A porta se fechou. Padilha estava do lado de fora. Lá dentro, ficaram somente eles dois. A popularidade de Dilma flertava de forma perigosa com a ingovernabilidade. Sua base no Congresso, esfacelada. Eduardo Cunha havia colocado o governo no corner. Renan Calheiros reagia de forma precisa a cada trapalhada articulada pela Casa Civil. Lula surgia furioso. Nas ruas, mais de um milhão de pessoas já haviam pedido o pescoço do governo. Não havia saída aparente.
De certa forma o governo acabava ali, cerca de 100 dias depois de recomeçar. “Só me resta você”, disse a Presidente, encarando seu Vice. Foi clara: “Você terá de aceitar a coordenação. Do contrário, o governo poderá não se manter”. Michel Temer encontrava ali uma oportunidade única, mas sem autonomia nada poderia fazer. Colocou na mesa as principais demandas de seu partido. Além disso, nomeações precisavam ser feitas, aliados alocados em postos chave. O segundo escalão ainda clamava por ser ocupado. “Faça o que for necessário”. Naquele momento, Dilma dava carta branca para Temer, uma espécie de renúncia parcial, delegando ao vice toda a articulação política do governo. Ela entregava os anéis para manter os dedos.
Dilma tentava ali dois movimentos. Um claramente marcado pela aflição, na tentativa de fazer seu governo parar de sangrar. O outro, no sentido de tentar rachar a cúpula do PMDB. Se desse errado, perderia o controle da Esplanada para o vice, mas se desse certo, resgataria o poder diante de uma disputa de forças entre os caciques peemedebistas. Do lado de Temer havia também dois lados. Se saísse vitorioso na capacidade de acalmar seu partido, se credenciaria como o grande nome do governo. Se desse errado, seria ele alçado para cargo de Presidente em caso de impeachment. Ele tinha menos a perder. As cartas estavam na mesa.
A coroação de Temer nada mais é do que o ápice do mais bem conduzido processo de contragolpe político da história recente. Depois de se eleger em consórcio com o PMDB, Dilma traiu seus sócios e tentou fazer o partido conhecer a lona, algo de uma inocência política assustadora. Articulada com outros caciques, ela tentou drenar os deputados peemedebistas para outras agremiações, no intuito de transformar o mais poderoso partido do país em mero coadjuvante. A resposta veio de forma cruel. A eleição de Eduardo Cunha foi a primeira demonstração de força. A partir dali o rolo compressor do PMDB começou a esmagar o Planalto sem dó nem piedade. No embate de forças, venceu quem podia mais. O contragolpe fez a Presidente balançar em sua cadeira e sentir o cheiro da fritura do impeachment. A saída foi articular uma renúncia branca e entregar o poder político pleno do governo para o vice, Michel Temer. Dilma saiu vencida.
O PMDB tomou o controle do governo, mas não sem a honrosa ajuda do próprio Planalto, que praticou um festival de trapalhadas políticas como talvez nunca tenha se visto na República. Pela primeira vez o Brasil, que possui uma Constituição parlamentarista dentro de um regime presidencialista, vive uma situação curiosa. A Presidente, sem poderes, despacha no Planalto, enquanto Eduardo Cunha dá expediente na qualidade de Primeiro-Ministro na Presidência da Câmara dos Deputados, impondo sua agenda, derrubando e vetando ministros. No Senado, Renan Calheiros assumiu o controle do show da mesma forma. A coroação de Temer vem dar corpo ao triunvirato peemedebista que passou a comandar o país.
A agenda e a caneta passaram para as mãos do PMDB, que devolveu o golpe que estava sendo articulado contra suas hostes. O mesmo governo que tentou desidratar o sócio, caiu de joelhos diante da musculatura e articulação política de seus caciques. Em suma, o contragolpe peemedebista fez com que a Presidente se rendesse ao partido. Um renúncia branca. Um enredo digno de House of Cards.
Livre do risco do impeachment, Dilma ouviu a porta se fechar. Temer deixava o gabinete presidencial. Ela então olhou pela janela e entendeu que agora era apenas uma coadjuvante. A economia nas mãos de Levy. A política nas mãos de Temer. Em suas mãos restava pouco. Passou a viver, enfim, a solidão sem poder.
sexta-feira, abril 17, 2015
quinta-feira, abril 02, 2015
Realidade Paralela
O povo diante do Congresso Nacional vibrava com o derradeiro 336º voto. Uma sensação de alívio e felicidade plena tomava conta daqueles que se aglomeravam na Esplanada dos Ministérios. A multidão comemorava a conquista de um movimento que havia começado meses antes: assim como ocorreu com Collor, a Câmara dos Deputados havia afastado Dilma Rousseff da Presidência da República.
"Chegou a hora", disse Michel Temer, reunido com assessores no Palácio do Jaburu, residência oficial do Vice-Presidente. Ele já tinha uma equipe em mente, além de uma agenda para ser implementada. O advogado, doutor em Direito, Procurador, Presidente da Câmara e Vice-Presidente, tornava-se o 37º Presidente do Brasil.
Michel, logo depois da instauração do processo pelo Senado, já ocupando o terceiro andar do Planalto do Planalto, confidenciou com interlocutores: "É um grande desafio. Governarei para o País. Esta é a missão do PMDB, sempre conduzir a nação nos momentos mais turbulentos" e continuou "Faremos reformas. Colocaremos o Brasil nos trilhos". Seu plano estava traçado. Governaria apenas parte de um mandato, portanto, apesar de ter o tempo contra si, tornou o relógio seu aliado. Não perderia sequer um segundo.
Os maiores colunistas políticos do Brasil falavam em triunvirato: Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha trabalhavam em sintonia. Não havia mais atritos com o Congresso Nacional e uma sensação de normalidade política voltava a tomar conta de Brasília. "É o retorno do establishment", disse um notório cientista político, que acrescentou: "O sistema tomou para si o poder de volta".
A primeira missão de Temer, ao lado Renan e Cunha, foi a diminuição do número de ministérios. Dos assustadores 39, caíram para 20, como era a proposta do PMDB. O Presidente queria um governo de união nacional, "nos moldes do que realizou Itamar Franco". O Partido dos Trabalhadores, destroçado diante do processo de impeachment de Dilma, foi chamado para compor. Como era esperado, decidiu ficar de fora. Nos bastidores do petismo o PMDB era chamado de traidor e já articulavam um movimento pela volta de Lula.
Além de Kassab, do PSD, que foi mantido frente ao Ministério das Cidades e Armando Monteiro, do PTB, no Desenvolvimento, Michel decidiu manter Joaquim Levy na Fazenda. Mas o Presidente foi além. Uma turma de economistas ligados a Armínio Fraga completou a equipe. Os primeiros sinais foram escutados no exterior. Uma missão do novo governo viajou a Nova York e Washington, selando a volta da credibilidade econômica do país.
Rubens Barbosa, antigo Embaixador em Washington durante os anos de FHC, assumiu as Relações Exteriores, deslocando o eixo da política externa de volta aos patamares tradicionais do Itamaraty, que voltou a ser valorizado. União Européia e Estados Unidos celebraram este movimento. A Casa Branca fez um convite oficial para que Temer encontrasse com Barack Obama ainda antes do final do ano.
Para a pasta da Justiça, desgastada com o escândalo da Lava Jato, Temer trouxe um grande jurista paulista, egresso da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, que o auxilia na tarefa de indicar os novos membros do Supremo. "Cogita-se o nome do juiz Sérgio Moro", confidenciou-me uma fonte ligada ao novo ministro.
Em pouco tempo a inflação começou a ceder, especialmente diante do controle brutal das contas públicas. Os juros começaram a cair, o dólar despencou e o crédito começou a fluir. A classe média voltou a viajar ao exterior. O bolsa família foi mantido. No Congresso há normalidade. O PDT comanda a pasta do Trabalho, PSB ficou o Desenvolvimento Social e até PP e DEM comandam seus ministérios. A base aliada é sólida e eficaz. Nas estatais, Temer buscou nomes do mercado, como Roger Agnelli, que passou ao comando da Petrobrás, e nomes do mesmo quilate escolhidos para o BNDES, Banco do Brasil e Caixa.
Passados dois anos de sua chegada ao Planalto e com enorme popularidade, Michel tornou-se o fiel da balança na sucessão presidencial. O Presidente simplesmente repete: "cumprirei a Constituição e meu mandato. Meu foco é fazer um bom trabalho. O que vier é consequência".
Neste momento toca o despertador. Dilma acorda-se de supetão no Palácio do Alvorada. O ano é 2015. Lá fora, escutam-se grilos e é possível inclusive ouvir o silêncio. Em seu coração um misto de alívio e desespero, na dúvida se aquilo era um sonho, premonição ou pesadelo.
"Chegou a hora", disse Michel Temer, reunido com assessores no Palácio do Jaburu, residência oficial do Vice-Presidente. Ele já tinha uma equipe em mente, além de uma agenda para ser implementada. O advogado, doutor em Direito, Procurador, Presidente da Câmara e Vice-Presidente, tornava-se o 37º Presidente do Brasil.
Michel, logo depois da instauração do processo pelo Senado, já ocupando o terceiro andar do Planalto do Planalto, confidenciou com interlocutores: "É um grande desafio. Governarei para o País. Esta é a missão do PMDB, sempre conduzir a nação nos momentos mais turbulentos" e continuou "Faremos reformas. Colocaremos o Brasil nos trilhos". Seu plano estava traçado. Governaria apenas parte de um mandato, portanto, apesar de ter o tempo contra si, tornou o relógio seu aliado. Não perderia sequer um segundo.
Os maiores colunistas políticos do Brasil falavam em triunvirato: Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha trabalhavam em sintonia. Não havia mais atritos com o Congresso Nacional e uma sensação de normalidade política voltava a tomar conta de Brasília. "É o retorno do establishment", disse um notório cientista político, que acrescentou: "O sistema tomou para si o poder de volta".
A primeira missão de Temer, ao lado Renan e Cunha, foi a diminuição do número de ministérios. Dos assustadores 39, caíram para 20, como era a proposta do PMDB. O Presidente queria um governo de união nacional, "nos moldes do que realizou Itamar Franco". O Partido dos Trabalhadores, destroçado diante do processo de impeachment de Dilma, foi chamado para compor. Como era esperado, decidiu ficar de fora. Nos bastidores do petismo o PMDB era chamado de traidor e já articulavam um movimento pela volta de Lula.
Além de Kassab, do PSD, que foi mantido frente ao Ministério das Cidades e Armando Monteiro, do PTB, no Desenvolvimento, Michel decidiu manter Joaquim Levy na Fazenda. Mas o Presidente foi além. Uma turma de economistas ligados a Armínio Fraga completou a equipe. Os primeiros sinais foram escutados no exterior. Uma missão do novo governo viajou a Nova York e Washington, selando a volta da credibilidade econômica do país.
Rubens Barbosa, antigo Embaixador em Washington durante os anos de FHC, assumiu as Relações Exteriores, deslocando o eixo da política externa de volta aos patamares tradicionais do Itamaraty, que voltou a ser valorizado. União Européia e Estados Unidos celebraram este movimento. A Casa Branca fez um convite oficial para que Temer encontrasse com Barack Obama ainda antes do final do ano.
Para a pasta da Justiça, desgastada com o escândalo da Lava Jato, Temer trouxe um grande jurista paulista, egresso da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, que o auxilia na tarefa de indicar os novos membros do Supremo. "Cogita-se o nome do juiz Sérgio Moro", confidenciou-me uma fonte ligada ao novo ministro.
Em pouco tempo a inflação começou a ceder, especialmente diante do controle brutal das contas públicas. Os juros começaram a cair, o dólar despencou e o crédito começou a fluir. A classe média voltou a viajar ao exterior. O bolsa família foi mantido. No Congresso há normalidade. O PDT comanda a pasta do Trabalho, PSB ficou o Desenvolvimento Social e até PP e DEM comandam seus ministérios. A base aliada é sólida e eficaz. Nas estatais, Temer buscou nomes do mercado, como Roger Agnelli, que passou ao comando da Petrobrás, e nomes do mesmo quilate escolhidos para o BNDES, Banco do Brasil e Caixa.
Passados dois anos de sua chegada ao Planalto e com enorme popularidade, Michel tornou-se o fiel da balança na sucessão presidencial. O Presidente simplesmente repete: "cumprirei a Constituição e meu mandato. Meu foco é fazer um bom trabalho. O que vier é consequência".
Neste momento toca o despertador. Dilma acorda-se de supetão no Palácio do Alvorada. O ano é 2015. Lá fora, escutam-se grilos e é possível inclusive ouvir o silêncio. Em seu coração um misto de alívio e desespero, na dúvida se aquilo era um sonho, premonição ou pesadelo.
segunda-feira, março 23, 2015
Temporal Político
Brasília. Final de outubro. O sol insistia em brilhar na capital federal. As nuvens tinham ficado para trás juntamente com uma campanha dura e disputada. Agora era hora de curtir o momento, planejar o governo seguinte e olhar para os próximos quatro anos. A batalha estava vencida. As nuvens tinham ficado para trás.
O novo período, entretanto, não anunciava um céu de brigadeiro. A briga por cargos começava a tomar forma e os ajustes, que não poderiam ser implementados durante a campanha, começavam a se impor. Algo precisava ser feito. Recolhida na solidão do poder, ela começava a traçar um intricado caminho. Diante de si o desafio de desviar das nuvens pesadas.
O sol estava pleno no começo do ano quando a faixa presidencial, recolocada em si mesma, repousou em seu corpo. O time escolhido não era o preferido, mas talvez acreditasse que o seu estilo gerencial pudesse dar rumo ao mosaico de forças que agora formava seu ministério. Na capital, o sol se impunha, mas a preocupação era a falta de chuva, especialmente em São Paulo.
Recolhida em uma dieta que lhe afinou a silhueta durante o mês de janeiro, seu ministro da Fazenda promovia o mesmo regime nas contas públicas, chegando inclusive além da gordura, atingindo os direitos trabalhistas. A lipoaspiração, contudo, não chegou na corrupção. O principal combustível da oposição vinha dos reajustes. O cardápio, como sempre, era vasto: energia, gasolina, insumos. Aumento de impostos, reajustes de alíquotas, corte de benefícios. Chovia em São Paulo. O alívio de um lado era preocupação de outro, já que algumas nuvens pesadas começavam a se formar em Brasília.
Na política, o cenário não era animador. Trovões vieram do outro lado da Praça dos Três Poderes quando o Planalto viu seu grande desafeto vencer a eleição para o comando da Câmara dos Deputados. A hostilidade e as trapalhadas palacianas seriam retribuídas. Enquanto isso, uma massa de ar quente se deslocava em avanço contínuo e firme para o Planalto Central. Vinha do Paraná.
No Planalto pairava uma massa de ar frio. Nada estava fora do lugar, mas a meteorologia ensina: o choque entre ambas causa nevoeiro, chuva e queda de temperatura. Foi o que vimos. Uma lista vinda de Curitiba e discutida no principal gabinete da República era o sinal claro disso. Mais uma trapalhada foi gestada com o vazamento de alguns nomes, o que causou ira no parlamento. Veio mais um troco. A terra tremeu e a garoa começou.
Os juros aumentaram, a bolsa despencou, o dólar disparou e os primeiros sinais de trovoadas começaram a ser ouvidos em nossa capital. É preciso lembrar que umidade e ar ascendente nem sempre formam tempestades. Para isso ocorrer, o ar precisa estar instável. No entanto, é exatamente o que começa a se formar hoje em Brasília, uma massa de ar instável e pesada, alimentada por uma economia cambaleante, um governo claudicante e um parlamento ferido.
No intuito de dissipar os relâmpagos, veio um pronunciamento diante da nação. Aquilo que acalmaria o tempo, trouxe ventos fortes que fizeram soar panelas e vaias. Pelo Brasil inteiro tempestades isoladas começaram a surgir. Um clima de instabilidade se disseminou e fortes chuvas de insatisfação popular devem tomar as principais cidades brasileiras no próximo domingo.
O céu de brigadeiro sumiu. Nuvens carregadas chegaram. A tempestade perfeita, a união de uma economia fraca e povo insatisfeito, somadas a uma crise de autoridade moral e governabilidade, começa a se formar, assim como foi visto em 1992. Naquela época, em meio a uma tempestade foi impedido um furacão. Dissipar estas nuvens pesadas é nosso dever. O Brasil mais uma vez está diante de tempos difíceis.
Publicado originalmente em: http://www.brasilpost.com.br/marcio-coimbra/temporal-politico_b_6844572.html
O novo período, entretanto, não anunciava um céu de brigadeiro. A briga por cargos começava a tomar forma e os ajustes, que não poderiam ser implementados durante a campanha, começavam a se impor. Algo precisava ser feito. Recolhida na solidão do poder, ela começava a traçar um intricado caminho. Diante de si o desafio de desviar das nuvens pesadas.
O sol estava pleno no começo do ano quando a faixa presidencial, recolocada em si mesma, repousou em seu corpo. O time escolhido não era o preferido, mas talvez acreditasse que o seu estilo gerencial pudesse dar rumo ao mosaico de forças que agora formava seu ministério. Na capital, o sol se impunha, mas a preocupação era a falta de chuva, especialmente em São Paulo.
Recolhida em uma dieta que lhe afinou a silhueta durante o mês de janeiro, seu ministro da Fazenda promovia o mesmo regime nas contas públicas, chegando inclusive além da gordura, atingindo os direitos trabalhistas. A lipoaspiração, contudo, não chegou na corrupção. O principal combustível da oposição vinha dos reajustes. O cardápio, como sempre, era vasto: energia, gasolina, insumos. Aumento de impostos, reajustes de alíquotas, corte de benefícios. Chovia em São Paulo. O alívio de um lado era preocupação de outro, já que algumas nuvens pesadas começavam a se formar em Brasília.
Na política, o cenário não era animador. Trovões vieram do outro lado da Praça dos Três Poderes quando o Planalto viu seu grande desafeto vencer a eleição para o comando da Câmara dos Deputados. A hostilidade e as trapalhadas palacianas seriam retribuídas. Enquanto isso, uma massa de ar quente se deslocava em avanço contínuo e firme para o Planalto Central. Vinha do Paraná.
No Planalto pairava uma massa de ar frio. Nada estava fora do lugar, mas a meteorologia ensina: o choque entre ambas causa nevoeiro, chuva e queda de temperatura. Foi o que vimos. Uma lista vinda de Curitiba e discutida no principal gabinete da República era o sinal claro disso. Mais uma trapalhada foi gestada com o vazamento de alguns nomes, o que causou ira no parlamento. Veio mais um troco. A terra tremeu e a garoa começou.
Os juros aumentaram, a bolsa despencou, o dólar disparou e os primeiros sinais de trovoadas começaram a ser ouvidos em nossa capital. É preciso lembrar que umidade e ar ascendente nem sempre formam tempestades. Para isso ocorrer, o ar precisa estar instável. No entanto, é exatamente o que começa a se formar hoje em Brasília, uma massa de ar instável e pesada, alimentada por uma economia cambaleante, um governo claudicante e um parlamento ferido.
No intuito de dissipar os relâmpagos, veio um pronunciamento diante da nação. Aquilo que acalmaria o tempo, trouxe ventos fortes que fizeram soar panelas e vaias. Pelo Brasil inteiro tempestades isoladas começaram a surgir. Um clima de instabilidade se disseminou e fortes chuvas de insatisfação popular devem tomar as principais cidades brasileiras no próximo domingo.
O céu de brigadeiro sumiu. Nuvens carregadas chegaram. A tempestade perfeita, a união de uma economia fraca e povo insatisfeito, somadas a uma crise de autoridade moral e governabilidade, começa a se formar, assim como foi visto em 1992. Naquela época, em meio a uma tempestade foi impedido um furacão. Dissipar estas nuvens pesadas é nosso dever. O Brasil mais uma vez está diante de tempos difíceis.
Publicado originalmente em: http://www.brasilpost.com.br/marcio-coimbra/temporal-politico_b_6844572.html
terça-feira, março 03, 2015
EUA: Republicanos preparam-se para a tentativa de retomada da Casa Branca
O salão Potomac começou a encher de uma hora para outra. Jovens entravam com suas camisetas vermelhas e seus cartazes. O vão central,
destinado aos fotógrafos, foi pouco a pouco sendo tomado, pois não havia mais lugar para sentar. O público era diferente. Longe das
gravatas borboletas, estes jovens eram mais jovens, apaixonados, dedicados e especialmente entusiasmados.
Vinha para o palco uma das sensações da política norte-americana no momento, o senador Rand Paul. Na noite anterior fui convidado para participar de uma reunião informal com ele e seus principais assessores e alguns apoiadores em um bar perto do hotel da convenção. Conversamos. Ele tem um jeito tranquilo, mas convicções fortes. Filho do ex-congressista Ron Paul, que também concorreu ao cargo de Presidente, assim como deve fazer o filho, Rand é um político diferente. Libertário por excelência e talvez por um influência do pai, é um tipo que paira acima de republicanos e democratas. "É aquele raro candidato que pode se transformar em uma força maior do que o partido", me disse o apoiador Allan Stevo, que em 2008 buscou uma cadeira na Câmara por Chicago. "Você também está aqui para trabalhar por Rand?", me perguntou o deputado Randy Weber, que assumiu a cadeira de Ron em Washington, quando o pai da novo fenômeno da política resolveu se aposentar. O clima ali era de entusiasmo completo.
A mesma força surgiu quando no dia seguinte ele entrou no palco de gravata, sem paletó, de calças jeans e mangas arregaçadas. Chegou batendo na regulação do Estado, um dos seus temas prediletos. Apontou contra o Obamacare e disparou: "Os americanos não podem ser obrigados a comprar um plano de saúde do governo". O auditório veio abaixo em aplausos. Logo após emendou mirando nos serviços de inteligência: "O que você fala e as informações que você troca pelo telefone são suas. Não é papel do governo bisbilhotar a sua vida". Os jovens gritavam: "President Paul! President Paul!". Quanto ao terrorismo islâmico, foi enfático: "Não podemos lutar contra o terrorismo esquecendo quem nós somos e os preceitos em que se baseiam esta nação". Foi o único, dentre todos que discursaram, que se preocupou com o fato de que a América não tem se parecido muito com o que os Pais Fundadores (Founding Fathers) imaginaram para o país. Ao final, ovacionado, disse: " Quero manter a Receita Federal (IRS) fora da vida cidadão e mais, vamos equilibrar o orçamento deste país em 5 anos". Como sempre, o auditório aplaudiu com raro entusiasmo.
O público somente lotou o auditório novamente neste dia para receber o ex-Governador da Flórida, Jeb Bush. Com menos entusiasmo, mas também com idéias novas que podem assustar os mais conservadores, Jeb defendeu os imigrantes, seu tema mais sensível, e mostrou que não fugirá do debate. Ele possui um raro conhecimento da máquina pública e como um dos participantes me confidenciou, "ele é o bom Bush".
Diante do "bom Bush", outros defendem que a política norte-americana não pode estar presa a dois sobrenomes: "Se tivermos uma eleição entre Hillary Clinton e Jeb Bush, nos revezaremos entre duas famílias no poder desde 1992, com exceção do desastre que foi Barack Obama", me disse um dos participantes, que se classifica como "independente, com tendência a votar nos republicanos".
Jeb é realmente diferente de George. Suas idéias são mais transparentes, ele é mais moderado e preparado, logo, sofre com uma resistência maior nos setores mais conservadores do partido, onde seu irmão transitava com mais facilidade. Mesmo assim, entre algumas vaias, quando falou sobre imigração, Jeb conseguiu colher aplausos. Foi um primeiro passo.
Chegada ao final, a CPAC apresentou o resultado de sua pesquisa sobre quem era o seu nome preferido para a corrida presidencial de 2016: Mais uma vez deu Rand Paul, com 26%, seguido de Scott Walker com 21% e Ted Cruz com 12%. Jeb Bush veio em quinto lugar, com 8%, atrás de Ben Carson, com 11%.
Diante do que foi visto durante a cobertura do Diário do Poder (único representante da imprensa brasileira no evento) durante os três dias de conferência, há dentre os republicanos diversas opções de candidatos, dos mais conservadores aos mais libertários, mas uma certeza: depois de oito anos de Barack Obama, este partido não medirá esforços para recuperar a Casa Branca. Este é o caminho natural. Se em 2010 os republicanos retomaram a Câmara e em 2014 foi a vez do Senado, a tendência pode ser a resgate do endereço mais cobiçado de Washington, na avenida Pennsylvania 1600. Resta saber quem será o líder que conduzirá o partido neste processo. Está oficialmente aberta a temporada de apostas.
Vinha para o palco uma das sensações da política norte-americana no momento, o senador Rand Paul. Na noite anterior fui convidado para participar de uma reunião informal com ele e seus principais assessores e alguns apoiadores em um bar perto do hotel da convenção. Conversamos. Ele tem um jeito tranquilo, mas convicções fortes. Filho do ex-congressista Ron Paul, que também concorreu ao cargo de Presidente, assim como deve fazer o filho, Rand é um político diferente. Libertário por excelência e talvez por um influência do pai, é um tipo que paira acima de republicanos e democratas. "É aquele raro candidato que pode se transformar em uma força maior do que o partido", me disse o apoiador Allan Stevo, que em 2008 buscou uma cadeira na Câmara por Chicago. "Você também está aqui para trabalhar por Rand?", me perguntou o deputado Randy Weber, que assumiu a cadeira de Ron em Washington, quando o pai da novo fenômeno da política resolveu se aposentar. O clima ali era de entusiasmo completo.
A mesma força surgiu quando no dia seguinte ele entrou no palco de gravata, sem paletó, de calças jeans e mangas arregaçadas. Chegou batendo na regulação do Estado, um dos seus temas prediletos. Apontou contra o Obamacare e disparou: "Os americanos não podem ser obrigados a comprar um plano de saúde do governo". O auditório veio abaixo em aplausos. Logo após emendou mirando nos serviços de inteligência: "O que você fala e as informações que você troca pelo telefone são suas. Não é papel do governo bisbilhotar a sua vida". Os jovens gritavam: "President Paul! President Paul!". Quanto ao terrorismo islâmico, foi enfático: "Não podemos lutar contra o terrorismo esquecendo quem nós somos e os preceitos em que se baseiam esta nação". Foi o único, dentre todos que discursaram, que se preocupou com o fato de que a América não tem se parecido muito com o que os Pais Fundadores (Founding Fathers) imaginaram para o país. Ao final, ovacionado, disse: " Quero manter a Receita Federal (IRS) fora da vida cidadão e mais, vamos equilibrar o orçamento deste país em 5 anos". Como sempre, o auditório aplaudiu com raro entusiasmo.
O público somente lotou o auditório novamente neste dia para receber o ex-Governador da Flórida, Jeb Bush. Com menos entusiasmo, mas também com idéias novas que podem assustar os mais conservadores, Jeb defendeu os imigrantes, seu tema mais sensível, e mostrou que não fugirá do debate. Ele possui um raro conhecimento da máquina pública e como um dos participantes me confidenciou, "ele é o bom Bush".
Diante do "bom Bush", outros defendem que a política norte-americana não pode estar presa a dois sobrenomes: "Se tivermos uma eleição entre Hillary Clinton e Jeb Bush, nos revezaremos entre duas famílias no poder desde 1992, com exceção do desastre que foi Barack Obama", me disse um dos participantes, que se classifica como "independente, com tendência a votar nos republicanos".
Jeb é realmente diferente de George. Suas idéias são mais transparentes, ele é mais moderado e preparado, logo, sofre com uma resistência maior nos setores mais conservadores do partido, onde seu irmão transitava com mais facilidade. Mesmo assim, entre algumas vaias, quando falou sobre imigração, Jeb conseguiu colher aplausos. Foi um primeiro passo.
Chegada ao final, a CPAC apresentou o resultado de sua pesquisa sobre quem era o seu nome preferido para a corrida presidencial de 2016: Mais uma vez deu Rand Paul, com 26%, seguido de Scott Walker com 21% e Ted Cruz com 12%. Jeb Bush veio em quinto lugar, com 8%, atrás de Ben Carson, com 11%.
Diante do que foi visto durante a cobertura do Diário do Poder (único representante da imprensa brasileira no evento) durante os três dias de conferência, há dentre os republicanos diversas opções de candidatos, dos mais conservadores aos mais libertários, mas uma certeza: depois de oito anos de Barack Obama, este partido não medirá esforços para recuperar a Casa Branca. Este é o caminho natural. Se em 2010 os republicanos retomaram a Câmara e em 2014 foi a vez do Senado, a tendência pode ser a resgate do endereço mais cobiçado de Washington, na avenida Pennsylvania 1600. Resta saber quem será o líder que conduzirá o partido neste processo. Está oficialmente aberta a temporada de apostas.
domingo, março 01, 2015
EUA: Republicanos miram nos Democratas
Muitos confundem a cor branca com paz. A neve que cobriu as imediações do hotel onde os conservadores norte-americanos se encontram nestes dias poderia sugerir este cenário. Mas dentro do salão Potomac, a cor vermelha do cenário se confundia com uma platéia incendiada pelas palavras de políticos que miravam em Obama. O Presidente é um alvo fácil, impopular e sem apoio no Congresso. O partido democrata, um demônio que derrete as esperanças do americanos. Os republicanos, aqueles que podem resgatar os verdadeiros valores de liberdade e segurança nacional. Esta é a mensagem da Conferência de Ação Política Conservadora.
Talvez contagiado pelo calor conservador que emana dos jovens que assistem ao encontro dos republicanos, todos rapazes com os cabelos bem cortados, barbas feitas e moças bem vestidas e perfumadas, o antigo Presidente da Câmara, Newt Gingrich usava uma gravata vermelha. O republicano, que tentou a indicação do partido em 2012, mirou em seu adversário preferido, o ex-Presidente Bill Clinton: "O que podemos esperar de um homem que senta com ditadores no intuito de arrecadar doações de milhões de dólares para sua fundação?". Ele foi além: "É preciso realizar uma auditoria nesta fundação, que gasta com iates, viagens e mansões. Esta fundação precisa mostrar de onde vem cada centavo que arrecada". O alvo certamente não foi Bill, mas Hillary, que deve enfrentar um republicano na corrida presidencial.
O sangue latino também corre nas veias conservadoras. Sentimos isso quando Marco Rubio, de gravata azul, chega no recinto. O salão encheu para ouvir o Senador pela Flórida e uma das grandes esperanças republicanas de resgatar o voto de uma minoria que hoje apóia largamente os democratas. Mas a gravata azul de Rubio não esfriou o local, muito pelo contrário: "A América é excepcional. Nós sabemos e o mundo sabe disso". O público foi ao delírio. Logo depois virou seu discurso para a política externa de Obama: "que trata o aiatolá do Irã melhor do que o Primeiro Ministro de Israel". Os aplausos devem ter sido ouvidos em Tel Aviv. Terminou de forma enfática: "Nossos aliados não confiam em nós. Nossos inimigos não nos temem". Uma clara referência aos europeus e Putin.
Enquanto Rubio deixava o palco ovacionado, Rick Perry preparava-se para entrar. Se houve um encontro entre ambos nos bastidores, certamente o homem que governou o Texas por 15 anos agradeceu ao jovem Senador. A platéia estava aquecida e a neve e gelo lá de fora talvez já tivessem virado água. "Nós não começamos esta guerra, mas nós vamos terminá-la", vaticinou o texano sobre o terrorismo islâmico. Terminou dizendo que "os melhores dias da América estão logo adiante", fazendo referência ao excepcionalismo norte-americano, mas sempre lembrando que o futuro do país abençoado por Deus está em jogo.
Mas não foi Rubio ou Perry que receberam a maior salva de palmas quando o auditório aplaudia os nomes dos prováveis candidatos presidenciais na voz do âncora conservador de televisão Sean Hannity. A turma preferiu Ted Cruz e Rand Paul, que deve colocar o auditório em combustão ainda hoje.
*Texto é parte integrante da cobertura da CPAC 2015 exclusiva para o Diário do Poder pelo corresponde político Márcio Coimbra.
Publicado originalmente em: http://diariodopoder.com.br/noticia.php?i=27609747648
Talvez contagiado pelo calor conservador que emana dos jovens que assistem ao encontro dos republicanos, todos rapazes com os cabelos bem cortados, barbas feitas e moças bem vestidas e perfumadas, o antigo Presidente da Câmara, Newt Gingrich usava uma gravata vermelha. O republicano, que tentou a indicação do partido em 2012, mirou em seu adversário preferido, o ex-Presidente Bill Clinton: "O que podemos esperar de um homem que senta com ditadores no intuito de arrecadar doações de milhões de dólares para sua fundação?". Ele foi além: "É preciso realizar uma auditoria nesta fundação, que gasta com iates, viagens e mansões. Esta fundação precisa mostrar de onde vem cada centavo que arrecada". O alvo certamente não foi Bill, mas Hillary, que deve enfrentar um republicano na corrida presidencial.
O sangue latino também corre nas veias conservadoras. Sentimos isso quando Marco Rubio, de gravata azul, chega no recinto. O salão encheu para ouvir o Senador pela Flórida e uma das grandes esperanças republicanas de resgatar o voto de uma minoria que hoje apóia largamente os democratas. Mas a gravata azul de Rubio não esfriou o local, muito pelo contrário: "A América é excepcional. Nós sabemos e o mundo sabe disso". O público foi ao delírio. Logo depois virou seu discurso para a política externa de Obama: "que trata o aiatolá do Irã melhor do que o Primeiro Ministro de Israel". Os aplausos devem ter sido ouvidos em Tel Aviv. Terminou de forma enfática: "Nossos aliados não confiam em nós. Nossos inimigos não nos temem". Uma clara referência aos europeus e Putin.
Enquanto Rubio deixava o palco ovacionado, Rick Perry preparava-se para entrar. Se houve um encontro entre ambos nos bastidores, certamente o homem que governou o Texas por 15 anos agradeceu ao jovem Senador. A platéia estava aquecida e a neve e gelo lá de fora talvez já tivessem virado água. "Nós não começamos esta guerra, mas nós vamos terminá-la", vaticinou o texano sobre o terrorismo islâmico. Terminou dizendo que "os melhores dias da América estão logo adiante", fazendo referência ao excepcionalismo norte-americano, mas sempre lembrando que o futuro do país abençoado por Deus está em jogo.
Mas não foi Rubio ou Perry que receberam a maior salva de palmas quando o auditório aplaudia os nomes dos prováveis candidatos presidenciais na voz do âncora conservador de televisão Sean Hannity. A turma preferiu Ted Cruz e Rand Paul, que deve colocar o auditório em combustão ainda hoje.
*Texto é parte integrante da cobertura da CPAC 2015 exclusiva para o Diário do Poder pelo corresponde político Márcio Coimbra.
Publicado originalmente em: http://diariodopoder.com.br/noticia.php?i=27609747648
sexta-feira, fevereiro 27, 2015
EUA: Republicanos apresentam suas credenciais conservadoras
Uma Casa Branca fraca, sem maioria no Congresso e com baixas taxas de popularidade é o sonho de qualquer partido de oposição. Com Obama vivendo esta situação, o partido republicano parte para desenhar as estratégias do lance final: a vitória nas eleições presidenciais de 2016.
Para isso, um dos passos é organizar-se, e a Conferência Anual de Ação Política Conservadora é um desses mecanismos. Para avaliar melhor cada pré-candidato, neste ano a American Conservative Union liberou a estrutura das apresentações. Algumas são praticamente entrevistas, como ocorreu com o Governador de New Jersey, Chris Christie, outros mantiveram o microfone na lapela para circular pelo palco, como o Senador pelo Texas, Ted Cruz, enquanto alguns mantiveram a postura tradicional de falar diante do microfone, como Ben Carson e Sarah Palin.
Scott Walker, Governador de Wisconsin, preferiu chegar ao palco com o microfone preso em sua camisa. De gravata, mas sem paletó e com as mangas arregaçadas, mostrava na atitude aquilo que o levou a vencer três eleições consecutivas em um estado que os republicanos não dominavam desde 1984. Seu discurso é objetivo, claro e sem rodeios. É um conservador e fecha com este eleitorado em todos os aspectos. Apesar de governar Wisconsin, Walker é natural de Iowa, onde ocorrerá a primeira consulta primária. Larga em vantagem naturalmente, mas precisa manter o fôlego. A novidade foi que deixou claro para os bons entendedores que, assim como Chris Christie, entrará na corrida interna para disputar a indicação do partido à Presidência.
O governador de New Jersey é um show à parte. Ele passa todas as semanas por sessões de debates com os eleitores, os chamados "Town hall Meetings", onde a população faz perguntas diretas ao Governador na busca de soluções para as regiões do estado. Ao todo ele já foi sabatinado 128 vezes. O resultado foi uma habilidade incrível em discutir soluções, defender-se e saber responder. Uma grande qualidade para quem enfrentará uma maratona de debates nas primárias.
Enquanto do lado de fora emissoras de rádio transmitiam programas ao vivo, celebridades do mundo conservador comandavam sessões de debates e jovens desfilavam com suas gravatas borboleta, a sensação Sarah Palin subia ao palco. O auditório lotou para ouvir suas palavras. A mesma mulher que coloca fogo, desta vez parecia apagar um incêndio. Os meninos apenas aplaudiram. As meninas não se identificaram. Ficou a sensação de que faltou Sarah Palin ser Sarah Palin.
Uma das inovações deste ano é a abertura de um canal para o público enviar questionamentos. Por meio da #CPACQ no twitter é possível enviar perguntas para cada uma das sessões. Se o modelo não serviu para Sarah Palin despertar sua ácida ironia, foi aproveitado por outros, como Scott Walker, Ted Cruz e até Bobby Jindal, Governador da Louisiana, que apesar do discurso correto, não empolgou os participantes.
Depois de uma primeira rodada completa, com a presença da tropa de choque, chegou a hora do segundo batalhão. Vem por aí nesta sexta-feira nomes como Jeb Bush, Marco Rubio, Rick Perry e Rand Paul, o preferido do público nos dois últimos anos. Para os leitores, fica uma certeza: o adversário de Hillary, aquele que tentará despejar os democratas da Casa Branca, sairá deste leque de nomes que transitam pelos corredores desta conferência.
*Texto é parte integrante da cobertura da CPAC 2015 exclusiva para o Diário do Poder pelo corresponde político Márcio Coimbra.
Publicado originalmente em: http://www.diariodopoder.com.br/noticia.php?i=27546001750
Para isso, um dos passos é organizar-se, e a Conferência Anual de Ação Política Conservadora é um desses mecanismos. Para avaliar melhor cada pré-candidato, neste ano a American Conservative Union liberou a estrutura das apresentações. Algumas são praticamente entrevistas, como ocorreu com o Governador de New Jersey, Chris Christie, outros mantiveram o microfone na lapela para circular pelo palco, como o Senador pelo Texas, Ted Cruz, enquanto alguns mantiveram a postura tradicional de falar diante do microfone, como Ben Carson e Sarah Palin.
Scott Walker, Governador de Wisconsin, preferiu chegar ao palco com o microfone preso em sua camisa. De gravata, mas sem paletó e com as mangas arregaçadas, mostrava na atitude aquilo que o levou a vencer três eleições consecutivas em um estado que os republicanos não dominavam desde 1984. Seu discurso é objetivo, claro e sem rodeios. É um conservador e fecha com este eleitorado em todos os aspectos. Apesar de governar Wisconsin, Walker é natural de Iowa, onde ocorrerá a primeira consulta primária. Larga em vantagem naturalmente, mas precisa manter o fôlego. A novidade foi que deixou claro para os bons entendedores que, assim como Chris Christie, entrará na corrida interna para disputar a indicação do partido à Presidência.
O governador de New Jersey é um show à parte. Ele passa todas as semanas por sessões de debates com os eleitores, os chamados "Town hall Meetings", onde a população faz perguntas diretas ao Governador na busca de soluções para as regiões do estado. Ao todo ele já foi sabatinado 128 vezes. O resultado foi uma habilidade incrível em discutir soluções, defender-se e saber responder. Uma grande qualidade para quem enfrentará uma maratona de debates nas primárias.
Enquanto do lado de fora emissoras de rádio transmitiam programas ao vivo, celebridades do mundo conservador comandavam sessões de debates e jovens desfilavam com suas gravatas borboleta, a sensação Sarah Palin subia ao palco. O auditório lotou para ouvir suas palavras. A mesma mulher que coloca fogo, desta vez parecia apagar um incêndio. Os meninos apenas aplaudiram. As meninas não se identificaram. Ficou a sensação de que faltou Sarah Palin ser Sarah Palin.
Uma das inovações deste ano é a abertura de um canal para o público enviar questionamentos. Por meio da #CPACQ no twitter é possível enviar perguntas para cada uma das sessões. Se o modelo não serviu para Sarah Palin despertar sua ácida ironia, foi aproveitado por outros, como Scott Walker, Ted Cruz e até Bobby Jindal, Governador da Louisiana, que apesar do discurso correto, não empolgou os participantes.
Depois de uma primeira rodada completa, com a presença da tropa de choque, chegou a hora do segundo batalhão. Vem por aí nesta sexta-feira nomes como Jeb Bush, Marco Rubio, Rick Perry e Rand Paul, o preferido do público nos dois últimos anos. Para os leitores, fica uma certeza: o adversário de Hillary, aquele que tentará despejar os democratas da Casa Branca, sairá deste leque de nomes que transitam pelos corredores desta conferência.
*Texto é parte integrante da cobertura da CPAC 2015 exclusiva para o Diário do Poder pelo corresponde político Márcio Coimbra.
Publicado originalmente em: http://www.diariodopoder.com.br/noticia.php?i=27546001750
EUA: Conferência Mostra o que Esperar dos Republicanos
As primárias republicanas ainda não começaram. Mas os movimentos nos bastidores são enormes e nada melhor do que uma conferência dos conservadores para apontar tendências. Esta semana os republicanos se encontram ao lado de Washington para a 42ª CPAC. Todos os candidatos e pré-candidatos republicanos que já almejaram ou chegaram até a Casa Branca precisaram passar pelo crivo deste grupo em suas campanhas presidenciais. Este ano não será diferente. O Diário do Poder é o único veículo brasileiro presente com um correspondente político no encontro.
No ano da primária silenciosa, como foi definido o ano de 2015 aqui nos Estados Unidos, a conferência foi aberta por Dr. Ben Carson, um neurocirurgião conservador que ascendeu de forma consistente na constelação republicana. Mas o show não parou por aí. Embalados por uma atmosfera de espetáculo com entradas triunfais sob músicas que vão de Bon Jovi, passando por Metallica até Kate Perry, a conferência ainda recebeu na primeira manhã o Governador moderado de New Jersey, Chris Christie, um mestre na arte da comunicação política, e o combativo senador conservador Ted Cruz, do Texas.
A estrela do momento, aquele que aparece em primeiro lugar nas pesquisas, o Governador de Wisconsin, Scott Walker faz parte do trio que fechará o show da tarde, ao lado de Bobby Jindal, Governador da Louisiana e daquela republicana que sempre coloca o auditório em combustão, Sarah Palin. Para Walker, será a grande chance de mostrar a que veio. Eleito em um estado tradicionalmente democrata, enfrentou um recall e uma reeleição. Venceu todas. O Governador não terminou a faculdade e possui uma rara qualidade de comunicação direta com o eleitor. Ao contrário dele, o outro Governador que subirá ao palco, da Louisiana, Bobby Jindal, já é considerado uma estrela descendente. Tentará incendiar a platéia para se manter como uma alternativa viável. Por fim, teremos Sarah Palin. Bem, não existe outro político que saiba mobilizar tanto uma platéia conservadora quanto ela.
E tudo isso acontece enquanto a nova temporada do seriado "House of Cards" é lançada. É a volta de Frank Underwood, um político impiedoso, ambicioso e perigoso, um membro do Partido Democrata. A exata tradução do que os conservadores pensam de Obama. Não seria mera coincidência.
*Texto é parte integrante da cobertura da CPAC 2015 exclusiva para o Diário do Poder pelo corresponde político Márcio Coimbra.
Publicado originalmente em: http://www.diariodopoder.com.br/noticia.php?i=27499358410
No ano da primária silenciosa, como foi definido o ano de 2015 aqui nos Estados Unidos, a conferência foi aberta por Dr. Ben Carson, um neurocirurgião conservador que ascendeu de forma consistente na constelação republicana. Mas o show não parou por aí. Embalados por uma atmosfera de espetáculo com entradas triunfais sob músicas que vão de Bon Jovi, passando por Metallica até Kate Perry, a conferência ainda recebeu na primeira manhã o Governador moderado de New Jersey, Chris Christie, um mestre na arte da comunicação política, e o combativo senador conservador Ted Cruz, do Texas.
A estrela do momento, aquele que aparece em primeiro lugar nas pesquisas, o Governador de Wisconsin, Scott Walker faz parte do trio que fechará o show da tarde, ao lado de Bobby Jindal, Governador da Louisiana e daquela republicana que sempre coloca o auditório em combustão, Sarah Palin. Para Walker, será a grande chance de mostrar a que veio. Eleito em um estado tradicionalmente democrata, enfrentou um recall e uma reeleição. Venceu todas. O Governador não terminou a faculdade e possui uma rara qualidade de comunicação direta com o eleitor. Ao contrário dele, o outro Governador que subirá ao palco, da Louisiana, Bobby Jindal, já é considerado uma estrela descendente. Tentará incendiar a platéia para se manter como uma alternativa viável. Por fim, teremos Sarah Palin. Bem, não existe outro político que saiba mobilizar tanto uma platéia conservadora quanto ela.
E tudo isso acontece enquanto a nova temporada do seriado "House of Cards" é lançada. É a volta de Frank Underwood, um político impiedoso, ambicioso e perigoso, um membro do Partido Democrata. A exata tradução do que os conservadores pensam de Obama. Não seria mera coincidência.
*Texto é parte integrante da cobertura da CPAC 2015 exclusiva para o Diário do Poder pelo corresponde político Márcio Coimbra.
Publicado originalmente em: http://www.diariodopoder.com.br/noticia.php?i=27499358410
quinta-feira, fevereiro 26, 2015
Gastos públicos, inflação, infraestrutura, educação e abertura: os desafios do Brasil
Os desafios enfrentados pelo Brasil são enormes. Os primeiros dias do governo Dilma nos mostraram um país gravemente doente que precisa de remédios amargos para sair da crise. Entretanto, tudo seria mais fácil se o País, ao invés de inventar novas fórmulas, aplicasse aquilo que já deu certo. A estratégia vencedora é formada pelas diretrizes de implantação do Real, esquecidas especialmente desde 2011. Agora é hora retomar cortes e realizar ajustes para que a estabilidade não seja completamente perdida.
Na esteira das reformas necessárias que o país necessita de maneira urgente, uma dupla de pesquisadores aqui em Washington tabulou resultados de nossa economia e avaliou quais seriam os passos seguintes para os ajustes que precisam ser realizados. O estudo, "5 Steps to Kickstart Brazil" foi apresentado durante um painel na SAIS, o prestigiado centro de relações internacionais da Universidade Johns Hopkins.
Os autores, Samuel George e Cornelius Fleischhaker, avaliaram diversos indicadores, mas aquele que salta aos olhos é um gráfico inicial que evidencia o aumento enorme dos gastos públicos no Brasil nos últimos anos. O pico foi em 2014, durante a campanha de reeleição de Dilma, quando as contas públicas atingiram um ponto crítico. Portanto, fica evidente que o país precisa encontrar o reequilíbrio, ajustar os gastos do governo, que significa restaurar a disciplina fiscal. Este é o primeiro ponto levantado no estudo dos pesquisadores.
O segundo fator que merece atenção é controle da inflação, um dos pilares da estabilização econômica proporcionado pelo Plano Real. O aumento dos preços e a perda do poder de compra da moeda começaram a se deteriorar no segundo termo de Lula e especialmente no primeiro governo Dilma. A solução é simples, segundo George e Fleischhaker: evitar o controle de preços artificial a qualquer custo e controlar a inflação por um mix de políticas monetárias e fiscais, coroadas pela autonomia do Banco Central.
A infra-estrutura também é analisada. O problema, segundo eles, reside no fato de que nos últimos anos ficou claro que o setor foi impulsionado pelo BNDES e isto levou a crer que os contatos com o poder eram mais importantes do que o ambiente regulatório para investimento. A sorte do Brasil é que ainda existem investidores interessados no país. Parcerias público-privadas e a diminuição do "custo Brasil" são as senhas para fechar este gargalo.
A educação não poderia ficar de fora, pois parece ser o problema mais grave. O Brasil investe em educação, mas a principal questão não são recursos, mas eficiência. Em 2013, investimos 5,6% do PIB no setor, mais que a média da OCDE, mas os problemas são: professores de baixa qualidade, currículos defasados e má alocação de recursos. Isto levou o país a ser considerado como um dos 30 piores gastos do mundo na área, de acordo com o Index de Eficiência na Educação. Melhorar a qualidade dos gastos é essencial. O Brasil precisa urgentemente solucionar esta questão, pois caso contrário, comprometerá qualquer possibilidade de êxito futuro.
Por fim, o estudo mostra que nosso país precisa se abrir ao mundo. O protecionismo somente pune os cidadãos, atrasa nossa competitividade e produtividade. México, Peru, Chile e Colômbia já estão se beneficiando disso. A pergunta que precisamos nos fazer é: desejamos ficar para trás?
O estudo realizado por George e Fleischhaker e organizado pela Fundação Bertelsmann é conciso e preciso, ou seja, ataca as questões centrais que fazem com que o Brasil fique cada vez mais para trás em termos de desenvolvimento. Controlar gastos públicos e inflação, fechar o gargalo da infra-estrutura, investir de maneira correta em educação e abrir o país para a competição externa são medidas que realmente podem fazer enorme diferença no curto prazo. Já passou da hora do Brasil aplicar este choque. A cartilha está pronta, falta agora levar estas idéias para Brasília.
(publicado originalmente no Brasil Post)
http://www.brasilpost.com.br/marcio-coimbra/desafios-do-brasil_b_6752856.html
Na esteira das reformas necessárias que o país necessita de maneira urgente, uma dupla de pesquisadores aqui em Washington tabulou resultados de nossa economia e avaliou quais seriam os passos seguintes para os ajustes que precisam ser realizados. O estudo, "5 Steps to Kickstart Brazil" foi apresentado durante um painel na SAIS, o prestigiado centro de relações internacionais da Universidade Johns Hopkins.
Os autores, Samuel George e Cornelius Fleischhaker, avaliaram diversos indicadores, mas aquele que salta aos olhos é um gráfico inicial que evidencia o aumento enorme dos gastos públicos no Brasil nos últimos anos. O pico foi em 2014, durante a campanha de reeleição de Dilma, quando as contas públicas atingiram um ponto crítico. Portanto, fica evidente que o país precisa encontrar o reequilíbrio, ajustar os gastos do governo, que significa restaurar a disciplina fiscal. Este é o primeiro ponto levantado no estudo dos pesquisadores.
O segundo fator que merece atenção é controle da inflação, um dos pilares da estabilização econômica proporcionado pelo Plano Real. O aumento dos preços e a perda do poder de compra da moeda começaram a se deteriorar no segundo termo de Lula e especialmente no primeiro governo Dilma. A solução é simples, segundo George e Fleischhaker: evitar o controle de preços artificial a qualquer custo e controlar a inflação por um mix de políticas monetárias e fiscais, coroadas pela autonomia do Banco Central.
A infra-estrutura também é analisada. O problema, segundo eles, reside no fato de que nos últimos anos ficou claro que o setor foi impulsionado pelo BNDES e isto levou a crer que os contatos com o poder eram mais importantes do que o ambiente regulatório para investimento. A sorte do Brasil é que ainda existem investidores interessados no país. Parcerias público-privadas e a diminuição do "custo Brasil" são as senhas para fechar este gargalo.
A educação não poderia ficar de fora, pois parece ser o problema mais grave. O Brasil investe em educação, mas a principal questão não são recursos, mas eficiência. Em 2013, investimos 5,6% do PIB no setor, mais que a média da OCDE, mas os problemas são: professores de baixa qualidade, currículos defasados e má alocação de recursos. Isto levou o país a ser considerado como um dos 30 piores gastos do mundo na área, de acordo com o Index de Eficiência na Educação. Melhorar a qualidade dos gastos é essencial. O Brasil precisa urgentemente solucionar esta questão, pois caso contrário, comprometerá qualquer possibilidade de êxito futuro.
Por fim, o estudo mostra que nosso país precisa se abrir ao mundo. O protecionismo somente pune os cidadãos, atrasa nossa competitividade e produtividade. México, Peru, Chile e Colômbia já estão se beneficiando disso. A pergunta que precisamos nos fazer é: desejamos ficar para trás?
O estudo realizado por George e Fleischhaker e organizado pela Fundação Bertelsmann é conciso e preciso, ou seja, ataca as questões centrais que fazem com que o Brasil fique cada vez mais para trás em termos de desenvolvimento. Controlar gastos públicos e inflação, fechar o gargalo da infra-estrutura, investir de maneira correta em educação e abrir o país para a competição externa são medidas que realmente podem fazer enorme diferença no curto prazo. Já passou da hora do Brasil aplicar este choque. A cartilha está pronta, falta agora levar estas idéias para Brasília.
(publicado originalmente no Brasil Post)
http://www.brasilpost.com.br/marcio-coimbra/desafios-do-brasil_b_6752856.html
sábado, janeiro 10, 2015
Reformar a Europa. Evitar o Pior
Os desdobramentos dos atentados em Paris ocorrerão em breve em meio a movimentos políticos. A Europa já fala em endurecer leis antiterror, controle de viajantes e de imigrantes. Se tudo correr neste sentido, veremos um enfraquecimento das premissas do concerto europeu, que possui na livre circulação um de seus pilares mais importantes. Partidos que defendem posições mais radicais, nacionalistas e isolacionistas, tendem a crescer nas próximas eleições, seja pelo caminho da direita ou da esquerda. E aqui está o equívoco que pode se agravar: os erros das políticas públicas do passado pavimentaram as consequências graves que vivemos e sugerem soluções equivocadas para o futuro.
A Europa como conhecemos é um retrato de políticas de bem estar social implementadas após a Segunda Guerra Mundial. Estes movimentos tiveram o intuito de reconstruir e trazer paz a um continente devastado pelo conflito. A construção da União Européia, integrando as economias, as políticas, o comércio, liberando a circulação de pessoas, tinha como objetivo alcançar uma aproximação entre as diferentes nações e culturas, evitando assim o surgimento de nacionalismos radicais e tendências expansionistas, responsáveis pelas guerras vividas pelo continente.
Entretanto, a Europa cometeu um grande erro: a manutenção do estado de bem estar social diante de uma crescente onda de imigração. Os benefícios sociais europeus, quando concedidos aos imigrantes, evitam com que estes se integrem em sua nova sociedade, favorecendo a criação de guetos. O Brasil, exemplo mais bem acabado de integração imigratória no mundo, soube fazer com que seus imigrantes se tornassem brasileiros mediante a ausência de mecanismos de bem estar social, assim como ocorreu nos Estados Unidos. Os imigrantes, tanto no norte, quanto no sul da América, tornaram-se empreendedores, deslocaram-se pelo território nacional em busca de emprego, e assim passaram a fazer parte da nova nação que escolheram para si.
O que a Europa precisa neste momento é de mais liberdade, ao contrário das primeiras soluções anunciadas. Não é preciso restringir a imigração, mas simplesmente terminar com as políticas paternalistas que evitam com que os imigrantes se integrem em suas sociedades. Hoje, os atentados já são cometidos por cidadãos nacionais, filhos de imigrantes, mas nascidos e criados na Europa, entretanto, incapazes de internalizarem os costumes, hábitos e cultura de seu novo país.
Criar uma burocracia maior para o controle de viajantes e restringir a imigração não solucionará o problema. É preciso de uma solução que ataque a questão no longo prazo. O câncer que mata a Europa aos poucos são os pesados impostos, dentro de um enorme sistema de bem estar social, que gera distorções graves em diversos setores, como o imigratório, incapaz de integrar novos membros na sociedade. Imigração não rima com assistência do Estado. Quando ambos se juntam, surgem guetos, que hoje são o caldo fervente dos protestos, inconformidades e radicalismos, inclusive religiosos. Para realizar esta integração é preciso reformar o sistema de bem estar social.
O que a Europa precisa não é se fechar ainda mais. O caminho será a ascensão de partidos radicais, de qualquer matriz, que trarão respostas imediatas, mas que no médio prazo terminarão com a concepção da Europa moderna e aberta que conhecemos. Se os atentados de Paris, Londres e Madri nos ensinam algo, é no sentido de que a reforma necessária é no modelo paternalista implementado no pós-guerra, que já serviu ao seu propósito e que agora precisa ser revisado profundamente e até extinto. Ao invés de presentear os imigrantes com cheques e seguros desemprego, é preciso criar um sistema que desonere, por exemplo, a carga tributária de imigrantes que abram negócios, entre diversas outras políticas. No modelo atual, leniente e assistencialista, a Europa está criando um câncer que terminará por engolir o concerto europeu e levará os partidos radicais da direita e esquerda ao poder. Se nada efetivo for feito, tempos sombrios avizinham-se no Velho Mundo.
A Europa como conhecemos é um retrato de políticas de bem estar social implementadas após a Segunda Guerra Mundial. Estes movimentos tiveram o intuito de reconstruir e trazer paz a um continente devastado pelo conflito. A construção da União Européia, integrando as economias, as políticas, o comércio, liberando a circulação de pessoas, tinha como objetivo alcançar uma aproximação entre as diferentes nações e culturas, evitando assim o surgimento de nacionalismos radicais e tendências expansionistas, responsáveis pelas guerras vividas pelo continente.
Entretanto, a Europa cometeu um grande erro: a manutenção do estado de bem estar social diante de uma crescente onda de imigração. Os benefícios sociais europeus, quando concedidos aos imigrantes, evitam com que estes se integrem em sua nova sociedade, favorecendo a criação de guetos. O Brasil, exemplo mais bem acabado de integração imigratória no mundo, soube fazer com que seus imigrantes se tornassem brasileiros mediante a ausência de mecanismos de bem estar social, assim como ocorreu nos Estados Unidos. Os imigrantes, tanto no norte, quanto no sul da América, tornaram-se empreendedores, deslocaram-se pelo território nacional em busca de emprego, e assim passaram a fazer parte da nova nação que escolheram para si.
O que a Europa precisa neste momento é de mais liberdade, ao contrário das primeiras soluções anunciadas. Não é preciso restringir a imigração, mas simplesmente terminar com as políticas paternalistas que evitam com que os imigrantes se integrem em suas sociedades. Hoje, os atentados já são cometidos por cidadãos nacionais, filhos de imigrantes, mas nascidos e criados na Europa, entretanto, incapazes de internalizarem os costumes, hábitos e cultura de seu novo país.
Criar uma burocracia maior para o controle de viajantes e restringir a imigração não solucionará o problema. É preciso de uma solução que ataque a questão no longo prazo. O câncer que mata a Europa aos poucos são os pesados impostos, dentro de um enorme sistema de bem estar social, que gera distorções graves em diversos setores, como o imigratório, incapaz de integrar novos membros na sociedade. Imigração não rima com assistência do Estado. Quando ambos se juntam, surgem guetos, que hoje são o caldo fervente dos protestos, inconformidades e radicalismos, inclusive religiosos. Para realizar esta integração é preciso reformar o sistema de bem estar social.
O que a Europa precisa não é se fechar ainda mais. O caminho será a ascensão de partidos radicais, de qualquer matriz, que trarão respostas imediatas, mas que no médio prazo terminarão com a concepção da Europa moderna e aberta que conhecemos. Se os atentados de Paris, Londres e Madri nos ensinam algo, é no sentido de que a reforma necessária é no modelo paternalista implementado no pós-guerra, que já serviu ao seu propósito e que agora precisa ser revisado profundamente e até extinto. Ao invés de presentear os imigrantes com cheques e seguros desemprego, é preciso criar um sistema que desonere, por exemplo, a carga tributária de imigrantes que abram negócios, entre diversas outras políticas. No modelo atual, leniente e assistencialista, a Europa está criando um câncer que terminará por engolir o concerto europeu e levará os partidos radicais da direita e esquerda ao poder. Se nada efetivo for feito, tempos sombrios avizinham-se no Velho Mundo.
terça-feira, novembro 18, 2014
Tempestade Perfeita
Logo após o período eleitoral ter se encerrado no Brasil, diversos institutos analisaram os resultados aqui na capital americana. Procurava-se saber o impacto do pleito nos destinos do Brasil. Durante um destes debates perguntei a um dos analistas sobre os possíveis cenários para 2015, afinal, a economia patina, a inflação passa da..
Leia a íntegra em: goo.gl/OSd2Qu
Leia a íntegra em: goo.gl/OSd2Qu
sábado, outubro 25, 2014
Chegou a Hora
Tudo começou nas manifestações de 2013. A população se espalhou pelas ruas das principais cidades do País. Não havia um foco definido. Não havia líderes. Apenas um sentimento de indignação despertado na alma de cada brasileiro. Naquele momento, muitos acreditavam que poderia estar nascendo um novo país, especialmente diante de um povo que parecia ter abandonado a..
Leia a íntegra em: http://goo.gl/5SWaeY
Leia a íntegra em: http://goo.gl/5SWaeY
terça-feira, outubro 21, 2014
Sobre o Datafolha
Poucos analistas e jornalistas políticos no Brasil se arriscam a fazer previsões, mas são mestres na arte de apresentar explicações. No caso da pesquisa Datafolha, apesar de praticamente ninguém prever a inversão entre Aécio e Dilma, no dia seguinte sobram explicações. Geralmente estas pessoas olham os dados divulgados e apresentam justificativas infantis, como "a queda de Aécio no Sudeste está relacionada ao problema da água em São Paulo". Sinceramente, os movimentos eleitorais estão muito distantes desta explicação simples e banal.
Em uma eleição muito disputada como a que estamos vivendo, inequivocamente a metodologia adotada, horário de abordagem e um outro número enorme de fatores contribuem para oscilações. Portanto, enquanto o Sensus apresenta um resultado, Datafolha chega a outra conclusão e outro institutos, como Veritá ou até mesmo Ibope, também apresentam variações.
Pesquisas não são quadros definidos. Muito pelo contrário. Pesquisas indicam movimento. Logo, é preciso olhar uma série delas para conseguirmos entender por onde está caminhando o eleitorado. Logo, puxar os dados de uma sondagem e tentar explicar movimentos, para usar uma palavra que está na moda, chega a ser leviano. É preciso mais de uma pesquisa, mais de um instituto apontar com clareza uma mudança.
O que o Datafolha nos mostra é um começo de movimento, de acordo com a metodologia usada pelo instituto, não captada pelos concorrentes. Estes, por sua vez, entenderam a intensidade de movimentos do primeiro turno ignorados pela dupla Ibope-Datafolha. De qualquer forma, dizer que Aécio enfraqueceu no Sudeste ou Dilma cresceu entre as mulheres e buscar as explicações para isso tendo como base tão somente uma simples sondagem é fazer jornalismo político pouco sadio dentro de um processo eleitoral.
O fato é que essas oscilações, em uma dinâmica eleitoral tão embaralhada e disputada, é algo perfeitamente normal. Não me surpreenderia se o mesmo instituto mostrar nos dias finais da campanha os dois candidatos rigorosamente empatados - aí será ouvido que isto ocorreu porque Aécio, por exemplo, concentrou esforços no Sudeste nos últimos dias. Balela. As oscilações em uma eleição aguerrida como esta são movimentos naturais e o resultado das sondagens, lembro mais uma vez, dependem da metodologia e até do material gráfico apresentado aos entrevistados. São muitos detalhes.
Na minha opinião, Aécio lidera por uma pequena margem, muito pequena, algo que não chega a 2%. É muito pouco e fácil de ser revertido. Do outro lado a mesma coisa. Qualquer vantagem é passível também de reversão. Apesar de acreditar que as condições são mais favoráveis para Aécio - 70% dos eleitores desejam mudança, não significa que ele vencerá. A campanha negativa em cima da candidata que personificava a mudança e favorita na minha opinião, Marina Silva, foi tão intensa que a tirou do segundo turno. Esta artilharia hoje mira em Aécio. Por mais que personifique a mudança, há um processo brutal de desconstrução de sua imagem em curso. A definição desta eleição está dividida entre o desejo de mudança e o potencial de desconstrução de imagem do marketing. Marina não resistiu. Caberá a Aécio provar que a política é mais importante que a propaganda.
Em uma eleição muito disputada como a que estamos vivendo, inequivocamente a metodologia adotada, horário de abordagem e um outro número enorme de fatores contribuem para oscilações. Portanto, enquanto o Sensus apresenta um resultado, Datafolha chega a outra conclusão e outro institutos, como Veritá ou até mesmo Ibope, também apresentam variações.
Pesquisas não são quadros definidos. Muito pelo contrário. Pesquisas indicam movimento. Logo, é preciso olhar uma série delas para conseguirmos entender por onde está caminhando o eleitorado. Logo, puxar os dados de uma sondagem e tentar explicar movimentos, para usar uma palavra que está na moda, chega a ser leviano. É preciso mais de uma pesquisa, mais de um instituto apontar com clareza uma mudança.
O que o Datafolha nos mostra é um começo de movimento, de acordo com a metodologia usada pelo instituto, não captada pelos concorrentes. Estes, por sua vez, entenderam a intensidade de movimentos do primeiro turno ignorados pela dupla Ibope-Datafolha. De qualquer forma, dizer que Aécio enfraqueceu no Sudeste ou Dilma cresceu entre as mulheres e buscar as explicações para isso tendo como base tão somente uma simples sondagem é fazer jornalismo político pouco sadio dentro de um processo eleitoral.
O fato é que essas oscilações, em uma dinâmica eleitoral tão embaralhada e disputada, é algo perfeitamente normal. Não me surpreenderia se o mesmo instituto mostrar nos dias finais da campanha os dois candidatos rigorosamente empatados - aí será ouvido que isto ocorreu porque Aécio, por exemplo, concentrou esforços no Sudeste nos últimos dias. Balela. As oscilações em uma eleição aguerrida como esta são movimentos naturais e o resultado das sondagens, lembro mais uma vez, dependem da metodologia e até do material gráfico apresentado aos entrevistados. São muitos detalhes.
Na minha opinião, Aécio lidera por uma pequena margem, muito pequena, algo que não chega a 2%. É muito pouco e fácil de ser revertido. Do outro lado a mesma coisa. Qualquer vantagem é passível também de reversão. Apesar de acreditar que as condições são mais favoráveis para Aécio - 70% dos eleitores desejam mudança, não significa que ele vencerá. A campanha negativa em cima da candidata que personificava a mudança e favorita na minha opinião, Marina Silva, foi tão intensa que a tirou do segundo turno. Esta artilharia hoje mira em Aécio. Por mais que personifique a mudança, há um processo brutal de desconstrução de sua imagem em curso. A definição desta eleição está dividida entre o desejo de mudança e o potencial de desconstrução de imagem do marketing. Marina não resistiu. Caberá a Aécio provar que a política é mais importante que a propaganda.
segunda-feira, outubro 20, 2014
Na Record, Aécio levou os indecisos
No primeiro embate entre Aécio e Dilma neste segundo turno, na Band, o tucano foi surpreendido pelo preparo da petista. No segundo encontro, nos estúdios do SBT, o PSDB já havia decifrado a estratégia vermelha. Armou-se e surpreendeu. Mostrou que também poderia colocar a faca entre os dentes. O PT se assustou. Depois de dois debates surpreendentes, veio o duelo na Record.
O estúdio da emissora paulista transmitiu um debate normal, que não entrou pela esfera dos ataques pessoais, mas isso não quer dizer que não tenha sido tenso. Foi e muito. As farpas começaram a ser trocadas nas primeiras perguntas e Dilma seguiu o script de sempre: demonizar os anos de Fernando Henrique e dizer que os dados de Aécio não batem com a realidade. Ela, entretanto, evitou a estratégia de tentar a inversão do debate, algo que conseguiu com sucesso na Band, mas que não alcançou resultado no SBT.
Os ataques cruéis dos petistas cessaram dentro dos estúdios da Record. Dilma deixou o trabalho sujo para os comerciais de televisão, enquanto no debate mudou o tom. Isto tem duas explicações: ou os grupos focais mostraram que não estavam funcionando ou os tucanos fizeram chegar aos ouvidos petistas o tamanho da lama que Aécio tinha nas mãos para revidar qualquer golpe baixo ali mesmo. O fato é que houve uma mudança de estratégia do lado vermelho, que desta vez usou branco.
Aécio fez seu jogo. Respondeu com parcimônia o que precisa ser contraposto e não precisou defender-se de acusações pessoais revidando com mais lama, como fez no SBT - onde expôs o telhado de vidro da petista quanto ao nepotismo: ela possui um irmão que recebe e não dá expediente na prefeitura de Belo Horizonte.
O resultado ficou expresso nos grupos focais com indecisos que assistiram o debate: 55% disseram que preferiram Aécio, 15% optaram por Dilma, enquanto 30% permaneceram indecisos. Portanto, no embate da Record o tucano abriu espaço no grupo mais importante: entre os indecisos.
Muitos queriam que Aécio jogasse mais pesado, partisse para cima de Dilma. Calma. Eleição não se ganha sendo afoito. É preciso calibragem e inteligência. Isto Aécio mostrou de sobra. Defendeu-se com classe, deixou claras as contradições do governo, acuou Dilma de forma certa (chegou a gaguejar novamente) e venceu o debate entre os indecisos sem humilhá-la. Ganhou por pontos. Mas na política, como no boxe, é possível ganhar uma luta por pontos, especialmente se estes forem angariados entre os indecisos.
O estúdio da emissora paulista transmitiu um debate normal, que não entrou pela esfera dos ataques pessoais, mas isso não quer dizer que não tenha sido tenso. Foi e muito. As farpas começaram a ser trocadas nas primeiras perguntas e Dilma seguiu o script de sempre: demonizar os anos de Fernando Henrique e dizer que os dados de Aécio não batem com a realidade. Ela, entretanto, evitou a estratégia de tentar a inversão do debate, algo que conseguiu com sucesso na Band, mas que não alcançou resultado no SBT.
Os ataques cruéis dos petistas cessaram dentro dos estúdios da Record. Dilma deixou o trabalho sujo para os comerciais de televisão, enquanto no debate mudou o tom. Isto tem duas explicações: ou os grupos focais mostraram que não estavam funcionando ou os tucanos fizeram chegar aos ouvidos petistas o tamanho da lama que Aécio tinha nas mãos para revidar qualquer golpe baixo ali mesmo. O fato é que houve uma mudança de estratégia do lado vermelho, que desta vez usou branco.
Aécio fez seu jogo. Respondeu com parcimônia o que precisa ser contraposto e não precisou defender-se de acusações pessoais revidando com mais lama, como fez no SBT - onde expôs o telhado de vidro da petista quanto ao nepotismo: ela possui um irmão que recebe e não dá expediente na prefeitura de Belo Horizonte.
O resultado ficou expresso nos grupos focais com indecisos que assistiram o debate: 55% disseram que preferiram Aécio, 15% optaram por Dilma, enquanto 30% permaneceram indecisos. Portanto, no embate da Record o tucano abriu espaço no grupo mais importante: entre os indecisos.
Muitos queriam que Aécio jogasse mais pesado, partisse para cima de Dilma. Calma. Eleição não se ganha sendo afoito. É preciso calibragem e inteligência. Isto Aécio mostrou de sobra. Defendeu-se com classe, deixou claras as contradições do governo, acuou Dilma de forma certa (chegou a gaguejar novamente) e venceu o debate entre os indecisos sem humilhá-la. Ganhou por pontos. Mas na política, como no boxe, é possível ganhar uma luta por pontos, especialmente se estes forem angariados entre os indecisos.
sexta-feira, outubro 17, 2014
Dilma e o Nocaute
no·cau·te
(inglês knockout)
substantivo masculino
1. [Desporto] Golpe decisivo que põe o adversário fora de combate. 2. Estado de inconsciência. 3. Avaria ou perturbação grave de funcionamento. 4. Posto fora de combate. 5. Sem sentidos.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013.
Voltamos ao estado natural das coisas. Dilma pode ter inovado no primeiro debate, quando veio com a faca entre os dentes e surpreendeu Aécio, tomando o controle da discussão. Mas vemos que foi um ponto fora da curva. No debate de ontem no SBT, promovido pela emissora de Sílvio Santos, mais UOL e rádio Jovem Pan, o tucano assumiu o comando do derby logo no começo e impôs mais do que um massacre, mas uma espécie de vexame para a candidata vermelha, que trajava verde.
João Santana preparou muito bem Dilma mais uma vez. Com dezenas de papéis e intermináveis anotações, tinha mais uma vez o script do debate em sua cabeça. Logo na primeira resposta tentou usar o mesmo artifício aplicado no debate anterior, ou seja, sem responder a pergunta, imputou acusações em cima de Aécio, tentando inverter a pauta. Veio o revés. A tática, já esperada pela equipe de Aécio, foi neutralizada e Dilma saía atrás no primeiro round. Perdia por pontos.
Enquanto Dilma tratava de imputar acusações em cima do tucano, Aécio pedia que se elevasse o nível do debate e propunha sempre um novo tema a ser discutido. Não importava. Dilma voltava ainda mais feroz, abusando de um semelhante nervoso e arrogante, lembrando o comportamento de uma diretora de escola primária do passado portando uma palmatória. Neste momento, quando as acusações desceram ao nível pessoal, Aécio devolveu na mesma moeda: o irmão de Dilma é funcionário fantasma da Prefeitura de Belo Horizonte, contratado sem concurso pelo governador eleito Fernando Pimentel. Ela arrepiou. Sentiu o golpe. Conheceu as cordas.
Dentro do ringue, Dilma já devia estar meio zonza quando os temas versavam sobre programas, dados do governo e a realidade brasileira. Ali o tucano nadou de braçadas. Ela parecia perdida no interminável mar de papéis e anotações feitas pelo seu marqueteiro. Ao final, depois do vexame, ela não conseguia sequer terminar um raciocínio diante da repórter do SBT. Atropelada duas vezes pela falta de foco, abraçou a desculpa dada pela jornalista e alegou que sentiu-se mal. Deu-se o nocaute. Recuperada, já tinha gastado seu tempo e perdeu a paciência e a esportiva com a repórter.
A audiência, espectacular para o horário, foi de nove pontos. Quem assistiu foi um público que não está acordado para ver os debates noturnos. Foram as pessoas que dirigiam seu carro de volta para o trabalho ou aqueles que, em bares, rodoviárias e ônibus, conseguiram sintonizar a internet, rádio e televisão.
Os grupos focais, base das pesquisas qualitativas, que reúnem especialmente indecisos, trouxeram ótimas notícias para Aécio. Tanto os grupos organizados pelo PT, quanto pelo PSDB, mostraram larga vantagem para o tucano. O debate de ontem, visto pelos indecisos, tende a trazer votos para Aécio.
Hoje, distante do inferno que foram os estúdios do SBT para Dilma, os petistas já responderam com a estratégia esperada: a vitimização da candidata. Seguem atacando o tucano, acusando-o de impiedoso. Mas como já disse aqui, neste embate, Dilma literalmente beijou a lona. O boxe eleitoral não conhece vitória parcial. Dilma conheceu a dor do nocaute.
1. [Desporto] Golpe decisivo que põe o adversário fora de combate. 2. Estado de inconsciência. 3. Avaria ou perturbação grave de funcionamento. 4. Posto fora de combate. 5. Sem sentidos.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013.
Voltamos ao estado natural das coisas. Dilma pode ter inovado no primeiro debate, quando veio com a faca entre os dentes e surpreendeu Aécio, tomando o controle da discussão. Mas vemos que foi um ponto fora da curva. No debate de ontem no SBT, promovido pela emissora de Sílvio Santos, mais UOL e rádio Jovem Pan, o tucano assumiu o comando do derby logo no começo e impôs mais do que um massacre, mas uma espécie de vexame para a candidata vermelha, que trajava verde.
João Santana preparou muito bem Dilma mais uma vez. Com dezenas de papéis e intermináveis anotações, tinha mais uma vez o script do debate em sua cabeça. Logo na primeira resposta tentou usar o mesmo artifício aplicado no debate anterior, ou seja, sem responder a pergunta, imputou acusações em cima de Aécio, tentando inverter a pauta. Veio o revés. A tática, já esperada pela equipe de Aécio, foi neutralizada e Dilma saía atrás no primeiro round. Perdia por pontos.
Enquanto Dilma tratava de imputar acusações em cima do tucano, Aécio pedia que se elevasse o nível do debate e propunha sempre um novo tema a ser discutido. Não importava. Dilma voltava ainda mais feroz, abusando de um semelhante nervoso e arrogante, lembrando o comportamento de uma diretora de escola primária do passado portando uma palmatória. Neste momento, quando as acusações desceram ao nível pessoal, Aécio devolveu na mesma moeda: o irmão de Dilma é funcionário fantasma da Prefeitura de Belo Horizonte, contratado sem concurso pelo governador eleito Fernando Pimentel. Ela arrepiou. Sentiu o golpe. Conheceu as cordas.
Dentro do ringue, Dilma já devia estar meio zonza quando os temas versavam sobre programas, dados do governo e a realidade brasileira. Ali o tucano nadou de braçadas. Ela parecia perdida no interminável mar de papéis e anotações feitas pelo seu marqueteiro. Ao final, depois do vexame, ela não conseguia sequer terminar um raciocínio diante da repórter do SBT. Atropelada duas vezes pela falta de foco, abraçou a desculpa dada pela jornalista e alegou que sentiu-se mal. Deu-se o nocaute. Recuperada, já tinha gastado seu tempo e perdeu a paciência e a esportiva com a repórter.
A audiência, espectacular para o horário, foi de nove pontos. Quem assistiu foi um público que não está acordado para ver os debates noturnos. Foram as pessoas que dirigiam seu carro de volta para o trabalho ou aqueles que, em bares, rodoviárias e ônibus, conseguiram sintonizar a internet, rádio e televisão.
Os grupos focais, base das pesquisas qualitativas, que reúnem especialmente indecisos, trouxeram ótimas notícias para Aécio. Tanto os grupos organizados pelo PT, quanto pelo PSDB, mostraram larga vantagem para o tucano. O debate de ontem, visto pelos indecisos, tende a trazer votos para Aécio.
Hoje, distante do inferno que foram os estúdios do SBT para Dilma, os petistas já responderam com a estratégia esperada: a vitimização da candidata. Seguem atacando o tucano, acusando-o de impiedoso. Mas como já disse aqui, neste embate, Dilma literalmente beijou a lona. O boxe eleitoral não conhece vitória parcial. Dilma conheceu a dor do nocaute.
quinta-feira, outubro 16, 2014
Pugilismo Eleitoral
As pesquisas trazem um empate entre os dois candidatos, Aécio e Dilma. Parece que depois do fiasco do primeiro turno, Ibope e Datafolha combinaram de divulgar as pesquisas no mesmo dia e com o mesmo percentual. Na verdade estão se blindando, um com a ajuda do outro, de eventuais movimentos do eleitorado perto da votação, como ocorreu no primeiro turno, com a transferência avassaladora de votos carregados pela onda Aécio Neves.
Mas os trackings dos partidos e do mercado financeiro trazem números que podem no indicar com mais consistência o movimento do eleitorado. Se avaliarmos todos, veremos que Aécio se mantém na frente, com algo em torno de 2 milhões de votos ou com uma pequena margem, ali entre 1% a 2% do eleitorado. É muito pouco para afirmar que ele vencerá. Movimentos perto do grande dia do encontro do povo com as urnas, geralmente encontrados no Rio Grande do Sul, provam que o eleitorado gosta de aprontar surpresas de última hora.
Portando, abstenção, votos nulos e em branco podem ser um fator decisivo. Dependendo da geografia de sua distribuição podem ser os responsáveis por decidir o páreo do dia 26. Talvez o leitor se pergunte, vamos ver como foram estes números no primeiro turno! Atroz engano. As planilhas dos últimos pleitos nos mostram que, de um turno para o outro, estes percentuais variam sempre, nunca são iguais.
O petismo aposta na militância vermelha e, claro, na guerra suja de sempre. A mesma pancadaria que vitimou Marina no primeiro turno já está em curso no segundo contra Aécio. O tucano chegou a ser surpreendido pelo grau de preparo da adversária para o debate da Band. Controlou o Dilmês e seguiu dentro do roteiro traçado pelo mago João Santana. O tucano não conseguiu pautar o derby.
Aécio até o momento se manteve na defensiva. Não ataca, nem agride. Os manuais dizem que o candidato que está na frente não deve bater, ou seja, não deve tomar conhecimento do adversário. A campanha do PSDB, por enquanto, não toma conhecimento dos ataques petistas. Mas vale um alerta: o adversário é o PT e esta é uma campanha de segundo turno, de tiro curto, sem espaço para erros. Aqui, a campanha negativa e a rejeição imperam - a de Aécio já subiu. Se o PSDB não reagir no nível do PT, pode conhecer o cadafalso. Marina desceu do Olimpo e conheceu a lona com a mesma estratégia.
Os tucanos tem no debate seu grande trunfo. Datafolha e Ibope não captaram o resultado do ringue da Band, que teve enorme audiência. Hoje, o pugilismo político se encontra na casa de Sílvio Santos, o SBT. Os trackings de final de semana darão a tônica para o debate da Record, no domingo. Aí entramos na reta final. Última semana. Pancadaria será pouco. Enquanto isso, o Ibope não quer se incomodar. Não divulgará pesquisa de boca de urna.
Mas os trackings dos partidos e do mercado financeiro trazem números que podem no indicar com mais consistência o movimento do eleitorado. Se avaliarmos todos, veremos que Aécio se mantém na frente, com algo em torno de 2 milhões de votos ou com uma pequena margem, ali entre 1% a 2% do eleitorado. É muito pouco para afirmar que ele vencerá. Movimentos perto do grande dia do encontro do povo com as urnas, geralmente encontrados no Rio Grande do Sul, provam que o eleitorado gosta de aprontar surpresas de última hora.
Portando, abstenção, votos nulos e em branco podem ser um fator decisivo. Dependendo da geografia de sua distribuição podem ser os responsáveis por decidir o páreo do dia 26. Talvez o leitor se pergunte, vamos ver como foram estes números no primeiro turno! Atroz engano. As planilhas dos últimos pleitos nos mostram que, de um turno para o outro, estes percentuais variam sempre, nunca são iguais.
O petismo aposta na militância vermelha e, claro, na guerra suja de sempre. A mesma pancadaria que vitimou Marina no primeiro turno já está em curso no segundo contra Aécio. O tucano chegou a ser surpreendido pelo grau de preparo da adversária para o debate da Band. Controlou o Dilmês e seguiu dentro do roteiro traçado pelo mago João Santana. O tucano não conseguiu pautar o derby.
Aécio até o momento se manteve na defensiva. Não ataca, nem agride. Os manuais dizem que o candidato que está na frente não deve bater, ou seja, não deve tomar conhecimento do adversário. A campanha do PSDB, por enquanto, não toma conhecimento dos ataques petistas. Mas vale um alerta: o adversário é o PT e esta é uma campanha de segundo turno, de tiro curto, sem espaço para erros. Aqui, a campanha negativa e a rejeição imperam - a de Aécio já subiu. Se o PSDB não reagir no nível do PT, pode conhecer o cadafalso. Marina desceu do Olimpo e conheceu a lona com a mesma estratégia.
Os tucanos tem no debate seu grande trunfo. Datafolha e Ibope não captaram o resultado do ringue da Band, que teve enorme audiência. Hoje, o pugilismo político se encontra na casa de Sílvio Santos, o SBT. Os trackings de final de semana darão a tônica para o debate da Record, no domingo. Aí entramos na reta final. Última semana. Pancadaria será pouco. Enquanto isso, o Ibope não quer se incomodar. Não divulgará pesquisa de boca de urna.
quarta-feira, outubro 15, 2014
O Debate e a Guerra
Depois de pesquisas confusas, uma semana de exposição de Aécio, de um petismo que busca forças para reagir, chegamos finalmente ao grande primeiro debate entre os dois finalistas da eleição presidencial.
Aécio iniciou o embate com a faca entre os dentes e foi para cima de Dilma. Cravou a palavra mentirosa na testa dela inúmeras vezes, afinal de contas, o PT continua com a mesma estratégia de empilhar dados fantasiosos, mentiras e ver o que cola. Aécio soube se defender bem, mas aí começou o problema para o tucano. Quando este perguntava, Dilma se esquivava de responder e passava a desferir ataques. Para não deixar a mentira virar verdade, o tucano passou a dar explicações.
Com esta estratégia Dilma passou a virar o jogo, no sentido de que passou a pautar o debate, ou seja, colocando Aécio na defensiva passou a escolher os temas que gostaria de debater, ou melhor, onde queira atacá-lo. Ela tinha um roteiro pré-estabelecido pela assessoria e sabia muito bem a intensidade, o tempo e o local de cada golpe. Foram desferidos ataques sem fim. Verdades tortas, mentiras deslavadas, coroadas sempre pela fixação petista no ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.
Repito, Aécio se defendeu bem, muito bem. Entretanto, em meio a tantos golpes, acaba por deixar passar uma acusação ou outra. Na verdade, o tucano precisaria manter o ritmo do começo do debate e confrontar Dilma com ataques de igual ou maior intensidade, jogando-a nas cordas. Quando ela listou uma série de denúncias de casos de corrupção contra o PSDB, faltou a Aécio tomar as rédeas e dizer que se o assunto é corrupção, então o PT tem muito a ensinar, como nos casos do mensalão, dólares na cueca, máfia dos sanguessugas, escândalo dos aloprados, gastos dos cartões corporativos, uso dos correios na campanha, além é claro do atual petrolão. Citei esses de cabeça. A lista é interminável.
O petismo mostrou para Aécio que também pretende jogar pesado. Uma das perguntas de Dilma sobre um tema que parecia fora do contexto foi um recado claro para o tucano de que o nível da campanha pode descer abaixo da linha da cintura. A usina de mentiras está trabalhando e o petismo jogará o jogo que for preciso para arrancar esta vitória. O tucano entendeu o recado.
Enfim, esta é mais do que uma disputa eleitoral. Se formos analisar a capacidade de cada candidato, a foto que ilustra este artigo explica tudo. Se Aécio deseja vencer, precisa manter a faca entre os dentes, usar o telhado de vidro do petismo e partir para a ofensiva. Dilma e sua turma não entregarão os pontos com facilidade. Como ouvi de um assessor de Marina, "É guerra". Sim, meu caros, é guerra. E como já alertei aqui: tirem as crianças da sala.
Aécio iniciou o embate com a faca entre os dentes e foi para cima de Dilma. Cravou a palavra mentirosa na testa dela inúmeras vezes, afinal de contas, o PT continua com a mesma estratégia de empilhar dados fantasiosos, mentiras e ver o que cola. Aécio soube se defender bem, mas aí começou o problema para o tucano. Quando este perguntava, Dilma se esquivava de responder e passava a desferir ataques. Para não deixar a mentira virar verdade, o tucano passou a dar explicações.
Com esta estratégia Dilma passou a virar o jogo, no sentido de que passou a pautar o debate, ou seja, colocando Aécio na defensiva passou a escolher os temas que gostaria de debater, ou melhor, onde queira atacá-lo. Ela tinha um roteiro pré-estabelecido pela assessoria e sabia muito bem a intensidade, o tempo e o local de cada golpe. Foram desferidos ataques sem fim. Verdades tortas, mentiras deslavadas, coroadas sempre pela fixação petista no ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.
Repito, Aécio se defendeu bem, muito bem. Entretanto, em meio a tantos golpes, acaba por deixar passar uma acusação ou outra. Na verdade, o tucano precisaria manter o ritmo do começo do debate e confrontar Dilma com ataques de igual ou maior intensidade, jogando-a nas cordas. Quando ela listou uma série de denúncias de casos de corrupção contra o PSDB, faltou a Aécio tomar as rédeas e dizer que se o assunto é corrupção, então o PT tem muito a ensinar, como nos casos do mensalão, dólares na cueca, máfia dos sanguessugas, escândalo dos aloprados, gastos dos cartões corporativos, uso dos correios na campanha, além é claro do atual petrolão. Citei esses de cabeça. A lista é interminável.
O petismo mostrou para Aécio que também pretende jogar pesado. Uma das perguntas de Dilma sobre um tema que parecia fora do contexto foi um recado claro para o tucano de que o nível da campanha pode descer abaixo da linha da cintura. A usina de mentiras está trabalhando e o petismo jogará o jogo que for preciso para arrancar esta vitória. O tucano entendeu o recado.
Enfim, esta é mais do que uma disputa eleitoral. Se formos analisar a capacidade de cada candidato, a foto que ilustra este artigo explica tudo. Se Aécio deseja vencer, precisa manter a faca entre os dentes, usar o telhado de vidro do petismo e partir para a ofensiva. Dilma e sua turma não entregarão os pontos com facilidade. Como ouvi de um assessor de Marina, "É guerra". Sim, meu caros, é guerra. E como já alertei aqui: tirem as crianças da sala.
terça-feira, outubro 14, 2014
Conta Gotas
Aécio largou melhor para o segundo turno. Isto é um fato. Costurou suas alianças de forma eficiente e objetiva. Na medida que foram fechadas foram anunciadas. O apoio mais esperado, de Marina Silva, veio por último, como que para coroar uma semana praticamente perfeita.
É assim que se faz política, ajustando-se o timing e pensando em cada movimento para manter o "momento" do candidato o maior tempo possível. No caso de Aécio, começou-se pelos apoios de Eduardo Jorge e Pastor Everaldo. Logo depois veio o apoio do PSB, mesmo diante da contrariedade de seu Presidente, Roberto Amaral. O partido decidiu marchar unido para a candidatura de Aécio.
Mas o ápice da semana foi já em seu final. Depois de ocupar o tempo e o espaço somente com apoios e boas notícias, veio a chancela formal da família de Eduardo Campos, que durante ato no Recife proferiu seu apoio ao tucano. Tudo indica que Eduardo e Aécio, muito próximos, já haviam costurado algum tipo de acordo para o segundo turno. A família honrou o desejo e a amizade de Campos com Aécio e sacramentou seu apoio diante da leitura de uma carta escrita pela viúva, Renata, e lida por seu filho. Junto, veio a fundamental chancela também do governador eleito de Pernambuco, detentor de 3 milhões votos, Paulo Câmara.
Para coroar uma semana perfeita, Marina resolver aderir. Diante de uma carta de Aécio que assume em parte os compromissos solicitados pela candidata, a líder da Rede da Sustentabilidade decidiu levar seu apoio para Aécio. Apesar de muitos chamarem o apoio de Marina de irrelevante, pois 2 em cada 3 de seus eleitores teriam ido para o tucano, sua chancela é o que importa, pois consolida votos que poderiam ainda talvez migrar para a outra candidatura.
Enfim, os apoios, em conta gotas, deixaram Aécio ocupar a mídia durante toda a semana de forma positiva, dominar o cenário e construir uma grande frente anti-PT. Se conseguir vender bem esta idéia em seus programas, tem grande chance de chegar lá.
É assim que se faz política, ajustando-se o timing e pensando em cada movimento para manter o "momento" do candidato o maior tempo possível. No caso de Aécio, começou-se pelos apoios de Eduardo Jorge e Pastor Everaldo. Logo depois veio o apoio do PSB, mesmo diante da contrariedade de seu Presidente, Roberto Amaral. O partido decidiu marchar unido para a candidatura de Aécio.
Mas o ápice da semana foi já em seu final. Depois de ocupar o tempo e o espaço somente com apoios e boas notícias, veio a chancela formal da família de Eduardo Campos, que durante ato no Recife proferiu seu apoio ao tucano. Tudo indica que Eduardo e Aécio, muito próximos, já haviam costurado algum tipo de acordo para o segundo turno. A família honrou o desejo e a amizade de Campos com Aécio e sacramentou seu apoio diante da leitura de uma carta escrita pela viúva, Renata, e lida por seu filho. Junto, veio a fundamental chancela também do governador eleito de Pernambuco, detentor de 3 milhões votos, Paulo Câmara.
Para coroar uma semana perfeita, Marina resolver aderir. Diante de uma carta de Aécio que assume em parte os compromissos solicitados pela candidata, a líder da Rede da Sustentabilidade decidiu levar seu apoio para Aécio. Apesar de muitos chamarem o apoio de Marina de irrelevante, pois 2 em cada 3 de seus eleitores teriam ido para o tucano, sua chancela é o que importa, pois consolida votos que poderiam ainda talvez migrar para a outra candidatura.
Enfim, os apoios, em conta gotas, deixaram Aécio ocupar a mídia durante toda a semana de forma positiva, dominar o cenário e construir uma grande frente anti-PT. Se conseguir vender bem esta idéia em seus programas, tem grande chance de chegar lá.
segunda-feira, outubro 13, 2014
Pernambuco: Vital para Aécio
Se São Paulo levou Aécio para o segundo turno, tudo indica que Pernambuco pode ser o local onde o tucano pode carimbar seu passaporte para a vitória. A terra de Eduardo Campos é o segundo colégio eleitoral do Nordeste, somente perdendo para a Bahia em número de eleitores. Paulo Câmara, candidato de Campos, obteve assombrosos 3 milhões de votos no estado, enquanto Aécio Neves obteve somente 285.000. O potencial de crescimento é enorme.
Somente em Pernambuco, Aécio pode colher uma vitória maiúscula, que lhe dará fôlego no Nordeste. A conta é simples. Aécio deve vencer no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, entretanto, o problema para os tucanos é sempre no eixo Norte-Nordeste, onde Lula e Dilma venceram com facilidade suas eleições. Na verdade, a diferença que vem do Sul em prol do tucano precisa ser grande para compensar a vitória avassaladora que o petismo consegue em seus bolsões no Nordeste. Não tem sido assim até esta eleição. Notem bem: até esta eleição.
Neste pleito, com o impulso de Eduardo Campos, Marina chegou a espantosos 2 milhões e 300 mil votos em Pernambuco. Dilma obteve 2 milhões e 100 mil. Aécio ficou fora do jogo com seus 285.000. Portanto, o apoio da família de Eduardo Campos, Marina e especialmente do governador eleito Paulo Câmara podem fazer os votos de Aécio serem multiplicados por 10 e chegarem no mesmo patamar que Marina, talvez até ultrapassando esta marca.
Equilibrar Pernambuco e até vencer por uma pequena margem no Estado, pode dar fôlego para o tucano usar sua "sobra" de votos de São Paulo e do Centro-Oeste para compensar as derrotas que devem vir da Bahia e Ceará, onde o PT pode abrir de 3,5 a 4 milhões de votos de dianteira. Paulo Câmara, hoje, é um dos mais importantes cabos eleitorais desta eleição presidencial. Um dos homens que podem ajudar o tucano a vencer. Pernambuco pode ser a salvação de Aécio no Nordeste.
Somente em Pernambuco, Aécio pode colher uma vitória maiúscula, que lhe dará fôlego no Nordeste. A conta é simples. Aécio deve vencer no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, entretanto, o problema para os tucanos é sempre no eixo Norte-Nordeste, onde Lula e Dilma venceram com facilidade suas eleições. Na verdade, a diferença que vem do Sul em prol do tucano precisa ser grande para compensar a vitória avassaladora que o petismo consegue em seus bolsões no Nordeste. Não tem sido assim até esta eleição. Notem bem: até esta eleição.
Neste pleito, com o impulso de Eduardo Campos, Marina chegou a espantosos 2 milhões e 300 mil votos em Pernambuco. Dilma obteve 2 milhões e 100 mil. Aécio ficou fora do jogo com seus 285.000. Portanto, o apoio da família de Eduardo Campos, Marina e especialmente do governador eleito Paulo Câmara podem fazer os votos de Aécio serem multiplicados por 10 e chegarem no mesmo patamar que Marina, talvez até ultrapassando esta marca.
Equilibrar Pernambuco e até vencer por uma pequena margem no Estado, pode dar fôlego para o tucano usar sua "sobra" de votos de São Paulo e do Centro-Oeste para compensar as derrotas que devem vir da Bahia e Ceará, onde o PT pode abrir de 3,5 a 4 milhões de votos de dianteira. Paulo Câmara, hoje, é um dos mais importantes cabos eleitorais desta eleição presidencial. Um dos homens que podem ajudar o tucano a vencer. Pernambuco pode ser a salvação de Aécio no Nordeste.
domingo, outubro 12, 2014
A Governabilidade Trocou de Lado
Conversando aqui em Washington sobre os rumos da campanha com um grande amigo, economista Silvério Zebral, com que trabalhei em diversos processos eleitorais, surgiu um comentário espetacular. Ele cunhou a seguinte frase que retrata a mudança de rumo da eleição: "A governabilidade mudou de lado".
De fato, poucas coisas explicam tão bem os rumos da política nacional quanto o barômetro do PMDB. Conseguimos enxergar o rumo dos acontecimentos simplesmente prestando atenção nos caminhos que o "partido da governabilidade" toma a cada episódio eleitoral.
Na última semana, a bancada do PMDB na Câmara fez sua opção por Aécio Neves. Mas o partido estava rachado: 59% havia decidido por Dilma na convenção. "Ali ficou claro que o partido estava liberado" segundo o deputado Eduardo Cunha, líder da agremiação na Casa,
Além do mais, o PMDB da Câmara sabe quem é Aécio Neves. O tucano presidiu a Casa depois de vencer uma eleição dada como perdida por muitos pares. Aécio soube articular muito bem sua candidatura e naquele momento nasceu para a política nacional, tornando-se um tucano importante.
O PMDB da Câmara não gosta de Dilma, pois ela detesta negociar com políticos. Se reeleita, o embate com o provável próximo Presidente da Câmara, o próprio Eduardo Cunha (desafeto de Dilma) será intenso. Com Aécio, o PMDB sabe onde estará pisando, já que o tucano, antes de governar Minas e ir para o Senado, passou longa temporada pelos tapetes verdes da Casa.
O PMDB aponta para Aécio, afinal os ventos da governabilidade sopram cada vez mais fortes para o lado tucano.
De fato, poucas coisas explicam tão bem os rumos da política nacional quanto o barômetro do PMDB. Conseguimos enxergar o rumo dos acontecimentos simplesmente prestando atenção nos caminhos que o "partido da governabilidade" toma a cada episódio eleitoral.
Na última semana, a bancada do PMDB na Câmara fez sua opção por Aécio Neves. Mas o partido estava rachado: 59% havia decidido por Dilma na convenção. "Ali ficou claro que o partido estava liberado" segundo o deputado Eduardo Cunha, líder da agremiação na Casa,
Além do mais, o PMDB da Câmara sabe quem é Aécio Neves. O tucano presidiu a Casa depois de vencer uma eleição dada como perdida por muitos pares. Aécio soube articular muito bem sua candidatura e naquele momento nasceu para a política nacional, tornando-se um tucano importante.
O PMDB da Câmara não gosta de Dilma, pois ela detesta negociar com políticos. Se reeleita, o embate com o provável próximo Presidente da Câmara, o próprio Eduardo Cunha (desafeto de Dilma) será intenso. Com Aécio, o PMDB sabe onde estará pisando, já que o tucano, antes de governar Minas e ir para o Senado, passou longa temporada pelos tapetes verdes da Casa.
O PMDB aponta para Aécio, afinal os ventos da governabilidade sopram cada vez mais fortes para o lado tucano.
segunda-feira, setembro 29, 2014
Candidatos miram classe C e maiores colégios eleitorais
Bela matéria do jornal "O Tempo", de Minas Gerais, sobre as estratégias finais de cada candidato na campanha presidencial.
Fui entrevistado para matéria ao lado do cientista político Antonio Lavareda e dos coordenadores de campanha do PT, Walfrido Mares Guia, de Marina Silva, Walter Feldman, e de Aécio Neves, José Agripino Maia.
Texto da competente jornalista especialista em política Denise Motta.
Link: http://goo.gl/KhJFw4
Fui entrevistado para matéria ao lado do cientista político Antonio Lavareda e dos coordenadores de campanha do PT, Walfrido Mares Guia, de Marina Silva, Walter Feldman, e de Aécio Neves, José Agripino Maia.
Texto da competente jornalista especialista em política Denise Motta.
Link: http://goo.gl/KhJFw4
Socialista se aproxima dos EUA
Matéria do jornal mineiro "O Tempo" sobre a visita de Maurício Rands, coordenador da campanha de Marina Silva, em Washington.
Concedi entrevista depois do evento para jornalista Denise Motta, que gentilmente citou meu nome no texto.
Concedi entrevista depois do evento para jornalista Denise Motta, que gentilmente citou meu nome no texto.
Os Desafios de Aécio
Aécio Neves se preparou durante muito tempo para esta campanha. Ele sabia, desde que chegou ao Senado, no início do governo Dilma, que seu nome estava muito bem posicionado para ser o candidato do PSDB. Depois de Serra e Alckmin, Aécio surgia naturalmente na fila como o nome tucano para disputar a Presidência. Começada a campanha, o script estava definido: polarizaria levemente com..
Link: http://goo.gl/I3Soo4
Link: http://goo.gl/I3Soo4
Dilma e o Mago
Dilma Rousseff carrega um grande peso nestas eleições que atende pelo nome de rejeição. Os números daqueles que dizem não votar na Presidente preocupam, especialmente quando flertam com um índice perto de 40%, um nível que inviabiliza qualquer chance de vitória no segundo turno. Se de um lado a rejeição assusta, do outro existe a aguerrida militância petista que..
Link: http://goo.gl/MDDkKY
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Se Não Errar, Vai Vencer
As pesquisas deixaram muito claro aquilo que havia explicado neste espaço. Marina tem seu patamar na casa dos 30%. Dilma, assim como qualquer candidato petista, também varia neste nível. Aécio segue na busca dos seus 30%. Chegou ontem a..
Link: http://goo.gl/IXM46s
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quarta-feira, setembro 17, 2014
A resistência dos números de Marina
Marina continua a sofrer a pancadaria dos adversários. A munição, por menor que seja, está sendo despejada de forma impiedosa na candidata do PSB. As escoriações começam a aparecer, mas surpreende a..
Link: http://www.brasilpost.com.br/marcio-coimbra/a-resistencia-dos-numeros-de-marina_b_5804372.html
Link: http://www.brasilpost.com.br/marcio-coimbra/a-resistencia-dos-numeros-de-marina_b_5804372.html
quarta-feira, agosto 27, 2014
"Eleiçōes Pós-Campos"
Desde a trágica perda de Eduardo Campos passei a divulgar algumas análises do cenário eleitoral. Minha ideia neste texto é compilar um pouco de tudo que aconteceu até aqui e os traçar análises sobre o que virá a partir de agora.
Desde o princípio não duvidei que Marina aceitasse o...
Link: http://goo.gl/vAuxwI
Desde o princípio não duvidei que Marina aceitasse o...
Link: http://goo.gl/vAuxwI
"A campanha começa hoje"
Na nossa cobertura do Brasil Post / The Huffington Post Brasil sobre o trágico acidente que vitimou Eduardo Campos, coube a mim a parte de análise política.
Eduardo fará muita falta.Para Marina Silva uma grande oportunidade está sendo desenhada.
"A campanha começa hoje"
Link: http://goo.gl/5VK1PV
domingo, junho 29, 2014
As Lições do Iraque
Obama está diante de uma situação delicada. Diante de fracassos estratégicos no Iraque, o país se tornou novamente uma peça sensível no tabuleiro de forças do Oriente Médio. Os fatos são claros. A intervenção que retirou Saddam Hussein do poder acabou levando os xiitas ao comando do país, mudando a balança de forças que até então governava Bagdá. Com a eleição do atual Primeiro-Ministro, Nouri al-Malaki em 2006, saiu a minoria sunita e chegou a maioria xiita.
A estratégia dos Estados Unidos era retirar suas forças do Iraque aos..
Leia na íntegra: http://goo.gl/GRa1xj
A estratégia dos Estados Unidos era retirar suas forças do Iraque aos..
Leia na íntegra: http://goo.gl/GRa1xj
segunda-feira, junho 23, 2014
Yes, os americanos gostam de futebol!
Muitos acreditam que os americanos não gostam de futebol. Em época de Copa do Mundo o tema sempre volta ao debate. Afinal, o país que chama o futebol de soccer poderia mesmo estar em um processo de assimilação do esporte bretão aprimorado e eternizado pelo Brasil?
Se analisarmos os números, veremos que..
Leia na íntegra em: http://goo.gl/AJFle2
Se analisarmos os números, veremos que..
Leia na íntegra em: http://goo.gl/AJFle2
sábado, junho 07, 2014
A Copa da sucessão
Os americanos podem ainda não ter um dos melhores times de futebol do mundo, mas Washington está de olho no que acontece no Brasil e os desdobramentos que a Copa do Mundo pode trazer tanto nos aspectos econômicos, quanto na esfera política. Por aqui nos reunimos no Wilson Center esta semana para tratar da recente pesquisa divulgada pela Pew Research Center sobre nosso país. Os resultados são interessantes e balizam muito do entendimento que a América tem sobre o Brasil nestes dias que antecedem o Mundial.
A tabulação dos dados é nacional, portanto não é..
Leia na íntegra em.. http://goo.gl/NELnsM
A tabulação dos dados é nacional, portanto não é..
Leia na íntegra em.. http://goo.gl/NELnsM
Terremoto político na Europa
O recado dado pelos eleitores europeus foi claro. Existe uma desilusão crescente com a classe política que se espalha por todo o continente. O primeiro sintoma é o descaso com as urnas. Somente em Portugal, 66% dos eleitores simplesmente não apareceram para votar. Em segundo lugar, existe uma rejeição dos políticos e partidos tradicionais, como na Itália, que levou o MV5 a ter 20% dos votos. A terceira trincheira de resistência foi cravada com o crescimento dos partidos nacionalistas e isolacionalistas, como o Frente Nacional na França e o UKIP no Reino Unido, ambos vencedores em seus países.
Somados todos os fatores, a Europa sabe que..
Leia na íntegra em http://goo.gl/6fOTNi
Somados todos os fatores, a Europa sabe que..
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A Saída de Joaquim
Joaquim Barbosa se despede do Supremo. Poderia ter deixado sua toga antes e ter sido candidato presidencial este ano. Decidiu não seguir este caminho. Seu ato deixa duas consequências imediatas e desgostosas para aqueles que inflaram sua popularidade. Ele entregou nas mãos de Dilma a decisão sobre quem será seu substituto e encaminha a Presidência da corte antecipadamente para seu desafeto Ricardo Lewandowski.
Apesar de Barbosa ter sido um dos brasileiros que optou por..
Leia na íntegra em http://goo.gl/bqxXKH
Apesar de Barbosa ter sido um dos brasileiros que optou por..
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O Movimento Conservador
A política cria situações interessantes. Estamos vendo no Brasil o crescimento de um movimento de viés conservador nos últimos anos. Isto não quer dizer que o País esteja se descobrindo conservador. Pelo contrário, na minha opinião somos uma nação onde estes traços estão bem definidos, o que explica, em certa medida a cautela e o ritmo com que são feitas mudanças no cenário político. Conservadorismo nada tem a ver com intolerância ou radicalismo. Só defende isso quem desconhece o assunto. Para situar-se deveriam ser apresentados aos livros de Edmund Burke ou Russell Kirk.
Mas vamos adiante. O renascimento de um movimento consistente conservador no Brasil de hoje está diretamente associado a fadiga de material apresentada...
Leia na íntegra em http://goo.gl/qOKigF
Mas vamos adiante. O renascimento de um movimento consistente conservador no Brasil de hoje está diretamente associado a fadiga de material apresentada...
Leia na íntegra em http://goo.gl/qOKigF
quinta-feira, maio 15, 2014
Monica e Hillary
Quando todos esperavam que o assunto já tivesse entrado para a história, eis que Monica Lewinsky reaparece. Ela foi um dos assuntos mais comentados da semana passada aqui nos Estados Unidos e todos os analistas se prepararam para avaliar os possíveis impactos de seu texto para Vanity Fair na eventual tentativa de Hillary Clinton chegar ao posto já ocupado por seu marido em Washington.
Muitos dizem que o timing foi perfeito, ou seja, este..
Leia na íntegra em http://goo.gl/UaFeqG
Muitos dizem que o timing foi perfeito, ou seja, este..
Leia na íntegra em http://goo.gl/UaFeqG
O Centro e a Política
Um dos maiores problemas enfrentados pela política norte-americana atualmente é o fosso que separa republicanos e democratas. Com uma agenda sequestrada pelas alas mais radicais em ambos os lados, a antiga convergência, inclusive para uma agenda mínima, entre os dois partidos, praticamente sumiu. Os movimentos vão além. Qualquer moderação ou construção de ponte de entendimento entre os lados passou a ser considerada uma traição pelos seus pares. Isto contaminou a política partidária de tal forma que hoje o país está com a agenda paralisada e quem sai perdendo é a sociedade norte-americana.
O debate político é salutar, mas os radicalismos somente geram desgastes desnecessários que atrasam a agenda legislativa. O Brasil infelizmente foi..
Leia o restante em http://goo.gl/HM20oc
O debate político é salutar, mas os radicalismos somente geram desgastes desnecessários que atrasam a agenda legislativa. O Brasil infelizmente foi..
Leia o restante em http://goo.gl/HM20oc
Lula Vem Aí?
Apesar de muitos acreditarem no oposto, o Brasil não é um país de arroubos populistas. Nossa história mostra que aqueles líderes que adotaram esta postura geralmente não alcançaram os objetivos que traçaram, de José Américo de Almeida, passando por Jânio Quadros, Carlos Lacerda e Fernando Collor. Nossa democracia e instituições são profícuas em limitar o populismo no Brasil. Mas isto não impediu Getúlio Vargas de implementar o Estado Novo e suas primeiras políticas sociais, tornando-se um líder de massas. Surgia o queremismo e sua volta foi uma questão de tempo.
O exercício da política democrática é a arte da acomodação de forças e implementação de uma agenda, um traço raro naqueles que optam pelo populismo, que..
Leia o restante em goo.gl/KoKqxj
Tuítes de Obama, Discursos de Lincoln e os Filmes de Eisenhower
Os tuítes de Obama são muito populares. Com milhares de seguidores, o Presidente americano consegue enviar sua mensagem para pessoas no mundo inteiro. Assim como ele, muitos daqueles que ocuparam a Casa Branca fizeram uso dos mecanismos da época para se comunicar e também se informar sobre o que acontece no mundo. A influência que a cultura exerce sobre os moradores da Avenida Pennsylvania 1600 é peça fundamental para o exercício da política.
Reagan foi um mestre na comunicação pela televisão, assim como Kennedy, que usou esta mídia para vencer as eleições em um debate contra um Nixon que..
Leia o restante em http://huff.to/1iVAlCO
Reagan foi um mestre na comunicação pela televisão, assim como Kennedy, que usou esta mídia para vencer as eleições em um debate contra um Nixon que..
Leia o restante em http://huff.to/1iVAlCO
quinta-feira, abril 24, 2014
Jeb Bush Vem Aí
Depois de muitos movimentos e especulações, tudo parece ficar mais claro. Jeb Bush deve sair pré-candidato presidencial. Ele assumiu o fato de que tem pensado na disputa pela primeira vez em Nova York nesta semana. Na verdade, este era um anúncio esperado. Seus últimos movimentos deixaram isto muito claro, desde sua passagem por Las Vegas, na importante reunião da comunidade judaica de republicanos e consolidada pelos contatos e visitas políticas aos governadores do partido.
As pesquisas indicam de saída que Bush teria o mesmo patamar de intenções de voto de Chris Christie. Ambos teriam 42% contra Hillary Clinton, que chega neste momento a 50%. Os números gerais, ainda muito distantes, colocam Christie em uma posição mais favorável, uma vez que seu grau de desconhecimento é maior e portanto possui uma possibilidade de crescimento ainda grande. Bush também pode crescer, mas menos do que Christie.
Dentro do partido, entretanto, Bush tem uma posição mais confortável, uma vez que conhece os caminhos trilhados pela família para chegar a Washington. Mas Christie tem duas vantagens. Uma delas é que corre por fora na indicação do partido como o único moderado e a outra é que dirige a associação de governadores republicanos, o que lhe dá exposição e recursos para viajar pelos Estados Unidos.
Bush concorreria com um grupo mais conservador de republicanos, como Scott Walker, Ted Cruz, Rick Perry, Paul Ryan e Rick Santorum. Tem condições de vencer se adotar a estratégia correta. Marco Rubio teria que abandonar a disputa, pois ambos tem base na Flórida. No Texas, Rick Perry e Ted Cruz não devem dividir as primárias, diminuindo o número de candidatos. Neste cenário, está ente os três mais populares, com intenções entre 11% e 13%.
O fato é que Jeb desequilibra a campanha presidencial interna e gera um fato novo para as eleições gerais. Ele é capaz de vencer as primárias e mobilizar a base. Mais do que isso, diante de sua proximidade com a governadora do Novo México, já pode ter em mente inclusive sua companheira de chapa. Jeb Bush-Susana Martinez seria uma dupla muito competitiva e certamente esta idéia causa calafrios no estado-maior da candidatura de Hillary.
As pesquisas indicam de saída que Bush teria o mesmo patamar de intenções de voto de Chris Christie. Ambos teriam 42% contra Hillary Clinton, que chega neste momento a 50%. Os números gerais, ainda muito distantes, colocam Christie em uma posição mais favorável, uma vez que seu grau de desconhecimento é maior e portanto possui uma possibilidade de crescimento ainda grande. Bush também pode crescer, mas menos do que Christie.
Dentro do partido, entretanto, Bush tem uma posição mais confortável, uma vez que conhece os caminhos trilhados pela família para chegar a Washington. Mas Christie tem duas vantagens. Uma delas é que corre por fora na indicação do partido como o único moderado e a outra é que dirige a associação de governadores republicanos, o que lhe dá exposição e recursos para viajar pelos Estados Unidos.
Bush concorreria com um grupo mais conservador de republicanos, como Scott Walker, Ted Cruz, Rick Perry, Paul Ryan e Rick Santorum. Tem condições de vencer se adotar a estratégia correta. Marco Rubio teria que abandonar a disputa, pois ambos tem base na Flórida. No Texas, Rick Perry e Ted Cruz não devem dividir as primárias, diminuindo o número de candidatos. Neste cenário, está ente os três mais populares, com intenções entre 11% e 13%.
O fato é que Jeb desequilibra a campanha presidencial interna e gera um fato novo para as eleições gerais. Ele é capaz de vencer as primárias e mobilizar a base. Mais do que isso, diante de sua proximidade com a governadora do Novo México, já pode ter em mente inclusive sua companheira de chapa. Jeb Bush-Susana Martinez seria uma dupla muito competitiva e certamente esta idéia causa calafrios no estado-maior da candidatura de Hillary.
quarta-feira, abril 16, 2014
A Questão Marina
A candidatura está construída e divulgada. Marina Silva irá acompanhar Eduardo Campos na disputa presidencial. Tudo indica que realmente aceitou a vice e seguirá ao lado do líder do PSB. Digo isso porque as pesquisas mostram outra coisa. Marina segue firme em um consolidado segundo lugar forçando um segundo turno entre ela e Dilma. Quando o nome é Eduardo, a chapa despenca para um distante terceiro lugar, uma vez que, como vice, ela transfere apenas 35% do seu patrimônio eleitoral.
Apesar disso, Eduardo mostra-se confiante. Acredita que pode diminuir esta distância com o passar do tempo e a divulgação da chapa. Mais do que isso, será uma campanha em dupla. A estratégia do PSB é trabalhar com os dois juntos em todo material. Isto tende a colar a imagem de Marina na de Eduardo e aumentar a taxa de transferência de votos, hoje muito baixa. Se a estratégia funcionar, quem ficará em situação desconfortável será Aécio Neves.
Mas a entrada de Marina ainda não gerou o efeito desejado. Se de um lado não ajuda, do outro pode inclusive atrapalhar. Até a entrada dela na candidatura, Eduardo mostra-se como uma terceira-via, um político que enxergava o tabuleiro político com sabedoria e sabia mover-se com inteligência entre situação e oposição. Mantinha o eleitorado de esquerda, aproximava-se de setores mais conservadores, inclusive do agronegócio, e partia do Nordeste, com a chance de varrer os votos da região gerando problemas para o PT. Flertava com o PDT, PTB e inclusive o DEM para a formação da chapa. Com Marina ao seu lado, muita coisa muda.
Sua chegada, de saída, jogou o agronegócio para fora da campanha de Eduardo, jogando-o no colo do adversário Aécio Neves. Além disso, a maior qualidade do político do PSB, sua capacidade de articulação, trânsito e desembaraço com as alianças, pode ser podado pela chegada da postura purista de Marina. Caso ela continue a transferir apenas 35% do seu eleitorado, sua entrada pode ter gerado mais fraquezas que fortalezas para a campanha de Eduardo Campos.
Somente o tempo dirá se a aposta valeu a pena. Mas Eduardo sabe que a chegada de Marina mexeu nas estruturas de sua estratégia. O mantra repetido por Marina, que é melhor perder vencendo do que vencer perdendo, certamente não se aplica para o ex-Governador de Pernambuco, um político pragmático, mas que pode perder seu encanto tornando-se refém de Marina e suas convicções.
Apesar disso, Eduardo mostra-se confiante. Acredita que pode diminuir esta distância com o passar do tempo e a divulgação da chapa. Mais do que isso, será uma campanha em dupla. A estratégia do PSB é trabalhar com os dois juntos em todo material. Isto tende a colar a imagem de Marina na de Eduardo e aumentar a taxa de transferência de votos, hoje muito baixa. Se a estratégia funcionar, quem ficará em situação desconfortável será Aécio Neves.
Mas a entrada de Marina ainda não gerou o efeito desejado. Se de um lado não ajuda, do outro pode inclusive atrapalhar. Até a entrada dela na candidatura, Eduardo mostra-se como uma terceira-via, um político que enxergava o tabuleiro político com sabedoria e sabia mover-se com inteligência entre situação e oposição. Mantinha o eleitorado de esquerda, aproximava-se de setores mais conservadores, inclusive do agronegócio, e partia do Nordeste, com a chance de varrer os votos da região gerando problemas para o PT. Flertava com o PDT, PTB e inclusive o DEM para a formação da chapa. Com Marina ao seu lado, muita coisa muda.
Sua chegada, de saída, jogou o agronegócio para fora da campanha de Eduardo, jogando-o no colo do adversário Aécio Neves. Além disso, a maior qualidade do político do PSB, sua capacidade de articulação, trânsito e desembaraço com as alianças, pode ser podado pela chegada da postura purista de Marina. Caso ela continue a transferir apenas 35% do seu eleitorado, sua entrada pode ter gerado mais fraquezas que fortalezas para a campanha de Eduardo Campos.
Somente o tempo dirá se a aposta valeu a pena. Mas Eduardo sabe que a chegada de Marina mexeu nas estruturas de sua estratégia. O mantra repetido por Marina, que é melhor perder vencendo do que vencer perdendo, certamente não se aplica para o ex-Governador de Pernambuco, um político pragmático, mas que pode perder seu encanto tornando-se refém de Marina e suas convicções.
quarta-feira, abril 09, 2014
A Volta de Scott Brown
Quando Scott Brown foi eleito para a cadeira de Ted Kennedy em 2010, muitos republicanos se entusiasmaram, afinal ele era o primeiro membro do partido eleito senador desde 1972 em um estado dominado pelos democratas, Massachusetts. A alegria não durou muito. Logo depois, em 2012, enfrentou uma difícil reeleição e foi abatido pela democrata Elizabeth Warren, que inclusive possui sonhos presidenciais. Mas o fato foi que Scott Brown, fora do Senado desde 2013, começou a enxergar novas alternativas.
A mais clara estava ao seu lado, no estado de New Hampshire. Ainda no último ano escutei de alguns republicanos que Brown estava de mudança para o estado vizinho a fim de viabilizar sua candidatura ao Senado por lá. Este não é um fato comum na política americana, onde os políticos geralmente desenvolvem por anos um contato intenso com sua base eleitoral. Mas Brown pensou diferente e rumou para Rye, onde sua família agora tem residência.
O que se pergunta agora é se ele será aceito pelos eleitores do novo estado. Para isso ele alega que possui laços antigos com New Hampshire, ou seja, que seus pais se conheceram por lá e que passava suas férias desde criança na costa do estado. Mas será isso suficiente? O fato de que praticamente um em cada quatro moradores de New Hampshire tem origem em Massachusetts pode ajudá-lo, mas existe um outro fator que pode fazer diferença: comparado com o estado vizinho, tradicionalmente democrata, a nova casa de Brown conta com um maior contingente de eleitores republicanos e independentes.
Mas o caminho de Brown não será fácil. Ele enfrentará Jeanne Shaheen, um peso pesado dos democratas. Ela atualmente ocupa o assento em disputa este ano e traz no currículo a experiência de ter sido Governadora e ter trabalhado em três campanhas presidenciais. Suas credenciais como uma grande estrategista, contudo, não assustam os republicanos. Talvez o que mais assuste seja o desejo de Elizabeth Warren, que derrotou Brown em Massachusetts em 2012, em evitar que seu adversário volte para Washington. Warren está disposta a colocar seu exército de doadores de campanha em favor de Shaheen.
Mas os republicanos estão prontos para a briga. Brown já movimenta sua máquina de doadores conservadores de Massachusetts dispostos a desequilibrar a eleição em New Hampshire. O GOP também está focado em ajudar Brown, uma vez que sua vitória pode ajudar a virar a maioria no Senado. O campo de batalha agora é em New Hampshire.
A mais clara estava ao seu lado, no estado de New Hampshire. Ainda no último ano escutei de alguns republicanos que Brown estava de mudança para o estado vizinho a fim de viabilizar sua candidatura ao Senado por lá. Este não é um fato comum na política americana, onde os políticos geralmente desenvolvem por anos um contato intenso com sua base eleitoral. Mas Brown pensou diferente e rumou para Rye, onde sua família agora tem residência.
O que se pergunta agora é se ele será aceito pelos eleitores do novo estado. Para isso ele alega que possui laços antigos com New Hampshire, ou seja, que seus pais se conheceram por lá e que passava suas férias desde criança na costa do estado. Mas será isso suficiente? O fato de que praticamente um em cada quatro moradores de New Hampshire tem origem em Massachusetts pode ajudá-lo, mas existe um outro fator que pode fazer diferença: comparado com o estado vizinho, tradicionalmente democrata, a nova casa de Brown conta com um maior contingente de eleitores republicanos e independentes.
Mas o caminho de Brown não será fácil. Ele enfrentará Jeanne Shaheen, um peso pesado dos democratas. Ela atualmente ocupa o assento em disputa este ano e traz no currículo a experiência de ter sido Governadora e ter trabalhado em três campanhas presidenciais. Suas credenciais como uma grande estrategista, contudo, não assustam os republicanos. Talvez o que mais assuste seja o desejo de Elizabeth Warren, que derrotou Brown em Massachusetts em 2012, em evitar que seu adversário volte para Washington. Warren está disposta a colocar seu exército de doadores de campanha em favor de Shaheen.
Mas os republicanos estão prontos para a briga. Brown já movimenta sua máquina de doadores conservadores de Massachusetts dispostos a desequilibrar a eleição em New Hampshire. O GOP também está focado em ajudar Brown, uma vez que sua vitória pode ajudar a virar a maioria no Senado. O campo de batalha agora é em New Hampshire.
terça-feira, abril 08, 2014
Duas Ucrânias
Começam os primeiros sinais de revolta na parte leste da Ucrânia. Os movimentos iniciais são similares aos ocorridos na Crimea e aquilo que escrevi algumas semanas atrás pode estar se concretizando pouco a pouco. Uma guerra civil, aquilo que deveria ser mais temido pelo Ocidente, está sendo gestada desde a queda de Yanukovych, o que pode encaminhar a cisão do país em dois territórios.
A Ucrânia é uma porção de terra dividida por um rio, o Dniper. Do lado oeste temos uma região de colonização e influência ocidentais, de países como a Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, de predominância cristã, que deseja se aproximar da Europa. Do lado leste, uma região que foi o berço da cultura russa, que possui, em decorrência disso, maior identidade com Moscou e predominância religiosa ortodoxa.
Diante disso, desde a independência da União Soviética, a alternância de governos nacionais ucranianos sempre agradou um dos lados e desagradou o outro, chegando ao ápice com a Revolução Laranja de 2004 e agora com os protestos que apearam Yanukovych do poder. Desta vez, os desdobramentos foram além de Kiev, chegando a Crimea e agora a parte oriental do país.
A Crimea foi apenas o primeiro episódio. Vivemos agora o segundo capítulo. Diante de um governo pró-Ocidente, que se instalou em Kiev após a queda de Yanukovych, o lado oriental começou sua própria revolta, pedindo auxílio dos russos. Do outro lado da fronteira, Putin, depois de ter anexado a Crimea, sente-se pronto para atender aos pedidos de ajuda com uma tropa de 40.000 homens, assim como fez em Simferopol. Os principais pontos de revolta contra Kiev dentro da Ucrânia estão perto da fronteira com a Rússia, em Donetsk e Luhansk, mas já chegam também ao centro, em Kharkiv.
As forças de defesa ucranianas não conseguirão fazer frente aos russos, que tendem a começar uma ocupação similar ao que foi realizado na Crimea. A única chance de Kiev resistir ao lento avanço russo, seria contar com apoio militar do Ocidente. Caso isso não ocorra, diante de uma guerra civil, veremos surgir a possibilidade de um acordo para partilha da Ucrânia. O que hoje parece inverossímil, diante dos vacilos do Ocidente, poderá tornar-se a única saída, com a Rússia levando metade do território.
A Ucrânia é uma porção de terra dividida por um rio, o Dniper. Do lado oeste temos uma região de colonização e influência ocidentais, de países como a Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, de predominância cristã, que deseja se aproximar da Europa. Do lado leste, uma região que foi o berço da cultura russa, que possui, em decorrência disso, maior identidade com Moscou e predominância religiosa ortodoxa.
Diante disso, desde a independência da União Soviética, a alternância de governos nacionais ucranianos sempre agradou um dos lados e desagradou o outro, chegando ao ápice com a Revolução Laranja de 2004 e agora com os protestos que apearam Yanukovych do poder. Desta vez, os desdobramentos foram além de Kiev, chegando a Crimea e agora a parte oriental do país.
A Crimea foi apenas o primeiro episódio. Vivemos agora o segundo capítulo. Diante de um governo pró-Ocidente, que se instalou em Kiev após a queda de Yanukovych, o lado oriental começou sua própria revolta, pedindo auxílio dos russos. Do outro lado da fronteira, Putin, depois de ter anexado a Crimea, sente-se pronto para atender aos pedidos de ajuda com uma tropa de 40.000 homens, assim como fez em Simferopol. Os principais pontos de revolta contra Kiev dentro da Ucrânia estão perto da fronteira com a Rússia, em Donetsk e Luhansk, mas já chegam também ao centro, em Kharkiv.
As forças de defesa ucranianas não conseguirão fazer frente aos russos, que tendem a começar uma ocupação similar ao que foi realizado na Crimea. A única chance de Kiev resistir ao lento avanço russo, seria contar com apoio militar do Ocidente. Caso isso não ocorra, diante de uma guerra civil, veremos surgir a possibilidade de um acordo para partilha da Ucrânia. O que hoje parece inverossímil, diante dos vacilos do Ocidente, poderá tornar-se a única saída, com a Rússia levando metade do território.
segunda-feira, abril 07, 2014
Joaquim fora da disputa
O fato político mais importante do ano, até o momento, ocorreu na semana passada. Chegado o prazo para deixar o Supremo e concorrer nas eleições presidenciais, Joaquim Barbosa preferiu manter-se no cargo de ministro. Apesar do Presidente do STF ter dito que não deixaria sua posição para se candidatar, por vezes emitiu sinais dúbios, e o mais indicado seria esperar pelo fato.
As manifestações do último ano deixaram claro uma coisa: o eleitorado busca algo novo. Dois nomes despontaram nas pesquisas: Marina Silva e Joaquim Barbosa. Ambos foram os grandes beneficiados pela sucessão de protestos que tomou conta das ruas do Brasil. O Presidente do Supremo decidiu tirar seu time de campo e apostar em uma eventual candidatura em quatro anos. Se possui aspirações políticas, cometeu um erro. Vencer um pleito presidencial passa pelo momento e Joaquim estava vivendo o seu. Dificilmente chegará ao Planalto depois deste ano.
Se de um lado Joaquim perde o timing perfeito para buscar a cadeira de Presidente, do outro, sabemos que ele enfrentaria uma campanha dura. Os ataques já haviam começado e diante do temperamento de Joaquim, talvez sua falta de malícia em lidar com a política, sua maior fortaleza, poderia se transformar em sua maior fraqueza em uma campanha. Lembramos bem de como Ciro Gomes empinava em 2002 quando seu temperamento fez desmoronar sua candidatura em poucas semanas.
O eleitorado busca um Joaquim Barbosa. Na falta de sua apresentação para o jogo, procurará outro nome. Marina Silva na condição de vice, não consegue transferir votos para Eduardo Campos, que segue com a mesma rejeição de Aécio e Dilma. Existe um espaço para o novo. Existem dois nomes apontados pelas pesquisas, Joaquim e Marina, mas nenhum deles aparece como candidato neste ano.
Na falta de um nome novo, a tendência é de reeleição de Dilma, mesmo com as pesquisas evidenciando uma certa fraqueza momentânea. A política esperou por Joaquim até o último minuto, mas o ministro que preferiu a toga e adiou sua eventual entrada no ringue, pode ter desperdiçado sua maior, e até mesmo única, oportunidade de chegar ao Planalto.
As manifestações do último ano deixaram claro uma coisa: o eleitorado busca algo novo. Dois nomes despontaram nas pesquisas: Marina Silva e Joaquim Barbosa. Ambos foram os grandes beneficiados pela sucessão de protestos que tomou conta das ruas do Brasil. O Presidente do Supremo decidiu tirar seu time de campo e apostar em uma eventual candidatura em quatro anos. Se possui aspirações políticas, cometeu um erro. Vencer um pleito presidencial passa pelo momento e Joaquim estava vivendo o seu. Dificilmente chegará ao Planalto depois deste ano.
Se de um lado Joaquim perde o timing perfeito para buscar a cadeira de Presidente, do outro, sabemos que ele enfrentaria uma campanha dura. Os ataques já haviam começado e diante do temperamento de Joaquim, talvez sua falta de malícia em lidar com a política, sua maior fortaleza, poderia se transformar em sua maior fraqueza em uma campanha. Lembramos bem de como Ciro Gomes empinava em 2002 quando seu temperamento fez desmoronar sua candidatura em poucas semanas.
O eleitorado busca um Joaquim Barbosa. Na falta de sua apresentação para o jogo, procurará outro nome. Marina Silva na condição de vice, não consegue transferir votos para Eduardo Campos, que segue com a mesma rejeição de Aécio e Dilma. Existe um espaço para o novo. Existem dois nomes apontados pelas pesquisas, Joaquim e Marina, mas nenhum deles aparece como candidato neste ano.
Na falta de um nome novo, a tendência é de reeleição de Dilma, mesmo com as pesquisas evidenciando uma certa fraqueza momentânea. A política esperou por Joaquim até o último minuto, mas o ministro que preferiu a toga e adiou sua eventual entrada no ringue, pode ter desperdiçado sua maior, e até mesmo única, oportunidade de chegar ao Planalto.
terça-feira, abril 01, 2014
Jeb em Vegas
A coalizão judaica se reuniu no Nevada na última semana. Como escrevi em minha coluna no Diário do Poder da última semana, este é um evento fundamental para os pré-candidatos que possuem pretensões presidenciais. Dali surgem doações expressivas de campanha que podem reordenar os rumos dos pretendentes. Este ano, a coalizão resolver ouvir Chris Christie, o republicano mais bem posicionado nas pesquisas, mas também deixou a porta aberta para outros nomes.
A reunião foi fechada e segundo os comentários que circulam pelo mundo da política, Christie saiu-se bem, entretanto, o grupo ainda encontra-se cético em relação aos desdobramentos da crise política que se abateu sobre New Jersey diante do fechamento deliberado de faixas da ponte mais movimentada dos Estados Unidos. Os doadores gostaram de Christie, mas ainda precisam enxergar que o Governador saiu ileso deste episódio.
O orador mais esperado foi Jeb Bush, que falou na abertura. Segundo as informações dos bastidores, ele foi aquele que mais empolgou. Seria a melhor alternativa para os que estavam na reunião. Bush, entretanto, ainda não assumiu se deseja concorrer. Sou da opinião de que ele sairá candidato. Sua movimentação explícita em eventos de apoio a outros nomes do partido para as eleições deste ano e sua passagem por muitos estados evidenciam que algo está no ar. Somente por ter participado do encontro em Las Vagas, vemos seu interesse em concorrer.
Bush, portanto, seria o preferido. A coalizão, entretanto, deixou a porta aberta para outros nomes, caso o preferido não siga em frente em suas pretensões presidenciais. Christie segue sendo uma opção, mas precisa provar que venceu a crise. Diante deste quadro surgiram dois nomes: Scott Walker, presente no encontro, e Marco Rubio, que já deixou claro que deve entrar na disputa.
O fato é que o nome de Bush surgiu com muita força. Sua família tem as conexões necessárias para alavancar sua candidatura e o círculo mais importante de doadores deu seu aval. Resta ao ex-Governador da Flórida decidir. Se concorrer, larga com força dentro do partido.
A reunião foi fechada e segundo os comentários que circulam pelo mundo da política, Christie saiu-se bem, entretanto, o grupo ainda encontra-se cético em relação aos desdobramentos da crise política que se abateu sobre New Jersey diante do fechamento deliberado de faixas da ponte mais movimentada dos Estados Unidos. Os doadores gostaram de Christie, mas ainda precisam enxergar que o Governador saiu ileso deste episódio.
O orador mais esperado foi Jeb Bush, que falou na abertura. Segundo as informações dos bastidores, ele foi aquele que mais empolgou. Seria a melhor alternativa para os que estavam na reunião. Bush, entretanto, ainda não assumiu se deseja concorrer. Sou da opinião de que ele sairá candidato. Sua movimentação explícita em eventos de apoio a outros nomes do partido para as eleições deste ano e sua passagem por muitos estados evidenciam que algo está no ar. Somente por ter participado do encontro em Las Vagas, vemos seu interesse em concorrer.
Bush, portanto, seria o preferido. A coalizão, entretanto, deixou a porta aberta para outros nomes, caso o preferido não siga em frente em suas pretensões presidenciais. Christie segue sendo uma opção, mas precisa provar que venceu a crise. Diante deste quadro surgiram dois nomes: Scott Walker, presente no encontro, e Marco Rubio, que já deixou claro que deve entrar na disputa.
O fato é que o nome de Bush surgiu com muita força. Sua família tem as conexões necessárias para alavancar sua candidatura e o círculo mais importante de doadores deu seu aval. Resta ao ex-Governador da Flórida decidir. Se concorrer, larga com força dentro do partido.
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