quarta-feira, maio 30, 2007

Izquierda Abertzale eleita el listas da ANV

Todos sabiam que as listas da ANV continham membros da Izquierda Abertzale, ligados ao Batasuna, braço político do ETA colocado na ilegalidade. Algumas listas foram impugnadas, cerca de 133, mas não todas.

A Acción Nacionalista Vasca foi eleita para participar de governos e parlamentos municipais no País Vasco (Euskadi) e Navarra. Ou seja, provavelmente membros do Batasuna voltaram formalmente ao jogo político por intermédio das listas da ANV.

Suas listas foram as mais votadas em cidades como Oiartzun, Hernani y Bergara na província de Guipúzcoa e Elorrio em Vizcaya.

Arnaldo Ortegui votou com sua carteira de habilitação, já que não reconhece a carteira nacional de idenficação (DNI) espanhola como um documento válido.

Panorama geral das eleições

O Partido Popular alcançou o maior número de votos nas eleições municipais e autonômicas. Isto não acontecia há sete anos. Portanto, foi um resultado importante. As estrelas do partido estão cravadas em Madrid e Valência, com vitórias contundentes e, assim, históricas.

No geral, o quadro parece similar ao que havia. O PSOE manteve o poder nos seus feudos tradicionais, como Extremadura e Castilla La Mancha. O PP foi forte como sempre em Madrid, Comunidade Valenciana, La Rioja, Murcia e Castilla y León, onde venceu por maioria absoluta. Os populares tentavam arrancar as Asturias das maõs dos socialistas, o que não ocorreu por pouco. Mas por outro lado, pode ser que os socialistas, aliados aos nacionalistas, tirem o PP do poder em Navarra, que hoje é o principal foco de articulações políticas, onde o PP venceu, mas nacionalistas e socialistas podem formar governo criando sua maioria.

O quadro geral eleitoral foi assim:

PP: 35,6% - 7.909.939 votos

PSOE: 34,9% - 7.752.635 votos

Outros: 29,5%

O PSOE teve um ótimo desempenho nas Ilhas Canárias, onde saiu da terceira força política para ocupar o primeiro posto. Por lá, se os populares se aliassem aos nacionalistas, poderiam impedir o PSOE de governar, mas o PP já disse que aceita a vitória socialista e fará oposição. Esperam a mesma posição do PSOE em Navarra, mas tudo indica que isto não ocorrerá.

Vale lembrar que não ocorreram eleições na Andaluzia, País Basco, Galícia e Catalunha, apesar de ter ocorrido eleição municipal em alguns municípios dessas Comunidades Autônomas, como Sevilha e Barcelona.

A participação ficou em 63,9%, menor do que em 2003, que foi de 67,4%.

Neste ano o PP ganhou em votos absolutos, mas o PSOE ganhou em número de municípios, ou seja, irá manejar mais recursos públicos que os populares. Já Madrid foi uma vitória mais que simbólica para o PP, enquanto todas as atenções se deslocam para a formação de um governo em Navarra.

Os votos de Espe

Esperanza Aguirre, Presidenta da Comunidade Autônoma de Madrid, obteve uma votação expressiva. Aumentou em 98.446 votos as listas de seu partido, o PP. Fez a maioria absoluta na Assembléia de Madrid, elegendo 67 deputados, e tomou muitos votos dos socialistas, que elegeram somente 42 e tiveram um decréscimo de 158.354 votos em relação a 2003. O resultado final foi:

Esperanza Aguirre: 1.497.641 - 53,30%

Rafael Simancas: 981.116 - 33,46%

Espe fez uma ótima campanha, consolidou o partido como maioria na Comunidade de Madrid, deixou os socialistas sem chances. Mas obteve menos votos que Gallardón na cidade de Madrid.

Se Esperanza almeja vôos mais altos, o resultado não foi completamente bom, especialmente em razão do êxito do seu desafeto e colega de partido. A renovação da direção partidária do PP passará por essas duas pessoas no futuro.

Gallardón, o grande vencedor

As eleições geram fatos interessantes. Dentro do PP foi a vitória do prefeito de Madrid, Alberto Ruiz-Gallardón. Ele obteve 55,54% dos votos na capital, um recorde absoluto, uma vitória contundente, que serviu para consolidar seu nome dentro do partido, já que entregou aos populares sua votação mais expressiva.

Gallardón também se consolidou frente à Esperanza Aguirre, a Presidenta da Comunidade Autônoma. Havia uma disputa interna para saber quem obteria mais votos, naquele que se consolidou como o novo grande feudo do PP. Espe obteve votação que lhe garantiu a maioria absoluta. Na cidade de Madrid, entretanto, Gallardón obteve 875.571 votos. Ou seja, 11.726 a mais que Espe. Isto fez um pouco da diferença e deixa o prefeito com ligeira vantagem em relação a Presidenta na correlação de forças internas.

A estratégia de Gallardón se consolida. Ele nunca escondeu que almeja Moncloa, mas para isto se concretizar ainda faltam alguns passos. Ele sempre foi conhecido pelo faro político equivocado, que lhe rendeu muitos inimigos dentro do PP, em especial Esperanza Aguirre, que já foi vítima de algumas manobras do prefeito.

O fato é que as urnas legitimaram Gallardón, que prontamente se ofereceu para estar nas listas nacionais no próximo ano. Rajoy disse hoje que ele seria um bom "número 2" na hierarquia do partido, mas que existem vários nomes. Se Gallardón se tornar o número 2 do PP, não tardará a assumir a Presidência do partido. Não tenho dúvida.

Como disse, a estratégia de Gallardón se consolida.

Balanço das eleições. A simbologia das comemorações

Trago algumas considerações sobre as eleições de domingo. É inevitável não enxergar este fato como um termômetro da tendência do eleitorado para as eleições gerais que se avizinham em alguns meses.

Sem dúvida, tanto o PP como o PSOE, independentemente do resultado reivindicariam a vitória. Não foi diferente, mas a impressão que ficou foi de um triunfo do PP, já que com as câmeras das TV's voltadas para Madrid, o resultado da capital influenciaria muito a cobertura nacional. Em Madrid o PP foi avassalador, um trator que nem tomou conhecimento do PSOE. A comemoração com Rajoy, Acebes, Esperanza e Gallardón na bancada da calle Genova, em frente de mais de 500 militantes do PP reforçou esta idéia, já que no mesmo momento, Simancas e Sebastian aceitavam a brutal derrota sociaista no Cícullo de Belas Artes de Madrid, onde acompanharam a apuração e os resultados finais.

quinta-feira, maio 24, 2007

Eleições de domingo

Este final de semana contará com dias e horas dramáticas para a situação e oposição na Espanha.

Faltando pouco menos de um ano para as eleições gerais, que indicarão o Presidente de Governo, 13 das 17 Comunidades Autônomas irão eleger seus novos Presidentes. As únicas que não estarão em disputa serão Galícia, País Basco, Catalunha y Andaluzia.

As cidades autônomas também elegem Presidentes em Ceuta e Melilla.

18,3 milhões de espanhóis poderão participar. Todos nós estamos com as planilhas na mão para verificar a tendência do eleitorado, que pode dar pistas importantes sobre como conduzir a campanha para as eleições gerais.

Uma dica. Quem deseja acompanhar os movimentos eleitorais, busque informação na fonte, em especial nos sites dos grandes jornais espanhóis. A mídia brasileira deixou muito a desejar na cobertura pífia das eleições francesas. Acompanhem também aqui neste Blog e no Parlata.

quarta-feira, maio 23, 2007

Ato de fim de Campanha do PP em Madrid

O PP de Madrid realizará seu ato final de campanha esta sexta-feira, dia 25 de maio, 21 hs, no "Palacio de Deportes" da Comunidad de Madrid (Avda. Felipe II).

É o ato final da campanha de Esperanza Aguirre. Fica registrado para aqueles que desejarem participar. Será uma bonita festa, que além de tudo, contará com o fantástico charme e carisma de nossa linda e competente Presidenta.

Sabedoria Popular

Hoje estive conversando com uma das grandes analistas de pesquisas da Espanha. Paz Álvarez Sánchez-Arjona esclareceu muitos pontos importantes para nós, analistas políticos, especialmente quando lemos pesquisas qualitativas e quantitativas. Conversar com ela é sempre uma aula.

Falamos entre outras coisas dos Focus Groups e da sensibilidade que muitos políticos perdem quando chegam ao poder. Alguns, ao contrário, seguem ouvindo as pessoas, como taxistas, conversas de metrô, conversas com o barbeiro, rodas nas esquinas, coisas típicas de Madrid, por exemplo, que ajudam mais do que se imagina em pontos importantes de programas eleitorais.

E na volta, quando estava em um taxi, como sempre, puxei uma divertida conversa com o motorista. Existe um folclore em Madrid. Dizem quem todos taxistas votam pelo PP e torcem pelo Atlético de Madrid. Este quebrou a regra, torce para o Real Madrid, mas fez críticas interessantes, muitas presentes nos Focus Groups.

Disse que não interessa o partido ou o candidato. Ele não quer votar para qualquer grupo ou pessoa que limite sua liberdade mediante normas que possam restringir atos de sua vida, como fumar, por exemplo. Ele quer menos interferência do Estado em sua vida. Chegou a brincar (mas também falando sério) que na Espanha se vive um período de pseudo-democracia, onde o governo edita mais regras, mandando alguém fazer ou deixar de fazer algo, do que no período de Franco. Vejam só!

Por fim, conclui, de forma sábia, dizendo que não entende o que Zapatero vai fazer em atos do PSOE. "Seu trabalho é sair apoiando os candidatos ou governar? Ademais faz essas viagens com o meu dinheiro, isto é um absurdo".

E as eleições municipais e autonômicas serão neste 27 de março, domingo.

"Cada voto que no venga al PP" servirá para "consolidar la presencia de los terroristas en las instituciones"

Esta foi a frase cunhada por Aznar que está gerando turbulência no mundo político espanhol.

Mas politicamente os socialistas não foram espertos. Ao rebater tão veementemente a declaração de Aznar, deram uma amplitude muito maior do que se esperava para suas palavras, o que pode gerar um efeito inverso do que queriam.

Prova disso é que o líder nacional dos populares, Mariano Rajoy, declarou hoje que cada voto dado ao PP será para "defender a liberdade e pela derrota do ETA". Ou seja, os socialistas ajudam a posicionar o discurso e a identidade da mensagem anti-terrorista para os populares. Quem for tocado pelo discurso, votará no PP neste domingo.

Felipe González e Zapatero tentam rebater Aznar

Felipe González, que depois de ocupar o poder por 14 anos, foi destronado por Aznar nas urnas, veio rebater suas críticas.

González não aparece muito. É notório que não gosta de Zapatero. Mas sempre foi um confidente especial do Rei Juan Carlos, alguém que sempre gostou de estar a par e, de alguma forma, participar do jogo político.

Assim, o surgimento de González neste momento é curioso. Disse que Aznar não havia aprendido nada nos oito anos de Moncloa e que não entendia dos fundamentos da Guerra Civil. Mas reparem, em momento algum defende Zapatero diretamente.

O Presidente de Governo teve que se defender só. E veio com a ladainha de sempre. Disse que os insultos de Aznar se respondem com "votos pela convivência".

Mas certamente o que mais irritou os socialistas foi Aznar dizer que todo voto que não for para o PP no domingo, será de alguma forma direcionado para fortalecer o terrorismo.

Felipe González não gostou desta declaração. Mas falta ainda González explicar o que muitos comentam nos círculos de Madrid. O que ele fazia com Rubalcaba, momentos depois do atentado de 11 de março de 2004, visitando na cadeia o seu antigo chefe dos serviços de inteligência? Terá moral para criticar Aznar? Acredito que não.

Aznar reage contra a perigosa política de Zapatero

Aznar, que foi Presidente de Governo da Espanha por duas vezes, e renunciou a uma terceira disputa que se mostrava tranquila, fez declarações interessantes ontem durante uma reunião dos populares em Aragón.

Aznar se referia a política de confrontação que adora Zapatero desde muito tempo, quando ainda era o líder da oposição e o PP era governo. Esta política que criou um fosso quase que intransponível entre populares e socialistas.

Zapatero, desta forma, coloca em risco o futuro da Espanha.

O clima de confrontação criado por Zapatero não encontra similar em qualquer momento pós-Transição. Os Presidentes de Governo Calvo Sotello, Adolfo Suárez, Felipe González e José María Aznar nunca colocaram em cheque aspectos básicos da transição democrática, como um pacto básico, essencial, constitucional.

A postura de Zapatero divide a Espanha em duas partes, o que é muito perigoso, lembrou Aznar, o que conduziu o país a seu período mais duro há 70 anos. Fazia uma clara referência a Guerra Civil.

Aznar está certo. A Espanha não pode correr o risco de perder sua mais cara herança, a Transição pós-Franco e não pode permitir que atos que desencadearam a Guerra Civil e a ascensão de Franco se repitam.

Cada dia mais me convenço da irresponsabilidade do Sr. Zapatero. Um homem que certamente não está à altura do cargo que ocupa, que não concebe verdadeiramente o que é este país.

Não digo isso somente pela minha admiração e proximidade profissional com Aznar, mas por este grande e fabuloso país que é a Espanha, que encontrou ganas e meios de mostrar seu potencial exatamente durante seus oito anos de governo.

Zaplana tenta atrair Rosa Díez e Fernando Savater

O porta-voz dos populares no Congresso dos Deputados, Eduardo Zaplana, declarou que o grupo liderado por Rosa Díez e Fernando Savater é bem vindo para se incorporar ao PP e ajudar o partido a destronar Zapatero, evidenciando que o líder socialista não possui mais confiança para governar.

O PP se tornou, por estratégia, muito acertada, durante os anos 1990, uma espécie de "catch all party" da centro-direita, agregando dentro de si, os mais diversos grupos identificados com este espectro político, como conservadores, democratas-cristãos, liberais, neoconservadores, entre outros.

A idéia de Zaplana é agregar este novo grupo dentro de uma espécie de "guarda-chuva" que seria o PP, qe já possui outras famílias políticas em suas hostes.

Mas está claro para Rosa Díez e Fernando Savater que o ponto principal de seu projeto é se contrapor ao sistema de dois partidos atual, abrindo caminho para uma força de centro que possa ajudar na governabilidade evitando pactos com os nacionalistas.

terça-feira, maio 22, 2007

Rosa Díez e Fernando Savater tentam criar um novo partido nacional

O sistema político espanhol é uma espécie bi-partidismo imperfeito. Existem duas grandes forças políticas, uma ao centro-esquerda, com o PSOE e outra ao centro-direita, com o PP.

A consolidação desses dois grupos como forças políticas expressivas derivam da engenharia política de dois homens, Felipe González no PSOE e José María Aznar no PP. Ambos ocuparam a Presidência de Governo e souberam aproximar seus partidos do centro político.

Entretanto, atualmente existe uma séria cisão na política espanhola, uma espécie de fosso praticamente intransponível entre os dois partidos, impulsionada, na minha opinião por Zapatero, desde que ocupava o cargo de líder da oposição.

Esse fosso político impede uma grande concertação, como ocorreu na Alemanha, por exemplo, especialmente quando o eleitorado está dividido praticamente meio a meio.

Quem desempata este jogo sempre são os partidos nacionalistas, que com seus poucos deputados são o fiel da balança neste jogo complexo. Entretanto, o preço a ser pago por pactar com os nacionalistas muitas vezes é muito alto.

Na esteira desta realidade, um grupo de pessoas se reuniu no País Basco com o objetivo de criar um partido de centro, com o objetivo de unir os descontentes com o PSOE e o PP. Seria uma alternativa democrática e anti-nacionalista que poderia ajudar os grandes partidos a formar suas maiorias.

As bases deste novo grupo, formado pela eurodeputada socialista Rosa Díez e o filósofo Fernando Savater teria como principais objetivos: lutar contra o ETA, promover uma regeneração democrática, se opor ao nacionalismo obrigatório, e a necessidade de reformar a Constituição para constituir um Estado sólido e igualitário, composto de comunidades autônomas com competência idênticas entre si.

Não tenho dúvida de que há um forte e grande espaço para um partido de centro na Espanha, como ocorreu com Bayrou na França, já que os grupos políticos espanhóis não tem conseguido ocupar este espaço. A idéia é boa, mas dificilmente se consolidará com as pessoas que estão liderando este movimento.

Mas a idéia está lançada. O político que souber ocupar este espaço, terá êxito.

segunda-feira, maio 21, 2007

PP amplia em Madrid e Valência. PSOE consolida Sevilla e Barcelona

O diário El País apresentou uma pesquisa do Instituto Opina para a eleições de domingo. No que tange as prefeituras, o instituto mostra a consolidação dos populares em Madrid e Valência. Estas cidades se transformaram quase em um terreno impenetrável para os socialistas, especialmente Madrid, onde os populares devem ampliar a maioria absoluta.

A Andaluzia possui uma tendência pró-PSOE. Pode ocorrer fortalecimento dos socialistas por lá, especialmente em Sevilla. Contudo, Málaga tende a ficar com o PP.

Barcelona tende a ficar com os socialistas, especialmente se sair um acordo com a CiU. Mas é esperar para ver.

Zapatero diz que não negociou com o ETA. Será?

Zapatero esteve em atos dos candidatos do PSOE neste final de semana. Durante um encontro em Sevilla respondeu a alguns rumores que correm por Madrid.

Disse que não negociava com o Batasuna antes de chegar ao governo e que não tem negociado com o ETA, mas que o governo tem a obrigação de ter a melhor informação possível. Soou ambíguo.

No contra ataque disse que o líder do PP, Mariano Rajoy, está, pela primeira vez, fazendo uso do tema "terrorismo" como uma "ferramente eleitoral", rompendo mais de 30 anos de tradição democrática na Espanha. Ora, mas ainda está fresco na memória de todos que o Sr. Rodríguez Zapatero somente chegou ao governo impulsionado pela reação ao brutal ataque terrorista de 11 março de 2004.

Se alguém se beneficia eleitoralmente do terrorismo, esta pessoa é o Sr. Zapatero e este partido é o PSOE.

Pelo que se ouve em Madrid, e pelo que lê por aqui, está claro que existe uma porta aberta de negociação com o ETA, que coloca seguidamente o governo de Zapatero de joelhos. Só não vê quem não quer.

sexta-feira, maio 18, 2007

Sexta-feira de touros em Las Ventas

Sou um daqueles admiradores das touradas, ou corrida de touros, como se diz em Madrid. A admiração pela tradição é fundamental para entender esta arte, como é chamada na Espanha. Entendo aqueles que não apreciam, mas como nunca fui partidário do politicamente correto, não me importo em declarar minha paixão pelas Corridas de Touros.

Neste semana de comemorações em Madrid, de San Isidro, começa formalmente a temporada das touradas. O dia de hoje na Plaza de Toros de Las Ventas foi fora do comum. A arena lotada assistiu a seis touros que deram muito trabalho.

O ponto triste foi o ferimento de Miguel Ángel Perera pelo segundo touro, ainda no começo. Ele sofreu um corte de 15 centímetros na perna, causando danos musculares e alcançando a tíbia. Ele nos deu susto, mas tudo indica que já está bem.

O ponto alto foi com toureiro francês Sebastián Castella. Ele foi impecável. Deu um show levando a platéia entusiasmada ao delírio. Ao fim, com lenços brancos, o público lhe concedeu a honra de receber as orelhas do último touro e, por fim, saiu carregado nos braços, a maior glória para um toureiro.

Apesar do triste incidente com Miguel Ángel, Las Ventas presenciou uma glória fantástica com Sebastián Castella. Uma tarde inesquecível para todo nós que estivemos por lá. Amanhã tem mais.

O Novo Gabinete Francês

Hoje o novo Primeiro-Ministro francês, François Fillon, anunciou os titulares das pastas do novo governo francês sob orientação do Presidente Nicolas Sarkozy.

Conforme já tinha adiantado aqui neste Blog, houve realmente a inclusão de sociaistas e centristas na nova formação. Como também havia adiantado aqui, Sarkozy optou diminuir o número de ministérios pela metade. Serão 15.

O primeiro nome socialista é Bernard Kouchner, de 67 anos, fundador da organização "Médicos Sem Fronteiras", que assumirá a pasta de Relações Exteriores. Eric Besson, que era o responsável pela área econômica do partido Socialista e que rompeu com estes para apoiar Sarkozy será o novo titular da pasta de Perspectiva e Avaliação de Políticas Públicas.

O centrista Hervé Morin, que não apoiou Bayrou, mas Sarkozy, nos dois turnos, ficará com a Defesa.

Alain Juppé, de 61 anos, que já foi Primeiro-Ministro de Chirac, será um dos homens fortes do governo e ficará com o cargo de Ministro de Ecologia, Desenvolvimento e Planejamento Sustentável.

O antigo ministro de Emprego e Coesão Social, Jean-Louis Borloo, irá para o reestruturado Ministério da Economía, Finanças e Emprego. Ele será outro homem chave do governo.

A antiga ministra da Defesa, Michèle Alliot-Marie, assumirá a poderosa pasta do Interior, que já foi de Sarkozy.

E Rachida Dati, de 41 anos, descendente de imigrantes marroquinos, é a nova ministra da Justiça. Nada mal para Sarkozy, sempre acusado de mão pesada contra os imigrantes. Vale lembrar que sua mão pesada sempre foi somente contra os imigrantes ilegais e aqueles que insistem em imigrar para a França e não se adaptar a cultura do novo país escolhido para viver.

Um governo plural, reduzido, experiente. Tem tudo para ser eficiente. Como disse ontem, Sarkozy e Fillon começam muito bem.

A primeira reunião do Conselho de Ministros será hoje.

quinta-feira, maio 17, 2007

Supremo proíbe inscrição da ASB no registro de partidos políticos

Agora é defitinivo. A inscrição do novo partido que incluía antigos membros do Batasuna, braço político do ETA colocado na ilegalidade, foi proibida pelo Tribunal Supremo. A decisão foi unânime, com os votos de 15 magistrados mais o Presidente Francisco José Hernando. A formação ASB, Abertzale Sozialisten Batasuna, não concorrerá nas eleições de 27 de maio.

Os votos dos simpatizantes serão despejados na ANV, Acción Nacionalista Vasca, que seguirá concorrendo, mesmo depois de o Tribunal Supremo e o Tribunal Constitucional declararem ilegais 133 listas apresentadas pelo partido.

Isto porque a ANV seguirá concorrendo com 123 listas. Foram impugnadas 52% do total. Entre as que seguem legais está a candidatura para a prefeitura de Pamplona, em Navarra.

O hábil Sarkozy

Enquanto todos estavam preocupados com a mulher de Sarkozy, Cecília, durante sua posse como Presidente da França, outros movimentos importantes estavam em curso. Enumero alguns deles.

. A viagem de Sarkozy para conversar com Angela Merkel no dia da posse. A França, verdadeiramente "voltou" para a União Européia, como afirmou Sarkozy.

. A habilidade política de estar montando um gabinete com forma de "concertação". Deixou os socialistas sem ação. Nesta sexta conheceremos certamente um governo com centristas, socialistas e conservadores. Tudo isso, sem perder o prumo reformista que o elegeu.

. A nomeação de François Fillon como Primeiro-Ministro. Fillon é um hábil político com muita experiência nos círculos parisienses. Foi ministro no governo de Edouard Balladour na pasta de Ensino Superior e Tecnologias da Informação, no período de Alain Juppé foi responsável pelos Correios y Telecomunicações e com Jean-Pierre Raffarin assumiu os Asuntos Sociais e Educação Nacional. Além disso já foi Deputado da Assembléia Nacional e Senador, além de ter sido prefeito de Sablé-sur-Sarthe (1983-2001) e Presidente da Região do Pais del Loira (1998-2004). Experiência certamente não lhe falta.

Sarkozy começa de maneira singular, com uma habilidade política admirável.

quarta-feira, maio 16, 2007

O Novo Plano de Metrô de Madrid

Pode parecer bobagem, mas vale a pena o registro. São dessas pequenas coisas que mexem com a cidade.

Madrid cresce e se habitua cada vez com um sistema muito eficiente de infra-estrutura, em especial no metrô, agora ampliado.

Esperanza Aguirre entrega ao final de seu mandato mais de 90km de linhas novas de metrô. É um aumento de 30% no sistema, realmente admirável. Entretanto, este ganho leva a uma mudança no plano de metrô da cidade, que deixará o sistema curvo para ter somente ângulos retos, como vemos nas fotos.

As reclamações dos usuários já iniciaram. O plano com curvas original respeita a geografia da cidade, enquanto o novo plano não distingue muito as reais distâncias. Alguns Blogs já recolhem assinaturas contra a medida.

O governo da Comunidade de Madrid diz que a nova versão é mais moderna, como a inglesa. A verdade é que o número de estações não cabe mais no modelo curvo.

A polêmica está só começando, ainda mais tratando-se dos madrilenhos, que possuem uma habilidade sem igual para protestar e pressionar os governos.