A candidatura está construída e divulgada. Marina Silva irá acompanhar Eduardo Campos na disputa presidencial. Tudo indica que realmente aceitou a vice e seguirá ao lado do líder do PSB. Digo isso porque as pesquisas mostram outra coisa. Marina segue firme em um consolidado segundo lugar forçando um segundo turno entre ela e Dilma. Quando o nome é Eduardo, a chapa despenca para um distante terceiro lugar, uma vez que, como vice, ela transfere apenas 35% do seu patrimônio eleitoral.
Apesar disso, Eduardo mostra-se confiante. Acredita que pode diminuir esta distância com o passar do tempo e a divulgação da chapa. Mais do que isso, será uma campanha em dupla. A estratégia do PSB é trabalhar com os dois juntos em todo material. Isto tende a colar a imagem de Marina na de Eduardo e aumentar a taxa de transferência de votos, hoje muito baixa. Se a estratégia funcionar, quem ficará em situação desconfortável será Aécio Neves.
Mas a entrada de Marina ainda não gerou o efeito desejado. Se de um lado não ajuda, do outro pode inclusive atrapalhar. Até a entrada dela na candidatura, Eduardo mostra-se como uma terceira-via, um político que enxergava o tabuleiro político com sabedoria e sabia mover-se com inteligência entre situação e oposição. Mantinha o eleitorado de esquerda, aproximava-se de setores mais conservadores, inclusive do agronegócio, e partia do Nordeste, com a chance de varrer os votos da região gerando problemas para o PT. Flertava com o PDT, PTB e inclusive o DEM para a formação da chapa. Com Marina ao seu lado, muita coisa muda.
Sua chegada, de saída, jogou o agronegócio para fora da campanha de Eduardo, jogando-o no colo do adversário Aécio Neves. Além disso, a maior qualidade do político do PSB, sua capacidade de articulação, trânsito e desembaraço com as alianças, pode ser podado pela chegada da postura purista de Marina. Caso ela continue a transferir apenas 35% do seu eleitorado, sua entrada pode ter gerado mais fraquezas que fortalezas para a campanha de Eduardo Campos.
Somente o tempo dirá se a aposta valeu a pena. Mas Eduardo sabe que a chegada de Marina mexeu nas estruturas de sua estratégia. O mantra repetido por Marina, que é melhor perder vencendo do que vencer perdendo, certamente não se aplica para o ex-Governador de Pernambuco, um político pragmático, mas que pode perder seu encanto tornando-se refém de Marina e suas convicções.
quarta-feira, abril 16, 2014
quarta-feira, abril 09, 2014
A Volta de Scott Brown
Quando Scott Brown foi eleito para a cadeira de Ted Kennedy em 2010, muitos republicanos se entusiasmaram, afinal ele era o primeiro membro do partido eleito senador desde 1972 em um estado dominado pelos democratas, Massachusetts. A alegria não durou muito. Logo depois, em 2012, enfrentou uma difícil reeleição e foi abatido pela democrata Elizabeth Warren, que inclusive possui sonhos presidenciais. Mas o fato foi que Scott Brown, fora do Senado desde 2013, começou a enxergar novas alternativas.
A mais clara estava ao seu lado, no estado de New Hampshire. Ainda no último ano escutei de alguns republicanos que Brown estava de mudança para o estado vizinho a fim de viabilizar sua candidatura ao Senado por lá. Este não é um fato comum na política americana, onde os políticos geralmente desenvolvem por anos um contato intenso com sua base eleitoral. Mas Brown pensou diferente e rumou para Rye, onde sua família agora tem residência.
O que se pergunta agora é se ele será aceito pelos eleitores do novo estado. Para isso ele alega que possui laços antigos com New Hampshire, ou seja, que seus pais se conheceram por lá e que passava suas férias desde criança na costa do estado. Mas será isso suficiente? O fato de que praticamente um em cada quatro moradores de New Hampshire tem origem em Massachusetts pode ajudá-lo, mas existe um outro fator que pode fazer diferença: comparado com o estado vizinho, tradicionalmente democrata, a nova casa de Brown conta com um maior contingente de eleitores republicanos e independentes.
Mas o caminho de Brown não será fácil. Ele enfrentará Jeanne Shaheen, um peso pesado dos democratas. Ela atualmente ocupa o assento em disputa este ano e traz no currículo a experiência de ter sido Governadora e ter trabalhado em três campanhas presidenciais. Suas credenciais como uma grande estrategista, contudo, não assustam os republicanos. Talvez o que mais assuste seja o desejo de Elizabeth Warren, que derrotou Brown em Massachusetts em 2012, em evitar que seu adversário volte para Washington. Warren está disposta a colocar seu exército de doadores de campanha em favor de Shaheen.
Mas os republicanos estão prontos para a briga. Brown já movimenta sua máquina de doadores conservadores de Massachusetts dispostos a desequilibrar a eleição em New Hampshire. O GOP também está focado em ajudar Brown, uma vez que sua vitória pode ajudar a virar a maioria no Senado. O campo de batalha agora é em New Hampshire.
A mais clara estava ao seu lado, no estado de New Hampshire. Ainda no último ano escutei de alguns republicanos que Brown estava de mudança para o estado vizinho a fim de viabilizar sua candidatura ao Senado por lá. Este não é um fato comum na política americana, onde os políticos geralmente desenvolvem por anos um contato intenso com sua base eleitoral. Mas Brown pensou diferente e rumou para Rye, onde sua família agora tem residência.
O que se pergunta agora é se ele será aceito pelos eleitores do novo estado. Para isso ele alega que possui laços antigos com New Hampshire, ou seja, que seus pais se conheceram por lá e que passava suas férias desde criança na costa do estado. Mas será isso suficiente? O fato de que praticamente um em cada quatro moradores de New Hampshire tem origem em Massachusetts pode ajudá-lo, mas existe um outro fator que pode fazer diferença: comparado com o estado vizinho, tradicionalmente democrata, a nova casa de Brown conta com um maior contingente de eleitores republicanos e independentes.
Mas o caminho de Brown não será fácil. Ele enfrentará Jeanne Shaheen, um peso pesado dos democratas. Ela atualmente ocupa o assento em disputa este ano e traz no currículo a experiência de ter sido Governadora e ter trabalhado em três campanhas presidenciais. Suas credenciais como uma grande estrategista, contudo, não assustam os republicanos. Talvez o que mais assuste seja o desejo de Elizabeth Warren, que derrotou Brown em Massachusetts em 2012, em evitar que seu adversário volte para Washington. Warren está disposta a colocar seu exército de doadores de campanha em favor de Shaheen.
Mas os republicanos estão prontos para a briga. Brown já movimenta sua máquina de doadores conservadores de Massachusetts dispostos a desequilibrar a eleição em New Hampshire. O GOP também está focado em ajudar Brown, uma vez que sua vitória pode ajudar a virar a maioria no Senado. O campo de batalha agora é em New Hampshire.
terça-feira, abril 08, 2014
Duas Ucrânias
Começam os primeiros sinais de revolta na parte leste da Ucrânia. Os movimentos iniciais são similares aos ocorridos na Crimea e aquilo que escrevi algumas semanas atrás pode estar se concretizando pouco a pouco. Uma guerra civil, aquilo que deveria ser mais temido pelo Ocidente, está sendo gestada desde a queda de Yanukovych, o que pode encaminhar a cisão do país em dois territórios.
A Ucrânia é uma porção de terra dividida por um rio, o Dniper. Do lado oeste temos uma região de colonização e influência ocidentais, de países como a Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, de predominância cristã, que deseja se aproximar da Europa. Do lado leste, uma região que foi o berço da cultura russa, que possui, em decorrência disso, maior identidade com Moscou e predominância religiosa ortodoxa.
Diante disso, desde a independência da União Soviética, a alternância de governos nacionais ucranianos sempre agradou um dos lados e desagradou o outro, chegando ao ápice com a Revolução Laranja de 2004 e agora com os protestos que apearam Yanukovych do poder. Desta vez, os desdobramentos foram além de Kiev, chegando a Crimea e agora a parte oriental do país.
A Crimea foi apenas o primeiro episódio. Vivemos agora o segundo capítulo. Diante de um governo pró-Ocidente, que se instalou em Kiev após a queda de Yanukovych, o lado oriental começou sua própria revolta, pedindo auxílio dos russos. Do outro lado da fronteira, Putin, depois de ter anexado a Crimea, sente-se pronto para atender aos pedidos de ajuda com uma tropa de 40.000 homens, assim como fez em Simferopol. Os principais pontos de revolta contra Kiev dentro da Ucrânia estão perto da fronteira com a Rússia, em Donetsk e Luhansk, mas já chegam também ao centro, em Kharkiv.
As forças de defesa ucranianas não conseguirão fazer frente aos russos, que tendem a começar uma ocupação similar ao que foi realizado na Crimea. A única chance de Kiev resistir ao lento avanço russo, seria contar com apoio militar do Ocidente. Caso isso não ocorra, diante de uma guerra civil, veremos surgir a possibilidade de um acordo para partilha da Ucrânia. O que hoje parece inverossímil, diante dos vacilos do Ocidente, poderá tornar-se a única saída, com a Rússia levando metade do território.
A Ucrânia é uma porção de terra dividida por um rio, o Dniper. Do lado oeste temos uma região de colonização e influência ocidentais, de países como a Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, de predominância cristã, que deseja se aproximar da Europa. Do lado leste, uma região que foi o berço da cultura russa, que possui, em decorrência disso, maior identidade com Moscou e predominância religiosa ortodoxa.
Diante disso, desde a independência da União Soviética, a alternância de governos nacionais ucranianos sempre agradou um dos lados e desagradou o outro, chegando ao ápice com a Revolução Laranja de 2004 e agora com os protestos que apearam Yanukovych do poder. Desta vez, os desdobramentos foram além de Kiev, chegando a Crimea e agora a parte oriental do país.
A Crimea foi apenas o primeiro episódio. Vivemos agora o segundo capítulo. Diante de um governo pró-Ocidente, que se instalou em Kiev após a queda de Yanukovych, o lado oriental começou sua própria revolta, pedindo auxílio dos russos. Do outro lado da fronteira, Putin, depois de ter anexado a Crimea, sente-se pronto para atender aos pedidos de ajuda com uma tropa de 40.000 homens, assim como fez em Simferopol. Os principais pontos de revolta contra Kiev dentro da Ucrânia estão perto da fronteira com a Rússia, em Donetsk e Luhansk, mas já chegam também ao centro, em Kharkiv.
As forças de defesa ucranianas não conseguirão fazer frente aos russos, que tendem a começar uma ocupação similar ao que foi realizado na Crimea. A única chance de Kiev resistir ao lento avanço russo, seria contar com apoio militar do Ocidente. Caso isso não ocorra, diante de uma guerra civil, veremos surgir a possibilidade de um acordo para partilha da Ucrânia. O que hoje parece inverossímil, diante dos vacilos do Ocidente, poderá tornar-se a única saída, com a Rússia levando metade do território.
segunda-feira, abril 07, 2014
Joaquim fora da disputa
O fato político mais importante do ano, até o momento, ocorreu na semana passada. Chegado o prazo para deixar o Supremo e concorrer nas eleições presidenciais, Joaquim Barbosa preferiu manter-se no cargo de ministro. Apesar do Presidente do STF ter dito que não deixaria sua posição para se candidatar, por vezes emitiu sinais dúbios, e o mais indicado seria esperar pelo fato.
As manifestações do último ano deixaram claro uma coisa: o eleitorado busca algo novo. Dois nomes despontaram nas pesquisas: Marina Silva e Joaquim Barbosa. Ambos foram os grandes beneficiados pela sucessão de protestos que tomou conta das ruas do Brasil. O Presidente do Supremo decidiu tirar seu time de campo e apostar em uma eventual candidatura em quatro anos. Se possui aspirações políticas, cometeu um erro. Vencer um pleito presidencial passa pelo momento e Joaquim estava vivendo o seu. Dificilmente chegará ao Planalto depois deste ano.
Se de um lado Joaquim perde o timing perfeito para buscar a cadeira de Presidente, do outro, sabemos que ele enfrentaria uma campanha dura. Os ataques já haviam começado e diante do temperamento de Joaquim, talvez sua falta de malícia em lidar com a política, sua maior fortaleza, poderia se transformar em sua maior fraqueza em uma campanha. Lembramos bem de como Ciro Gomes empinava em 2002 quando seu temperamento fez desmoronar sua candidatura em poucas semanas.
O eleitorado busca um Joaquim Barbosa. Na falta de sua apresentação para o jogo, procurará outro nome. Marina Silva na condição de vice, não consegue transferir votos para Eduardo Campos, que segue com a mesma rejeição de Aécio e Dilma. Existe um espaço para o novo. Existem dois nomes apontados pelas pesquisas, Joaquim e Marina, mas nenhum deles aparece como candidato neste ano.
Na falta de um nome novo, a tendência é de reeleição de Dilma, mesmo com as pesquisas evidenciando uma certa fraqueza momentânea. A política esperou por Joaquim até o último minuto, mas o ministro que preferiu a toga e adiou sua eventual entrada no ringue, pode ter desperdiçado sua maior, e até mesmo única, oportunidade de chegar ao Planalto.
As manifestações do último ano deixaram claro uma coisa: o eleitorado busca algo novo. Dois nomes despontaram nas pesquisas: Marina Silva e Joaquim Barbosa. Ambos foram os grandes beneficiados pela sucessão de protestos que tomou conta das ruas do Brasil. O Presidente do Supremo decidiu tirar seu time de campo e apostar em uma eventual candidatura em quatro anos. Se possui aspirações políticas, cometeu um erro. Vencer um pleito presidencial passa pelo momento e Joaquim estava vivendo o seu. Dificilmente chegará ao Planalto depois deste ano.
Se de um lado Joaquim perde o timing perfeito para buscar a cadeira de Presidente, do outro, sabemos que ele enfrentaria uma campanha dura. Os ataques já haviam começado e diante do temperamento de Joaquim, talvez sua falta de malícia em lidar com a política, sua maior fortaleza, poderia se transformar em sua maior fraqueza em uma campanha. Lembramos bem de como Ciro Gomes empinava em 2002 quando seu temperamento fez desmoronar sua candidatura em poucas semanas.
O eleitorado busca um Joaquim Barbosa. Na falta de sua apresentação para o jogo, procurará outro nome. Marina Silva na condição de vice, não consegue transferir votos para Eduardo Campos, que segue com a mesma rejeição de Aécio e Dilma. Existe um espaço para o novo. Existem dois nomes apontados pelas pesquisas, Joaquim e Marina, mas nenhum deles aparece como candidato neste ano.
Na falta de um nome novo, a tendência é de reeleição de Dilma, mesmo com as pesquisas evidenciando uma certa fraqueza momentânea. A política esperou por Joaquim até o último minuto, mas o ministro que preferiu a toga e adiou sua eventual entrada no ringue, pode ter desperdiçado sua maior, e até mesmo única, oportunidade de chegar ao Planalto.
terça-feira, abril 01, 2014
Jeb em Vegas
A coalizão judaica se reuniu no Nevada na última semana. Como escrevi em minha coluna no Diário do Poder da última semana, este é um evento fundamental para os pré-candidatos que possuem pretensões presidenciais. Dali surgem doações expressivas de campanha que podem reordenar os rumos dos pretendentes. Este ano, a coalizão resolver ouvir Chris Christie, o republicano mais bem posicionado nas pesquisas, mas também deixou a porta aberta para outros nomes.
A reunião foi fechada e segundo os comentários que circulam pelo mundo da política, Christie saiu-se bem, entretanto, o grupo ainda encontra-se cético em relação aos desdobramentos da crise política que se abateu sobre New Jersey diante do fechamento deliberado de faixas da ponte mais movimentada dos Estados Unidos. Os doadores gostaram de Christie, mas ainda precisam enxergar que o Governador saiu ileso deste episódio.
O orador mais esperado foi Jeb Bush, que falou na abertura. Segundo as informações dos bastidores, ele foi aquele que mais empolgou. Seria a melhor alternativa para os que estavam na reunião. Bush, entretanto, ainda não assumiu se deseja concorrer. Sou da opinião de que ele sairá candidato. Sua movimentação explícita em eventos de apoio a outros nomes do partido para as eleições deste ano e sua passagem por muitos estados evidenciam que algo está no ar. Somente por ter participado do encontro em Las Vagas, vemos seu interesse em concorrer.
Bush, portanto, seria o preferido. A coalizão, entretanto, deixou a porta aberta para outros nomes, caso o preferido não siga em frente em suas pretensões presidenciais. Christie segue sendo uma opção, mas precisa provar que venceu a crise. Diante deste quadro surgiram dois nomes: Scott Walker, presente no encontro, e Marco Rubio, que já deixou claro que deve entrar na disputa.
O fato é que o nome de Bush surgiu com muita força. Sua família tem as conexões necessárias para alavancar sua candidatura e o círculo mais importante de doadores deu seu aval. Resta ao ex-Governador da Flórida decidir. Se concorrer, larga com força dentro do partido.
A reunião foi fechada e segundo os comentários que circulam pelo mundo da política, Christie saiu-se bem, entretanto, o grupo ainda encontra-se cético em relação aos desdobramentos da crise política que se abateu sobre New Jersey diante do fechamento deliberado de faixas da ponte mais movimentada dos Estados Unidos. Os doadores gostaram de Christie, mas ainda precisam enxergar que o Governador saiu ileso deste episódio.
O orador mais esperado foi Jeb Bush, que falou na abertura. Segundo as informações dos bastidores, ele foi aquele que mais empolgou. Seria a melhor alternativa para os que estavam na reunião. Bush, entretanto, ainda não assumiu se deseja concorrer. Sou da opinião de que ele sairá candidato. Sua movimentação explícita em eventos de apoio a outros nomes do partido para as eleições deste ano e sua passagem por muitos estados evidenciam que algo está no ar. Somente por ter participado do encontro em Las Vagas, vemos seu interesse em concorrer.
Bush, portanto, seria o preferido. A coalizão, entretanto, deixou a porta aberta para outros nomes, caso o preferido não siga em frente em suas pretensões presidenciais. Christie segue sendo uma opção, mas precisa provar que venceu a crise. Diante deste quadro surgiram dois nomes: Scott Walker, presente no encontro, e Marco Rubio, que já deixou claro que deve entrar na disputa.
O fato é que o nome de Bush surgiu com muita força. Sua família tem as conexões necessárias para alavancar sua candidatura e o círculo mais importante de doadores deu seu aval. Resta ao ex-Governador da Flórida decidir. Se concorrer, larga com força dentro do partido.
sexta-feira, março 28, 2014
Rússia e Obama
A Rússia mexe com o brio dos americanos. Certamente ainda um resquício da Guerra Fria. Mas como lembrou Mitt Romney, durante a campanha de 2012, Moscou ainda representa uma ameaça aos Estados Unidos no tabuleiro geopolítico. Ridicularizado por Obama, perdeu a eleição, mas provou-se certo, enquanto o Presidente reeleito mostrou-se equivocado. A questão da Ucrânia e Crimeia veio justamente provar este fato.
Diante disso, muitos americanos se perguntam qual o real interesse de seu país no Leste Europeu. Ron Paul, porta-voz do movimento libertário, é contrário a qualquer tipo de ajuda ou intervenção, afinal, em sua concepção, o Ocidente ajudou a derrubar um governo...
Texto completo no Brasil Post: huff.to/1g3XYTZ
Diante disso, muitos americanos se perguntam qual o real interesse de seu país no Leste Europeu. Ron Paul, porta-voz do movimento libertário, é contrário a qualquer tipo de ajuda ou intervenção, afinal, em sua concepção, o Ocidente ajudou a derrubar um governo...
Texto completo no Brasil Post: huff.to/1g3XYTZ
quarta-feira, março 26, 2014
A Batalha de Boehner
John Boehner, republicano que dirige a Câmara, já sentiu que sua liderança é contestada dentro do partido. Nos corredores do Capitólio escuto os deputados falarem abertamente sobre sua substituição depois das eleições legislativas deste ano. O adversário até já se apresentou. Eric Cantor é considerada aposta certa para o lugar mais importante do Congresso.
Os motivos para Boehner estar sendo rifado por seus pares é simples. Muitos não gostam de seu posicionamento mais pragmático e negociador. Apesar de muitas vezes ser inflexível, quando necessário ele sabe ceder pelo bem do país, afinal existe um limite razoável para tudo, entretanto, muitos dos seus colegas não concordam com isso, buscam um posicionamento mais assertivo e agressivo em relação aos democratas.
A liderança na Câmara é o cargo mais importante do Congresso, uma vez que o Senado é presidido pelo Vice-Presidente dos Estados Unidos e por lá acaba mandando quem tem maioria na Casa. Na Câmara é diferente, existem as lideranças, mas existe a presidência. Hoje, Boehner responde pelo comando da Casa, mas o líder dos republicanos é Cantor, que almeja o cargo do colega.
Os republicanos manterão o comando na Câmara, isto é um fato. A dúvida ainda é sobre a possível virada no Senado, fundamental para asfaltar o caminho dos republicanos de volta ao Salão Oval. Se o Senado também cair nas mãos dos republicanos, o controle da agenda legislativa ficará totalmente nas mãos do GOP e Obama terá dois anos para fazer as malas, pois perderá o controle político de Washington.
Portanto, os dois anos que estão por vir tendem a ser de enorme projeção para aquele que dirigir a Câmara e Cantor sabe disso. Os grupos mais conservadores já negociam parte da agenda do partido sem consultar Boehner, mais um sintoma de que existe uma rebelião em seu partido. Diantes de tantas manobras e movimentos internos, ele precisará de muita habilidade para manter seu cargo.
Os motivos para Boehner estar sendo rifado por seus pares é simples. Muitos não gostam de seu posicionamento mais pragmático e negociador. Apesar de muitas vezes ser inflexível, quando necessário ele sabe ceder pelo bem do país, afinal existe um limite razoável para tudo, entretanto, muitos dos seus colegas não concordam com isso, buscam um posicionamento mais assertivo e agressivo em relação aos democratas.
A liderança na Câmara é o cargo mais importante do Congresso, uma vez que o Senado é presidido pelo Vice-Presidente dos Estados Unidos e por lá acaba mandando quem tem maioria na Casa. Na Câmara é diferente, existem as lideranças, mas existe a presidência. Hoje, Boehner responde pelo comando da Casa, mas o líder dos republicanos é Cantor, que almeja o cargo do colega.
Os republicanos manterão o comando na Câmara, isto é um fato. A dúvida ainda é sobre a possível virada no Senado, fundamental para asfaltar o caminho dos republicanos de volta ao Salão Oval. Se o Senado também cair nas mãos dos republicanos, o controle da agenda legislativa ficará totalmente nas mãos do GOP e Obama terá dois anos para fazer as malas, pois perderá o controle político de Washington.
Portanto, os dois anos que estão por vir tendem a ser de enorme projeção para aquele que dirigir a Câmara e Cantor sabe disso. Os grupos mais conservadores já negociam parte da agenda do partido sem consultar Boehner, mais um sintoma de que existe uma rebelião em seu partido. Diantes de tantas manobras e movimentos internos, ele precisará de muita habilidade para manter seu cargo.
terça-feira, março 25, 2014
O Fator Rand Paul
Se os democratas olharem com atenção para Rand Paul, eles enxergam um adversário que pode assustar. O Senador republicano por Kentucky carrega uma conexão com a juventude e um discurso cheio de idealismo que lembra um Barack Obama no começo de seu percurso. Mas ao contrário do Presidente, Rand Paul carrega na herança genética as características de um libertário. Esta autenticidade tem levado principalmente um público jovem a se aliar ao seu desafio de chegar ao Salão Oval.
Rand Paul tem um discurso que agride os ouvidos de muitos democratas e também de alguns republicanos mais conservadores, mas que empolga setores democratas e republicanos. É o tipo do candidato que se afasta dos extremos de ambos os partidos, mas consegue unir eleitores que convergem para o centro, além de trazer uma imagem interessante.
Ele ataca ferozmente a política de espionagem e o crescimento do aparato de vigilância do Estado, um processo iniciado na presidência de Bush e aprofundado de forma intensa durante os anos de Obama. Este posicionamento o afasta dos republicanos mais conservadores e dos democratas interventores, mas o aproxima de um movimento que vem se consolidando na medida que Obama se desgasta perante a opinião pública.
Rand Paul pode ser a grande sensação desta eleição presidencial, mas também pode ficar de lado, sem apoio dentro do próprio partido para vencer as primárias, mesmo sendo uma estrela do Tea Party. Para isso, ele acredita na criação de uma onda, similar a estratégia de Obama em 2007 e 2008, ou seja, um movimento que neste caso pode ultrapassar as barreiras do seu partido e torná-lo viável. Um candidato republicano que se movimenta com naturalidade entre eleitores democratas é uma grande vantagem, mas Paul corre um risco: não conseguir tirar os conservadores de casa para votar.
De uma forma ou de outra, pela primeira vez o movimento libertário encontra uma voz com liderança suficiente para desequilibrar a eleição. Mais do que um mensageiro, como seu Pai, Rand Paul pode ser o portador da mudança. Não exatamente aquela prometida por Obama, mas que seu eleitorado adoraria apoiar.
sexta-feira, março 21, 2014
Diplomacia Errática
A nova estratégia de Obama na guerra de nervos contra a Putin foi no sentido de atingir financeiramente Moscou com congelamento de ativos financeiros e estabelecimento de sanções. O Presidente americano acredita que, em sua concepção, como funcionou com os iranianos e isto os trouxe de volta para negociação, o mesmo pode acontecer com os russos.
Tudo isso chega a soar ingênuo, primeiro porque há sérias dúvidas se a estratégia realmente funcionou com o Irã. Diversos especialistas em política externa divergem de Obama e dizem que na verdade seu governo deu mais fôlego ao regime dos aiatolás. Mas ele acredita piamente que entrou pelo caminho certo e abriu canais de negociações importantes que podem evitar que os iranianos cheguem ao enriquecimento de material nuclear para a construção de uma bomba.
Além disso, é bom lembrar que a Rússia não é o Irã e mesmo que o Presidente estivesse tomando o caminho correto com os aiatolás, nada garante que a mesma estratégia funcionaria com Moscou. O russos possuem outra cultura e outra forma de pensar. É preciso haver diferentes mecanismos para lidar com nações de culturas e valores diversos. A falta de entendimento desta premissa por alguns líderes deveria preocupar a comunidade internacional.
A Rússia acredita que historicamente a Crimeia faz parte de seu território, assim como a porção da Ucrânia que chega até Kiev. É preciso estudar a história russa para abrir canais e mecanismos que possam ser efetivos. O raciocínio de Putin nada tem a ver com a Guerra Fria, mas com os valores culturais da grande Rússia da época dos czares. O vício em tratar a questão com olhos focados no passado recente não ajuda a desenhar mecanismos efetivos de contenção.
Resta aos americanos e europeus, antes de continuar por estratégias erráticas, entender o que realmente deseja a Rússia e assim antecipar seus próximos passos, afinal, como dizia o Embaixador Roberto Campos, "a diplomacia é a arte de ver antes, não necessariamente de ver mais, e nunca ver demais".
Tudo isso chega a soar ingênuo, primeiro porque há sérias dúvidas se a estratégia realmente funcionou com o Irã. Diversos especialistas em política externa divergem de Obama e dizem que na verdade seu governo deu mais fôlego ao regime dos aiatolás. Mas ele acredita piamente que entrou pelo caminho certo e abriu canais de negociações importantes que podem evitar que os iranianos cheguem ao enriquecimento de material nuclear para a construção de uma bomba.
Além disso, é bom lembrar que a Rússia não é o Irã e mesmo que o Presidente estivesse tomando o caminho correto com os aiatolás, nada garante que a mesma estratégia funcionaria com Moscou. O russos possuem outra cultura e outra forma de pensar. É preciso haver diferentes mecanismos para lidar com nações de culturas e valores diversos. A falta de entendimento desta premissa por alguns líderes deveria preocupar a comunidade internacional.
A Rússia acredita que historicamente a Crimeia faz parte de seu território, assim como a porção da Ucrânia que chega até Kiev. É preciso estudar a história russa para abrir canais e mecanismos que possam ser efetivos. O raciocínio de Putin nada tem a ver com a Guerra Fria, mas com os valores culturais da grande Rússia da época dos czares. O vício em tratar a questão com olhos focados no passado recente não ajuda a desenhar mecanismos efetivos de contenção.
Resta aos americanos e europeus, antes de continuar por estratégias erráticas, entender o que realmente deseja a Rússia e assim antecipar seus próximos passos, afinal, como dizia o Embaixador Roberto Campos, "a diplomacia é a arte de ver antes, não necessariamente de ver mais, e nunca ver demais".
quarta-feira, março 19, 2014
Líbia: 3 anos depois
Hoje completam-se três anos da operação militar na Líbia que derrubou Kadafi. A decisão do Conselho de Segurança seguiu-se por pressão da Primavera Árabe, que se espalhava pela região em 2011, e havia chegado na Líbia, depois de passar pela Tunísia e Egito e seguir para outros países. Excluindo-se a Tunísia, os resultados das revoltas populares contra os ditadores da região não foram dos mais animadores. No aniversário do ataque a Trípoli, é momento de avaliação.
Já ouvi opiniões contrárias e a favor das ações das potências ocidentais. O objetivo das nações que atacaram o regime líbio era a derrubada de Kadafi. Mas assim como estava sendo feito na Síria, não havia uma alternativa clara de poder. A deposição levou a um conflito interno entre as diversas tribos que dividem o país e o controlam regionalmente. A produção de petróleo despencou e as perdas humanas foram e ainda são significativas.
Aqueles que defendiam evitar o ataque ao país africano enxergavam nuances claras de uma retomada do país pelo regime de Kadafi em pouco tempo. Durante a revolta, o governo de Trípoli nunca perdeu o controle da maioria do país e soube revidar, avançando e retomando cidades tomadas pelos rebeldes. Neste momento, as nações ocidentais resolveram entrar em cena e desequilibraram o jogo em favor dos opositores do regime.
As Nações Unidas, Estados Unidos, França e Otan argumentaram que um avanço militar era necessário, pois estariam se desenhando as condições para Kadafi encurralar os opositores e vingar-se de cada um deles, iniciando um banho de sangue para controlar novamente as fronteiras e todas as cidades líbias. Diante deste sinal, as nações ocidentais resolveram se mover. Sob abstenção da Rússia e China e comandadas pela Otan, as forças aliadas acabaram com o regime líbio.
Mas o que se viu depois foi a falta de uma liderança interna que pudesse dar equilíbrio ao país. Pensar em democracia em um país como a Líbia, nos dias de hoje, não passa de um sonho, para não dizer um delírio. Sem instituições e líderes nacionais fortes, os país virou um amontado de tribos que comandam diferentes cidades. Sem Kadafi, a Líbia tornou-se um local muito mais perigoso e instável - inclusive para o Ocidente.
Kadafi estava longe de ser um santo, muito pelo contrário, tinha um histórico brutal de crimes e muito terrorismo, mas nos últimos anos vinha tentando mudar sua imagem, tornando-se um interlocutor com a nações da região, além de manter os extremistas líbios sobre controle. Considerando-se a realpolitik já é hora das nações ocidentais se perguntarem se todo os esforço realmente valeu a pena.
Já ouvi opiniões contrárias e a favor das ações das potências ocidentais. O objetivo das nações que atacaram o regime líbio era a derrubada de Kadafi. Mas assim como estava sendo feito na Síria, não havia uma alternativa clara de poder. A deposição levou a um conflito interno entre as diversas tribos que dividem o país e o controlam regionalmente. A produção de petróleo despencou e as perdas humanas foram e ainda são significativas.
Aqueles que defendiam evitar o ataque ao país africano enxergavam nuances claras de uma retomada do país pelo regime de Kadafi em pouco tempo. Durante a revolta, o governo de Trípoli nunca perdeu o controle da maioria do país e soube revidar, avançando e retomando cidades tomadas pelos rebeldes. Neste momento, as nações ocidentais resolveram entrar em cena e desequilibraram o jogo em favor dos opositores do regime.
As Nações Unidas, Estados Unidos, França e Otan argumentaram que um avanço militar era necessário, pois estariam se desenhando as condições para Kadafi encurralar os opositores e vingar-se de cada um deles, iniciando um banho de sangue para controlar novamente as fronteiras e todas as cidades líbias. Diante deste sinal, as nações ocidentais resolveram se mover. Sob abstenção da Rússia e China e comandadas pela Otan, as forças aliadas acabaram com o regime líbio.
Mas o que se viu depois foi a falta de uma liderança interna que pudesse dar equilíbrio ao país. Pensar em democracia em um país como a Líbia, nos dias de hoje, não passa de um sonho, para não dizer um delírio. Sem instituições e líderes nacionais fortes, os país virou um amontado de tribos que comandam diferentes cidades. Sem Kadafi, a Líbia tornou-se um local muito mais perigoso e instável - inclusive para o Ocidente.
Kadafi estava longe de ser um santo, muito pelo contrário, tinha um histórico brutal de crimes e muito terrorismo, mas nos últimos anos vinha tentando mudar sua imagem, tornando-se um interlocutor com a nações da região, além de manter os extremistas líbios sobre controle. Considerando-se a realpolitik já é hora das nações ocidentais se perguntarem se todo os esforço realmente valeu a pena.
terça-feira, março 18, 2014
Open Race
Se você já ouvir falar de Bill Haslam, Bob Corker, Joe Scarborough e Mike Pence, seu conhecimento sobre política americana é exemplar. Todos são figuras do partido republicano e todos consideram entrar na corrida presidencial. O primeiro atende pelo governo do Tennessee, o segundo pelo Senado do mesmo estado, o terceiro foi deputado pela Florida e o último é o Governador de Indiana.
A presença de figuras pouco conhecidas na arena política nacional prova que não existe um claro favorito nas primárias republicanas. O quarteto se juntaria a Marco Rubio, Chris Christie, Ted Cruz, Rand Paul, Rick Perry, Paul Ryan, Rick Santorum e talvez Scott Walker e Jeb Bush, todos pesos pesados do partido.
As primárias são batalhas sucessivas e demoradas. Quem já passou por esta maratona entende o que estou falando. Não é uma corrida de velocidade, mas de resistência. Os oponentes vão caindo um a um, pouco a pouco e o menor erro pode fazer com sua própria candidatura naufrague. Manter o momento político vivo na medida que passam os meses é talvez a tarefa mais difícil.
Assim, os políticos do Tennessee, Flórida e Indiana, citados acima, possuem poucas chances, mas uma grande vitrine para subir um patamar na política nacional, consolidando seus nomes regionalmente. Se a tendência se confirmar, a primeira primária, em Iowa, reunirá um número recorde de candidatos.
Depois de Iowa, teremos Carolina do Sul, New Hampshire, até o processo embalar e os primeiros, vencidos pelo cansaço, falta de votos ou recursos financeiros jogarem a toalha. Os primeiros números são muito importantes, pois podem fazer os candidatos ganhar momento político, o que os impulsiona a levantar mais fundos e seguir a campanha.
Embolar as primárias de saída, com um sem número de candidatos, pode confundir o eleitor e deixar o partido sem favoritos, o que somente fortaleceria os democratas. Mas a disputa está aberta e as eleições deste ano devem indicar alguns nomes de destaque e outros que devem sair de cena.
A presença de figuras pouco conhecidas na arena política nacional prova que não existe um claro favorito nas primárias republicanas. O quarteto se juntaria a Marco Rubio, Chris Christie, Ted Cruz, Rand Paul, Rick Perry, Paul Ryan, Rick Santorum e talvez Scott Walker e Jeb Bush, todos pesos pesados do partido.
As primárias são batalhas sucessivas e demoradas. Quem já passou por esta maratona entende o que estou falando. Não é uma corrida de velocidade, mas de resistência. Os oponentes vão caindo um a um, pouco a pouco e o menor erro pode fazer com sua própria candidatura naufrague. Manter o momento político vivo na medida que passam os meses é talvez a tarefa mais difícil.
Assim, os políticos do Tennessee, Flórida e Indiana, citados acima, possuem poucas chances, mas uma grande vitrine para subir um patamar na política nacional, consolidando seus nomes regionalmente. Se a tendência se confirmar, a primeira primária, em Iowa, reunirá um número recorde de candidatos.
Depois de Iowa, teremos Carolina do Sul, New Hampshire, até o processo embalar e os primeiros, vencidos pelo cansaço, falta de votos ou recursos financeiros jogarem a toalha. Os primeiros números são muito importantes, pois podem fazer os candidatos ganhar momento político, o que os impulsiona a levantar mais fundos e seguir a campanha.
Embolar as primárias de saída, com um sem número de candidatos, pode confundir o eleitor e deixar o partido sem favoritos, o que somente fortaleceria os democratas. Mas a disputa está aberta e as eleições deste ano devem indicar alguns nomes de destaque e outros que devem sair de cena.
segunda-feira, março 17, 2014
Obama e Ucrânia
A popularidade em baixa não é a única preocupação de Obama. Enquanto os problemas se acumulam, a confiança no Presidente também despenca. Os democratas, contaminados pela situação, podem perder o controle do Senado e a Câmara tende a ficar nas mãos dos republicanos. A política externa, que por vezes ajuda a salvar a imagem interna desgastada de um Presidente, também não ajuda Obama.
Repito o que já escrevi aqui. Obama tem conduzido a situação na Ucrânia da maneira certa para os Estados Unidos. Tem se mantido prudentemente distante e agido em conjunto com os europeus. O país intensificou sua agenda diplomática e tem usado os canais certos. Ao contrário do que muitos desejam, não despachará tropas para Crimeia ou qualquer outra parte da Ucrânia se não for em consenso com os europeus. Mesmo que tenha que fazê-lo, enfrentará enorme oposição interna.
Mas o posicionamento cuidadoso de Obama tem um custo. Os números mostram que os próprios americanos enxergam seu Presidente como um líder fraco a vacilante. Para ser mais exato, 55%. Do outro lado, os mesmo americanos vêem Vladimir Putin como um líder forte. Para ser mais exato 77%. Claramente Obama aparece em desvantagem, mas também colhe nestes números boa parte da impopularidade que vem semeando nos últimos meses.
O momento é de cautela. As medidas tomadas contra Rússia até o momento foram econômicas e políticas. As novas lideranças ucranianas foram recebidas em Bruxelas e Washington. O FMI movimentou suas engrenagens em favor de Kiev. Dentro da burocracia internacional, criada após a Segunda Guerra, existem inúmeros mecanismos que podem ser manejados. A utilização de força militar sendo o último deles.
Neste final de semana, a Crimeia falou pelas urnas que deseja ingressar na Rússia. Qualquer movimento via Conselho de Segurança será barrado pelo veto russo, como vimos. A China preferiu a abstenção. O Ocidente batalhará pela Crimeia, mas na verdade, aquele território é caso perdido. A suposta ênfase em defesa daquela parte da Ucrânia, apenas serve de escudo para a defesa da parte que realmente interessa: a porção oriental, altamente industrializada e base da economia do país. Ali é próximo foco russo. Ali é o verdadeiro foco de resistência do Ocidente.
Mas enquanto o tabuleiro da política internacional move-se no longo prazo, o da popularidade é movimentado no curto. Aí está o dilema de Obama.
Repito o que já escrevi aqui. Obama tem conduzido a situação na Ucrânia da maneira certa para os Estados Unidos. Tem se mantido prudentemente distante e agido em conjunto com os europeus. O país intensificou sua agenda diplomática e tem usado os canais certos. Ao contrário do que muitos desejam, não despachará tropas para Crimeia ou qualquer outra parte da Ucrânia se não for em consenso com os europeus. Mesmo que tenha que fazê-lo, enfrentará enorme oposição interna.
Mas o posicionamento cuidadoso de Obama tem um custo. Os números mostram que os próprios americanos enxergam seu Presidente como um líder fraco a vacilante. Para ser mais exato, 55%. Do outro lado, os mesmo americanos vêem Vladimir Putin como um líder forte. Para ser mais exato 77%. Claramente Obama aparece em desvantagem, mas também colhe nestes números boa parte da impopularidade que vem semeando nos últimos meses.
O momento é de cautela. As medidas tomadas contra Rússia até o momento foram econômicas e políticas. As novas lideranças ucranianas foram recebidas em Bruxelas e Washington. O FMI movimentou suas engrenagens em favor de Kiev. Dentro da burocracia internacional, criada após a Segunda Guerra, existem inúmeros mecanismos que podem ser manejados. A utilização de força militar sendo o último deles.
Neste final de semana, a Crimeia falou pelas urnas que deseja ingressar na Rússia. Qualquer movimento via Conselho de Segurança será barrado pelo veto russo, como vimos. A China preferiu a abstenção. O Ocidente batalhará pela Crimeia, mas na verdade, aquele território é caso perdido. A suposta ênfase em defesa daquela parte da Ucrânia, apenas serve de escudo para a defesa da parte que realmente interessa: a porção oriental, altamente industrializada e base da economia do país. Ali é próximo foco russo. Ali é o verdadeiro foco de resistência do Ocidente.
Mas enquanto o tabuleiro da política internacional move-se no longo prazo, o da popularidade é movimentado no curto. Aí está o dilema de Obama.
quinta-feira, março 13, 2014
Presidente Radioativo
Estive no Congresso e ouvi de parlamentares democratas que a luta pelo Senado será difícil. Isto tem um significado amplo. Se realmente acontecer, os dois últimos anos de Obama na Casa Branca serão melancólicos em termos de iniciativa política, algo que começa a asfaltar a estrada para uma vitória de sonhos dos republicanos em 2016, vencendo as duas casas e levando a Presidência.
Tive acesso a pesquisas dos democratas em estados importantes para a batalha pelo Senado e em todos a popularidade de Obama está afetando de sobremaneira as chances de sua bancada. Vejamos o Arkansas, por exemplo. Ali Obama amarga uma desaprovação de 65%, o que afeta as chances do senador Mark Pryor ser reeleito. No Colorado onde o senador Mark Udall busca a reeleição, a situação também é preocupante. O Presidente tem apenas 44% de aprovação e 52% de desaprovação. Para piorar a situação, os republicanos vem com o competitivo deputado Cory Gardner, que deixará seu assento na Câmara para buscar a vaga de Udall no Senado.
A situação se repete na Louisiana, comandada pelo conservador Bobby Jindal. Ali Obama amarga 56% de desaprovação, o que deve varrer a senadora Mary Landrieu do mapa. Na Carolina do Norte não é diferente e Kay Hagan deve perder para Thom Tillis. No estado, mais de 50% desaprovam Obama. A impopularidade do Presidente é algo tão radioativo neste momento que o partido prefere que Michelle Obama, com índices muito melhores que o marido, seja escalada para levantar fundos e fazer campanha pelos democratas.
O leque se amplia. Montana e West Virginia também estão na lista tendem a virar para os republicanos, além do Alaska, sob os cuidados especiais de Sarah Palin. Resta saber como os republicanos irão lidar com esta maioria. Será preciso muita coordenação para que os embates internos não prejudiquem o partido. Sabemos, por exemplo, que o líder atual, Mitch McConnell está na lista de Palin, que deseja substituí-lo por um senador mais conservador. Ele enfrentará as urnas no Kentucky. Na Câmara, Eric Cantor deve tomar o Presidência de John Boehner. As disputas internas estão acirradas, mas se os republicanos souberem se posicionar, terão todos os instrumentos para tentar alcançar a Casa Branca em 2016.
Tive acesso a pesquisas dos democratas em estados importantes para a batalha pelo Senado e em todos a popularidade de Obama está afetando de sobremaneira as chances de sua bancada. Vejamos o Arkansas, por exemplo. Ali Obama amarga uma desaprovação de 65%, o que afeta as chances do senador Mark Pryor ser reeleito. No Colorado onde o senador Mark Udall busca a reeleição, a situação também é preocupante. O Presidente tem apenas 44% de aprovação e 52% de desaprovação. Para piorar a situação, os republicanos vem com o competitivo deputado Cory Gardner, que deixará seu assento na Câmara para buscar a vaga de Udall no Senado.
A situação se repete na Louisiana, comandada pelo conservador Bobby Jindal. Ali Obama amarga 56% de desaprovação, o que deve varrer a senadora Mary Landrieu do mapa. Na Carolina do Norte não é diferente e Kay Hagan deve perder para Thom Tillis. No estado, mais de 50% desaprovam Obama. A impopularidade do Presidente é algo tão radioativo neste momento que o partido prefere que Michelle Obama, com índices muito melhores que o marido, seja escalada para levantar fundos e fazer campanha pelos democratas.
O leque se amplia. Montana e West Virginia também estão na lista tendem a virar para os republicanos, além do Alaska, sob os cuidados especiais de Sarah Palin. Resta saber como os republicanos irão lidar com esta maioria. Será preciso muita coordenação para que os embates internos não prejudiquem o partido. Sabemos, por exemplo, que o líder atual, Mitch McConnell está na lista de Palin, que deseja substituí-lo por um senador mais conservador. Ele enfrentará as urnas no Kentucky. Na Câmara, Eric Cantor deve tomar o Presidência de John Boehner. As disputas internas estão acirradas, mas se os republicanos souberem se posicionar, terão todos os instrumentos para tentar alcançar a Casa Branca em 2016.
quarta-feira, março 12, 2014
Duelo Republicano
Os dois são pesos pesados do partido republicano. Rand Paul, senador pelo Kentucky, e Ted Cruz, senador pelo Texas. Os dois estão no seu primeiro mandato no Senado e ambos foram eleitos com o apoio do Tea Party. Os dois ensaiam o óbvio, ou seja, irão tentar a indicação do partido para disputar a Presidência. Mas as semelhanças param por aí.
O estilo de trabalho e de fazer política é diferente. Rand Paul é mais discreto, sabe agir nos bastidores com mais desenvoltura e joga no longo prazo. Entende os mecanismos e as regras não escritas desta capital. Ted Cruz tem uma verve mais combativa, tem mais exposição, mas também age nos bastidores. Nem sempre da forma que se espera de um político em Washington, mas tornou-se, pelo estilo, um dos parlamentares mais conhecidos da cidade.
Rand Paul é um libertário, herdeiro do capital político de seu pai, Ron Paul, deputado diversas vezes eleito pelo Texas. Recebeu apoio do Tea Party desde o princípio, uma vez que o movimento nasceu pelo resgate dos valores fundamentais do partido. Seu discurso pela limitação dos poderes de Washington e a batalha contra o modelo de espionagem contra a imprensa e os próprios americanos pelo governo Obama impulsionaram seu nome.
Ted Cruz, ao contrário, é um conservador e chegou a Washington também impulsionado pela força do Tea Party. Cruz enfrentou primárias duras e teve um caminho difícil até o Senado. Apoiado por think tanks conservadores como a Heritage Foundation é um dos principais defensores da estratégia de concorrer com candidatos que mobilizem a base.
Nos últimos dias houve tensão em função de declarações de cada lado e um artigo escrito por Rand Paul, que não cita Cruz, mas deixa claro para onde são direcionadas as críticas. Esta fricção entre duas alas é perfeitamente normal e apenas expressam visões diferentes sobre determinados pontos. Mais do que isso, Cruz e Paul são próximos e sabem que não disputam o mesmo eleitorado nas primárias. Mais do que concorrentes, ambos são completares, inclusive no sentido de unir o Tea Party em uma eventual candidatura presidencial.
O estilo de trabalho e de fazer política é diferente. Rand Paul é mais discreto, sabe agir nos bastidores com mais desenvoltura e joga no longo prazo. Entende os mecanismos e as regras não escritas desta capital. Ted Cruz tem uma verve mais combativa, tem mais exposição, mas também age nos bastidores. Nem sempre da forma que se espera de um político em Washington, mas tornou-se, pelo estilo, um dos parlamentares mais conhecidos da cidade.
Rand Paul é um libertário, herdeiro do capital político de seu pai, Ron Paul, deputado diversas vezes eleito pelo Texas. Recebeu apoio do Tea Party desde o princípio, uma vez que o movimento nasceu pelo resgate dos valores fundamentais do partido. Seu discurso pela limitação dos poderes de Washington e a batalha contra o modelo de espionagem contra a imprensa e os próprios americanos pelo governo Obama impulsionaram seu nome.
Ted Cruz, ao contrário, é um conservador e chegou a Washington também impulsionado pela força do Tea Party. Cruz enfrentou primárias duras e teve um caminho difícil até o Senado. Apoiado por think tanks conservadores como a Heritage Foundation é um dos principais defensores da estratégia de concorrer com candidatos que mobilizem a base.
Nos últimos dias houve tensão em função de declarações de cada lado e um artigo escrito por Rand Paul, que não cita Cruz, mas deixa claro para onde são direcionadas as críticas. Esta fricção entre duas alas é perfeitamente normal e apenas expressam visões diferentes sobre determinados pontos. Mais do que isso, Cruz e Paul são próximos e sabem que não disputam o mesmo eleitorado nas primárias. Mais do que concorrentes, ambos são completares, inclusive no sentido de unir o Tea Party em uma eventual candidatura presidencial.
terça-feira, março 11, 2014
Virada Conservadora
Durante a conferência dos conservadores ouvi e conversei com muitas estrelas do partido republicano. O senador Ted Cruz, por exemplo, que deve buscar a indicação do partido para a disputa presidencial, me explicou como vencer. Sua estratégia é a mesma de Rick Santorum, outro líder dos conservadores, preocupado em como reconstruir a América depois dos oito anos de Obama. Mas a preocupação de todos é em vencer, algo expressado nas palavras do governador Chris Christe: "Nós não iremos governar nosso país a não ser que passemos a vencer eleições". Vencer, vencer, vencer. Este é o mantra repetido hoje por todos os republicanos, conservadores ou não.Existem duas estratégias. Deslocar-se ao centro e tentar a vitória com um candidato moderado, opção adotada com a escolhas de McCain e Romney, ou buscar o êxito com um nome verdadeiramente conectado com a base conservadora do partido. Se o opção for pelos moderados, não há dúvida de que o nome escolhido será o de Chris Christie. Mas se os republicanos optarem por um conservador legítimo, o rol de pretendentes é enorme: Ted Cruz, Rick Perry, Paulo Ryan, Rick Santorum, Jeb Bush, Marco Rubio, entre muitos outros.
A tese dos conservadores faz sentido. Somente um nome da base é capaz de movimentar a espetacular máquina republicana de voluntários e doadores que levou Bush a duas vitórias difíceis e Reagan a dois triunfos históricos. Quando este grupo entra em movimento, as chances dos democratas diminuem consideravelmente. Na opinião deles, ao invés de buscar a base, as últimas duas candidaturas disputaram o eleitorado democrata e os republicanos mais conservadores resolveram ficar em casa. A "batalha das idéias", como lembrou-me o congressista e candidato a Vice Presidente em 2012, Paul Ryan, é necessária para mobilizar o partido de forma integral.
Mas a cruzada dos conservadores não irá esperar por 2016. Como disse Sarah Palin, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, de Nevada, será o líder da minoria ou croupier de uma mesa de black jack em Las Vegas. Os republicanos estão determinados a tomar o Senado em 2014 e os conservadores garantem que caso seus candidatos concorram, a base será mobilizada. Já existe até uma agenda que tive acesso com os estados seminais para fazer a maioria. A ataque aos democratas será principalmente na Lousiana, Arkansas, Montana, West Virginia e Colorado. Para os conservadores, fazer a maioria no Senado é o primeiro passo para chegar ao Salão Oval. Se depender de Sarah Palin, Harry Reid pode começar a procurar emprego nos cassinos de Nevada.
domingo, março 09, 2014
A Cruzada de Palin
A ex-Governadora do Alaska vai além. Ela busca virar o partido republicano para o lado conservador em todos os estados possíveis. Sua cruzada hoje é no sentido de derrubar senadores moderados e substituí-los por candidatos verdadeiramente conservadores. Estão na sua mira, por exemplo, o líder no Senado, Mitch McConnell, do Kentucky, e Lindsay Graham, o experiente Senador da Carolina do Sul. Palin mobiliza a base e ajuda a levantar toneladas de fundos para os candidatos que apóia. Seu suporte pode determinar a vitória ou a derrota dentro do partido.
Os republicanos tem dois caminhos a seguir nas eleições presidenciais. Para vencer é preciso mobilizar a base e atingir as minorias. Se ambas estratégias forem completares, melhor ainda. Certos de que Hillary deve levar a indicação democrata, os republicanos mobilizam-se para responder. Entre os conservadores ouvi o nome da senadora Kelly Ayotte, de New Hampshire. Apesar de não possuir experiência administrativa, ela possui o trunfo de ter sido endossada em sua eleição por Sarah Palin e poderia compor uma chapa com outro nome do partido.
Mas se os republicanos desejam arrancar a vitória de verdade, o nome para compor uma chapa nacional é o da Governadora do Nova México, Susana Martinez. A primeira mulher hispânica a governar um Estado possui todas as credenciais da senadora Ayotte e vai além, pois tem experiência executiva e resgata o voto hipânico. Como se não fosse o suficiente, recebeu em 2010 o apoio explícito de Sarah Palin na corrida para o governo. É feita sob medida para ajudar a vencer a eleição de 2016.
Portanto, se a opção dos republicanos é buscar uma mulher para compor a chapa presidencial, não há dúvida, isto passará pelo apoio e a influência de Sarah Palin. Ela transbordava confiança nesta conferência. Seu projeto é maior do que 2016 ou 2014. Ela está ali para o longo prazo, para reorganizar o partido, o que não quer dizer que sua estratégia não passe por cada pequeno processo decisório interno. Durante uma conferência que começou com Ted Cruz e terminou com Sarah Palin, existe uma certeza: os conservadores desta vez vem para vencer, e sua primeira cruzada é dentro do partido.
sábado, março 08, 2014
A Influência do Tea Party
A Conferência de Ação Política Conservadora reuniu a nata dos líderes republicanos. Começou com Ted Cruz, a estrela ascendente entre os conservadores e terminará com sua heroína, a ex-Governadora Sarah Palin. Mas nem tudo é conservador entre os republicanos. Moderados e libertários dividiram também o cenário, convidados a dar o seu recado. Chris Christie e Rand Paul tiveram passagens memoráveis pelo palco da conferência.
Os republicanos passam neste momento por uma profunda transformação. Alguns anos atrás, cansados com os rumos do partido, um grupo mobilizou-se e fundou o Tea Party. O objetivo era forçar uma volta aos rumos originais, aos valores de sua fundação. O movimento foi importante e muitos candidatos, como Rand Paul, integrado com as idéias libertárias originais do GOP, foram eleitos.
O movimento conservador também chegou ao Tea Party e se fez ouvir, elegendo muitos de seus representantes, como o senador Ted Cruz no Texas e apoiando outros tantos, como o senador Marco Rubio na Flórida. Não há dúvida de que este grupo gerou uma renovação no partido, mas também estou certo de que os republicanos ainda estão no processo de assimilação de tudo que esta transformação representa.
A grande discussão no momento é no sentido da estratégia a seguir. Ouvi, por exemplo, do ex-Senador da Pennsylvania, Rick Santorum, pré-candidato presidencial derrotado por Romney em 2012, que a escolha de moderados não assegurou a vitória dos republicanos. Sua posição, apoiada pelo Tea Party, diz que o medo de perder leva o partido a escolher moderados, quando na verdade sua maior fortaleza está na mobilização, com a escolha de candidatos inteiramente identificados com os valores do partido.
Mike Huckabee, ex-Governador do Arkansas e pré-candidato presidencial em 2008, me disse hoje pela manhã que os republicanos perderam as últimas eleições porque seu eleitorado ficou em casa. Defendeu a tese de que candidatos moderados não mobilizam a base, que é a alma do partido republicano.
Se contarmos com o avanço do Tea Party, cada vez maior entre os republicanos, tudo indica que Hillary deverá disputar a eleição com um candidato verdadeiramente conservador. Mas o jogo ainda está aberto. Chris Christie, moderado, foi muito bem recebido entre os conservadores, quebrando o gelo que o separava desta ala do partido. Do outro lado, Rand Paul, também filho do Tea Party, vem com um forte discurso libertário que pode incendiar as bases e criar uma onda similar a de Obama em 2008.
Depois de dois dias entre os conservadores, fica uma certeza, o Tea Party mexeu com a alma e o brio dos republicanos e sua sede de vitória nunca esteve tão forte.
Os republicanos passam neste momento por uma profunda transformação. Alguns anos atrás, cansados com os rumos do partido, um grupo mobilizou-se e fundou o Tea Party. O objetivo era forçar uma volta aos rumos originais, aos valores de sua fundação. O movimento foi importante e muitos candidatos, como Rand Paul, integrado com as idéias libertárias originais do GOP, foram eleitos.
O movimento conservador também chegou ao Tea Party e se fez ouvir, elegendo muitos de seus representantes, como o senador Ted Cruz no Texas e apoiando outros tantos, como o senador Marco Rubio na Flórida. Não há dúvida de que este grupo gerou uma renovação no partido, mas também estou certo de que os republicanos ainda estão no processo de assimilação de tudo que esta transformação representa.
A grande discussão no momento é no sentido da estratégia a seguir. Ouvi, por exemplo, do ex-Senador da Pennsylvania, Rick Santorum, pré-candidato presidencial derrotado por Romney em 2012, que a escolha de moderados não assegurou a vitória dos republicanos. Sua posição, apoiada pelo Tea Party, diz que o medo de perder leva o partido a escolher moderados, quando na verdade sua maior fortaleza está na mobilização, com a escolha de candidatos inteiramente identificados com os valores do partido.
Mike Huckabee, ex-Governador do Arkansas e pré-candidato presidencial em 2008, me disse hoje pela manhã que os republicanos perderam as últimas eleições porque seu eleitorado ficou em casa. Defendeu a tese de que candidatos moderados não mobilizam a base, que é a alma do partido republicano.
Se contarmos com o avanço do Tea Party, cada vez maior entre os republicanos, tudo indica que Hillary deverá disputar a eleição com um candidato verdadeiramente conservador. Mas o jogo ainda está aberto. Chris Christie, moderado, foi muito bem recebido entre os conservadores, quebrando o gelo que o separava desta ala do partido. Do outro lado, Rand Paul, também filho do Tea Party, vem com um forte discurso libertário que pode incendiar as bases e criar uma onda similar a de Obama em 2008.
Depois de dois dias entre os conservadores, fica uma certeza, o Tea Party mexeu com a alma e o brio dos republicanos e sua sede de vitória nunca esteve tão forte.
sexta-feira, março 07, 2014
Chris Christie entre os Conservadores
A conferência anual dos conservadores começou. A importância deste encontro é enorme, pois reúne uma importante ala dos republicanos, com cada vez mais peso na estrutura do partido. Para entender melhor a situação é preciso compreender que a maior parte do financiamento de campanha vem de organizações ligadas aos valores conservadores. Para ficar claro: uma plataforma pró-livre comércio arrecada muito menos fundos do que a declarações contra o aborto.
O pré-candidato republicano mais bem posicionado nas pesquisas, Chris Christie, não foi convidado para aparecer por aqui ano passado. A justificativa era simples. Por ser moderado, o Governador de New Jersey não era conservador o suficiente para fazer parte da conferência. Neste ano, os conservadores abriram espaço para Christie, ao lado de estrelas desta esfera política, como Ted Cruz e Rick Santorum. Chris Christie não decepcionou e abraçou a oportunidade com um discurso mobilizador e assertivo de suas credenciais conservadoras, como sua posição contra o aborto e uma crítica mais dura em relação aos democratas. Incendiou a platéia.
Antes dele, passaram por ali Ted Cruz, a mais nova estrela do Tea Party, Paul Ryan, candidato derrotado a vice na chapa de Romney, além de Marco Rubio, a esperança de trazer o voto latino de volta para as hostes republicanas. Diante de um time tão conservador, impulsionados pelo discurso eletrizante de Donald Trump, Christie saiu-se muito bem. Estive aqui em 2008 e vi McCain ser vaiado por não ser tão conservador como o público desejava. Para alguém taxado de republicano de fachada, Chris Christie deu um show e mostrou que é capaz de penetrar nas entranhas mais conservadoras deste partido.
Mas ele terá companhia. Rubio, Santorum, Perry, Ryan, Cruz e até Huckabee, que escuto neste momento, podem entrar nas primárias e embolar o meio de campo conservador, especialmente nas primeiras disputas, em Iowa e Carolina do Sul. Mas se esta turma decidir concorrer, melhor para Christie, que verá o voto conservador dividido. O horizonte pode sorrir para o governador de New Jersey. Seu primeiro grande teste diante de uma audiência, em tese, hostil, foi um sucesso e certamente o Governador voltou para Trenton com a sensação de dever cumprido.
O pré-candidato republicano mais bem posicionado nas pesquisas, Chris Christie, não foi convidado para aparecer por aqui ano passado. A justificativa era simples. Por ser moderado, o Governador de New Jersey não era conservador o suficiente para fazer parte da conferência. Neste ano, os conservadores abriram espaço para Christie, ao lado de estrelas desta esfera política, como Ted Cruz e Rick Santorum. Chris Christie não decepcionou e abraçou a oportunidade com um discurso mobilizador e assertivo de suas credenciais conservadoras, como sua posição contra o aborto e uma crítica mais dura em relação aos democratas. Incendiou a platéia.
Antes dele, passaram por ali Ted Cruz, a mais nova estrela do Tea Party, Paul Ryan, candidato derrotado a vice na chapa de Romney, além de Marco Rubio, a esperança de trazer o voto latino de volta para as hostes republicanas. Diante de um time tão conservador, impulsionados pelo discurso eletrizante de Donald Trump, Christie saiu-se muito bem. Estive aqui em 2008 e vi McCain ser vaiado por não ser tão conservador como o público desejava. Para alguém taxado de republicano de fachada, Chris Christie deu um show e mostrou que é capaz de penetrar nas entranhas mais conservadoras deste partido.
Mas ele terá companhia. Rubio, Santorum, Perry, Ryan, Cruz e até Huckabee, que escuto neste momento, podem entrar nas primárias e embolar o meio de campo conservador, especialmente nas primeiras disputas, em Iowa e Carolina do Sul. Mas se esta turma decidir concorrer, melhor para Christie, que verá o voto conservador dividido. O horizonte pode sorrir para o governador de New Jersey. Seu primeiro grande teste diante de uma audiência, em tese, hostil, foi um sucesso e certamente o Governador voltou para Trenton com a sensação de dever cumprido.
quinta-feira, março 06, 2014
OTAN e Ucrânia
Putin está jogando com Obama. Isto é um fato. Caso o Presidente americano não tenha percebido, já faz um tempo. Faça sua lista: Síria, Irã e por aí vai. Na verdade, o baile que a diplomacia americana tem tomado na arena internacional evidencia erros passados. O Presidente dos Estados Unidos pode ter errado, mas o momento é de muita cautela e pouca soberba. Neste jogo, há pouca margem para erro. Vamos lá.
Não acredito que Obama esteja trabalhando de forma errada com a questão da Ucrânia. Até o momento parece ter optado pela paciência e o jogo diplomático. O problema são todos os fatores que levaram os Estados Unidos a chegar no estágio atual. Putin somente avançou sobre a Crimeia porque sabe como os americanos reagiriam.
Obama fez a opção mais correta até o momento, até porque enxerga as fragilidades dos Estados Unidos e da Europa. Os americanos, depois de duas guerras, não possuem credibilidade internacional para liderar uma operação militar. Nem deveriam. Além do mais, por mais que alguns clamem por uma intervenção durante arroubos de soberba, não é o movimento mais indicado.
A ONU está paralisada. O Conselho de Segurança, refém dos vetos da própria Rússia e talvez da China, não conseguirá aprovar qualquer tipo de resolução que movimente as peças em jogo de forma satisfatória. Neste quadro, a OTAN assume um papel de protagonismo que pode fazer a diferença. Vale lembrar que os países do Báltico, além de Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, tem receio de que o conflito na Ucrânia respingue em seus territórios - e todos tem verdadeiro medo dos russos.
Vivemos uma guerra de nervos. A situação na Ucrânia não se resolverá cedo e a tensão continuará por algum tempo. A resposta aos movimentos de militares russos na Crimeia passa pela OTAN neste momento. A sede da organização em Bruxelas recebeu os membros do novo governo formado em Kiev. Foi um primeiro sinal. Bulgária, Estados Unidos e Romênia deslocam força naval para o Mar Negro para exercícios militares. Foi o segundo sinal. A Polônia requisitou uma reunião especial da OTAN. Foi o terceiro sinal.
O mais importante neste momento é não personalizar a situação e tratar da questão no âmbito multilateral em uma organização com força militar. O jogo é um xadrez. É preciso muita parcimônia, pouca soberba e uma dose cavalar de paciência.
Não acredito que Obama esteja trabalhando de forma errada com a questão da Ucrânia. Até o momento parece ter optado pela paciência e o jogo diplomático. O problema são todos os fatores que levaram os Estados Unidos a chegar no estágio atual. Putin somente avançou sobre a Crimeia porque sabe como os americanos reagiriam.
Obama fez a opção mais correta até o momento, até porque enxerga as fragilidades dos Estados Unidos e da Europa. Os americanos, depois de duas guerras, não possuem credibilidade internacional para liderar uma operação militar. Nem deveriam. Além do mais, por mais que alguns clamem por uma intervenção durante arroubos de soberba, não é o movimento mais indicado.
A ONU está paralisada. O Conselho de Segurança, refém dos vetos da própria Rússia e talvez da China, não conseguirá aprovar qualquer tipo de resolução que movimente as peças em jogo de forma satisfatória. Neste quadro, a OTAN assume um papel de protagonismo que pode fazer a diferença. Vale lembrar que os países do Báltico, além de Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, tem receio de que o conflito na Ucrânia respingue em seus territórios - e todos tem verdadeiro medo dos russos.
Vivemos uma guerra de nervos. A situação na Ucrânia não se resolverá cedo e a tensão continuará por algum tempo. A resposta aos movimentos de militares russos na Crimeia passa pela OTAN neste momento. A sede da organização em Bruxelas recebeu os membros do novo governo formado em Kiev. Foi um primeiro sinal. Bulgária, Estados Unidos e Romênia deslocam força naval para o Mar Negro para exercícios militares. Foi o segundo sinal. A Polônia requisitou uma reunião especial da OTAN. Foi o terceiro sinal.
O mais importante neste momento é não personalizar a situação e tratar da questão no âmbito multilateral em uma organização com força militar. O jogo é um xadrez. É preciso muita parcimônia, pouca soberba e uma dose cavalar de paciência.
quarta-feira, março 05, 2014
Ucrânia em Perspectiva
A questão envolvendo a Rússia e a Ucrânia é muito mais complexa do que podemos imaginar. Argumentos existem de todos os lados. É preciso, portanto, colocar as coisas em perspectiva neste momento. A Ucrânia é de fato um país dividido. Precisamos entender que a cisão entre duas realidades é o ponto central. Este embate levou o país a se tornar frágil.
Ainda em 2004 escrevi sobre este tema. A Revolução Laranja explodia em Kiev depois de um candidato pró-Rússia, Viktor Yanukovych (o mesmo afastado agora) ter vencido eleições que suspeitavam-se terem sido fraudadas. O movimento levou outro Viktor ao poder, este de sobrenome Yushchenko, ao lado da bela Yulia Tymoshenko, sua aliada pró-Ocidente. Depois de um governo conturbado, Yushchenko e Yulia deixaram o poder e Viktor Yanukovych foi escolhido em eleições livres. Vemos que depois de um governo pró-Ocidente, um governo pró-Rússia assumia o poder o Kiev. Mas o líder apoiado por Moscou não terminou bem. Depois de muita pressão popular, deixou o poder, alegando ter sido vítima de um golpe.
Na verdade existem duas Ucrânias. Aquela que está na margem leste do rio Dniper é extremamente ligada aos valores russos, culturais e religiosos. Esta região é o berço cultural de muitos traços da Rússia atual. Ali foi criado Nikita Kruschev e nasceu Leonid Brejnev, dois dos mais importantes dirigentes soviéticos. O leste da Ucrânia tem forte presença cristã ortodoxa, o que aproxima muito a região das tradições russas.
A Ucrânia que está ao lado oeste do Dniper já foi ocupada por poloneses, húngaros, eslovacos, bielorussos e romenos, além de outras nacionalidades. A confluência destas culturas formou esta parte da Ucrânia, hoje de maior tradição católica romana e muito mais próxima do Ocidente. A presença russa na parte oeste é menor e a influência cultural preponderante é a ocidental. De um modo geral, o país sempre foi um território fragmentado e passou a se tornar unificado com o controle imposto pela União Soviética. Por todas essas razões, quando se tornou independente de Moscou, em 1991, se tornou um país instável, permeado por embates que colocam hoje em oposição o lado leste e oeste.
O risco maior para qualquer um dos lados é a eclosão de uma guerra civil, que pode se tornar um fato na medida que crescer o embate entre os dois lados do país divididos pelo rio Dniper e surgir uma liderança nacionalista que tente sobrepor suas vontades sobre a outra metade, independente de qual seja. Vemos que o movimento de Yanukovych em direção aos russos resultou em sua queda, mas o governo pró-Ocidente de Yushchenko também terminou de forma melancólica.
Na falta de uma política que unifique o país, as diferenças entre as regiões passarão a ter mais importância. O nacionalismo russo latente na Crimeia é apenas o primeiro passo. Putin conhece a geografia da Ucrânia e está medindo seus passos. Existe um nacionalismo russo também do lado leste do país, que pode se movimentar para o lado de Moscou rachando o território. Conhecendo o perfil dos líderes mundiais atuais, acredito que pode surgir a alternativa diplomática de divisão da Ucrânia com a Rússia na tentativa de evitar a escalada de um confronto nas fronteiras da Europa.
A idéia é conveniente para a Europa, que mantém um país estabilizado em suas fronteiras. O impacto da eventual entrada de meia Ucrânia na UE seria menor, considerando a agricultura pujante que poderia afetar a França. A Alemanha manteria-se como o maior país da zona européia e a Rússia anexaria a parte perdida de território que considera berço de sua cultura. Evitaria-se a guerra e a aproximação de um conflito anunciado nas portas da Europa, o que mobilizaria a OTAN. Talvez seja esta a estratégia de Putin, que pensa sempre no longo prazo. Resta saber se o Ocidente está preparado para um acordo deste tipo, que lembra os movimentos de Neville Chamberlain em Munique. Por enquanto, é um jogo de nervos.
Ainda em 2004 escrevi sobre este tema. A Revolução Laranja explodia em Kiev depois de um candidato pró-Rússia, Viktor Yanukovych (o mesmo afastado agora) ter vencido eleições que suspeitavam-se terem sido fraudadas. O movimento levou outro Viktor ao poder, este de sobrenome Yushchenko, ao lado da bela Yulia Tymoshenko, sua aliada pró-Ocidente. Depois de um governo conturbado, Yushchenko e Yulia deixaram o poder e Viktor Yanukovych foi escolhido em eleições livres. Vemos que depois de um governo pró-Ocidente, um governo pró-Rússia assumia o poder o Kiev. Mas o líder apoiado por Moscou não terminou bem. Depois de muita pressão popular, deixou o poder, alegando ter sido vítima de um golpe.
Na verdade existem duas Ucrânias. Aquela que está na margem leste do rio Dniper é extremamente ligada aos valores russos, culturais e religiosos. Esta região é o berço cultural de muitos traços da Rússia atual. Ali foi criado Nikita Kruschev e nasceu Leonid Brejnev, dois dos mais importantes dirigentes soviéticos. O leste da Ucrânia tem forte presença cristã ortodoxa, o que aproxima muito a região das tradições russas.
A Ucrânia que está ao lado oeste do Dniper já foi ocupada por poloneses, húngaros, eslovacos, bielorussos e romenos, além de outras nacionalidades. A confluência destas culturas formou esta parte da Ucrânia, hoje de maior tradição católica romana e muito mais próxima do Ocidente. A presença russa na parte oeste é menor e a influência cultural preponderante é a ocidental. De um modo geral, o país sempre foi um território fragmentado e passou a se tornar unificado com o controle imposto pela União Soviética. Por todas essas razões, quando se tornou independente de Moscou, em 1991, se tornou um país instável, permeado por embates que colocam hoje em oposição o lado leste e oeste.
O risco maior para qualquer um dos lados é a eclosão de uma guerra civil, que pode se tornar um fato na medida que crescer o embate entre os dois lados do país divididos pelo rio Dniper e surgir uma liderança nacionalista que tente sobrepor suas vontades sobre a outra metade, independente de qual seja. Vemos que o movimento de Yanukovych em direção aos russos resultou em sua queda, mas o governo pró-Ocidente de Yushchenko também terminou de forma melancólica.
Na falta de uma política que unifique o país, as diferenças entre as regiões passarão a ter mais importância. O nacionalismo russo latente na Crimeia é apenas o primeiro passo. Putin conhece a geografia da Ucrânia e está medindo seus passos. Existe um nacionalismo russo também do lado leste do país, que pode se movimentar para o lado de Moscou rachando o território. Conhecendo o perfil dos líderes mundiais atuais, acredito que pode surgir a alternativa diplomática de divisão da Ucrânia com a Rússia na tentativa de evitar a escalada de um confronto nas fronteiras da Europa.
A idéia é conveniente para a Europa, que mantém um país estabilizado em suas fronteiras. O impacto da eventual entrada de meia Ucrânia na UE seria menor, considerando a agricultura pujante que poderia afetar a França. A Alemanha manteria-se como o maior país da zona européia e a Rússia anexaria a parte perdida de território que considera berço de sua cultura. Evitaria-se a guerra e a aproximação de um conflito anunciado nas portas da Europa, o que mobilizaria a OTAN. Talvez seja esta a estratégia de Putin, que pensa sempre no longo prazo. Resta saber se o Ocidente está preparado para um acordo deste tipo, que lembra os movimentos de Neville Chamberlain em Munique. Por enquanto, é um jogo de nervos.
sexta-feira, fevereiro 28, 2014
Prioridade: Ucrânia
Ontem estive em uma discussão com os principais âncoras políticos do jornalismo americano e ninguém tocou na questão política da Venezuela. Em compensação, 90% da discussão foi em torno da Ucrânia. A preocupação no norte é preponderantemente com o país europeu, por um sem número de motivos.
O primeiro deles é porque a questão em Kiev traz para o jogo dois pesos pesados nas relações internacionais: União Européia e Rússia. Neste jogo entram ainda a Otan, que precisa ficar atenta, além dos Estados Unidos, tradicionalmente alertas quando a Rússia está do outro lado do tabuleiro. As razões, entretanto, não param por aí.
A Ucrânia é importante geopoliticamente. Por ali passam os dutos que alimentam de gás boa parte da Europa. Sua fronteira, de um lado é com membros da Otan e do outro com a Rússia. Agora, terminados os Jogos Olímpicos de inverno, Moscou já começou a agir com exercícios militares na fronteira. Os americanos sabem que Putin conseguiu colocar seu país novamente na balança de poder do mundo, especialmente depois das questões envolvendo o Irã e a Síria. Ganhou mais uma oportunidade.
Do outro lado, já começaram movimentos. Enquanto a Alemanha hesita em abrir o cofre da União Européia, o FMI se movimenta para acalmar os ânimos e dar solidez ao governo pró-ocidente. Mover-se financeiramente em apoio ao governo provisório é uma forma de evitar a eclosão de uma guerra civil, o que invariavelmente envolveria a Rússia e as forças da Otan. O xadrez político é delicado.
Na verdade, para as grandes potenciais, a grande questão do momento é a Ucrânia, por toda sua importância e seus possíveis desdobramentos. A Venezuela, bem como a América Latina, segue em segundo plano.
quinta-feira, fevereiro 27, 2014
Ucrânia e Crimeia
A guerra civil na Ucrânia pode ter começado. Não falo dos confrontos que arrastaram Yanukovitch para fora do poder. Este foi apenas o início. Os desdobramentos são os verdadeiros problemas que o país passará a enfrentar. O primeiro já teve início com as primeiras demonstrações na Crimeia, uma república autônoma do sul do país que está insatisfeita com os resultados dos protestos em Kiev.
Sabe-se que a Ucrânia é um país dividido entre dois mundos, um de influência ocidental e outro oriental. Enquanto parte do território é de origem russa, do outro lado vemos fortes traços culturais ocidentais. Um governo em Kiev, portanto, sempre sofrerá desta fricção entre duas realidades. Se Yanukovitch agradava o leste e desagrava o oeste do país, neste momento, depois de sua queda, a equação se inverteu.
A Crimeia, assim como metade da Ucrânia, começa a resistir. Se o governo central agora insistir em uma aproximação com a Europa, a situação política no leste do país irá começar a ferver. Os primeiros sinais começaram a aparecer também no sul. Ali, 60% da população é de origem russa. Durante os protestos dos últimos dias, a bandeira russa foi hasteada em prédios púbicos em Simferopol.
O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma do que pode se espalhar por boa parte do leste do país, pois surge em um território que era originalmente parte da Rússia, mas depois do fim da União Soviética ficou sob a jurisdição da Ucrânia. A Rússia mantém forte influência na região, em especial no porto de Sebastopol, sede de sua frota no Mar Negro. Portanto fica clara a equação. Em uma região autônoma, de maioria russa, com presença de frotas de Moscou, surgem os primeiros movimentos de cisão dentro da Ucrânia.
O país pode estar dando o primeiro passo em direção a uma guerra civil. Os russos entenderam isso e já começam, agora que os Jogos Olímpicos de Inverno terminaram, a realizar movimentos militares na fronteira com a Ucrânia. Em um país dividido entre dois mundos, a chance de um confronto interno infelizmente parece cada vez mais real. O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma disso.
Sabe-se que a Ucrânia é um país dividido entre dois mundos, um de influência ocidental e outro oriental. Enquanto parte do território é de origem russa, do outro lado vemos fortes traços culturais ocidentais. Um governo em Kiev, portanto, sempre sofrerá desta fricção entre duas realidades. Se Yanukovitch agradava o leste e desagrava o oeste do país, neste momento, depois de sua queda, a equação se inverteu.
A Crimeia, assim como metade da Ucrânia, começa a resistir. Se o governo central agora insistir em uma aproximação com a Europa, a situação política no leste do país irá começar a ferver. Os primeiros sinais começaram a aparecer também no sul. Ali, 60% da população é de origem russa. Durante os protestos dos últimos dias, a bandeira russa foi hasteada em prédios púbicos em Simferopol.
O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma do que pode se espalhar por boa parte do leste do país, pois surge em um território que era originalmente parte da Rússia, mas depois do fim da União Soviética ficou sob a jurisdição da Ucrânia. A Rússia mantém forte influência na região, em especial no porto de Sebastopol, sede de sua frota no Mar Negro. Portanto fica clara a equação. Em uma região autônoma, de maioria russa, com presença de frotas de Moscou, surgem os primeiros movimentos de cisão dentro da Ucrânia.
O país pode estar dando o primeiro passo em direção a uma guerra civil. Os russos entenderam isso e já começam, agora que os Jogos Olímpicos de Inverno terminaram, a realizar movimentos militares na fronteira com a Ucrânia. Em um país dividido entre dois mundos, a chance de um confronto interno infelizmente parece cada vez mais real. O que ocorre na Crimeia é o primeiro sintoma disso.
segunda-feira, fevereiro 24, 2014
Datafolha: A Vez de Marina
Mais uma vez voltamos para política nacional. Saiu mais uma pesquisa que merece análise mais apurada. Se no meio da semana tivemos a CNT/MDA, no final de semana chegaram tabulados os números do Datafolha. Ambas pesquisas seguem no mesmo sentido, mas com uma pequena alteração que pode fazer toda a diferença.
No início da semana passada, a CNT/MDA nos disse que Dilma liderava (43,7%), seguida de Aécio (17%) e Eduardo Campos (9,9%). O Datafolha nos traz a mesma situação: Dilma (44%), Aécio (16%) e Eduardo (9%). No cenário com Marina, o mesmo ocorre. Na CNT/MDA temos Dilma (40,7%) seguida de Marina, que toma o segundo lugar (20,6%), e Aécio (15,1%). O Datafolha dá Dilma (43%), Marina (23%) e Aécio (15%). Os números batem.
Mas o Datafolha trouxe Joaquim Barbosa para o ringue. No cenário com Eduardo Campos, Barbosa toma o segundo lugar de Aécio e chega a 16%. Percebe-se que leva um pouco dos votos de cada um, mas preponderantemente cresce com os votos dos indecisos, que optam por seu nome. No cenário com Marina, Barbosa chega a 14% e embola o meio de campo, deixando Marina com 17% e Aécio com 12%. Dilma, em ambos os cenários, tem algo em torno de 40%-42%.
Agora chegamos ao ponto importante, a rejeição, o mesmo que analisei na semana passada. No CNT/MDA, Dilma é rejeitada por 37,3, Aécio por 36%, Eduardo por 33,9 e Marina por 35,5%. O Datafolha trouxe números convergentes, com exceção de Marina. Vejamos, Dilma, Aécio e Eduardo são rejeitados por 30%. Barbosa, inserido nesta pesquisa, tem rejeição de 27% e Marina somente de 20%. Percebemos que a rejeição a Marina é diferente. Para CNT/MDA é de 33,5% e para o Datafolha é de apenas 20%.
Se os números do Datafolha estiverem corretos, o PSB já tem candidato, ou melhor candidata. Marina, com esta taxa de rejeição, tem enorme potencial para crescimento, enquanto Eduardo, mesmo desconhecido do eleitorado, já tem rejeição em patamar similar a Dilma, candidata mais conhecida. Barbosa tem rejeição alta, mas dentro do patamar do voto petista, cerca de 30%. Tem potencial também. Entretanto, se os números do Datafolha estiverem corretos, Marina, para onde desaguaram intenções de voto depois das manifestações de 2013, desponta como o grande nome desta pesquisa e talvez das eleições, especialmente se Joaquim Barbosa decidir não entrar no páreo.
sexta-feira, fevereiro 21, 2014
Os Governadores
2014 é ano de eleições legislativas nos Estados Unidos, mas é também tempo de muitas disputas para os governos dos estados. Como escrevi ontem aqui, um dos alvos dos democratas é o governador Scott Walker de Wisconsin, potencial candidato presidencial republicano. Os democratas tem outros alvos, em especial governadores eleitos em estados que votaram em Obama nas últimas eleições, mas que possuem republicanos eleitos em seu comando. A idéia dos democratas é reverter esta situação.
O partido do presidente Obama foca em duas situações: estados tradicionalmente democratas que elegeram republicanos na onda conservadora de 2010 e estados que variam em cada eleição, chamados de "swinging states", fundamentais em uma eleição presidencial. Neste rol estão Ohio, Nevada, Pennsylvania e Flórida, por exemplo, governados por republicanos e essenciais em uma eleição para a Casa Branca. Estes estados deram a vitória a Bush em 2000 e 2004 e para Obama em 2008 e 2012.
2010 foi um ano singular para os republicanos, pois além de vencer em "swinging states", venceram em territórios de recente tradição democrata, como Michigan, Maine, Wisconsin, Iowa e Novo México. O objetivo é virar estes estados, mas sabe-se que não é possível fazer tudo. Com bons números em Nevada, Iowa e Novo México, os republicanos Brian Sandoval, Terry Branstad e Susana Martinez devem vencer com facilidade. O foco dos democratas é outro.
Dentro da estratégia política, é mais importante vencer em estados que podem virar a eleição presidencial em dois anos, do que naqueles de forte tradição democrata, que mesmo com governadores republicanos possuem a tendência de despejar seus votos no partido de Obama em 2016. Logo o foco está claro. Vencendo uma eleição em Wisconsin, por exemplo, ele abatem de quebra a possível candidatura presidencial de Scott Walker. O foco democrata portanto está em Wisconsin, Ohio, Flórida e Pennsylvania.
Mas nem tudo é fácil neste caminho. Apesar de na Flórida, Maine e Pennsylvania o trabalho ser relativamente mais fácil, em Wisconsin, Ohio e Michigan, os republicanos tem levantado doações expressivas de campanha e se preparam de forma consistente para as eleições. Quem pode emergir como um grande líder nessa história é Chris Christie, governador de New Jersey e Presidente da Associação de Governadores Republicanos, que pode ajudar estes governadores a vencer. Se isto ocorrer, pavimenta seu caminho para a indicação do partido para o pleito presidencial. Como vemos, muito estará em jogo em 2014.
O partido do presidente Obama foca em duas situações: estados tradicionalmente democratas que elegeram republicanos na onda conservadora de 2010 e estados que variam em cada eleição, chamados de "swinging states", fundamentais em uma eleição presidencial. Neste rol estão Ohio, Nevada, Pennsylvania e Flórida, por exemplo, governados por republicanos e essenciais em uma eleição para a Casa Branca. Estes estados deram a vitória a Bush em 2000 e 2004 e para Obama em 2008 e 2012.
2010 foi um ano singular para os republicanos, pois além de vencer em "swinging states", venceram em territórios de recente tradição democrata, como Michigan, Maine, Wisconsin, Iowa e Novo México. O objetivo é virar estes estados, mas sabe-se que não é possível fazer tudo. Com bons números em Nevada, Iowa e Novo México, os republicanos Brian Sandoval, Terry Branstad e Susana Martinez devem vencer com facilidade. O foco dos democratas é outro.
Dentro da estratégia política, é mais importante vencer em estados que podem virar a eleição presidencial em dois anos, do que naqueles de forte tradição democrata, que mesmo com governadores republicanos possuem a tendência de despejar seus votos no partido de Obama em 2016. Logo o foco está claro. Vencendo uma eleição em Wisconsin, por exemplo, ele abatem de quebra a possível candidatura presidencial de Scott Walker. O foco democrata portanto está em Wisconsin, Ohio, Flórida e Pennsylvania.
Mas nem tudo é fácil neste caminho. Apesar de na Flórida, Maine e Pennsylvania o trabalho ser relativamente mais fácil, em Wisconsin, Ohio e Michigan, os republicanos tem levantado doações expressivas de campanha e se preparam de forma consistente para as eleições. Quem pode emergir como um grande líder nessa história é Chris Christie, governador de New Jersey e Presidente da Associação de Governadores Republicanos, que pode ajudar estes governadores a vencer. Se isto ocorrer, pavimenta seu caminho para a indicação do partido para o pleito presidencial. Como vemos, muito estará em jogo em 2014.
quinta-feira, fevereiro 20, 2014
A Vez de Walker
Primeiro foi Chris Christie. O alvo agora é o governador de Wisconsin, Scott Walker. Mais um potencial candidato republicano é atingido por um escândalo, de proporções infinitamente menores, é claro, mas com potencial para desgastar a sua imagem. Na verdade, Walker enfrenta uma enorme oposição em seu Estado - inclusive enfrentou um recall depois de eleito, e venceu. Agora, com seu nome em rede nacional, passa a ser alvo dos democratas.
O caso se resume ao fato de um antigo chefe de gabinete substituto ter sido condenado por práticas políticas consideradas ilícitas. Em decorrência disso, agora tornaram-se públicas as trocas de emails entre diversos assessores de Walker, inclusive o tal condenado, com mensagens nada amistosas sobre adversários e manobras políticas executadas dentro da campanha. Nada que ligue diretamente o caso ao conhecimento do Governador, ou seja, pelo que se sabe até agora, as conversas estavam limitadas aos assessores.
Walker enfrentará uma campanha pela reeleição em breve. Apesar de popular e ter grandes chances de vitória, será uma eleição dura, afinal estamos falando de Wisconsin, que apesar de ter eleito um republicano para governar o estado, votou com Obama na eleição presidencial e tem um história política ligada ao partido democrata e ao poder exercido pelos sindicatos.
Mas Walker se tornou uma das jóias do partido republicano e do Tea Party. Original de Iowa, Walker, que conheço pessoalmente, é um sujeito simples e isto tem um potencial eleitoral incrível. Seu carisma com o eleitorado é forte e sendo um conservador legítimo, transita com facilidade pelas diferentes alas do partido. Ele é um grande amigo do governador de New Jersey, o moderado Chris Christie.
Da primeira vez que Walker recebeu ataques, sua tendência foi crescer. Seus opositores acreditaram que poderiam vencer um eventual recall da eleição para Governador. Scott Walker virou o jogo, venceu o recall e se tornou um herói nacional do partido republicano. Sendo um político muito perspicaz, tende a crescer quando sofre ataques, pois sabe como reagir. Diante da exposição, se tornou o próximo da lista de potenciais candidatos presidenciais republicanos a sofrer ataques, mas como sabe-se em Milwaukee, talvez isto apenas ajude a sedimentar ainda mais seu nome perante o eleitorado.
O caso se resume ao fato de um antigo chefe de gabinete substituto ter sido condenado por práticas políticas consideradas ilícitas. Em decorrência disso, agora tornaram-se públicas as trocas de emails entre diversos assessores de Walker, inclusive o tal condenado, com mensagens nada amistosas sobre adversários e manobras políticas executadas dentro da campanha. Nada que ligue diretamente o caso ao conhecimento do Governador, ou seja, pelo que se sabe até agora, as conversas estavam limitadas aos assessores.
Walker enfrentará uma campanha pela reeleição em breve. Apesar de popular e ter grandes chances de vitória, será uma eleição dura, afinal estamos falando de Wisconsin, que apesar de ter eleito um republicano para governar o estado, votou com Obama na eleição presidencial e tem um história política ligada ao partido democrata e ao poder exercido pelos sindicatos.
Mas Walker se tornou uma das jóias do partido republicano e do Tea Party. Original de Iowa, Walker, que conheço pessoalmente, é um sujeito simples e isto tem um potencial eleitoral incrível. Seu carisma com o eleitorado é forte e sendo um conservador legítimo, transita com facilidade pelas diferentes alas do partido. Ele é um grande amigo do governador de New Jersey, o moderado Chris Christie.
Da primeira vez que Walker recebeu ataques, sua tendência foi crescer. Seus opositores acreditaram que poderiam vencer um eventual recall da eleição para Governador. Scott Walker virou o jogo, venceu o recall e se tornou um herói nacional do partido republicano. Sendo um político muito perspicaz, tende a crescer quando sofre ataques, pois sabe como reagir. Diante da exposição, se tornou o próximo da lista de potenciais candidatos presidenciais republicanos a sofrer ataques, mas como sabe-se em Milwaukee, talvez isto apenas ajude a sedimentar ainda mais seu nome perante o eleitorado.
quarta-feira, fevereiro 19, 2014
O Líder de Obama
Harry Reid é o homem que controla o Senado em Washington. Ele é o líder do governo Obama desde seus primeiros dias na Casa Branca. Apesar de ouvir muito, é combativo, duro e difícil de negociar. Sua postura, muitas vezes chamada de ditatorial, é um dos principais motivos para os republicanos tentarem de todas as formas retomar a maioria perdida entre os senadores. Durante os sete anos de Reid na liderança, ele mandou 74 projetos para o plenário, uma média 10 vezes maior do que seus antecessores.
Na outra Casa tudo funciona diferente. Na Câmara existe uma Presidência, exercida pelos republicanos, que detém maioria. O comando da Casa está nas mãos do republicano John Boehner, de Ohio. Já a liderança dos republicanos fica por conta de Eric Cantor, da Virgínia e a dos democratas com Nacy Pelosi, da Califórnia. A Câmara, portanto, como vemos, possui um comando republicano, além de possuir um líder da maioria, também republicano. No Senado, entretanto, existem apenas duas forças, a maioria, hoje democrata e a minoria, republicana, sob o comando de Mitch McConnell, do Kentucky. A Presidência do Senado é exercida constitucionalmente pelo Vice-Presidente.
Mas o que vemos hoje é um Senado parecido com a Câmara. Harry Reid, líder da maioria, exerce de fato o comando da Casa, muitas vezes de forma mais determinante do que John Boehner faz na Câmara, o que lembra a liderança incontestável que Lyndon Johnson exerceu no Senado nos anos 50. Isto, entretanto, incomoda os demais senadores, tanto democratas quanto republicanos, uma vez que esta não é a característica constitucional do Senado.
Reid, eleito pelo Nevada desde 1986, é o mentor da estratégia nuclear de alterar o regimento do Senado para acabar com as obstruções dos republicanos, um movimento que aumentou a distância entre os dois partidos de forma substancial. O próprio Reid, quando estava na oposição era um dos mais ardentes defensores das táticas de obstrução, o chamado filibuster. Até Obama sentiu o poder de Reid contra si mesmo. O líder democrata anunciou que o Senado não apoiaria a idéia de dar uma autorização expressa, chamada de "fast track", para o Presidente negociar acordos comerciais internacionais.
Mas o líder de Obama pensa no partido e na manutenção de seu cargo. Reid deixou de mandar para o plenário temas que pudessem afetar a campanha democrata deste ano, evitando que os senadores que tentam reeleição, tivessem que adotar posições polêmicas. Se depender dele, os democratas mantém a maioria do Senado. Reid, um político habilidoso, completará no ano das eleições presidenciais 30 anos como senador. Hoje, aos 74 anos, mantém os lobbies de doadores e senadores sob seu direto controle, mesmo que isto gere a ira dos republicanos. Com sua maioria em jogo nas eleições dos próximos meses, 2014 é ano de Reid.
Na outra Casa tudo funciona diferente. Na Câmara existe uma Presidência, exercida pelos republicanos, que detém maioria. O comando da Casa está nas mãos do republicano John Boehner, de Ohio. Já a liderança dos republicanos fica por conta de Eric Cantor, da Virgínia e a dos democratas com Nacy Pelosi, da Califórnia. A Câmara, portanto, como vemos, possui um comando republicano, além de possuir um líder da maioria, também republicano. No Senado, entretanto, existem apenas duas forças, a maioria, hoje democrata e a minoria, republicana, sob o comando de Mitch McConnell, do Kentucky. A Presidência do Senado é exercida constitucionalmente pelo Vice-Presidente.
Mas o que vemos hoje é um Senado parecido com a Câmara. Harry Reid, líder da maioria, exerce de fato o comando da Casa, muitas vezes de forma mais determinante do que John Boehner faz na Câmara, o que lembra a liderança incontestável que Lyndon Johnson exerceu no Senado nos anos 50. Isto, entretanto, incomoda os demais senadores, tanto democratas quanto republicanos, uma vez que esta não é a característica constitucional do Senado.
Reid, eleito pelo Nevada desde 1986, é o mentor da estratégia nuclear de alterar o regimento do Senado para acabar com as obstruções dos republicanos, um movimento que aumentou a distância entre os dois partidos de forma substancial. O próprio Reid, quando estava na oposição era um dos mais ardentes defensores das táticas de obstrução, o chamado filibuster. Até Obama sentiu o poder de Reid contra si mesmo. O líder democrata anunciou que o Senado não apoiaria a idéia de dar uma autorização expressa, chamada de "fast track", para o Presidente negociar acordos comerciais internacionais.
Mas o líder de Obama pensa no partido e na manutenção de seu cargo. Reid deixou de mandar para o plenário temas que pudessem afetar a campanha democrata deste ano, evitando que os senadores que tentam reeleição, tivessem que adotar posições polêmicas. Se depender dele, os democratas mantém a maioria do Senado. Reid, um político habilidoso, completará no ano das eleições presidenciais 30 anos como senador. Hoje, aos 74 anos, mantém os lobbies de doadores e senadores sob seu direto controle, mesmo que isto gere a ira dos republicanos. Com sua maioria em jogo nas eleições dos próximos meses, 2014 é ano de Reid.
terça-feira, fevereiro 18, 2014
Nova Pesquisa
Acaba de sair uma pesquisa de intenção de voto para Presidente. Dilma continua na frente e Marina segue no seu patamar de 2010. Aécio ainda não decolou e Eduardo Campos não empolga nem com Marina na vice. Se o quadro permanecer como está, Dilma tende a alcançar uma vitória segura, talvez no primeiro turno, mas a pesquisa vai além e traz dados mais importantes.
Intenção de voto é bonito e interessante, mas a ciência política vai além. Percebe-se que todos os candidatos alcançam um patamar entre 33% e 37% de rejeição. Ninguém chegou aos 40%, o que inviabiliza uma vitória, mas se todos chegam perto deste patamar, a pesquisa nos diz alguma coisa. O que descobrimos nestes números é a mesma mensagem das ruas durante os protestos do ano passado: a rejeição aos políticos tradicionais. E vamos além: isto nos diz outra coisa.
A outra constatação é que existe não apenas um vácuo para uma terceira-via, existe uma avenida inteira aberta para este candidato passar. A rejeição em patamares semelhantes e altos deixa a porta aberta para um novo político, aos moldes dos fenômenos eleitorais de Collor e Jânio, chegar ao poder. Este candidato ainda não se apresentou e talvez nem se apresente. Mas o espaço para ser ocupado está ali.
O nome natural que paira na cabeça de todos que fazem este raciocínio é Joaquim Barbosa. Longe da política partidária, ele é o anti-político que se encaixa na percepção deste eleitorado carente de liderança. Política é timing. Joaquim tem nas mãos sua preciosa chance de chegar ao Planalto. Se vai aproveitá-la é outra história. Se decidir entrar para a política em quatro anos, terá se tornado um coadjuvante.
Este é o cenário colocado hoje. Certamente uma campanha reserva muitas surpresas. Todos conhecem o temperamento do Ministro e sabemos que sua fortaleza com o eleitorado é também sua fraqueza durante uma campanha, que se bem explorada, pode fazer sua candidatura se desmanchar, a exemplo de Ciro Gomes em 2002.
Logo, mais importante do que entender o que diz objetivamente esta pesquisa é enxergar a direção que ela aponta. Neste momento o eleitorado rejeita as opções que tem e busca um nome. Na falta dele, permanece com Dilma.
Intenção de voto é bonito e interessante, mas a ciência política vai além. Percebe-se que todos os candidatos alcançam um patamar entre 33% e 37% de rejeição. Ninguém chegou aos 40%, o que inviabiliza uma vitória, mas se todos chegam perto deste patamar, a pesquisa nos diz alguma coisa. O que descobrimos nestes números é a mesma mensagem das ruas durante os protestos do ano passado: a rejeição aos políticos tradicionais. E vamos além: isto nos diz outra coisa.
A outra constatação é que existe não apenas um vácuo para uma terceira-via, existe uma avenida inteira aberta para este candidato passar. A rejeição em patamares semelhantes e altos deixa a porta aberta para um novo político, aos moldes dos fenômenos eleitorais de Collor e Jânio, chegar ao poder. Este candidato ainda não se apresentou e talvez nem se apresente. Mas o espaço para ser ocupado está ali.
O nome natural que paira na cabeça de todos que fazem este raciocínio é Joaquim Barbosa. Longe da política partidária, ele é o anti-político que se encaixa na percepção deste eleitorado carente de liderança. Política é timing. Joaquim tem nas mãos sua preciosa chance de chegar ao Planalto. Se vai aproveitá-la é outra história. Se decidir entrar para a política em quatro anos, terá se tornado um coadjuvante.
Este é o cenário colocado hoje. Certamente uma campanha reserva muitas surpresas. Todos conhecem o temperamento do Ministro e sabemos que sua fortaleza com o eleitorado é também sua fraqueza durante uma campanha, que se bem explorada, pode fazer sua candidatura se desmanchar, a exemplo de Ciro Gomes em 2002.
Logo, mais importante do que entender o que diz objetivamente esta pesquisa é enxergar a direção que ela aponta. Neste momento o eleitorado rejeita as opções que tem e busca um nome. Na falta dele, permanece com Dilma.
segunda-feira, fevereiro 17, 2014
Aposta em Hillary
Hillary ainda não colocou o bloco na rua, mas sua candidatura é considerada um fato. Mesmo que ainda existam outros nomes que possam tentar rivalizar com ela a indicação, as probabilidades de que outra pessoa venha a concorrer nas eleições gerais de 2016 pelo partido democrata são pequenas. Isto é uma vantagem , pois direciona os principais doadores diretamente para sua campanha desde o princípio, mas também causa problemas, especial neste ano de eleições parlamentares.
Tudo começa na Presidência de Obama. Com a popularidade em baixa, o Presidente americano abriu a temporada de especulações sobre quem seria seu sucessor. Em ambas os partidos já se respira e se age com foco em 2016. Como Hillary não deseja ser atropelada por outro Obama, como aconteceu em 2008, preferiu fechar os flancos e trabalhar diretamente para que nenhum adversário forte possa aparecer. Para ela, o jogo da sucessão já começou.
Mas isto é um problema para o partido democrata que enfrentará eleições parlamentares duras nos próximos meses. As chances dos republicanos tomarem o Senado e manterem a Câmara é grande e isto jogaria a Presidência de Obama no limbo até o fim de seu mandato. Nada mais seria feito. Portanto, é de suma importância para os democratas vencer este jogo, pelo menos no Senado, mantendo sua maioria. O problema é que o páreo de 2016 já começou e as doações de campanha agora tem este foco.
Na sua tentativa de chegar a Casa Branca em 2008, Hillary começou a se articular em 2006, depois das eleições parlamentares que levaram os democratas ao controle da Câmara. Vemos que agora o timing é diferente, ela se movimenta antes das eleições parlamentares. O porém neste caso é outro, já que naquele ano o presidente enfraquecido perante a opinião pública era o republicano George Bush, hoje é o democrata Barack Obama. Como o Presidente se tornou radioativo para muitos candidatos, existe um vácuo de liderança política a ser preenchido.
O partido democrata precisa entender que seu foco ainda não é em 2016, mas em 2014. Se não agir desta forma, pode tomar uma surra eleitoral dos republicanos. Mas o foco na eleição presidencial pode ajudar. Se os democratas se unirem em torno de Hillary e ela apresentar-se como a nova líder do partido, isto pode consolidar seu nome para as primárias e ajudar muitos deputados e senadores a vencer, como ela fez nas campanhas de Bill de Blasio em Nova York e Terry McAuliffe na Virgínia. Se ela controlar o jogo, será inevitavelmente a candidata dos democratas. As fichas estão na mesa.
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
Promessa Brasileira
Black blocks, manifestações e violência nos centros urbanos são o resultado de uma equação: a pressão do aumento de renda da população versus os resultados do fim de um ciclo econômico artificial ou demanda ampliada da população versus oferta reprimida do Estado. No passado recente houve um aumento do poder de compra com origem no plano de estabilização da moeda, ainda no governo Fernando Henrique. Depois disso, a ampliação mediante os programas de transferência de renda durante a administração Lula. Avançamos em direções importantes, em especial em programas sociais que atuam onde existe miséria, mas mostramos ineficiência em tantas outras. Se de um lado foi possível aumentar a renda, do outro os gargalos para atendimento desta demanda ficaram latentes. As revoltas atuais são um resultado desta realidade.
Chegamos a uma situação crítica, que no Brasil sempre pode piorar. A classe média, espremida entre a falta de infra-estrutura e a violência, clama por uma solução, especialmente repressiva, para fazer cessar o mal iminente. A necessidade de repressão, entretanto, é simples consequência de um modelo esgotado que gera revolta. A origem dos problemas não está na violência em si, latente para quem convive com sua ameaça, mas naquilo que gera a indignação.
É preciso entender que o modelo de aumento de renda puro e simples está esgotado. O Brasil precisa ir além. Como não houve avanço em outras frentes, colhemos este triste resultado. Houve falta, entre outras coisas, de uma política consistente de educação e uma guinada a um modelo econômico menos repressivo, que apesar de transferir renda, não garantiu uma evolução natural para um sistema sustentável.
O Brasil atuou de um lado da equação. Por si só a estabilização gerou aumento do poder de consumo. Tivemos, portanto, um aumento de demanda, seja por meio dos programas de transferência de renda, milionários empréstimos concedidos pelo BNDES ou financiamentos imobiliários da Caixa, entre tantos outros. Criou-se uma bolha, ou seja, um excesso de renda sem pilares claros de sustentação em uma economia real. A bolha está estourando em manifestações e revoltas, em especial da classe média.
Tínhamos dois modelos a seguir depois da estabilização. Realizar reformas que desafogassem a economia e impulsionasse a criação de novos empreendedores, por meio de desregulamentação e flexibilização, ou uma intervenção do Estado direcionando os rumos da economia, similar ao vivido pelo país na década de 70. O Brasil optou pela segunda opção.
Entretanto, esta alternativa exige do Estado prestações muito pesadas, seja por meio de investimentos diretos ou financiamentos. Enquanto a renda aumentava em função do plano de estabilização da moeda, concursos públicos, subsídios ou mesmo bolsas de ajuda do governo, a demanda por mais infra-estrutura e serviços também avançava. Mais uma vez, assim como na década de 80, vimos que o Estado não foi capaz de financiar e executar a sua parte, em especial obras como portos, aeroportos, saneamento, energia e estradas. Os gargalos apareceram. A demanda da população colidiu com a ineficiência estatal.
A pressão esta posta. Uma população que possui maior renda e agora com maior demanda esbarra na falta de infra-estrutura e nas regulações criadas pelo governo que emperram a livre iniciativa. O encerramento do ciclo do crédito e o estrangulamento da capacidade de financiamento do Estado leva a esta situação paradoxal que vivemos hoje. Existe a falta de perspectiva de uma economia sólida para sustentar este ciclo de crescimento que já respira por aparelhos. A saída na década de 90 foi privatizar, mais por necessidade do que por convicção. A pressão do momento levou o governo a começar a tomar, ainda de forma tímida e pontual, o mesmo caminho.
O Brasil vem perdendo, mais uma vez, um momento histórico de oportunidade. Nosso problema latente é a violência, mas precisamos entender que isto é a consequência de apostas equivocadas. O ponto central é a economia. Terminar com a violência exige um tratamento de fundo que vai muito além da repressão e passa por reformular de verdade as bases da educação e principalmente da economia. Isto leva uma geração. Aprendemos que o Estado, quando tenta induzir o crescimento, acaba por limitá-lo. Aprendemos que aumentar a renda, sem a base de uma economia sólida e um sistema de educação decente, gera conflitos e violência. Já chegou a hora de lidar de forma madura com nossos problemas.
quinta-feira, fevereiro 13, 2014
A Boa Política
Pouco se falou sobre isso, mas alguns republicanos deram uma aula de política colocando o país em primeiro lugar. O líder do movimento foi o Presidente da Câmara, John Boehner. Ele articulou com outros deputados de seu partido o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos. Fez isso sem pressionar a Casa Branca e sem fazer espetáculo. A boa política.
Desde o fechamento temporário do governo e depois com a pressão para não aumentar o teto da dívida, o que deixaria os Estados Unidos sem honrar seus títulos, o país vivia a apreensão da chegada de fevereiro, quando venceria a prorrogação autorizada pelo Congresso e toda a discussão seria retomada. Boehner preferiu costurar um acordo dentro do parlamento e evitar mais uma vez o constrangimento de enxergar Washington em uma situação embaraçosa novamente.
Obama é um Presidente que joga duro. Durante as negociações meses atrás preferiu não ceder em qualquer ponto. Os republicanos mais radicais procuravam pressionar para evitar a entrada em funcionamento do Obamacare, mas foram pouco efetivos. O Presidente deu de ombros e diante da possibilidade de um vexame financeiro, os congressistas cederam.
Apesar do jogo duro de Obama, os republicanos colheram resultados ruins com esta pressão. Pesquisas apontaram que a população culpava Obama, mas também o principal partido de oposição por ser intransigente. Boehner tinha isso em mente. Em ano eleitoral, os republicanos não podem arcar com o custo político de deixar o país insolvente. Assim, o acordo foi realizado com o apoio de alguns deputados republicanos que votaram com os democratas.
Boehner manteve a governabilidade e a boa imagem dos Estados Unidos. Evitou o desgaste de seu partido. Seus pares, entretanto, não pensam como ele. Alas dentro do partido republicano já pedem a cabeça do Presidente da Câmara. Dizem que ele deve ser substituído. Já até existe candidato, Eric Cantor, líder dos republicanos na Casa. Fazer a política da maneira certa, muitas vezes gera desgastes. Boehner, filho de um barbeiro em Cincinnati, experimenta aquela máxima da política: "Do outro lado, sentam os adversários. Os inimigos sentam aqui conosco".
Desde o fechamento temporário do governo e depois com a pressão para não aumentar o teto da dívida, o que deixaria os Estados Unidos sem honrar seus títulos, o país vivia a apreensão da chegada de fevereiro, quando venceria a prorrogação autorizada pelo Congresso e toda a discussão seria retomada. Boehner preferiu costurar um acordo dentro do parlamento e evitar mais uma vez o constrangimento de enxergar Washington em uma situação embaraçosa novamente.
Obama é um Presidente que joga duro. Durante as negociações meses atrás preferiu não ceder em qualquer ponto. Os republicanos mais radicais procuravam pressionar para evitar a entrada em funcionamento do Obamacare, mas foram pouco efetivos. O Presidente deu de ombros e diante da possibilidade de um vexame financeiro, os congressistas cederam.
Apesar do jogo duro de Obama, os republicanos colheram resultados ruins com esta pressão. Pesquisas apontaram que a população culpava Obama, mas também o principal partido de oposição por ser intransigente. Boehner tinha isso em mente. Em ano eleitoral, os republicanos não podem arcar com o custo político de deixar o país insolvente. Assim, o acordo foi realizado com o apoio de alguns deputados republicanos que votaram com os democratas.
Boehner manteve a governabilidade e a boa imagem dos Estados Unidos. Evitou o desgaste de seu partido. Seus pares, entretanto, não pensam como ele. Alas dentro do partido republicano já pedem a cabeça do Presidente da Câmara. Dizem que ele deve ser substituído. Já até existe candidato, Eric Cantor, líder dos republicanos na Casa. Fazer a política da maneira certa, muitas vezes gera desgastes. Boehner, filho de um barbeiro em Cincinnati, experimenta aquela máxima da política: "Do outro lado, sentam os adversários. Os inimigos sentam aqui conosco".
quarta-feira, fevereiro 12, 2014
Brincando com Fogo
Obama avisou que iria brincar com fogo. Está cumprindo a promessa. Hoje ele assina a sétima ordem executiva desde seu discurso no parlamento. Desta vez o tema é o salário mínimo. Como o Congresso não apreciou sua proposta de aumento, o Presidente atuará unilateralmente aumentando o valor do mínimo pago aos empregados federais e aqueles que estão sob contrato do governo. Um movimento para lá de perigoso.
Poderíamos discutir como o estabelecimento de um valor de salário mínimo na verdade reduz o mínimo que poderia ser pago sem esta regulação, mas a questão não é essa. Obama está comprando mais uma briga com o Congresso e criando animosidades que no futuro podem paralisar sua administração. Ao invés de negociar, fornece combustível para grupos que chamam sua presidência de imperial e isolada do debate e para os republicanos mais conservadores ocuparem a mídia com ataques ao seu governo.
O Presidente hoje possui uma popularidade muito baixa, apesar de ter sido reeleito apenas um ano atrás. O debate político circula sempre sobre quem será seu sucessor. Se os republicanos tomarem o controle do Senado nas eleições que se avizinham, o governo Obama terá um fim melancólico e suas atitudes somente ajudam para isso acontecer. A personalidade do Presidente, quando se distancia do parlamento e age unilateralmente, somente serve para aumentar o fosso entre as duas maiores forças políticas. Ao contrário do que tem feito, ele foi eleito diminuir esta distância e apresentar um novo modo de fazer política. Infelizmente escolheu o antigo caminho da confrontação.
Além disso, sabemos muito pouco sobre o real impacto do aumento nos contratos federais, pois as bases em que se dará ainda são desconhecidas. Esta incerteza sobre os atos do governo e uma forma de fazer leis sem o devido debate nas casas eleitas para isso faz mal para imagem dos Estados Unidos. A forma transparente do debate legislativo fornece garantias democráticas para que os grupos afetados por uma nova proposta de lei possam se mobilizar e defender seus interesses.
Governar em ritmo de embate com o Congresso é perigoso. Sem maioria, Obama tem usado manobras e táticas para burlar o debate legislativo sob a justificativa de que o parlamento está paralisado. Bem, se continuar a assim, estará asfaltando a estrada por onde marchará a maioria republicana em alguns meses e talvez em 2016.
Poderíamos discutir como o estabelecimento de um valor de salário mínimo na verdade reduz o mínimo que poderia ser pago sem esta regulação, mas a questão não é essa. Obama está comprando mais uma briga com o Congresso e criando animosidades que no futuro podem paralisar sua administração. Ao invés de negociar, fornece combustível para grupos que chamam sua presidência de imperial e isolada do debate e para os republicanos mais conservadores ocuparem a mídia com ataques ao seu governo.
O Presidente hoje possui uma popularidade muito baixa, apesar de ter sido reeleito apenas um ano atrás. O debate político circula sempre sobre quem será seu sucessor. Se os republicanos tomarem o controle do Senado nas eleições que se avizinham, o governo Obama terá um fim melancólico e suas atitudes somente ajudam para isso acontecer. A personalidade do Presidente, quando se distancia do parlamento e age unilateralmente, somente serve para aumentar o fosso entre as duas maiores forças políticas. Ao contrário do que tem feito, ele foi eleito diminuir esta distância e apresentar um novo modo de fazer política. Infelizmente escolheu o antigo caminho da confrontação.
Além disso, sabemos muito pouco sobre o real impacto do aumento nos contratos federais, pois as bases em que se dará ainda são desconhecidas. Esta incerteza sobre os atos do governo e uma forma de fazer leis sem o devido debate nas casas eleitas para isso faz mal para imagem dos Estados Unidos. A forma transparente do debate legislativo fornece garantias democráticas para que os grupos afetados por uma nova proposta de lei possam se mobilizar e defender seus interesses.
Governar em ritmo de embate com o Congresso é perigoso. Sem maioria, Obama tem usado manobras e táticas para burlar o debate legislativo sob a justificativa de que o parlamento está paralisado. Bem, se continuar a assim, estará asfaltando a estrada por onde marchará a maioria republicana em alguns meses e talvez em 2016.
terça-feira, fevereiro 11, 2014
A Batalha pelo Senado
Os republicanos possuem a maioria na Câmara. Devem manter esta vantagem, podendo inclusive ser ampliada. Mas a grande batalha que se avizinha é pelo controle do Senado. Esta briga é mais importante do que se imagina. Na política americana, muitas vezes é mais importante possuir a maioria no Congresso do que a Casa Branca, pois a dinâmica da política por aqui é determinada pelo parlamento.
Se os republicanos alcançarem a maiora no Senado, Obama pode dar adeus a qualquer iniciativa ou projeto que tenha em mente para seus dois últimos anos na avenida Pennsylvania. O massacre sobre o governo democrata será brutal e certamente o GOP colocará a administração democrata para dançar conforme a sua música. Com um executivo enfraquecido e sem maioria parlamentar, o partido de Obama sai em desvantagem na eleição presidencial.
Esta é a importância das eleições para o Congresso que teremos este ano por aqui. Ela pode influir na dinâmica da política americana, influenciando inclusive a sucessão presidencial. Logo, os republicanos, de olho na Casa Branca em 2016, sabem que precisam mostrar musculatura em 2014. O jogo da sucessão já começou e o primeiro movimento será ainda este ano.
Cientes disso, os republicanos montaram uma máquina nacional de fazer política que está em funcionamento por todo o país. Onde não havia trabalho no passado, hoje vemos equipes de cinco a dez pessoas espalhadas pelos Estados Unidos em cada distrito em plena atividade, seja no mapeamento, como na análise de pesquisas e treinamento de candidatos. Os republicanos montaram uma estrutura profissional para vencer.
No aspecto da macropolítica, o partido precisa tomar uma decisão. Vencer com os candidatos mais fortes, mesmo que mais moderados, ou perder com a autenticidade dos mais mais conservadores. Segundo a direção do partido hoje, a primeira opção é a mais segura e será a escolhida, mesmo enfrentando resistências.
Manter a Câmara. Tomar o Senado. Paralisar os democratas. Estes são os primeiros passos dos republicanos em direção ao Salão Oval.
Se os republicanos alcançarem a maiora no Senado, Obama pode dar adeus a qualquer iniciativa ou projeto que tenha em mente para seus dois últimos anos na avenida Pennsylvania. O massacre sobre o governo democrata será brutal e certamente o GOP colocará a administração democrata para dançar conforme a sua música. Com um executivo enfraquecido e sem maioria parlamentar, o partido de Obama sai em desvantagem na eleição presidencial.
Esta é a importância das eleições para o Congresso que teremos este ano por aqui. Ela pode influir na dinâmica da política americana, influenciando inclusive a sucessão presidencial. Logo, os republicanos, de olho na Casa Branca em 2016, sabem que precisam mostrar musculatura em 2014. O jogo da sucessão já começou e o primeiro movimento será ainda este ano.
Cientes disso, os republicanos montaram uma máquina nacional de fazer política que está em funcionamento por todo o país. Onde não havia trabalho no passado, hoje vemos equipes de cinco a dez pessoas espalhadas pelos Estados Unidos em cada distrito em plena atividade, seja no mapeamento, como na análise de pesquisas e treinamento de candidatos. Os republicanos montaram uma estrutura profissional para vencer.
No aspecto da macropolítica, o partido precisa tomar uma decisão. Vencer com os candidatos mais fortes, mesmo que mais moderados, ou perder com a autenticidade dos mais mais conservadores. Segundo a direção do partido hoje, a primeira opção é a mais segura e será a escolhida, mesmo enfrentando resistências.
Manter a Câmara. Tomar o Senado. Paralisar os democratas. Estes são os primeiros passos dos republicanos em direção ao Salão Oval.
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
O Voto Latino
As projeções realizadas dentro do partido republicano são feitas dentro de um espectro de candidatos que vão de Chris Christie até Rand Paul, passando por Marco Rubio, Scott Walker e Ted Cruz. Todas, entretanto, não consideram o nome do ex-governador da Florida, Jeb Bush, como candidato. Mas talvez seu nome volte ao cenário em breve.
A possível entrada de Jeb Bush mexe com todo o cenário republicano. Se ele decidir concorrer, a estrutura muda, pois ele tem um amplo leque de apoios entre doadores, tanto na Flórida como nacionalmente, e penetração em partes do partido que podem consolidar seu nome. Entraria nas primárias extremamente competitivo.
A campanha de Jeb nasceria na Flórida. A primeira baixa seria Marco Rubio. Aqui em Miami, onde pude pesquisar melhor sobre o assunto e conversar com algumas lideranças políticas, vejo que esta possibilidade é real. Jeb, um conservador em temas sociais e um liberal em termos econômicos, possui uma enorme penetração dentro do Tea Party e, no espectro da Flórida, consegue alcançar doares de campanha que teriam que escolher entre seu nome e o de Rubio. Jeb sai em vantagem.
Rubio teria um problema. Ele encarna a figura do latino que tanto o partido necessita, mas como um filho do Tea Party, tende a vir com uma posição mais dura em relação a imigração, o que pode enfraquecê-lo em sua principal base eleitoral. Jeb tem um currículo para apresentar como governador da Flórida e isto faz diferença em seu favor.
Um outro fator que enfraquece Rubio é Susana Martinez, governadora do Novo México. Republicana, latina e mulher, é a equação perfeita para a candidata a vice, especialmente se Hillary sair como candidata. Martinez seria a vice perfeita para Scott Walker, Chris Christie e Jeb Bush. Estive com grupos ligados aos latinos por aqui e ouvi que seu nome é bem aceito por todos os espectros, desde imigrantes cubanos aos mexicanos.
A Flórida e o voto latino terão um peso importante nesta eleição, seja com Bush, Rubio ou Martinez. Se os republicanos entenderem esta equação, estarão com metade da eleição nas mãos.
terça-feira, fevereiro 04, 2014
Reforma Adiada
A esperada reforma no sistema de imigração dos Estados Unidos não sai este ano. Na última semana Barack Obama falou sobre esta necessidade em seu discurso no Congresso. No último ano um grupo suprapartidário elaborou uma proposta. Mas nada adiantou. As visões antagônicas entre democratas em republicanos evitarão que qualquer coisa saia do papel com esta formatacão do parlamento.
Hoje os republicanos tem maioria na Câmara e os democratas no Senado. O jogo, portanto, é de soma zero. Se algo ainda sair desta disputa, corre-se o risco de Obama vetar. Diante de tantos obstáculos, aqueles que circulam pelo Capitólio são taxativos em assegurar que dali não sai reforma alguma neste ano.
O principal ponto de discórdia é o mais conhecido. Enquanto os democratas querem um caminho para cidadania, os republicanos querem apenas legalizar os ilegais. O efeito mais direto é que cidadãos votam e os apenas legalizados ainda precisarão esperar uns anos para depositar seus votos para qualquer um dos partidos. Em um momento de avanço dos democratas no território republicano, todo o cuidado é pouco.
Ainda ontem conversava sobre o assunto com um republicano. O intrigante é que o voto dos imigrantes sempre foi voltado para o GOP, que defendem uma agenda de menor intervenção do Estado na economia. Como a esmagadora maioria de imigrantes sempre foi de pequenos empreendedores, estes sempre foram um voto maciço republicano.
Mas desde a eleição de Obama isto vem mudando. A eleição tem sido mais uma questão de identidade das minorias do que de uma agenda real. Os democratas, que viraram o Colorado de republicano para democrata em dez anos, mostraram como se faz. Existe inclusive um manual político de como converter um território republicano em um bastião democrata.
Portanto, os republicanos, com maioria na Câmara impedirão um acordo com acesso pleno para cidadania, enquanto os democratas no Senado não aprovam coisa alguma sem este ponto. O resultado é que milhões de imigrantes seguirão na ilegalidade esperando pelo novo parlamento que será eleito em poucos meses. Como a tendência é de ser maioria republicana, as notícias não são boas para este contingente que é parte importante da força de trabalho do país.
Hoje os republicanos tem maioria na Câmara e os democratas no Senado. O jogo, portanto, é de soma zero. Se algo ainda sair desta disputa, corre-se o risco de Obama vetar. Diante de tantos obstáculos, aqueles que circulam pelo Capitólio são taxativos em assegurar que dali não sai reforma alguma neste ano.
O principal ponto de discórdia é o mais conhecido. Enquanto os democratas querem um caminho para cidadania, os republicanos querem apenas legalizar os ilegais. O efeito mais direto é que cidadãos votam e os apenas legalizados ainda precisarão esperar uns anos para depositar seus votos para qualquer um dos partidos. Em um momento de avanço dos democratas no território republicano, todo o cuidado é pouco.
Ainda ontem conversava sobre o assunto com um republicano. O intrigante é que o voto dos imigrantes sempre foi voltado para o GOP, que defendem uma agenda de menor intervenção do Estado na economia. Como a esmagadora maioria de imigrantes sempre foi de pequenos empreendedores, estes sempre foram um voto maciço republicano.
Mas desde a eleição de Obama isto vem mudando. A eleição tem sido mais uma questão de identidade das minorias do que de uma agenda real. Os democratas, que viraram o Colorado de republicano para democrata em dez anos, mostraram como se faz. Existe inclusive um manual político de como converter um território republicano em um bastião democrata.
Portanto, os republicanos, com maioria na Câmara impedirão um acordo com acesso pleno para cidadania, enquanto os democratas no Senado não aprovam coisa alguma sem este ponto. O resultado é que milhões de imigrantes seguirão na ilegalidade esperando pelo novo parlamento que será eleito em poucos meses. Como a tendência é de ser maioria republicana, as notícias não são boas para este contingente que é parte importante da força de trabalho do país.
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
Rebeldia Democrata
Quem acredita que apenas os republicanos enfrentam problemas internos, não conhece o partido democrata. Existem vários grupos e inclinações dentro do Congresso, mas é em especial no Senado que a situação é mais preocupante, pois sendo a única casa legislativa onde Obama tem maioria, qualquer rebeldia pode colocar em xeque a estabilidade das ações de governo.
A Câmara é hoje um território republicano. Liderados por John Boehner e Eric Cantor, a oposição tem pleno controle das ações, agenda de votações e iniciativas. Já no Senado a realidade é diferente. Ali os democratas conseguiram manter o controle, mas como não é uma maioria tão confortável quanto a republicana na Câmara, qualquer falha na negociação interna pode colocar projetos em risco e deixar indicações engavetadas. O comando da bancada precisa ser exercido com muito cuidado e habilidade.
Por isso preocupam as últimas notícias de ataques de rebeldia de alguns senadores democratas, pois cada um de seus votos pode fazer uma diferença enorme no cômputo de aprovação de iniciativas de Barack Obama. A reação ao ímpeto imperial do Presidente, dizendo que tomaria ações unilaterais, caso o Congresso não agisse, não afetou somente o brio dos republicanos, afinal alguns democratas tiveram coragem de reagir. O senador John Manchin, de West Virginia foi um deles.
Além da situação citada no discurso da semana passada, Obama enfrenta críticas por outras ações. A violação do sigilo telefônico de jornalistas, além da bisbilhotagem da NSA sobre os americanos e líderes estrangeiros não pegou bem. O senador Martin Heinrich do Novo México é um democrata, mas um ferrenho crítico destas ações. O mesmo ocorre com o senador, também democrata, do Oregon, Roy Widen, membro do comitê de inteligência, com quem conversei pessoalmente em outubro passado sobre o assunto.
A posição de alguns senadores também possui relação direta com as eleições deste ano. Um terço do Senado buscará reeleição e existem alguns senadores democratas eleitos por estados de tendência republicana, portanto Obama se tornou radioativo para estes parlamentares. Ou seja, a proximidade com o Presidente pode custar-lhes o mandato.
Por tudo isso, o Senado se tornou um terreno perigoso para Obama. O próprio líder, Herry Reid, do Nevada, já mandou seu recado para a Casa Branca. Se para Barack Obama a situação na Câmara já é difícil, se faltar habilidade política, as coisas podem se complicar também no Senado.
A Câmara é hoje um território republicano. Liderados por John Boehner e Eric Cantor, a oposição tem pleno controle das ações, agenda de votações e iniciativas. Já no Senado a realidade é diferente. Ali os democratas conseguiram manter o controle, mas como não é uma maioria tão confortável quanto a republicana na Câmara, qualquer falha na negociação interna pode colocar projetos em risco e deixar indicações engavetadas. O comando da bancada precisa ser exercido com muito cuidado e habilidade.
Por isso preocupam as últimas notícias de ataques de rebeldia de alguns senadores democratas, pois cada um de seus votos pode fazer uma diferença enorme no cômputo de aprovação de iniciativas de Barack Obama. A reação ao ímpeto imperial do Presidente, dizendo que tomaria ações unilaterais, caso o Congresso não agisse, não afetou somente o brio dos republicanos, afinal alguns democratas tiveram coragem de reagir. O senador John Manchin, de West Virginia foi um deles.
Além da situação citada no discurso da semana passada, Obama enfrenta críticas por outras ações. A violação do sigilo telefônico de jornalistas, além da bisbilhotagem da NSA sobre os americanos e líderes estrangeiros não pegou bem. O senador Martin Heinrich do Novo México é um democrata, mas um ferrenho crítico destas ações. O mesmo ocorre com o senador, também democrata, do Oregon, Roy Widen, membro do comitê de inteligência, com quem conversei pessoalmente em outubro passado sobre o assunto.
A posição de alguns senadores também possui relação direta com as eleições deste ano. Um terço do Senado buscará reeleição e existem alguns senadores democratas eleitos por estados de tendência republicana, portanto Obama se tornou radioativo para estes parlamentares. Ou seja, a proximidade com o Presidente pode custar-lhes o mandato.
Por tudo isso, o Senado se tornou um terreno perigoso para Obama. O próprio líder, Herry Reid, do Nevada, já mandou seu recado para a Casa Branca. Se para Barack Obama a situação na Câmara já é difícil, se faltar habilidade política, as coisas podem se complicar também no Senado.
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