A Rússia mexe com o brio dos americanos. Certamente ainda um resquício da Guerra Fria. Mas como lembrou Mitt Romney, durante a campanha de 2012, Moscou ainda representa uma ameaça aos Estados Unidos no tabuleiro geopolítico. Ridicularizado por Obama, perdeu a eleição, mas provou-se certo, enquanto o Presidente reeleito mostrou-se equivocado. A questão da Ucrânia e Crimeia veio justamente provar este fato.
Diante disso, muitos americanos se perguntam qual o real interesse de seu país no Leste Europeu. Ron Paul, porta-voz do movimento libertário, é contrário a qualquer tipo de ajuda ou intervenção, afinal, em sua concepção, o Ocidente ajudou a derrubar um governo...
Texto completo no Brasil Post: huff.to/1g3XYTZ
sexta-feira, março 28, 2014
quarta-feira, março 26, 2014
A Batalha de Boehner
John Boehner, republicano que dirige a Câmara, já sentiu que sua liderança é contestada dentro do partido. Nos corredores do Capitólio escuto os deputados falarem abertamente sobre sua substituição depois das eleições legislativas deste ano. O adversário até já se apresentou. Eric Cantor é considerada aposta certa para o lugar mais importante do Congresso.
Os motivos para Boehner estar sendo rifado por seus pares é simples. Muitos não gostam de seu posicionamento mais pragmático e negociador. Apesar de muitas vezes ser inflexível, quando necessário ele sabe ceder pelo bem do país, afinal existe um limite razoável para tudo, entretanto, muitos dos seus colegas não concordam com isso, buscam um posicionamento mais assertivo e agressivo em relação aos democratas.
A liderança na Câmara é o cargo mais importante do Congresso, uma vez que o Senado é presidido pelo Vice-Presidente dos Estados Unidos e por lá acaba mandando quem tem maioria na Casa. Na Câmara é diferente, existem as lideranças, mas existe a presidência. Hoje, Boehner responde pelo comando da Casa, mas o líder dos republicanos é Cantor, que almeja o cargo do colega.
Os republicanos manterão o comando na Câmara, isto é um fato. A dúvida ainda é sobre a possível virada no Senado, fundamental para asfaltar o caminho dos republicanos de volta ao Salão Oval. Se o Senado também cair nas mãos dos republicanos, o controle da agenda legislativa ficará totalmente nas mãos do GOP e Obama terá dois anos para fazer as malas, pois perderá o controle político de Washington.
Portanto, os dois anos que estão por vir tendem a ser de enorme projeção para aquele que dirigir a Câmara e Cantor sabe disso. Os grupos mais conservadores já negociam parte da agenda do partido sem consultar Boehner, mais um sintoma de que existe uma rebelião em seu partido. Diantes de tantas manobras e movimentos internos, ele precisará de muita habilidade para manter seu cargo.
Os motivos para Boehner estar sendo rifado por seus pares é simples. Muitos não gostam de seu posicionamento mais pragmático e negociador. Apesar de muitas vezes ser inflexível, quando necessário ele sabe ceder pelo bem do país, afinal existe um limite razoável para tudo, entretanto, muitos dos seus colegas não concordam com isso, buscam um posicionamento mais assertivo e agressivo em relação aos democratas.
A liderança na Câmara é o cargo mais importante do Congresso, uma vez que o Senado é presidido pelo Vice-Presidente dos Estados Unidos e por lá acaba mandando quem tem maioria na Casa. Na Câmara é diferente, existem as lideranças, mas existe a presidência. Hoje, Boehner responde pelo comando da Casa, mas o líder dos republicanos é Cantor, que almeja o cargo do colega.
Os republicanos manterão o comando na Câmara, isto é um fato. A dúvida ainda é sobre a possível virada no Senado, fundamental para asfaltar o caminho dos republicanos de volta ao Salão Oval. Se o Senado também cair nas mãos dos republicanos, o controle da agenda legislativa ficará totalmente nas mãos do GOP e Obama terá dois anos para fazer as malas, pois perderá o controle político de Washington.
Portanto, os dois anos que estão por vir tendem a ser de enorme projeção para aquele que dirigir a Câmara e Cantor sabe disso. Os grupos mais conservadores já negociam parte da agenda do partido sem consultar Boehner, mais um sintoma de que existe uma rebelião em seu partido. Diantes de tantas manobras e movimentos internos, ele precisará de muita habilidade para manter seu cargo.
terça-feira, março 25, 2014
O Fator Rand Paul
Se os democratas olharem com atenção para Rand Paul, eles enxergam um adversário que pode assustar. O Senador republicano por Kentucky carrega uma conexão com a juventude e um discurso cheio de idealismo que lembra um Barack Obama no começo de seu percurso. Mas ao contrário do Presidente, Rand Paul carrega na herança genética as características de um libertário. Esta autenticidade tem levado principalmente um público jovem a se aliar ao seu desafio de chegar ao Salão Oval.
Rand Paul tem um discurso que agride os ouvidos de muitos democratas e também de alguns republicanos mais conservadores, mas que empolga setores democratas e republicanos. É o tipo do candidato que se afasta dos extremos de ambos os partidos, mas consegue unir eleitores que convergem para o centro, além de trazer uma imagem interessante.
Ele ataca ferozmente a política de espionagem e o crescimento do aparato de vigilância do Estado, um processo iniciado na presidência de Bush e aprofundado de forma intensa durante os anos de Obama. Este posicionamento o afasta dos republicanos mais conservadores e dos democratas interventores, mas o aproxima de um movimento que vem se consolidando na medida que Obama se desgasta perante a opinião pública.
Rand Paul pode ser a grande sensação desta eleição presidencial, mas também pode ficar de lado, sem apoio dentro do próprio partido para vencer as primárias, mesmo sendo uma estrela do Tea Party. Para isso, ele acredita na criação de uma onda, similar a estratégia de Obama em 2007 e 2008, ou seja, um movimento que neste caso pode ultrapassar as barreiras do seu partido e torná-lo viável. Um candidato republicano que se movimenta com naturalidade entre eleitores democratas é uma grande vantagem, mas Paul corre um risco: não conseguir tirar os conservadores de casa para votar.
De uma forma ou de outra, pela primeira vez o movimento libertário encontra uma voz com liderança suficiente para desequilibrar a eleição. Mais do que um mensageiro, como seu Pai, Rand Paul pode ser o portador da mudança. Não exatamente aquela prometida por Obama, mas que seu eleitorado adoraria apoiar.
sexta-feira, março 21, 2014
Diplomacia Errática
A nova estratégia de Obama na guerra de nervos contra a Putin foi no sentido de atingir financeiramente Moscou com congelamento de ativos financeiros e estabelecimento de sanções. O Presidente americano acredita que, em sua concepção, como funcionou com os iranianos e isto os trouxe de volta para negociação, o mesmo pode acontecer com os russos.
Tudo isso chega a soar ingênuo, primeiro porque há sérias dúvidas se a estratégia realmente funcionou com o Irã. Diversos especialistas em política externa divergem de Obama e dizem que na verdade seu governo deu mais fôlego ao regime dos aiatolás. Mas ele acredita piamente que entrou pelo caminho certo e abriu canais de negociações importantes que podem evitar que os iranianos cheguem ao enriquecimento de material nuclear para a construção de uma bomba.
Além disso, é bom lembrar que a Rússia não é o Irã e mesmo que o Presidente estivesse tomando o caminho correto com os aiatolás, nada garante que a mesma estratégia funcionaria com Moscou. O russos possuem outra cultura e outra forma de pensar. É preciso haver diferentes mecanismos para lidar com nações de culturas e valores diversos. A falta de entendimento desta premissa por alguns líderes deveria preocupar a comunidade internacional.
A Rússia acredita que historicamente a Crimeia faz parte de seu território, assim como a porção da Ucrânia que chega até Kiev. É preciso estudar a história russa para abrir canais e mecanismos que possam ser efetivos. O raciocínio de Putin nada tem a ver com a Guerra Fria, mas com os valores culturais da grande Rússia da época dos czares. O vício em tratar a questão com olhos focados no passado recente não ajuda a desenhar mecanismos efetivos de contenção.
Resta aos americanos e europeus, antes de continuar por estratégias erráticas, entender o que realmente deseja a Rússia e assim antecipar seus próximos passos, afinal, como dizia o Embaixador Roberto Campos, "a diplomacia é a arte de ver antes, não necessariamente de ver mais, e nunca ver demais".
Tudo isso chega a soar ingênuo, primeiro porque há sérias dúvidas se a estratégia realmente funcionou com o Irã. Diversos especialistas em política externa divergem de Obama e dizem que na verdade seu governo deu mais fôlego ao regime dos aiatolás. Mas ele acredita piamente que entrou pelo caminho certo e abriu canais de negociações importantes que podem evitar que os iranianos cheguem ao enriquecimento de material nuclear para a construção de uma bomba.
Além disso, é bom lembrar que a Rússia não é o Irã e mesmo que o Presidente estivesse tomando o caminho correto com os aiatolás, nada garante que a mesma estratégia funcionaria com Moscou. O russos possuem outra cultura e outra forma de pensar. É preciso haver diferentes mecanismos para lidar com nações de culturas e valores diversos. A falta de entendimento desta premissa por alguns líderes deveria preocupar a comunidade internacional.
A Rússia acredita que historicamente a Crimeia faz parte de seu território, assim como a porção da Ucrânia que chega até Kiev. É preciso estudar a história russa para abrir canais e mecanismos que possam ser efetivos. O raciocínio de Putin nada tem a ver com a Guerra Fria, mas com os valores culturais da grande Rússia da época dos czares. O vício em tratar a questão com olhos focados no passado recente não ajuda a desenhar mecanismos efetivos de contenção.
Resta aos americanos e europeus, antes de continuar por estratégias erráticas, entender o que realmente deseja a Rússia e assim antecipar seus próximos passos, afinal, como dizia o Embaixador Roberto Campos, "a diplomacia é a arte de ver antes, não necessariamente de ver mais, e nunca ver demais".
quarta-feira, março 19, 2014
Líbia: 3 anos depois
Hoje completam-se três anos da operação militar na Líbia que derrubou Kadafi. A decisão do Conselho de Segurança seguiu-se por pressão da Primavera Árabe, que se espalhava pela região em 2011, e havia chegado na Líbia, depois de passar pela Tunísia e Egito e seguir para outros países. Excluindo-se a Tunísia, os resultados das revoltas populares contra os ditadores da região não foram dos mais animadores. No aniversário do ataque a Trípoli, é momento de avaliação.
Já ouvi opiniões contrárias e a favor das ações das potências ocidentais. O objetivo das nações que atacaram o regime líbio era a derrubada de Kadafi. Mas assim como estava sendo feito na Síria, não havia uma alternativa clara de poder. A deposição levou a um conflito interno entre as diversas tribos que dividem o país e o controlam regionalmente. A produção de petróleo despencou e as perdas humanas foram e ainda são significativas.
Aqueles que defendiam evitar o ataque ao país africano enxergavam nuances claras de uma retomada do país pelo regime de Kadafi em pouco tempo. Durante a revolta, o governo de Trípoli nunca perdeu o controle da maioria do país e soube revidar, avançando e retomando cidades tomadas pelos rebeldes. Neste momento, as nações ocidentais resolveram entrar em cena e desequilibraram o jogo em favor dos opositores do regime.
As Nações Unidas, Estados Unidos, França e Otan argumentaram que um avanço militar era necessário, pois estariam se desenhando as condições para Kadafi encurralar os opositores e vingar-se de cada um deles, iniciando um banho de sangue para controlar novamente as fronteiras e todas as cidades líbias. Diante deste sinal, as nações ocidentais resolveram se mover. Sob abstenção da Rússia e China e comandadas pela Otan, as forças aliadas acabaram com o regime líbio.
Mas o que se viu depois foi a falta de uma liderança interna que pudesse dar equilíbrio ao país. Pensar em democracia em um país como a Líbia, nos dias de hoje, não passa de um sonho, para não dizer um delírio. Sem instituições e líderes nacionais fortes, os país virou um amontado de tribos que comandam diferentes cidades. Sem Kadafi, a Líbia tornou-se um local muito mais perigoso e instável - inclusive para o Ocidente.
Kadafi estava longe de ser um santo, muito pelo contrário, tinha um histórico brutal de crimes e muito terrorismo, mas nos últimos anos vinha tentando mudar sua imagem, tornando-se um interlocutor com a nações da região, além de manter os extremistas líbios sobre controle. Considerando-se a realpolitik já é hora das nações ocidentais se perguntarem se todo os esforço realmente valeu a pena.
Já ouvi opiniões contrárias e a favor das ações das potências ocidentais. O objetivo das nações que atacaram o regime líbio era a derrubada de Kadafi. Mas assim como estava sendo feito na Síria, não havia uma alternativa clara de poder. A deposição levou a um conflito interno entre as diversas tribos que dividem o país e o controlam regionalmente. A produção de petróleo despencou e as perdas humanas foram e ainda são significativas.
Aqueles que defendiam evitar o ataque ao país africano enxergavam nuances claras de uma retomada do país pelo regime de Kadafi em pouco tempo. Durante a revolta, o governo de Trípoli nunca perdeu o controle da maioria do país e soube revidar, avançando e retomando cidades tomadas pelos rebeldes. Neste momento, as nações ocidentais resolveram entrar em cena e desequilibraram o jogo em favor dos opositores do regime.
As Nações Unidas, Estados Unidos, França e Otan argumentaram que um avanço militar era necessário, pois estariam se desenhando as condições para Kadafi encurralar os opositores e vingar-se de cada um deles, iniciando um banho de sangue para controlar novamente as fronteiras e todas as cidades líbias. Diante deste sinal, as nações ocidentais resolveram se mover. Sob abstenção da Rússia e China e comandadas pela Otan, as forças aliadas acabaram com o regime líbio.
Mas o que se viu depois foi a falta de uma liderança interna que pudesse dar equilíbrio ao país. Pensar em democracia em um país como a Líbia, nos dias de hoje, não passa de um sonho, para não dizer um delírio. Sem instituições e líderes nacionais fortes, os país virou um amontado de tribos que comandam diferentes cidades. Sem Kadafi, a Líbia tornou-se um local muito mais perigoso e instável - inclusive para o Ocidente.
Kadafi estava longe de ser um santo, muito pelo contrário, tinha um histórico brutal de crimes e muito terrorismo, mas nos últimos anos vinha tentando mudar sua imagem, tornando-se um interlocutor com a nações da região, além de manter os extremistas líbios sobre controle. Considerando-se a realpolitik já é hora das nações ocidentais se perguntarem se todo os esforço realmente valeu a pena.
terça-feira, março 18, 2014
Open Race
Se você já ouvir falar de Bill Haslam, Bob Corker, Joe Scarborough e Mike Pence, seu conhecimento sobre política americana é exemplar. Todos são figuras do partido republicano e todos consideram entrar na corrida presidencial. O primeiro atende pelo governo do Tennessee, o segundo pelo Senado do mesmo estado, o terceiro foi deputado pela Florida e o último é o Governador de Indiana.
A presença de figuras pouco conhecidas na arena política nacional prova que não existe um claro favorito nas primárias republicanas. O quarteto se juntaria a Marco Rubio, Chris Christie, Ted Cruz, Rand Paul, Rick Perry, Paul Ryan, Rick Santorum e talvez Scott Walker e Jeb Bush, todos pesos pesados do partido.
As primárias são batalhas sucessivas e demoradas. Quem já passou por esta maratona entende o que estou falando. Não é uma corrida de velocidade, mas de resistência. Os oponentes vão caindo um a um, pouco a pouco e o menor erro pode fazer com sua própria candidatura naufrague. Manter o momento político vivo na medida que passam os meses é talvez a tarefa mais difícil.
Assim, os políticos do Tennessee, Flórida e Indiana, citados acima, possuem poucas chances, mas uma grande vitrine para subir um patamar na política nacional, consolidando seus nomes regionalmente. Se a tendência se confirmar, a primeira primária, em Iowa, reunirá um número recorde de candidatos.
Depois de Iowa, teremos Carolina do Sul, New Hampshire, até o processo embalar e os primeiros, vencidos pelo cansaço, falta de votos ou recursos financeiros jogarem a toalha. Os primeiros números são muito importantes, pois podem fazer os candidatos ganhar momento político, o que os impulsiona a levantar mais fundos e seguir a campanha.
Embolar as primárias de saída, com um sem número de candidatos, pode confundir o eleitor e deixar o partido sem favoritos, o que somente fortaleceria os democratas. Mas a disputa está aberta e as eleições deste ano devem indicar alguns nomes de destaque e outros que devem sair de cena.
A presença de figuras pouco conhecidas na arena política nacional prova que não existe um claro favorito nas primárias republicanas. O quarteto se juntaria a Marco Rubio, Chris Christie, Ted Cruz, Rand Paul, Rick Perry, Paul Ryan, Rick Santorum e talvez Scott Walker e Jeb Bush, todos pesos pesados do partido.
As primárias são batalhas sucessivas e demoradas. Quem já passou por esta maratona entende o que estou falando. Não é uma corrida de velocidade, mas de resistência. Os oponentes vão caindo um a um, pouco a pouco e o menor erro pode fazer com sua própria candidatura naufrague. Manter o momento político vivo na medida que passam os meses é talvez a tarefa mais difícil.
Assim, os políticos do Tennessee, Flórida e Indiana, citados acima, possuem poucas chances, mas uma grande vitrine para subir um patamar na política nacional, consolidando seus nomes regionalmente. Se a tendência se confirmar, a primeira primária, em Iowa, reunirá um número recorde de candidatos.
Depois de Iowa, teremos Carolina do Sul, New Hampshire, até o processo embalar e os primeiros, vencidos pelo cansaço, falta de votos ou recursos financeiros jogarem a toalha. Os primeiros números são muito importantes, pois podem fazer os candidatos ganhar momento político, o que os impulsiona a levantar mais fundos e seguir a campanha.
Embolar as primárias de saída, com um sem número de candidatos, pode confundir o eleitor e deixar o partido sem favoritos, o que somente fortaleceria os democratas. Mas a disputa está aberta e as eleições deste ano devem indicar alguns nomes de destaque e outros que devem sair de cena.
segunda-feira, março 17, 2014
Obama e Ucrânia
A popularidade em baixa não é a única preocupação de Obama. Enquanto os problemas se acumulam, a confiança no Presidente também despenca. Os democratas, contaminados pela situação, podem perder o controle do Senado e a Câmara tende a ficar nas mãos dos republicanos. A política externa, que por vezes ajuda a salvar a imagem interna desgastada de um Presidente, também não ajuda Obama.
Repito o que já escrevi aqui. Obama tem conduzido a situação na Ucrânia da maneira certa para os Estados Unidos. Tem se mantido prudentemente distante e agido em conjunto com os europeus. O país intensificou sua agenda diplomática e tem usado os canais certos. Ao contrário do que muitos desejam, não despachará tropas para Crimeia ou qualquer outra parte da Ucrânia se não for em consenso com os europeus. Mesmo que tenha que fazê-lo, enfrentará enorme oposição interna.
Mas o posicionamento cuidadoso de Obama tem um custo. Os números mostram que os próprios americanos enxergam seu Presidente como um líder fraco a vacilante. Para ser mais exato, 55%. Do outro lado, os mesmo americanos vêem Vladimir Putin como um líder forte. Para ser mais exato 77%. Claramente Obama aparece em desvantagem, mas também colhe nestes números boa parte da impopularidade que vem semeando nos últimos meses.
O momento é de cautela. As medidas tomadas contra Rússia até o momento foram econômicas e políticas. As novas lideranças ucranianas foram recebidas em Bruxelas e Washington. O FMI movimentou suas engrenagens em favor de Kiev. Dentro da burocracia internacional, criada após a Segunda Guerra, existem inúmeros mecanismos que podem ser manejados. A utilização de força militar sendo o último deles.
Neste final de semana, a Crimeia falou pelas urnas que deseja ingressar na Rússia. Qualquer movimento via Conselho de Segurança será barrado pelo veto russo, como vimos. A China preferiu a abstenção. O Ocidente batalhará pela Crimeia, mas na verdade, aquele território é caso perdido. A suposta ênfase em defesa daquela parte da Ucrânia, apenas serve de escudo para a defesa da parte que realmente interessa: a porção oriental, altamente industrializada e base da economia do país. Ali é próximo foco russo. Ali é o verdadeiro foco de resistência do Ocidente.
Mas enquanto o tabuleiro da política internacional move-se no longo prazo, o da popularidade é movimentado no curto. Aí está o dilema de Obama.
Repito o que já escrevi aqui. Obama tem conduzido a situação na Ucrânia da maneira certa para os Estados Unidos. Tem se mantido prudentemente distante e agido em conjunto com os europeus. O país intensificou sua agenda diplomática e tem usado os canais certos. Ao contrário do que muitos desejam, não despachará tropas para Crimeia ou qualquer outra parte da Ucrânia se não for em consenso com os europeus. Mesmo que tenha que fazê-lo, enfrentará enorme oposição interna.
Mas o posicionamento cuidadoso de Obama tem um custo. Os números mostram que os próprios americanos enxergam seu Presidente como um líder fraco a vacilante. Para ser mais exato, 55%. Do outro lado, os mesmo americanos vêem Vladimir Putin como um líder forte. Para ser mais exato 77%. Claramente Obama aparece em desvantagem, mas também colhe nestes números boa parte da impopularidade que vem semeando nos últimos meses.
O momento é de cautela. As medidas tomadas contra Rússia até o momento foram econômicas e políticas. As novas lideranças ucranianas foram recebidas em Bruxelas e Washington. O FMI movimentou suas engrenagens em favor de Kiev. Dentro da burocracia internacional, criada após a Segunda Guerra, existem inúmeros mecanismos que podem ser manejados. A utilização de força militar sendo o último deles.
Neste final de semana, a Crimeia falou pelas urnas que deseja ingressar na Rússia. Qualquer movimento via Conselho de Segurança será barrado pelo veto russo, como vimos. A China preferiu a abstenção. O Ocidente batalhará pela Crimeia, mas na verdade, aquele território é caso perdido. A suposta ênfase em defesa daquela parte da Ucrânia, apenas serve de escudo para a defesa da parte que realmente interessa: a porção oriental, altamente industrializada e base da economia do país. Ali é próximo foco russo. Ali é o verdadeiro foco de resistência do Ocidente.
Mas enquanto o tabuleiro da política internacional move-se no longo prazo, o da popularidade é movimentado no curto. Aí está o dilema de Obama.
quinta-feira, março 13, 2014
Presidente Radioativo
Estive no Congresso e ouvi de parlamentares democratas que a luta pelo Senado será difícil. Isto tem um significado amplo. Se realmente acontecer, os dois últimos anos de Obama na Casa Branca serão melancólicos em termos de iniciativa política, algo que começa a asfaltar a estrada para uma vitória de sonhos dos republicanos em 2016, vencendo as duas casas e levando a Presidência.
Tive acesso a pesquisas dos democratas em estados importantes para a batalha pelo Senado e em todos a popularidade de Obama está afetando de sobremaneira as chances de sua bancada. Vejamos o Arkansas, por exemplo. Ali Obama amarga uma desaprovação de 65%, o que afeta as chances do senador Mark Pryor ser reeleito. No Colorado onde o senador Mark Udall busca a reeleição, a situação também é preocupante. O Presidente tem apenas 44% de aprovação e 52% de desaprovação. Para piorar a situação, os republicanos vem com o competitivo deputado Cory Gardner, que deixará seu assento na Câmara para buscar a vaga de Udall no Senado.
A situação se repete na Louisiana, comandada pelo conservador Bobby Jindal. Ali Obama amarga 56% de desaprovação, o que deve varrer a senadora Mary Landrieu do mapa. Na Carolina do Norte não é diferente e Kay Hagan deve perder para Thom Tillis. No estado, mais de 50% desaprovam Obama. A impopularidade do Presidente é algo tão radioativo neste momento que o partido prefere que Michelle Obama, com índices muito melhores que o marido, seja escalada para levantar fundos e fazer campanha pelos democratas.
O leque se amplia. Montana e West Virginia também estão na lista tendem a virar para os republicanos, além do Alaska, sob os cuidados especiais de Sarah Palin. Resta saber como os republicanos irão lidar com esta maioria. Será preciso muita coordenação para que os embates internos não prejudiquem o partido. Sabemos, por exemplo, que o líder atual, Mitch McConnell está na lista de Palin, que deseja substituí-lo por um senador mais conservador. Ele enfrentará as urnas no Kentucky. Na Câmara, Eric Cantor deve tomar o Presidência de John Boehner. As disputas internas estão acirradas, mas se os republicanos souberem se posicionar, terão todos os instrumentos para tentar alcançar a Casa Branca em 2016.
Tive acesso a pesquisas dos democratas em estados importantes para a batalha pelo Senado e em todos a popularidade de Obama está afetando de sobremaneira as chances de sua bancada. Vejamos o Arkansas, por exemplo. Ali Obama amarga uma desaprovação de 65%, o que afeta as chances do senador Mark Pryor ser reeleito. No Colorado onde o senador Mark Udall busca a reeleição, a situação também é preocupante. O Presidente tem apenas 44% de aprovação e 52% de desaprovação. Para piorar a situação, os republicanos vem com o competitivo deputado Cory Gardner, que deixará seu assento na Câmara para buscar a vaga de Udall no Senado.
A situação se repete na Louisiana, comandada pelo conservador Bobby Jindal. Ali Obama amarga 56% de desaprovação, o que deve varrer a senadora Mary Landrieu do mapa. Na Carolina do Norte não é diferente e Kay Hagan deve perder para Thom Tillis. No estado, mais de 50% desaprovam Obama. A impopularidade do Presidente é algo tão radioativo neste momento que o partido prefere que Michelle Obama, com índices muito melhores que o marido, seja escalada para levantar fundos e fazer campanha pelos democratas.
O leque se amplia. Montana e West Virginia também estão na lista tendem a virar para os republicanos, além do Alaska, sob os cuidados especiais de Sarah Palin. Resta saber como os republicanos irão lidar com esta maioria. Será preciso muita coordenação para que os embates internos não prejudiquem o partido. Sabemos, por exemplo, que o líder atual, Mitch McConnell está na lista de Palin, que deseja substituí-lo por um senador mais conservador. Ele enfrentará as urnas no Kentucky. Na Câmara, Eric Cantor deve tomar o Presidência de John Boehner. As disputas internas estão acirradas, mas se os republicanos souberem se posicionar, terão todos os instrumentos para tentar alcançar a Casa Branca em 2016.
quarta-feira, março 12, 2014
Duelo Republicano
Os dois são pesos pesados do partido republicano. Rand Paul, senador pelo Kentucky, e Ted Cruz, senador pelo Texas. Os dois estão no seu primeiro mandato no Senado e ambos foram eleitos com o apoio do Tea Party. Os dois ensaiam o óbvio, ou seja, irão tentar a indicação do partido para disputar a Presidência. Mas as semelhanças param por aí.
O estilo de trabalho e de fazer política é diferente. Rand Paul é mais discreto, sabe agir nos bastidores com mais desenvoltura e joga no longo prazo. Entende os mecanismos e as regras não escritas desta capital. Ted Cruz tem uma verve mais combativa, tem mais exposição, mas também age nos bastidores. Nem sempre da forma que se espera de um político em Washington, mas tornou-se, pelo estilo, um dos parlamentares mais conhecidos da cidade.
Rand Paul é um libertário, herdeiro do capital político de seu pai, Ron Paul, deputado diversas vezes eleito pelo Texas. Recebeu apoio do Tea Party desde o princípio, uma vez que o movimento nasceu pelo resgate dos valores fundamentais do partido. Seu discurso pela limitação dos poderes de Washington e a batalha contra o modelo de espionagem contra a imprensa e os próprios americanos pelo governo Obama impulsionaram seu nome.
Ted Cruz, ao contrário, é um conservador e chegou a Washington também impulsionado pela força do Tea Party. Cruz enfrentou primárias duras e teve um caminho difícil até o Senado. Apoiado por think tanks conservadores como a Heritage Foundation é um dos principais defensores da estratégia de concorrer com candidatos que mobilizem a base.
Nos últimos dias houve tensão em função de declarações de cada lado e um artigo escrito por Rand Paul, que não cita Cruz, mas deixa claro para onde são direcionadas as críticas. Esta fricção entre duas alas é perfeitamente normal e apenas expressam visões diferentes sobre determinados pontos. Mais do que isso, Cruz e Paul são próximos e sabem que não disputam o mesmo eleitorado nas primárias. Mais do que concorrentes, ambos são completares, inclusive no sentido de unir o Tea Party em uma eventual candidatura presidencial.
O estilo de trabalho e de fazer política é diferente. Rand Paul é mais discreto, sabe agir nos bastidores com mais desenvoltura e joga no longo prazo. Entende os mecanismos e as regras não escritas desta capital. Ted Cruz tem uma verve mais combativa, tem mais exposição, mas também age nos bastidores. Nem sempre da forma que se espera de um político em Washington, mas tornou-se, pelo estilo, um dos parlamentares mais conhecidos da cidade.
Rand Paul é um libertário, herdeiro do capital político de seu pai, Ron Paul, deputado diversas vezes eleito pelo Texas. Recebeu apoio do Tea Party desde o princípio, uma vez que o movimento nasceu pelo resgate dos valores fundamentais do partido. Seu discurso pela limitação dos poderes de Washington e a batalha contra o modelo de espionagem contra a imprensa e os próprios americanos pelo governo Obama impulsionaram seu nome.
Ted Cruz, ao contrário, é um conservador e chegou a Washington também impulsionado pela força do Tea Party. Cruz enfrentou primárias duras e teve um caminho difícil até o Senado. Apoiado por think tanks conservadores como a Heritage Foundation é um dos principais defensores da estratégia de concorrer com candidatos que mobilizem a base.
Nos últimos dias houve tensão em função de declarações de cada lado e um artigo escrito por Rand Paul, que não cita Cruz, mas deixa claro para onde são direcionadas as críticas. Esta fricção entre duas alas é perfeitamente normal e apenas expressam visões diferentes sobre determinados pontos. Mais do que isso, Cruz e Paul são próximos e sabem que não disputam o mesmo eleitorado nas primárias. Mais do que concorrentes, ambos são completares, inclusive no sentido de unir o Tea Party em uma eventual candidatura presidencial.
terça-feira, março 11, 2014
Virada Conservadora
Durante a conferência dos conservadores ouvi e conversei com muitas estrelas do partido republicano. O senador Ted Cruz, por exemplo, que deve buscar a indicação do partido para a disputa presidencial, me explicou como vencer. Sua estratégia é a mesma de Rick Santorum, outro líder dos conservadores, preocupado em como reconstruir a América depois dos oito anos de Obama. Mas a preocupação de todos é em vencer, algo expressado nas palavras do governador Chris Christe: "Nós não iremos governar nosso país a não ser que passemos a vencer eleições". Vencer, vencer, vencer. Este é o mantra repetido hoje por todos os republicanos, conservadores ou não.Existem duas estratégias. Deslocar-se ao centro e tentar a vitória com um candidato moderado, opção adotada com a escolhas de McCain e Romney, ou buscar o êxito com um nome verdadeiramente conectado com a base conservadora do partido. Se o opção for pelos moderados, não há dúvida de que o nome escolhido será o de Chris Christie. Mas se os republicanos optarem por um conservador legítimo, o rol de pretendentes é enorme: Ted Cruz, Rick Perry, Paulo Ryan, Rick Santorum, Jeb Bush, Marco Rubio, entre muitos outros.
A tese dos conservadores faz sentido. Somente um nome da base é capaz de movimentar a espetacular máquina republicana de voluntários e doadores que levou Bush a duas vitórias difíceis e Reagan a dois triunfos históricos. Quando este grupo entra em movimento, as chances dos democratas diminuem consideravelmente. Na opinião deles, ao invés de buscar a base, as últimas duas candidaturas disputaram o eleitorado democrata e os republicanos mais conservadores resolveram ficar em casa. A "batalha das idéias", como lembrou-me o congressista e candidato a Vice Presidente em 2012, Paul Ryan, é necessária para mobilizar o partido de forma integral.
Mas a cruzada dos conservadores não irá esperar por 2016. Como disse Sarah Palin, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, de Nevada, será o líder da minoria ou croupier de uma mesa de black jack em Las Vegas. Os republicanos estão determinados a tomar o Senado em 2014 e os conservadores garantem que caso seus candidatos concorram, a base será mobilizada. Já existe até uma agenda que tive acesso com os estados seminais para fazer a maioria. A ataque aos democratas será principalmente na Lousiana, Arkansas, Montana, West Virginia e Colorado. Para os conservadores, fazer a maioria no Senado é o primeiro passo para chegar ao Salão Oval. Se depender de Sarah Palin, Harry Reid pode começar a procurar emprego nos cassinos de Nevada.
domingo, março 09, 2014
A Cruzada de Palin
A ex-Governadora do Alaska vai além. Ela busca virar o partido republicano para o lado conservador em todos os estados possíveis. Sua cruzada hoje é no sentido de derrubar senadores moderados e substituí-los por candidatos verdadeiramente conservadores. Estão na sua mira, por exemplo, o líder no Senado, Mitch McConnell, do Kentucky, e Lindsay Graham, o experiente Senador da Carolina do Sul. Palin mobiliza a base e ajuda a levantar toneladas de fundos para os candidatos que apóia. Seu suporte pode determinar a vitória ou a derrota dentro do partido.
Os republicanos tem dois caminhos a seguir nas eleições presidenciais. Para vencer é preciso mobilizar a base e atingir as minorias. Se ambas estratégias forem completares, melhor ainda. Certos de que Hillary deve levar a indicação democrata, os republicanos mobilizam-se para responder. Entre os conservadores ouvi o nome da senadora Kelly Ayotte, de New Hampshire. Apesar de não possuir experiência administrativa, ela possui o trunfo de ter sido endossada em sua eleição por Sarah Palin e poderia compor uma chapa com outro nome do partido.
Mas se os republicanos desejam arrancar a vitória de verdade, o nome para compor uma chapa nacional é o da Governadora do Nova México, Susana Martinez. A primeira mulher hispânica a governar um Estado possui todas as credenciais da senadora Ayotte e vai além, pois tem experiência executiva e resgata o voto hipânico. Como se não fosse o suficiente, recebeu em 2010 o apoio explícito de Sarah Palin na corrida para o governo. É feita sob medida para ajudar a vencer a eleição de 2016.
Portanto, se a opção dos republicanos é buscar uma mulher para compor a chapa presidencial, não há dúvida, isto passará pelo apoio e a influência de Sarah Palin. Ela transbordava confiança nesta conferência. Seu projeto é maior do que 2016 ou 2014. Ela está ali para o longo prazo, para reorganizar o partido, o que não quer dizer que sua estratégia não passe por cada pequeno processo decisório interno. Durante uma conferência que começou com Ted Cruz e terminou com Sarah Palin, existe uma certeza: os conservadores desta vez vem para vencer, e sua primeira cruzada é dentro do partido.
sábado, março 08, 2014
A Influência do Tea Party
A Conferência de Ação Política Conservadora reuniu a nata dos líderes republicanos. Começou com Ted Cruz, a estrela ascendente entre os conservadores e terminará com sua heroína, a ex-Governadora Sarah Palin. Mas nem tudo é conservador entre os republicanos. Moderados e libertários dividiram também o cenário, convidados a dar o seu recado. Chris Christie e Rand Paul tiveram passagens memoráveis pelo palco da conferência.
Os republicanos passam neste momento por uma profunda transformação. Alguns anos atrás, cansados com os rumos do partido, um grupo mobilizou-se e fundou o Tea Party. O objetivo era forçar uma volta aos rumos originais, aos valores de sua fundação. O movimento foi importante e muitos candidatos, como Rand Paul, integrado com as idéias libertárias originais do GOP, foram eleitos.
O movimento conservador também chegou ao Tea Party e se fez ouvir, elegendo muitos de seus representantes, como o senador Ted Cruz no Texas e apoiando outros tantos, como o senador Marco Rubio na Flórida. Não há dúvida de que este grupo gerou uma renovação no partido, mas também estou certo de que os republicanos ainda estão no processo de assimilação de tudo que esta transformação representa.
A grande discussão no momento é no sentido da estratégia a seguir. Ouvi, por exemplo, do ex-Senador da Pennsylvania, Rick Santorum, pré-candidato presidencial derrotado por Romney em 2012, que a escolha de moderados não assegurou a vitória dos republicanos. Sua posição, apoiada pelo Tea Party, diz que o medo de perder leva o partido a escolher moderados, quando na verdade sua maior fortaleza está na mobilização, com a escolha de candidatos inteiramente identificados com os valores do partido.
Mike Huckabee, ex-Governador do Arkansas e pré-candidato presidencial em 2008, me disse hoje pela manhã que os republicanos perderam as últimas eleições porque seu eleitorado ficou em casa. Defendeu a tese de que candidatos moderados não mobilizam a base, que é a alma do partido republicano.
Se contarmos com o avanço do Tea Party, cada vez maior entre os republicanos, tudo indica que Hillary deverá disputar a eleição com um candidato verdadeiramente conservador. Mas o jogo ainda está aberto. Chris Christie, moderado, foi muito bem recebido entre os conservadores, quebrando o gelo que o separava desta ala do partido. Do outro lado, Rand Paul, também filho do Tea Party, vem com um forte discurso libertário que pode incendiar as bases e criar uma onda similar a de Obama em 2008.
Depois de dois dias entre os conservadores, fica uma certeza, o Tea Party mexeu com a alma e o brio dos republicanos e sua sede de vitória nunca esteve tão forte.
Os republicanos passam neste momento por uma profunda transformação. Alguns anos atrás, cansados com os rumos do partido, um grupo mobilizou-se e fundou o Tea Party. O objetivo era forçar uma volta aos rumos originais, aos valores de sua fundação. O movimento foi importante e muitos candidatos, como Rand Paul, integrado com as idéias libertárias originais do GOP, foram eleitos.
O movimento conservador também chegou ao Tea Party e se fez ouvir, elegendo muitos de seus representantes, como o senador Ted Cruz no Texas e apoiando outros tantos, como o senador Marco Rubio na Flórida. Não há dúvida de que este grupo gerou uma renovação no partido, mas também estou certo de que os republicanos ainda estão no processo de assimilação de tudo que esta transformação representa.
A grande discussão no momento é no sentido da estratégia a seguir. Ouvi, por exemplo, do ex-Senador da Pennsylvania, Rick Santorum, pré-candidato presidencial derrotado por Romney em 2012, que a escolha de moderados não assegurou a vitória dos republicanos. Sua posição, apoiada pelo Tea Party, diz que o medo de perder leva o partido a escolher moderados, quando na verdade sua maior fortaleza está na mobilização, com a escolha de candidatos inteiramente identificados com os valores do partido.
Mike Huckabee, ex-Governador do Arkansas e pré-candidato presidencial em 2008, me disse hoje pela manhã que os republicanos perderam as últimas eleições porque seu eleitorado ficou em casa. Defendeu a tese de que candidatos moderados não mobilizam a base, que é a alma do partido republicano.
Se contarmos com o avanço do Tea Party, cada vez maior entre os republicanos, tudo indica que Hillary deverá disputar a eleição com um candidato verdadeiramente conservador. Mas o jogo ainda está aberto. Chris Christie, moderado, foi muito bem recebido entre os conservadores, quebrando o gelo que o separava desta ala do partido. Do outro lado, Rand Paul, também filho do Tea Party, vem com um forte discurso libertário que pode incendiar as bases e criar uma onda similar a de Obama em 2008.
Depois de dois dias entre os conservadores, fica uma certeza, o Tea Party mexeu com a alma e o brio dos republicanos e sua sede de vitória nunca esteve tão forte.
sexta-feira, março 07, 2014
Chris Christie entre os Conservadores
A conferência anual dos conservadores começou. A importância deste encontro é enorme, pois reúne uma importante ala dos republicanos, com cada vez mais peso na estrutura do partido. Para entender melhor a situação é preciso compreender que a maior parte do financiamento de campanha vem de organizações ligadas aos valores conservadores. Para ficar claro: uma plataforma pró-livre comércio arrecada muito menos fundos do que a declarações contra o aborto.
O pré-candidato republicano mais bem posicionado nas pesquisas, Chris Christie, não foi convidado para aparecer por aqui ano passado. A justificativa era simples. Por ser moderado, o Governador de New Jersey não era conservador o suficiente para fazer parte da conferência. Neste ano, os conservadores abriram espaço para Christie, ao lado de estrelas desta esfera política, como Ted Cruz e Rick Santorum. Chris Christie não decepcionou e abraçou a oportunidade com um discurso mobilizador e assertivo de suas credenciais conservadoras, como sua posição contra o aborto e uma crítica mais dura em relação aos democratas. Incendiou a platéia.
Antes dele, passaram por ali Ted Cruz, a mais nova estrela do Tea Party, Paul Ryan, candidato derrotado a vice na chapa de Romney, além de Marco Rubio, a esperança de trazer o voto latino de volta para as hostes republicanas. Diante de um time tão conservador, impulsionados pelo discurso eletrizante de Donald Trump, Christie saiu-se muito bem. Estive aqui em 2008 e vi McCain ser vaiado por não ser tão conservador como o público desejava. Para alguém taxado de republicano de fachada, Chris Christie deu um show e mostrou que é capaz de penetrar nas entranhas mais conservadoras deste partido.
Mas ele terá companhia. Rubio, Santorum, Perry, Ryan, Cruz e até Huckabee, que escuto neste momento, podem entrar nas primárias e embolar o meio de campo conservador, especialmente nas primeiras disputas, em Iowa e Carolina do Sul. Mas se esta turma decidir concorrer, melhor para Christie, que verá o voto conservador dividido. O horizonte pode sorrir para o governador de New Jersey. Seu primeiro grande teste diante de uma audiência, em tese, hostil, foi um sucesso e certamente o Governador voltou para Trenton com a sensação de dever cumprido.
O pré-candidato republicano mais bem posicionado nas pesquisas, Chris Christie, não foi convidado para aparecer por aqui ano passado. A justificativa era simples. Por ser moderado, o Governador de New Jersey não era conservador o suficiente para fazer parte da conferência. Neste ano, os conservadores abriram espaço para Christie, ao lado de estrelas desta esfera política, como Ted Cruz e Rick Santorum. Chris Christie não decepcionou e abraçou a oportunidade com um discurso mobilizador e assertivo de suas credenciais conservadoras, como sua posição contra o aborto e uma crítica mais dura em relação aos democratas. Incendiou a platéia.
Antes dele, passaram por ali Ted Cruz, a mais nova estrela do Tea Party, Paul Ryan, candidato derrotado a vice na chapa de Romney, além de Marco Rubio, a esperança de trazer o voto latino de volta para as hostes republicanas. Diante de um time tão conservador, impulsionados pelo discurso eletrizante de Donald Trump, Christie saiu-se muito bem. Estive aqui em 2008 e vi McCain ser vaiado por não ser tão conservador como o público desejava. Para alguém taxado de republicano de fachada, Chris Christie deu um show e mostrou que é capaz de penetrar nas entranhas mais conservadoras deste partido.
Mas ele terá companhia. Rubio, Santorum, Perry, Ryan, Cruz e até Huckabee, que escuto neste momento, podem entrar nas primárias e embolar o meio de campo conservador, especialmente nas primeiras disputas, em Iowa e Carolina do Sul. Mas se esta turma decidir concorrer, melhor para Christie, que verá o voto conservador dividido. O horizonte pode sorrir para o governador de New Jersey. Seu primeiro grande teste diante de uma audiência, em tese, hostil, foi um sucesso e certamente o Governador voltou para Trenton com a sensação de dever cumprido.
quinta-feira, março 06, 2014
OTAN e Ucrânia
Putin está jogando com Obama. Isto é um fato. Caso o Presidente americano não tenha percebido, já faz um tempo. Faça sua lista: Síria, Irã e por aí vai. Na verdade, o baile que a diplomacia americana tem tomado na arena internacional evidencia erros passados. O Presidente dos Estados Unidos pode ter errado, mas o momento é de muita cautela e pouca soberba. Neste jogo, há pouca margem para erro. Vamos lá.
Não acredito que Obama esteja trabalhando de forma errada com a questão da Ucrânia. Até o momento parece ter optado pela paciência e o jogo diplomático. O problema são todos os fatores que levaram os Estados Unidos a chegar no estágio atual. Putin somente avançou sobre a Crimeia porque sabe como os americanos reagiriam.
Obama fez a opção mais correta até o momento, até porque enxerga as fragilidades dos Estados Unidos e da Europa. Os americanos, depois de duas guerras, não possuem credibilidade internacional para liderar uma operação militar. Nem deveriam. Além do mais, por mais que alguns clamem por uma intervenção durante arroubos de soberba, não é o movimento mais indicado.
A ONU está paralisada. O Conselho de Segurança, refém dos vetos da própria Rússia e talvez da China, não conseguirá aprovar qualquer tipo de resolução que movimente as peças em jogo de forma satisfatória. Neste quadro, a OTAN assume um papel de protagonismo que pode fazer a diferença. Vale lembrar que os países do Báltico, além de Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, tem receio de que o conflito na Ucrânia respingue em seus territórios - e todos tem verdadeiro medo dos russos.
Vivemos uma guerra de nervos. A situação na Ucrânia não se resolverá cedo e a tensão continuará por algum tempo. A resposta aos movimentos de militares russos na Crimeia passa pela OTAN neste momento. A sede da organização em Bruxelas recebeu os membros do novo governo formado em Kiev. Foi um primeiro sinal. Bulgária, Estados Unidos e Romênia deslocam força naval para o Mar Negro para exercícios militares. Foi o segundo sinal. A Polônia requisitou uma reunião especial da OTAN. Foi o terceiro sinal.
O mais importante neste momento é não personalizar a situação e tratar da questão no âmbito multilateral em uma organização com força militar. O jogo é um xadrez. É preciso muita parcimônia, pouca soberba e uma dose cavalar de paciência.
Não acredito que Obama esteja trabalhando de forma errada com a questão da Ucrânia. Até o momento parece ter optado pela paciência e o jogo diplomático. O problema são todos os fatores que levaram os Estados Unidos a chegar no estágio atual. Putin somente avançou sobre a Crimeia porque sabe como os americanos reagiriam.
Obama fez a opção mais correta até o momento, até porque enxerga as fragilidades dos Estados Unidos e da Europa. Os americanos, depois de duas guerras, não possuem credibilidade internacional para liderar uma operação militar. Nem deveriam. Além do mais, por mais que alguns clamem por uma intervenção durante arroubos de soberba, não é o movimento mais indicado.
A ONU está paralisada. O Conselho de Segurança, refém dos vetos da própria Rússia e talvez da China, não conseguirá aprovar qualquer tipo de resolução que movimente as peças em jogo de forma satisfatória. Neste quadro, a OTAN assume um papel de protagonismo que pode fazer a diferença. Vale lembrar que os países do Báltico, além de Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, tem receio de que o conflito na Ucrânia respingue em seus territórios - e todos tem verdadeiro medo dos russos.
Vivemos uma guerra de nervos. A situação na Ucrânia não se resolverá cedo e a tensão continuará por algum tempo. A resposta aos movimentos de militares russos na Crimeia passa pela OTAN neste momento. A sede da organização em Bruxelas recebeu os membros do novo governo formado em Kiev. Foi um primeiro sinal. Bulgária, Estados Unidos e Romênia deslocam força naval para o Mar Negro para exercícios militares. Foi o segundo sinal. A Polônia requisitou uma reunião especial da OTAN. Foi o terceiro sinal.
O mais importante neste momento é não personalizar a situação e tratar da questão no âmbito multilateral em uma organização com força militar. O jogo é um xadrez. É preciso muita parcimônia, pouca soberba e uma dose cavalar de paciência.
quarta-feira, março 05, 2014
Ucrânia em Perspectiva
A questão envolvendo a Rússia e a Ucrânia é muito mais complexa do que podemos imaginar. Argumentos existem de todos os lados. É preciso, portanto, colocar as coisas em perspectiva neste momento. A Ucrânia é de fato um país dividido. Precisamos entender que a cisão entre duas realidades é o ponto central. Este embate levou o país a se tornar frágil.
Ainda em 2004 escrevi sobre este tema. A Revolução Laranja explodia em Kiev depois de um candidato pró-Rússia, Viktor Yanukovych (o mesmo afastado agora) ter vencido eleições que suspeitavam-se terem sido fraudadas. O movimento levou outro Viktor ao poder, este de sobrenome Yushchenko, ao lado da bela Yulia Tymoshenko, sua aliada pró-Ocidente. Depois de um governo conturbado, Yushchenko e Yulia deixaram o poder e Viktor Yanukovych foi escolhido em eleições livres. Vemos que depois de um governo pró-Ocidente, um governo pró-Rússia assumia o poder o Kiev. Mas o líder apoiado por Moscou não terminou bem. Depois de muita pressão popular, deixou o poder, alegando ter sido vítima de um golpe.
Na verdade existem duas Ucrânias. Aquela que está na margem leste do rio Dniper é extremamente ligada aos valores russos, culturais e religiosos. Esta região é o berço cultural de muitos traços da Rússia atual. Ali foi criado Nikita Kruschev e nasceu Leonid Brejnev, dois dos mais importantes dirigentes soviéticos. O leste da Ucrânia tem forte presença cristã ortodoxa, o que aproxima muito a região das tradições russas.
A Ucrânia que está ao lado oeste do Dniper já foi ocupada por poloneses, húngaros, eslovacos, bielorussos e romenos, além de outras nacionalidades. A confluência destas culturas formou esta parte da Ucrânia, hoje de maior tradição católica romana e muito mais próxima do Ocidente. A presença russa na parte oeste é menor e a influência cultural preponderante é a ocidental. De um modo geral, o país sempre foi um território fragmentado e passou a se tornar unificado com o controle imposto pela União Soviética. Por todas essas razões, quando se tornou independente de Moscou, em 1991, se tornou um país instável, permeado por embates que colocam hoje em oposição o lado leste e oeste.
O risco maior para qualquer um dos lados é a eclosão de uma guerra civil, que pode se tornar um fato na medida que crescer o embate entre os dois lados do país divididos pelo rio Dniper e surgir uma liderança nacionalista que tente sobrepor suas vontades sobre a outra metade, independente de qual seja. Vemos que o movimento de Yanukovych em direção aos russos resultou em sua queda, mas o governo pró-Ocidente de Yushchenko também terminou de forma melancólica.
Na falta de uma política que unifique o país, as diferenças entre as regiões passarão a ter mais importância. O nacionalismo russo latente na Crimeia é apenas o primeiro passo. Putin conhece a geografia da Ucrânia e está medindo seus passos. Existe um nacionalismo russo também do lado leste do país, que pode se movimentar para o lado de Moscou rachando o território. Conhecendo o perfil dos líderes mundiais atuais, acredito que pode surgir a alternativa diplomática de divisão da Ucrânia com a Rússia na tentativa de evitar a escalada de um confronto nas fronteiras da Europa.
A idéia é conveniente para a Europa, que mantém um país estabilizado em suas fronteiras. O impacto da eventual entrada de meia Ucrânia na UE seria menor, considerando a agricultura pujante que poderia afetar a França. A Alemanha manteria-se como o maior país da zona européia e a Rússia anexaria a parte perdida de território que considera berço de sua cultura. Evitaria-se a guerra e a aproximação de um conflito anunciado nas portas da Europa, o que mobilizaria a OTAN. Talvez seja esta a estratégia de Putin, que pensa sempre no longo prazo. Resta saber se o Ocidente está preparado para um acordo deste tipo, que lembra os movimentos de Neville Chamberlain em Munique. Por enquanto, é um jogo de nervos.
Ainda em 2004 escrevi sobre este tema. A Revolução Laranja explodia em Kiev depois de um candidato pró-Rússia, Viktor Yanukovych (o mesmo afastado agora) ter vencido eleições que suspeitavam-se terem sido fraudadas. O movimento levou outro Viktor ao poder, este de sobrenome Yushchenko, ao lado da bela Yulia Tymoshenko, sua aliada pró-Ocidente. Depois de um governo conturbado, Yushchenko e Yulia deixaram o poder e Viktor Yanukovych foi escolhido em eleições livres. Vemos que depois de um governo pró-Ocidente, um governo pró-Rússia assumia o poder o Kiev. Mas o líder apoiado por Moscou não terminou bem. Depois de muita pressão popular, deixou o poder, alegando ter sido vítima de um golpe.
Na verdade existem duas Ucrânias. Aquela que está na margem leste do rio Dniper é extremamente ligada aos valores russos, culturais e religiosos. Esta região é o berço cultural de muitos traços da Rússia atual. Ali foi criado Nikita Kruschev e nasceu Leonid Brejnev, dois dos mais importantes dirigentes soviéticos. O leste da Ucrânia tem forte presença cristã ortodoxa, o que aproxima muito a região das tradições russas.
A Ucrânia que está ao lado oeste do Dniper já foi ocupada por poloneses, húngaros, eslovacos, bielorussos e romenos, além de outras nacionalidades. A confluência destas culturas formou esta parte da Ucrânia, hoje de maior tradição católica romana e muito mais próxima do Ocidente. A presença russa na parte oeste é menor e a influência cultural preponderante é a ocidental. De um modo geral, o país sempre foi um território fragmentado e passou a se tornar unificado com o controle imposto pela União Soviética. Por todas essas razões, quando se tornou independente de Moscou, em 1991, se tornou um país instável, permeado por embates que colocam hoje em oposição o lado leste e oeste.
O risco maior para qualquer um dos lados é a eclosão de uma guerra civil, que pode se tornar um fato na medida que crescer o embate entre os dois lados do país divididos pelo rio Dniper e surgir uma liderança nacionalista que tente sobrepor suas vontades sobre a outra metade, independente de qual seja. Vemos que o movimento de Yanukovych em direção aos russos resultou em sua queda, mas o governo pró-Ocidente de Yushchenko também terminou de forma melancólica.
Na falta de uma política que unifique o país, as diferenças entre as regiões passarão a ter mais importância. O nacionalismo russo latente na Crimeia é apenas o primeiro passo. Putin conhece a geografia da Ucrânia e está medindo seus passos. Existe um nacionalismo russo também do lado leste do país, que pode se movimentar para o lado de Moscou rachando o território. Conhecendo o perfil dos líderes mundiais atuais, acredito que pode surgir a alternativa diplomática de divisão da Ucrânia com a Rússia na tentativa de evitar a escalada de um confronto nas fronteiras da Europa.
A idéia é conveniente para a Europa, que mantém um país estabilizado em suas fronteiras. O impacto da eventual entrada de meia Ucrânia na UE seria menor, considerando a agricultura pujante que poderia afetar a França. A Alemanha manteria-se como o maior país da zona européia e a Rússia anexaria a parte perdida de território que considera berço de sua cultura. Evitaria-se a guerra e a aproximação de um conflito anunciado nas portas da Europa, o que mobilizaria a OTAN. Talvez seja esta a estratégia de Putin, que pensa sempre no longo prazo. Resta saber se o Ocidente está preparado para um acordo deste tipo, que lembra os movimentos de Neville Chamberlain em Munique. Por enquanto, é um jogo de nervos.
sexta-feira, fevereiro 28, 2014
Prioridade: Ucrânia
Ontem estive em uma discussão com os principais âncoras políticos do jornalismo americano e ninguém tocou na questão política da Venezuela. Em compensação, 90% da discussão foi em torno da Ucrânia. A preocupação no norte é preponderantemente com o país europeu, por um sem número de motivos.
O primeiro deles é porque a questão em Kiev traz para o jogo dois pesos pesados nas relações internacionais: União Européia e Rússia. Neste jogo entram ainda a Otan, que precisa ficar atenta, além dos Estados Unidos, tradicionalmente alertas quando a Rússia está do outro lado do tabuleiro. As razões, entretanto, não param por aí.
A Ucrânia é importante geopoliticamente. Por ali passam os dutos que alimentam de gás boa parte da Europa. Sua fronteira, de um lado é com membros da Otan e do outro com a Rússia. Agora, terminados os Jogos Olímpicos de inverno, Moscou já começou a agir com exercícios militares na fronteira. Os americanos sabem que Putin conseguiu colocar seu país novamente na balança de poder do mundo, especialmente depois das questões envolvendo o Irã e a Síria. Ganhou mais uma oportunidade.
Do outro lado, já começaram movimentos. Enquanto a Alemanha hesita em abrir o cofre da União Européia, o FMI se movimenta para acalmar os ânimos e dar solidez ao governo pró-ocidente. Mover-se financeiramente em apoio ao governo provisório é uma forma de evitar a eclosão de uma guerra civil, o que invariavelmente envolveria a Rússia e as forças da Otan. O xadrez político é delicado.
Na verdade, para as grandes potenciais, a grande questão do momento é a Ucrânia, por toda sua importância e seus possíveis desdobramentos. A Venezuela, bem como a América Latina, segue em segundo plano.
quinta-feira, fevereiro 27, 2014
Ucrânia e Crimeia
A guerra civil na Ucrânia pode ter começado. Não falo dos confrontos que arrastaram Yanukovitch para fora do poder. Este foi apenas o início. Os desdobramentos são os verdadeiros problemas que o país passará a enfrentar. O primeiro já teve início com as primeiras demonstrações na Crimeia, uma república autônoma do sul do país que está insatisfeita com os resultados dos protestos em Kiev.
Sabe-se que a Ucrânia é um país dividido entre dois mundos, um de influência ocidental e outro oriental. Enquanto parte do território é de origem russa, do outro lado vemos fortes traços culturais ocidentais. Um governo em Kiev, portanto, sempre sofrerá desta fricção entre duas realidades. Se Yanukovitch agradava o leste e desagrava o oeste do país, neste momento, depois de sua queda, a equação se inverteu.
A Crimeia, assim como metade da Ucrânia, começa a resistir. Se o governo central agora insistir em uma aproximação com a Europa, a situação política no leste do país irá começar a ferver. Os primeiros sinais começaram a aparecer também no sul. Ali, 60% da população é de origem russa. Durante os protestos dos últimos dias, a bandeira russa foi hasteada em prédios púbicos em Simferopol.
O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma do que pode se espalhar por boa parte do leste do país, pois surge em um território que era originalmente parte da Rússia, mas depois do fim da União Soviética ficou sob a jurisdição da Ucrânia. A Rússia mantém forte influência na região, em especial no porto de Sebastopol, sede de sua frota no Mar Negro. Portanto fica clara a equação. Em uma região autônoma, de maioria russa, com presença de frotas de Moscou, surgem os primeiros movimentos de cisão dentro da Ucrânia.
O país pode estar dando o primeiro passo em direção a uma guerra civil. Os russos entenderam isso e já começam, agora que os Jogos Olímpicos de Inverno terminaram, a realizar movimentos militares na fronteira com a Ucrânia. Em um país dividido entre dois mundos, a chance de um confronto interno infelizmente parece cada vez mais real. O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma disso.
Sabe-se que a Ucrânia é um país dividido entre dois mundos, um de influência ocidental e outro oriental. Enquanto parte do território é de origem russa, do outro lado vemos fortes traços culturais ocidentais. Um governo em Kiev, portanto, sempre sofrerá desta fricção entre duas realidades. Se Yanukovitch agradava o leste e desagrava o oeste do país, neste momento, depois de sua queda, a equação se inverteu.
A Crimeia, assim como metade da Ucrânia, começa a resistir. Se o governo central agora insistir em uma aproximação com a Europa, a situação política no leste do país irá começar a ferver. Os primeiros sinais começaram a aparecer também no sul. Ali, 60% da população é de origem russa. Durante os protestos dos últimos dias, a bandeira russa foi hasteada em prédios púbicos em Simferopol.
O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma do que pode se espalhar por boa parte do leste do país, pois surge em um território que era originalmente parte da Rússia, mas depois do fim da União Soviética ficou sob a jurisdição da Ucrânia. A Rússia mantém forte influência na região, em especial no porto de Sebastopol, sede de sua frota no Mar Negro. Portanto fica clara a equação. Em uma região autônoma, de maioria russa, com presença de frotas de Moscou, surgem os primeiros movimentos de cisão dentro da Ucrânia.
O país pode estar dando o primeiro passo em direção a uma guerra civil. Os russos entenderam isso e já começam, agora que os Jogos Olímpicos de Inverno terminaram, a realizar movimentos militares na fronteira com a Ucrânia. Em um país dividido entre dois mundos, a chance de um confronto interno infelizmente parece cada vez mais real. O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma disso.
segunda-feira, fevereiro 24, 2014
Datafolha: A Vez de Marina
Mais uma vez voltamos para política nacional. Saiu mais uma pesquisa que merece análise mais apurada. Se no meio da semana tivemos a CNT/MDA, no final de semana chegaram tabulados os números do Datafolha. Ambas pesquisas seguem no mesmo sentido, mas com uma pequena alteração que pode fazer toda a diferença.
No início da semana passada, a CNT/MDA nos disse que Dilma liderava (43,7%), seguida de Aécio (17%) e Eduardo Campos (9,9%). O Datafolha nos traz a mesma situação: Dilma (44%), Aécio (16%) e Eduardo (9%). No cenário com Marina, o mesmo ocorre. Na CNT/MDA temos Dilma (40,7%) seguida de Marina, que toma o segundo lugar (20,6%), e Aécio (15,1%). O Datafolha dá Dilma (43%), Marina (23%) e Aécio (15%). Os números batem.
Mas o Datafolha trouxe Joaquim Barbosa para o ringue. No cenário com Eduardo Campos, Barbosa toma o segundo lugar de Aécio e chega a 16%. Percebe-se que leva um pouco dos votos de cada um, mas preponderantemente cresce com os votos dos indecisos, que optam por seu nome. No cenário com Marina, Barbosa chega a 14% e embola o meio de campo, deixando Marina com 17% e Aécio com 12%. Dilma, em ambos os cenários, tem algo em torno de 40%-42%.
Agora chegamos ao ponto importante, a rejeição, o mesmo que analisei na semana passada. No CNT/MDA, Dilma é rejeitada por 37,3, Aécio por 36%, Eduardo por 33,9 e Marina por 35,5%. O Datafolha trouxe números convergentes, com exceção de Marina. Vejamos, Dilma, Aécio e Eduardo são rejeitados por 30%. Barbosa, inserido nesta pesquisa, tem rejeição de 27% e Marina somente de 20%. Percebemos que a rejeição a Marina é diferente. Para CNT/MDA é de 33,5% e para o Datafolha é de apenas 20%.
Se os números do Datafolha estiverem corretos, o PSB já tem candidato, ou melhor candidata. Marina, com esta taxa de rejeição, tem enorme potencial para crescimento, enquanto Eduardo, mesmo desconhecido do eleitorado, já tem rejeição em patamar similar a Dilma, candidata mais conhecida. Barbosa tem rejeição alta, mas dentro do patamar do voto petista, cerca de 30%. Tem potencial também. Entretanto, se os números do Datafolha estiverem corretos, Marina, para onde desaguaram intenções de voto depois das manifestações de 2013, desponta como o grande nome desta pesquisa e talvez das eleições, especialmente se Joaquim Barbosa decidir não entrar no páreo.
sexta-feira, fevereiro 21, 2014
Os Governadores
2014 é ano de eleições legislativas nos Estados Unidos, mas é também tempo de muitas disputas para os governos dos estados. Como escrevi ontem aqui, um dos alvos dos democratas é o governador Scott Walker de Wisconsin, potencial candidato presidencial republicano. Os democratas tem outros alvos, em especial governadores eleitos em estados que votaram em Obama nas últimas eleições, mas que possuem republicanos eleitos em seu comando. A idéia dos democratas é reverter esta situação.
O partido do presidente Obama foca em duas situações: estados tradicionalmente democratas que elegeram republicanos na onda conservadora de 2010 e estados que variam em cada eleição, chamados de "swinging states", fundamentais em uma eleição presidencial. Neste rol estão Ohio, Nevada, Pennsylvania e Flórida, por exemplo, governados por republicanos e essenciais em uma eleição para a Casa Branca. Estes estados deram a vitória a Bush em 2000 e 2004 e para Obama em 2008 e 2012.
2010 foi um ano singular para os republicanos, pois além de vencer em "swinging states", venceram em territórios de recente tradição democrata, como Michigan, Maine, Wisconsin, Iowa e Novo México. O objetivo é virar estes estados, mas sabe-se que não é possível fazer tudo. Com bons números em Nevada, Iowa e Novo México, os republicanos Brian Sandoval, Terry Branstad e Susana Martinez devem vencer com facilidade. O foco dos democratas é outro.
Dentro da estratégia política, é mais importante vencer em estados que podem virar a eleição presidencial em dois anos, do que naqueles de forte tradição democrata, que mesmo com governadores republicanos possuem a tendência de despejar seus votos no partido de Obama em 2016. Logo o foco está claro. Vencendo uma eleição em Wisconsin, por exemplo, ele abatem de quebra a possível candidatura presidencial de Scott Walker. O foco democrata portanto está em Wisconsin, Ohio, Flórida e Pennsylvania.
Mas nem tudo é fácil neste caminho. Apesar de na Flórida, Maine e Pennsylvania o trabalho ser relativamente mais fácil, em Wisconsin, Ohio e Michigan, os republicanos tem levantado doações expressivas de campanha e se preparam de forma consistente para as eleições. Quem pode emergir como um grande líder nessa história é Chris Christie, governador de New Jersey e Presidente da Associação de Governadores Republicanos, que pode ajudar estes governadores a vencer. Se isto ocorrer, pavimenta seu caminho para a indicação do partido para o pleito presidencial. Como vemos, muito estará em jogo em 2014.
O partido do presidente Obama foca em duas situações: estados tradicionalmente democratas que elegeram republicanos na onda conservadora de 2010 e estados que variam em cada eleição, chamados de "swinging states", fundamentais em uma eleição presidencial. Neste rol estão Ohio, Nevada, Pennsylvania e Flórida, por exemplo, governados por republicanos e essenciais em uma eleição para a Casa Branca. Estes estados deram a vitória a Bush em 2000 e 2004 e para Obama em 2008 e 2012.
2010 foi um ano singular para os republicanos, pois além de vencer em "swinging states", venceram em territórios de recente tradição democrata, como Michigan, Maine, Wisconsin, Iowa e Novo México. O objetivo é virar estes estados, mas sabe-se que não é possível fazer tudo. Com bons números em Nevada, Iowa e Novo México, os republicanos Brian Sandoval, Terry Branstad e Susana Martinez devem vencer com facilidade. O foco dos democratas é outro.
Dentro da estratégia política, é mais importante vencer em estados que podem virar a eleição presidencial em dois anos, do que naqueles de forte tradição democrata, que mesmo com governadores republicanos possuem a tendência de despejar seus votos no partido de Obama em 2016. Logo o foco está claro. Vencendo uma eleição em Wisconsin, por exemplo, ele abatem de quebra a possível candidatura presidencial de Scott Walker. O foco democrata portanto está em Wisconsin, Ohio, Flórida e Pennsylvania.
Mas nem tudo é fácil neste caminho. Apesar de na Flórida, Maine e Pennsylvania o trabalho ser relativamente mais fácil, em Wisconsin, Ohio e Michigan, os republicanos tem levantado doações expressivas de campanha e se preparam de forma consistente para as eleições. Quem pode emergir como um grande líder nessa história é Chris Christie, governador de New Jersey e Presidente da Associação de Governadores Republicanos, que pode ajudar estes governadores a vencer. Se isto ocorrer, pavimenta seu caminho para a indicação do partido para o pleito presidencial. Como vemos, muito estará em jogo em 2014.
quinta-feira, fevereiro 20, 2014
A Vez de Walker
Primeiro foi Chris Christie. O alvo agora é o governador de Wisconsin, Scott Walker. Mais um potencial candidato republicano é atingido por um escândalo, de proporções infinitamente menores, é claro, mas com potencial para desgastar a sua imagem. Na verdade, Walker enfrenta uma enorme oposição em seu Estado - inclusive enfrentou um recall depois de eleito, e venceu. Agora, com seu nome em rede nacional, passa a ser alvo dos democratas.
O caso se resume ao fato de um antigo chefe de gabinete substituto ter sido condenado por práticas políticas consideradas ilícitas. Em decorrência disso, agora tornaram-se públicas as trocas de emails entre diversos assessores de Walker, inclusive o tal condenado, com mensagens nada amistosas sobre adversários e manobras políticas executadas dentro da campanha. Nada que ligue diretamente o caso ao conhecimento do Governador, ou seja, pelo que se sabe até agora, as conversas estavam limitadas aos assessores.
Walker enfrentará uma campanha pela reeleição em breve. Apesar de popular e ter grandes chances de vitória, será uma eleição dura, afinal estamos falando de Wisconsin, que apesar de ter eleito um republicano para governar o estado, votou com Obama na eleição presidencial e tem um história política ligada ao partido democrata e ao poder exercido pelos sindicatos.
Mas Walker se tornou uma das jóias do partido republicano e do Tea Party. Original de Iowa, Walker, que conheço pessoalmente, é um sujeito simples e isto tem um potencial eleitoral incrível. Seu carisma com o eleitorado é forte e sendo um conservador legítimo, transita com facilidade pelas diferentes alas do partido. Ele é um grande amigo do governador de New Jersey, o moderado Chris Christie.
Da primeira vez que Walker recebeu ataques, sua tendência foi crescer. Seus opositores acreditaram que poderiam vencer um eventual recall da eleição para Governador. Scott Walker virou o jogo, venceu o recall e se tornou um herói nacional do partido republicano. Sendo um político muito perspicaz, tende a crescer quando sofre ataques, pois sabe como reagir. Diante da exposição, se tornou o próximo da lista de potenciais candidatos presidenciais republicanos a sofrer ataques, mas como sabe-se em Milwaukee, talvez isto apenas ajude a sedimentar ainda mais seu nome perante o eleitorado.
O caso se resume ao fato de um antigo chefe de gabinete substituto ter sido condenado por práticas políticas consideradas ilícitas. Em decorrência disso, agora tornaram-se públicas as trocas de emails entre diversos assessores de Walker, inclusive o tal condenado, com mensagens nada amistosas sobre adversários e manobras políticas executadas dentro da campanha. Nada que ligue diretamente o caso ao conhecimento do Governador, ou seja, pelo que se sabe até agora, as conversas estavam limitadas aos assessores.
Walker enfrentará uma campanha pela reeleição em breve. Apesar de popular e ter grandes chances de vitória, será uma eleição dura, afinal estamos falando de Wisconsin, que apesar de ter eleito um republicano para governar o estado, votou com Obama na eleição presidencial e tem um história política ligada ao partido democrata e ao poder exercido pelos sindicatos.
Mas Walker se tornou uma das jóias do partido republicano e do Tea Party. Original de Iowa, Walker, que conheço pessoalmente, é um sujeito simples e isto tem um potencial eleitoral incrível. Seu carisma com o eleitorado é forte e sendo um conservador legítimo, transita com facilidade pelas diferentes alas do partido. Ele é um grande amigo do governador de New Jersey, o moderado Chris Christie.
Da primeira vez que Walker recebeu ataques, sua tendência foi crescer. Seus opositores acreditaram que poderiam vencer um eventual recall da eleição para Governador. Scott Walker virou o jogo, venceu o recall e se tornou um herói nacional do partido republicano. Sendo um político muito perspicaz, tende a crescer quando sofre ataques, pois sabe como reagir. Diante da exposição, se tornou o próximo da lista de potenciais candidatos presidenciais republicanos a sofrer ataques, mas como sabe-se em Milwaukee, talvez isto apenas ajude a sedimentar ainda mais seu nome perante o eleitorado.
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