O Tea Party, ao mesmo tempo que propaga a idéia de que é um movimento em direção aos verdadeiros valores do partido republicano, é uma das principais ameaças ao sucesso eleitoral do GOP. Muitos defendem que o grupo, na verdade, não propaga um resgate de valores, mas um simples movimento extremamente conservador que deseja tomar o controle do partido.
Dentro do partido, o movimento tem força, mas não é algo avassalador. Há uma clara divisão interna. Hoje 58% dos republicanos são a favor do Tea Party, enquanto que 28% são contra. Os números explicam, entretanto, porque aos poucos o grupo vai passando a controlar a agenda partidária. Apesar de não haver um controle total, a parte contrária pouco a pouco está sendo expelida.
Se internamente o Tea Party tem conseguido manter o partido sob controle, externamente os resultados não são bons. Entre os eleitores independentes, aqueles que em geral decidem eleições por aqui, o apoio ao movimento é de 28%, enquanto a percepção negativa é alta: 48%. Portanto, se as políticas do grupo conservador tomarem completamente o controle do partido, os eleitores independentes tendem a se afastar e mais eleições serão perdidas.
De um modo geral, entre todos os eleitores, apenas 30% enxergam com bons olhos este movimento conservador, enquanto 51% dizem não aprovar o grupo. A guinada do partido, portanto, afasta os republicanos de vitórias reais. Os líderes do Tea Party, como já escrevi aqui, dizem que preferem perder eleições com candidatos conservadores do que vencer com moderados. No longo prazo, dizem, acabarão por reorganizar a política do país.
Esta guinada será fundamental para as próximas eleições presidenciais, onde haverá um choque entre moderados e conservadores e realmente surgirá a grande batalha pela alma do partido republicano. Um partido renovado surgirá e quem liderar este processo, pode também vencer a eleição presidencial.
sexta-feira, dezembro 13, 2013
quarta-feira, dezembro 11, 2013
Antropofagia Republicana
O partido republicano atualmente possui uma confortável vantagem no Senado. Mas isto pode mudar. A ameaça, entretanto, não vem dos democratas, mas das próprias hostes republicanas. O Tea Party, que controla uma fatia do partido, está travando uma guerra particular contra alguns senadores mais moderados. O objetivo é substituí-los por parlamentares mais conservadores. A estratégia é arriscada.
Os alvos já foram definidos: são oito senadores republicanos moderados que irão buscar a reeleição em 2014. Entre eles estão o líder Mitch McConnell do Kentucky, além de veteranos como Thad Cochran do Mississippi e Pat Roberts do Kansas. Os que possuem maior trânsito entre os democratas, como Lindsey Graham, da Carolina do Sul, também serão desafiados. No Texas o senador John Cornyn também entrou na linha de tiro.
A estratégia do Tea Party é derrubar estes senadores ainda na partida, ou seja, nas primárias. Eles enfrentarão um período pré-eleitoral muito difícil, em uma pré-campanha duríssima contra candidatos conservadores que não desejam se entender com os democratas. A estratégia é acabar de vez com o bipartidarismo, já tão em falta em Washington, atacando aqueles que ainda conseguem atravessar o plenário e dialogar com os adversários.
Caso vençam as primárias, os senadores republicanos não possuem certeza de sucesso. Enfrentarão depois disso uma eleição majoritária contra os democratas. Cientes disso, os moderados sabem que, se substituídos por candidatos mais conservadores, seus gabinetes podem parar na mãos dos democratas na próxima legislatura. Mas o Tea Party não se importa. Defendem que é melhor perder com conservadores do que vencer com moderados.
Os conservadores dizem que assim estão defendendo os princípios do partido. Do outro lado, senadores moderados e de larga experiência, como Lindsey Graham, dizem que estas serão eleições pelo coração e a alma do GOP. Pessoalmente acredito que o radicalismo conservador está destruindo os republicanos. O movimento político acertado, para o bem do partido e da América, é mover-se para o lado dos moderados e provocar o mesmo deslocamento no lado democrata. Apenas uma agenda comum pode resolver os problemas deste país.
A antropofagia republicana causada pelos mais conservadores faz muito mal ao partido e aos Estados Unidos. A história mostra que o verdadeiro GOP, o partido de Lincoln, foi construído longe dos radicalismos.
Os alvos já foram definidos: são oito senadores republicanos moderados que irão buscar a reeleição em 2014. Entre eles estão o líder Mitch McConnell do Kentucky, além de veteranos como Thad Cochran do Mississippi e Pat Roberts do Kansas. Os que possuem maior trânsito entre os democratas, como Lindsey Graham, da Carolina do Sul, também serão desafiados. No Texas o senador John Cornyn também entrou na linha de tiro.
A estratégia do Tea Party é derrubar estes senadores ainda na partida, ou seja, nas primárias. Eles enfrentarão um período pré-eleitoral muito difícil, em uma pré-campanha duríssima contra candidatos conservadores que não desejam se entender com os democratas. A estratégia é acabar de vez com o bipartidarismo, já tão em falta em Washington, atacando aqueles que ainda conseguem atravessar o plenário e dialogar com os adversários.
Caso vençam as primárias, os senadores republicanos não possuem certeza de sucesso. Enfrentarão depois disso uma eleição majoritária contra os democratas. Cientes disso, os moderados sabem que, se substituídos por candidatos mais conservadores, seus gabinetes podem parar na mãos dos democratas na próxima legislatura. Mas o Tea Party não se importa. Defendem que é melhor perder com conservadores do que vencer com moderados.
Os conservadores dizem que assim estão defendendo os princípios do partido. Do outro lado, senadores moderados e de larga experiência, como Lindsey Graham, dizem que estas serão eleições pelo coração e a alma do GOP. Pessoalmente acredito que o radicalismo conservador está destruindo os republicanos. O movimento político acertado, para o bem do partido e da América, é mover-se para o lado dos moderados e provocar o mesmo deslocamento no lado democrata. Apenas uma agenda comum pode resolver os problemas deste país.
A antropofagia republicana causada pelos mais conservadores faz muito mal ao partido e aos Estados Unidos. A história mostra que o verdadeiro GOP, o partido de Lincoln, foi construído longe dos radicalismos.
sexta-feira, dezembro 06, 2013
Obama e Mandela
Muito será escrito sobre Nelson Mandela ainda, mas neste comentário de hoje gostaria de escrever sobre seu impacto nos Estados Unidos, em especial na vida do atual Presidente, Barack Obama.
Obama fez uma campanha muito inteligente. Apresentou-se como candidato sem inserir qualquer denotação racial. O Senador por Illinois era negro, mas antes disso era um bom homem, com boas intenções e projetos para os Estados Unidos. O, agora Presidente, foi na contra-mão da assertividade da raça como um diferencial em sua campanha.
Ao contrário de muitos movimentos ou líderes que fizeram de sua condição social, sexual ou racial o principal tema de sua agenda, Obama candidatou-se além disso. Projetou sua imagem como um conciliador, representante de um novo momento, um período de mudança, sem revanchismos ou vinganças. Nada de olhar para trás, mas para frente.
Certamente sua postura foi uma das heranças deixadas por Nelson Mandela. É o seu legado. Será também o de Obama. A questão racial nos Estados Unidos é algo ainda muito latente. As marcas deixadas pelo passado escravista são fortes e dolorosas. Para quem ainda tem dúvida disso, sugiro o novo filme de brilhante diretor Steve McQueen "12 Years a Slave". Assim, a eleição de Obama é, por si só, um fato simbólico e a certeza de que a América está curando suas feridas.
Somos de uma geração influenciada por essas idéias. Obama nos mostrou em sua campanha que a cor de sua pele é apenas mais uma característica do grande homem que ele se tornou. Devemos avaliar governantes por suas idéias e ações e assim tem sido feito com o Presidente americano. Mandela ensinou Obama e a todos nós a olhar adiante. O passado nos aprisiona. O futuro nos liberta. Obama e Mandela olharam adiante, sem revanchismos e mostraram ao mundo que acima de tudo o que importa são as suas idéias. Se erramos no passado, somente temos a lamentar. Devemos aprender e fazer do futuro algo diferente, longe do caminho que já nos aprisionou.
Ontem passei caminhando pela Casa Branca e enxerguei a bandeira do mais poderoso país do planeta a meio-mastro. Fiquei observando a grandeza do gesto. Posso discordar politicamente de Obama, mas ele é um grande homem, alguém que sabe olhar para o futuro, e por isso merece meu respeito e admiração, assim como o bravo Nelson Mandela que partiu.
Obama fez uma campanha muito inteligente. Apresentou-se como candidato sem inserir qualquer denotação racial. O Senador por Illinois era negro, mas antes disso era um bom homem, com boas intenções e projetos para os Estados Unidos. O, agora Presidente, foi na contra-mão da assertividade da raça como um diferencial em sua campanha.
Ao contrário de muitos movimentos ou líderes que fizeram de sua condição social, sexual ou racial o principal tema de sua agenda, Obama candidatou-se além disso. Projetou sua imagem como um conciliador, representante de um novo momento, um período de mudança, sem revanchismos ou vinganças. Nada de olhar para trás, mas para frente.
Certamente sua postura foi uma das heranças deixadas por Nelson Mandela. É o seu legado. Será também o de Obama. A questão racial nos Estados Unidos é algo ainda muito latente. As marcas deixadas pelo passado escravista são fortes e dolorosas. Para quem ainda tem dúvida disso, sugiro o novo filme de brilhante diretor Steve McQueen "12 Years a Slave". Assim, a eleição de Obama é, por si só, um fato simbólico e a certeza de que a América está curando suas feridas.
Somos de uma geração influenciada por essas idéias. Obama nos mostrou em sua campanha que a cor de sua pele é apenas mais uma característica do grande homem que ele se tornou. Devemos avaliar governantes por suas idéias e ações e assim tem sido feito com o Presidente americano. Mandela ensinou Obama e a todos nós a olhar adiante. O passado nos aprisiona. O futuro nos liberta. Obama e Mandela olharam adiante, sem revanchismos e mostraram ao mundo que acima de tudo o que importa são as suas idéias. Se erramos no passado, somente temos a lamentar. Devemos aprender e fazer do futuro algo diferente, longe do caminho que já nos aprisionou.
Ontem passei caminhando pela Casa Branca e enxerguei a bandeira do mais poderoso país do planeta a meio-mastro. Fiquei observando a grandeza do gesto. Posso discordar politicamente de Obama, mas ele é um grande homem, alguém que sabe olhar para o futuro, e por isso merece meu respeito e admiração, assim como o bravo Nelson Mandela que partiu.
quinta-feira, dezembro 05, 2013
A Credibilidade de Obama
Os números de Obama vem despencando por várias razões. Mas é preciso entender a sociedade americana para analisar bem as origens dos problemas enfrentados pelo Presidente. A grande questão neste momento é a falta de credibilidade, ou seja, existe uma desconfiança dos americanos quanto ao que ele diz. Faltar com a verdade, torcer acontecimentos, para os americanos, é um pecado cruel. De certa forma ele cruzou esta linha em dois assuntos importantes.
O menos grave dos dois temas é a Síria, já que é um assunto que não afeta diretamente os americanos. Quando Obama mencionou que existia um limite para Assad, que seria o uso de armamentos químicos, todos acreditavam que ali estava realmente um limite. Certamente a política internacional é muito mais complexa do que isso, mas a sociedade americana interpreta as coisas da sua maneira. O fato de Obama ter prometido agir no caso de uso de armas químicas e não ter cumprido a promessa, leva muitos americanos a questionar se a palavra do Presidente tem algum valor.
O segundo tema é o Obamacare. Este é um assunto mais delicado. O Presidente veio a público tempos atrás e disse aos americanos que eles poderiam manter seus planos de saúde caso assim desejassem. Quando veio a implementação do Obamacare não foi bem isso que aconteceu. Como o sistema de seguro vendido pelo governo tem uma cobertura mínima, ele agiu no mercado, forçando que os outros planos tivessem a mesma cobertura básica do Obamacare, logo, milhares de americanos estão sendo notificados a reajustar seus planos pois a cobertura está sendo expandida.
Aqui não funciona o raciocínio brasileiro. Muitos diriam que o plano mudou para melhor, que agora existe mais cobertura. Não funciona assim na mente dos americanos. Eles são uma sociedade contratual onde o valor da palavra é a base das relações. Malandragem não engata nos Estados Unidos. Jogo de palavras não funciona por aqui. A decepção com Obama neste quesito é enorme e isto explica porque tantos deixaram de confiar no Presidente.
O menos grave dos dois temas é a Síria, já que é um assunto que não afeta diretamente os americanos. Quando Obama mencionou que existia um limite para Assad, que seria o uso de armamentos químicos, todos acreditavam que ali estava realmente um limite. Certamente a política internacional é muito mais complexa do que isso, mas a sociedade americana interpreta as coisas da sua maneira. O fato de Obama ter prometido agir no caso de uso de armas químicas e não ter cumprido a promessa, leva muitos americanos a questionar se a palavra do Presidente tem algum valor.
O segundo tema é o Obamacare. Este é um assunto mais delicado. O Presidente veio a público tempos atrás e disse aos americanos que eles poderiam manter seus planos de saúde caso assim desejassem. Quando veio a implementação do Obamacare não foi bem isso que aconteceu. Como o sistema de seguro vendido pelo governo tem uma cobertura mínima, ele agiu no mercado, forçando que os outros planos tivessem a mesma cobertura básica do Obamacare, logo, milhares de americanos estão sendo notificados a reajustar seus planos pois a cobertura está sendo expandida.
Aqui não funciona o raciocínio brasileiro. Muitos diriam que o plano mudou para melhor, que agora existe mais cobertura. Não funciona assim na mente dos americanos. Eles são uma sociedade contratual onde o valor da palavra é a base das relações. Malandragem não engata nos Estados Unidos. Jogo de palavras não funciona por aqui. A decepção com Obama neste quesito é enorme e isto explica porque tantos deixaram de confiar no Presidente.
terça-feira, dezembro 03, 2013
Tensão na Ucrânia
O embaixador americano mandou um recado para o Presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych: não usar força contra os manifestantes. Não adiantou. Assim que caiu a noite e os jornalistas se recolheram, a polícia não se intimidou e foi dura com os que ainda permaneciam em protesto contra o governo.
As manifestações fazem parte de mais um capítulo da história entre duas Ucrânias que ainda não se entendem desde que o país se tornou independente por volta de duas décadas atrás. Parte do território, situado ao lado leste do rio Dniper possui uma tendência em favor da Rússia. Do outro lado, pró-Ocidente. Este choque entre duas formas de ver o mundo tem gerado convulsões políticas.
Yanukovych tentou chegar ao poder em 2004, por meio de uma fraude nas eleições nacionais, na sucessão de Leonid Kuchma. Somente a Rússia reconheceu o resultado que levaria seu aliado ao poder. Depois de uma série de manifestações, o eleito Viktor Yushchenko, pró-Ocidente, chegou ao poder. Mas Yanukovych não desistiu e tentou de novo. Desta vez conseguiu. Chegou lá em 2010. Seus opositores, Viktor Yushchenko e Yulia Tymoshenko foram varridos dos salões. Esta última, inclusive está presa.
Yanukovych chegou ao poder com a missão de aproximar a Ucrânia da Rússia. Parte do país, entretanto, deseja uma aproximação com a União Européia e a Otan, coisa que Putin enxerga como uma ameaça. As negociações com Bruxelas prosseguiram. Depois dos acordos realizados, dias antes da formalização, Yanukovych vacilou. Disse, nos bastidores, que sentiu-se abandonado pela UE e sofre uma pressão enorme da Rússia. O povo, que deseja os padrões europeus, revoltou-se e ocupou a capital Kiev em protesto.
Com uma taxa de popularidade de 20%, Yanukovych não pode dar-se ao luxo de muitas aventuras políticas. Se conseguir manter-se no poder, certamente deixará o comando do país em 2015 e diante de uma classe política altamente corrupta, sabe-se lá o que pode acontecer. O Presidente preferiu confiar em Putin e Moscou. Jogou da maneira que se esperava, afinal somente os ingênuos poderiam crer em algo diferente.
Yanukovych fez aquilo para o qual foi eleito: aproximar seu país da Rússia. Não contava que este ato, aliado ao de desistir da União Européia, jogasse a Ucrânia em profunda revolta. Os próximos dias serão crucias - para ele e a Ucrânia.
As manifestações fazem parte de mais um capítulo da história entre duas Ucrânias que ainda não se entendem desde que o país se tornou independente por volta de duas décadas atrás. Parte do território, situado ao lado leste do rio Dniper possui uma tendência em favor da Rússia. Do outro lado, pró-Ocidente. Este choque entre duas formas de ver o mundo tem gerado convulsões políticas.
Yanukovych tentou chegar ao poder em 2004, por meio de uma fraude nas eleições nacionais, na sucessão de Leonid Kuchma. Somente a Rússia reconheceu o resultado que levaria seu aliado ao poder. Depois de uma série de manifestações, o eleito Viktor Yushchenko, pró-Ocidente, chegou ao poder. Mas Yanukovych não desistiu e tentou de novo. Desta vez conseguiu. Chegou lá em 2010. Seus opositores, Viktor Yushchenko e Yulia Tymoshenko foram varridos dos salões. Esta última, inclusive está presa.
Yanukovych chegou ao poder com a missão de aproximar a Ucrânia da Rússia. Parte do país, entretanto, deseja uma aproximação com a União Européia e a Otan, coisa que Putin enxerga como uma ameaça. As negociações com Bruxelas prosseguiram. Depois dos acordos realizados, dias antes da formalização, Yanukovych vacilou. Disse, nos bastidores, que sentiu-se abandonado pela UE e sofre uma pressão enorme da Rússia. O povo, que deseja os padrões europeus, revoltou-se e ocupou a capital Kiev em protesto.
Com uma taxa de popularidade de 20%, Yanukovych não pode dar-se ao luxo de muitas aventuras políticas. Se conseguir manter-se no poder, certamente deixará o comando do país em 2015 e diante de uma classe política altamente corrupta, sabe-se lá o que pode acontecer. O Presidente preferiu confiar em Putin e Moscou. Jogou da maneira que se esperava, afinal somente os ingênuos poderiam crer em algo diferente.
Yanukovych fez aquilo para o qual foi eleito: aproximar seu país da Rússia. Não contava que este ato, aliado ao de desistir da União Européia, jogasse a Ucrânia em profunda revolta. Os próximos dias serão crucias - para ele e a Ucrânia.
segunda-feira, dezembro 02, 2013
O Fator Walker
O Governador do Wisconsin, Scott Walker é uma estrela em seu partido. Os republicanos gostam de Walker pelo seu carisma, mas essencialmente por ser um político que se manteve ligado aos princípios conservadores do partido em suas ações, em especial na área econômica, com um trabalho voltado diretamente para diminuir o tamanho do Estado e a intervenção na economia.
Wisconsin é um terreno difícil na batalha política. Mesmo com Paul Ryan, deputado pelo estado, sendo o vice de Romney, os republicanos não ganharam a eleição presidencial por lá. Aliás, com a exceção das duas eleições de Reagan, os democratas vencem eleições presidenciais no Wisconsin com facilidade. Não perdem por lá desde 1988. No governo, existe uma tendência de alternância entre os dois partidos, mas isto não quer dizer que seja fácil.
Scott Walker, depois de eleito e passar reformas que mexiam profundamente na economia, sofreu um processo de recall. Os protestos foram fortes e um lobby poderoso se formou para retirar Walker do poder. Ele reagiu e venceu o recall com uma margem inclusive superior aos números de sua eleição anterior. Aqueles que tentaram derrubá-lo, acabaram por dar-lhe uma musculatura política nacional. Recebeu doações de fora do Wisconsin e apoios variados de estrelas do partido. Coisas da política.
Já conhecia o Governador e seu trabalho. Estive em Milwaukee no início deste ano, inclusive. Agora em Washington tive mais uma vez a oportunidade de encontrá-lo. Conversei mais uma vez com ele. Tudo indica uma permanência firme no propósito de reeleger Governador em 2014. Mas o futuro depois disso é uma incógnita.
Isto porque o partido gosta de Walker e ele tem tudo para ser um pré-candidato a Presidente. As eleições são em 2016 e se ele vencer por uma boa margem em seu estado em 2014, isto o credenciará para a corrida interna nacional. Vencer em Wisconsin é um sonho para os republicanos, o que começa a mudar o quadro eleitoral de 2016. Conservador, com origens em Iowa, filho de um pastor, um self made man que não terminou a faculdade, é um candidato com credenciais. Além de tudo é um bom amigo do Governador de New Jersey, Chris Christie. Se não for candidato, Walker pode ser o vice dos sonhos, caso Christie vença as primárias. A conferir.
Wisconsin é um terreno difícil na batalha política. Mesmo com Paul Ryan, deputado pelo estado, sendo o vice de Romney, os republicanos não ganharam a eleição presidencial por lá. Aliás, com a exceção das duas eleições de Reagan, os democratas vencem eleições presidenciais no Wisconsin com facilidade. Não perdem por lá desde 1988. No governo, existe uma tendência de alternância entre os dois partidos, mas isto não quer dizer que seja fácil.
Scott Walker, depois de eleito e passar reformas que mexiam profundamente na economia, sofreu um processo de recall. Os protestos foram fortes e um lobby poderoso se formou para retirar Walker do poder. Ele reagiu e venceu o recall com uma margem inclusive superior aos números de sua eleição anterior. Aqueles que tentaram derrubá-lo, acabaram por dar-lhe uma musculatura política nacional. Recebeu doações de fora do Wisconsin e apoios variados de estrelas do partido. Coisas da política.
Já conhecia o Governador e seu trabalho. Estive em Milwaukee no início deste ano, inclusive. Agora em Washington tive mais uma vez a oportunidade de encontrá-lo. Conversei mais uma vez com ele. Tudo indica uma permanência firme no propósito de reeleger Governador em 2014. Mas o futuro depois disso é uma incógnita.
Isto porque o partido gosta de Walker e ele tem tudo para ser um pré-candidato a Presidente. As eleições são em 2016 e se ele vencer por uma boa margem em seu estado em 2014, isto o credenciará para a corrida interna nacional. Vencer em Wisconsin é um sonho para os republicanos, o que começa a mudar o quadro eleitoral de 2016. Conservador, com origens em Iowa, filho de um pastor, um self made man que não terminou a faculdade, é um candidato com credenciais. Além de tudo é um bom amigo do Governador de New Jersey, Chris Christie. Se não for candidato, Walker pode ser o vice dos sonhos, caso Christie vença as primárias. A conferir.
sexta-feira, novembro 29, 2013
Biden, o Articulador
A chapa Barack Obama-Joe Biden parece ter sido inspirada em uma dupla democrata do passado: Kennedy-Johnson. Obama, assim como Kennedy, era um Senador sem experiência no executivo. Biden um Senador de longa tradição no Congresso, assim como o poderoso Lyndon Johnson, que conduziu de forma hábil e implacável a Câmara Alta dos Estados Unidos.
Biden, apesar da habilidade política, possui uma liderança bem menos visceral do que Lyndon Johnson. Soube até aqui exercer o cargo de vice com muita naturalidade. A relação entre ele e Obama é boa e Biden é consultado em muitos assuntos pelo Presidente. Muito diferente da relação tensa entre Kennedy e Johnson. O vice texano foi claramente deixado em um segundo plano pelo Presidente. Sem poderes, LBJ sentia falta do comando do Senado. Robert Kennedy nunca se referiu a Johnson como Presidente, mesmo depois do assassinato de seu irmão.
O vice atual, entretanto, possui uma qualidade que falta em Obama: o diálogo. Se o Presidente fosse Joe Biden não veríamos tamanhos desacertos entre a Casa Branca e o Capitólio e a governabilidade, mantida hoje pela força das instituições, seria garantida pelo exercício do saudável jogo político. Sobra no vice uma qualidade essencial: ele conhece os corredores do Capitólio.
Biden conhece tão bem o jogo político que está disposto a almejar a cadeira de Obama. Ele tem feito as primeiras ligações, colhendo os primeiros apoios nos estados das primeiras primárias: Iowa, Carolina do Sul, New Hampshire e mais alguns. Sem Hillary no páreo, Biden é o preferido dos democratas com 43%. Quando ela entra no jogo, colhe 63% contra 12% do atual vice.
Clinton escolheu pessoalmente Biden para ser o vice de Obama. É seu homem de confiança. Biden pode estar na disputa para vencer, mas também para dissuadir os eventuais oponentes de Hillary ou mesmo para continuar sendo vice. Com mais espaço, ele pode ser sempre um articulador político hábil e talvez um político que a América valorizaria como Presidente dos dias de hoje.
Biden, apesar da habilidade política, possui uma liderança bem menos visceral do que Lyndon Johnson. Soube até aqui exercer o cargo de vice com muita naturalidade. A relação entre ele e Obama é boa e Biden é consultado em muitos assuntos pelo Presidente. Muito diferente da relação tensa entre Kennedy e Johnson. O vice texano foi claramente deixado em um segundo plano pelo Presidente. Sem poderes, LBJ sentia falta do comando do Senado. Robert Kennedy nunca se referiu a Johnson como Presidente, mesmo depois do assassinato de seu irmão.
O vice atual, entretanto, possui uma qualidade que falta em Obama: o diálogo. Se o Presidente fosse Joe Biden não veríamos tamanhos desacertos entre a Casa Branca e o Capitólio e a governabilidade, mantida hoje pela força das instituições, seria garantida pelo exercício do saudável jogo político. Sobra no vice uma qualidade essencial: ele conhece os corredores do Capitólio.
Biden conhece tão bem o jogo político que está disposto a almejar a cadeira de Obama. Ele tem feito as primeiras ligações, colhendo os primeiros apoios nos estados das primeiras primárias: Iowa, Carolina do Sul, New Hampshire e mais alguns. Sem Hillary no páreo, Biden é o preferido dos democratas com 43%. Quando ela entra no jogo, colhe 63% contra 12% do atual vice.
Clinton escolheu pessoalmente Biden para ser o vice de Obama. É seu homem de confiança. Biden pode estar na disputa para vencer, mas também para dissuadir os eventuais oponentes de Hillary ou mesmo para continuar sendo vice. Com mais espaço, ele pode ser sempre um articulador político hábil e talvez um político que a América valorizaria como Presidente dos dias de hoje.
quinta-feira, novembro 28, 2013
Os Números de Ohio
Hoje, enquanto Obama comemora o Dia de Ação de Graças por aqui, certamente estará pensando nos números que acabam de chegar de Ohio. Sua populaidade despencou mais do que a média nacional, o que indica que a próxima rodada de pesquisas no país mostrará uma queda ainda mais acentuada em seus números.
Sua aprovação flerta com o perigo, chegando a apenas 34%. Nas últimas sondagens estava em 40%. A desaprovação, que era 57%, ultrapassou a barreira dos 60%, alcançando 61%. Pelos outros números vemos que existe uma falta de confiança na liderança no Presidente, mas não há dúvida que aquilo que mais afeta sua popularidade é o Obamacare. 59% de Ohio se opõe a Lei e apenas 16% acreditam que o sistema melhorará a qualidade da saúde nos Estados Unidos.
Estes números, como escrevi ontem, gerarão problemas para o partido democrata nas eleições parlamentares do próximo ano. Obama pode ainda passar para a história com a implantação deste sistema. É sua grande aposta. Mas se o Obamacare se tornar um sucesso, até tudo estar sedimentado e gerando efeitos, haverá muita desaprovação e resistência. Obama se enxerga como um estadista. Veremos como a história o julgará. Até o momento, Ohio antecipa o que acontecerá nos Estados Unidos nas próximas eleições e, no curto prazo, as notícias não são boas.
quarta-feira, novembro 27, 2013
Dianteira Republicana
Os republicanos certamente não constituem o grupo mais amado na política americana. Tampouco os democratas, mas as pesquisas liberadas ontem mostram uma tendência do eleitorado. Enquanto no passado o partido de Obama mantinha uma sólida dianteira de oito pontos e o Presidente brigava com o Congresso para implementar o Obamacare, tudo parecia bem. Entretanto, o cenário se modificou.
Os rumos são outros precisamente pelo desgaste de Obama, que vem se alastrando pelos candidatos do partido democrata ao Congresso no próximo ano de forma consistente. Na política existe uma demora natural para sedimentação de alguns acontecimentos, ou seja, o público, em diversas camadas sociais, demora um tempo até assimilar um acontecimento. No caso dos democratas, o efeito Obama está batendo em suas portas neste momento.
O desgaste do Presidente vem embalado pelos problemas de implementação do sistema de saúde, o Obamacare. A falta de funcionalidade do site e a acusação de que o Presidente mentiu ao dizer que aqueles que desejassem poderiam manter seus planos, tem feito mal não só a imagem dele, como aos seus candidatos ao parlamento.
Hoje, os republicanos, que possuem maioria de 17 cadeiras na Câmara, passaram a frente dos democratas para as sondagens em relação a eleição congressual do próximo ano. O GOP passou para 49%, contra 47% dos democratas. Esta pesquisa é interessante porque é realizada dentro dos distritos, buscando a opção partidária para a eleição parlamentar de 2014.
Existe um movimento. Apesar de os republicanos estarem errando bastante, Obama erra mais e melhor. As pesquisas mostram isso. Se esta tendência se consolidar, Obama seguirá refém de uma Câmara republicana pelos dois últimos anos de seu mandato. Será o fim real de seu governo.
Os rumos são outros precisamente pelo desgaste de Obama, que vem se alastrando pelos candidatos do partido democrata ao Congresso no próximo ano de forma consistente. Na política existe uma demora natural para sedimentação de alguns acontecimentos, ou seja, o público, em diversas camadas sociais, demora um tempo até assimilar um acontecimento. No caso dos democratas, o efeito Obama está batendo em suas portas neste momento.
O desgaste do Presidente vem embalado pelos problemas de implementação do sistema de saúde, o Obamacare. A falta de funcionalidade do site e a acusação de que o Presidente mentiu ao dizer que aqueles que desejassem poderiam manter seus planos, tem feito mal não só a imagem dele, como aos seus candidatos ao parlamento.
Hoje, os republicanos, que possuem maioria de 17 cadeiras na Câmara, passaram a frente dos democratas para as sondagens em relação a eleição congressual do próximo ano. O GOP passou para 49%, contra 47% dos democratas. Esta pesquisa é interessante porque é realizada dentro dos distritos, buscando a opção partidária para a eleição parlamentar de 2014.
Existe um movimento. Apesar de os republicanos estarem errando bastante, Obama erra mais e melhor. As pesquisas mostram isso. Se esta tendência se consolidar, Obama seguirá refém de uma Câmara republicana pelos dois últimos anos de seu mandato. Será o fim real de seu governo.
terça-feira, novembro 26, 2013
O Acordo com Teerã
Obama comemorou o acordo interino com o Irã como mais um importante passo de sua diplomacia. Na verdade, algo que ele mesmo avalia somente como um bom começo. No front interno, as críticas do lado republicano já começaram a aparecer. No externo, do lado de Israel, também surgem críticas, no sentido de que o Irã deveria negociar mais enfraquecido.
Ambos os lados tem razão, mas desta vez Obama tem realmente o que comemorar nesta equação. Seria muito difícil, como quer Israel, enfraquecer ainda mais o Irã. É possível abalar mais ainda a economia do país com as sanções, ampliando e aprofundando estas medidas, como sugeriu o senador republicano Marco Rubio. Contudo, não podemos deixar de avaliar que existe uma janela negociadora importante que está aberta neste momento. Os primeiros meses de Rouhani na direção do país estão criando esta possibilidade.
Obama parece ter entendido que a estabilização da região passa pelo Irã e um acordo com o regime dos aiatolás. Há tempos os americanos insistem equivocadamente na questão Israel/Palestina como o ponto central da política externa no Oriente Médio. Apesar de importante, a agenda precisa ir além disto. Se de um lado este acordo é o primeiro passo neste sentido, do outro, a aproximação, mesmo que inicial entre EUA e Irã, irrita os sauditas e israelenses, parceiros preferenciais dos americanos na região. Existe receio que os EUA venham a reconhecer Teerã como um interlocutor, deixando os antigos aliados com menor influência. Tel-Aviv e Riad não permanecerão isolados e podem se movimentar politicamente nas região. É preciso que os americanos acalmem os dois países, como já fizeram com os sauditas.
Foi uma vitória da diplomacia, apesar do ranger de dentes de Israel. O mais importante é ter aberto um canal confiável de comunicação, aliviar a situação de hostilidade e tensão e criar uma linha de entendimento, mesmo que primária, entre Washington e Teerã. Este é o ponto central em relação a acomodação de forças na região.
Ambos os lados tem razão, mas desta vez Obama tem realmente o que comemorar nesta equação. Seria muito difícil, como quer Israel, enfraquecer ainda mais o Irã. É possível abalar mais ainda a economia do país com as sanções, ampliando e aprofundando estas medidas, como sugeriu o senador republicano Marco Rubio. Contudo, não podemos deixar de avaliar que existe uma janela negociadora importante que está aberta neste momento. Os primeiros meses de Rouhani na direção do país estão criando esta possibilidade.
Obama parece ter entendido que a estabilização da região passa pelo Irã e um acordo com o regime dos aiatolás. Há tempos os americanos insistem equivocadamente na questão Israel/Palestina como o ponto central da política externa no Oriente Médio. Apesar de importante, a agenda precisa ir além disto. Se de um lado este acordo é o primeiro passo neste sentido, do outro, a aproximação, mesmo que inicial entre EUA e Irã, irrita os sauditas e israelenses, parceiros preferenciais dos americanos na região. Existe receio que os EUA venham a reconhecer Teerã como um interlocutor, deixando os antigos aliados com menor influência. Tel-Aviv e Riad não permanecerão isolados e podem se movimentar politicamente nas região. É preciso que os americanos acalmem os dois países, como já fizeram com os sauditas.
Foi uma vitória da diplomacia, apesar do ranger de dentes de Israel. O mais importante é ter aberto um canal confiável de comunicação, aliviar a situação de hostilidade e tensão e criar uma linha de entendimento, mesmo que primária, entre Washington e Teerã. Este é o ponto central em relação a acomodação de forças na região.
sexta-feira, novembro 22, 2013
Radicalismo Democrata
O partido democrata tomou uma decisão muito perigosa. Ao alterar as regras do Senado para garantir a aprovação das indicações de Obama, cruzou um perigoso limite institucional. Os democratas possuem maioria, entretanto, não maioria suficiente para aprovar determinadas matérias ou indicações presidenciais. Refém da minoria, que obstruiu e derrotou, de forma legal, dentro dos procedimentos regimentais, as iniciativas de Obama, os democratas resolveram inovar. Com maioria suficiente para mudar as regras, assim o fizeram, e agora podem aprovar as matérias que desejam.
Os democratas possuem 53 senadores. Com a regra antiga, o chamado "filibuster", precisariam de 60 votos. Para mudar as regras, precisariam de 51. Preferiram mudar as regras do que convencer os adversários a votar de acordo com suas convicções. Agora, nas matérias que precisavam de 60 votos, somente precisarão de 51. A medida teve a chancela da Casa Branca, ou seja, Barack Obama estava de acordo. Esta perigosa manobra procedimental deixou os republicanos furiosos.
Obama era um ardoroso defensor do filibuster quando era Senador e seu partido podia obstruir as votações no governo Bush. Obama, também enquanto Senador, acusou o ex-Presidente de "falta de liderança política" quando este solicitou o aumento do teto da dívida. Pois bem, instalado na Casa Branca, Obama passou a acreditar que solicitação para aumentar o teto da dívida não é mais falta de liderança política e que o filibuster, quando ele está do outro lado, não serve. Se as regras não o beneficiam, que tratem de ser modificadas. Uma clara expressão de falta de liderança política.
Obama, desta forma, amplia cada vez mais a distância entre democratas e republicanos. Segue com sua política de confrontação com os adversários, o que acirra os ânimos e paralisa seu governo ainda mais. O Presidente, ao invés de partir para o diálogo, mais uma vez decidiu usar a mão pesada para impor suas vontades. Nesta semana, o Financial Times, Foreign Policy e The Economist alertaram para a imobilidade do seu governo, refém de sua política confrontacionista no plano interno e isolacionista no plano externo.
Na medida que cava um fosso maior entre republicanos e democratas, Obama está enterrando sua Presidência. Depois deste atitude, muito dificilmente qualquer nova lei importante, que dependa dos votos dos republicanos, passará em seu governo.
Os democratas possuem 53 senadores. Com a regra antiga, o chamado "filibuster", precisariam de 60 votos. Para mudar as regras, precisariam de 51. Preferiram mudar as regras do que convencer os adversários a votar de acordo com suas convicções. Agora, nas matérias que precisavam de 60 votos, somente precisarão de 51. A medida teve a chancela da Casa Branca, ou seja, Barack Obama estava de acordo. Esta perigosa manobra procedimental deixou os republicanos furiosos.
Obama era um ardoroso defensor do filibuster quando era Senador e seu partido podia obstruir as votações no governo Bush. Obama, também enquanto Senador, acusou o ex-Presidente de "falta de liderança política" quando este solicitou o aumento do teto da dívida. Pois bem, instalado na Casa Branca, Obama passou a acreditar que solicitação para aumentar o teto da dívida não é mais falta de liderança política e que o filibuster, quando ele está do outro lado, não serve. Se as regras não o beneficiam, que tratem de ser modificadas. Uma clara expressão de falta de liderança política.
Obama, desta forma, amplia cada vez mais a distância entre democratas e republicanos. Segue com sua política de confrontação com os adversários, o que acirra os ânimos e paralisa seu governo ainda mais. O Presidente, ao invés de partir para o diálogo, mais uma vez decidiu usar a mão pesada para impor suas vontades. Nesta semana, o Financial Times, Foreign Policy e The Economist alertaram para a imobilidade do seu governo, refém de sua política confrontacionista no plano interno e isolacionista no plano externo.
Na medida que cava um fosso maior entre republicanos e democratas, Obama está enterrando sua Presidência. Depois deste atitude, muito dificilmente qualquer nova lei importante, que dependa dos votos dos republicanos, passará em seu governo.
terça-feira, novembro 19, 2013
Chile: Maturidade Institucional
Tudo indica que Michelle Bachelet deve retornar ao comando do Chile. As eleições transcorreram com normalidade e apesar da baixa participação, o país mais uma vez deu uma lição de democracia. Bachelet obteve 46,68% dos votos e disputará o segundo turno com Evelyn Matthei, que alcançou 25%.
O Congresso também passará por renovação. Foi eleita uma nova Câmara dos Deputados e metade de um novo Senado. O grupo de Bachelet obteve maioria, sem entretanto, um número qualificado para mudar a Constituição. Se vencer o segundo turno, como tudo indica, governará com tranquilidade e sem sobressaltos.
O Chile é o resultado de uma transição para a democracia muito bem conduzida, dentro de parâmetros econômicos muito bem definidos. O grupo de Pinochet, ainda sob sua tutela, arrumou a economia e depois da abertura, os democrata-cristãos terminaram por sedimentar as bases da democracia. Esta é a fórmula de sucesso do país.
No primeiros anos da democracia, a política chilena foi dominada pelo grupo concertación, que engloba diferentes vertentes da centro-esquerda, social-democratas, socialistas e democratas-cristãos. Venceu eleições com Patricio Aylwin, Eduardo Frei, Ricardo Lagos e Michelle Bachelet. O grupo perdeu a hegemonia somente em 2010, com a eleição de Piñera, que foi o primeiro presidente de centro-direita eleito no Chile em 52 anos.
O Chile vive um equilíbrio de forças políticas e alternância no poder dentro de um modelo econômico sólido e estável. Concertación, UDI e Renovação Nacional são hoje os pilares partidários de um sistema político invejável. Criado cuidadosamente na transição democrática e realizada pelos governos democrata-cristãos de Patricio Aylwin e Eduardo Frei, levou o Chile a maturidade institucional vivida nos dias de hoje. Sem dúvida um exemplo para uma região assombrada pelo populismo.
quinta-feira, novembro 14, 2013
O Jogo Francês
A estabilidade do Oriente Médio passa pelo Irã. Enquanto por várias presidências se buscou, nos Estados Unidos, um acordo entre árabes e judeus, muito pouco se fez em relação ao regime dos aiatolás. Entretanto, a eleição de Rohani abriu uma grande e boa oportunidade de negociação com Teerã. Obama, em um dos seus maiores lances de política externa, se aproximou dos iranianos e iniciou as tratativas para um acordo, juntamente com Alemanha, China, Rússia, Reino Unido e França.
Mas o acordo pode não sair. A culpa não é dos americanos, que se esforçaram para criar as condições para tal. Desta vez, os franceses estão dificultando o jogo, colocando seus interesses comerciais acima da necessidade de estabilidade da região. Claramente em Genebra, onde foram desenvolvidas as rodadas de negociação, o ministro de relações exteriores francês, Laurent Fabius, chegou com a missão de dificultar a conclusão de um pacto entre os envolvidos.
As razões da França tem cifras. Em outubro, o ministro da defesa fechou um acordo de 1,5 bilhões para a venda de cinco navios para a Arábia Saudita. Os aliados dos saudistas, os Emirados Árabes Unidos, também foram as compras em Paris e levaram dois satélites de alta resolução por 913 milhões. Além de Riad despejar dinheiro na produção de alimentos e agricultura francesa, está tudo alinhado para um acordo para compra de armas. Não preciso dizer que os sauditas são céticos a um acordo com o Irã.
Em Genebra havia uma França pouco interessada em um acordo. Do lado dos americanos e britânicos, por mais interesse e esforço, as notícias dos bastidores informam que John Kerry, Secretário de Estado dos Estados Unidos, vacilou em um último momento, parecendo mais um Senador do Comitê de Relações Exteriores em Washington do que o chefe da diplomacia do país mais interessado em fechar o acordo. Dizem que Kerry deixou muito a desejar em Genebra.
Enquanto isso, os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham, saudavam a França por ter impedido o acordo do sexteto com os aiatolás, talvez pelo acordo tratar mais do enriquecimento de urânio do que a questão do plutônio ou talvez porque Israel enxerga tudo isso com muitas reservas. Mesmo assim, uma boa oportunidade de se avançar mais um passo foi perdida. Por enquanto a estratégia entre sauditas e israelenses, defendida pela França, atingiu resultados. Entretanto é preciso entender que este obstáculo pode levar a um conflito armado onde os americanos assumiriam o protagonismo e o ônus. Ainda há tempo da diplomacia agir.
Mas o acordo pode não sair. A culpa não é dos americanos, que se esforçaram para criar as condições para tal. Desta vez, os franceses estão dificultando o jogo, colocando seus interesses comerciais acima da necessidade de estabilidade da região. Claramente em Genebra, onde foram desenvolvidas as rodadas de negociação, o ministro de relações exteriores francês, Laurent Fabius, chegou com a missão de dificultar a conclusão de um pacto entre os envolvidos.
As razões da França tem cifras. Em outubro, o ministro da defesa fechou um acordo de 1,5 bilhões para a venda de cinco navios para a Arábia Saudita. Os aliados dos saudistas, os Emirados Árabes Unidos, também foram as compras em Paris e levaram dois satélites de alta resolução por 913 milhões. Além de Riad despejar dinheiro na produção de alimentos e agricultura francesa, está tudo alinhado para um acordo para compra de armas. Não preciso dizer que os sauditas são céticos a um acordo com o Irã.
Em Genebra havia uma França pouco interessada em um acordo. Do lado dos americanos e britânicos, por mais interesse e esforço, as notícias dos bastidores informam que John Kerry, Secretário de Estado dos Estados Unidos, vacilou em um último momento, parecendo mais um Senador do Comitê de Relações Exteriores em Washington do que o chefe da diplomacia do país mais interessado em fechar o acordo. Dizem que Kerry deixou muito a desejar em Genebra.
Enquanto isso, os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham, saudavam a França por ter impedido o acordo do sexteto com os aiatolás, talvez pelo acordo tratar mais do enriquecimento de urânio do que a questão do plutônio ou talvez porque Israel enxerga tudo isso com muitas reservas. Mesmo assim, uma boa oportunidade de se avançar mais um passo foi perdida. Por enquanto a estratégia entre sauditas e israelenses, defendida pela França, atingiu resultados. Entretanto é preciso entender que este obstáculo pode levar a um conflito armado onde os americanos assumiriam o protagonismo e o ônus. Ainda há tempo da diplomacia agir.
quarta-feira, novembro 13, 2013
As Adversárias de Hillary
Apesar de 65% do Partido Democrata enxergar com naturalidade a candidatura de Hillary Clinton, especula-se por aqui que existem adversárias. Sim, adversárias, ou seja, outras mulheres que desejariam também a indicação do partido para concorrer. Isto não deixa de ser um problema para Hillary, que perderia a condição de única candidata mulher e levaria a divisão de votos de sua base.
O nome mais badalado do momento é Elizabeth Warren, Senadora por Massachusetts. Apesar da especulação, Warren deve ficar pelo caminho por dois motivos simples: o primeiro deles é que no caso de Hillary sair candidata, a senadora desistiria. O segundo é sua viabilidade eleitoral nacional. Warren vai muito bem em Massachusetts, um estado de tradição democrata e onde ela consegue realmente levantar boas doações de campanha. Fora de lá, Warren é vista como uma política radical que ataca bancos e carrega uma agressividade brutal contra Wall Street. O partido democrata busca manter o poder e sabe que não venceria com a senadora no páreo. Ela aproveita o momento para asfaltar seu futuro político em Boston.
Fala-se também de Kirsten Gillibrand de Nova York, que assumiu a cadeira de Hillary no Senado. Ela possui uma base de apoio entre a comunidade gay e as mulheres, mas depende dos doadores de campanha do arco de apoios de Hillary. Bill Clinton não deixaria esta base se inclinar para outro lado a não ser o de sua esposa. Com a ex-Secretária de Estado no páreo, a senadora Gillibrand está fora da corrida.
O terceiro nome de peso seria Kathleen Sebelius. Duas vezes Governadora do Kansas e filha de um ex-governador tem linhagem política e experiência, além de uma incógnita em seu futuro. Sebelius é Secretária de Saúde de Obama e está no meio do fogo cruzado com a implantação do Obamacare. Interpelada pelo Congresso, tem sido o alvo de todas as críticas mais ásperas. Se o Obamacare decolar, a Secretária sobe com ele, entretanto, se continuar a enfrentar dificuldades, sua pré-candidatura naufraga também. É o nome preferido por Barack Obama.
Existem outras mulheres que correm por fora, como Janet Napolitano, que possui no currículo o governo do Arizona e o Departamento de Segurança Doméstica, além da senadora Amy Klobucar, do Minnesota, um estado tradicionalmente democrata que votou com os republicanos pela última vez em 1972 e foi o único estado democrata na campanha de 1984, quando Reagan arrasou com Mondale (nascido em Minnesota). Enfim, os 10 votos do "Estado dos 10.000 lagos" serão democratas na próxima eleição, com ou sem Amy Klobucar.
Percebemos que por mais que existam candidatas que desejam disputar a indicação do partido com Hillary, nenhuma tem qualquer chance, a não ser que Kathleen Sebelius herde uma possível popularidade com o Obamacare, o que será difícil. Pelo menos entre as mulheres, é possível afirmar, ninguém fará frente ao poder de Hillary Clinton no partido democrata.
O nome mais badalado do momento é Elizabeth Warren, Senadora por Massachusetts. Apesar da especulação, Warren deve ficar pelo caminho por dois motivos simples: o primeiro deles é que no caso de Hillary sair candidata, a senadora desistiria. O segundo é sua viabilidade eleitoral nacional. Warren vai muito bem em Massachusetts, um estado de tradição democrata e onde ela consegue realmente levantar boas doações de campanha. Fora de lá, Warren é vista como uma política radical que ataca bancos e carrega uma agressividade brutal contra Wall Street. O partido democrata busca manter o poder e sabe que não venceria com a senadora no páreo. Ela aproveita o momento para asfaltar seu futuro político em Boston.
Fala-se também de Kirsten Gillibrand de Nova York, que assumiu a cadeira de Hillary no Senado. Ela possui uma base de apoio entre a comunidade gay e as mulheres, mas depende dos doadores de campanha do arco de apoios de Hillary. Bill Clinton não deixaria esta base se inclinar para outro lado a não ser o de sua esposa. Com a ex-Secretária de Estado no páreo, a senadora Gillibrand está fora da corrida.
O terceiro nome de peso seria Kathleen Sebelius. Duas vezes Governadora do Kansas e filha de um ex-governador tem linhagem política e experiência, além de uma incógnita em seu futuro. Sebelius é Secretária de Saúde de Obama e está no meio do fogo cruzado com a implantação do Obamacare. Interpelada pelo Congresso, tem sido o alvo de todas as críticas mais ásperas. Se o Obamacare decolar, a Secretária sobe com ele, entretanto, se continuar a enfrentar dificuldades, sua pré-candidatura naufraga também. É o nome preferido por Barack Obama.
Existem outras mulheres que correm por fora, como Janet Napolitano, que possui no currículo o governo do Arizona e o Departamento de Segurança Doméstica, além da senadora Amy Klobucar, do Minnesota, um estado tradicionalmente democrata que votou com os republicanos pela última vez em 1972 e foi o único estado democrata na campanha de 1984, quando Reagan arrasou com Mondale (nascido em Minnesota). Enfim, os 10 votos do "Estado dos 10.000 lagos" serão democratas na próxima eleição, com ou sem Amy Klobucar.
Percebemos que por mais que existam candidatas que desejam disputar a indicação do partido com Hillary, nenhuma tem qualquer chance, a não ser que Kathleen Sebelius herde uma possível popularidade com o Obamacare, o que será difícil. Pelo menos entre as mulheres, é possível afirmar, ninguém fará frente ao poder de Hillary Clinton no partido democrata.
terça-feira, novembro 12, 2013
A Primeira Pesquisa
Certamente estamos longe da corrida eleitoral de 2016. Ainda existem as eleições de meio de mandato, as midterms, no próximo ano, e além de tudo Obama ainda não completou seu primeiro ano do segundo termo. Mas os bastidores fervem. Os motivos são muitos. O Presidente não pode concorrer a mais uma reeleição e está vivendo um segundo mandato conturbado. Tudo isso adianta o cenário político de forma definitiva. Nos dois partidos existe uma movimentação acima do normal.
Dentro desta dinâmica, saiu a primeira pesquisa. Os dois candidatos escolhidos foram Hillary Clinton e Chris Christie. A democrata aparece com 44 pontos e Christie com 34. Esta é uma ótima notícia para o Governador de New Jersey. Clinton foi primeira-dama, disputou primárias acirradas com Barack Obama e foi Secretária de Estado. É uma figura conhecida nacional e internacionalmente. Possui um claro recall de outras campanhas e carrega o Partido Democrata. Christie é apenas o Governador reeleito do estado de New Jersey.
Dentro dos partidos os dois possuem momentos distintos. Hillary é lembrada como a candidata natural por 66% dos democratas. No lado republicano, Christie é o preferido por 32%. Mas aqui vale o mesmo raciocínio. Hillary participou de uma primária, possui estrutura partidária espalhada pelo país e uma máquina intensa. Christie não possui esta estrutura ou peso partidário, muito pelo contrário, sofre resistência de setores conservadores.
Os republicanos ainda estão divididos. Antes do impulso da reeleição, o Governador de New Jersey dividia com outras estrelas do partido a mesma preferência, todos na faixa dos 15%. Hoje, Christie subiu a um outro patamar. Provavelmente disputará a indicação do partido com o senador libertário Rand Paul, o candidato a vice de Romney, Paul Ryan, o ex-governador Jeb Bush, o senador conservador texano Ted Cruz e o senador pela Flórida Marco Rubio. Estes são os nomes mais cotados.
A pesquisa mostra aquilo que era esperado. Christie tem muito potencial para crescer. Larga muito bem e surpreendentemente dentro do partido republicano já consegue distanciar-se dos outros candidatos. Enquanto Hillary possui um claro teto, Christie mostra que larga bem e pode ultrapassá-la. Será difícil para os conservadores republicanos evitarem sua candidatura, que aos poucos começa a surgir como um caminho natural.
Dentro desta dinâmica, saiu a primeira pesquisa. Os dois candidatos escolhidos foram Hillary Clinton e Chris Christie. A democrata aparece com 44 pontos e Christie com 34. Esta é uma ótima notícia para o Governador de New Jersey. Clinton foi primeira-dama, disputou primárias acirradas com Barack Obama e foi Secretária de Estado. É uma figura conhecida nacional e internacionalmente. Possui um claro recall de outras campanhas e carrega o Partido Democrata. Christie é apenas o Governador reeleito do estado de New Jersey.
Dentro dos partidos os dois possuem momentos distintos. Hillary é lembrada como a candidata natural por 66% dos democratas. No lado republicano, Christie é o preferido por 32%. Mas aqui vale o mesmo raciocínio. Hillary participou de uma primária, possui estrutura partidária espalhada pelo país e uma máquina intensa. Christie não possui esta estrutura ou peso partidário, muito pelo contrário, sofre resistência de setores conservadores.
Os republicanos ainda estão divididos. Antes do impulso da reeleição, o Governador de New Jersey dividia com outras estrelas do partido a mesma preferência, todos na faixa dos 15%. Hoje, Christie subiu a um outro patamar. Provavelmente disputará a indicação do partido com o senador libertário Rand Paul, o candidato a vice de Romney, Paul Ryan, o ex-governador Jeb Bush, o senador conservador texano Ted Cruz e o senador pela Flórida Marco Rubio. Estes são os nomes mais cotados.
A pesquisa mostra aquilo que era esperado. Christie tem muito potencial para crescer. Larga muito bem e surpreendentemente dentro do partido republicano já consegue distanciar-se dos outros candidatos. Enquanto Hillary possui um claro teto, Christie mostra que larga bem e pode ultrapassá-la. Será difícil para os conservadores republicanos evitarem sua candidatura, que aos poucos começa a surgir como um caminho natural.
segunda-feira, novembro 11, 2013
Christie, o Conservador
Em conversas privadas, o senador texano Ted Cruz, presidenciável pela ala conservadora dos republicanos, diz não temer Chris Christie nas primárias. Diz que o governador de New Jersey é muito moderado e não conseguirá mobilizar a base do partido. Aposta que Christie será uma espécie de Rudolph Giuliani, o antigo prefeito de Nova York que naufragou nas primárias por falta de conservadorismo - ele é favor do aborto, um pecado mortal para um republicano que almeja a Casa Branca.
Mas se engana Ted Cruz. Chris Christie tem mais apelo conservador do que ele imagina. Apesar de não levantar bandeiras contra o aborto ou casamento gay, Christie é um católico que não aprova nem uma nem outra medida. Tem histórico como Governador para provar isto, o que é importante na política americana. Christie é casado, pai de quatro filhos. Isto também é um fator de peso para as primárias.
Portanto, ao contrário do que muito pensam, não vejo Christie como uma ameaça moderada aos conservadores. Ao contrário, vejo pontos de convergência em temas centrais, e uma qualidade que os conservadores não possuem: negociação. O Governador de New Jersey sabe negociar e abrir canais de comunicação. Sua maior qualidade é vista com ceticismo entre os conservadores, pois levou Christie a conseguir bons acordos com os adversários democratas.
Na minha opinião existe apenas um ponto de divergência entre a agenda republicana e as posições de Christie: ele defende alguma restrição em relação a venda de armas. Acontece que este é um tema sensível para a base republicana. O futuro candidato deverá estar preparado para estas questões.
Diante de uma visão geral, dentro dos temas da agenda republicana, vemos que Christie é contrário ao aborto e ao casamento gay, é fiscalmente um conservador, se alinha aos falcões na política externa e defende restrições, ainda que brandas, no controle de vendas de armas. Dentro do arcabouço republicano, ele possui quase todas as características. Além disso, é popular, bom de campanha, carismático e rouba votos dos democratas. Talvez seja exatamente aquilo que os republicanos precisam.
Christie possui dois assessores que trabalharam na fracassada tentativa de Giuliani disputar a Presidência - e as coincidências param por aí. Quando trabalhei na campanha de 2008, conheci ambos, Mike DuHaime e Maria Comella. Sei que ambos aprenderam muito com os erros de Rudy e também vale lembrar que foram os estrategistas responsáveis pelas duas vitórias históricas de Christie em New Jersey. É preciso levar seu candidato agora para o vôo nacional.
Acredito que os detratores de Christie acusam-no de não ser conservador o suficiente mais por medo de sua candidatura tornar-se inevitável do que realmente por não acreditar em suas credenciais. A conferir.
Mas se engana Ted Cruz. Chris Christie tem mais apelo conservador do que ele imagina. Apesar de não levantar bandeiras contra o aborto ou casamento gay, Christie é um católico que não aprova nem uma nem outra medida. Tem histórico como Governador para provar isto, o que é importante na política americana. Christie é casado, pai de quatro filhos. Isto também é um fator de peso para as primárias.
Portanto, ao contrário do que muito pensam, não vejo Christie como uma ameaça moderada aos conservadores. Ao contrário, vejo pontos de convergência em temas centrais, e uma qualidade que os conservadores não possuem: negociação. O Governador de New Jersey sabe negociar e abrir canais de comunicação. Sua maior qualidade é vista com ceticismo entre os conservadores, pois levou Christie a conseguir bons acordos com os adversários democratas.
Na minha opinião existe apenas um ponto de divergência entre a agenda republicana e as posições de Christie: ele defende alguma restrição em relação a venda de armas. Acontece que este é um tema sensível para a base republicana. O futuro candidato deverá estar preparado para estas questões.
Diante de uma visão geral, dentro dos temas da agenda republicana, vemos que Christie é contrário ao aborto e ao casamento gay, é fiscalmente um conservador, se alinha aos falcões na política externa e defende restrições, ainda que brandas, no controle de vendas de armas. Dentro do arcabouço republicano, ele possui quase todas as características. Além disso, é popular, bom de campanha, carismático e rouba votos dos democratas. Talvez seja exatamente aquilo que os republicanos precisam.
Christie possui dois assessores que trabalharam na fracassada tentativa de Giuliani disputar a Presidência - e as coincidências param por aí. Quando trabalhei na campanha de 2008, conheci ambos, Mike DuHaime e Maria Comella. Sei que ambos aprenderam muito com os erros de Rudy e também vale lembrar que foram os estrategistas responsáveis pelas duas vitórias históricas de Christie em New Jersey. É preciso levar seu candidato agora para o vôo nacional.
Acredito que os detratores de Christie acusam-no de não ser conservador o suficiente mais por medo de sua candidatura tornar-se inevitável do que realmente por não acreditar em suas credenciais. A conferir.
sexta-feira, novembro 08, 2013
O Caminho do Meio
Enquanto o partido republicano parece estar cada vez mais capturado pela agenda conservadora, o eleitorado manda seu recado. Nesta semana foram dois. A escolha de Chris Christie e a derrota de Cuccinelli. Os moderados foram recompensados com votos enquanto os mais conservadores foram mandados de volta para casa. Isto abriu um debate dentro do partido que tem como foco as eleições presidenciais.
O GOP, Grand Old Party, como são reconhecidos os republicanos por aqui, encontram-se em uma profunda crise. Existem pelo menos três grupos dentro do partido: moderados, libertários e conservadores. Os últimos são que tem mais voz hoje dentro da estrutura, especialmente por um motivo: são dos grupos mais conservadores que vem os maiores recursos para o partido. Deste grupo emergiu Cuccinelli, o candidato derrotado na Virgínia. Dento deste grupo também não há harmonia. Sua mais nova estrela, o senador Ted Cruz, do Texas, está longe de ser uma unanimidade entre seus pares.
Os moderados, entretanto, tem votos, mas não tem voz dentro do partido. Chris Christie é o maior exemplo. Eleito dentro de um dos estados mais democratas da federação, avançou com uma agenda de entendimento com os adversários e conseguiu uma vitória maiúscula. Falta-lhe, entretanto, penetração na estrutura partidária e trânsito entre os conservadores, que se arrepiam apenas em ouvir o nome de Christie.
Existem também os libertários, hoje representados pelo senador Rand Paul. Estes possuem menos densidade, mas entram com mais facilidade no território democrata. Estão mais próximos de Christie em termos de entendimento, mas também conversam com os conservadores, apesar do enorme abismo que divide suas agendas.
O GOP precisa de união e especialmente de liderança. Não chegará a lugar algum fragmentado. No início dos anos 90, Clinton conseguiu unir um partido em cacos, longe do poder por mais de uma década, e tornou-se Presidente. Os republicanos buscam seu Clinton. Fala-se em Christie, que hoje seria o único republicano com possibilidades de chegar a Casa Branca. Mas os conservadores parecem preferir perder do que vencer com um moderado. Pior para o partido, que até o momento se tornou refém de suas divisões internas.
Christie tem os votos que os conservadores desejam. Como diz a Time, o elefante está na sala. Agora é preciso lidar com ele.
O GOP, Grand Old Party, como são reconhecidos os republicanos por aqui, encontram-se em uma profunda crise. Existem pelo menos três grupos dentro do partido: moderados, libertários e conservadores. Os últimos são que tem mais voz hoje dentro da estrutura, especialmente por um motivo: são dos grupos mais conservadores que vem os maiores recursos para o partido. Deste grupo emergiu Cuccinelli, o candidato derrotado na Virgínia. Dento deste grupo também não há harmonia. Sua mais nova estrela, o senador Ted Cruz, do Texas, está longe de ser uma unanimidade entre seus pares.
Os moderados, entretanto, tem votos, mas não tem voz dentro do partido. Chris Christie é o maior exemplo. Eleito dentro de um dos estados mais democratas da federação, avançou com uma agenda de entendimento com os adversários e conseguiu uma vitória maiúscula. Falta-lhe, entretanto, penetração na estrutura partidária e trânsito entre os conservadores, que se arrepiam apenas em ouvir o nome de Christie.
Existem também os libertários, hoje representados pelo senador Rand Paul. Estes possuem menos densidade, mas entram com mais facilidade no território democrata. Estão mais próximos de Christie em termos de entendimento, mas também conversam com os conservadores, apesar do enorme abismo que divide suas agendas.
O GOP precisa de união e especialmente de liderança. Não chegará a lugar algum fragmentado. No início dos anos 90, Clinton conseguiu unir um partido em cacos, longe do poder por mais de uma década, e tornou-se Presidente. Os republicanos buscam seu Clinton. Fala-se em Christie, que hoje seria o único republicano com possibilidades de chegar a Casa Branca. Mas os conservadores parecem preferir perder do que vencer com um moderado. Pior para o partido, que até o momento se tornou refém de suas divisões internas.
Christie tem os votos que os conservadores desejam. Como diz a Time, o elefante está na sala. Agora é preciso lidar com ele.
quinta-feira, novembro 07, 2013
Virgínia Democrata: A Vitória de McAuliffe
A Virgínia foi o campo de batalha entre republicanos e democratas por meses. A eleição para Governador mobilizou diversas frentes e mesmo com a possibilidade de atingir a vitória, os republicanos entregaram de bandeja o triunfo aos democratas. McAuliffe venceu por uma estreita margem, o que deixou ainda mais claro que Cuccinelli poderia ter vencido.
Os três grandes cargos políticos do Estado da Virgínia são: Governador, Vice-Governor e Advogado-Geral. Os três são eleitos em pleitos separados no mesmo dia. Existe uma tendência de escolha de nomes sempre na oposição ao governo federal. Quando Reagan e Bush estavam na Casa Branca, a Virgínia elegeu democratas. Com Clinton, um republicano. Nos tempos de W. Bush, um democrata e nos primeiros anos de Obama, os republicanos voltaram. Esperava-se a manutenção disto. Não foi o que vimos.
Os democratas ganharam a eleição para governador e também para vice. Podem ganhar também a vaga de Advogado-Geral, ainda indefinida. Seria uma vitória histórica durante uma administração democrata em Washington, além do que, os três níveis hoje são dominados pelo Partido Republicano.
Mas a eleição de McAuliffe era uma crônica anunciada. Ele levantou um maior número de recursos financeiros que Cuccinelli e também teve um apoio mais incisivo do próprio partido do que o candidato republicano. De qualquer forma, a margem que as pesquisas davam a favor de McAuliffe era muito maior, cerca de nove pontos. A diferença final ficou em pouco mais de dois pontos.
Cuccinelli não fez feio. Teve uma votação expressiva, mas o que a campanha de McAuliffe conseguiu fazer foi mobilizar a base e levar os democratas a votar. Isto fez toda diferença. 37% dos que votaram eram democratas e apenas 32% republicanos. Cuccinelli usou de forma eficaz a resistência na Virgínia ao Obamacare. Dentre os 53% da população contrários a lei, 81% votaram em Cuccinelli. Por isso ele transformou, nos últimos dias, a eleição em um referendo contra o Obamacare. Não foi suficiente frente a mobilização dos democratas.
Com McAuliffe, os Clinton sobem nas bolsas de apostas políticas. Sua vitória é muito mais creditada ao apoio do ex-Presidente e Hillary do que ao tímido apoio de Obama, que cruzou o Potomac somente nos últimos dias. McAuliffe tem a missão de entregar os votos democratas da Virgínia para Hillary nas primárias. E os republicanos mais uma vez foram derrotados pelos próprios erros e pela falta de mobilização. Os Clinton mais uma vez ensinam como se faz política de forma eficaz.
Os três grandes cargos políticos do Estado da Virgínia são: Governador, Vice-Governor e Advogado-Geral. Os três são eleitos em pleitos separados no mesmo dia. Existe uma tendência de escolha de nomes sempre na oposição ao governo federal. Quando Reagan e Bush estavam na Casa Branca, a Virgínia elegeu democratas. Com Clinton, um republicano. Nos tempos de W. Bush, um democrata e nos primeiros anos de Obama, os republicanos voltaram. Esperava-se a manutenção disto. Não foi o que vimos.
Os democratas ganharam a eleição para governador e também para vice. Podem ganhar também a vaga de Advogado-Geral, ainda indefinida. Seria uma vitória histórica durante uma administração democrata em Washington, além do que, os três níveis hoje são dominados pelo Partido Republicano.
Mas a eleição de McAuliffe era uma crônica anunciada. Ele levantou um maior número de recursos financeiros que Cuccinelli e também teve um apoio mais incisivo do próprio partido do que o candidato republicano. De qualquer forma, a margem que as pesquisas davam a favor de McAuliffe era muito maior, cerca de nove pontos. A diferença final ficou em pouco mais de dois pontos.
Cuccinelli não fez feio. Teve uma votação expressiva, mas o que a campanha de McAuliffe conseguiu fazer foi mobilizar a base e levar os democratas a votar. Isto fez toda diferença. 37% dos que votaram eram democratas e apenas 32% republicanos. Cuccinelli usou de forma eficaz a resistência na Virgínia ao Obamacare. Dentre os 53% da população contrários a lei, 81% votaram em Cuccinelli. Por isso ele transformou, nos últimos dias, a eleição em um referendo contra o Obamacare. Não foi suficiente frente a mobilização dos democratas.
Com McAuliffe, os Clinton sobem nas bolsas de apostas políticas. Sua vitória é muito mais creditada ao apoio do ex-Presidente e Hillary do que ao tímido apoio de Obama, que cruzou o Potomac somente nos últimos dias. McAuliffe tem a missão de entregar os votos democratas da Virgínia para Hillary nas primárias. E os republicanos mais uma vez foram derrotados pelos próprios erros e pela falta de mobilização. Os Clinton mais uma vez ensinam como se faz política de forma eficaz.
quarta-feira, novembro 06, 2013
Christie avassalador
Muitas coisas podem ser ditas sobre as eleições de ontem nos Estados Unidos. Duas disputas foram importantes: Virgínia e New Jersey. Vamos tratar hoje da segunda. Foi uma vitória maiúscula de um republicano em um território claramente democrata. Chris Christie foi reeleito de forma incontestável, vencendo com mais de 60% dos votos, contra 38% de sua oponente. Foi uma vitória histórica.
Christie é um político diferente. Foge da polarização que tem travado a política norte-americana nos últimos anos. Trabalha de forma bipartidária e possui uma característica agregadora. É popular. Venceu entre as mulheres e os eleitores hispânicos. Fez uma incursão eleitoral jamais vista por um republicano naquele estado entre jovens e negros. New Jersey possui 700.000 eleitores registrados como democratas. Christie fez mais de 1.252.000 votos. Mostrou que com uma política que alcança um espectro mais amplo é possível vencer inclusive recebendo votos dos democratas.
Christie é um tipo popular, bonachão, o novo peso-pesado da política nacional. Sua maior qualidade é saber ser informal e falar a mesma língua do seu eleitorado. Pelo menos em New Jersey funcionou. Resta saber se a mesma característica rende votos em um país vasto e diversificado como os Estados Unidos. Tudo leva a indicar que ele pode atingir os votos do partido democrata em muitos estados, alterando a geografia da eleição. Resta saber se os republicanos estarão ao seu lado.
Sim, a maior resistência a Christie vem de dentro do partido. Muitos republicanos acham Christie populista, informal e bipartidário demais. Acusam-no de ser democrata nas roupas de republicano, um RINO - Republican In Name Only. Mas o fato é que os republicanos desde a reeleição de Bush em 2004 ainda buscam uma forma de vencer. Abatidos desde então, no próximo ano fecha-se uma janela de 10 anos sem vitórias maiúsculas, coisa na qual Christie é um mestre.
Reeleito governador de New Jersey, Christie vai assumir o comando da Associação de Governadores Republicanos - RGA. Viajará os Estados Unidos neste papel, o que sem dúvida já é o primeiro passo de sua pré-campanha presidencial em 2016. Terá a possibilidade de ser visto e conhecido em estados que até então somente escutam falar de seu nome. Vai ganhar estrutura e porte nacional.
Christie vem aí. Anotem este nome. Talvez seja o caminho bipartidário do qual todos os político falam, mas tem vergonha de empreender. Christie não tem e assim vai ganhando eleitorado. Afinal, ganhar com mais de 60% em um estado democrata, não é para qualquer republicano.
Christie é um político diferente. Foge da polarização que tem travado a política norte-americana nos últimos anos. Trabalha de forma bipartidária e possui uma característica agregadora. É popular. Venceu entre as mulheres e os eleitores hispânicos. Fez uma incursão eleitoral jamais vista por um republicano naquele estado entre jovens e negros. New Jersey possui 700.000 eleitores registrados como democratas. Christie fez mais de 1.252.000 votos. Mostrou que com uma política que alcança um espectro mais amplo é possível vencer inclusive recebendo votos dos democratas.
Christie é um tipo popular, bonachão, o novo peso-pesado da política nacional. Sua maior qualidade é saber ser informal e falar a mesma língua do seu eleitorado. Pelo menos em New Jersey funcionou. Resta saber se a mesma característica rende votos em um país vasto e diversificado como os Estados Unidos. Tudo leva a indicar que ele pode atingir os votos do partido democrata em muitos estados, alterando a geografia da eleição. Resta saber se os republicanos estarão ao seu lado.
Sim, a maior resistência a Christie vem de dentro do partido. Muitos republicanos acham Christie populista, informal e bipartidário demais. Acusam-no de ser democrata nas roupas de republicano, um RINO - Republican In Name Only. Mas o fato é que os republicanos desde a reeleição de Bush em 2004 ainda buscam uma forma de vencer. Abatidos desde então, no próximo ano fecha-se uma janela de 10 anos sem vitórias maiúsculas, coisa na qual Christie é um mestre.
Reeleito governador de New Jersey, Christie vai assumir o comando da Associação de Governadores Republicanos - RGA. Viajará os Estados Unidos neste papel, o que sem dúvida já é o primeiro passo de sua pré-campanha presidencial em 2016. Terá a possibilidade de ser visto e conhecido em estados que até então somente escutam falar de seu nome. Vai ganhar estrutura e porte nacional.
Christie vem aí. Anotem este nome. Talvez seja o caminho bipartidário do qual todos os político falam, mas tem vergonha de empreender. Christie não tem e assim vai ganhando eleitorado. Afinal, ganhar com mais de 60% em um estado democrata, não é para qualquer republicano.
segunda-feira, novembro 04, 2013
Os Efeitos de Boston
A maratona de Nova York voltou ao circuito mundial depois de dois anos - o furacão Sandy impediu sua realização no ano passado. Desde 1970 o evento faz parte do calendário da cidade. Ao lado de Boston e Chicago é considerada uma das corridas mais populares dos Estados Unidos. A prova, que teve 48 mil inscritos, ocorreu sem incidentes e sob um forte esquema de segurança.
Sem dúvida o efeito Boston foi responsável pelo forte contingente de medidas e cautela em torno do evento em Nova York. Depois de observar toda a ação para garantir a segurança neste domingo, devemos nos perguntar, afinal, se os terroristas de Boston atingiram seus objetivos.
O objetivo do terrorismo não é simplesmente matar, mas por meio dos atentados, criar uma sensação geral de medo que mude os hábitos das sociedades que foram atacadas. Este é o ponto central. Qualquer passagem por aeroportos hoje, mostra que depois dos atentados de 11 de setembro, viajar se tornou um pesadelo. Enormes filas, burocracia e intermináveis aparatos de segurança.
Na verdade, sabemos que as medidas nos aeroportos, além de tentar evitar outras ações, servem na realidade como intimidação para as ações terroristas. Sabedores da enorme dificuldade que encontrarão, os terroristas, em tese, desistiriam da ação. Em Nova York, o aparato de segurança da maratona foi montado com o mesmo objetivo: intimidar os terroristas.
Entretanto, é preciso se perguntar se as ações terroristas atingiram seus objetivos. Houve uma mudança brutal no comportamento das autoridades nos locais que já foram foco de ações, ou seja, existe medo e há uma mudança nos padrões de comportamento em função dos atentados. No 11 de setembro e em outras ações dos terroristas islâmicos, o objetivo era afetar modo de vida da sociedade ocidental. Isto foi atingido.
Certamente as autoridades precisam agir no sentido de coibir ações terroristas e proteger o cidadão, mas a linha entre defesa e supressão das liberdade é muito tênue. É preciso avaliar se a política de segurança não está fazendo, em certa medida, o perigoso jogo do terrorismo. A melhor forma de reagir ao terror é mostrar que ele não nos impõe medo. Nesta questão o mundo tem falhado.
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