domingo, junho 17, 2007

Madrid Campeão!

Não poderia escolher melhor data para voltar a esta amada Madrid. O domingo foi chuvoso, com menos turistas nas ruas do que o esperado, mas com avalanches de madrilhistas pelas ruas esperando a rodada final da liga espanhola.

O Real Madrid finalmente triunfou. Depois de um jejum de 3 anos venceu a Liga espanhola. É o novo campeão da Espanha e obtém o trigésimo título desta envergadura.

A multidão que se espanhou pelos bares de Madrid, além, é lógico do Bernabéu, comemora, feliz, pelos arredores da Praça La Cibeles.

Foi o fim da linha para jogadores como Beckhan e Roberto Carlos, que deixam o clube.

É um presente para o Madrid, que nas últimas rodadas assumiu a vantagem e evitou mais um título do rival lá da Catalunha, o Barcelona.

Hoje, nossa Madrid é festa, "las mocitas madrileñas van alegres y risueñas porque hoy es día de Madrid".

Abram alas, MADRID CAMPEÃO!!!!

Hala Madrid!

De las glorias deportivas, que campean por España
va el Madrid con su bandera,
limpia y blanca que no empaña.
Club castizo y generoso, todo nervio y corazón,
veteranos y noveles, veteranos y noveles,
miran siempre sus laureles con respeto y emoción.

¡Hala Madrid!, ¡Hala Madrid!
Noble y bélico adalid, caballero del honor.
¡Hala Madrid!, ¡Hala Madrid!
A triunfar en buena lid, defendiendo tu color
Hala Madrid!, Hala Madrid!, Hala Madrid!

Enemigo en la contienda, cuando pierde da la mano
sin envidias ni rencores, como bueno y fiel hermano.
Los domingos por la tarde, caminando a Chamartín,
las mocitas madrileñas, las mocitas madrileñas
van alegres y risueñas porque hoy juega su Madrid

¡Hala Madrid!, ¡Hala Madrid!
Noble y bélico adalid, caballero del honor.
¡Hala Madrid!, ¡Hala Madrid!
A triunfar en buena lid, defendiendo tu color
¡Hala Madrid!, ¡Hala Madrid!, ¡Hala Madrid!

quinta-feira, junho 14, 2007

Bons Tempos

Esta é uma foto que retrata os antigos bons tempos políticos no Congresso. Felipe Gonzalez e Manuel Fraga, adversários políticos, conversam durante uma sessão parlamentar.

Este é o tipo de diálogo que falta na Espanha atual, com o radicalismo de parte à parte.

Gonzalez se tornaria Presidente de Governo e venceria Fraga em diversas eleições, até que o sucessor do popular, José María Aznar, terminou com o período de 4 governos dos socialistas, vencendo as eleições de 1996.

As palavras do Rei

Este foi o homem chave da Transição, Don Juan Carlos I, Rei da Espanha. Estou certo do protagonismo de muitos outros, como Fraga, Suarez ou González. Entretanto, o Rei foi o elo que manteve a sociedade espanhola unida durante o delicado período entre a morte do caudilho, Franco, e a consolidação democrática.

Assim, quando o país comemora 30 anos das suas primeiras eleições democráticas, o recado não poderia ser dado por alguém com maior compromisso democrático que o Rei.

Don Juan Carlos, durantes suas palavras frente as "Cortes Generales", na data de hoje, foi claro em três pontos: combate ao terrorismo, respeito perante a Constituição e respeito ao legado da Transição. Este ponto é fundamental, ou seja, a disposição para o diálogo, ou seja, a existência de "uma ponte" entre a esquerda e a direita, algo que sempre tenho defendido e acredito estar perdida desde a chegada de Zapatero na Presidência do PSOE, ainda no governo Aznar.

As palavras do Rei devem ser ouvidas com atenção. Sinto não estar em Madrid para escutá-las com admiração na sessão do Congresso.

terça-feira, junho 12, 2007

ETA preparado para atacar

Esta trégua retratada aí na foto já era. Zapatero se manteve como refém do grupo terrorista. O preço já está sendo pago por todos os espanhóis, como já disse por aqui.

Os serviços de inteligência militares (CISET) dizem que o ETA conta com 5 comandos itinerantes, com novos 70 membros, principalmente jovens recrutados na América do Sul, prontos para atacar.

O atentado seria "iminente" e de grande "transcendência pública", sendo alvos principais Madrid e Valência.

Negociar com terroristas é o principal caminho para o perigo.

Acton Institute for the Study of Religion and Liberty

O Acton Institute, que fica localizado na cidade de Grand Rapids, no Michigan, iniciou nesta terça-feira seu encontro anual chamado "Acton University".

Por aqui faz muito calor e mesmo assim o instituto atraiu mais de 300 pessoas para participar das dicussões. Um modelo judaico-cristão baseado na liberdade de mercado e defesa da propriedade impulsionado pelo empreendedorismo. Esta é a base das idéias do Acton.

O discurso inicial do Presidente, Rev. Robert Sirico, como sempre, foi marcante. Ele é um mestre na arte da comunicação. Não publicarei comentários, pois vale a pena ser lido na íntegra. Em breve poderá ser acessado no seguinte endereço: www.acton.org

quarta-feira, junho 06, 2007

ETA suspende trégua. E agora Zapatero?

Acabo de ver que o ETA anunciou a suspensão da trégua que havia sido negociada com o governo Zapatero.

Algo vai muito mal na relação do governo socialista e o grupo terrorista. O ETA começou a dar demonstrações claras de que não está atingindo toda a liberdade prometida por Zapatero. Esta é a minha teoria. Vem chumbo grosso por aí. O preço que pagaremos pela trapalhada irresponsável desta figura será enorme.

Um atentado do ETA acabaria com o governo Zapatero e poderia indicar, inclusive, antecipação das eleições. A situação é séria. O ETA deixou nas entrelinhas o que já sabíamos, ou seja, voltou a ter poder para ameaçar e atacar se preciso.

Diários de Washington?

Acabo de chegar em Washington e os comentários de todos são sobre a condenação do antigo chefe de gabinete do Vice-Presidente, "Scooter" Libby. Ele foi condenado a 30 anos.

Isto gerou uma dor de cabeça para Bush. Pelo menos é o que se diz por aqui e é também o que acredito. Se Libby apelar, continua nas mãos dos procuradores e corre o risco de ainda "aprofundar" mais suas declarações. Se isto acontecer, o escândalo pode se espalhar e talvez afetar Cheney.

Entretanto Bush pode, por meio do poder presidencial, conceder-lhe perdão. Mas a pergunta é: como ficaria perante a opinião pública? Geralmente os perdões são concedidos na última semana do ano, ou nos últimos dias da Presidência, exatamente para evitar este desgaste.

E como vêem a questão os candidatos que buscam a indicação do partido Republicano? Na minha opinião, um perdão de Bush liquidaria a história, desgastaria somente a atual administração e facilitaria as coisas para o partido.

Hoje por sinal também houve debate dos candidatos republicanos e uma tensão entre McCain e Giuliani sobre imigração.

segunda-feira, junho 04, 2007

"Quem é John Galt?"

Peço desculpas aos leitores pelo sumiço dos últimos dias. Estou em Clemson, Carolina do Sul, Estados Unidos, participando de um ciclo de palestras em comemoração aos 50 anos da publicação da obra "Atlas Shrugged" da saudosa escritora Ayn Rand.

"Atlas Shrugged" é considerado o livro que mais influenciou os Estados Unidos depois da Bíblia e consagrou a expressão "Quem é John Galt?".

O livro, em forma de romance, trata de todos os aspectos da filosofia de Ayn Rand, chamada "Objetivismo". Infelizmente o livro, traduzido como "Quem é John Galt?" no Brasil, não encontrou ressonância em nosso país, acredito que por razões óbvias.

"Atlas Shrugged" é leitura obrigatória e as discussões promovidas pelo "The Clemson Institute for the Study of Capitalism" merecem mais do que aplausos. Ayn Rand trouxe a importância da racionalidade e da virtude do egoísmo para o centro das atenções filosóficas no século XX. Sua obra é indispensável e valiosa.

quarta-feira, maio 30, 2007

Izquierda Abertzale eleita el listas da ANV

Todos sabiam que as listas da ANV continham membros da Izquierda Abertzale, ligados ao Batasuna, braço político do ETA colocado na ilegalidade. Algumas listas foram impugnadas, cerca de 133, mas não todas.

A Acción Nacionalista Vasca foi eleita para participar de governos e parlamentos municipais no País Vasco (Euskadi) e Navarra. Ou seja, provavelmente membros do Batasuna voltaram formalmente ao jogo político por intermédio das listas da ANV.

Suas listas foram as mais votadas em cidades como Oiartzun, Hernani y Bergara na província de Guipúzcoa e Elorrio em Vizcaya.

Arnaldo Ortegui votou com sua carteira de habilitação, já que não reconhece a carteira nacional de idenficação (DNI) espanhola como um documento válido.

Panorama geral das eleições

O Partido Popular alcançou o maior número de votos nas eleições municipais e autonômicas. Isto não acontecia há sete anos. Portanto, foi um resultado importante. As estrelas do partido estão cravadas em Madrid e Valência, com vitórias contundentes e, assim, históricas.

No geral, o quadro parece similar ao que havia. O PSOE manteve o poder nos seus feudos tradicionais, como Extremadura e Castilla La Mancha. O PP foi forte como sempre em Madrid, Comunidade Valenciana, La Rioja, Murcia e Castilla y León, onde venceu por maioria absoluta. Os populares tentavam arrancar as Asturias das maõs dos socialistas, o que não ocorreu por pouco. Mas por outro lado, pode ser que os socialistas, aliados aos nacionalistas, tirem o PP do poder em Navarra, que hoje é o principal foco de articulações políticas, onde o PP venceu, mas nacionalistas e socialistas podem formar governo criando sua maioria.

O quadro geral eleitoral foi assim:

PP: 35,6% - 7.909.939 votos

PSOE: 34,9% - 7.752.635 votos

Outros: 29,5%

O PSOE teve um ótimo desempenho nas Ilhas Canárias, onde saiu da terceira força política para ocupar o primeiro posto. Por lá, se os populares se aliassem aos nacionalistas, poderiam impedir o PSOE de governar, mas o PP já disse que aceita a vitória socialista e fará oposição. Esperam a mesma posição do PSOE em Navarra, mas tudo indica que isto não ocorrerá.

Vale lembrar que não ocorreram eleições na Andaluzia, País Basco, Galícia e Catalunha, apesar de ter ocorrido eleição municipal em alguns municípios dessas Comunidades Autônomas, como Sevilha e Barcelona.

A participação ficou em 63,9%, menor do que em 2003, que foi de 67,4%.

Neste ano o PP ganhou em votos absolutos, mas o PSOE ganhou em número de municípios, ou seja, irá manejar mais recursos públicos que os populares. Já Madrid foi uma vitória mais que simbólica para o PP, enquanto todas as atenções se deslocam para a formação de um governo em Navarra.

Os votos de Espe

Esperanza Aguirre, Presidenta da Comunidade Autônoma de Madrid, obteve uma votação expressiva. Aumentou em 98.446 votos as listas de seu partido, o PP. Fez a maioria absoluta na Assembléia de Madrid, elegendo 67 deputados, e tomou muitos votos dos socialistas, que elegeram somente 42 e tiveram um decréscimo de 158.354 votos em relação a 2003. O resultado final foi:

Esperanza Aguirre: 1.497.641 - 53,30%

Rafael Simancas: 981.116 - 33,46%

Espe fez uma ótima campanha, consolidou o partido como maioria na Comunidade de Madrid, deixou os socialistas sem chances. Mas obteve menos votos que Gallardón na cidade de Madrid.

Se Esperanza almeja vôos mais altos, o resultado não foi completamente bom, especialmente em razão do êxito do seu desafeto e colega de partido. A renovação da direção partidária do PP passará por essas duas pessoas no futuro.

Gallardón, o grande vencedor

As eleições geram fatos interessantes. Dentro do PP foi a vitória do prefeito de Madrid, Alberto Ruiz-Gallardón. Ele obteve 55,54% dos votos na capital, um recorde absoluto, uma vitória contundente, que serviu para consolidar seu nome dentro do partido, já que entregou aos populares sua votação mais expressiva.

Gallardón também se consolidou frente à Esperanza Aguirre, a Presidenta da Comunidade Autônoma. Havia uma disputa interna para saber quem obteria mais votos, naquele que se consolidou como o novo grande feudo do PP. Espe obteve votação que lhe garantiu a maioria absoluta. Na cidade de Madrid, entretanto, Gallardón obteve 875.571 votos. Ou seja, 11.726 a mais que Espe. Isto fez um pouco da diferença e deixa o prefeito com ligeira vantagem em relação a Presidenta na correlação de forças internas.

A estratégia de Gallardón se consolida. Ele nunca escondeu que almeja Moncloa, mas para isto se concretizar ainda faltam alguns passos. Ele sempre foi conhecido pelo faro político equivocado, que lhe rendeu muitos inimigos dentro do PP, em especial Esperanza Aguirre, que já foi vítima de algumas manobras do prefeito.

O fato é que as urnas legitimaram Gallardón, que prontamente se ofereceu para estar nas listas nacionais no próximo ano. Rajoy disse hoje que ele seria um bom "número 2" na hierarquia do partido, mas que existem vários nomes. Se Gallardón se tornar o número 2 do PP, não tardará a assumir a Presidência do partido. Não tenho dúvida.

Como disse, a estratégia de Gallardón se consolida.

Balanço das eleições. A simbologia das comemorações

Trago algumas considerações sobre as eleições de domingo. É inevitável não enxergar este fato como um termômetro da tendência do eleitorado para as eleições gerais que se avizinham em alguns meses.

Sem dúvida, tanto o PP como o PSOE, independentemente do resultado reivindicariam a vitória. Não foi diferente, mas a impressão que ficou foi de um triunfo do PP, já que com as câmeras das TV's voltadas para Madrid, o resultado da capital influenciaria muito a cobertura nacional. Em Madrid o PP foi avassalador, um trator que nem tomou conhecimento do PSOE. A comemoração com Rajoy, Acebes, Esperanza e Gallardón na bancada da calle Genova, em frente de mais de 500 militantes do PP reforçou esta idéia, já que no mesmo momento, Simancas e Sebastian aceitavam a brutal derrota sociaista no Cícullo de Belas Artes de Madrid, onde acompanharam a apuração e os resultados finais.

quinta-feira, maio 24, 2007

Eleições de domingo

Este final de semana contará com dias e horas dramáticas para a situação e oposição na Espanha.

Faltando pouco menos de um ano para as eleições gerais, que indicarão o Presidente de Governo, 13 das 17 Comunidades Autônomas irão eleger seus novos Presidentes. As únicas que não estarão em disputa serão Galícia, País Basco, Catalunha y Andaluzia.

As cidades autônomas também elegem Presidentes em Ceuta e Melilla.

18,3 milhões de espanhóis poderão participar. Todos nós estamos com as planilhas na mão para verificar a tendência do eleitorado, que pode dar pistas importantes sobre como conduzir a campanha para as eleições gerais.

Uma dica. Quem deseja acompanhar os movimentos eleitorais, busque informação na fonte, em especial nos sites dos grandes jornais espanhóis. A mídia brasileira deixou muito a desejar na cobertura pífia das eleições francesas. Acompanhem também aqui neste Blog e no Parlata.

quarta-feira, maio 23, 2007

Ato de fim de Campanha do PP em Madrid

O PP de Madrid realizará seu ato final de campanha esta sexta-feira, dia 25 de maio, 21 hs, no "Palacio de Deportes" da Comunidad de Madrid (Avda. Felipe II).

É o ato final da campanha de Esperanza Aguirre. Fica registrado para aqueles que desejarem participar. Será uma bonita festa, que além de tudo, contará com o fantástico charme e carisma de nossa linda e competente Presidenta.

Sabedoria Popular

Hoje estive conversando com uma das grandes analistas de pesquisas da Espanha. Paz Álvarez Sánchez-Arjona esclareceu muitos pontos importantes para nós, analistas políticos, especialmente quando lemos pesquisas qualitativas e quantitativas. Conversar com ela é sempre uma aula.

Falamos entre outras coisas dos Focus Groups e da sensibilidade que muitos políticos perdem quando chegam ao poder. Alguns, ao contrário, seguem ouvindo as pessoas, como taxistas, conversas de metrô, conversas com o barbeiro, rodas nas esquinas, coisas típicas de Madrid, por exemplo, que ajudam mais do que se imagina em pontos importantes de programas eleitorais.

E na volta, quando estava em um taxi, como sempre, puxei uma divertida conversa com o motorista. Existe um folclore em Madrid. Dizem quem todos taxistas votam pelo PP e torcem pelo Atlético de Madrid. Este quebrou a regra, torce para o Real Madrid, mas fez críticas interessantes, muitas presentes nos Focus Groups.

Disse que não interessa o partido ou o candidato. Ele não quer votar para qualquer grupo ou pessoa que limite sua liberdade mediante normas que possam restringir atos de sua vida, como fumar, por exemplo. Ele quer menos interferência do Estado em sua vida. Chegou a brincar (mas também falando sério) que na Espanha se vive um período de pseudo-democracia, onde o governo edita mais regras, mandando alguém fazer ou deixar de fazer algo, do que no período de Franco. Vejam só!

Por fim, conclui, de forma sábia, dizendo que não entende o que Zapatero vai fazer em atos do PSOE. "Seu trabalho é sair apoiando os candidatos ou governar? Ademais faz essas viagens com o meu dinheiro, isto é um absurdo".

E as eleições municipais e autonômicas serão neste 27 de março, domingo.

"Cada voto que no venga al PP" servirá para "consolidar la presencia de los terroristas en las instituciones"

Esta foi a frase cunhada por Aznar que está gerando turbulência no mundo político espanhol.

Mas politicamente os socialistas não foram espertos. Ao rebater tão veementemente a declaração de Aznar, deram uma amplitude muito maior do que se esperava para suas palavras, o que pode gerar um efeito inverso do que queriam.

Prova disso é que o líder nacional dos populares, Mariano Rajoy, declarou hoje que cada voto dado ao PP será para "defender a liberdade e pela derrota do ETA". Ou seja, os socialistas ajudam a posicionar o discurso e a identidade da mensagem anti-terrorista para os populares. Quem for tocado pelo discurso, votará no PP neste domingo.

Felipe González e Zapatero tentam rebater Aznar

Felipe González, que depois de ocupar o poder por 14 anos, foi destronado por Aznar nas urnas, veio rebater suas críticas.

González não aparece muito. É notório que não gosta de Zapatero. Mas sempre foi um confidente especial do Rei Juan Carlos, alguém que sempre gostou de estar a par e, de alguma forma, participar do jogo político.

Assim, o surgimento de González neste momento é curioso. Disse que Aznar não havia aprendido nada nos oito anos de Moncloa e que não entendia dos fundamentos da Guerra Civil. Mas reparem, em momento algum defende Zapatero diretamente.

O Presidente de Governo teve que se defender só. E veio com a ladainha de sempre. Disse que os insultos de Aznar se respondem com "votos pela convivência".

Mas certamente o que mais irritou os socialistas foi Aznar dizer que todo voto que não for para o PP no domingo, será de alguma forma direcionado para fortalecer o terrorismo.

Felipe González não gostou desta declaração. Mas falta ainda González explicar o que muitos comentam nos círculos de Madrid. O que ele fazia com Rubalcaba, momentos depois do atentado de 11 de março de 2004, visitando na cadeia o seu antigo chefe dos serviços de inteligência? Terá moral para criticar Aznar? Acredito que não.

Aznar reage contra a perigosa política de Zapatero

Aznar, que foi Presidente de Governo da Espanha por duas vezes, e renunciou a uma terceira disputa que se mostrava tranquila, fez declarações interessantes ontem durante uma reunião dos populares em Aragón.

Aznar se referia a política de confrontação que adora Zapatero desde muito tempo, quando ainda era o líder da oposição e o PP era governo. Esta política que criou um fosso quase que intransponível entre populares e socialistas.

Zapatero, desta forma, coloca em risco o futuro da Espanha.

O clima de confrontação criado por Zapatero não encontra similar em qualquer momento pós-Transição. Os Presidentes de Governo Calvo Sotello, Adolfo Suárez, Felipe González e José María Aznar nunca colocaram em cheque aspectos básicos da transição democrática, como um pacto básico, essencial, constitucional.

A postura de Zapatero divide a Espanha em duas partes, o que é muito perigoso, lembrou Aznar, o que conduziu o país a seu período mais duro há 70 anos. Fazia uma clara referência a Guerra Civil.

Aznar está certo. A Espanha não pode correr o risco de perder sua mais cara herança, a Transição pós-Franco e não pode permitir que atos que desencadearam a Guerra Civil e a ascensão de Franco se repitam.

Cada dia mais me convenço da irresponsabilidade do Sr. Zapatero. Um homem que certamente não está à altura do cargo que ocupa, que não concebe verdadeiramente o que é este país.

Não digo isso somente pela minha admiração e proximidade profissional com Aznar, mas por este grande e fabuloso país que é a Espanha, que encontrou ganas e meios de mostrar seu potencial exatamente durante seus oito anos de governo.

Zaplana tenta atrair Rosa Díez e Fernando Savater

O porta-voz dos populares no Congresso dos Deputados, Eduardo Zaplana, declarou que o grupo liderado por Rosa Díez e Fernando Savater é bem vindo para se incorporar ao PP e ajudar o partido a destronar Zapatero, evidenciando que o líder socialista não possui mais confiança para governar.

O PP se tornou, por estratégia, muito acertada, durante os anos 1990, uma espécie de "catch all party" da centro-direita, agregando dentro de si, os mais diversos grupos identificados com este espectro político, como conservadores, democratas-cristãos, liberais, neoconservadores, entre outros.

A idéia de Zaplana é agregar este novo grupo dentro de uma espécie de "guarda-chuva" que seria o PP, qe já possui outras famílias políticas em suas hostes.

Mas está claro para Rosa Díez e Fernando Savater que o ponto principal de seu projeto é se contrapor ao sistema de dois partidos atual, abrindo caminho para uma força de centro que possa ajudar na governabilidade evitando pactos com os nacionalistas.