quinta-feira, setembro 30, 2010

Anti-Debate

Quem assistiu ao debate da TV Globo esperando alguma reação de José Serra, ou pelo menos algum movimento que pudesse levar Marina Silva ao segundo turno, ficou decepcionado.

José Serra seguiu a orientação de González, que coordena o marketing da campanha. Preferiu evitar o embate e seguiu na estratégia de mostrar e consolidar sua figura na cabeça do eleitor no longo prazo. As urnas dirão se estava correto.

Marina teve sua grande oportunidade de transformar o movimento ascendente em seu favor em uma verdadeira onda que virasse o segundo lugar e levasse a eleição para um segundo turno. Perdeu esta oportunidade.

Assim, o debate foi fraco e devagar. Dilma aproveitou a folga dada pelos adversários para consolidar sua imagem de sucessora de Lula e nem seu principal deslize foi explorado, quando disse que "todas as doações oficiais estão registradas". Caberia a pergunta que ficou no imaginário de todos, sobre possíveis doações "não oficiais", ou seja estariam estas registradas? A oposição preferiu se fazer de surda e muda continuou.

Dizem que não houve "bala de prata" que salvasse a oposição. Discordo. Se a situação fez muito para perder, a oposição fez menos ainda para ganhar. O arsenal de balas de prata desperdiçados nesta campanha chega a impressionar.

Considerando a postura dos candidatos e a reação morna da oposição, inclusive sem o impulso esperado de Marina, o pleito corre sem alterações. Existe chance de um segundo turno, mas o debate da Globo diminuiu muito esta possibilidade. Na ausência de adversários, Dilma foi a grande beneficiada. O vencedor, se houve, foi William Bonner.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Quadro Nacional

As pesquisas, nesta reta final de campanha, tendem a uma acomodação. Vemos também viradas de última hora em alguns Estados. Tudo isso tende a tornar os resultados das eleições de domingo impressionantes em alguns lugares. Surpresas tendem a aparecer.

A tendência é Alckmin vencer em S. Paulo ainda no primeiro turno. Sua vantagem tende a se manter. A virada em Minas Gerais também é uma tendência consolidada e Anastasia pode vencer no primeiro turno. Se em São Paulo os dois senadores devem ser da coligação governista, em Minas, ambos devem vir da oposição. Ainda nas Minas Gerais, Aécio deve submeter o petismo a uma dolorosa derrota, deixando Patrus Ananais e Fernando Pimentel sem cargo eletivo.

Alagoas aparece no rol do imprevisível. Os três candidatos, Collor, Lessa e Teotônio Villela podem chegar ao segundo turno. Ali, Lula se esforça para derrotar Heloísa Helena na corrida ao Senado. Para tanto se aliou a Renan Calheiros e Benedito de Lira, que podem se eleger.

Os tucanos, além de São Paulo e Minas Gerais, devem vencer em Goiás já no primeiro turno e agora também no Tocantins, com Siqueira Campos virando o jogo e assumindo a ponta. No Pará, Simão Jatene pode confirmar também uma importante vitória. Beto Richa era uma aposta certa no Paraná, mas tudo indica que será uma disputa acirrada com Osmar Dias.

Ainda no terreno da oposição, o DEM pode levar Santa Catarina, talvez em segundo turno, e o Rio Grande do Norte, uma vitória importante de José Agripino Maia, que renovará seu mandato para o Senado.

O PT não deve fazer muitos governadores, já que optou por focar nas vagas para o Senado, onde deve obter forte êxito. Ainda assim pode levar no primeiro turno dois estados importantes, além do Distrito Federal: Rio Grande do Sul e Bahia. Tende a vencer também em Sergipe.

No mais, parceiros do PT devem fazer governadores, como o PSB, no Ceará, Espírito Santo e Pernambuco e com o PMDB, uns mais próximos, outros nem tanto.

terça-feira, setembro 28, 2010

Refluxo para Dilma

As pesquisam mostram que Dilma caiu de forma consistente, ou seja, em várias classes sociais e regiões. Chegou ao limite da vantagem para vencer no primeiro turno. Também fica claro que Marina cresce, também de forma consistente.

Será difícil para Marina chegar ao segundo turno. Sua chance está apenas na possibilidade de um movimento ascendente que retire, além dos votos da parte conservadora que apóia Dilma, como os evangélicos, votos também de José Serra. Uma espécie de voto útil que lhe catapulte para um segundo turno. Casos assim foram vistos no Rio Grande do Sul, que levou Rigotto ao segundo turno em 2002 e Yeda para a segunda etapa de 2006. Ambos venceram no segundo turno. Rigotto levou votos de Britto e Yeda do próprio Rigotto.

A onda, ou ainda uma espécie de marolinha, está a serviço de Marina. Vem na hora certa, mas com pouca intensidade. Precisa se alinhar com consistência até o dia da eleição. Para isso, o debate na Rede Globo será fundamental. Mas vejam, muitos prefeitos e líderes nacionais do PMDB "marinaram" e a candidata do PT evita o confronto com a candidata do PV. A cautela na campanha petista, depois de já estar discutindo cargos em um futuro governo, é lembrada a todo o momento.

Entretanto, a tendência é de segundo turno, pois Dilma desce de forma consistente e como disse aqui, em face de uma série de fatores, para vencer no domingo, ela precisa chegar com uma vantagem confortável, pois seu eleitorado tende a se atrapalhar com a urna eletrônica e precisa levar dois documentos para votar. A tendência, por mais que alguns institutos possam apontar em sentido contrário, é clara de um segundo turno. A pergunta é se Marina terá fôlego para transformar os votos de Serra em votos úteis a seu favor. Se mostrar que pode vencer Dilma, terá chances.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Risco para Dilma

A queda de Dilma na pesquisa Datafolha ainda precisa ser confirmada por outros institutos, como o Ibope, que deve divulgar seus números ainda hoje, entretanto, fez soar um alarme no front do PT.

A diferença caiu de 12 para 7 pontos de vantagem. É certo que Dilma ainda ganharia no primeiro turno, mas existem muitas variáveis que precisam ser consideradas quando se especula a possibilidade de um segundo turno. Para evitar uma segunda votação, Dilma precisa estar com uma vantagem confortável nas pesquisas. Explico.

Apesar de 58% dos eleitores de Dilma identificarem seu número com seu nome, existe um problema adicional, o acerto do voto na urna eletrônica. Esta é uma variável que precisa ser considerada e que certamente está na mente da coordenação de campanha.

Os eleitores de Serra e, principalmente Marina, são mais escolarizados e de renda mais alta, menos propensos a errar o voto na urna eletrônica. Em uma eleição em que é preciso digitar por último os números do candidato a Presidente, algum problema pode surgir e votos podem ser perdidos. Apenas vota-se para Presidente depois digitar os números para Deputado Estadual/Distrital, Deputado Federal, dois Senadores e Governador. É uma tarefa que pode parecer fácil, mas tende a ser difícil para muitos eleitores.

Assim, Dilma precisa chegar ao dia da eleição com uma boa margem de segurança. Por isso sua descida nas pesquisas preocupa. Por mais que não afete sua liderança, a perda de votos nas camadas mais escolarizadas (migrando para Marina) pode tirar votos importantes da candidata petista - votos que certamente não seriam perdidos na urna eletrônica.

Ainda é preciso considerar a questão da abstenção, que na eleição de 2006 foi amplamente favorável a Alckmin no primeiro turno. Ela é maior no Norte e Nordeste, onde Dilma é mais forte. No Norte, em 2006, a abstenção foi de 19%. No Nordeste, de 18%. No Sul ficou em 15% e no Sudeste em 16%.

Assim, se os números de Serra e, especialmente Marina, mostrarem reação, a chance de um segundo é real e possível. Para evitá-lo, Dilma precisa se mobilizar no Sul e nas camadas com maior escolaridade e renda - exatamente os nichos onde tem perdido votos.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Os Dias

Como se os tucanos já não tivessem problemas suficientes. Agora, aquele foi vice de Serra sem nunca ter sido, o tucano Álvaro Dias, declarou apoio ao irmão, Osmar, que disputa o governo do Paraná apoiado por Dilma e turbinado por Lula.

Álvaro Dias é um dos mais combativos senadores da oposição. Inclusive ouviu de Dilma, recentemente, que não aceita convite seu "nem para um cafezinho".

Do outro lado do palanque de Osmar Dias está Beto Richa, tucano como Álvaro. Dizem pelo Paraná que as últimas pesquisas, impedidas de serem divulgadas por decisão judicial, traziam já uma inversão de posição, com Osmar em primeiro e Beto logo atrás.

Osmar Dias perdeu a disputa pelo governo do Paraná em 2006 contra Roberto Requião, apoiado por Lula. Hoje, Lula apoia Osmar, que além de ter sido tucano entre 1996 e 2001, é irmão de Álvaro Dias, que por pouco não foi o vice de Serra nesta eleição. Para tornar tudo ainda mais inverossímil, o antigo adversário, Requião, agora concorre ao Senado pela chapa de Osmar.

Depois de dizer que "A campanha estadual abandonou a candidatura nacional (de Serra)", Álvaro Dias diz que tomou a decisão de não apoiar Beto Richa em respeito à memória de seus pais, e emendou: "tendo um irmão na disputa, meu voto para governador será para o Osmar".

A Onda

As eleições casadas, como as que temos este ano, acabam gerando o que chamamos na política de "efeito cascata", ou seja, o embalo que leva a candidatura mais forte a puxar votos para seus aliados.

É sem dúvida o caso de Dilma. Vemos que sua subida nas pesquisas gera um efeito cascata para os candidatos aos governos de estado apoiados pelo PT e também para o Senado. A escalada de Dilma foi benéfica de norte a sul para os candidatos petistas, como Tarso Genro no Rio Grande do Sul e Aloízio Mercadante em São Paulo, até outros como Roseana Sarney no Maranhão, filiada ao PMDB e Osmar Dias no Paraná, filiado ao PDT.

A onda segue para as candidaturas ao Senado, onde Lindberg Farias, do PT, apoiado pelo ex-tucano, atual Governador pelo PMDB, Sérgio Cabral, assume a ponta no Rio de Janeiro.

Este fenômeno desagua nas candidaturas proporcionais, para deputados federais e estudais. Tucanos e democratas vêem a possibilidade real de um brutal redução em sua bancada, perdendo um considerável número de parlamentares.

Isto ocorre, entre outras coisas, pelo fato de prefeitos e parlamentares locais desejarem estar ao lado do vencedor, para assim serem beneficiados com repasses mais robustos, tanto do governo federal, quanto dos governos estaduais. Apoiar aquele que vai vencer, rende dividendos futuros.

A melhor forma de reverter este quadro é uma reação de Serra, que seria já tardia para as eleições proporcionais, mas que poderia influenciar ainda as disputas pelo Senado e pelos governos estaduais.

De outro modo, a onda Dilma pode virar um tsunami petista e em caso de segundo turno, com Senadores e muitos Governadores, identificados com a candidatura oficial, eleitos já no primeiro turno, será muito difícil reverter a eleição presidencial em uma segunda etapa.

terça-feira, setembro 21, 2010

"Nem para um cafezinho"

A história mostra como o nível de tensão continua alto entre governo e aquilo que sobrou, pelo menos por enquanto, da oposição.

Convidada ao Senado para dar explicações sobre o Caso Erenice, por sugestão do senador tucano Álvaro Dias, Dilma respondeu: "Convite do Alvaro Dias eu não aceito nem pra cafezinho".

A resposta, que poderia ter sido outra, fornece uma idéia dos rumos que o País tomará a partir de janeiro de 2011. A oposição está sendo reduzida a pó pelas forças governistas e a preocupante ampla maioria idealizada por Lula para o Senado, cada vez toma formas mais definidas.

O tom de Dilma com o senador Álvaro Dias mostra que, em um eventual governo da candidata petista, as relações políticas tendem a não ter qualquer tom amistoso e isto será certamente ruim para os rumos da democracia no País.

Aliás, instado a controlar-se mais em suas declarações após os últimos incidentes, Lula, do alto de sua popularidade, avisou que não moderará seu ataques contra aquilo que ainda resta de oposição. Seu objetivo é, realmente, reduzí-la a pó.

Socialites do B

Percebemos que uma campanha vai bem quando os apoios começam a surgir de todos os lados. A escalada do PT rumo a hegemonia plena da política nacional tem movimentado diversos setores. Cientes dos rumos que o País toma e preocupados com seu próprio futuro, assim como de seus negócios, a high society brasileira curiosamente se descobre mais socialista (e vermelha) com o passar dos dias.

O mais novo expoente do petismo é Chella Safra, mulher do banqueiro Moise Safra. Em jantar de apoio a Marta Suplicy, disparou que mulher vota em mulher e declarou voto em Dilma. Aliás, os anfitriões do convescote eram Eleonora e Ivo Rosset, donos da Valisere.

Os Safra ainda foram representados pelo banqueiro Joseph Safra e sua esposa Vicky e classe ainda contou com a presença de Olavo Setúbal Jr., do Itaú-Unibanco. Ricardo Steinbruch, do grupo Vicunha, estava lá, além de Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, e Jack Terpins, das Lojas Marisa, entre outros.

O registro, feito na coluna de Mônica Bergamo, evidencia os rumos do País e deixa claro o resultado das eleições que se avizinham.

*A foto, que não foi realizada no evento, é da festa de 135 anos do Jockey Club de São Paulo, onde Dilma esteve presente com a alta sociedade paulistana.

sexta-feira, setembro 17, 2010

O Fim do DEM

Lula falou, do alto da sua popularidade e de um palanque, que quer extirpar o DEM da política nacional. A afirmação assusta a democracia, é verdade, assim como qualquer arroubo de flerte com idéias que cerceiam a liberdade. Rumamos para um governo praticamente sem oposição. Será o início da consolidação do projeto político, como afirmou José Dirceu. O DEM, de antigo protagonista, passará a partido nanico, em um processo digno de antropofagia.

O DEM, mesmo sem a mão pesada de Lula, caminha pouco a pouco para o cadafalso. Entretanto, ainda existem opções. Uma delas é a fusão com o PSDB, que diminuiria os partidos e não encontraria homogenidade. Se não seguir este caminho, perderá a condição de partido forte no Congresso Nacional que se avizinha, pois deve eleger menos do que 51 deputados. Os dois caminhos são sinuosos, para dizer o mínimo.

Faltou ao DEM um projeto político nacional e uma renovação nas bases. O partido tornou-se refém de uma segunda geração dos políticos que o fundaram, carregando em seus sobrenomes a missão de renovar a agremiação. Acontece que partidos políticos não são entidades hereditárias. Para seguir existindo com força, é necessário que seus quadros sejam renovados por nomes da base. Isto nunca ocorreu com o DEM. Colhe-se agora os resultados.

Um partido precisa estar perto das bases, onde surgem as lideranças. Um partido não se faz apenas de lideranças, mas de um ampla base, exatamente o que falta ao DEM. É necessário estar presente em Diretórios Acadêmicos, Associações de Moradores, Movimentos Empresariais. É preciso formar lideranças, possuir um forte instituto de formação, possuir uma oposição atuante, que ocupe espaços. É preciso realizar mobilizações regionais das bases semanalmente. É preciso sempre lançar candidatos formados e afinados com as idéias do partido. Aí está a base.

Na Espanha, trabalhei com José María Aznar, que juntando os retalhos dos pequenos partidos da direita espanhola, fez surgir um partido novo, calcado na estratégia que mencionei acima. É preciso, para o projeto de uma força política, três coisas, ele sempre me disse: Um Partido, Uma Idéia e Um Líder. Com base nisso, ele formou o Partido Popular e mudou a face da política espanhola.

Cabe ao DEM encontrar seu líder, alguém que leve a refundação do partido e talvez uma fusão com outros menores. Investir na base, em idéias claras e atuar como uma oposição combativa e leal. O trabalho é longo e difícil, mas possível.

Se nada for feito, o DEM caminha mesmo a extinção, sem precisar da ajuda de Lula. A provável derrota de seus barões nas eleições deste ano evidenciam a crise pela qual o partido passa. Se o DEM não encontrar um líder que tome as rédeas do partido, caminhará para o cadafalso.

quarta-feira, setembro 15, 2010

No Bolso

Como se um escândalo não fosse o bastante, veio outro, desta vez gestado no coração do governo, nas mãos de Erenice Guerra, indicada por Dilma para comandar a Casa Civil.

O que mudará este fato na eleição presidencial? Verdadeiramente nada. Dilma seguirá na frente e Serra continuará ladeira abaixo, como vemos. Os parcos votos que Dilma perde seguem para Marina. O candidato do PSDB, mesmo sendo vítima, não conseguiu fazer sua campanha sentir sequer um impacto positivo com todo o episódio.

Na verdade, nenhum dos fatos apresentados geram impacto negativo para Dilma por razões simples. Lula colocou em marcha um governo calcado na distribuição de renda para todas as classes sociais, seja via concursos públicos, investimentos estatais, bolsas auxílio e polpudos subsídios. Desta forma, não há como perder a eleição. Quase todas as famílias brasileiras recebem sua fatia de recursos do governo. Ninguém quer perder a sua. Para que mudar?

Esta política já existiu no passado. A alta intervenção do governo na economia e a farta distribuição de bondades e investimentos estatais geram distorções econômicas no longo prazo. A penosa década de 80 foi o preço que uma geração inteira pagou pela política econômica similar a de Lula, implantada no governo Geisel.

Mas quem pensa no longo prazo? Quem pensa nos possíveis retrocessos e riscos democráticos que uma anestesia inconsciente coletiva pode trazer? O País caminha para uma espécie de planificação mascarada, um socialismo moreno, na definição deixada por Leonel Brizola? Talvez, é bem provável. Mas quem se importa com isso? O importante é passar em um concurso e garantir a aposentadoria.

Como todos se beneficiam, poucos questionam, talvez só os 4,9% que desaprovam o governo Lula, ou seja, os que estão fora da festa. Mas um dia a festa acaba e todos terão que pagar a conta. Até lá, nenhum escândalo terá repercussão. Todos estão devidamente guardados no bolso. Não há porque questionar quando se participa da farra.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Os Números do Desgaste

Começam a surgir os primeiros números com o impacto das violações de sigilo fiscal que tinham como alvo o PSDB. Pode-se perceber pelo tracking de alguns institutos que a candidatura de Dilma sentiu o desgaste, descendo para 44%. Resta saber se ela reagirá ou se pode descer ainda mais.

Para evitar um desgaste maior, uma verdadeira operação de guerra foi deflagrada, desde insinuações por meio de Dilma, desmentidos do governo e desqualificação dos adversários. A ausência de punição dos verdadeiros mentores da operação parece ser a única certeza.

Lula, na estratégia de reação, foi para a TV e acusou os adversários tucanos. Estes, até o momento tem apresentado uma reação pífia, desproporcional ao tamanho do escândalo. Considerando isto e a eficiência da máquina governamental em criar versões diferentes, vemos que Dilma tem tudo para segurar sua queda.

Mesmo que Dilma mantenha os 44%, Serra ainda precisaria subir. O tucano não conseguiu criar um momento político favorável. Peças publicitárias fracas foram ao ar. Nada de impacto, nada que comova o eleitor e mexa com os brios e emoção. Ao invés de compor com Marina, tentando evitar a vitória de Dilma, Serra sofre ataques até do PV. A vítima virou vilão e o jogo virou. A política precisa ser exercida de forma profissional. O jogo eleitoral presidencial é muito pesado para uma estratégia tão fraca. Talvez o tucano tenha perdido sua grande chance de levar a eleição para um segundo turno.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Francenildos

A quebra dos sigilos fiscais de membros do PSDB é, até o momento, o único fato relevante de uma eleição que não tem mobilizado os brasileiros. O caso se torna ainda mais grave quando vemos que outros tantos cidadãos, sabe-se lá por qual motivo, tiveram também seus sigilos fiscais violados da mesma forma que os tucanos.

O PSDB mais uma vez não acerta na estratégia eleitoral. Deveria, face a situação de Serra nas pesquisas, explorar o fato politicamente. Mobilizou-se juridicamente, entretanto, na esfera política, pouco foi mostrado em seu programa de TV, por exemplo. Enquanto isso, editoriais, como vimos n'O Globo, são contundentes em reprovar o que foi chamado pelo jornal de "a partidarização do Estado, uma das últimas escalas na degradação da democracia rumo a um regime policial, personalista, autocrático". Do outro lado, os tucanos, principais vítimas deste jogo sujo e baixo, pouco fazem.

Serra deveria trazer, por exemplo, Francenildo dos Santos Costa, maior símbolo da violação de sigilos constitucionais, a dar seu depoimento. A violação de sua conta ocorreu sob a batuta do homem forte da candidatura Dilma, Antônio Palocci. Assim como Francenildo, outros tantos brasileiros que também foram vítimas da violência exercida pela Receita Federal, de uma celebridade como Ana Maria Braga até cidadãos comuns, pessoas sem qualquer notoriedade, que poderiam dar seu depoimento.

Mas como também foi escrito por analistas políticos, o País parece tomado de uma letargia coletiva que o impede de refletir. Se somarmos a este fato a inoperância da oposição, chegaremos a conclusão que cedo ou tarde todos seremos Francenildos.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Quebras de Sigilo

As quebras de sigilo fiscal de membros graduados do PSDB é um daqueles absurdos com os quais a população brasileira já ficou habituada. É um escândalo, sem dúvida, mas como todos os mais recentes que vimos na história brasileira, tem tudo para dar em nada.

Quais as implicações para a campanha eleitoral? Praticamente nulas. O assunto não tem capacidade de penetração em parte do eleitorado e tende a revoltar outros tantos que já tem consolidada sua opinião, assim como não importa para aqueles que já decidiram votar na continuidade do governo atual.

É, por certo, muito ruim para o País. Escândalos como esse, assim como vários outros, deveriam servir de punição exemplar. Em países com uma maior tradição de continuidade democrática e instituições fortes, que situam-se acima daqueles que ocupam o governo, as chances de punição são muito maiores e acontecem. O resultado é, diante da certeza da punição, a ausência de novos delitos. No Brasil fizemos o caminho inverso, infelizmente.

Quebrar os sigilos fiscais de membros da família de um candidato, assim como de dirigentes partidários com o intuito de intimidá-los, constitui-se em uma daquelas práticas que afastam o interesse dos bons pela política. Infelizmente parece que estas são as práticas políticas atuais e comuns em um País que não assiste um escândalo dessa envergadura pela primeira vez. O pior de tudo é que atos como este não chocam, nem influenciam mais o voto da população. Mensalões, mensalinhos, aloprados e caseiros, só para citar os mais recentes, estão aí para nos lembrar.

A investigação não dará em nada e o impacto eleitoral será zero.

terça-feira, agosto 31, 2010

O Peso do PMDB

Os sinais de que Dilma pode vencer no primeiro turno fez soar um sinal de alerta no PMDB. Isto indica que a onda Lula foi realmente o diferencial que trouxe a candidata até aqui e joga o partido de seu vice para uma natural situação de desvantagem na montagem do governo.

Para o PMDB seria até interessante a realização de um segundo turno, quando Dilma tivesse que olhar com mais atenção para seus parceiros e o PT enxergasse a real necessidade de juntar-se ao partido de Temer de formal integral e coesa. Assim o PMDB poderia mostrar força e entregar resultados eleitorais para Dilma dependentes de sua própria militância e importância.

No caminho atual, o PMDB parte para um eventual governo Dilma com uma importância menor do que a desejada. Deverá disputar poder com outras agremiações governistas, como PSB, PDT, PP, PR, PRB, PC do B e outros tantos que pularam no barco de Dilma. Por certo o PMDB é o aliado mais importante, entretanto, converter esta situação em poder real na política é outra história.

Para concretizar seu objetivo, o PMDB deve caminhar coeso. Coincidentemente o partido nunca esteve tão unido e deve seguir assim se pretende dar as cartas em um governo Dilma. De outro modo, a fome dos aliados, somada a patrola petista, pode reservar ingratas surpresas para os pares de Michel Temer. Mas o PMDB sabe fazer política no Brasil, como poucos.

sábado, agosto 28, 2010

Onde está Serra?

A pesquisa Ibope divulgada neste sábado mostra que a campanha presidencial virou um massacre de petistas sobre tucanos. Quem pensava que a eleição iria ser resolvida em Minas Gerais e imaginava um pleito disputado, estava errado. A eleição se tornou um passeio para Lula. Dilma, além de ter consolidado o eleitorado natural do Nordeste e Norte, avança com força para São Paulo e o Sul, onde já mostra-se na frente de Serra.

Se o PSDB deseja levar a eleição para um segundo turno, pelo menos, precisa agir de forma urgente. Os programas de TV de Serra estão em uma linguagem inferior e ultrapassados. A linguagem televisiva evoluiu nos últimos anos, mas esta notícia parece não ter chegado aos ouvidos dos tucanos. É preciso mudar para evitar um vexame no dia 3 de outubro.

As consequências da queda de Serra se traduzem em parcos apoios nos estados, inversão de apoios locais, agora pró-Dilma, e uma diminuição na arrecadação de fundos para a campanha.

Serra precisa aparecer e fazer o que até agora não fez. Não se faz propaganda política para o Brasil como se faz para o eleitorado paulista. Ele precisa modificar sua linguagem no rádio e TV, resgatar a força no Sul e São Paulo, para então avançar e tentar jogar a eleição para um segundo turno. Pode começar a articulação com os candidatos ao Senado e governos de Estado, foco principal das ações petistas, que já consideram a eleição presidencial favas contadas.

Serra precisa aparecer, pois de sua performance depende a eleição da bancada de oposição, em caso de vitória de Dilma. Seu fraco desempenho já tem reflexos nas disputas estaduais. Um partido que se apresenta como alternativa real de oposição, tem obrigação de mostrar mais do que está sendo visto até agora.

Apenas para registro: se contarmos apenas os votos válidos, Dilma chegou a 59%. Serra teria 32%. Um passeio.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Vantagem de Dilma

A cada pesquisa a distância entre Dilma e Serra parece maior. A tendência já é de uma vitória em primeiro turno. O PT virou o jogo para cima de Serra e a cúpula tucana deve estar atônita com o vem assistindo. A derrota que se avizinha corre o risco de ser humilhante.

O principal trunfo da campanha de Dilma é a televisão. Foi nela que a candidata de Lula deu o mais importante passo para subir nas pesquisas. Ali, ambos apareceram juntos dando uma idéia do que ainda estava por vir. Os tucanos não entenderam o recado.

O programa de TV apresentado por Dilma é dinâmico, direto e impactante. Trouxe uma nova linguagem, moderna e objetiva. A presença de Lula sedimenta todo o processo. Ela pouco fala, mas os projetos e realizações são apresentados com uma clareza que atinge diretamente seu público.

Já o programa do PSDB situa-se em um patamar inferior. Não causa impactos, tampouco emociona. Patina ao tentar passar mensagens. Enquanto Dilma vende um país grandioso, Serra optou pela cadência simples e normal dos programas eleitorais do passado. Serra teria muito a mostrar, mais do que Dilma. Como Deputado, Senador, Ministro, Prefeito e Governador teve projetos e conquistas impactantes. Falta saber passar a mensagem. Na política talvez importe mais como a mensagem é passada do que a própria veracidade da mensagem.

Assim a distância aumenta. Acredito ser menor do que as pesquisas mostram, entretanto, não há como negar o momento pró Dilma. A TV apenas deixa claro que a diferença de qualidade visual se consolida em intenções de votos reais. Pior para Serra.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Dilma fora dos Debates

O confortável primeiro lugar nas pesquisas trouxe cautela para a campanha de Dilma Rousseff. O comando da campanha pretende preservar a imagem da candidata ao invés de expor Dilma frente a frente com os adversários. Neste momento ela somente teria a perder apresentando-se nos debates. Desta forma ela termina talvez com a última carta que José Serra ainda poderia jogar na tentativa de virar a eleição.

A estratégia pode servir para a candidata petista, visto que ela não é conhecida do eleitorado, sendo no momento apenas uma versão apresentada por Lula para concorrer em seu lugar. Na verdade, Dilma não tem votos. Estes são de Lula, que apenas transfere sua popularidade para a ex-ministra. Neste caso, qualquer tropeço de Dilma poderia balançar a imagem criada sobre ela, visto que a candidata não possui uma identidade própria na cabeça do eleitor. A candidata em si é a maior fraqueza da campanha, pois não tem intimidade com os holofotes e a política, portanto, melhor deixar Dilma isolada e Lula continuar o processo de transferência de votos. Esta é a estratégia.

Serão ainda mais cinco debates até o dia da eleição: Estadão e TV Gazeta, CNBB, Rede TV, Rede Record e por fim o da TV Globo. Ela deve aparecer somente na Globo e mesmo que não aparecesse, talvez não afetasse de forma significativa sua perspectiva de vencer no primeiro turno. Existe no momento uma onda criada a favor de Dilma, que bem aproveitada pode fazer com que a margem atual em seu favor seja mantida. Com programas de TV milionários e extremamente bem feitos, com a presença de Lula ao seu lado e cada vez lideranças regionais querendo colar sua imagem com a do Presidente e sua candidata, está cada vez difícil de Lula, digo, Dilma perder esta eleição.

terça-feira, agosto 17, 2010

Programas de TV

Agora começa uma nova fase de campanha com os programas de rádio e TV. Na última eleição presidencial foi neste período que Alckmin se aproximou de Lula e conseguiu jogar a disputa para o segundo turno. Serra espera uma recuperação, mas corre risco, uma vez que Dilma subiu nas pesquisas exatamente quando surgiu na TV ao lado de Lula.

O programa de Dilma esboçou a sua linha de campanha. Foi possível perceber como o PT está disposto a jogar as fichas em sua eleição, todas elas. O partido tornou-se um player profissional da política. O programa foi caprichado e direcionado para onde é necessário. Foi impecável em quase todos os aspectos. Lula aparece como o grande cabo eleitoral. Faz a diferença.

Serra fez um programa bem pautado, mas sem o dinamismo e o entusiasmo que pautaram o programa do PT. Os tucanos apostaram na questão da saúde, o ponto forte de Serra e que atinge sua camada mais vulnerável de votos, as classes mais baixas. Falta, entretanto, achar a sintonia. Resta agora ao PSDB achar onde seu programa pode fazer a diferença.

Marina foi mais do mesmo. Se deseja ser mais do que uma candidata monotemática, precisa mudar o disco, inserir seu vice, mostrar suas propostas e dar dinamismo ao seu programa.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Os Números

As mais recentes pesquisas eleitorais devem estar deixando o alto comando da campanha de José Serra extremamente preocupado. No Datafolha Dilma chegou a 41%, deixando Serra com 33%. Na pequisa anterior, o tucano ainda estava na frente, com o placar de 37%, contra 36% da ex-ministra. Houve, portanto, segundo o instituto, uma movimentação significativa de votos que mostra uma tendência.

Os institutos de pesquisas estão emparelhando seus números para o início do horário eleitoral. No Ibope a situação é semelhante ao Datafolha. Serra caiu para 32% e Dilma subiu para 43%. Aqui a situação é um pouco mais confortável, já que sinaliza uma possível vitória de Dilma ainda no primeiro turno.

Hoje, a candidata do PT está com 47% dos votos válidos e Serra com 37%. Se compararmos estes números com os da última eleição, Lula entrava no período de propaganda eleitoral com 55% e Alckmin com 24%, em curva descendente. O resultado do primeiro turno foi Lula com 48% e Alckmin com 41%. Ou seja, naquele cenário, o período que está por iniciar foi mais benéfico para os tucanos.

Mas naquela época Lula não era tão popular e apesar de Serra desafiar a criatura de Lula e não o próprio, o Presidente está disposto a jogar pesado com sua imagem e margens de aprovação do governo para impulsionar Dilma. Os aliados de agora tem mais densidade, como o PMDB, completamente envolvido na campanha. Existe uma base mais ampla no leque de alianças.

Além de tudo, vale lembrar que Dilma começou a avançar de forma consistente quando Lula apareceu ao seu lado nos programas de TV do PT. A formula se repetirá a partir de agora.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Debate com os Vices

Sempre deixados em segundo plano, os vices tem procurado ter mais voz. Dentre todos os postulantes, o mais experiente do ponto de vista político é Michel Temer. Ele é o valioso elo que liga o PT a um pacificado PMDB. Como fiador da aliança, é sobretudo aquele que terá mais importância em um futuro governo. Seria um importante articulador dentro e fora do seu partido.

Índio da Costa, o vice de Serra, deseja um debate entre os vices. Será uma ótima oportunidade para discutir com Temer a paternidade do projeto Ficha Limpa. O vice de Dilma diz que foi o grande patrocinador do projeto. Uma discussão que não deve trazer nada de novo para campanha além do fato de que, se bem articulado, pode desgastar Índio da Costa.

Guilherme Leal, por muitos considerado o melhor candidato a vice, deve participar com os outros dois do debate no Estado de S. Paulo na próxima terça. Será uma boa oportunidade para o vice de Marina falar e ser ouvido. Tem muito a contribuir para a campanha e pode fazer Marina crescer em uma parte do eleitorado ainda não atingida pela candidata do Partido Verde.