de ter governado entre 1989 e 1997.
A tendência de vitória dos conservadores é grande, até porque Khatami surgiu como um ponto muito moderado fora da curva mais conservadora da política iraniana. Antes dele, o presidente era Rafsanjani, considerado um conservador moderado. Depois do intervalo reformista chegou ao poder o obscuro prefeito de Teerã, Ahmadinejad. Vemos então, uma tendência ao conservadorismo e um esforço brutal do grupo de Khatami para chegar ao segundo turno. Por isso a desistência de Aref em favor de Rouhani.
A disputa no Irã é o fato político desta semana e deve ser acompanhado com atenção por todos analistas. A passagem de Rouhani para o segundo turno e sua eventual eleição pode trazer ventos de melhoria na relação do Irã com o mundo. Certamente, em uma eleição controlada pelo Conselho de Guardiões, não pode-se esperar muito, mas qualquer melhoria seria bem vinda.
Os candidatos a Presidente do Irã eram 600. Os clérigos deixaram concorrer apenas oito. Dois desistiram. A corrida final, portanto, será entre seis concorrentes. Como provavelmente haverá segundo turno, apenas dois disputarão o cargo de Ahmadinejad.
O único reformista aprovado pelo Conselho de Guadiões, Mohammad Reza Aref, desistiu de concorrer, talvez porque fosse fosse dividir os votos dos reformistas com o centrista Hassan Rouhani, que é apoiado pelo antigo chefe de governo, Mohammed Khatami. Tudo indica que este convenceu Aref a desistir do páreo para tentar levar um centrista para o segundo turno. Como vemos, a política iraniana teve uma guinada conservadora, dentro de seu espectro, na última década. Ahmadinejad, que deixa o poder, venceu a opção "moderada" no segundo turno de 2005, Akbar Rafsanjani, que tentava voltar ao poder, depois de ter governado entre 1989 e 1997.
A tendência de vitória dos conservadores é grande, até porque Khatami surgiu como um ponto muito moderado fora da curva mais conservadora da política iraniana. Antes dele, o presidente era Rafsanjani, considerado um conservador moderado. Depois do intervalo reformista chegou ao poder o obscuro prefeito de Teerã, Ahmadinejad. Vemos então, uma tendência ao conservadorismo e um esforço brutal do grupo de Khatami para chegar ao segundo turno. Por isso a desistência de Aref em favor de Rouhani.
A disputa no Irã é o fato político desta semana e deve ser acompanhado com atenção por todos analistas. A passagem de Rouhani para o segundo turno e sua eventual eleição pode trazer ventos de melhoria na relação do Irã com o mundo. Certamente, em uma eleição controlada pelo Conselho de Guardiões, não pode-se esperar muito, mas qualquer melhoria seria bem vinda.
terça-feira, junho 11, 2013
Reação Européia
Enquanto a Alemanha ataca, o Reino Unido se defende. Ainda sob o impacto das revelações de Edward Snowden, os líderes mundiais e, em especial os europeus, começam a dar os primeiros sinais dos reflexos que a crise gerada pela violação de informações pelos Estados Unidos pode exercer nas relações internacionais.
Em Londres o movimento foi de cautela, isto porque o Guardian fala sobre a possibilidade de o governo britânico ter se beneficiado da espionagem norte-americana, que pode ter vigiado cidadãos ingleses. Downing Street nega e o ministro de Relações Exteriores, William Hague, veio a público dizer que os britânicos atuam somente dentro da lei. Sabemos que sempre existiu uma cooperação muito próxima entre Londres e Washington. Caso provas do envolvimento do governo de Cameron surjam, o preço político será alto.
Se em Londres havia cautela, em Berlim o tom já foi outro. A Alemanha é um país que já sofreu a brutal vigilância do Estado durante o regime comunista em sua parte oriental. A reação, portanto, foi proporcional ao conhecimento que os germânicos guardam destas práticas. Obama estará em Berlim na próxima semana e Angela Merkel prometeu cobrar explicações. Certamente a recepção ao Presidente americano será muito diferente daquela recebida quando, enquanto candidato, empolgou 200 mil alemães no Portão de Brandemburgo em 2008. Obama pretendia repetir o feito. Resta saber se, diante dos escândalos em escalada internacional de seu governo, manterá a agenda.
Em Bruxelas, políticos de vários países da União Européia disseram que a Europa sente-se indefesa frente aos movimentos de espionagem americanos. Uma reunião ministerial entre Europa e Estados Unidos esta semana em Dublin tem tudo para se tornar o primeiro foro formal de discussão e cobranças européias ante os Estados Unidos.
Fato é que se Bush ainda ocupasse a Casa Branca, a situação seria muito pior. A complacência com que o governo Obama é tratado na imprensa não dá a real dimensão do escândalo e incentiva a continuidade de práticas obscuras. O caso é sério, mas se fosse um Presidente republicano, a gritaria seria ensurdecedora. Enquanto isso, Obama tenta resgatar os cacos de sua imagem, que se desfaz aos poucos frente ao mundo e em especial em relação a Europa, afinal, a justificativa de que os americanos não espionavam americanos, apenas estrangeiros, deixou os líderes europeus ainda mais enfurecidos.
Em Londres o movimento foi de cautela, isto porque o Guardian fala sobre a possibilidade de o governo britânico ter se beneficiado da espionagem norte-americana, que pode ter vigiado cidadãos ingleses. Downing Street nega e o ministro de Relações Exteriores, William Hague, veio a público dizer que os britânicos atuam somente dentro da lei. Sabemos que sempre existiu uma cooperação muito próxima entre Londres e Washington. Caso provas do envolvimento do governo de Cameron surjam, o preço político será alto.
Se em Londres havia cautela, em Berlim o tom já foi outro. A Alemanha é um país que já sofreu a brutal vigilância do Estado durante o regime comunista em sua parte oriental. A reação, portanto, foi proporcional ao conhecimento que os germânicos guardam destas práticas. Obama estará em Berlim na próxima semana e Angela Merkel prometeu cobrar explicações. Certamente a recepção ao Presidente americano será muito diferente daquela recebida quando, enquanto candidato, empolgou 200 mil alemães no Portão de Brandemburgo em 2008. Obama pretendia repetir o feito. Resta saber se, diante dos escândalos em escalada internacional de seu governo, manterá a agenda.
Em Bruxelas, políticos de vários países da União Européia disseram que a Europa sente-se indefesa frente aos movimentos de espionagem americanos. Uma reunião ministerial entre Europa e Estados Unidos esta semana em Dublin tem tudo para se tornar o primeiro foro formal de discussão e cobranças européias ante os Estados Unidos.
Fato é que se Bush ainda ocupasse a Casa Branca, a situação seria muito pior. A complacência com que o governo Obama é tratado na imprensa não dá a real dimensão do escândalo e incentiva a continuidade de práticas obscuras. O caso é sério, mas se fosse um Presidente republicano, a gritaria seria ensurdecedora. Enquanto isso, Obama tenta resgatar os cacos de sua imagem, que se desfaz aos poucos frente ao mundo e em especial em relação a Europa, afinal, a justificativa de que os americanos não espionavam americanos, apenas estrangeiros, deixou os líderes europeus ainda mais enfurecidos.
segunda-feira, junho 10, 2013
Inimigo do Estado
Apareceu o homem que vazou para o Guardian e o Washington Post a informação de que Obama bisbilhotava a vida dos americanos. Ele se chama Edward Snowden, tem 29 anos, e trabalhava para uma empresa privada, Booz Allen Hamilton, que realiza trabalhos para a NSA, orgão do governo americano.
Snowden, tudo indica, saiu dos Estados Unidos para vazar estas informações e realizou a entrevista em Hong Kong, onde estaria agora. Ele acaba de se tornar o inimigo número 1 da máquina do governo onde prestava serviços. Ainda não foi acusado formalmente de nada, mas o Departamento de Justiça, sim aquele mesmo órgão que andou vigiando a Associated Press, abriu investigação sobre ele.
Edward Snowden se transformou no inimigo do Estado. Além da administração Obama, que já busca fechar o cerco contra o analista, os republicanos, que realizam a oposição ao governo instalado na Casa Branca também voltaram-se contra o delator. A única voz em favor de Snowden veio do criador do Wikileaks, Juliana Assange, refugiado na embaixada equatoriana em Londres.
O homem que ousou desafiar o sistema agora está assustado, pois está sozinho. Ele declarou que o monitoramento é aterrador e espalha-se por servidores do Google, Microsoft, Facebook, Yahoo, Skype e Apple. Sua preocupação, segundo ele, era preservar as liberdade individuais históricas dos Estados Unidos. Diz que chamá-lo de criminoso é uma hipocrisia, já que o governo é o maior violador das liberdades que existe. Mas o que conseguiu até o momento foi movimentar todo este aparato conta si mesmo.
Mais uma crise no governo Obama. Pelo mesmo motivo.
Snowden, tudo indica, saiu dos Estados Unidos para vazar estas informações e realizou a entrevista em Hong Kong, onde estaria agora. Ele acaba de se tornar o inimigo número 1 da máquina do governo onde prestava serviços. Ainda não foi acusado formalmente de nada, mas o Departamento de Justiça, sim aquele mesmo órgão que andou vigiando a Associated Press, abriu investigação sobre ele.
Edward Snowden se transformou no inimigo do Estado. Além da administração Obama, que já busca fechar o cerco contra o analista, os republicanos, que realizam a oposição ao governo instalado na Casa Branca também voltaram-se contra o delator. A única voz em favor de Snowden veio do criador do Wikileaks, Juliana Assange, refugiado na embaixada equatoriana em Londres.
O homem que ousou desafiar o sistema agora está assustado, pois está sozinho. Ele declarou que o monitoramento é aterrador e espalha-se por servidores do Google, Microsoft, Facebook, Yahoo, Skype e Apple. Sua preocupação, segundo ele, era preservar as liberdade individuais históricas dos Estados Unidos. Diz que chamá-lo de criminoso é uma hipocrisia, já que o governo é o maior violador das liberdades que existe. Mas o que conseguiu até o momento foi movimentar todo este aparato conta si mesmo.
Mais uma crise no governo Obama. Pelo mesmo motivo.
sexta-feira, junho 07, 2013
Big Barack Obama Brother
E o governo Obama acaba mais uma vez enrolado com questões ligadas às liberdades individuais. Para quem chegou ao poder propondo mudanças em Washington ou uma nova forma de fazer política, o Presidente americano, que hoje mais se parece uma mistura de Nixon com Jimmy Carter com pitadas de George Bush e o carisma de Kennedy, pode terminar seu segundo termo de forma melancólica.
Como se não fosse o bastante investigar jornalistas, o governo ultrapassou todos os limites ao vigiar os cidadãos em suas ligações telefônicas. Tudo indica que Obama usou os meios legais para obter tais dados, mas a questão não é tão somente legal, é moral. Como um governo que se diz democrático usa a justificativa da segurança para vigiar a população? Sob todos os aspectos este não foi o Obama eleito para governar os Estados Unidos. Quem chegou ao governo acusando Bush de usar e abusar das liberdades civis, agora no Salão Oval, faz pior.
A denúncia de que existe um monitoramento do governo em relação às ligações da operadora Verizon surgiu na Inglaterra, veio do jornal The Guardian, nitidamente de esquerda, ligado às idéias do Partido Trabalhista, ou seja, simpático a Obama. O Washington Post, sempre pró-democrata, também denunciou o abuso. Obama mexeu em um vespeiro quando bisbilhotou os jornalistas da Associated Press. Comprou uma briga com uma mídia que até aquele momento era condescendente com os desvios de conduta de seu governo.
Na esfera política, os republicanos podem atacar Obama, mas o efeito não deve ser dos piores, pois o GOP está com a imagem muito arranhada perante a opinião pública. É o momento para os Republicanos se organizarem e entenderem o eleitorado, mirando nas eleições para o Congresso no próximo ano e nas presidenciais logo depois.
Obama está perdendo a mão, mas isto não quer dizer que os Republicanos estejam ganhando com isso.
Como se não fosse o bastante investigar jornalistas, o governo ultrapassou todos os limites ao vigiar os cidadãos em suas ligações telefônicas. Tudo indica que Obama usou os meios legais para obter tais dados, mas a questão não é tão somente legal, é moral. Como um governo que se diz democrático usa a justificativa da segurança para vigiar a população? Sob todos os aspectos este não foi o Obama eleito para governar os Estados Unidos. Quem chegou ao governo acusando Bush de usar e abusar das liberdades civis, agora no Salão Oval, faz pior.
A denúncia de que existe um monitoramento do governo em relação às ligações da operadora Verizon surgiu na Inglaterra, veio do jornal The Guardian, nitidamente de esquerda, ligado às idéias do Partido Trabalhista, ou seja, simpático a Obama. O Washington Post, sempre pró-democrata, também denunciou o abuso. Obama mexeu em um vespeiro quando bisbilhotou os jornalistas da Associated Press. Comprou uma briga com uma mídia que até aquele momento era condescendente com os desvios de conduta de seu governo.
Na esfera política, os republicanos podem atacar Obama, mas o efeito não deve ser dos piores, pois o GOP está com a imagem muito arranhada perante a opinião pública. É o momento para os Republicanos se organizarem e entenderem o eleitorado, mirando nas eleições para o Congresso no próximo ano e nas presidenciais logo depois.
Obama está perdendo a mão, mas isto não quer dizer que os Republicanos estejam ganhando com isso.
terça-feira, maio 28, 2013
Lobo Francês
Lobos solitários que geram uma escalada de terror em seqüência. Primeiro os irmãos Tsarnaev em Boston, depois o ataque ao soldado em Londres e agora, logo depois, um novo ataque a um soldado, desta vez em Paris. O fio condutor é o mesmo: radicalismo islâmico.
A França, dentre todos os países citados, é o mais vulnerável. Com uma população muçulmana estimada entre 5 e 6 milhões de pessoas, na sua maioria dependentes da ajuda do Estado, existe um barril de pólvora que pode entrar em combustão a qualquer momento. O ataque em La Défense é apenas mais um capítulo de uma história que começa a se tornar perigosa.
O perigo vem no sentindo de que cada um destes ataques motiva o próximo. Nenhum deles é altamente planejado ou possui por trás a estrutura de uma organização terrorista. Geralmente é operada por jovens, convertidos ao radicalismo islâmico já adultos e reféns da crença de que podem se tornar mártires apenas empunhando uma faca, revólver ou panela de pressão cheia de pregos e explosivos.
A França mexeu em um vespeiro quando passou a combater militantes da Al Qaeda no Mali. O problema é meter-se em um conflito deste tipo quando existem 6 milhões de muçulmanos em casa, muitos deles radicais e detentores de passaportes franceses, com livre circulação por toda Europa. A vulnerabilidade francesa torna-se também uma vulnerabilidade para todos os vizinhos europeus.
No momento, o que radicalismo islâmico precisa, a França tem a oferecer: Um Estado que combate a Al-Qaeda e imigrantes muçulmanos vivendo em guetos dependendo do Estado com passaportes franceses. O elemento detonador, ou seja, uma garagem usada como mesquita de pregação radical é o combustível necessário para esses tristes tipos de ataques que temos visto.
A França, dentre todos os países citados, é o mais vulnerável. Com uma população muçulmana estimada entre 5 e 6 milhões de pessoas, na sua maioria dependentes da ajuda do Estado, existe um barril de pólvora que pode entrar em combustão a qualquer momento. O ataque em La Défense é apenas mais um capítulo de uma história que começa a se tornar perigosa.
O perigo vem no sentindo de que cada um destes ataques motiva o próximo. Nenhum deles é altamente planejado ou possui por trás a estrutura de uma organização terrorista. Geralmente é operada por jovens, convertidos ao radicalismo islâmico já adultos e reféns da crença de que podem se tornar mártires apenas empunhando uma faca, revólver ou panela de pressão cheia de pregos e explosivos.
A França mexeu em um vespeiro quando passou a combater militantes da Al Qaeda no Mali. O problema é meter-se em um conflito deste tipo quando existem 6 milhões de muçulmanos em casa, muitos deles radicais e detentores de passaportes franceses, com livre circulação por toda Europa. A vulnerabilidade francesa torna-se também uma vulnerabilidade para todos os vizinhos europeus.
No momento, o que radicalismo islâmico precisa, a França tem a oferecer: Um Estado que combate a Al-Qaeda e imigrantes muçulmanos vivendo em guetos dependendo do Estado com passaportes franceses. O elemento detonador, ou seja, uma garagem usada como mesquita de pregação radical é o combustível necessário para esses tristes tipos de ataques que temos visto.
segunda-feira, maio 27, 2013
Perdão, Africanos
E o Brasil mais vez perdoa dívidas de países africanos. Uma política que começou durante o governo Lula seguiu o mesmo rumo na administração Dilma. Desta vez foram 900 milhões de dólares em perdões e renegociações, mas na sua maioria, perdão de dívidas africanas com o Brasil. Congo-Brazaville, Tanzânia e Zâmbia tiveram as maiores boladas perdoadas, mas o saco de bondades dos brasileiros se estendeu por mais nove países.
Existem dois vetores estratégicos destes perdões. O primeiro deles é tornar o Brasil uma "nação amiga" da África, obtendo apoio maciço dos países deste continente em fóruns internacionais. O Brasil galga, aos poucos, uma estratégia dentro das Nações Unidas para levá-lo a uma cadeira permanente do Conselho de Segurança. A estratégia, neste sentido, é obter o apoio do maior número de países. A África, com dezenas deles, tem um peso decisivo em muitos fóruns.
O outro vetor é econômico. O Brasil tem interesses na África. Tem interesse em suas commodities. Empresas brasileiras têm contratos polpudos com muitos países do continente, assim, para facilitar o acesso e as portas abertas dos africanos para as grandes empresas brasileiras, nada melhor do que o governo se mostrar "amigo da África".
Ambas vetores desta política são passíveis de críticas. O primeiro é volátil. Nada pode garantir que interesses pontuais possam mudar o voto dos africanos nos fóruns internacionais. Como não há agenda e entendimento comum, traçar acordos de longo prazo, muitas vezes com ditadores que podem cair a qualquer momento, se torna um movimento arriscado.
Quanto ao viés econômico, sabemos que pouco a pouco o Brasil tem começado a ser visto como explorador pela população africana. A Vale, por exemplo, já sente na pele este reflexo. Não há nada que o governo brasileiro possa fazer que altere este estado de coisas. Na verdade, perdoar a dívida nada altera isso, uma vez que os benefícios de um perdão jamais chegam a ter reflexos diretos para a população de países pobres e com altas taxas de corrupção.
Já está na hora de o Brasil adotar medidas mais pragmáticas de política exterior. Brincar de superpotência na África já deixou de ter graça.
Existem dois vetores estratégicos destes perdões. O primeiro deles é tornar o Brasil uma "nação amiga" da África, obtendo apoio maciço dos países deste continente em fóruns internacionais. O Brasil galga, aos poucos, uma estratégia dentro das Nações Unidas para levá-lo a uma cadeira permanente do Conselho de Segurança. A estratégia, neste sentido, é obter o apoio do maior número de países. A África, com dezenas deles, tem um peso decisivo em muitos fóruns.
O outro vetor é econômico. O Brasil tem interesses na África. Tem interesse em suas commodities. Empresas brasileiras têm contratos polpudos com muitos países do continente, assim, para facilitar o acesso e as portas abertas dos africanos para as grandes empresas brasileiras, nada melhor do que o governo se mostrar "amigo da África".
Ambas vetores desta política são passíveis de críticas. O primeiro é volátil. Nada pode garantir que interesses pontuais possam mudar o voto dos africanos nos fóruns internacionais. Como não há agenda e entendimento comum, traçar acordos de longo prazo, muitas vezes com ditadores que podem cair a qualquer momento, se torna um movimento arriscado.
Quanto ao viés econômico, sabemos que pouco a pouco o Brasil tem começado a ser visto como explorador pela população africana. A Vale, por exemplo, já sente na pele este reflexo. Não há nada que o governo brasileiro possa fazer que altere este estado de coisas. Na verdade, perdoar a dívida nada altera isso, uma vez que os benefícios de um perdão jamais chegam a ter reflexos diretos para a população de países pobres e com altas taxas de corrupção.
Já está na hora de o Brasil adotar medidas mais pragmáticas de política exterior. Brincar de superpotência na África já deixou de ter graça.
quinta-feira, maio 23, 2013
Ataque em Londres
O ataque a um soldado em Londres em plena luz do dia mostra a face mais cruel e atual do terrorismo, do extremismo islâmico e da vulnerabilidade de qualquer país a um ato como este.
O caso é muito similar ao ataque ocorrido em Boston. Métodos caseiros e motivação religiosa. Depois de Boston e Londres sabemos uma coisa: não será a última vez. Tresloucados movidos por uma verve religiosa continuarão a agir por sua conta e risco.
Os Estados souberam lidar com o terrorismo em larga escala e com os grande grupos, sua logística e estrutura de organização. A Al Qaeda é um caso clássico de como a organização dos sistemas de inteligência são capazes de desarticular grupos terroristas. O problema são as sementes que grupos como este deixaram espalhados pelos mundo, em pequenas mesquitas que operam em garagens, locais clandestinos, de viés radical e que impulsionam ações isoladas de fiéis.
Outro desafio para a comunidade internacional e local é entender que muitos dos extremistas não são imigrantes, como os irmãos Tsarnaev, de Boston. Muitos dos terroristas são cidadãos nacionais, dotados de passaportes dos países das vítimas, nascidos no território onde ocorreram os ataques. São geralmente filhos e netos de imigrantes que não conseguiram se integrar na cultura local e vivem da assistência do governo.
Uma das alternativas para acelerar o processo de adaptação cultural é forçar os imigrantes e filhos de imigrantes a se integrar, retirando a assistência do Estado que os mantém em guetos sem trabalhar. As políticas de assistência deveriam ser convertidas em incentivos para que estes imigrantes se tornassem pequenos empreendedores em suas comunidades e assim passassem a fazer parte da cultura local.
O debate é extenso e precisa amadurecer, entretanto, enquanto o problema não for tratado em seu nascedouro, ataques como o de Madri em 2004, Londres em 2005, Boston e Londres em 2013, continuarão a ocorrer.
O caso é muito similar ao ataque ocorrido em Boston. Métodos caseiros e motivação religiosa. Depois de Boston e Londres sabemos uma coisa: não será a última vez. Tresloucados movidos por uma verve religiosa continuarão a agir por sua conta e risco.
Os Estados souberam lidar com o terrorismo em larga escala e com os grande grupos, sua logística e estrutura de organização. A Al Qaeda é um caso clássico de como a organização dos sistemas de inteligência são capazes de desarticular grupos terroristas. O problema são as sementes que grupos como este deixaram espalhados pelos mundo, em pequenas mesquitas que operam em garagens, locais clandestinos, de viés radical e que impulsionam ações isoladas de fiéis.
Outro desafio para a comunidade internacional e local é entender que muitos dos extremistas não são imigrantes, como os irmãos Tsarnaev, de Boston. Muitos dos terroristas são cidadãos nacionais, dotados de passaportes dos países das vítimas, nascidos no território onde ocorreram os ataques. São geralmente filhos e netos de imigrantes que não conseguiram se integrar na cultura local e vivem da assistência do governo.
Uma das alternativas para acelerar o processo de adaptação cultural é forçar os imigrantes e filhos de imigrantes a se integrar, retirando a assistência do Estado que os mantém em guetos sem trabalhar. As políticas de assistência deveriam ser convertidas em incentivos para que estes imigrantes se tornassem pequenos empreendedores em suas comunidades e assim passassem a fazer parte da cultura local.
O debate é extenso e precisa amadurecer, entretanto, enquanto o problema não for tratado em seu nascedouro, ataques como o de Madri em 2004, Londres em 2005, Boston e Londres em 2013, continuarão a ocorrer.
quarta-feira, maio 22, 2013
PMDB: Bate e Assopra
O PMDB acaba de reforçar seu time de articulação política com a chegada de Eliseu Padilha. Ele, que já foi ministro e deputado, é um dos maiores conhecedores dos meandros do parlamento, em especial a Câmara, e chega, em tese para apagar o fogo causado pelas rebeldias do líder do PMDB na casa, Eduardo Cunha. Em tese.
Na verdade o governo sofre com a ausência de uma coordenação política eficiente. O PT, como bem lembrou o cientista político Paulo Kramer, não é um partido adepto da democracia representativa, logo, tem muita dificuldade em articular acordos. Alugar a base foi uma estratégia no governo Lula, o plano que desaguou no Mensalão. Não deu certo. Portanto, diante dos desafios de governar e executar parcerias com o Congresso, o PT necessita do PMDB.
O problema está posto quando PT e PMDB se desentendem. Sem capacidade de articulação parlamentar, o PT tornou-se refém do PMDB, que esbanja qualidade na arte de costurar acordos e cobrar faturas. A rebeldia do partido, executada por Eduardo Cunha, nada mais foi do que mais um capítulo do jogo de morde e assopra. Neste caso, quem assoprou foi Renan.
A central de desaforos contra parlamentares, geralmente instalada no Palácio do Planalto, tem gerado problemas para Dilma. Com estilo duro, desagrada aqueles deputados que precisam apenas sentir-se importantes. Lula fazia isto bem. Collor tinha o estilo de Dilma. Caiu. Ela tem apoio de ampla base e representa um projeto maior, portanto, não corre o risco de cair. Já governar é outra história.
O PMDB é o partido mais infiel da base do governo, mas mesmo assim é o fiel da balança. Seguiu a orientação de Dilma apenas em 41,15% das votações. Da base, o PT é o campeão, com 80,95% de fidelidade. Mesmo assim, o Planalto segue nas mãos do PMDB quando o assunto é Congresso Nacional. A chegada de Padilha, oficialmente, é para facilitar o diálogo do governo com o parlamento. Na prática fortalecerá o bate e assopra, o que apenas fortalece o partido. A fatura acabou de ficar maior.
Na verdade o governo sofre com a ausência de uma coordenação política eficiente. O PT, como bem lembrou o cientista político Paulo Kramer, não é um partido adepto da democracia representativa, logo, tem muita dificuldade em articular acordos. Alugar a base foi uma estratégia no governo Lula, o plano que desaguou no Mensalão. Não deu certo. Portanto, diante dos desafios de governar e executar parcerias com o Congresso, o PT necessita do PMDB.
O problema está posto quando PT e PMDB se desentendem. Sem capacidade de articulação parlamentar, o PT tornou-se refém do PMDB, que esbanja qualidade na arte de costurar acordos e cobrar faturas. A rebeldia do partido, executada por Eduardo Cunha, nada mais foi do que mais um capítulo do jogo de morde e assopra. Neste caso, quem assoprou foi Renan.
A central de desaforos contra parlamentares, geralmente instalada no Palácio do Planalto, tem gerado problemas para Dilma. Com estilo duro, desagrada aqueles deputados que precisam apenas sentir-se importantes. Lula fazia isto bem. Collor tinha o estilo de Dilma. Caiu. Ela tem apoio de ampla base e representa um projeto maior, portanto, não corre o risco de cair. Já governar é outra história.
O PMDB é o partido mais infiel da base do governo, mas mesmo assim é o fiel da balança. Seguiu a orientação de Dilma apenas em 41,15% das votações. Da base, o PT é o campeão, com 80,95% de fidelidade. Mesmo assim, o Planalto segue nas mãos do PMDB quando o assunto é Congresso Nacional. A chegada de Padilha, oficialmente, é para facilitar o diálogo do governo com o parlamento. Na prática fortalecerá o bate e assopra, o que apenas fortalece o partido. A fatura acabou de ficar maior.
terça-feira, maio 21, 2013
Bolsa-Planalto
O rumor do fim do Bolsa Família, assim como aquele que dizia que haveria um bônus pelo dia das Mães, deixou o País em pânico, pois hordas de pessoas foram até os postos de saque e agências da Caixa Econômica Federal desesperados para retirar dinheiro.
Pois então a ministra Maria do Rosário vem a público dizer que o boato era coisa da oposição. Depois desculpou-se pela irresponsabilidade de suas palavras, mas seguiu dizendo que era sua opinião pessoal. Seria a oposição? Poderia até ser se houvesse oposição. De fato, não temos.
Todo esse acontecimento deixa claro uma coisa: o jogo da sucessão presidencial já começou. Dilma e sua equipe resolveram entrar em campo para defender o direito do petismo de se manter no comando do país. Gilberto Carvalho, o homem de Lula no Planalto, já havia avisado que o jogo seria iniciado. Começou. Dilma disse que em campanha se faz o diabo. Pois bem, o diabo começou a ser feito.
Eduardo Campos colocou o bloco no rua. Aécio começa a dar seus primeiros passos. Marina acena lá e cá na construção de sua Rede e assim a sucessão vai tomando forma. O PT mostrou seus dentes. Mostrou o poder do Bolsa-Família e como existem brasileiros dependentes deste tipo de programa. Assim que começar a campanha para valer, esta mesma parcela da população será assustada, mais uma vez, com a notícia de que se o PT não vencer, o dinheiro secará. Como sentiram o gosto amargo do pesadelo, votarão na manutenção do butim.
O boato foi então espalhado pela oposição? Não, de forma alguma, nem a oposição seria tão infantil. O jogo pesado já começou.
Pois então a ministra Maria do Rosário vem a público dizer que o boato era coisa da oposição. Depois desculpou-se pela irresponsabilidade de suas palavras, mas seguiu dizendo que era sua opinião pessoal. Seria a oposição? Poderia até ser se houvesse oposição. De fato, não temos.
Todo esse acontecimento deixa claro uma coisa: o jogo da sucessão presidencial já começou. Dilma e sua equipe resolveram entrar em campo para defender o direito do petismo de se manter no comando do país. Gilberto Carvalho, o homem de Lula no Planalto, já havia avisado que o jogo seria iniciado. Começou. Dilma disse que em campanha se faz o diabo. Pois bem, o diabo começou a ser feito.
Eduardo Campos colocou o bloco no rua. Aécio começa a dar seus primeiros passos. Marina acena lá e cá na construção de sua Rede e assim a sucessão vai tomando forma. O PT mostrou seus dentes. Mostrou o poder do Bolsa-Família e como existem brasileiros dependentes deste tipo de programa. Assim que começar a campanha para valer, esta mesma parcela da população será assustada, mais uma vez, com a notícia de que se o PT não vencer, o dinheiro secará. Como sentiram o gosto amargo do pesadelo, votarão na manutenção do butim.
O boato foi então espalhado pela oposição? Não, de forma alguma, nem a oposição seria tão infantil. O jogo pesado já começou.
sexta-feira, maio 17, 2013
O Milagre Japonês
Shinzo Abe voltou ao poder no Japão. Depois de um governo desastroso em 2007, quando sucedeu o brilhante Junichiro Koizumi, Abe parece ter voltado renovado e revigorado. Levou seu partido de volta ao poder e pelo andar das coisas conseguirá obter maioria na Câmara Alta nas próximas eleições. Se você acha que viu reformas até aqui, espere até o partido liberal democrático conseguir esta vitória eleitoral.
O foco principal das ações de Abe neste retorno residem na área econômica. Na verdade não só porque o Japão necessita desesperadamente de reformas, mas porque viu seu poderio econômico foi superado pela pujança chinesa. Uma China forte frente a um Japão apático pode levar a outros desdobramentos mais sérios. Portanto, é hora de o Japão responder.
Abe trabalha em três frentes: estímulo fiscal, foco na inflação (ou deflação) e reformas estruturais. Já lançou as duas iniciativas iniciais, despejando dinheiro na economia, o que mexeu na questão inflacionária e no valor da moeda, barateando as exportações. O terceiro tiro virá somente depois das eleições.
O problema até aqui é observar que o choque de estímulos que tem feito o Japão responder positivamente é oriundo de manobras derivadas do Estado. Se for usado apenas como estímulo, ao invés de indutor inicial, pode trazer bons resultados. O perigo é o Estado centralizar e adotar estas posições no longo prazo, manipulando a economia. Se chegarmos aí, o Japão colherá problemas.
Por enquanto tudo é sucesso. Aprovação de 70% do governo e a possibilidade de uma vitória avassaladora na Câmara Alta, o que propiciará Abe a passar toda a reforma que tem em mente. Por enquanto é observar, como está fazendo a China.
O foco principal das ações de Abe neste retorno residem na área econômica. Na verdade não só porque o Japão necessita desesperadamente de reformas, mas porque viu seu poderio econômico foi superado pela pujança chinesa. Uma China forte frente a um Japão apático pode levar a outros desdobramentos mais sérios. Portanto, é hora de o Japão responder.
Abe trabalha em três frentes: estímulo fiscal, foco na inflação (ou deflação) e reformas estruturais. Já lançou as duas iniciativas iniciais, despejando dinheiro na economia, o que mexeu na questão inflacionária e no valor da moeda, barateando as exportações. O terceiro tiro virá somente depois das eleições.
O problema até aqui é observar que o choque de estímulos que tem feito o Japão responder positivamente é oriundo de manobras derivadas do Estado. Se for usado apenas como estímulo, ao invés de indutor inicial, pode trazer bons resultados. O perigo é o Estado centralizar e adotar estas posições no longo prazo, manipulando a economia. Se chegarmos aí, o Japão colherá problemas.
Por enquanto tudo é sucesso. Aprovação de 70% do governo e a possibilidade de uma vitória avassaladora na Câmara Alta, o que propiciará Abe a passar toda a reforma que tem em mente. Por enquanto é observar, como está fazendo a China.
quinta-feira, maio 16, 2013
Change?
Obama parece ser uma pessoa bacana. É o típico caso daquele cidadão que você gostaria de receber para jantar em sua casa. É um belo candidato. Em suas duas eleições esbanjou carisma e acordos certeiros no momento correto, tanto nas primárias, quanto nas eleições. Já derrotou Hillary Clinton, John McCain e Mitt Romney. Obama, vale lembrar, é um candidato oriundo da desleal e suja política de Chicago, de onde é prefeito seu antigo Chefe de Gabinete, Rahm Emanuel.
No governo, entretanto, Obama tem se mostrado diferente. O candidato que falava em mudança, inclusão e despejava otimismo frente aos imigrantes legais e ilegais, assim que chegou para governar mudou. Não mudou o discurso, mas percebeu-se que na prática vemos um Presidente muito distante de suas promessas. Por exemplo, é o Presidente que mais deportou ilegais dos Estados Unidos.
Quantos votos recebeu com a promessa de fechar Guantánamo? Muitos. Bem, esta é uma promessa que ficou pelo caminho. Vale lembrar que o mesmo candidato que se elegeu com base na crítica sobre as políticas internacionais de Bush, manteve seu Secretário de Defesa, Robert Gates, por anos frente ao Pentágono. Não é o que podemos chamar de mudança na agenda das guerras no Afeganistão e Iraque.
O Presidente que caçou e pegou Bin Laden é responsável também pelo uso brutal dos drones, aviões não tripulados que realizam inesgotáveis caças a alvos definidos pelos sistemas de defesa. Imaginem se Bush tivesse a audácia de usar os drones desta forma...seria bombardeado, pela imprensa.
Quando a imprensa divulgou alvos do governo americano em sua guerra ao terrorismo, Obama ficou furioso. Desta vez, foi mais adiante: seu governo monitorou os números de telefones das fontes jornalísticas usadas pela Associated Press. Esqueceu que existe a Primeira Emenda da Constituição.
Os escândalos mais recentes, como na AP, além de outros como aqueles envolvendo Bengazhi e por fim a caça discriminatória do IRS (Receita Federal americana) para monitorar entidades e membros ligados ao Tea Party - movimento ligado partido opositor, o Republicano, somente mostram uma face perigosa da administração Obama.
Ele chegou prometendo mudaças. Change. Enfim, o que mudou, parece ser para pior. As políticas de seu governo, guiadas por suas decisões, são temerárias. Atentam muitas vezes contra princípios primordiais da formação dos Estados Unidos. A gritaria já começou.
A próxima eleição pode trazer um republicano de volta para Casa Branca.
No governo, entretanto, Obama tem se mostrado diferente. O candidato que falava em mudança, inclusão e despejava otimismo frente aos imigrantes legais e ilegais, assim que chegou para governar mudou. Não mudou o discurso, mas percebeu-se que na prática vemos um Presidente muito distante de suas promessas. Por exemplo, é o Presidente que mais deportou ilegais dos Estados Unidos.
Quantos votos recebeu com a promessa de fechar Guantánamo? Muitos. Bem, esta é uma promessa que ficou pelo caminho. Vale lembrar que o mesmo candidato que se elegeu com base na crítica sobre as políticas internacionais de Bush, manteve seu Secretário de Defesa, Robert Gates, por anos frente ao Pentágono. Não é o que podemos chamar de mudança na agenda das guerras no Afeganistão e Iraque.
O Presidente que caçou e pegou Bin Laden é responsável também pelo uso brutal dos drones, aviões não tripulados que realizam inesgotáveis caças a alvos definidos pelos sistemas de defesa. Imaginem se Bush tivesse a audácia de usar os drones desta forma...seria bombardeado, pela imprensa.
Quando a imprensa divulgou alvos do governo americano em sua guerra ao terrorismo, Obama ficou furioso. Desta vez, foi mais adiante: seu governo monitorou os números de telefones das fontes jornalísticas usadas pela Associated Press. Esqueceu que existe a Primeira Emenda da Constituição.
Os escândalos mais recentes, como na AP, além de outros como aqueles envolvendo Bengazhi e por fim a caça discriminatória do IRS (Receita Federal americana) para monitorar entidades e membros ligados ao Tea Party - movimento ligado partido opositor, o Republicano, somente mostram uma face perigosa da administração Obama.
Ele chegou prometendo mudaças. Change. Enfim, o que mudou, parece ser para pior. As políticas de seu governo, guiadas por suas decisões, são temerárias. Atentam muitas vezes contra princípios primordiais da formação dos Estados Unidos. A gritaria já começou.
A próxima eleição pode trazer um republicano de volta para Casa Branca.
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