A Conferência de Ação Política Conservadora reuniu a nata dos líderes republicanos. Começou com Ted Cruz, a estrela ascendente entre os conservadores e terminará com sua heroína, a ex-Governadora Sarah Palin. Mas nem tudo é conservador entre os republicanos. Moderados e libertários dividiram também o cenário, convidados a dar o seu recado. Chris Christie e Rand Paul tiveram passagens memoráveis pelo palco da conferência.
Os republicanos passam neste momento por uma profunda transformação. Alguns anos atrás, cansados com os rumos do partido, um grupo mobilizou-se e fundou o Tea Party. O objetivo era forçar uma volta aos rumos originais, aos valores de sua fundação. O movimento foi importante e muitos candidatos, como Rand Paul, integrado com as idéias libertárias originais do GOP, foram eleitos.
O movimento conservador também chegou ao Tea Party e se fez ouvir, elegendo muitos de seus representantes, como o senador Ted Cruz no Texas e apoiando outros tantos, como o senador Marco Rubio na Flórida. Não há dúvida de que este grupo gerou uma renovação no partido, mas também estou certo de que os republicanos ainda estão no processo de assimilação de tudo que esta transformação representa.
A grande discussão no momento é no sentido da estratégia a seguir. Ouvi, por exemplo, do ex-Senador da Pennsylvania, Rick Santorum, pré-candidato presidencial derrotado por Romney em 2012, que a escolha de moderados não assegurou a vitória dos republicanos. Sua posição, apoiada pelo Tea Party, diz que o medo de perder leva o partido a escolher moderados, quando na verdade sua maior fortaleza está na mobilização, com a escolha de candidatos inteiramente identificados com os valores do partido.
Mike Huckabee, ex-Governador do Arkansas e pré-candidato presidencial em 2008, me disse hoje pela manhã que os republicanos perderam as últimas eleições porque seu eleitorado ficou em casa. Defendeu a tese de que candidatos moderados não mobilizam a base, que é a alma do partido republicano.
Se contarmos com o avanço do Tea Party, cada vez maior entre os republicanos, tudo indica que Hillary deverá disputar a eleição com um candidato verdadeiramente conservador. Mas o jogo ainda está aberto. Chris Christie, moderado, foi muito bem recebido entre os conservadores, quebrando o gelo que o separava desta ala do partido. Do outro lado, Rand Paul, também filho do Tea Party, vem com um forte discurso libertário que pode incendiar as bases e criar uma onda similar a de Obama em 2008.
Depois de dois dias entre os conservadores, fica uma certeza, o Tea Party mexeu com a alma e o brio dos republicanos e sua sede de vitória nunca esteve tão forte.
sábado, março 08, 2014
sexta-feira, março 07, 2014
Chris Christie entre os Conservadores
A conferência anual dos conservadores começou. A importância deste encontro é enorme, pois reúne uma importante ala dos republicanos, com cada vez mais peso na estrutura do partido. Para entender melhor a situação é preciso compreender que a maior parte do financiamento de campanha vem de organizações ligadas aos valores conservadores. Para ficar claro: uma plataforma pró-livre comércio arrecada muito menos fundos do que a declarações contra o aborto.
O pré-candidato republicano mais bem posicionado nas pesquisas, Chris Christie, não foi convidado para aparecer por aqui ano passado. A justificativa era simples. Por ser moderado, o Governador de New Jersey não era conservador o suficiente para fazer parte da conferência. Neste ano, os conservadores abriram espaço para Christie, ao lado de estrelas desta esfera política, como Ted Cruz e Rick Santorum. Chris Christie não decepcionou e abraçou a oportunidade com um discurso mobilizador e assertivo de suas credenciais conservadoras, como sua posição contra o aborto e uma crítica mais dura em relação aos democratas. Incendiou a platéia.
Antes dele, passaram por ali Ted Cruz, a mais nova estrela do Tea Party, Paul Ryan, candidato derrotado a vice na chapa de Romney, além de Marco Rubio, a esperança de trazer o voto latino de volta para as hostes republicanas. Diante de um time tão conservador, impulsionados pelo discurso eletrizante de Donald Trump, Christie saiu-se muito bem. Estive aqui em 2008 e vi McCain ser vaiado por não ser tão conservador como o público desejava. Para alguém taxado de republicano de fachada, Chris Christie deu um show e mostrou que é capaz de penetrar nas entranhas mais conservadoras deste partido.
Mas ele terá companhia. Rubio, Santorum, Perry, Ryan, Cruz e até Huckabee, que escuto neste momento, podem entrar nas primárias e embolar o meio de campo conservador, especialmente nas primeiras disputas, em Iowa e Carolina do Sul. Mas se esta turma decidir concorrer, melhor para Christie, que verá o voto conservador dividido. O horizonte pode sorrir para o governador de New Jersey. Seu primeiro grande teste diante de uma audiência, em tese, hostil, foi um sucesso e certamente o Governador voltou para Trenton com a sensação de dever cumprido.
O pré-candidato republicano mais bem posicionado nas pesquisas, Chris Christie, não foi convidado para aparecer por aqui ano passado. A justificativa era simples. Por ser moderado, o Governador de New Jersey não era conservador o suficiente para fazer parte da conferência. Neste ano, os conservadores abriram espaço para Christie, ao lado de estrelas desta esfera política, como Ted Cruz e Rick Santorum. Chris Christie não decepcionou e abraçou a oportunidade com um discurso mobilizador e assertivo de suas credenciais conservadoras, como sua posição contra o aborto e uma crítica mais dura em relação aos democratas. Incendiou a platéia.
Antes dele, passaram por ali Ted Cruz, a mais nova estrela do Tea Party, Paul Ryan, candidato derrotado a vice na chapa de Romney, além de Marco Rubio, a esperança de trazer o voto latino de volta para as hostes republicanas. Diante de um time tão conservador, impulsionados pelo discurso eletrizante de Donald Trump, Christie saiu-se muito bem. Estive aqui em 2008 e vi McCain ser vaiado por não ser tão conservador como o público desejava. Para alguém taxado de republicano de fachada, Chris Christie deu um show e mostrou que é capaz de penetrar nas entranhas mais conservadoras deste partido.
Mas ele terá companhia. Rubio, Santorum, Perry, Ryan, Cruz e até Huckabee, que escuto neste momento, podem entrar nas primárias e embolar o meio de campo conservador, especialmente nas primeiras disputas, em Iowa e Carolina do Sul. Mas se esta turma decidir concorrer, melhor para Christie, que verá o voto conservador dividido. O horizonte pode sorrir para o governador de New Jersey. Seu primeiro grande teste diante de uma audiência, em tese, hostil, foi um sucesso e certamente o Governador voltou para Trenton com a sensação de dever cumprido.
quinta-feira, março 06, 2014
OTAN e Ucrânia
Putin está jogando com Obama. Isto é um fato. Caso o Presidente americano não tenha percebido, já faz um tempo. Faça sua lista: Síria, Irã e por aí vai. Na verdade, o baile que a diplomacia americana tem tomado na arena internacional evidencia erros passados. O Presidente dos Estados Unidos pode ter errado, mas o momento é de muita cautela e pouca soberba. Neste jogo, há pouca margem para erro. Vamos lá.
Não acredito que Obama esteja trabalhando de forma errada com a questão da Ucrânia. Até o momento parece ter optado pela paciência e o jogo diplomático. O problema são todos os fatores que levaram os Estados Unidos a chegar no estágio atual. Putin somente avançou sobre a Crimeia porque sabe como os americanos reagiriam.
Obama fez a opção mais correta até o momento, até porque enxerga as fragilidades dos Estados Unidos e da Europa. Os americanos, depois de duas guerras, não possuem credibilidade internacional para liderar uma operação militar. Nem deveriam. Além do mais, por mais que alguns clamem por uma intervenção durante arroubos de soberba, não é o movimento mais indicado.
A ONU está paralisada. O Conselho de Segurança, refém dos vetos da própria Rússia e talvez da China, não conseguirá aprovar qualquer tipo de resolução que movimente as peças em jogo de forma satisfatória. Neste quadro, a OTAN assume um papel de protagonismo que pode fazer a diferença. Vale lembrar que os países do Báltico, além de Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, tem receio de que o conflito na Ucrânia respingue em seus territórios - e todos tem verdadeiro medo dos russos.
Vivemos uma guerra de nervos. A situação na Ucrânia não se resolverá cedo e a tensão continuará por algum tempo. A resposta aos movimentos de militares russos na Crimeia passa pela OTAN neste momento. A sede da organização em Bruxelas recebeu os membros do novo governo formado em Kiev. Foi um primeiro sinal. Bulgária, Estados Unidos e Romênia deslocam força naval para o Mar Negro para exercícios militares. Foi o segundo sinal. A Polônia requisitou uma reunião especial da OTAN. Foi o terceiro sinal.
O mais importante neste momento é não personalizar a situação e tratar da questão no âmbito multilateral em uma organização com força militar. O jogo é um xadrez. É preciso muita parcimônia, pouca soberba e uma dose cavalar de paciência.
Não acredito que Obama esteja trabalhando de forma errada com a questão da Ucrânia. Até o momento parece ter optado pela paciência e o jogo diplomático. O problema são todos os fatores que levaram os Estados Unidos a chegar no estágio atual. Putin somente avançou sobre a Crimeia porque sabe como os americanos reagiriam.
Obama fez a opção mais correta até o momento, até porque enxerga as fragilidades dos Estados Unidos e da Europa. Os americanos, depois de duas guerras, não possuem credibilidade internacional para liderar uma operação militar. Nem deveriam. Além do mais, por mais que alguns clamem por uma intervenção durante arroubos de soberba, não é o movimento mais indicado.
A ONU está paralisada. O Conselho de Segurança, refém dos vetos da própria Rússia e talvez da China, não conseguirá aprovar qualquer tipo de resolução que movimente as peças em jogo de forma satisfatória. Neste quadro, a OTAN assume um papel de protagonismo que pode fazer a diferença. Vale lembrar que os países do Báltico, além de Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, tem receio de que o conflito na Ucrânia respingue em seus territórios - e todos tem verdadeiro medo dos russos.
Vivemos uma guerra de nervos. A situação na Ucrânia não se resolverá cedo e a tensão continuará por algum tempo. A resposta aos movimentos de militares russos na Crimeia passa pela OTAN neste momento. A sede da organização em Bruxelas recebeu os membros do novo governo formado em Kiev. Foi um primeiro sinal. Bulgária, Estados Unidos e Romênia deslocam força naval para o Mar Negro para exercícios militares. Foi o segundo sinal. A Polônia requisitou uma reunião especial da OTAN. Foi o terceiro sinal.
O mais importante neste momento é não personalizar a situação e tratar da questão no âmbito multilateral em uma organização com força militar. O jogo é um xadrez. É preciso muita parcimônia, pouca soberba e uma dose cavalar de paciência.
quarta-feira, março 05, 2014
Ucrânia em Perspectiva
A questão envolvendo a Rússia e a Ucrânia é muito mais complexa do que podemos imaginar. Argumentos existem de todos os lados. É preciso, portanto, colocar as coisas em perspectiva neste momento. A Ucrânia é de fato um país dividido. Precisamos entender que a cisão entre duas realidades é o ponto central. Este embate levou o país a se tornar frágil.
Ainda em 2004 escrevi sobre este tema. A Revolução Laranja explodia em Kiev depois de um candidato pró-Rússia, Viktor Yanukovych (o mesmo afastado agora) ter vencido eleições que suspeitavam-se terem sido fraudadas. O movimento levou outro Viktor ao poder, este de sobrenome Yushchenko, ao lado da bela Yulia Tymoshenko, sua aliada pró-Ocidente. Depois de um governo conturbado, Yushchenko e Yulia deixaram o poder e Viktor Yanukovych foi escolhido em eleições livres. Vemos que depois de um governo pró-Ocidente, um governo pró-Rússia assumia o poder o Kiev. Mas o líder apoiado por Moscou não terminou bem. Depois de muita pressão popular, deixou o poder, alegando ter sido vítima de um golpe.
Na verdade existem duas Ucrânias. Aquela que está na margem leste do rio Dniper é extremamente ligada aos valores russos, culturais e religiosos. Esta região é o berço cultural de muitos traços da Rússia atual. Ali foi criado Nikita Kruschev e nasceu Leonid Brejnev, dois dos mais importantes dirigentes soviéticos. O leste da Ucrânia tem forte presença cristã ortodoxa, o que aproxima muito a região das tradições russas.
A Ucrânia que está ao lado oeste do Dniper já foi ocupada por poloneses, húngaros, eslovacos, bielorussos e romenos, além de outras nacionalidades. A confluência destas culturas formou esta parte da Ucrânia, hoje de maior tradição católica romana e muito mais próxima do Ocidente. A presença russa na parte oeste é menor e a influência cultural preponderante é a ocidental. De um modo geral, o país sempre foi um território fragmentado e passou a se tornar unificado com o controle imposto pela União Soviética. Por todas essas razões, quando se tornou independente de Moscou, em 1991, se tornou um país instável, permeado por embates que colocam hoje em oposição o lado leste e oeste.
O risco maior para qualquer um dos lados é a eclosão de uma guerra civil, que pode se tornar um fato na medida que crescer o embate entre os dois lados do país divididos pelo rio Dniper e surgir uma liderança nacionalista que tente sobrepor suas vontades sobre a outra metade, independente de qual seja. Vemos que o movimento de Yanukovych em direção aos russos resultou em sua queda, mas o governo pró-Ocidente de Yushchenko também terminou de forma melancólica.
Na falta de uma política que unifique o país, as diferenças entre as regiões passarão a ter mais importância. O nacionalismo russo latente na Crimeia é apenas o primeiro passo. Putin conhece a geografia da Ucrânia e está medindo seus passos. Existe um nacionalismo russo também do lado leste do país, que pode se movimentar para o lado de Moscou rachando o território. Conhecendo o perfil dos líderes mundiais atuais, acredito que pode surgir a alternativa diplomática de divisão da Ucrânia com a Rússia na tentativa de evitar a escalada de um confronto nas fronteiras da Europa.
A idéia é conveniente para a Europa, que mantém um país estabilizado em suas fronteiras. O impacto da eventual entrada de meia Ucrânia na UE seria menor, considerando a agricultura pujante que poderia afetar a França. A Alemanha manteria-se como o maior país da zona européia e a Rússia anexaria a parte perdida de território que considera berço de sua cultura. Evitaria-se a guerra e a aproximação de um conflito anunciado nas portas da Europa, o que mobilizaria a OTAN. Talvez seja esta a estratégia de Putin, que pensa sempre no longo prazo. Resta saber se o Ocidente está preparado para um acordo deste tipo, que lembra os movimentos de Neville Chamberlain em Munique. Por enquanto, é um jogo de nervos.
Ainda em 2004 escrevi sobre este tema. A Revolução Laranja explodia em Kiev depois de um candidato pró-Rússia, Viktor Yanukovych (o mesmo afastado agora) ter vencido eleições que suspeitavam-se terem sido fraudadas. O movimento levou outro Viktor ao poder, este de sobrenome Yushchenko, ao lado da bela Yulia Tymoshenko, sua aliada pró-Ocidente. Depois de um governo conturbado, Yushchenko e Yulia deixaram o poder e Viktor Yanukovych foi escolhido em eleições livres. Vemos que depois de um governo pró-Ocidente, um governo pró-Rússia assumia o poder o Kiev. Mas o líder apoiado por Moscou não terminou bem. Depois de muita pressão popular, deixou o poder, alegando ter sido vítima de um golpe.
Na verdade existem duas Ucrânias. Aquela que está na margem leste do rio Dniper é extremamente ligada aos valores russos, culturais e religiosos. Esta região é o berço cultural de muitos traços da Rússia atual. Ali foi criado Nikita Kruschev e nasceu Leonid Brejnev, dois dos mais importantes dirigentes soviéticos. O leste da Ucrânia tem forte presença cristã ortodoxa, o que aproxima muito a região das tradições russas.
A Ucrânia que está ao lado oeste do Dniper já foi ocupada por poloneses, húngaros, eslovacos, bielorussos e romenos, além de outras nacionalidades. A confluência destas culturas formou esta parte da Ucrânia, hoje de maior tradição católica romana e muito mais próxima do Ocidente. A presença russa na parte oeste é menor e a influência cultural preponderante é a ocidental. De um modo geral, o país sempre foi um território fragmentado e passou a se tornar unificado com o controle imposto pela União Soviética. Por todas essas razões, quando se tornou independente de Moscou, em 1991, se tornou um país instável, permeado por embates que colocam hoje em oposição o lado leste e oeste.
O risco maior para qualquer um dos lados é a eclosão de uma guerra civil, que pode se tornar um fato na medida que crescer o embate entre os dois lados do país divididos pelo rio Dniper e surgir uma liderança nacionalista que tente sobrepor suas vontades sobre a outra metade, independente de qual seja. Vemos que o movimento de Yanukovych em direção aos russos resultou em sua queda, mas o governo pró-Ocidente de Yushchenko também terminou de forma melancólica.
Na falta de uma política que unifique o país, as diferenças entre as regiões passarão a ter mais importância. O nacionalismo russo latente na Crimeia é apenas o primeiro passo. Putin conhece a geografia da Ucrânia e está medindo seus passos. Existe um nacionalismo russo também do lado leste do país, que pode se movimentar para o lado de Moscou rachando o território. Conhecendo o perfil dos líderes mundiais atuais, acredito que pode surgir a alternativa diplomática de divisão da Ucrânia com a Rússia na tentativa de evitar a escalada de um confronto nas fronteiras da Europa.
A idéia é conveniente para a Europa, que mantém um país estabilizado em suas fronteiras. O impacto da eventual entrada de meia Ucrânia na UE seria menor, considerando a agricultura pujante que poderia afetar a França. A Alemanha manteria-se como o maior país da zona européia e a Rússia anexaria a parte perdida de território que considera berço de sua cultura. Evitaria-se a guerra e a aproximação de um conflito anunciado nas portas da Europa, o que mobilizaria a OTAN. Talvez seja esta a estratégia de Putin, que pensa sempre no longo prazo. Resta saber se o Ocidente está preparado para um acordo deste tipo, que lembra os movimentos de Neville Chamberlain em Munique. Por enquanto, é um jogo de nervos.
sexta-feira, fevereiro 28, 2014
Prioridade: Ucrânia
Ontem estive em uma discussão com os principais âncoras políticos do jornalismo americano e ninguém tocou na questão política da Venezuela. Em compensação, 90% da discussão foi em torno da Ucrânia. A preocupação no norte é preponderantemente com o país europeu, por um sem número de motivos.
O primeiro deles é porque a questão em Kiev traz para o jogo dois pesos pesados nas relações internacionais: União Européia e Rússia. Neste jogo entram ainda a Otan, que precisa ficar atenta, além dos Estados Unidos, tradicionalmente alertas quando a Rússia está do outro lado do tabuleiro. As razões, entretanto, não param por aí.
A Ucrânia é importante geopoliticamente. Por ali passam os dutos que alimentam de gás boa parte da Europa. Sua fronteira, de um lado é com membros da Otan e do outro com a Rússia. Agora, terminados os Jogos Olímpicos de inverno, Moscou já começou a agir com exercícios militares na fronteira. Os americanos sabem que Putin conseguiu colocar seu país novamente na balança de poder do mundo, especialmente depois das questões envolvendo o Irã e a Síria. Ganhou mais uma oportunidade.
Do outro lado, já começaram movimentos. Enquanto a Alemanha hesita em abrir o cofre da União Européia, o FMI se movimenta para acalmar os ânimos e dar solidez ao governo pró-ocidente. Mover-se financeiramente em apoio ao governo provisório é uma forma de evitar a eclosão de uma guerra civil, o que invariavelmente envolveria a Rússia e as forças da Otan. O xadrez político é delicado.
Na verdade, para as grandes potenciais, a grande questão do momento é a Ucrânia, por toda sua importância e seus possíveis desdobramentos. A Venezuela, bem como a América Latina, segue em segundo plano.
quinta-feira, fevereiro 27, 2014
Ucrânia e Crimeia
A guerra civil na Ucrânia pode ter começado. Não falo dos confrontos que arrastaram Yanukovitch para fora do poder. Este foi apenas o início. Os desdobramentos são os verdadeiros problemas que o país passará a enfrentar. O primeiro já teve início com as primeiras demonstrações na Crimeia, uma república autônoma do sul do país que está insatisfeita com os resultados dos protestos em Kiev.
Sabe-se que a Ucrânia é um país dividido entre dois mundos, um de influência ocidental e outro oriental. Enquanto parte do território é de origem russa, do outro lado vemos fortes traços culturais ocidentais. Um governo em Kiev, portanto, sempre sofrerá desta fricção entre duas realidades. Se Yanukovitch agradava o leste e desagrava o oeste do país, neste momento, depois de sua queda, a equação se inverteu.
A Crimeia, assim como metade da Ucrânia, começa a resistir. Se o governo central agora insistir em uma aproximação com a Europa, a situação política no leste do país irá começar a ferver. Os primeiros sinais começaram a aparecer também no sul. Ali, 60% da população é de origem russa. Durante os protestos dos últimos dias, a bandeira russa foi hasteada em prédios púbicos em Simferopol.
O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma do que pode se espalhar por boa parte do leste do país, pois surge em um território que era originalmente parte da Rússia, mas depois do fim da União Soviética ficou sob a jurisdição da Ucrânia. A Rússia mantém forte influência na região, em especial no porto de Sebastopol, sede de sua frota no Mar Negro. Portanto fica clara a equação. Em uma região autônoma, de maioria russa, com presença de frotas de Moscou, surgem os primeiros movimentos de cisão dentro da Ucrânia.
O país pode estar dando o primeiro passo em direção a uma guerra civil. Os russos entenderam isso e já começam, agora que os Jogos Olímpicos de Inverno terminaram, a realizar movimentos militares na fronteira com a Ucrânia. Em um país dividido entre dois mundos, a chance de um confronto interno infelizmente parece cada vez mais real. O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma disso.
Sabe-se que a Ucrânia é um país dividido entre dois mundos, um de influência ocidental e outro oriental. Enquanto parte do território é de origem russa, do outro lado vemos fortes traços culturais ocidentais. Um governo em Kiev, portanto, sempre sofrerá desta fricção entre duas realidades. Se Yanukovitch agradava o leste e desagrava o oeste do país, neste momento, depois de sua queda, a equação se inverteu.
A Crimeia, assim como metade da Ucrânia, começa a resistir. Se o governo central agora insistir em uma aproximação com a Europa, a situação política no leste do país irá começar a ferver. Os primeiros sinais começaram a aparecer também no sul. Ali, 60% da população é de origem russa. Durante os protestos dos últimos dias, a bandeira russa foi hasteada em prédios púbicos em Simferopol.
O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma do que pode se espalhar por boa parte do leste do país, pois surge em um território que era originalmente parte da Rússia, mas depois do fim da União Soviética ficou sob a jurisdição da Ucrânia. A Rússia mantém forte influência na região, em especial no porto de Sebastopol, sede de sua frota no Mar Negro. Portanto fica clara a equação. Em uma região autônoma, de maioria russa, com presença de frotas de Moscou, surgem os primeiros movimentos de cisão dentro da Ucrânia.
O país pode estar dando o primeiro passo em direção a uma guerra civil. Os russos entenderam isso e já começam, agora que os Jogos Olímpicos de Inverno terminaram, a realizar movimentos militares na fronteira com a Ucrânia. Em um país dividido entre dois mundos, a chance de um confronto interno infelizmente parece cada vez mais real. O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma disso.
segunda-feira, fevereiro 24, 2014
Datafolha: A Vez de Marina
Mais uma vez voltamos para política nacional. Saiu mais uma pesquisa que merece análise mais apurada. Se no meio da semana tivemos a CNT/MDA, no final de semana chegaram tabulados os números do Datafolha. Ambas pesquisas seguem no mesmo sentido, mas com uma pequena alteração que pode fazer toda a diferença.
No início da semana passada, a CNT/MDA nos disse que Dilma liderava (43,7%), seguida de Aécio (17%) e Eduardo Campos (9,9%). O Datafolha nos traz a mesma situação: Dilma (44%), Aécio (16%) e Eduardo (9%). No cenário com Marina, o mesmo ocorre. Na CNT/MDA temos Dilma (40,7%) seguida de Marina, que toma o segundo lugar (20,6%), e Aécio (15,1%). O Datafolha dá Dilma (43%), Marina (23%) e Aécio (15%). Os números batem.
Mas o Datafolha trouxe Joaquim Barbosa para o ringue. No cenário com Eduardo Campos, Barbosa toma o segundo lugar de Aécio e chega a 16%. Percebe-se que leva um pouco dos votos de cada um, mas preponderantemente cresce com os votos dos indecisos, que optam por seu nome. No cenário com Marina, Barbosa chega a 14% e embola o meio de campo, deixando Marina com 17% e Aécio com 12%. Dilma, em ambos os cenários, tem algo em torno de 40%-42%.
Agora chegamos ao ponto importante, a rejeição, o mesmo que analisei na semana passada. No CNT/MDA, Dilma é rejeitada por 37,3, Aécio por 36%, Eduardo por 33,9 e Marina por 35,5%. O Datafolha trouxe números convergentes, com exceção de Marina. Vejamos, Dilma, Aécio e Eduardo são rejeitados por 30%. Barbosa, inserido nesta pesquisa, tem rejeição de 27% e Marina somente de 20%. Percebemos que a rejeição a Marina é diferente. Para CNT/MDA é de 33,5% e para o Datafolha é de apenas 20%.
Se os números do Datafolha estiverem corretos, o PSB já tem candidato, ou melhor candidata. Marina, com esta taxa de rejeição, tem enorme potencial para crescimento, enquanto Eduardo, mesmo desconhecido do eleitorado, já tem rejeição em patamar similar a Dilma, candidata mais conhecida. Barbosa tem rejeição alta, mas dentro do patamar do voto petista, cerca de 30%. Tem potencial também. Entretanto, se os números do Datafolha estiverem corretos, Marina, para onde desaguaram intenções de voto depois das manifestações de 2013, desponta como o grande nome desta pesquisa e talvez das eleições, especialmente se Joaquim Barbosa decidir não entrar no páreo.
sexta-feira, fevereiro 21, 2014
Os Governadores
2014 é ano de eleições legislativas nos Estados Unidos, mas é também tempo de muitas disputas para os governos dos estados. Como escrevi ontem aqui, um dos alvos dos democratas é o governador Scott Walker de Wisconsin, potencial candidato presidencial republicano. Os democratas tem outros alvos, em especial governadores eleitos em estados que votaram em Obama nas últimas eleições, mas que possuem republicanos eleitos em seu comando. A idéia dos democratas é reverter esta situação.
O partido do presidente Obama foca em duas situações: estados tradicionalmente democratas que elegeram republicanos na onda conservadora de 2010 e estados que variam em cada eleição, chamados de "swinging states", fundamentais em uma eleição presidencial. Neste rol estão Ohio, Nevada, Pennsylvania e Flórida, por exemplo, governados por republicanos e essenciais em uma eleição para a Casa Branca. Estes estados deram a vitória a Bush em 2000 e 2004 e para Obama em 2008 e 2012.
2010 foi um ano singular para os republicanos, pois além de vencer em "swinging states", venceram em territórios de recente tradição democrata, como Michigan, Maine, Wisconsin, Iowa e Novo México. O objetivo é virar estes estados, mas sabe-se que não é possível fazer tudo. Com bons números em Nevada, Iowa e Novo México, os republicanos Brian Sandoval, Terry Branstad e Susana Martinez devem vencer com facilidade. O foco dos democratas é outro.
Dentro da estratégia política, é mais importante vencer em estados que podem virar a eleição presidencial em dois anos, do que naqueles de forte tradição democrata, que mesmo com governadores republicanos possuem a tendência de despejar seus votos no partido de Obama em 2016. Logo o foco está claro. Vencendo uma eleição em Wisconsin, por exemplo, ele abatem de quebra a possível candidatura presidencial de Scott Walker. O foco democrata portanto está em Wisconsin, Ohio, Flórida e Pennsylvania.
Mas nem tudo é fácil neste caminho. Apesar de na Flórida, Maine e Pennsylvania o trabalho ser relativamente mais fácil, em Wisconsin, Ohio e Michigan, os republicanos tem levantado doações expressivas de campanha e se preparam de forma consistente para as eleições. Quem pode emergir como um grande líder nessa história é Chris Christie, governador de New Jersey e Presidente da Associação de Governadores Republicanos, que pode ajudar estes governadores a vencer. Se isto ocorrer, pavimenta seu caminho para a indicação do partido para o pleito presidencial. Como vemos, muito estará em jogo em 2014.
O partido do presidente Obama foca em duas situações: estados tradicionalmente democratas que elegeram republicanos na onda conservadora de 2010 e estados que variam em cada eleição, chamados de "swinging states", fundamentais em uma eleição presidencial. Neste rol estão Ohio, Nevada, Pennsylvania e Flórida, por exemplo, governados por republicanos e essenciais em uma eleição para a Casa Branca. Estes estados deram a vitória a Bush em 2000 e 2004 e para Obama em 2008 e 2012.
2010 foi um ano singular para os republicanos, pois além de vencer em "swinging states", venceram em territórios de recente tradição democrata, como Michigan, Maine, Wisconsin, Iowa e Novo México. O objetivo é virar estes estados, mas sabe-se que não é possível fazer tudo. Com bons números em Nevada, Iowa e Novo México, os republicanos Brian Sandoval, Terry Branstad e Susana Martinez devem vencer com facilidade. O foco dos democratas é outro.
Dentro da estratégia política, é mais importante vencer em estados que podem virar a eleição presidencial em dois anos, do que naqueles de forte tradição democrata, que mesmo com governadores republicanos possuem a tendência de despejar seus votos no partido de Obama em 2016. Logo o foco está claro. Vencendo uma eleição em Wisconsin, por exemplo, ele abatem de quebra a possível candidatura presidencial de Scott Walker. O foco democrata portanto está em Wisconsin, Ohio, Flórida e Pennsylvania.
Mas nem tudo é fácil neste caminho. Apesar de na Flórida, Maine e Pennsylvania o trabalho ser relativamente mais fácil, em Wisconsin, Ohio e Michigan, os republicanos tem levantado doações expressivas de campanha e se preparam de forma consistente para as eleições. Quem pode emergir como um grande líder nessa história é Chris Christie, governador de New Jersey e Presidente da Associação de Governadores Republicanos, que pode ajudar estes governadores a vencer. Se isto ocorrer, pavimenta seu caminho para a indicação do partido para o pleito presidencial. Como vemos, muito estará em jogo em 2014.
quinta-feira, fevereiro 20, 2014
A Vez de Walker
Primeiro foi Chris Christie. O alvo agora é o governador de Wisconsin, Scott Walker. Mais um potencial candidato republicano é atingido por um escândalo, de proporções infinitamente menores, é claro, mas com potencial para desgastar a sua imagem. Na verdade, Walker enfrenta uma enorme oposição em seu Estado - inclusive enfrentou um recall depois de eleito, e venceu. Agora, com seu nome em rede nacional, passa a ser alvo dos democratas.
O caso se resume ao fato de um antigo chefe de gabinete substituto ter sido condenado por práticas políticas consideradas ilícitas. Em decorrência disso, agora tornaram-se públicas as trocas de emails entre diversos assessores de Walker, inclusive o tal condenado, com mensagens nada amistosas sobre adversários e manobras políticas executadas dentro da campanha. Nada que ligue diretamente o caso ao conhecimento do Governador, ou seja, pelo que se sabe até agora, as conversas estavam limitadas aos assessores.
Walker enfrentará uma campanha pela reeleição em breve. Apesar de popular e ter grandes chances de vitória, será uma eleição dura, afinal estamos falando de Wisconsin, que apesar de ter eleito um republicano para governar o estado, votou com Obama na eleição presidencial e tem um história política ligada ao partido democrata e ao poder exercido pelos sindicatos.
Mas Walker se tornou uma das jóias do partido republicano e do Tea Party. Original de Iowa, Walker, que conheço pessoalmente, é um sujeito simples e isto tem um potencial eleitoral incrível. Seu carisma com o eleitorado é forte e sendo um conservador legítimo, transita com facilidade pelas diferentes alas do partido. Ele é um grande amigo do governador de New Jersey, o moderado Chris Christie.
Da primeira vez que Walker recebeu ataques, sua tendência foi crescer. Seus opositores acreditaram que poderiam vencer um eventual recall da eleição para Governador. Scott Walker virou o jogo, venceu o recall e se tornou um herói nacional do partido republicano. Sendo um político muito perspicaz, tende a crescer quando sofre ataques, pois sabe como reagir. Diante da exposição, se tornou o próximo da lista de potenciais candidatos presidenciais republicanos a sofrer ataques, mas como sabe-se em Milwaukee, talvez isto apenas ajude a sedimentar ainda mais seu nome perante o eleitorado.
O caso se resume ao fato de um antigo chefe de gabinete substituto ter sido condenado por práticas políticas consideradas ilícitas. Em decorrência disso, agora tornaram-se públicas as trocas de emails entre diversos assessores de Walker, inclusive o tal condenado, com mensagens nada amistosas sobre adversários e manobras políticas executadas dentro da campanha. Nada que ligue diretamente o caso ao conhecimento do Governador, ou seja, pelo que se sabe até agora, as conversas estavam limitadas aos assessores.
Walker enfrentará uma campanha pela reeleição em breve. Apesar de popular e ter grandes chances de vitória, será uma eleição dura, afinal estamos falando de Wisconsin, que apesar de ter eleito um republicano para governar o estado, votou com Obama na eleição presidencial e tem um história política ligada ao partido democrata e ao poder exercido pelos sindicatos.
Mas Walker se tornou uma das jóias do partido republicano e do Tea Party. Original de Iowa, Walker, que conheço pessoalmente, é um sujeito simples e isto tem um potencial eleitoral incrível. Seu carisma com o eleitorado é forte e sendo um conservador legítimo, transita com facilidade pelas diferentes alas do partido. Ele é um grande amigo do governador de New Jersey, o moderado Chris Christie.
Da primeira vez que Walker recebeu ataques, sua tendência foi crescer. Seus opositores acreditaram que poderiam vencer um eventual recall da eleição para Governador. Scott Walker virou o jogo, venceu o recall e se tornou um herói nacional do partido republicano. Sendo um político muito perspicaz, tende a crescer quando sofre ataques, pois sabe como reagir. Diante da exposição, se tornou o próximo da lista de potenciais candidatos presidenciais republicanos a sofrer ataques, mas como sabe-se em Milwaukee, talvez isto apenas ajude a sedimentar ainda mais seu nome perante o eleitorado.
quarta-feira, fevereiro 19, 2014
O Líder de Obama
Harry Reid é o homem que controla o Senado em Washington. Ele é o líder do governo Obama desde seus primeiros dias na Casa Branca. Apesar de ouvir muito, é combativo, duro e difícil de negociar. Sua postura, muitas vezes chamada de ditatorial, é um dos principais motivos para os republicanos tentarem de todas as formas retomar a maioria perdida entre os senadores. Durante os sete anos de Reid na liderança, ele mandou 74 projetos para o plenário, uma média 10 vezes maior do que seus antecessores.
Na outra Casa tudo funciona diferente. Na Câmara existe uma Presidência, exercida pelos republicanos, que detém maioria. O comando da Casa está nas mãos do republicano John Boehner, de Ohio. Já a liderança dos republicanos fica por conta de Eric Cantor, da Virgínia e a dos democratas com Nacy Pelosi, da Califórnia. A Câmara, portanto, como vemos, possui um comando republicano, além de possuir um líder da maioria, também republicano. No Senado, entretanto, existem apenas duas forças, a maioria, hoje democrata e a minoria, republicana, sob o comando de Mitch McConnell, do Kentucky. A Presidência do Senado é exercida constitucionalmente pelo Vice-Presidente.
Mas o que vemos hoje é um Senado parecido com a Câmara. Harry Reid, líder da maioria, exerce de fato o comando da Casa, muitas vezes de forma mais determinante do que John Boehner faz na Câmara, o que lembra a liderança incontestável que Lyndon Johnson exerceu no Senado nos anos 50. Isto, entretanto, incomoda os demais senadores, tanto democratas quanto republicanos, uma vez que esta não é a característica constitucional do Senado.
Reid, eleito pelo Nevada desde 1986, é o mentor da estratégia nuclear de alterar o regimento do Senado para acabar com as obstruções dos republicanos, um movimento que aumentou a distância entre os dois partidos de forma substancial. O próprio Reid, quando estava na oposição era um dos mais ardentes defensores das táticas de obstrução, o chamado filibuster. Até Obama sentiu o poder de Reid contra si mesmo. O líder democrata anunciou que o Senado não apoiaria a idéia de dar uma autorização expressa, chamada de "fast track", para o Presidente negociar acordos comerciais internacionais.
Mas o líder de Obama pensa no partido e na manutenção de seu cargo. Reid deixou de mandar para o plenário temas que pudessem afetar a campanha democrata deste ano, evitando que os senadores que tentam reeleição, tivessem que adotar posições polêmicas. Se depender dele, os democratas mantém a maioria do Senado. Reid, um político habilidoso, completará no ano das eleições presidenciais 30 anos como senador. Hoje, aos 74 anos, mantém os lobbies de doadores e senadores sob seu direto controle, mesmo que isto gere a ira dos republicanos. Com sua maioria em jogo nas eleições dos próximos meses, 2014 é ano de Reid.
Na outra Casa tudo funciona diferente. Na Câmara existe uma Presidência, exercida pelos republicanos, que detém maioria. O comando da Casa está nas mãos do republicano John Boehner, de Ohio. Já a liderança dos republicanos fica por conta de Eric Cantor, da Virgínia e a dos democratas com Nacy Pelosi, da Califórnia. A Câmara, portanto, como vemos, possui um comando republicano, além de possuir um líder da maioria, também republicano. No Senado, entretanto, existem apenas duas forças, a maioria, hoje democrata e a minoria, republicana, sob o comando de Mitch McConnell, do Kentucky. A Presidência do Senado é exercida constitucionalmente pelo Vice-Presidente.
Mas o que vemos hoje é um Senado parecido com a Câmara. Harry Reid, líder da maioria, exerce de fato o comando da Casa, muitas vezes de forma mais determinante do que John Boehner faz na Câmara, o que lembra a liderança incontestável que Lyndon Johnson exerceu no Senado nos anos 50. Isto, entretanto, incomoda os demais senadores, tanto democratas quanto republicanos, uma vez que esta não é a característica constitucional do Senado.
Reid, eleito pelo Nevada desde 1986, é o mentor da estratégia nuclear de alterar o regimento do Senado para acabar com as obstruções dos republicanos, um movimento que aumentou a distância entre os dois partidos de forma substancial. O próprio Reid, quando estava na oposição era um dos mais ardentes defensores das táticas de obstrução, o chamado filibuster. Até Obama sentiu o poder de Reid contra si mesmo. O líder democrata anunciou que o Senado não apoiaria a idéia de dar uma autorização expressa, chamada de "fast track", para o Presidente negociar acordos comerciais internacionais.
Mas o líder de Obama pensa no partido e na manutenção de seu cargo. Reid deixou de mandar para o plenário temas que pudessem afetar a campanha democrata deste ano, evitando que os senadores que tentam reeleição, tivessem que adotar posições polêmicas. Se depender dele, os democratas mantém a maioria do Senado. Reid, um político habilidoso, completará no ano das eleições presidenciais 30 anos como senador. Hoje, aos 74 anos, mantém os lobbies de doadores e senadores sob seu direto controle, mesmo que isto gere a ira dos republicanos. Com sua maioria em jogo nas eleições dos próximos meses, 2014 é ano de Reid.
terça-feira, fevereiro 18, 2014
Nova Pesquisa
Acaba de sair uma pesquisa de intenção de voto para Presidente. Dilma continua na frente e Marina segue no seu patamar de 2010. Aécio ainda não decolou e Eduardo Campos não empolga nem com Marina na vice. Se o quadro permanecer como está, Dilma tende a alcançar uma vitória segura, talvez no primeiro turno, mas a pesquisa vai além e traz dados mais importantes.
Intenção de voto é bonito e interessante, mas a ciência política vai além. Percebe-se que todos os candidatos alcançam um patamar entre 33% e 37% de rejeição. Ninguém chegou aos 40%, o que inviabiliza uma vitória, mas se todos chegam perto deste patamar, a pesquisa nos diz alguma coisa. O que descobrimos nestes números é a mesma mensagem das ruas durante os protestos do ano passado: a rejeição aos políticos tradicionais. E vamos além: isto nos diz outra coisa.
A outra constatação é que existe não apenas um vácuo para uma terceira-via, existe uma avenida inteira aberta para este candidato passar. A rejeição em patamares semelhantes e altos deixa a porta aberta para um novo político, aos moldes dos fenômenos eleitorais de Collor e Jânio, chegar ao poder. Este candidato ainda não se apresentou e talvez nem se apresente. Mas o espaço para ser ocupado está ali.
O nome natural que paira na cabeça de todos que fazem este raciocínio é Joaquim Barbosa. Longe da política partidária, ele é o anti-político que se encaixa na percepção deste eleitorado carente de liderança. Política é timing. Joaquim tem nas mãos sua preciosa chance de chegar ao Planalto. Se vai aproveitá-la é outra história. Se decidir entrar para a política em quatro anos, terá se tornado um coadjuvante.
Este é o cenário colocado hoje. Certamente uma campanha reserva muitas surpresas. Todos conhecem o temperamento do Ministro e sabemos que sua fortaleza com o eleitorado é também sua fraqueza durante uma campanha, que se bem explorada, pode fazer sua candidatura se desmanchar, a exemplo de Ciro Gomes em 2002.
Logo, mais importante do que entender o que diz objetivamente esta pesquisa é enxergar a direção que ela aponta. Neste momento o eleitorado rejeita as opções que tem e busca um nome. Na falta dele, permanece com Dilma.
Intenção de voto é bonito e interessante, mas a ciência política vai além. Percebe-se que todos os candidatos alcançam um patamar entre 33% e 37% de rejeição. Ninguém chegou aos 40%, o que inviabiliza uma vitória, mas se todos chegam perto deste patamar, a pesquisa nos diz alguma coisa. O que descobrimos nestes números é a mesma mensagem das ruas durante os protestos do ano passado: a rejeição aos políticos tradicionais. E vamos além: isto nos diz outra coisa.
A outra constatação é que existe não apenas um vácuo para uma terceira-via, existe uma avenida inteira aberta para este candidato passar. A rejeição em patamares semelhantes e altos deixa a porta aberta para um novo político, aos moldes dos fenômenos eleitorais de Collor e Jânio, chegar ao poder. Este candidato ainda não se apresentou e talvez nem se apresente. Mas o espaço para ser ocupado está ali.
O nome natural que paira na cabeça de todos que fazem este raciocínio é Joaquim Barbosa. Longe da política partidária, ele é o anti-político que se encaixa na percepção deste eleitorado carente de liderança. Política é timing. Joaquim tem nas mãos sua preciosa chance de chegar ao Planalto. Se vai aproveitá-la é outra história. Se decidir entrar para a política em quatro anos, terá se tornado um coadjuvante.
Este é o cenário colocado hoje. Certamente uma campanha reserva muitas surpresas. Todos conhecem o temperamento do Ministro e sabemos que sua fortaleza com o eleitorado é também sua fraqueza durante uma campanha, que se bem explorada, pode fazer sua candidatura se desmanchar, a exemplo de Ciro Gomes em 2002.
Logo, mais importante do que entender o que diz objetivamente esta pesquisa é enxergar a direção que ela aponta. Neste momento o eleitorado rejeita as opções que tem e busca um nome. Na falta dele, permanece com Dilma.
segunda-feira, fevereiro 17, 2014
Aposta em Hillary
Hillary ainda não colocou o bloco na rua, mas sua candidatura é considerada um fato. Mesmo que ainda existam outros nomes que possam tentar rivalizar com ela a indicação, as probabilidades de que outra pessoa venha a concorrer nas eleições gerais de 2016 pelo partido democrata são pequenas. Isto é uma vantagem , pois direciona os principais doadores diretamente para sua campanha desde o princípio, mas também causa problemas, especial neste ano de eleições parlamentares.
Tudo começa na Presidência de Obama. Com a popularidade em baixa, o Presidente americano abriu a temporada de especulações sobre quem seria seu sucessor. Em ambas os partidos já se respira e se age com foco em 2016. Como Hillary não deseja ser atropelada por outro Obama, como aconteceu em 2008, preferiu fechar os flancos e trabalhar diretamente para que nenhum adversário forte possa aparecer. Para ela, o jogo da sucessão já começou.
Mas isto é um problema para o partido democrata que enfrentará eleições parlamentares duras nos próximos meses. As chances dos republicanos tomarem o Senado e manterem a Câmara é grande e isto jogaria a Presidência de Obama no limbo até o fim de seu mandato. Nada mais seria feito. Portanto, é de suma importância para os democratas vencer este jogo, pelo menos no Senado, mantendo sua maioria. O problema é que o páreo de 2016 já começou e as doações de campanha agora tem este foco.
Na sua tentativa de chegar a Casa Branca em 2008, Hillary começou a se articular em 2006, depois das eleições parlamentares que levaram os democratas ao controle da Câmara. Vemos que agora o timing é diferente, ela se movimenta antes das eleições parlamentares. O porém neste caso é outro, já que naquele ano o presidente enfraquecido perante a opinião pública era o republicano George Bush, hoje é o democrata Barack Obama. Como o Presidente se tornou radioativo para muitos candidatos, existe um vácuo de liderança política a ser preenchido.
O partido democrata precisa entender que seu foco ainda não é em 2016, mas em 2014. Se não agir desta forma, pode tomar uma surra eleitoral dos republicanos. Mas o foco na eleição presidencial pode ajudar. Se os democratas se unirem em torno de Hillary e ela apresentar-se como a nova líder do partido, isto pode consolidar seu nome para as primárias e ajudar muitos deputados e senadores a vencer, como ela fez nas campanhas de Bill de Blasio em Nova York e Terry McAuliffe na Virgínia. Se ela controlar o jogo, será inevitavelmente a candidata dos democratas. As fichas estão na mesa.
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
Promessa Brasileira
Black blocks, manifestações e violência nos centros urbanos são o resultado de uma equação: a pressão do aumento de renda da população versus os resultados do fim de um ciclo econômico artificial ou demanda ampliada da população versus oferta reprimida do Estado. No passado recente houve um aumento do poder de compra com origem no plano de estabilização da moeda, ainda no governo Fernando Henrique. Depois disso, a ampliação mediante os programas de transferência de renda durante a administração Lula. Avançamos em direções importantes, em especial em programas sociais que atuam onde existe miséria, mas mostramos ineficiência em tantas outras. Se de um lado foi possível aumentar a renda, do outro os gargalos para atendimento desta demanda ficaram latentes. As revoltas atuais são um resultado desta realidade.
Chegamos a uma situação crítica, que no Brasil sempre pode piorar. A classe média, espremida entre a falta de infra-estrutura e a violência, clama por uma solução, especialmente repressiva, para fazer cessar o mal iminente. A necessidade de repressão, entretanto, é simples consequência de um modelo esgotado que gera revolta. A origem dos problemas não está na violência em si, latente para quem convive com sua ameaça, mas naquilo que gera a indignação.
É preciso entender que o modelo de aumento de renda puro e simples está esgotado. O Brasil precisa ir além. Como não houve avanço em outras frentes, colhemos este triste resultado. Houve falta, entre outras coisas, de uma política consistente de educação e uma guinada a um modelo econômico menos repressivo, que apesar de transferir renda, não garantiu uma evolução natural para um sistema sustentável.
O Brasil atuou de um lado da equação. Por si só a estabilização gerou aumento do poder de consumo. Tivemos, portanto, um aumento de demanda, seja por meio dos programas de transferência de renda, milionários empréstimos concedidos pelo BNDES ou financiamentos imobiliários da Caixa, entre tantos outros. Criou-se uma bolha, ou seja, um excesso de renda sem pilares claros de sustentação em uma economia real. A bolha está estourando em manifestações e revoltas, em especial da classe média.
Tínhamos dois modelos a seguir depois da estabilização. Realizar reformas que desafogassem a economia e impulsionasse a criação de novos empreendedores, por meio de desregulamentação e flexibilização, ou uma intervenção do Estado direcionando os rumos da economia, similar ao vivido pelo país na década de 70. O Brasil optou pela segunda opção.
Entretanto, esta alternativa exige do Estado prestações muito pesadas, seja por meio de investimentos diretos ou financiamentos. Enquanto a renda aumentava em função do plano de estabilização da moeda, concursos públicos, subsídios ou mesmo bolsas de ajuda do governo, a demanda por mais infra-estrutura e serviços também avançava. Mais uma vez, assim como na década de 80, vimos que o Estado não foi capaz de financiar e executar a sua parte, em especial obras como portos, aeroportos, saneamento, energia e estradas. Os gargalos apareceram. A demanda da população colidiu com a ineficiência estatal.
A pressão esta posta. Uma população que possui maior renda e agora com maior demanda esbarra na falta de infra-estrutura e nas regulações criadas pelo governo que emperram a livre iniciativa. O encerramento do ciclo do crédito e o estrangulamento da capacidade de financiamento do Estado leva a esta situação paradoxal que vivemos hoje. Existe a falta de perspectiva de uma economia sólida para sustentar este ciclo de crescimento que já respira por aparelhos. A saída na década de 90 foi privatizar, mais por necessidade do que por convicção. A pressão do momento levou o governo a começar a tomar, ainda de forma tímida e pontual, o mesmo caminho.
O Brasil vem perdendo, mais uma vez, um momento histórico de oportunidade. Nosso problema latente é a violência, mas precisamos entender que isto é a consequência de apostas equivocadas. O ponto central é a economia. Terminar com a violência exige um tratamento de fundo que vai muito além da repressão e passa por reformular de verdade as bases da educação e principalmente da economia. Isto leva uma geração. Aprendemos que o Estado, quando tenta induzir o crescimento, acaba por limitá-lo. Aprendemos que aumentar a renda, sem a base de uma economia sólida e um sistema de educação decente, gera conflitos e violência. Já chegou a hora de lidar de forma madura com nossos problemas.
quinta-feira, fevereiro 13, 2014
A Boa Política
Pouco se falou sobre isso, mas alguns republicanos deram uma aula de política colocando o país em primeiro lugar. O líder do movimento foi o Presidente da Câmara, John Boehner. Ele articulou com outros deputados de seu partido o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos. Fez isso sem pressionar a Casa Branca e sem fazer espetáculo. A boa política.
Desde o fechamento temporário do governo e depois com a pressão para não aumentar o teto da dívida, o que deixaria os Estados Unidos sem honrar seus títulos, o país vivia a apreensão da chegada de fevereiro, quando venceria a prorrogação autorizada pelo Congresso e toda a discussão seria retomada. Boehner preferiu costurar um acordo dentro do parlamento e evitar mais uma vez o constrangimento de enxergar Washington em uma situação embaraçosa novamente.
Obama é um Presidente que joga duro. Durante as negociações meses atrás preferiu não ceder em qualquer ponto. Os republicanos mais radicais procuravam pressionar para evitar a entrada em funcionamento do Obamacare, mas foram pouco efetivos. O Presidente deu de ombros e diante da possibilidade de um vexame financeiro, os congressistas cederam.
Apesar do jogo duro de Obama, os republicanos colheram resultados ruins com esta pressão. Pesquisas apontaram que a população culpava Obama, mas também o principal partido de oposição por ser intransigente. Boehner tinha isso em mente. Em ano eleitoral, os republicanos não podem arcar com o custo político de deixar o país insolvente. Assim, o acordo foi realizado com o apoio de alguns deputados republicanos que votaram com os democratas.
Boehner manteve a governabilidade e a boa imagem dos Estados Unidos. Evitou o desgaste de seu partido. Seus pares, entretanto, não pensam como ele. Alas dentro do partido republicano já pedem a cabeça do Presidente da Câmara. Dizem que ele deve ser substituído. Já até existe candidato, Eric Cantor, líder dos republicanos na Casa. Fazer a política da maneira certa, muitas vezes gera desgastes. Boehner, filho de um barbeiro em Cincinnati, experimenta aquela máxima da política: "Do outro lado, sentam os adversários. Os inimigos sentam aqui conosco".
Desde o fechamento temporário do governo e depois com a pressão para não aumentar o teto da dívida, o que deixaria os Estados Unidos sem honrar seus títulos, o país vivia a apreensão da chegada de fevereiro, quando venceria a prorrogação autorizada pelo Congresso e toda a discussão seria retomada. Boehner preferiu costurar um acordo dentro do parlamento e evitar mais uma vez o constrangimento de enxergar Washington em uma situação embaraçosa novamente.
Obama é um Presidente que joga duro. Durante as negociações meses atrás preferiu não ceder em qualquer ponto. Os republicanos mais radicais procuravam pressionar para evitar a entrada em funcionamento do Obamacare, mas foram pouco efetivos. O Presidente deu de ombros e diante da possibilidade de um vexame financeiro, os congressistas cederam.
Apesar do jogo duro de Obama, os republicanos colheram resultados ruins com esta pressão. Pesquisas apontaram que a população culpava Obama, mas também o principal partido de oposição por ser intransigente. Boehner tinha isso em mente. Em ano eleitoral, os republicanos não podem arcar com o custo político de deixar o país insolvente. Assim, o acordo foi realizado com o apoio de alguns deputados republicanos que votaram com os democratas.
Boehner manteve a governabilidade e a boa imagem dos Estados Unidos. Evitou o desgaste de seu partido. Seus pares, entretanto, não pensam como ele. Alas dentro do partido republicano já pedem a cabeça do Presidente da Câmara. Dizem que ele deve ser substituído. Já até existe candidato, Eric Cantor, líder dos republicanos na Casa. Fazer a política da maneira certa, muitas vezes gera desgastes. Boehner, filho de um barbeiro em Cincinnati, experimenta aquela máxima da política: "Do outro lado, sentam os adversários. Os inimigos sentam aqui conosco".
quarta-feira, fevereiro 12, 2014
Brincando com Fogo
Obama avisou que iria brincar com fogo. Está cumprindo a promessa. Hoje ele assina a sétima ordem executiva desde seu discurso no parlamento. Desta vez o tema é o salário mínimo. Como o Congresso não apreciou sua proposta de aumento, o Presidente atuará unilateralmente aumentando o valor do mínimo pago aos empregados federais e aqueles que estão sob contrato do governo. Um movimento para lá de perigoso.
Poderíamos discutir como o estabelecimento de um valor de salário mínimo na verdade reduz o mínimo que poderia ser pago sem esta regulação, mas a questão não é essa. Obama está comprando mais uma briga com o Congresso e criando animosidades que no futuro podem paralisar sua administração. Ao invés de negociar, fornece combustível para grupos que chamam sua presidência de imperial e isolada do debate e para os republicanos mais conservadores ocuparem a mídia com ataques ao seu governo.
O Presidente hoje possui uma popularidade muito baixa, apesar de ter sido reeleito apenas um ano atrás. O debate político circula sempre sobre quem será seu sucessor. Se os republicanos tomarem o controle do Senado nas eleições que se avizinham, o governo Obama terá um fim melancólico e suas atitudes somente ajudam para isso acontecer. A personalidade do Presidente, quando se distancia do parlamento e age unilateralmente, somente serve para aumentar o fosso entre as duas maiores forças políticas. Ao contrário do que tem feito, ele foi eleito diminuir esta distância e apresentar um novo modo de fazer política. Infelizmente escolheu o antigo caminho da confrontação.
Além disso, sabemos muito pouco sobre o real impacto do aumento nos contratos federais, pois as bases em que se dará ainda são desconhecidas. Esta incerteza sobre os atos do governo e uma forma de fazer leis sem o devido debate nas casas eleitas para isso faz mal para imagem dos Estados Unidos. A forma transparente do debate legislativo fornece garantias democráticas para que os grupos afetados por uma nova proposta de lei possam se mobilizar e defender seus interesses.
Governar em ritmo de embate com o Congresso é perigoso. Sem maioria, Obama tem usado manobras e táticas para burlar o debate legislativo sob a justificativa de que o parlamento está paralisado. Bem, se continuar a assim, estará asfaltando a estrada por onde marchará a maioria republicana em alguns meses e talvez em 2016.
Poderíamos discutir como o estabelecimento de um valor de salário mínimo na verdade reduz o mínimo que poderia ser pago sem esta regulação, mas a questão não é essa. Obama está comprando mais uma briga com o Congresso e criando animosidades que no futuro podem paralisar sua administração. Ao invés de negociar, fornece combustível para grupos que chamam sua presidência de imperial e isolada do debate e para os republicanos mais conservadores ocuparem a mídia com ataques ao seu governo.
O Presidente hoje possui uma popularidade muito baixa, apesar de ter sido reeleito apenas um ano atrás. O debate político circula sempre sobre quem será seu sucessor. Se os republicanos tomarem o controle do Senado nas eleições que se avizinham, o governo Obama terá um fim melancólico e suas atitudes somente ajudam para isso acontecer. A personalidade do Presidente, quando se distancia do parlamento e age unilateralmente, somente serve para aumentar o fosso entre as duas maiores forças políticas. Ao contrário do que tem feito, ele foi eleito diminuir esta distância e apresentar um novo modo de fazer política. Infelizmente escolheu o antigo caminho da confrontação.
Além disso, sabemos muito pouco sobre o real impacto do aumento nos contratos federais, pois as bases em que se dará ainda são desconhecidas. Esta incerteza sobre os atos do governo e uma forma de fazer leis sem o devido debate nas casas eleitas para isso faz mal para imagem dos Estados Unidos. A forma transparente do debate legislativo fornece garantias democráticas para que os grupos afetados por uma nova proposta de lei possam se mobilizar e defender seus interesses.
Governar em ritmo de embate com o Congresso é perigoso. Sem maioria, Obama tem usado manobras e táticas para burlar o debate legislativo sob a justificativa de que o parlamento está paralisado. Bem, se continuar a assim, estará asfaltando a estrada por onde marchará a maioria republicana em alguns meses e talvez em 2016.
terça-feira, fevereiro 11, 2014
A Batalha pelo Senado
Os republicanos possuem a maioria na Câmara. Devem manter esta vantagem, podendo inclusive ser ampliada. Mas a grande batalha que se avizinha é pelo controle do Senado. Esta briga é mais importante do que se imagina. Na política americana, muitas vezes é mais importante possuir a maioria no Congresso do que a Casa Branca, pois a dinâmica da política por aqui é determinada pelo parlamento.
Se os republicanos alcançarem a maiora no Senado, Obama pode dar adeus a qualquer iniciativa ou projeto que tenha em mente para seus dois últimos anos na avenida Pennsylvania. O massacre sobre o governo democrata será brutal e certamente o GOP colocará a administração democrata para dançar conforme a sua música. Com um executivo enfraquecido e sem maioria parlamentar, o partido de Obama sai em desvantagem na eleição presidencial.
Esta é a importância das eleições para o Congresso que teremos este ano por aqui. Ela pode influir na dinâmica da política americana, influenciando inclusive a sucessão presidencial. Logo, os republicanos, de olho na Casa Branca em 2016, sabem que precisam mostrar musculatura em 2014. O jogo da sucessão já começou e o primeiro movimento será ainda este ano.
Cientes disso, os republicanos montaram uma máquina nacional de fazer política que está em funcionamento por todo o país. Onde não havia trabalho no passado, hoje vemos equipes de cinco a dez pessoas espalhadas pelos Estados Unidos em cada distrito em plena atividade, seja no mapeamento, como na análise de pesquisas e treinamento de candidatos. Os republicanos montaram uma estrutura profissional para vencer.
No aspecto da macropolítica, o partido precisa tomar uma decisão. Vencer com os candidatos mais fortes, mesmo que mais moderados, ou perder com a autenticidade dos mais mais conservadores. Segundo a direção do partido hoje, a primeira opção é a mais segura e será a escolhida, mesmo enfrentando resistências.
Manter a Câmara. Tomar o Senado. Paralisar os democratas. Estes são os primeiros passos dos republicanos em direção ao Salão Oval.
Se os republicanos alcançarem a maiora no Senado, Obama pode dar adeus a qualquer iniciativa ou projeto que tenha em mente para seus dois últimos anos na avenida Pennsylvania. O massacre sobre o governo democrata será brutal e certamente o GOP colocará a administração democrata para dançar conforme a sua música. Com um executivo enfraquecido e sem maioria parlamentar, o partido de Obama sai em desvantagem na eleição presidencial.
Esta é a importância das eleições para o Congresso que teremos este ano por aqui. Ela pode influir na dinâmica da política americana, influenciando inclusive a sucessão presidencial. Logo, os republicanos, de olho na Casa Branca em 2016, sabem que precisam mostrar musculatura em 2014. O jogo da sucessão já começou e o primeiro movimento será ainda este ano.
Cientes disso, os republicanos montaram uma máquina nacional de fazer política que está em funcionamento por todo o país. Onde não havia trabalho no passado, hoje vemos equipes de cinco a dez pessoas espalhadas pelos Estados Unidos em cada distrito em plena atividade, seja no mapeamento, como na análise de pesquisas e treinamento de candidatos. Os republicanos montaram uma estrutura profissional para vencer.
No aspecto da macropolítica, o partido precisa tomar uma decisão. Vencer com os candidatos mais fortes, mesmo que mais moderados, ou perder com a autenticidade dos mais mais conservadores. Segundo a direção do partido hoje, a primeira opção é a mais segura e será a escolhida, mesmo enfrentando resistências.
Manter a Câmara. Tomar o Senado. Paralisar os democratas. Estes são os primeiros passos dos republicanos em direção ao Salão Oval.
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
O Voto Latino
As projeções realizadas dentro do partido republicano são feitas dentro de um espectro de candidatos que vão de Chris Christie até Rand Paul, passando por Marco Rubio, Scott Walker e Ted Cruz. Todas, entretanto, não consideram o nome do ex-governador da Florida, Jeb Bush, como candidato. Mas talvez seu nome volte ao cenário em breve.
A possível entrada de Jeb Bush mexe com todo o cenário republicano. Se ele decidir concorrer, a estrutura muda, pois ele tem um amplo leque de apoios entre doadores, tanto na Flórida como nacionalmente, e penetração em partes do partido que podem consolidar seu nome. Entraria nas primárias extremamente competitivo.
A campanha de Jeb nasceria na Flórida. A primeira baixa seria Marco Rubio. Aqui em Miami, onde pude pesquisar melhor sobre o assunto e conversar com algumas lideranças políticas, vejo que esta possibilidade é real. Jeb, um conservador em temas sociais e um liberal em termos econômicos, possui uma enorme penetração dentro do Tea Party e, no espectro da Flórida, consegue alcançar doares de campanha que teriam que escolher entre seu nome e o de Rubio. Jeb sai em vantagem.
Rubio teria um problema. Ele encarna a figura do latino que tanto o partido necessita, mas como um filho do Tea Party, tende a vir com uma posição mais dura em relação a imigração, o que pode enfraquecê-lo em sua principal base eleitoral. Jeb tem um currículo para apresentar como governador da Flórida e isto faz diferença em seu favor.
Um outro fator que enfraquece Rubio é Susana Martinez, governadora do Novo México. Republicana, latina e mulher, é a equação perfeita para a candidata a vice, especialmente se Hillary sair como candidata. Martinez seria a vice perfeita para Scott Walker, Chris Christie e Jeb Bush. Estive com grupos ligados aos latinos por aqui e ouvi que seu nome é bem aceito por todos os espectros, desde imigrantes cubanos aos mexicanos.
A Flórida e o voto latino terão um peso importante nesta eleição, seja com Bush, Rubio ou Martinez. Se os republicanos entenderem esta equação, estarão com metade da eleição nas mãos.
terça-feira, fevereiro 04, 2014
Reforma Adiada
A esperada reforma no sistema de imigração dos Estados Unidos não sai este ano. Na última semana Barack Obama falou sobre esta necessidade em seu discurso no Congresso. No último ano um grupo suprapartidário elaborou uma proposta. Mas nada adiantou. As visões antagônicas entre democratas em republicanos evitarão que qualquer coisa saia do papel com esta formatacão do parlamento.
Hoje os republicanos tem maioria na Câmara e os democratas no Senado. O jogo, portanto, é de soma zero. Se algo ainda sair desta disputa, corre-se o risco de Obama vetar. Diante de tantos obstáculos, aqueles que circulam pelo Capitólio são taxativos em assegurar que dali não sai reforma alguma neste ano.
O principal ponto de discórdia é o mais conhecido. Enquanto os democratas querem um caminho para cidadania, os republicanos querem apenas legalizar os ilegais. O efeito mais direto é que cidadãos votam e os apenas legalizados ainda precisarão esperar uns anos para depositar seus votos para qualquer um dos partidos. Em um momento de avanço dos democratas no território republicano, todo o cuidado é pouco.
Ainda ontem conversava sobre o assunto com um republicano. O intrigante é que o voto dos imigrantes sempre foi voltado para o GOP, que defendem uma agenda de menor intervenção do Estado na economia. Como a esmagadora maioria de imigrantes sempre foi de pequenos empreendedores, estes sempre foram um voto maciço republicano.
Mas desde a eleição de Obama isto vem mudando. A eleição tem sido mais uma questão de identidade das minorias do que de uma agenda real. Os democratas, que viraram o Colorado de republicano para democrata em dez anos, mostraram como se faz. Existe inclusive um manual político de como converter um território republicano em um bastião democrata.
Portanto, os republicanos, com maioria na Câmara impedirão um acordo com acesso pleno para cidadania, enquanto os democratas no Senado não aprovam coisa alguma sem este ponto. O resultado é que milhões de imigrantes seguirão na ilegalidade esperando pelo novo parlamento que será eleito em poucos meses. Como a tendência é de ser maioria republicana, as notícias não são boas para este contingente que é parte importante da força de trabalho do país.
Hoje os republicanos tem maioria na Câmara e os democratas no Senado. O jogo, portanto, é de soma zero. Se algo ainda sair desta disputa, corre-se o risco de Obama vetar. Diante de tantos obstáculos, aqueles que circulam pelo Capitólio são taxativos em assegurar que dali não sai reforma alguma neste ano.
O principal ponto de discórdia é o mais conhecido. Enquanto os democratas querem um caminho para cidadania, os republicanos querem apenas legalizar os ilegais. O efeito mais direto é que cidadãos votam e os apenas legalizados ainda precisarão esperar uns anos para depositar seus votos para qualquer um dos partidos. Em um momento de avanço dos democratas no território republicano, todo o cuidado é pouco.
Ainda ontem conversava sobre o assunto com um republicano. O intrigante é que o voto dos imigrantes sempre foi voltado para o GOP, que defendem uma agenda de menor intervenção do Estado na economia. Como a esmagadora maioria de imigrantes sempre foi de pequenos empreendedores, estes sempre foram um voto maciço republicano.
Mas desde a eleição de Obama isto vem mudando. A eleição tem sido mais uma questão de identidade das minorias do que de uma agenda real. Os democratas, que viraram o Colorado de republicano para democrata em dez anos, mostraram como se faz. Existe inclusive um manual político de como converter um território republicano em um bastião democrata.
Portanto, os republicanos, com maioria na Câmara impedirão um acordo com acesso pleno para cidadania, enquanto os democratas no Senado não aprovam coisa alguma sem este ponto. O resultado é que milhões de imigrantes seguirão na ilegalidade esperando pelo novo parlamento que será eleito em poucos meses. Como a tendência é de ser maioria republicana, as notícias não são boas para este contingente que é parte importante da força de trabalho do país.
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
Rebeldia Democrata
Quem acredita que apenas os republicanos enfrentam problemas internos, não conhece o partido democrata. Existem vários grupos e inclinações dentro do Congresso, mas é em especial no Senado que a situação é mais preocupante, pois sendo a única casa legislativa onde Obama tem maioria, qualquer rebeldia pode colocar em xeque a estabilidade das ações de governo.
A Câmara é hoje um território republicano. Liderados por John Boehner e Eric Cantor, a oposição tem pleno controle das ações, agenda de votações e iniciativas. Já no Senado a realidade é diferente. Ali os democratas conseguiram manter o controle, mas como não é uma maioria tão confortável quanto a republicana na Câmara, qualquer falha na negociação interna pode colocar projetos em risco e deixar indicações engavetadas. O comando da bancada precisa ser exercido com muito cuidado e habilidade.
Por isso preocupam as últimas notícias de ataques de rebeldia de alguns senadores democratas, pois cada um de seus votos pode fazer uma diferença enorme no cômputo de aprovação de iniciativas de Barack Obama. A reação ao ímpeto imperial do Presidente, dizendo que tomaria ações unilaterais, caso o Congresso não agisse, não afetou somente o brio dos republicanos, afinal alguns democratas tiveram coragem de reagir. O senador John Manchin, de West Virginia foi um deles.
Além da situação citada no discurso da semana passada, Obama enfrenta críticas por outras ações. A violação do sigilo telefônico de jornalistas, além da bisbilhotagem da NSA sobre os americanos e líderes estrangeiros não pegou bem. O senador Martin Heinrich do Novo México é um democrata, mas um ferrenho crítico destas ações. O mesmo ocorre com o senador, também democrata, do Oregon, Roy Widen, membro do comitê de inteligência, com quem conversei pessoalmente em outubro passado sobre o assunto.
A posição de alguns senadores também possui relação direta com as eleições deste ano. Um terço do Senado buscará reeleição e existem alguns senadores democratas eleitos por estados de tendência republicana, portanto Obama se tornou radioativo para estes parlamentares. Ou seja, a proximidade com o Presidente pode custar-lhes o mandato.
Por tudo isso, o Senado se tornou um terreno perigoso para Obama. O próprio líder, Herry Reid, do Nevada, já mandou seu recado para a Casa Branca. Se para Barack Obama a situação na Câmara já é difícil, se faltar habilidade política, as coisas podem se complicar também no Senado.
A Câmara é hoje um território republicano. Liderados por John Boehner e Eric Cantor, a oposição tem pleno controle das ações, agenda de votações e iniciativas. Já no Senado a realidade é diferente. Ali os democratas conseguiram manter o controle, mas como não é uma maioria tão confortável quanto a republicana na Câmara, qualquer falha na negociação interna pode colocar projetos em risco e deixar indicações engavetadas. O comando da bancada precisa ser exercido com muito cuidado e habilidade.
Por isso preocupam as últimas notícias de ataques de rebeldia de alguns senadores democratas, pois cada um de seus votos pode fazer uma diferença enorme no cômputo de aprovação de iniciativas de Barack Obama. A reação ao ímpeto imperial do Presidente, dizendo que tomaria ações unilaterais, caso o Congresso não agisse, não afetou somente o brio dos republicanos, afinal alguns democratas tiveram coragem de reagir. O senador John Manchin, de West Virginia foi um deles.
Além da situação citada no discurso da semana passada, Obama enfrenta críticas por outras ações. A violação do sigilo telefônico de jornalistas, além da bisbilhotagem da NSA sobre os americanos e líderes estrangeiros não pegou bem. O senador Martin Heinrich do Novo México é um democrata, mas um ferrenho crítico destas ações. O mesmo ocorre com o senador, também democrata, do Oregon, Roy Widen, membro do comitê de inteligência, com quem conversei pessoalmente em outubro passado sobre o assunto.
A posição de alguns senadores também possui relação direta com as eleições deste ano. Um terço do Senado buscará reeleição e existem alguns senadores democratas eleitos por estados de tendência republicana, portanto Obama se tornou radioativo para estes parlamentares. Ou seja, a proximidade com o Presidente pode custar-lhes o mandato.
Por tudo isso, o Senado se tornou um terreno perigoso para Obama. O próprio líder, Herry Reid, do Nevada, já mandou seu recado para a Casa Branca. Se para Barack Obama a situação na Câmara já é difícil, se faltar habilidade política, as coisas podem se complicar também no Senado.
sexta-feira, janeiro 31, 2014
Imigração e Política
Depois do discurso de Obama, que mais uma vez tocou na questão na imigração, o Congresso passou a mobilizar seus líderes sobre o tema. O assunto é controverso entre os políticos, mas fácil de entender. A América possui um sistema de imigração falho que não premia a meritocracia na obtenção de residência ou cidadania. Portanto, não há incentivo para pessoas qualificadas, que acabam indo para o Canadá ou até mesmo Austrália, onde o sistema imigratório é montado de forma mais racional.
Se de um lado da moeda os imigrantes qualificados não tem incentivo para ficar, do outro os imigrantes ilegais não possuem um caminho claro para se legalizar. O projeto que surgiu em discussão no Senado trata dos qualificados, com um acesso especial para residência daqueles que estudam nos Estados Unidos disciplinas ligadas a engenharia, matemática e tecnologia da informação. Ou seja, aqueles que estudam a área de humanas não serão bem vindos para ficar, pois geram benefícios no médio e longo prazo, enquanto profissões com resultados e demanda mais imediata tem prioridade.
A questão dos imigrantes ilegais é um ponto de divergência hoje na agenda. A maioria dos democratas deseja que exista um caminho para a cidadania dos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais hoje nos Estados Unidos. Já os republicanos falam em legalização deste contingente, mas sem acesso, pelo menos neste primeiro momento, a cidadania. A motivação é clara, uma vez que cidadãos votam. Depois de tomar seguidas surras eleitorais nos territórios com maior percentual de imigrantes, os republicanos não querem correr o risco de mudar o mapa eleitoral dos Estados Unidos e perder o controle de um número ainda maior de estados. Colorado e Novo México, que já votaram com Bush na última década, em 2012 foram para a esfera de Obama.
Na verdade não existe uma vontade política de legalizar os imigrantes ilegais se não for uma motivação eleitoral. Os ilegais recolhem impostos na fonte (geralmente são contratados com número de social security em duplicidade), gastam dinheiro nos Estados Unidos - o que faz com que o paguem impostos sobre consumo, não recebem benefícios sociais, tampouco restituição de impostos e ainda podem ser deportados se violarem a lei. É uma mão-de-obra que somente gera benefícios. Muitos políticos, se não forem recolher seus votos, se perguntam qual o benefício de legalizá-los.
Na esfera política, a conta é feita desta maneira. A América, que já foi um país de imigrantes, tem um desafio pela frente. Uma pequena reforma imigratória está sendo gestada, mas a discordância sobre o caminho a seguir com os ilegais pode jogar fora o esforço feito até agora. Ontem ouvi de pessoas no Congresso que qualquer mudança neste sentido tem apenas 40% de chance de ocorrer. Pessoalmente acredito que as chances são muito menores.
Se de um lado da moeda os imigrantes qualificados não tem incentivo para ficar, do outro os imigrantes ilegais não possuem um caminho claro para se legalizar. O projeto que surgiu em discussão no Senado trata dos qualificados, com um acesso especial para residência daqueles que estudam nos Estados Unidos disciplinas ligadas a engenharia, matemática e tecnologia da informação. Ou seja, aqueles que estudam a área de humanas não serão bem vindos para ficar, pois geram benefícios no médio e longo prazo, enquanto profissões com resultados e demanda mais imediata tem prioridade.
A questão dos imigrantes ilegais é um ponto de divergência hoje na agenda. A maioria dos democratas deseja que exista um caminho para a cidadania dos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais hoje nos Estados Unidos. Já os republicanos falam em legalização deste contingente, mas sem acesso, pelo menos neste primeiro momento, a cidadania. A motivação é clara, uma vez que cidadãos votam. Depois de tomar seguidas surras eleitorais nos territórios com maior percentual de imigrantes, os republicanos não querem correr o risco de mudar o mapa eleitoral dos Estados Unidos e perder o controle de um número ainda maior de estados. Colorado e Novo México, que já votaram com Bush na última década, em 2012 foram para a esfera de Obama.
Na verdade não existe uma vontade política de legalizar os imigrantes ilegais se não for uma motivação eleitoral. Os ilegais recolhem impostos na fonte (geralmente são contratados com número de social security em duplicidade), gastam dinheiro nos Estados Unidos - o que faz com que o paguem impostos sobre consumo, não recebem benefícios sociais, tampouco restituição de impostos e ainda podem ser deportados se violarem a lei. É uma mão-de-obra que somente gera benefícios. Muitos políticos, se não forem recolher seus votos, se perguntam qual o benefício de legalizá-los.
Na esfera política, a conta é feita desta maneira. A América, que já foi um país de imigrantes, tem um desafio pela frente. Uma pequena reforma imigratória está sendo gestada, mas a discordância sobre o caminho a seguir com os ilegais pode jogar fora o esforço feito até agora. Ontem ouvi de pessoas no Congresso que qualquer mudança neste sentido tem apenas 40% de chance de ocorrer. Pessoalmente acredito que as chances são muito menores.
quinta-feira, janeiro 30, 2014
Estilo Perigoso
Quando Obama entrou no Capitólio para discursar, sua popularidade era a mesma de George W. Bush com seis anos de mandato: 43%. O apoio ao Presidente democrata vem caindo de forma consistente e tende a seguir o mesmo curso nos próximos meses. Na verdade o Presidente americano tende a chegar a patamares de popularidade inferiores aos de Bush pelo traçado das curvas das pesquisas.
O discurso desta semana poderia indicar uma mudança neste padrão. Entretanto, o que foi visto foi o contrário. Já escrevi aqui que o Presidente preferiu partir para o confronto ao invés de buscar a conciliação. Este foi o ponto fundamental. A estratégia de culpar o Congresso também vai na mesma direção.
Quando Bush chegou ao parlamento para discursar, no sexto ano de sua presidência, 48% daqueles que o ouviram tiveram uma reação positiva. Com Obama, no mesmo sexto ano, este número caiu para 44%, menor inclusive do que o alcançado no ano passado, 53%. A tendência vem embalada em dois aspectos: sua popularidade, que decresce a cada dia, e o tom de confronto adotado recentemente.
Na sua maioria, os espectadores não gostaram quando ele sugeriu, por exemplo, que poderia tomar ações executivas unilaterais. Quase 70% dos americanos desaprovam esta medida e dizem que preferem um Presidente que negocie com o Congresso. Por mais impopular que seja a classe política por aqui, os eleitores ainda acreditam que qualquer medida deve ser discutida com os parlamentares.
Apesar de a maioria da audiência ser democrata, assim como o Presidente que discursava, um dado curioso é que o número de espectadores do canal conservador, a Fox News (4.718.853), foi praticamente o dobro da CNN (2.081.431) e da MSNBC (2.292.169), identificada com o partido de Obama. Sinal de um movimento interessante do eleitorado.
Por fim, ao invés de mobilizar a militância democrata, talvez Obama esteja incendiando as massas republicanas. Diante destes números, as eleições parlamentares deste ano tendem a ser as mais polarizadas da história recente dos Estados Unidos.
O discurso desta semana poderia indicar uma mudança neste padrão. Entretanto, o que foi visto foi o contrário. Já escrevi aqui que o Presidente preferiu partir para o confronto ao invés de buscar a conciliação. Este foi o ponto fundamental. A estratégia de culpar o Congresso também vai na mesma direção.
Quando Bush chegou ao parlamento para discursar, no sexto ano de sua presidência, 48% daqueles que o ouviram tiveram uma reação positiva. Com Obama, no mesmo sexto ano, este número caiu para 44%, menor inclusive do que o alcançado no ano passado, 53%. A tendência vem embalada em dois aspectos: sua popularidade, que decresce a cada dia, e o tom de confronto adotado recentemente.
Na sua maioria, os espectadores não gostaram quando ele sugeriu, por exemplo, que poderia tomar ações executivas unilaterais. Quase 70% dos americanos desaprovam esta medida e dizem que preferem um Presidente que negocie com o Congresso. Por mais impopular que seja a classe política por aqui, os eleitores ainda acreditam que qualquer medida deve ser discutida com os parlamentares.
Apesar de a maioria da audiência ser democrata, assim como o Presidente que discursava, um dado curioso é que o número de espectadores do canal conservador, a Fox News (4.718.853), foi praticamente o dobro da CNN (2.081.431) e da MSNBC (2.292.169), identificada com o partido de Obama. Sinal de um movimento interessante do eleitorado.
Por fim, ao invés de mobilizar a militância democrata, talvez Obama esteja incendiando as massas republicanas. Diante destes números, as eleições parlamentares deste ano tendem a ser as mais polarizadas da história recente dos Estados Unidos.
quarta-feira, janeiro 29, 2014
Oportunidade Perdida
Obama entrou no Capitólio confiante. Discursou. Empolgou os democratas, mas nem todos. Diante de uma Casa Branca reativa, nem mesmo os democratas mais moderados tem a audácia de discordar do Presidente. O partido parece unido em torno do Presidente. Apenas parece. Do outro lado, os republicanos, de todos os lados ideológicos, de libertários aos conservadores, sentiam arrepios com o discurso.
Quem esperava um Obama convergente, procurando soluções comuns, uma agenda conjunta com os republicanos, se assustou. O Presidente surgiu combativo, quase imperial em alguns momentos. Sem propostas concretas, apostou na retórica e na sua capacidade de comunicação, mas no que tange a substância, o discurso circulou no vazio e parecia mais como uma preleção de vestiário de futebol, a popular palestra dada pelos treinadores antes do time entrar em campo, do que realmente uma prestação de contas.
Isto tem uma razão. Obama lançou os dados na mesa, começou o jogo das eleições parlamentares que ocorrerão este ano. Como os democratas devem continuar com minoria na Câmara, o Presidente luta para manter pelo menos o Senado, o que daria ainda um fôlego aos últimos anos de seu governo. Obama partiu para o ataque, jogou para a torcida, deu uma injeção de ânimo nos democratas e andou de mãos dadas com a ala populista de seu partido.
Se de um lado, a proposta de uma ampla agenda social, focada na ação do governo ao invés do indivíduo, algo que faria Thomas Jefferson ter calafrios, fornece o combustível para os democratas correrem atrás de votos, do outro gera perigo político. Jogando simplesmente para seu time, Obama aumentou o fosso que separa democratas e republicanos. Sem um compromisso de agenda comum, sua ação serviu para dividir ainda mais o país. Em última instância, do outro lado, é um discurso que ajuda a eleger republicanos ainda mais conservadores para a próxima legislatura.
A América, neste momento, precisa de uma agenda comum, de liderança, de alguém que pense na próxima geração ao invés da próxima eleição. Na verdade, esperava-se que Obama, no meio do segundo mandato, pudesse buscar este caminho. Ao contrário. Com o passar dos anos, o Presidente tem sido mais combativo e intransigente. Ninguém ganha com isso. O discurso de ontem foi mais uma oportunidade perdida. A mensagem mais importante de ontem foi que a mobilização para as eleições parlamentares deste ano já começou.
Quem esperava um Obama convergente, procurando soluções comuns, uma agenda conjunta com os republicanos, se assustou. O Presidente surgiu combativo, quase imperial em alguns momentos. Sem propostas concretas, apostou na retórica e na sua capacidade de comunicação, mas no que tange a substância, o discurso circulou no vazio e parecia mais como uma preleção de vestiário de futebol, a popular palestra dada pelos treinadores antes do time entrar em campo, do que realmente uma prestação de contas.
Isto tem uma razão. Obama lançou os dados na mesa, começou o jogo das eleições parlamentares que ocorrerão este ano. Como os democratas devem continuar com minoria na Câmara, o Presidente luta para manter pelo menos o Senado, o que daria ainda um fôlego aos últimos anos de seu governo. Obama partiu para o ataque, jogou para a torcida, deu uma injeção de ânimo nos democratas e andou de mãos dadas com a ala populista de seu partido.
Se de um lado, a proposta de uma ampla agenda social, focada na ação do governo ao invés do indivíduo, algo que faria Thomas Jefferson ter calafrios, fornece o combustível para os democratas correrem atrás de votos, do outro gera perigo político. Jogando simplesmente para seu time, Obama aumentou o fosso que separa democratas e republicanos. Sem um compromisso de agenda comum, sua ação serviu para dividir ainda mais o país. Em última instância, do outro lado, é um discurso que ajuda a eleger republicanos ainda mais conservadores para a próxima legislatura.
A América, neste momento, precisa de uma agenda comum, de liderança, de alguém que pense na próxima geração ao invés da próxima eleição. Na verdade, esperava-se que Obama, no meio do segundo mandato, pudesse buscar este caminho. Ao contrário. Com o passar dos anos, o Presidente tem sido mais combativo e intransigente. Ninguém ganha com isso. O discurso de ontem foi mais uma oportunidade perdida. A mensagem mais importante de ontem foi que a mobilização para as eleições parlamentares deste ano já começou.
terça-feira, janeiro 28, 2014
Comunicação Presidencial
"Ele deverá, de tempos em tempos, prestar informações ao Congresso sobre o Estado da União e recomendar medidas que julgar necessárias". Assim indica a Constituição dos Estados Unidos em seu segundo artigo, na seção de número três. Assim fazem os Presidentes americanos todo ano, reportando-se ao Congresso sobre as medidas tomadas e as iniciativas futuras. Obama cumprirá hoje pela sexta vez com sua obrigação constitucional.
Até a introdução maciça dos meios de comunicação, os Presidentes não tinham o hábito de realizar discursos. Muito pelo contrário. Não era bem visto ao Presidente que se expusesse desta forma. Lincoln, um grande orador, fez uma brilhante campanha embalado pela oratória, contudo, durante os anos aqui em Washington cumpriu a regra. Pouco se comunicou com o público além dos históricos momentos de sua posse e depois com o discurso de Gettysburg. Um dos motivos do processo de impeachment de Andrew Johnson, que sucedeu Lincoln, foi justamente seu hábito de realizar discursos e movimentar a sociedade.
Isto realmente mudou. Truman, por exemplo, em um ano durante sua Presidência, fez 88 discursos públicos. Reagan, o grande comunicador, que ensaiava todos os seus textos chegou a marca de 300 e Bill Clinton ultrapassou os 500. Se Andrew Johnson tivesse se tornado Presidente 100 anos depois, como ocorreu com Lyndon Johnson, certamente não teria vivido a mesma pressão.
Como historicamente os Presidentes se comunicavam pouco, o Estado da União era a grande oportunidade que os mandatários da Casa Branca tinham para expor sua visão sobre o país de forma clara e objetiva. Desta forma, este momento tornou-se um marco no calendário político dos Estados Unidos. O ritual permaneceu através dos tempos e hoje continua sendo um instrumento importante de comunicação política. Mesmo após o advento do rádio, televisão, internet e suas diversas plataformas, que tornou a palavra do Presidente acessível e diária, a tradição anual permanece - agora com as mídias exercendo um papel seminal.
Hoje pela manhã fui informado que Obama trabalha com sua equipe no discurso deste ano, que será realizado dentro de algumas horas, desde novembro. Ele precisa recobrar a confiança dos americanos diante de um parlamento hostil e dividido, mas que o próprio Presidente, como resultado de sua maneira de governar e negociar, ajudou a dividir e confrontar. Mais do que uma obrigação constitucional, desta vez Obama lutará pela sobrevivência de uma Presidência que nunca esteve tão desacreditada. Mais que um dever, uma necessidade.
Até a introdução maciça dos meios de comunicação, os Presidentes não tinham o hábito de realizar discursos. Muito pelo contrário. Não era bem visto ao Presidente que se expusesse desta forma. Lincoln, um grande orador, fez uma brilhante campanha embalado pela oratória, contudo, durante os anos aqui em Washington cumpriu a regra. Pouco se comunicou com o público além dos históricos momentos de sua posse e depois com o discurso de Gettysburg. Um dos motivos do processo de impeachment de Andrew Johnson, que sucedeu Lincoln, foi justamente seu hábito de realizar discursos e movimentar a sociedade.
Isto realmente mudou. Truman, por exemplo, em um ano durante sua Presidência, fez 88 discursos públicos. Reagan, o grande comunicador, que ensaiava todos os seus textos chegou a marca de 300 e Bill Clinton ultrapassou os 500. Se Andrew Johnson tivesse se tornado Presidente 100 anos depois, como ocorreu com Lyndon Johnson, certamente não teria vivido a mesma pressão.
Como historicamente os Presidentes se comunicavam pouco, o Estado da União era a grande oportunidade que os mandatários da Casa Branca tinham para expor sua visão sobre o país de forma clara e objetiva. Desta forma, este momento tornou-se um marco no calendário político dos Estados Unidos. O ritual permaneceu através dos tempos e hoje continua sendo um instrumento importante de comunicação política. Mesmo após o advento do rádio, televisão, internet e suas diversas plataformas, que tornou a palavra do Presidente acessível e diária, a tradição anual permanece - agora com as mídias exercendo um papel seminal.
Hoje pela manhã fui informado que Obama trabalha com sua equipe no discurso deste ano, que será realizado dentro de algumas horas, desde novembro. Ele precisa recobrar a confiança dos americanos diante de um parlamento hostil e dividido, mas que o próprio Presidente, como resultado de sua maneira de governar e negociar, ajudou a dividir e confrontar. Mais do que uma obrigação constitucional, desta vez Obama lutará pela sobrevivência de uma Presidência que nunca esteve tão desacreditada. Mais que um dever, uma necessidade.
segunda-feira, janeiro 27, 2014
Mitt
Ontem assisti ao documentário produzido pela Netflix sobre Mitt Romney. O programa é espetacular e deve ser visto por aqueles que se interessam por política. Os bastidores de ambas campanhas estão ali. Em 2008, quando ele abandonou a disputa nas primárias (eu estava lá e acompanhei o momento pessoalmente) e 2012, quando conseguiu a indicação e perdeu para Obama. Em certo ponto do vídeo, ele diz que o partido republicano hoje é sulista, evangélico e popular. Ele, ao contrário, veio do norte, é mórmon e rico.
Na verdade, Mitt poderia ser realmente o que Washington precisava nestes tempos, ou seja, alguém com experiência de sucesso em gestão. Mas ele também não deixou de ser o anti-candidato. Romney é o perfeito exemplo da América que pouco a pouco vai ficando para trás. Um novo país, decorrente de novas ondas de imigração e miscigenação vem sendo construído. Quem está atento a isso, vence eleições.
Ouvi de um amigo, brilhante analista, que a eleição se tornou uma questão de identidade. Ele está certo. As minorias, pouco a pouco vem se tornando maiorias quando votam em conjunto, e assim tem definido eleições. Portanto, a chapa que trazia o havaiano negro, filho de africano com uma americana, criado pelos avós, gerou uma imensa sensação de identidade no eleitorado. Bush, apesar de família tradicional, conseguiu a mesma proeza. Ele era o tipo meio turrão com o qual qualquer americano tomaria uma cerveja. Havia identidade. Enquanto Bush enfrentou Al Gore e Kerry, dois aristocratas, da última vez Obama venceu outro exemplar, Mitt Romney.
Portanto, está lançada a sorte para 2016. Hillary, apesar de mulher, é uma aristocrata. Logo, os republicanos tem tudo para vencer se escolherem o candidato certo. Neste cenário, Chris Christie é o nome certo. Bonachão, popular, governador de New Jersey, acessível, acima do peso e bipartidário. Christie, assim como Bush e Obama, geram identidade com o eleitor. Esta é a senha para o sucesso.
Em 2012 o partido democrata avançou pelo Colorado e Novo México, territórios tipicamente republicanos. Ali, os hispânicos fizeram a diferença em favor de Obama. Se o vice de Mitt Romney, ao invés de Paul Ryan, fosse um político de origem latina da Flórida, o resultado poderia ter sido outro. Uma nova América já é uma realidade eleitoral e ao invés de ser o ponto fraco de Mitt, poderia ter lhe dado a vitória.
Na verdade, Mitt poderia ser realmente o que Washington precisava nestes tempos, ou seja, alguém com experiência de sucesso em gestão. Mas ele também não deixou de ser o anti-candidato. Romney é o perfeito exemplo da América que pouco a pouco vai ficando para trás. Um novo país, decorrente de novas ondas de imigração e miscigenação vem sendo construído. Quem está atento a isso, vence eleições.
Ouvi de um amigo, brilhante analista, que a eleição se tornou uma questão de identidade. Ele está certo. As minorias, pouco a pouco vem se tornando maiorias quando votam em conjunto, e assim tem definido eleições. Portanto, a chapa que trazia o havaiano negro, filho de africano com uma americana, criado pelos avós, gerou uma imensa sensação de identidade no eleitorado. Bush, apesar de família tradicional, conseguiu a mesma proeza. Ele era o tipo meio turrão com o qual qualquer americano tomaria uma cerveja. Havia identidade. Enquanto Bush enfrentou Al Gore e Kerry, dois aristocratas, da última vez Obama venceu outro exemplar, Mitt Romney.
Portanto, está lançada a sorte para 2016. Hillary, apesar de mulher, é uma aristocrata. Logo, os republicanos tem tudo para vencer se escolherem o candidato certo. Neste cenário, Chris Christie é o nome certo. Bonachão, popular, governador de New Jersey, acessível, acima do peso e bipartidário. Christie, assim como Bush e Obama, geram identidade com o eleitor. Esta é a senha para o sucesso.
Em 2012 o partido democrata avançou pelo Colorado e Novo México, territórios tipicamente republicanos. Ali, os hispânicos fizeram a diferença em favor de Obama. Se o vice de Mitt Romney, ao invés de Paul Ryan, fosse um político de origem latina da Flórida, o resultado poderia ter sido outro. Uma nova América já é uma realidade eleitoral e ao invés de ser o ponto fraco de Mitt, poderia ter lhe dado a vitória.
sexta-feira, janeiro 24, 2014
Estratégia Republicana
Enquanto o frio chegava na capital americana esta semana, o partido republicano recebia também delegados de vários estados para discutir suas estratégias futuras. Depois de uma nevasca que fechou Washington na terça, os republicanos começaram na quarta-feira a discutir os melhores caminhos para manter o controle da Câmara, retomar o Senado, além do mais importante, voltar a comandar a Casa Branca.
Reunidos no hotel Renaissance, os republicanos focaram mesmo na estratégia para a eleição presidencial, em especial no calendário das primárias e a data da convenção que indica o candidato presidencial. A principal discussão girou em torno dos problemas enfrentados por Romney em 2012. Ele somente conseguiu ter acesso aos recursos nacionais de campanha do partido depois do dia 30 de agosto, quando ocorreu a convenção na Flórida. Esta espera afetou muito sua estratégia de eleitoral, já que o partido permaneceu engessado, sem acesso aos fundos de campanha durante todo o verão. Neste meio tempo, Obama abriu uma margem que assegurou sua vitória.
A idéia, portanto, é antecipar a convenção, para que o candidato possa acessar estes fundos o quanto antes, antecipando o calendário eleitoral e aumentando o tempo de campanha propriamente dito. Ao invés do final de agosto, a convenção será em junho e o candidato republicano poderá, a partir desta data, financiar todo o aparato do partido, em especial dos recursos para comerciais de TV. É um enorme diferencial.
Isto fará também com que o tempo de primárias diminua. Ouvi dos representantes do partido reunidos no encontro que o objetivo é tentar diminuir o tempo de embate interno e focar na eleição propriamente dita. Faz enorme sentido. As primárias republicanas começarão em fevereiro, com Iowa, Carolina do Sul, Nevada e New Hampshire.
Aqui no encontro também começou a campanha para a escolha da cidade que sediará a convenção. Kansas City, Las Vegas, Detroit, entre outras, já apresentaram candidatura. Mas pessoalmente, acredito que a escolha mais acertada seria por Columbus, Ohio. Sabemos da importância deste estado na campanha eleitoral. O impulso que os republicanos podem receber de lá, não encontra paralelo, afinal, nenhum Presidente na história recente venceu sem Ohio.
O fato é que os republicanos, organizando-se desta forma, mexem nas regras da corrida presidencial, o que deve afetar também a estratégia dos democratas. Como já disse aqui, a campanha presidencial já começou.
Reunidos no hotel Renaissance, os republicanos focaram mesmo na estratégia para a eleição presidencial, em especial no calendário das primárias e a data da convenção que indica o candidato presidencial. A principal discussão girou em torno dos problemas enfrentados por Romney em 2012. Ele somente conseguiu ter acesso aos recursos nacionais de campanha do partido depois do dia 30 de agosto, quando ocorreu a convenção na Flórida. Esta espera afetou muito sua estratégia de eleitoral, já que o partido permaneceu engessado, sem acesso aos fundos de campanha durante todo o verão. Neste meio tempo, Obama abriu uma margem que assegurou sua vitória.
A idéia, portanto, é antecipar a convenção, para que o candidato possa acessar estes fundos o quanto antes, antecipando o calendário eleitoral e aumentando o tempo de campanha propriamente dito. Ao invés do final de agosto, a convenção será em junho e o candidato republicano poderá, a partir desta data, financiar todo o aparato do partido, em especial dos recursos para comerciais de TV. É um enorme diferencial.
Isto fará também com que o tempo de primárias diminua. Ouvi dos representantes do partido reunidos no encontro que o objetivo é tentar diminuir o tempo de embate interno e focar na eleição propriamente dita. Faz enorme sentido. As primárias republicanas começarão em fevereiro, com Iowa, Carolina do Sul, Nevada e New Hampshire.
Aqui no encontro também começou a campanha para a escolha da cidade que sediará a convenção. Kansas City, Las Vegas, Detroit, entre outras, já apresentaram candidatura. Mas pessoalmente, acredito que a escolha mais acertada seria por Columbus, Ohio. Sabemos da importância deste estado na campanha eleitoral. O impulso que os republicanos podem receber de lá, não encontra paralelo, afinal, nenhum Presidente na história recente venceu sem Ohio.
O fato é que os republicanos, organizando-se desta forma, mexem nas regras da corrida presidencial, o que deve afetar também a estratégia dos democratas. Como já disse aqui, a campanha presidencial já começou.
quinta-feira, janeiro 23, 2014
Obama vai ao Congresso
Na próxima semana Obama apresenta-se ao Congresso. O discurso é o mais importante do ano e já está sendo escrito tem semanas, talvez meses. Diante de um Congresso hostil e aprovação decadente, o Presidente apresentará suas prioridades para o ano e falará também daquilo que foi realizado. Certamente ele se valerá das vitórias, especialmente na área internacional, por mais discutíveis que sejam, mas precisará tocar em um ponto fundamental que não vai bem: a economia.
Entre os eleitores independentes, a política econômica de Obama é desaprovada por 60%. No cômputo geral, 56% acham que a economia segue um caminho equivocado. Apesar de 61% dos democratas estarem a favor, 79% dos republicanos estão contra. Na média, a Casa Branca perde, mas é entre os independentes, aqueles que decidem a eleição, é onde os números mais preocupam. Entretanto, sendo a favor ou contra, 77% dos americanos acreditam que a economia vai mal. Este é um número significativo.
Mesmo na área internacional, onde Obama acredita ter alcançado resultados importantes, o que na verdade ocorreu, sua aprovação vai em percentuais muito fracos. Apenas 39% aprovam, enquanto 47% se colocam contra. A aproximação com o Irã, por exemplo, apesar de importante, não é vista com bons olhos pela maioria dos republicanos. Além disso, ainda pesa o baile que a administração americana tomou da Rússia na questão da Síria, com direito a editorial de Putin no New York Times. Os americanos sentiram-se diminuídos.
Mas Obama acredita que tem um trunfo nas mãos. Seu projeto para a saúde. Mas falta acertar ainda com o público, já que 56% são contra o Obamacare e 59% enxergam que ele não soube lidar bem com a implementação do plano, que ainda encontra problemas. Mas quanto a isso Obama está tranquilo. Ele venceu esta disputa e enxerga que no longo prazo os americanos entenderão sua iniciativa. Aqui, ele joga para a história.
Quando Obama entrar no Congresso, 67% dos americanos estarão assistindo, diz o Instituto de pesquisas da Universidade de Quinnipiac. Neste momento 49% do país acredita que ele não é verdadeiro e confiável. Obama precisará caprichar na retórica e mostrar resultados.
Entre os eleitores independentes, a política econômica de Obama é desaprovada por 60%. No cômputo geral, 56% acham que a economia segue um caminho equivocado. Apesar de 61% dos democratas estarem a favor, 79% dos republicanos estão contra. Na média, a Casa Branca perde, mas é entre os independentes, aqueles que decidem a eleição, é onde os números mais preocupam. Entretanto, sendo a favor ou contra, 77% dos americanos acreditam que a economia vai mal. Este é um número significativo.
Mesmo na área internacional, onde Obama acredita ter alcançado resultados importantes, o que na verdade ocorreu, sua aprovação vai em percentuais muito fracos. Apenas 39% aprovam, enquanto 47% se colocam contra. A aproximação com o Irã, por exemplo, apesar de importante, não é vista com bons olhos pela maioria dos republicanos. Além disso, ainda pesa o baile que a administração americana tomou da Rússia na questão da Síria, com direito a editorial de Putin no New York Times. Os americanos sentiram-se diminuídos.
Mas Obama acredita que tem um trunfo nas mãos. Seu projeto para a saúde. Mas falta acertar ainda com o público, já que 56% são contra o Obamacare e 59% enxergam que ele não soube lidar bem com a implementação do plano, que ainda encontra problemas. Mas quanto a isso Obama está tranquilo. Ele venceu esta disputa e enxerga que no longo prazo os americanos entenderão sua iniciativa. Aqui, ele joga para a história.
Quando Obama entrar no Congresso, 67% dos americanos estarão assistindo, diz o Instituto de pesquisas da Universidade de Quinnipiac. Neste momento 49% do país acredita que ele não é verdadeiro e confiável. Obama precisará caprichar na retórica e mostrar resultados.
terça-feira, janeiro 21, 2014
A Recuperação de Christie
Enquanto Chris Christie toma posse para seu segundo mandato como Governador de New Jersey, as especulações sobre a crise política que ronda sua imagem continuam. A campanha contra Christie tem sido intensa, especialmente pela imprensa especializada em política, entretanto isto não tem se traduzido em desgaste real de sua imagem frente ao eleitor.
Dos 18% que acompanharam as denúncias de uso político do fechamento de faixas da ponte George Washington, 60% disseram que sua opinião sobre o Governador não mudou. Vejam bem, estes números são nacionais. Em Washington ou New Jersey, aqui do lado, o assunto teve forte repercussão inicial, mas no resto dos Estados Unidos a história não tem o mesmo impacto.
Apesar do desgaste em seu estado, Christie ainda tem uma vantagem confortável. Sua aprovação desceu de 74% para 55%. Vemos que mesmo com a queda, no pior momento, o Governador ainda tem folgada aprovação. Estes números tendem a se acomodar e subir logo depois que o assunto perder força. É bom que lembrar que, no Brasil, os números de Dilma caíram durante as manifestações, mas depois subiram aos patamares anteriores meses após tudo se acomodar. É a ordem natural na política em situações como esta.
Logicamente, esta análise esta balizada no que vivemos até aqui, ou seja, considero que nenhum fato novo venha balançar a situação. Se algo novo acontecer envolvendo diretamente Christie, aí sim seus números podem entrar em sinal de alerta. Caso contrário, ele tende a vencer a crise.
Lembremos que também New Jersey, assim como Illinois (de onde veio Obama) não é o local onde é praticada a política, digamos, mais limpa dos Estados Unidos, logo a recuperação regional é mais rápida que na média. Logo, reerguendo-se regionalmente e sem o impacto nacional da crise política, o Governador tende a se levantar em tempo de enfrentar as primárias presidenciais. Os ataques promovidos pelos democratas, que culminaram neste episódio mostram que Christie é visto como um verdadeiro adversário. De certa forma, a campanha presidencial já começou.
Dos 18% que acompanharam as denúncias de uso político do fechamento de faixas da ponte George Washington, 60% disseram que sua opinião sobre o Governador não mudou. Vejam bem, estes números são nacionais. Em Washington ou New Jersey, aqui do lado, o assunto teve forte repercussão inicial, mas no resto dos Estados Unidos a história não tem o mesmo impacto.
Apesar do desgaste em seu estado, Christie ainda tem uma vantagem confortável. Sua aprovação desceu de 74% para 55%. Vemos que mesmo com a queda, no pior momento, o Governador ainda tem folgada aprovação. Estes números tendem a se acomodar e subir logo depois que o assunto perder força. É bom que lembrar que, no Brasil, os números de Dilma caíram durante as manifestações, mas depois subiram aos patamares anteriores meses após tudo se acomodar. É a ordem natural na política em situações como esta.
Logicamente, esta análise esta balizada no que vivemos até aqui, ou seja, considero que nenhum fato novo venha balançar a situação. Se algo novo acontecer envolvendo diretamente Christie, aí sim seus números podem entrar em sinal de alerta. Caso contrário, ele tende a vencer a crise.
Lembremos que também New Jersey, assim como Illinois (de onde veio Obama) não é o local onde é praticada a política, digamos, mais limpa dos Estados Unidos, logo a recuperação regional é mais rápida que na média. Logo, reerguendo-se regionalmente e sem o impacto nacional da crise política, o Governador tende a se levantar em tempo de enfrentar as primárias presidenciais. Os ataques promovidos pelos democratas, que culminaram neste episódio mostram que Christie é visto como um verdadeiro adversário. De certa forma, a campanha presidencial já começou.
segunda-feira, janeiro 20, 2014
O Partido de Hillary
Enquanto o país celebra o feriado em memória de Martin Luther King, os números não fornecem boas notícias para Obama. Sua aprovação continua baixa e a ligeira melhora da economia ainda não se refletiu em sua popularidade.
Na verdade ainda demorará um pouco até vermos a influência de uma sensível melhora afetar os números do Presidente. Os democratas, de qualquer forma, sentem-se pressionados. Existe o medo que a impopularidade de Obama afete a performance dos candidatos do partido nas eleições parlamentares deste ano.
Na verdade, como escrevi aqui, este é um fenômeno que ainda não aconteceu, entretanto, um perigo do qual o partido não está completamente livre. Na minha opinião, os números de Obama não afetarão os democratas. Vemos no momento um movimento do pêndulo de poder no partido na direção de Hillary Clinton.
Os Clinton dominam cada vez mais os democratas e devem ser fiadores dos candidatos que se apresentam este ano, pelo menos os mais importantes e estratégicos. Hillary já tem em mente toda a estrutura de campanha e o primeiro passo são estas eleições. Enquanto vemos o ocaso de Obama, enxergamos a estrela dos Clinton voltar a brilhar no partido democrata.
Obama vive o dilema de uma Presidência sem grandes iniciativas e muitos desgastes. Em entrevista para a New Yorker disse que muitos não gostam dele pelo fato de ser negro. Isto é infelizmente um fato e todos sabem, entretanto, o diferencial de Obama foi sempre se mostrar como um bom político independentemente de sua raça - fator que deve ser realmente irrelevante. Entretanto, jogar com esta situação nesta altura do campeonato, realmente não soa bem.
O Presidente soa um pouco perdido. Sinal do ocaso de seu termo. A maldição do segundo mandato realmente se instalou na Casa Branca. Os Clinton sabem disso e trabalham nos bastidores.
Na verdade ainda demorará um pouco até vermos a influência de uma sensível melhora afetar os números do Presidente. Os democratas, de qualquer forma, sentem-se pressionados. Existe o medo que a impopularidade de Obama afete a performance dos candidatos do partido nas eleições parlamentares deste ano.
Na verdade, como escrevi aqui, este é um fenômeno que ainda não aconteceu, entretanto, um perigo do qual o partido não está completamente livre. Na minha opinião, os números de Obama não afetarão os democratas. Vemos no momento um movimento do pêndulo de poder no partido na direção de Hillary Clinton.
Os Clinton dominam cada vez mais os democratas e devem ser fiadores dos candidatos que se apresentam este ano, pelo menos os mais importantes e estratégicos. Hillary já tem em mente toda a estrutura de campanha e o primeiro passo são estas eleições. Enquanto vemos o ocaso de Obama, enxergamos a estrela dos Clinton voltar a brilhar no partido democrata.
Obama vive o dilema de uma Presidência sem grandes iniciativas e muitos desgastes. Em entrevista para a New Yorker disse que muitos não gostam dele pelo fato de ser negro. Isto é infelizmente um fato e todos sabem, entretanto, o diferencial de Obama foi sempre se mostrar como um bom político independentemente de sua raça - fator que deve ser realmente irrelevante. Entretanto, jogar com esta situação nesta altura do campeonato, realmente não soa bem.
O Presidente soa um pouco perdido. Sinal do ocaso de seu termo. A maldição do segundo mandato realmente se instalou na Casa Branca. Os Clinton sabem disso e trabalham nos bastidores.
sexta-feira, janeiro 17, 2014
A Saída de Coburn
Poucos são os parlamentares que realmente fazem diferença dentro do Congresso. Muitos deles são figuras desconhecidas do grande público, mas que transitam nos corredores e gabinetes da capital com desenvoltura e enorme capacidade de solucionar questões importantes. Aqui em Washington, um dos mais efetivos parlamentares com quem já tive contato foi o senador Tom Coburn, de Oklahoma. Infelizmente ele acaba de anunciar que não concorrerá a reeleição e tampouco terminará seu mandato.
Coburn luta contra o câncer. Todos sabemos. Até o último mês as indicações eram de que ele seguiria a carreira política sem problemas. Infelizmente algo mudou e ele deixará Washington para seguir com seu tratamento. Richard Burr, senador republicano pela Carolina do Norte, disse que Coburn não consegue fazer nada em se doe menos do que 100%. Isto é um fato. Faz enorme sentido. Se o senador por Oklahoma não conseguir se doar por completo ao mandato, é porque se doará 100% para o tratamento.
Quem mais perde com tudo isso é o partido republicano, que perde uma de suas estrelas, um dos parlamentares mais efetivos e atuantes de Washington. Com a renúncia de Coburn, uma nova vaga será aberta e uma eleição deve ser realizada em Oklahoma, já que nos Estados Unidos não existe o fenômeno da suplente como no Brasil. O resultado é claro. Diante de um estado tradicionalmente conservador, o sucessor de Coburn será o indicado pelo partido e certamente com o peso a influência do atual senador na escolha do nome.
Coburn sai de cena e enfrentará um duro tratamento. Não sabemos como reagirá ou se terá forças para voltar. Mas deixa um legado inestimável em Washington. Sem alardes ou estrelismo foi um parlamentar atuante e eficaz. Levou o estado de Oklahoma e ter uma representação significativa na capital, tanto quando foi deputado e depois no Senado. Parlamentares como Coburn fazem a diferença em uma cidade tomada pelos radicalismos partidários e com poucas pontes que conduzem ao entendimento. Uma destas pontes será retirada. Cabe aprender como se faz política. Certamente esta é uma lições deixadas por ele. Um dos maiores nomes conservadores do país e amigo pessoal de Barack Obama.
Coburn luta contra o câncer. Todos sabemos. Até o último mês as indicações eram de que ele seguiria a carreira política sem problemas. Infelizmente algo mudou e ele deixará Washington para seguir com seu tratamento. Richard Burr, senador republicano pela Carolina do Norte, disse que Coburn não consegue fazer nada em se doe menos do que 100%. Isto é um fato. Faz enorme sentido. Se o senador por Oklahoma não conseguir se doar por completo ao mandato, é porque se doará 100% para o tratamento.
Quem mais perde com tudo isso é o partido republicano, que perde uma de suas estrelas, um dos parlamentares mais efetivos e atuantes de Washington. Com a renúncia de Coburn, uma nova vaga será aberta e uma eleição deve ser realizada em Oklahoma, já que nos Estados Unidos não existe o fenômeno da suplente como no Brasil. O resultado é claro. Diante de um estado tradicionalmente conservador, o sucessor de Coburn será o indicado pelo partido e certamente com o peso a influência do atual senador na escolha do nome.
Coburn sai de cena e enfrentará um duro tratamento. Não sabemos como reagirá ou se terá forças para voltar. Mas deixa um legado inestimável em Washington. Sem alardes ou estrelismo foi um parlamentar atuante e eficaz. Levou o estado de Oklahoma e ter uma representação significativa na capital, tanto quando foi deputado e depois no Senado. Parlamentares como Coburn fazem a diferença em uma cidade tomada pelos radicalismos partidários e com poucas pontes que conduzem ao entendimento. Uma destas pontes será retirada. Cabe aprender como se faz política. Certamente esta é uma lições deixadas por ele. Um dos maiores nomes conservadores do país e amigo pessoal de Barack Obama.
quinta-feira, janeiro 16, 2014
Vantagem Democrata
Os políticos andam em descrédito aqui em Washington. Do lado democrata, o desgaste é concentrado no Presidente, mas do lado republicano, todo o partido é afetado pelos números ruins. Os dois lados podem gerar resultados inesperados nas eleições para o Congresso este ano, com pequena margem favorável para os democratas.
O partido de Obama pode encontrar um caminho mais favorável nas urnas especialmente porque a imagem mais afetada no momento é a do Presidente. Apesar de a administração da Casa Branca sofrer com desgastes sucessivos, isto não se transfere diretamente para o partido. Os democratas praticamente já tem candidato para 2016, ou melhor candidata. Hillary Clinton é o nome que se impõe e deve vencer as prévias de forma avassaladora. As eleições deste ano, portanto, serão um terreno onde valerá mais o apoio dos Clinton do que de Obama.
Do lado republicano, o problema é mais sério. Existe uma falta de liderança dentro do partido. O Presidente da Câmara, John Boehner, não é unanimidade entre seus pares. Eric Cantor, líder da maioria, surge como um nome para substituí-lo. Cantor é mais hábil, mas também mais conservador. Identificado com o Tea Party, pode trazer problemas na relação com os democratas e a Casa Branca nos últimos dois anos de mandato de Obama.
A polarização exacerbada é aquilo que fere os partidos hoje, mas é algo latente nos republicanos, que sofrem com a pressão do Tea Party e a divisão interna entre estes, o movimento libertário e os moderados. Sem uma liderança que una o partido será difícil reverter este desgaste. Esta liderança pode surgir apenas nas primárias presidenciais, mas até lá será eleito um novo Congresso.
Ao fim e ao cabo, apesar do desgaste de Obama, os democratas aparecem melhor porque o Presidente carrega a impopularidade, preservando seu partido, que pouco a pouco começa a ser liderado novamente pelos Clinton. Do lado republicano ainda não surgiu um Clinton, alguém que una o partido e forneça rumo ao GOP. Considerando isso, existe uma chance maior dos democratas tomarem a Câmara ou diminuir a diferença para os republicanos, do que o GOP inverter a maioria no Senado.
O partido de Obama pode encontrar um caminho mais favorável nas urnas especialmente porque a imagem mais afetada no momento é a do Presidente. Apesar de a administração da Casa Branca sofrer com desgastes sucessivos, isto não se transfere diretamente para o partido. Os democratas praticamente já tem candidato para 2016, ou melhor candidata. Hillary Clinton é o nome que se impõe e deve vencer as prévias de forma avassaladora. As eleições deste ano, portanto, serão um terreno onde valerá mais o apoio dos Clinton do que de Obama.
Do lado republicano, o problema é mais sério. Existe uma falta de liderança dentro do partido. O Presidente da Câmara, John Boehner, não é unanimidade entre seus pares. Eric Cantor, líder da maioria, surge como um nome para substituí-lo. Cantor é mais hábil, mas também mais conservador. Identificado com o Tea Party, pode trazer problemas na relação com os democratas e a Casa Branca nos últimos dois anos de mandato de Obama.
A polarização exacerbada é aquilo que fere os partidos hoje, mas é algo latente nos republicanos, que sofrem com a pressão do Tea Party e a divisão interna entre estes, o movimento libertário e os moderados. Sem uma liderança que una o partido será difícil reverter este desgaste. Esta liderança pode surgir apenas nas primárias presidenciais, mas até lá será eleito um novo Congresso.
Ao fim e ao cabo, apesar do desgaste de Obama, os democratas aparecem melhor porque o Presidente carrega a impopularidade, preservando seu partido, que pouco a pouco começa a ser liderado novamente pelos Clinton. Do lado republicano ainda não surgiu um Clinton, alguém que una o partido e forneça rumo ao GOP. Considerando isso, existe uma chance maior dos democratas tomarem a Câmara ou diminuir a diferença para os republicanos, do que o GOP inverter a maioria no Senado.
quarta-feira, janeiro 15, 2014
Baixas Democratas
Se ontem escrevi sobre as baixas que o partido republicano sofrerá nas próximas eleições, hoje falo sobre os democratas. O partido de Barack Obama também perderá importantes parlamentares para a próxima legislatura, políticos que tinham reeleição assegurada, mas que resolveram deixar Washington. Alguns são figuras experientes, que farão muita falta, em especial em uma legislatura que viverá tempos de primárias eleitorais presidenciais e durante um período que o governo tende a não apresentar muitas iniciativas.
A primeira baixa vem de Utah, com Jim Matheson, deputado já eleito 7 vezes. A experiente Carolyn McCarthy, representante de Nova York há 18 anos, também deixará de disputar uma vaga na Câmara, deixando sua cadeira aberta para disputa. Também com 18 anos de Casa, Mike McIntyre, da Carolina do Norte, tomará o mesmo rumo. Apesar de experientes, nenhum deles possui o tempo de Congresso de George Miller, no seu vigésimo mandato. Miller tem 40 anos no Congresso e sua cadeira por seu distrito na Califórnia será ocupada por outro político depois de quatro décadas.
As desistências continuam do lado democrata com Jim Moran, da Virgínia e Bill Ownes, também de Nova York. Ownes está no Capitólio a apenas 3 mandatos. No Senado, Max Baucus, do Montana, com 6 eleições vencidas, também deixa o jogo. Tom Harkin de Iowa, com cinco vitórias tomará o mesmo rumo, além de Tim Johnson, da Dakota do Sul, eleito e reeleito 3 vezes. O experiente Carl Levin, do Michigan, com seis mandatos, deixará de concorrer, assim como Jay Rockfeller, de West Virgínia, com cinco vitórias no currículo.
A especulação sobre outras desistências no partido democrata são grandes, em especial nos estados do Colorado, Arizona, Arkansas e Carolina do Norte. Muitas disputadas serão abertas e as chances dos republicanos em muitos destes distritos ou Estados, no caso de eleições para o Senado, são grandes. Entretanto, os democratas estão mais organizados organicamente, sem a ruptura interna que o Tea Party causou nos republicanos. Isto diminui a possibilidade de perda de muitas cadeiras. Certamente este será um ano de realinhamento das bancadas aqui em Washington. Eleições disputadas no horizonte.
A primeira baixa vem de Utah, com Jim Matheson, deputado já eleito 7 vezes. A experiente Carolyn McCarthy, representante de Nova York há 18 anos, também deixará de disputar uma vaga na Câmara, deixando sua cadeira aberta para disputa. Também com 18 anos de Casa, Mike McIntyre, da Carolina do Norte, tomará o mesmo rumo. Apesar de experientes, nenhum deles possui o tempo de Congresso de George Miller, no seu vigésimo mandato. Miller tem 40 anos no Congresso e sua cadeira por seu distrito na Califórnia será ocupada por outro político depois de quatro décadas.
As desistências continuam do lado democrata com Jim Moran, da Virgínia e Bill Ownes, também de Nova York. Ownes está no Capitólio a apenas 3 mandatos. No Senado, Max Baucus, do Montana, com 6 eleições vencidas, também deixa o jogo. Tom Harkin de Iowa, com cinco vitórias tomará o mesmo rumo, além de Tim Johnson, da Dakota do Sul, eleito e reeleito 3 vezes. O experiente Carl Levin, do Michigan, com seis mandatos, deixará de concorrer, assim como Jay Rockfeller, de West Virgínia, com cinco vitórias no currículo.
A especulação sobre outras desistências no partido democrata são grandes, em especial nos estados do Colorado, Arizona, Arkansas e Carolina do Norte. Muitas disputadas serão abertas e as chances dos republicanos em muitos destes distritos ou Estados, no caso de eleições para o Senado, são grandes. Entretanto, os democratas estão mais organizados organicamente, sem a ruptura interna que o Tea Party causou nos republicanos. Isto diminui a possibilidade de perda de muitas cadeiras. Certamente este será um ano de realinhamento das bancadas aqui em Washington. Eleições disputadas no horizonte.
terça-feira, janeiro 14, 2014
Baixas Republicanas
O partido republicano mantém hoje o controle da Câmara aqui em Washington, enquanto os democratas controlam o Senado. Este equilíbrio pode mudar nas próximas eleições para o Congresso. Além da estratégia do lado mais conservador em desafiar internamente parlamentares moderados que desejam tentar a reeleição, muitos deputados e senadores simplesmente não buscarão a reeleição, deixando simplesmente aberta a disputa para suas vagas em seus distritos e estados.
Os parlamentes dispostos a deixar o Congresso são na sua maioria deputados de muitos mandatos, como o Spencer Bachus, do Alabama, que possui no currículo 11 vitórias eleitorais consecutivas para a Câmara. O mesmo caso de Howard Coble, da Carolina do Norte, eleito e reeleito 15 vezes ou Tom Lathan, de Iowa, com 10 vitórias no currículo. Mas nenhum deles bate Frank Wolf, deputado pela Virgínia, eleito 17 vezes, que deixará a vida parlamentar após 34 anos de Washington. Estes são os deputados com o maior número de mandatos entre os republicanos que irão se aposentar. Todos teriam uma reeleição segura e manteriam suas cadeiras do lado republicano.
Entre os parlamentares com menos mandatos, muitos deixarão também de buscar reeleição. A debandada começa com a ex-presidenciável Michele Bachmann, do Minnesota, com 4 mandatos. Mas a lista é maior. John Campbell também ficará de fora. Ele já foi eleito por um distrito da Califórnia 5 vezes, tendo 10 anos de experiência em Washington. Jim Gerlach, com 12 anos de experiência e 6 mandatos pela Pensilvânia, também abandonará a política. Tim Griffin, novato, com duas eleições vencidas no Arkansas deixará sua vaga aberta. John Runyan, de New Jersey, também com o mesmo número de mandatos, deixará a política. O mesmo caso do senador Saxby Chambliss, da Georgia. O senador Mike Johanns, com um mandato e eleito pelo Nebraska, é outro nome da lista.
A baixas republicanas, até o momento, serão maiores na Câmara, onde sua maioria é sólida, mas pode ser abalada dependendo do número de desistências e dos ataques internos dos grupos mais conservadores, que preferem perder com radicais do que vencer com moderados. No Senado, as desistências parecem ser menos significativas, mas por lá a maioria já é democrata. Tempos difíceis podem estar sendo desenhados para o futuro do GOP no Congresso.
Os parlamentes dispostos a deixar o Congresso são na sua maioria deputados de muitos mandatos, como o Spencer Bachus, do Alabama, que possui no currículo 11 vitórias eleitorais consecutivas para a Câmara. O mesmo caso de Howard Coble, da Carolina do Norte, eleito e reeleito 15 vezes ou Tom Lathan, de Iowa, com 10 vitórias no currículo. Mas nenhum deles bate Frank Wolf, deputado pela Virgínia, eleito 17 vezes, que deixará a vida parlamentar após 34 anos de Washington. Estes são os deputados com o maior número de mandatos entre os republicanos que irão se aposentar. Todos teriam uma reeleição segura e manteriam suas cadeiras do lado republicano.
Entre os parlamentares com menos mandatos, muitos deixarão também de buscar reeleição. A debandada começa com a ex-presidenciável Michele Bachmann, do Minnesota, com 4 mandatos. Mas a lista é maior. John Campbell também ficará de fora. Ele já foi eleito por um distrito da Califórnia 5 vezes, tendo 10 anos de experiência em Washington. Jim Gerlach, com 12 anos de experiência e 6 mandatos pela Pensilvânia, também abandonará a política. Tim Griffin, novato, com duas eleições vencidas no Arkansas deixará sua vaga aberta. John Runyan, de New Jersey, também com o mesmo número de mandatos, deixará a política. O mesmo caso do senador Saxby Chambliss, da Georgia. O senador Mike Johanns, com um mandato e eleito pelo Nebraska, é outro nome da lista.
A baixas republicanas, até o momento, serão maiores na Câmara, onde sua maioria é sólida, mas pode ser abalada dependendo do número de desistências e dos ataques internos dos grupos mais conservadores, que preferem perder com radicais do que vencer com moderados. No Senado, as desistências parecem ser menos significativas, mas por lá a maioria já é democrata. Tempos difíceis podem estar sendo desenhados para o futuro do GOP no Congresso.
quinta-feira, janeiro 09, 2014
Christie e a Crise
Quando alguém é pré-candidato presidencial com reais chances de vencer uma eleição, em especial nos Estados Unidos, a pressão começa a subir. A temperatura se elevou em New Jersey e dentro do bunker do mais bem colocado nome republicano para chegar a Casa Branca, o governador Chris Christie.
A denúncia é de que assessores do Governador usaram o poder de seus gabinetes para atrapalhar a vida de um prefeito democrata, na cidade de Fort Lee. Por ali passa a ponte mais importante dos Estados Unidos, a George Washington, e os assessores de Christie usaram seu poder para fechar algumas das pistas sob a justificativa de estarem fazendo estudos viários. O objetivo era para complicar a vida da população e consequentemente do prefeito Mark Sokolich. Com o fechamento de duas pistas causou-se um engarrafamento de proporções colossais.
A troca de emails entre a subchefe de gabinete de Christie e o Diretor de Port Authority com o objetivo de causar o tumulto foi revelada. Bridget Anne Kelly, já exonerada esta manhã, fez o pedido para David Wildstein, que deixou o cargo em dezembro. Foi atendida. Wildstein é conhecido de adolescência de Christie e havia sido nomeado por ele. A troca de emails é vergonhosa. Eles chamam o prefeito de Fort Lee de "pequeno sérvio", quando na realidade ele é de origem croata. Um comentário preconceituoso e infantil, mas infelizmente comum para pessoas com muito poder e pouca cultura.
Depois de tudo, hoje assisti por inteiro a entrevista coletiva de Christie. Foram duas horas completas respondendo perguntas dos jornalistas. Ele saiu-se bem, como era esperado. Pediu desculpas, chamou a responsabilidade para si e disse ter sido traído. Os desdobramentos serão mais importantes. De qualquer forma, ele mostrou que soube, até o momento, responder bem aos acontecimentos.
As críticas já começaram. Este é o primeiro round. Christie enfrentará vários se deseja chegar a Casa Branca. As comparações com Nixon, por exemplo, já começaram. Mas a política é um jogo onde o Governador sabe mover-se muito bem. Aqui, ao contrário do Brasil, escândalos abalam reputações e ceifam proeminentes carreiras políticas. Christie levou o primeiro golpe. Até agora soube responder.
A denúncia é de que assessores do Governador usaram o poder de seus gabinetes para atrapalhar a vida de um prefeito democrata, na cidade de Fort Lee. Por ali passa a ponte mais importante dos Estados Unidos, a George Washington, e os assessores de Christie usaram seu poder para fechar algumas das pistas sob a justificativa de estarem fazendo estudos viários. O objetivo era para complicar a vida da população e consequentemente do prefeito Mark Sokolich. Com o fechamento de duas pistas causou-se um engarrafamento de proporções colossais.
A troca de emails entre a subchefe de gabinete de Christie e o Diretor de Port Authority com o objetivo de causar o tumulto foi revelada. Bridget Anne Kelly, já exonerada esta manhã, fez o pedido para David Wildstein, que deixou o cargo em dezembro. Foi atendida. Wildstein é conhecido de adolescência de Christie e havia sido nomeado por ele. A troca de emails é vergonhosa. Eles chamam o prefeito de Fort Lee de "pequeno sérvio", quando na realidade ele é de origem croata. Um comentário preconceituoso e infantil, mas infelizmente comum para pessoas com muito poder e pouca cultura.
Depois de tudo, hoje assisti por inteiro a entrevista coletiva de Christie. Foram duas horas completas respondendo perguntas dos jornalistas. Ele saiu-se bem, como era esperado. Pediu desculpas, chamou a responsabilidade para si e disse ter sido traído. Os desdobramentos serão mais importantes. De qualquer forma, ele mostrou que soube, até o momento, responder bem aos acontecimentos.
As críticas já começaram. Este é o primeiro round. Christie enfrentará vários se deseja chegar a Casa Branca. As comparações com Nixon, por exemplo, já começaram. Mas a política é um jogo onde o Governador sabe mover-se muito bem. Aqui, ao contrário do Brasil, escândalos abalam reputações e ceifam proeminentes carreiras políticas. Christie levou o primeiro golpe. Até agora soube responder.
quarta-feira, janeiro 08, 2014
Líder Vacilante
Robert Gates é muito respeitado aqui em Washington. Ocupou a cadeira mais importante do Pentágono em duas administrações: Bush e Obama. Na verdade, dois governos que em tese seriam antagônicos e por fim possuem muitas semelhanças, tiveram no Secretário de Defesa uma linha de continuidade. Gates já deixou a administração Obama e traz em seu novo livro revelações interessantes sobre o processo decisório dentro da Casa Branca.Obama perdeu a confiança em seu próprio plano para o Afeganistão, revela Gates. O Presidente não possuía a confiança no General Petraus, em Hamid Karzai e no seu próprio plano. O Secretário de Defesa mostra o democrata como um líder vacilante, que toma decisões sozinho e contraria muitos de seus assessores. A dificuldade de Obama lidar com o círculo de assessores é conhecido, mas duvidar das próprias decisões é uma novidade.
Gates mostra sua discordância com Joe Biden, o vice de Obama "em praticamente todos os assuntos envolvendo política externa nos últimos 40 anos". Percebemos que Gates se dobrou a política de Obama ou Biden não possui a menor relevância no desenho das políticas externas da Casa Branca atual. O mais provável é Biden ter ficado de lado, uma vez que as políticas de Obama e Bush se relacionam muito na área de defesa. Em muitos pontos Obama aprofundou políticas iniciadas na Era Bush, como as criticadas medidas de monitoramento de informações.
Por fim, Hillary Clinton é elogiada por Gates, que revela também bastidores de conversas entre a Secretária e Obama, especialmente sobre sua posição em relação aos conflitos externos. Entretanto, no geral ele elogia Hillary por sua postura e suas atitudes. Ambos foram aliados em muitos assuntos dentro da administração.
Gates é uma figura emblemática. É muito respeitado e suas opiniões têm peso. Hillary aparece muito bem e isso pode ajudá-la com um eleitorado mais de centro, mostrando suas qualidades decisórias e posição firme em períodos delicados. Obama aparece mal. Um retrato do momento. As pesquisas mostram que 53,6% desaprovam seu trabalho 63% acham que os Estados Unidos vai na direção errada. O livro de Gates não ajuda Obama, mas não deixa de estar em sintonia com aquilo que pensam os americanos.
terça-feira, janeiro 07, 2014
Christie is back
O ano começou e Chris Christie continua seu trabalho de aproximação com os eleitores de centro e também com o eleitorado hispânico. Hoje ele assina o DREAM act que ajuda filhos de imigrantes ilegais que estiveram na High School a chegar ao College. Para boa parte conservadora do partido republicano, o Governador de New Jersey toma uma atitude temerária. Para os imigrantes, entretanto, é uma medida que faz diferença.Christie lida com a realidade. De nada adianta criar obstáculos para a educação de imigrantes ilegais. Por mais que a sociedade se posicione contra estes imigrantes, eles são o motor de uma economia que gira. Os imigrantes ilegais pagam impostos como qualquer americano sem receber qualquer benefício. É a melhor fonte de renda que qualquer governo sonha. Gritar contra os imigrantes ilegais é um bonito coro, mas na realidade, ninguém quer se ver livre deles, tanto que o governo sabe onde eles estão e eles permanecem aí. O Governador de New Jersey toma uma atitude que lida com a realidade. De nada adianta deixar a educação dos imigrantes ilegais em segundo plano, pois se nada for feito, a conta será cobrada no futuro e o custo será alto.
Apesar de sofrer rejeição da ala mais conservadora do partido, Christie não irá se indispor com uma nova parcela dos republicanos. Aqueles que o atacarão, serão os mesmos que já o atacam e apoiam outros pré-candidatos, como o texano Ted Cruz, por exemplo. Christie ganha, ao contrário do que se imagina, uma penetração maior ainda no eleitorado de centro, aquele que realmente define uma eleição.
Dizem que ele pode sofrer rejeição em Iowa, primeiro território do debate eleitoral. Duvido. Romney, considerado um moderado, não venceu ali por muito pouco. Além disso, a base conservadora, com Cruz e Rick Santorum, deve se dividir. Marco Rubio pode se juntar aos pré-candidatos, assim como o libertário Rand Paul, o que deixa Christie como o único moderado na disputa. Ele pode se beneficiar disso.
Na verdade, o que seus oponentes enxergam como uma fraqueza, pode ser o grande trunfo de Christie. Ele sabe disso. O DREAM act é apenas mais um passo nessa trajetória.
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