terça-feira, janeiro 26, 2010

Venezuela Radicaliza

O regime de Hugo Chávez dá sinais claros de fadiga na Venezuela e corre o risco de balançar. A sucessão dos fatores que colocam seu projeto em risco tem aumentado consideravelmente.

Os sustentáculos do governo chavista tem entrado em colapso com a passagem do tempo. A administração ineficaz da máquina do Estado, ao mesmo tempo que esta avança ferozmente sobre a propriedade privada e as empresas do País, é somente um dos elementos. Outros estão calcados em fatores como a baixa do preço do petróleo, que aliado a incompetência administrativa, tem deixado os venezuelanos literalmente no escuro.

Os apagões e racionamentos são constantes e como se não fosse o suficiente, a incompetência do governo deixou a inflação disparar e e desemprego subir. Como todo o regime de exceção acuado, Chávez resolveu radicalizar ainda mais e avançou sobre o que restava de imprensa livre no país. Com a Venezuela em estado econômico lastimável e população nas ruas, qualquer regime autoritário busca tomar as rédeas da informação, buscando controlá-la a seu modo. Chávez segue o scprit.

Seus aliados começaram a deixar o governo, incluindo-se aí o Vice-Presidente e Ministro da Defesa, a Ministra do Meio-Ambiente e o Presidente do Banco Central.

Se Chávez não tomar cuidado, talvez não seja a oposição que passe a ocupar o Palácio de Miraflores, mas seus antigos aliados.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

PMDB na Vice

Mais uma vez o PMDB será acessório em uma campanha presidencial. Refém de si mesmo, de uma estrutura regionalista, sem diretrizes nacionais, deve partir mais uma vez fracionado para a disputa presidencial.

O capitão do time do PMDB desta vez é Michel Temer e o destino da aliança é com o PT, na chapa de Dilma, ocupando a vice. Apesar de ser especulada a possibilidade de uma lista de peemedebistas para formar a chapa com a petista, não há quem não coloque todas as fichas no próprio Michel, nem o próprio PT, que tem jogado contra.

A chapa Dilma-Michel tem virtudes para o mercado, especialmente parte do empresariado paulista que aposta na manutenção das políticas atuais do governo, coordenadas também diretamente por Michel Temer.

A chapa também possui fraquezas, das quais falaremos mais a frente, assim como a força política da dupla, que será analisada com mais calma em outros comentários.

O fato é que o PMDB indicará o vice, mas fracionado ou não, isto não quer dizer que estará fora do próximo governo, em caso de triunfo tucano. Não se governa o Brasil sem o PMDB e seus cardeais sabem muito bem disso.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Caminho aberto para Renan

A disputa pelo Senado em Alagoas tinha tudo para ser muito acirrada. Além de Heloísa Helena, que desistiu da disputa ao Planalto para garantir oito anos na Casa, outros fortes postulantes buscavam a outra vaga, Ronaldo Lessa e Renan Calheiros.

Renan aparece atrás dos outros dois postulantes nas pesquisas. Lula tratou de salvá-lo. Pediu que Lessa, que possui 44% das intenções de votos, abandone a disputa pelo Senado, abrindo caminho para a recondução de Renan. Lessa, pelo visto topou, mas existem pontos que precisam ser amarrados.

O ex-Governador disse que somente tentará chegar ao cargo novamente se houver uma grande aliança em torno do seu nome. Isto quer dizer PT, PMDB, PC do B, PR e PP. Precisa ainda do apoio explícito de Dilma, para a qual forneceria palanque. Lessa se refere a disputa como um sacrifício que faria por Lula.

Resta, como disse, acertar alguns pontos, como a também possível candidatura de Collor ao governo do Estado. Entretanto, pelo que se desenha, Serra estaria no palanque do atual governador Teotônio Vilela Filho e Dilma fecharia com Lessa.

É esperar para ver os próximos fatos. Apesar de Alagoas ser um estado com pouca densidade eleitoral, possui políticos que influem de forma decisiva na política nacional, daí sua fundamental importância.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Vitória épica em Boston

Desde 1930 o partido Democrata domina a política de Massachusetts. No Senado, a presença beirava a unanimidade. John Kerry, que ocupa uma das vagas, tentou chegar inclusive a Presidência em 2004. O outro, Edward Kennedy, ocupou a cadeira por quase 50 anos, falecendo durante o mandato no ano passado.

Assim uma eleição especial foi convocada. O partido Democrata apresentou Martha Coakley, secretária de Justiça de Massachusetts, e os republicanos escalaram para a disputa o advogado Scott Brown. Martha Coakley iniciou a campanha com larga vantagem, mais de 25 pontos de diferença. Scott Brown foi crescendo e depois de mostrar chances reais de vitória, um alerta foi lançado no Partido Democrata. Barack Obama rumou até Boston para evitar a derrota. Não obteve sucesso. Martha Coakley recebeu 47% dos votos e Scott Brown atingiu 52%. O republicano agora ocupará a cadeira que foi de Edward Kennedy por quase meio século.

A derrota democrata em Massachusetts é também uma derrota para Barack Obama, que hoje lidera o partido e envolveu-se pessoalmente na campanha. Além disso,é inconcebível perder no Estado de mais forte tradição democrata nos Estados Unidos e por fim, deixar nas mãos do republicanos a mais emblemática cadeira do Senado americano, ocupada por Ted Kennedy.

Obama, com a perda da cadeira em Massachusetts, perdeu a maioria legislativa no Senado para aprovar sua reforma do sistema de saúde, seu projeto mais importante. E tudo isso acontece exatamente no aniversário de sua posse na Casa Branca. Obama é o presidente com popularidade mais baixa depois de um ano de mandato na história recente norte-americana.

Massachusetts foi apenas uma prévia do que pode acontecer ainda este ano nas mid-terms elections para o Congresso. Obama precisa mostrar serviço em casa.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Piñera chegou lá

O Chile mostra-se como o mais amadurecido dos países latino-americanos. Isto se deve, antes de tudo, por ser um país com economia aberta, o que proporciona um sistema político oxigenado e plural.

No Chile discute-se idéias. Existem grupos políticos definidos, com visões claras sobre os modelos que podem ser adotados. Mais do que discutir pessoas, na política chilena debate-se sobre projetos de país.

A Concertación, grupo que aglutina os grupos de esquerda no espectro político, governa desde o fim dos tempos de Pinochet e teve um papel importante na transição. Em qualquer momento, entretanto, o grupo ameaçou com a quebra de regras e contratos ou foi seduzido pelo populismo, que no Chile, devido a abertura econômica, não encontraria eco.

A eleição de Piñera traz algo de simbólico na política chilena. Finda a transição, chegou o tempo da alternância democrática e salutar das visões políticas que dirigem o Estado.

O Chile deu uma lição de estabilidade democrática a um continente cercado de políticos e grupos que flertam com idéias e práticas políticas menos nobres.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Mercadante em São Paulo

Realmente as preocupações com a situação do PT em São Paulo se intensificam. Sem um palanque forte para Dilma e um nome consistente para o governo, faz com que uma solução seja encontrada de forma urgente.

Várias saídas já foram cogitadas. Entre elas, o lançamento do nome de Ciro Gomes, além de Antônio Palocci, que em tese teria dificuldade de empinar sua candidatura, e Emídio de Souza, sem a densidade eleitoral necessária para ajudar Dilma.

Por essas e outras surgiu o nome de Mercadante como um candidato que teria a densidade necessária para alavancar uma candidatura consistente e forte, que ajudasse na eleição presidencial.

O problema é que Mercadante pretendia tentar a reeleição para o Senado. Entrar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes é arriscado, já que os tucanos vencem em todas as projeções ainda no primeiro turno. Neste caso Mercadante iria para o sacrifício no sentido de garantir um palanque para Dilma. Estaria disposto a abrir mão de sua reeleição para o Senado?

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Gabeira entra na Disputa

"Se todos se sentirem confortáveis, eu topo". Foi com esta frase que o deputado Fernando Gabeira deu o primeiro passo para concorrer ao governo do Rio.

Entendemos por todos, os sócios na disputa, PSDB, DEM e PPS, que com suas estruturas podem ajudar muito na construção do projeto. Assim, a disputa no Rio vai tomando contornos definidos, já que Garotinho e Cabral também estarão no páreo.

A presença de Gabeira como candidato ao governo também tem uma função política nacional importante, uma vez que abre espaço para Marina e Serra terem um palanque no Rio de Janeiro, que até o momento estava sem um postulante fora da área de influência de Lula.

Se de um lado resolve um problema, do outro o PT ainda possui um pior, a falta de um candidato consistente em São Paulo. Se Gabeira empinar sua candidatura, como fez na cidade do Rio de Janeiro, e impulsionar as candidaturas de Serra e Marina, será preciso um esforço forte do governo para recuperar os votos perdidos no estado do Rio em outros lugares. Votos com os quais contava. Com a decisão de Gabeira, a disputa começa a tomar uma característica nacional.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Eleições na Ucrânia

A "Revolução Laranja" ficou para trás, é o que se escuta em Kiev. Dias antes da eleição presidencial na Ucrânia, os sonhos de uma nação forte e associada à Europa parecem mais distantes.

O líder das reformas e da virada ocidental contra a influência russa, Viktor Yushchenko, está desgastado. A disputa agora se dá entre sua antiga aliada (de idas e vindas) Yulia Tymoshenko e o candidato pró-russo derrotado por Yushchenko em 2004, Viktor Yanukovych.

Tymoshenko, charmosa e polêmica, é atualmente a Primeira-Ministra. Seu carisma impulsiona seus números para além dos 19%. Entretanto, seu oponente, Yanukovych, ultrapassa a barreira dos 40%. Deverá ocorrer segundo turno, mas Yanukovych, impulsionado pela metade da Ucrânia mais ligada à Rússia (e deixada de lado por Yushchenko) está perto de vencer.

A União Européia mais uma vez observa com atenção a eleição ucraniana e a possibilidade da influência russa sobre o país deixa Bruxelas atenta. A falha de Yushchenko em aproximar sua nação do ocidente pode ter jogado a Ucrânia nas mãos do Kremlin.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Fujii deixa gabinete japonês

Hatoyama enfrenta a primeira baixa em sua equipe. Quem deixou o time foi o experiente Hirohisa Fujii, ministro das Finanças e o membro mais experiente do gabinete. O motivo alegado foi sua saúde.

Talvez seja coincidência, mas o fato ocorre exatamente no momento em que Hatoyama começa a ser cobrado por resultados que ainda não chegaram. O substituto, vice-primeiro-ministro Naoto Kan, é conhecido como o "irritável Kan".

Na realidade, Hatoyama perdeu o decano de sua equipe por desentendimentos com o secretário-geral do Partido Democrático, Ichiro Ozawa. Kan é um dos fundadores do partido. Tudo foi recolocado, assim, em seu devido lugar no jogo político.

A taxa de apoio a Hatoyama segue caindo e desceu abaixo dos 50%. Sua desaprovação já passa da casa dos 30%.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

O Vácuo de Dilma

Tudo indica que Dilma ultrapassou os 20% de intenção de votos. Isto ainda precisa ser confirmado por pesquisas de outros institutos, mas se realmente for verdade, será a primeira vez que a Ministra mostrará alguma musculatura própria na corrida presidencial, ainda que impulsionada por Lula.

Para alcançar tal patamar sua agenda foi avassaladora nos últimos anos. No primeiro semestre de 2009 teve em média 51 compromissos mensais em eventos na agenda, subindo na segunda parte do ano para 75. Tudo exposição para se fazer conhecida ao lado de Lula.

O período de preocupação começa com a obrigatória desencompatibilização em abril. A Ministra terá que obrigatoriamente deixar o governo. Não poderá andar com Lula inaugurando obras e participando de eventos. Poderá voltar a berlinda somente em julho com o início da campanha eleitoral. Para aqueles candidatos já conhecidos, como Ciro ou Serra, será um período menos difícil do que para Dilma, ainda desconhecida da maioria do eleitorado.

A Macropolítica, onde trabalho com consultor, calculou que foi necessária a presença da ministra em 768 eventos em 2008 e a 621 em 2009 para chegar aos 20%, ainda colados na popularidade de Lula. Ainda existe muito trabalho a ser feito e a distância dos holofotes entre abril e julho abre um vácuo que precisa ser preenchido por seus consultores políticos, sob o risco de sua candidatura não empinar com a envergadura necessária.

Para enfrentar o período magro, o PT acredita que ela termine abril consolidada acima dos 25%, quase com com 30%. Para isso, precisará mostrar força política própria, especialmente na consolidação dos acordos políticos com seus aliados e carisma pessoal. Se ela passar bem por esse período, chega com chances. De outro modo, corre o risco de ser cristianizada.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Cristóvam pensa no Buriti

Depois do escândalo que abateu o governo José Roberto Arruda em Brasília, o PSDB e José Serra buscam um palanque no Distrito Federal. Paulo Octávio, vice de Arruda, pode concorrer ao Buriti, mas, envolvido nas denúncias que atingiram o governno Arruda, suas chances são pequenas. O nome que desponta como virtual vencedor nas eleições do DF é Joaquim Roriz.

Isto mexeu com os brios do senador Cristóvam Buarque, atualmente no PDT, e adversário histórico de Roriz. Circula que Cristóvam poderia sair candidato ao governo. O cenário, neste caso, pode ser a saída para o governador José Serra no Distrito Federal.

O senador do PDT está rompido com o PT desde que deixou o partido. No Distrito Federal, o candidato do PT é Agnelo Queiróz, ex-PC do B. Se Cristóvam decidir entrar na disputa, a candidatura de Agnelo seria abalada, pois o senador tem eleitores entre aqueles simpáticos ao PT.

Cristóvam é grato aos tucanos, que apoiaram sua candidatura em 1994, mesmo que no plano nacional PSDB e PT tivessem travado uma batalha eletoral. Resta saber se ele abrirá mão de uma eleição praticamente garantida ao Senado, que lhe daria oito anos de mandato, pela incerteza da disputa ao governo do DF, onde Joaquim Roriz ostenta mais de 40% das intenções de voto.

Existe mais um ponto a ser considerado. O PDT tende a sair de mãos dadas com Dilma, capitaneado pelo ministro Carlos Lupi. Em caso de acordo entre Cristóvam e os tucanos, os trabahistas teriam que abrir mão da dobradinha no Distrito Federal, algo delicado de ser negociado.

Mas que tudo isso seria perfeito para tucanos, ah isso seria.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Cabral criticado

Os deslizamentos em Angra dos Reis atingem de forma direcionada o governador do Rio, Sérgio Cabral. As primeiras e mais contundentes críticas vieram da demora do governador em aparecer, chegando a levantar suspeitas de que ele estava no exterior. Não estava, ao contrário, encontrava-se perto de Angra, assim como o ministro do Meio-Ambiente, Carlos Minc.

O Vice-Governador do Rio, no vácuo deixado por Cabral, apareceu em Angra dos Reis já no primeiro dia do ano, coordenou a ação do governo, prestou solidariedade as vítimas e atendeu pacientemente a imprensa, ou seja, se fez presente, da maneira correta no momento mais importante. Luiz Fernando Pezão fez aquilo que se esperava de Sérgio Cabral.

Carlos Minc nem passou por Angra, deixando logo o estado do Rio e até o momento não se pronuniciou sobre uma matéria que é um dos assuntos principais de sua pasta. Cabral, com atraso, chegou até Angra dos Reis, mas neste momento não havia mais muito o que fazer. Pezão já tinha ocupado o espaço necessário no calor do momento, quando a população necessitava respostas, auxílio, solidariedade e ações diretas do Estado.

Agora a cobrança sobre o governador do Rio será incansável, especialmente em ano eleitoral. Cabral abriu um flanco de ataque político desnecessário, que seria coberto facilmente com sua ação pessoal imediata depois dos deslizamentos em Angra. Seus adversários políticos já começaram a se movimentar, lembrando que em junho de 2009, Cabral assinou o decreto nº 41.921, que flexibilizou as regras de construção na Área de Proteção Ambiental, o que atinge o ponto central da questão em Angra dos Reis. Cabral terá que correr atrás do tempo perdido.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Serra e Marina?

Começa a tomar forma uma operação que pode alterar de forma substancial a eleição presidencial. Primeiro discutida reservadamente entre tucanos e depois já divulgada pela imprensa, uma possível aliança entre Serra e Marina.

A possibilidade surge com a desistência de Aécio de ser companheiro de chapa de Serra e com o desgaste do DEM com o caso Arruda. O PPS, também aliado, é candidato a fornecer um nome, mas nenhum cairia tão bem quanto o de Marina Silva.

As chances reais do projeto se concretizar ainda são pequenas, mas se for fechada, a aliança do PV com o bloco oposicionista indicando a candidata a vice, causaria danos irreparáveis para a candidatura Dilma.

Além de Marina ser mulher e neutralizar este aspecto na candidatura Dilma, o nome da ex-ministra de Lula quebraria a estratégia central da candidatura petista, que é o caráter plebiscitário do pleito, comparando as presidências de Lula e FHC. Serra e Marina juntos fornecem a continuidade das duas gestões e a manutenção daquele aspecto ético do petismo que levou Lula até a Presidência e que foi perdido durante sua gestão.

Marina tem aquilo que falta a Serra e ele exatamente aquilo que completa Marina. Seria uma forte dupla. No governo, será a grande possibilidade de ex-ministra ver sua agenda realmente implementada.

Uma aliança Serra/Marina alteraria o jogo presidencial de forma definitiva.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Os ventos do Sul

Como a influência dos palanques regionais para a sucessão presidencial é grande e os primeiros nomes nas disputas para os governos já despontam, as primeiras pesquisas já começam a apontar cenários.

No sul as tendências aparecem já de forma clara. No Paraná a disputa está acirrada entre Beto Richa (40%) e Osmar Dias (38%). O candidato do governador Requião, Orlando Pessuti, patina nos 5%. Dilma deve descer no palanque de Dias, do PDT, e o candidato tucano, provavalmente Serra, no de Beto Richa. O problema para Dilma é que Álvaro Dias, irmão de Osmar, é um dos mais ferrenhos opositores do governo federal. Algumas peças ainda podem se mover. A conferir.

Em Santa Catarina, Ângela Amin, do PP, sai na frente, com 31%. Depois vem Raimundo Colombo, do DEM, com 18% e Ideli Salvati, do PT, com 14%. Resta saber para que lado irá a candidatura de Ângela, já que Dilma deve desembarcar com Ideli e Serra com Colombo. Vale lembrar que Ideli chega ao fim de seu mandato no Senado nesta eleição. Avaliará se vale a pena ir para o sacrifício para garantir um palanque para Dilma ou disputar a reeleição para o Senado, uma tarefa mais fácil e que renderá mais oito anos em Brasília.

No Rio Grande do Sul, PMDB e PT devem ir para disputa direta. Tarso e o PT nem cogitam aliança com o PMDB para fortalecer Dilma. O consórcio eleitoral PMDB/PT rachou no Rio Grande. Fogaça, prefeito de Porto Alegre, buscará o governo e o anúncio de sua candidatura catapultou seu nome para os 30%. Tarso caiu e alcança os mesmos 30%. Yeda, atual governadora, tem parcos 5% e o PSB de Beto Albuquerque, 7%. A disputa será como sempre no Rio Grande do Sul, voto a voto. Serra e Dilma tem palanques bem definidos.

Como vemos, alguns movimentos poderiam mudar sensivelmente o cenário. Se Lula enquadra o PT no Rio Grande, sorte de Dilma, e se Aécio fosse o candidato, poderia forçar uma derrota histórica para Dilma no Paraná e Santa Catarina. Mas de acordo com que se apresenta, o cenário de saída já está posto.

terça-feira, dezembro 22, 2009

A Eleição passa por Minas

Assim como teremos disputa presidencial no próximo ano, o mesmo ocorrerá nos estados. A influência eleitoral de um pleito sobre o outro começa a tomar forma.

São Paulo, até o momento, constitui-se no estado mais dramático para Dilma. Lá, em todos os cenários, os tucanos vencem no primeiro turno, seja com Alckmin ou Serra. Além disso, o Governador possui um alto patamar de transferência de votos, avaliado em 39%.

Já o Rio de Janeiro é motivo de preocupação para os tucanos. Estes esperavam que Fernando Gabeira disputasse o governo. Engano. Gabeira vai mesmo disputar o Senado. Lá, Sérgio Cabral, aliado de Lula e Dilma, lidera com 37%. Garotinho, outro aliado do petismo, alcança 24% e Lindberg Farias (que não deve disputar) chega a 8%. Os tucanos não tem postulante ao Palácio Guanabara. César Maia aparece com 13%, mas não sairá candidato, prefere o Senado. No Rio, Dilma já abre vantagem sobre Serra.

Minas Gerais será outro estado interessante. A posição de Aécio é estratégica e deve impulsionar os números de Anastasia, que atualmente bate em 10%. Hélio Costa, que lidera as pesquisas e teoricamente é aliado de Lula, deve sair pelo PMDB e o PT hesita entre Patrus Ananais e Fernando Pimentel. Um embate entre PMDB e PT em Minas pode beneficiar Serra, ainda mais se Aécio realmente se empenhar na campanha.

Os números destes estados devem ser considerados porque seu movimento pode decidir a eleição. Se a margem aberta por Serra for ampla em São Paulo, será muito difícil reverter o quadro, ainda mais se Aécio mostrar resultados em Minas. Cabe aos tucanos, de forma urgente, encontrar uma saída para o Rio de Janeiro. No caso petista, a vantagem vem do Rio, mas encontrará em Minas uma situação a ser resolvida.

Enfim, mais uma vez a eleição para por Minas e no cenário atual Aécio pode ser o grande eleitor da sucessão.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Datafolha

A pesquisa realizada pelo Datafolha mostra uma acomodação dos números, especialmente com a saída de Heloísa Helena da disputa. Se compararmos com a pesquisa anterior, vemos um direcionamento dos votos de Heloísa para Marina e Dilma, sem reflexos para Serra.

Com Ciro Gomes na disputa, o novo cenário traz Serra na dianteira com 37%, Dilma sobe para 23%, Ciro atinge 13% e Marina 8%. Sem o nome de Ciro, Serra chega a 40%, Dilma crava 26% e Marina 11%. Vemos que para garantir a realização de um segundo turno, neste momento, a presença de Ciro é indispensável. Sem ele, Serra liquida a fatura no primeiro turno.

O crescimento de Dilma é um fato interessante, mas é preciso ser confirmado pelos outros institutos. O importante é enxergar que nos cenários apresentados ela rompe a barreira dos 20%, mas é preciso entender que Heloísa Helena deixou a disputa, portanto, estes podem ser votos herdados e não conquistados pela Ministra de Lula. Isto precisa ser verificado.

Nas simulações de segundo turno, Serra (respectivamente 49% e 51%) bate com folga tanto Dilma (34%) quanto Ciro (28%).

Dois dados interessantes. Dilma possui seus melhores números entre os de maior renda e possui fraco desempenho entre as mulheres. Se conseguir melhorar sua performance nas camadas mais baixas com a ajuda de Lula e fazer valer sua condição de mulher, pode subir mais um pouco.

Entretanto, se o PT não conseguir penetrar em São Paulo, de nada adiantará seu esforço. Mas este é um assunto para mais adiante.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

O Jogo de Aécio

Aécio Neves é mineiro. Neto de Tancredo Neves. A política em Minas é feita de modo peculiar e é preciso entendê-la. Aécio desistiu de buscar a indicação do PSDB neste momento, o que não quer dizer que não continue no jogo.

Ontem, no twitter, publiquei que Serra disse que será candidato apenas se as chances de vitória forem “muito concretas”. Se até março Dilma decola e Serra não sente-se seguro, todos se voltarão para Aécio. O Governador de Minas diz que esta chance não existe, uma vez que ele perderia o timing da costura de uma aliança mais ampla.

Talvez sim, talvez não. Aécio precisa romper as barreiras de Minas, tornar-se um nome nacional para conseguir atingir o Planalto no futuro. Esta campanha o deixaria de evidência.

O DEM já circulou a tese de que apoiaria uma chapa Serra-Aécio. Mais uma vez os holofotes voltam-se para o Governador mineiro. Mesmo se não for o vice, ele carrega os valiosos votos de Minas Gerais. Como vemos, em todas as situações, Aécio, saindo agora de cenário, torna-se o bem mais valioso em disputa na política nacional.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Festa em Timisoara

As comemorações na cidade romena de Timisoara tem razão de ser. Foi ali que há 20 anos começou a revolta que colocaria fim ao brutal regime socialista do ditador Nicolau Ceausescu.

Tudo foi muito rápido. Depois da Queda do Muro de Berlim, os regimes comunistas foram caindo um a um em 1989. Na Romênia tudo começou com a resistência do pastor Laszlo Toekes, transferido de forma arbitrária para uma área rural, onde não ofereceria risco ao regime de exceção socialista.

A população revoltou-se. Em pouco tempo o movimento cresceu e chegou as ruas de Bucareste. A repressão foi violenta. Apenas em Timisoara, 118 pessoas foram mortas. Exército, polícia e a Securitate, que contava com mais de 700 mil informantes, não foram páreo para a revolta popular contra o socialismo.

Nicolau Ceausescu e Elena, sua esposa, foram executados em praça pública pela população no dia de Natal. Era o fim dos tempos sombrios na Romênia.

Possuo muitos amigos romenos, muitos deles fugiram dos horrores do comunismo. Em Bucareste existe a Piata Revolutiei (Praça da Revolução), para lembrar a vitória contra o comunismo em 1989, passagem obrigatória de todas aqueles que visitam a bela capital romena.

Por isso as comemorações em Timisoara renovam-se a cada ano. Lembrar o fim de um pesadelo é a melhor maneira de evitar sua repetição.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Ato Falho de Dilma



Este é o vídeo do momento no You Tube. A ministra Dilma Rousseff fala durante a COP15 em Copenhague. Suas palavras foram as seguintes: "O Meio-Ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável e isso significa que é uma ameaça para o futuro do nosso planeta e dos nossos países".

Quem conhece Dilma e sabe das batalhas que travou contra Marina Silva, quando esta ocupava a pasta do Meio-Ambiente, entende que é de duvidar se realmente a candidata de Lula se enganou.

Como se não fosse o bastante, Dilma entrou em rota de colisão com Carlos Minc, ministro do Meio-Ambiente, desautorizando-o em plena conferência. Agora, segundo fontes, o ministro circula isolado pelos corredores da COP15.

O temperamento da ministra, mais uma vez, tem sido apontado como seu pronto fraco e tudo leva a crer que o trabalho de sua equipe de campanha será duríssimo.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Aécio, o conciliador

José Dirceu disse que Aécio Neves já comunicou ao grão-tucanato que não será candidato a Presidente. Aécio rebateu alegando que ainda busca a indicação do partido e que sua estratégia de ampliar o leque de apoios em torno do seu nome continua em curso, incluindo aí partidos da base do governo petista.

A alegação de Dirceu deu margem para Aécio ir além, pois segundo ele é preciso tirar o escopo plebiscitário do pleito e adiantou seu discurso de campanha, no estilo da política mineira: "(...) O que está em jogo não é ser contra ou a favor o presidente Lula. O que está em jogo é quem tem melhores condições de fazer o governo menos aparelhado pela burocracia partidária, mais oxigenado do ponto de vista da qualidade, dos objetivos".

Em Minas, Pimentel ganhou a disputa interna do PT, mas Hélio Costa ganhou no PMDB. Se o PT não se entender com o PMDB e houver um racha, pode surgir um palanque inusitado em Minas para o candidato tucano.

Aécio trabalha nos bastidores, como sempre faz com habilidade. A sucessão, como sempre digo, não pode deixar de passar pelas Minas Gerais.