sexta-feira, dezembro 21, 2007

Blair, o Católico

Agora é oficial, mas há muito já se especulava. Tony Blair converteu-se ao catolicismo nesta sexta-feira em uma cerimônia íntima na presença do Cardeal Cormac Murphy-O'Connor.

A mulher e os filhos do antigo Primeiro-Ministro britânico são católicos, ele é escocês e muitas vezes atendia a serviços da igreja católica com a sua família. Com o fim de seu governo muitos esperavam que finalmente ele apresentasse formalmente sua conversão ao catolicismo.

A chefe da Igreja Anglicana, sabe-se, é a Rainha Elizabeth II. O Arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, delcarou: "Um grande católico do século passado escreveu que a única razão para mover-se de uma família cristã para outra é aproximar-se de Deus. Rezo para que esse seja o resultado da decisão de Tony Blair em sua vida pessoal" .

Blair, que foi responsável por avanços importantes nas negociações entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte sentiu-se livre finalmente para tomar uma decisão pessoal, mas que se tomada no governo, poderia trazer problemas que poderiam afetar o processo de paz.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Bélgica. Finalmente um governo?

Já eram sete felizes meses sem governo, mas a Bélgica insiste em formar um executivo, pelo menos para atender os assuntos mais urgentes.

O governo ainda é provisório e deve funcionar até finais de março e foi articulado pelo Primeiro-Ministro que já deveria ter deixado o governo, Guy Verhofstadt. A coalizão funcionará com cinco partidos.

Mas isto não termina com o impasse entre flamencos, que exigem mais autonomia, e francófonos do sul. A Bélgica, em termos de governo, respira por aparelhos. E isto não é necessariamente uma má notícia.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Putin, a Personalidade do Ano

Pois a Time divulgou hoje sua escolha para a Pesonalidade do Ano de 2007. O Presidente (e provável) futuro Primeiro-Ministro da Rússia, Vladimir Putin, foi o eleito.

A escolha é polêmica, ainda mais considerando que os outros candidatos eram nomes de peso, como Al Gore.

Enfim, Putin foi escolhido pela sua enorme capacidade de fornecer estabilidade para seu país quando este mais necessitava. Vale lembrar, entretanto, o alto custo desta estabilidade, como falta de liberdade de expressão e diria até várias liberdades civis.

Mas se abrir mão das liberdades para obter estabilidade é o que conta, Putin tem o que comemorar, pois aos poucos se torna o novo Czar russo.

Mas prefiro ficar com Hayek e todos os pensadores liberais. Nada justifica a ausência da liberdade. E para terminar, uma pequena frase de Benjamin Franklin, talvez esquecida por aí..

"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança".

terça-feira, dezembro 18, 2007

Sarkozy sendo Sarkozy

Sarkozy assumiu, depois de mais de dois meses de separação de Cecília, que tem uma nova namorada, a bela Carla Bruni, de 39 anos.

Ela é italiana, já foi modelo, escreveu canções, cantou, gravou albuns. Tudo isto é o que menos interessa. O recado de Sarkozy chega a ser de um humor refinado, pois escolheu a parada de Natal na Euro Disney, nos arredores de Paris, para aparecer ao lado dela.

Se vai durar, não há como saber, mas Sarkozy deu o recado, no mesmo momento de timing político perfeito para um movimento que chamou a atenção da mídia. Afinal, era apenas Sarkô sendo Sarkô.

sábado, dezembro 15, 2007

Depois de Paris, Kadhafi na Espanha

(de cidade da Praia, Cabo Verde). Logo que deixei a Espanha fiquei sabendo que o Coronel Muammar Kadhafi estaria pousando em Sevilla para uma série de visitas oficiais. O líder líbio parece estar realmente determinado a construir uma nova imagem perante os líderes ocidentais.

Chegado de Paris, Kadhafi ficará quarto dias na Espanha, começando por Sevilha. Segundo os jornais ABC e El Mundo, de tendência mais conservadora, um encontro com o ex-Presidente de Governo José María Aznar deve ocorrer ainda hoje.

Nos dias restantes, Kadhafi encontra-se com o atual Presidente de Governo, José Luis Rodrigues Zapatero e almoça com o Rei Juan Carlos.

Ainda é muito difícil não ser cético em relação a Kadhafi, entretanto, se seus movimentos são genuínos, ele pode representar uma ponte geopolítica muito importante em relação ao mundo árabe.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

O Futuro do Kosovo passa por Belgrado

(de Tenerife, Espanha). O prazo chegou ao final e nada foi decidido. A idéia reinante em Bruxelas é no sentido que enxergar a União Européia como um mecanismo facilitador para qualquer tipo de acerto. O tema foi discutido no Conselho de Europeu dos Chefes de Governo durante esta semana.

O Kosovo deve ser independente, esta é a minha posição, ou seja, não é possível que o território volte ao domínio sérvio. Esta também é a opinião de muitos analistas e de alguns chefes de Estado, como Nicolas Sarkozy. O Presidente francês deixou claro sua posição em Bruxelas, quando disse que a independência do Kosovo é inevitável.

Para alcançar isso, a UE acenou com a possibilidade de barganhar com Belgadro um acesso rápido da Sérvia para o clube Europeu. Entretanto, mesmo antes de a oferta ser formalmente realizada, o Ministro sérvio de Relações Exteriores, Vuk Jeremic, disse que iria se opor a qualquer oferta neste sentido.

Acredito que a UE deve estar atenta aos reais oferecimentos dos russos para o governo de Belgrado em contrapartida, o que pode aumentar a barganha, já que Moscou deseja deixar a Sérvia como sua área de sua influência.

Os interesses econômicos são importantes, mas o negociadores devem estar cada vez mais atentos as raízes dos povos em questão, sua história e conexões culturais. Resta saber se Belgrado está mais próxima de Bruxelas ou de Moscou.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Dimitri Medvedev. O nome de Putin para governar a Rússia

(de Casablanca, Marrocos). Finalmente Putin escolheu o nome que representará seu grupo político nas eleições de 2 de março. Será Dimitri Medvedev.

Pode-se dizer que o nome do atual vice-primeiro ministro foi recebido com surpresa por uns e com naturalidade por outros. Explico. Especulava-se que Putin buscaria um nome fraco para ocupar a Presidência, enquanto prepararia sua volta – isto facilitaria enormemente o processo. Neste sentido o nome de Medvenev é uma surpresa, pois é um nome forte. Mas se de um lado as coisas são vistas desta forma, de outra, seu nome é encarado também como uma opção natural, já que era um dos dois principais colaboradores de Putin, juntamente com Ivanov.

Medvenev é de S. Petesburgo, ou seja, faz parte do grupo fiel a Putin e tem a mesma origem geográfica que o Presidente. Entretanto, Medvenev nunca fez parte dos quadros da KGB ou da sucessora, FSB, não sendo desta forma um silovoki puro, ou seja, o grupo oriundo dos serviços de inteligência que mantém o controle sobre a Rússia atualmente.

Com 42 anos, Medvenev é um nome com muito mais futuro que passado na política russa. Sua escolha, portanto, mostra o alto grau de confiança que Putin coloca em seu aliado. Naturalmente Medvenev já sugeriu o nome de Putin como Primeiro-Ministro se vencer as eleições. A avalassadora vitória do partido de Putin, “Rússia Unida”, nas eleições mostrou o peso da liderança do atual Presidente, que encabeçou as listas.

Finalmente a política russa começa a tomar os contornos idealizados por Putin. Os movimentos iniciados já fornecem uma idéia mas clara do que virá. Medvenev como Presidente, Putin como Primeiro-Ministro. Este é o caminho que seguirá a Rússia, pelo menos no curto prazo. Uma inversão destes papéis no futuro não pode ser descartada.

sábado, dezembro 08, 2007

Prodi pede voto de confiança na Itália

(de Málaga, Espanha). O governo de Romano Prodi sempre se equilibra de forma perigosa no poder. Desta vez não foi diferente. O Primeiro-Ministro italiano propõe mudanças substanciais na lei de imigração. O ponto polêmico é a possibilidade de expulsão de cidadãos de outros membros da UE que sejam considerados perigosos pela Itália.

A proposta de Prodi é polêmica, e na minha opinião equivocada. Primeiro porque é populista – uma lei desta calibre não pode basear-se apenas na situação detonada pelos imigrantes romenos. Além do mais expulsar pessoas de seu território não resolve problema algum, apenas pode passar a vaga sensação de que o governo está agindo. O outro motivo é a UE. A lei entra em choque com todos os elementos de integração na qual a União Européia é baseada.

Assim, as medidas foram atacadas tanto pela esquerda como pela direita italiana e Prodi pediu um voto de confiança ao Parlamento. Seu governo somente salvou-se (mais uma vez) da demissão porque os senadores vitalícios novamente salvaram o PM da degola. Foram 160 votos a favor e 158 contra. O processo da confiança foi vencido, mas agora a polêmica lei de imigração vai a votação.

A medida de Prodi pode ser um daqueles elementos que podem levar a deterioração da UE no longo prazo. Se a União deseja continuar a existir, deve se ater aos seus elementos fundamentais e basilares, de outro modo, a engenharia da UE, presente em um continente tão complicado e complexo como o Europeu, estará com os dias contados.

Bruxelas deve ficar com olhos bem abertos e atenta aos movimentos políticos atuais em Roma.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Yulia está de volta

(de Tunis, Tunísia). Yulia Timoshenko está de volta formalmente ao jogo do poder na Ucrânia. Este é um fato muito importante para o Oeste e para aqueles que defendem uma maior aproximação da Ucrânia com a União Européia e Estados Unidos.

Respeitando o resultado das eleições, Viktor Yushenko pediu ao parlamento que aceite o nome da bela Yulia como a nova Primeira-Ministra. É uma segunda chance para o grupo de Yushenko e Yulia, que não resistiu por muito tempo depois da Revolução Laranja.

Yanukovich deixa o poder e as relações com a Rússia devem passar por uma fase delicada. Cabe exclusivamente a Yulia e Yushenko acharem a sintonia fina necessária para que Ucrânia se mova definitivamente ao Ocidente. Talvez seja a mais preciosa e também última chance do grupo laranja.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

CDU reclama comando alemão pleno

(de Dubrovnik, Croácia). A "grande coalizão" que governa a Alemanha tende a dissolver-se em breve. O Congresso da CDU terminou ontem em Hannover com um grande show de Angela Merkel. Ela é, sem dúvida, a grande liderança do partido.

Merkel atacou o SPD, que se move em direção ao socialismo, de acordo com o termo cunhado no último congresso das esquerdas alemãs. As palavras de Merkel, que veio do Leste alemão, foram definitivas e reproduzo aqui porque considero impecáveis:

"O socialismo causou suficientes danos na Alemanha. Não queremos nunca mais o socialismo, não podemos nunca mais nos submeter e perder nossa liberdade. Socialismo democrático é uma contradição em si mesma, não encaixa na mesam lógica. O socialismo sempre acaba em totalitarismo".

Ela foi impecável. Merkel é fabulosa.

sexta-feira, novembro 30, 2007

A Bélgica em Crise

(de Veneza, Itália). A Bélgica ainda não achou uma solução para a crise de identidade que afeta o país. Completamente dividida, a Bélgica está sem governo há mais de 170 dias.

Tudo indica que o vencedor das eleições, Yves Leterme, deve desistir, pois seus esforços de formar um governo estão sendo em vão.

Estive há pouco em Bruxelas e por lá cresce um movimento de orgulho em relação a país, um último esforço daqueles que sentem-se belgas para que o país não termine. Vejam a foto que publico com esta postagem.

Entretanto, o Guy Verhofstadt, o primeiro-ministro que deveria sair continua despachando ordinariamente, enquanto o impasse não se resolve.

A Bélgica segundo uma piada entre os liberais é o melhor exemplo que uma sociedade pode sobreviver muito bem sem governo..

quarta-feira, novembro 28, 2007

Kosovo e Sérvia. Fracassa a tentativa de acordo

(de Viena, Áustria). Acabou em Baden, na Alemanha, a rodada de negociações entre Kosovo e Sérvia, amparados pela mediação internacional, com o objetivo de definir o futuro do Kosovo.

Tudo ficou como estava. A Sérvia propõe ampla autonomia, enquanto o Kosovo não aceita nada menos do que a independência.

Atualmente o Kosovo é administrado pela ONU e depois das eleições ocorridas recentemente, tudo indica que uma decisão de independência unilateral seja declarada. Pelo menos esta é a posição do Primeiro-Ministro Hashim Thaçi.

Se esperava aqui em Viena, onde ocorreram grande parte das negociações, que algo pudesse ser acordado até o prazo final, dia 10 de dezembro, mas depois da reunião fracassada em Baden, decidiu-se que o período de negociações com a mediação atual foi encerrado.

terça-feira, novembro 27, 2007

O futuro da Grécia

(de Viena, Áustria). A Grécia precisa de reformas, especialmente aquelas que podem levar mais liberdade econômica e dar musculatura ao potencial que o possui. Durante os dias que passei em Atenas verifiquei as reações e o território político por onde circula o governo recém reeleito de Costas Karamanlis.

O Primeiro-Ministro lançou-se em um jogo arriscado, assim como vários outros governantes que cederam aos pedidos partidários de antecipação das eleições. O resultado foi que sua base parlamentar saiu arranhada, com a perda de 14 cadeiras no Parlamento. O bloco conservador de Karamanlis agora possui uma estreita margem de 2 votos a favor, em um Parlamento com 300 membros.

Há 30 anos não se enxergava um Parlamento tão equilibrado na Grécia. Isto significa que o principal objetivo de Karamanlis, que residia no avanço das propostas de livre mercado, talvez seja bloqueado pelo grupo alinhado mais a esquerda. Seria uma pena para a Grécia.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Berlusconi prepara sua volta?

(de Atenas, Grécia). Já há alguns dias gostaria de registrar o anúncio de Berlusconi, que deu sinais de sua estratégia de retorno ao poder.

O ex-Primeiro Ministro disse que o sistema bipartidário italiano não funciona mais e que uma reforma política é imperativa na Itália. Assim nasceu seu novo partido, que ainda não tem nome, mas nasce com o sugestivo nome de "O Povo da Liberdade" ou " Partido da Liberdade", como especulamos há alguns meses.

Seria a bela líder dos Círculos pela Liberdade, Michela Vittoria Brambilla um dos trunfos de Berlusconi? Vale a pena ficar atento. A política italiana é mesmo curiosa..

domingo, novembro 18, 2007

O Gabinete de Tusk

(de Varsóvia, Polônia). A capital da Polônia é um lugar admirável. Atacada e ocupada diversas vezes soube manter sua beleza e os poloneses sua alma. A cidade, que recebe fundos da União Européia representa muito a nova Polônia que emergiu com o fim do pesadelo do comunismo. Em Varsósia Donald Tusk tomou posse como o novo Primeiro-Ministro, assim como seu gabinete, que durou duas semanas a mais do se esperava para ser fechado e apresentado.

O gabinete de Tusk difere muito do shadow cabinet que mantinha como líder da oposição. Isto claramente representa o jogo de forças parlamentares que ele representa, mas aqui em Varsóvia se fala muito da força com a qual seu partido, o Plataforma Cívica, apresentou nas eleições, alcançando a maioria da Sejm, câmara baixa do parlamento polonês. Nas últimas eleições, em 2005, o PO havia atraído 2,5 milhões de eleitores. Nesta eleição, além de seus votantes, contou com a atração de mais de 1,5 milhão de novos eleitores, em especial, curiosamente, 500 mil vindos do PiS dos irmãos Kaczyński. Vale lembrar que a eleição teve caráter plebiscitário para o PiS, que jogou suas fichas em uma estratégia equivocada e arriscada.

A primeira boa notícia do governo Tusk é a redução do número de ministérios, de 19 para 17. A segunda é um razoável número de experts independentes, que podem trazer uma formidável renovação em diversas pastas. Vejamos em um primeiro plano a política exterior. O ministro da Defesa, Bogdan Klich (PO) já foi responsável pela relação da Polônia com a Otan e o novo titular da pasta de Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, já serviu na pasta da Defesa durante parte do governo de Kaczyński. A indicação que fica é no sentido de que Tusk será muito pragmático e não pretende comprometer suas boas relações com os Estados Unidos. Uma tendência de mais preocupação com o papel da Polônia frente a UE é esperado, mas de forma dosada, na minha opinião.

Os ministérios das Finanças, Justiça, Educação e Desenvolvimento Regional ficaram com nomes sem ligação com partidos políticos. A tarefa mais difícil, na minha opinião, está nas mãos de Zbigniew Cwiakalki, que substitui Zbigniew Ziobro, foco de discórdia no país, uma vez que tendia a uma postura agressiva, quase intimidatória dos Kaczyńskis. Cwiakalki, um respeitado professor de Direito, deve corrigir isso.

O ministro do Interior, estratégico em todos os países europeus, não poderia ficar longe da influência direta de Tusk. Grzegorz Schtyna, que já foi secretário-geral do PO e amigo pessoal de Tusk assumiu a pasta.

Por fim, uma das mais importantes tarefas, a regulação dos serviços privatizados ficará com um nome do PO, Aleksander Grad.

Percebe-se que Tusk blindou um núcleo central, fundamental na estrutura política, ligando a espinha dorsal do governo ao PO. Deixou uma área gerencial a cargo dos técnicos e deu sinais claros do que pretende fazer em política exterior.

Esta foi a impressão que tive aqui em Varsóvia sobre o que será o novo governo. Hoje a Polônia tem uma direita liberal e moderna. Acredito muito em Tusk e sou um entusiasta das mudanças saudáveis que seu governo pode trazer para a Polônia, para mim, o mais admirável país do antigo Leste Europeu aterrorizado pelo comunismo.

Vamos conferir, analisar e acompanhar as mudanças.

sábado, novembro 17, 2007

Tusk assume na Polônia

(De Viena, Áustria). Na última semana Donald Tusk assumiu de fato as rédeas do governo na Polônia.

O partido de Tusk venceu as eleições contra o Lei e Justiça (PiS), partido dos irmãos Kaczynski, que governaram a Polônia por cerca de três anos. O PO de Tusk elegeu 209 deputados de uma assembléia de 460 e para formar maioria absoluta entrou em acordo com o partido campesino (PSL) que fornece os valiosos 31 deputados necessários para a maioria.

Apesar de Jaroslaw Kaczynski ter deixado o poder, seu irmão segue como Presidente do país e aí está o ponto de atrito que pode trazer problemas.

Os irmãos Kaczynski, em especial Jaroslaw, conduziam a economia da Polônia com sucesso, dentro de altas taxas de crescimento. Entretanto, o problema residia em especial na agenda moral do PiS, que levou a Polônia a certos embates, inclusive internacionais. Os Kaczynski levaram a Polônia a uma espécie de cruzada moral em defesa de valores tradicionais e católicos, uma agenda que continha inclusive ataques, mesmo que verbais, contra homossexuais. Isto irritou os partidos mais liberais, como o Plataforma Cívica, que chega ao poder agora.

Apesar de gostar em certa medida das políticas de cunho econômico do PiS, realmente sua cruzada moral foi além do aceitável. Acredito que as pessoas tenham plena liberdade, limitadas pelas liberdades alheias. O PiS pareceu não entender isso.

A Polônia toma um novo rumo com o Plataforma Cívica. Apesar de divergir de algumas de sua políticas internacionais, acredito que podem acabar com a rebeldia dos Kaczynski, especialmente em relação a Europa. Quanto a aproximação com os Estados Unidos, acredito que o pragmatismo de Tusk pode ser mais forte, abrindo flancos de negociação quanto aos pontos chave, como a implantação do escudo de mísseis na Polônia.

No fundo acredito que é uma boa mudança. Estarei em Varsóvia nos próximos dias para acompanhar os primeiros passos da nova política de Tusk e do Plataforma Cívica. Por enquanto, cabe aos gêmeos Kaczynski, especial ao irmão Lech, que segue na Presidência, um pouco mais de moderação e equilíbrio e respeito pelas liberdades individuais.

sexta-feira, novembro 16, 2007

A volta do Partido Único na Rússia?

De Viena, Áustria. Este cartaz ao lado faz parte da campanha do patido de Valdimir Putin para as eleições parlamentares que ocorrerão em dezembro. Como já disse aqui, a tática anunciada por Putin para manter o poder passa pela Duma.

Proibido constitucionalmente de concorrer a um terceiro mandato, Putin anunciou que encabeçará as listas de seu partido para as eleições parlamentares. Isto leva a uma situação inusitada. Com altas taxas de popularidade, Putin será uma locomotiva de atração de votos para seu partido, Rússia Unida. Este fato servirá praticamente para extingüir o pluripartidarismo no país.

A lei eleitoral russa fixa uma cláusula de barreira de 7% para os partidos políticos. Na atual situação, com Putin encabeçando as listas da Rússia Unida (RU), este atingiria 67% dos votos, ou 372 deputados. O único outro partido capaz de ultrapassar a cláusula será o comunista, com 14%. Vale lembrar que a Duma possui 450 deputados.

Portanto, a impossibilidade de um terceiro mandato consecutivo servirá de justificativa para a avassaladora vitória da Rússia Unida, pelas mãos de Putin. Depois de conseguir praticamente o controle total do parlamento, o atual Presidente poderá voltar ao Kremlin.

A disputa presidencial para escolha daquele que esquentará o lugar para a volta de Putin ao poder está equilibrada. Serguei Ivanov tem 25% e Dmitri Medvedev 24%. Mas aposto minhas fichas em um candidato mais fraco, que não faça sombra para a volta de Putin, o atual Primeiro-Ministro Victor Zubkov, que já possui 20% e será catapultado a uma vitória com a ajuda do Presidente, se for escolhido como candidato dos "siloviki".

Dezembro poderá ser o mês da grande virada sonhada por muitos na Rússia, o dia em que o país voltará aos tempos de partido único, praticamente institucionalizando a lei dos "siloviki". Mas como sempre digo, por enquanto, "nyet faktov, tolko versii". A conferir, com extrema atenção. Vale lembrar que observadores internacionais não serão admitidos para acompanhar as eleições.

quinta-feira, novembro 15, 2007

O primeiro grande teste de Sarkozy

De Viena, Áustria. Como prometido pelos sindicatos, finalmente a onda de greves começou na França. O objetivo é frear uma reforma no sistema de previdência proposto pelo governo de Nicolas Sarkozy. Este, entretanto, é o primeiro ato de um processo que deve continuar pelos próximos anos, já que esta é apenas a primeira reforma robusta que Sarkozy pretende passar contra os privilégios de certos grupos na economia francesa. Depois da previdência, virá a grande e profunda reforma, no próxima ano: a trabalhista.

Mas um fato deve ser ressaltado nesta semana de agitações pela França: o apoio recebido pelo seu Presidente. A maioria dos franceses está ao lado de Sarkozy e até os jornais mais identificados com a esquerda, como o Libération, mostram pesquisas que apontam quase 60% de apoio da população em relação as medidas. O apoio certamente é maior do que isso.

Além do mais, Sarkozy não entrou despreparado nesta guerra. Primeiro, vale lembrar, foi eleito pela imensa maioria dos franceses com a promessa de acabar com os resquícios de 1968 e de reformar as arcaicas estruturas paternalistas francesas, que em diversos casos acabam com a inovação, dinamismo e oportunidades. "A França precisa trabalhar mais e melhor", disse Sarkozy na campanha. Sua estratégia está sendo posta em prática.

Vale lembrar também que os protestos já estão cedendo e que a adesão está abaixo do esperado, especialmente perdendo terreno para aqueles que aos poucos voltam ao trabalho. A possibilidade de se criar uma frente única contra Sarkozy perde força, apesar da paralisação de várias universidades, cerca de 1/3. A líder estudantil Julie Coudry, da Confederação Nacional dos Estudantes, que colocou Chirac de joelhos há 18 meses, está ao lado de Sarkozy e contra a paralisação. Pelo visto as chances de uma frente única contra o Presidente se dissipam na medida que o movimento se enfranquece e suas frentes apresentam fissuras.

Mas como disse, tudo isso é um teste. Sarkozy tem reformas muito audaciosas pela frente e estas manifestações servem apenas como um teste para sua rede de apoios que sustentarão o grande passo e a profundas reformas que vem pela frente.

quarta-feira, novembro 14, 2007

SPD precisa se entender na Alemanha

De Viena, Áustria. Pobre do SPD alemão. O partido de esquerda anda destroçado (assim como suas políticas) desde que deixou o comando do país. As perspectivas são cada vez piores, assim como as intenções de voto que recebe nas pesquisas. O partido não soube renovar-se e tampouco fazer diferença positiva na grande coalizão que governa a Alemanha.

Do outro lado, na coalização democrata-liberal-conservadora-cristã, liderada pela CDU e seu habitual parceiro sediado em Munique, o CSU, os ventos parecem ser cada vez mais favoráveis especialmente pela popular administração de Angela Merkel frente ao pais. O CSU enfrenta problemas na Bavária, com Edmund Stoiber, o que já não é novidade, mas a fortaleza que o partido possui na região certamente garante sua sobrevivência tranquila nas esferas de poder. Portanto, com uma administração elogiada, uma presença internacional admirável e uma política interna de sucessos, Merkel tem tudo para conseguir facilmente a reeleição.

Este é o ponto de fricção na Alemanha, as próximas eleições. Com um SPD enfraquecido e um governo (de coalizão com os social democratas) popular pelas mãos de Merkel, tudo leva a crer que a grande aliança que dirige a Alemanha pode romper e CDU/CSU passarem a governar sozinhos a partir de 2009.

O debate está posto porque o Vice-Chanceler social democrata de Merkel, Franz Müntefering, acaba de deixar o governo (para cuidar de sua esposa com um grave problema de saúde) e isto abriu uma guerra de acomodações no SPD. A ala mais a esquerda, representada por Andrea Nahles, deseja controlar mais o governo de Merkel. Entretanto, o novo Vice-Chanceler do SPD, Frank-Walter Steinmeier não pensa da mesma forma, já que seu nome desponta talvez como a única possibilidade (mesmo que remota) de pelo menos manter a coalizão e um naco do poder federal alemão.

Vale a pena acompanhar o desenrolar dos acontecimentos. Merkel é extremamente hábil e entende os prós e contras em ter o SPD como aliado. Entretanto, se o SPD começar a jogar pesado, seu jogo poderá levá-lo para longe de Berlim e das decisões do governo federal.

terça-feira, novembro 13, 2007

Dinamarca: Três vezes Rasmussen!

De Dublin, Irlanda. A centro-direita vence mais uma eleição na Europa. Anders Fogh Rasmussen liquidou a fatura em uma eleição que deveria ocorrer em 2009, mas que foi adiantada para finais deste ano.

Rasmussen é um dos grandes líderes da centro-direita mundial e admiro muito seu governo, que se aproxima muito de minhas convicções políticas. Seu trabalho frente ao partido liberal levou a quebra da hegemônia das esquerdas que governavam o país há anos e sua vitória representa a primeira vez que os liberais ganham três eleições consecutivas.

O parlamento dinamarquês terá maioria formada pela coalizão liderada por Rasmussen, que alcançou 50,5% dos votos. Entretanto fica ums dúvida no sentido de descobrir como o Partido Liberal deseja formar sua coalizão e neste ponto entra o jogo político, onde a senha se chama imigração.

Se a coalizão receber o apoio do Danish People’s Party (DPP), mesmo fora do governo, apenas de forma pontual, estará selando um acordo com um partido que se opõe claramente a qualquer tipo de imigração. Vale lembrar que Rasmussen foi reeleito no embalo de suas políticas liberais que geraram, naturalmente, uma economia próspera e saudável e que já apresenta falta de pessoas que ocupem postos de trabalho - faltam trabalhadores e sobra trabalho na Dinamarca. A única forma conhecida de preencher este vazio no curto prazo é via imigração.

Bem, os desafios são grandes e a bela líder da oposição, a social-democrata Helle Thorning-Schmidt disse que derrotará Rasmussen nas próximas eleições - algo improvável, por dois motivos. Tudo indica que Rasmussen está de malas prontas para Bruxelas e não deve terminar este mandato, além disso, os social-democratas não agregaram votos de forma sensível desta vez. Uma mudança de estratégia é necessária na esquerda dinamarquesa, atropelada pela terceira vez pela coalizão liberal-conservadora. Rasmussen aplicou uma mudança de fundo na política dinamarquesa, aliado a um sucesso administrativo brutal, algo que a esquerda ainda não assimilou.

Portanto, para entender o caminho que seguirá a Dinamarca, é melhor ficar atento aos movimentos e coalizões que devem ser fechadas na formação do terceiro (e provavelmente último) governo de Rasmussen em Copenhague.