quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Ciro garante Segundo Turno

A pesquisa Ibope consolidou uma idéia já mostrada por outros institutos de pesquisa, ou seja, que a presença de Ciro Gomes na corrida presidencial garante a realização de um segundo turno.

Ciro, que ocupa novamente a TV esta semana, é o elemento que desafia a tese de eleição plebiscitária que deseja Lula. Se seus 11% no Ibope forem sólidos e caracterizarem seu piso, aliados aos 41% de rejeição, ele poderia ser um fator pró-Dilma na campanha eleitoral, pois empurraria o pleito para um segundo turno. De outro lado, o PT tem o receio de Ciro perder a esportiva e atacar Dilma, viabilizando seu nome.

Serra, sem assumir a candidatura ou fazer campanha, permanece no patamar de 36% com Ciro e 41% sem Ciro (o que lhe confere vitória no primeiro turno). Dilma, em plena campanha, rompeu a marca dos 20% (sua intenção de voto pré-decidido) e agora precisa mostrar que tem autonomia de vôo para avançar. Disto dependem os acordos com o PMDB e principalmente os movimentos de Ciro.

Até o momento, mesmo com seus 11%, Ciro é uma peça de fundamental importância na campanha, para o bem ou para o mal do PT. Saberá Lula administrá-lo?

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Crise em Brasília

O governador José Roberto Arruda apostava na manutenção de seu poder em Brasília. Tinha a Câmara Distrital nas mãos, o que impedia o avanço de uma ação via impeachment. Este era o ponto central que lhe dava sustentabilidade.

Entretanto, tudo indica que o governador errou o cálculo quando tentou, até onde é possível saber, interferir nas investigações. Motivou um pedido de prisão, que bem articulado, foi levado a cabo juntamente com um pedido de intervenção federal. Os golpes certeiros, em diferentes frentes, desarticularam o Governador.

Sua base de apoio, na esperança de ainda manter-se viva, agora aceita entregar a cabeça de Arruda e não deve demorar para os processos de impeachment, ora negligenciados, começarem a andar. A pressão também chega do DEM, que não deseja se contaminar ainda mais, e já pede a expulsão do vice de Arruda, Paulo Octávio, que equilibra-se para tentar manter o cargo.

Arruda não deve voltar ao governo, uma vez que além de sua prisão, foi decidido seu afastamento do governo do DF. Resta saber se o grupo que gravitava em volta do Governador, conseguirá salvar-se.

Tudo começa e termina com a habilidade de articulação de Paulo Octávio. De sua capacidade política depende sua sobrevivência, assim como de um grupo e um movimento, frente ao governo. Se faltar apoio dos seus, estes poderão ser os próximos, assim como em um jogo de dominó. As forças políticas que se movem, ao contrário do que muitos pensam, transcendem o DF, são poderosas, estão no poder e alimentam o vendaval pode ainda atingir muitos daqueles que pensam ter passado incólumes pela tormenta.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Ciro abre fogo contra Dilma

Depois de aparecer atrás da pré-candidata de Lula nas pesquisas, Ciro Gomes resolveu abrir fogo contra Dilma Rousseff.

Enquanto ela dizia que Ciro é "um dos políticos mais qualificados do País", o pré-candidato pelo PSB disparou: "Quantas eleições a Dilma já disputou? Lamento, e pouco importa se parece com o que diz Serra ou não. Às vezes, o Serra fala a verdade também".

Ciro foi adiante, como é seu estilo de fazer política. Disse que a circunstância política da candidatura Dilma é o que mais preocupa, pois hoje ela está sendo suportada por uma coalizão cuja hegemonia moral é questionada pelo pré-candidato do PSB.

Com a subida nas pesquisas, Dilma também virará vidraça. É bom sua assessoria estar perto para que ela controle seu temperamento, pois como disse Ciro, lembrando de campanhas passadas: "Colocaram uma casca de banana e eu escorreguei com os dois pés". Pois é.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Venezuela Radicaliza

O regime de Hugo Chávez dá sinais claros de fadiga na Venezuela e corre o risco de balançar. A sucessão dos fatores que colocam seu projeto em risco tem aumentado consideravelmente.

Os sustentáculos do governo chavista tem entrado em colapso com a passagem do tempo. A administração ineficaz da máquina do Estado, ao mesmo tempo que esta avança ferozmente sobre a propriedade privada e as empresas do País, é somente um dos elementos. Outros estão calcados em fatores como a baixa do preço do petróleo, que aliado a incompetência administrativa, tem deixado os venezuelanos literalmente no escuro.

Os apagões e racionamentos são constantes e como se não fosse o suficiente, a incompetência do governo deixou a inflação disparar e e desemprego subir. Como todo o regime de exceção acuado, Chávez resolveu radicalizar ainda mais e avançou sobre o que restava de imprensa livre no país. Com a Venezuela em estado econômico lastimável e população nas ruas, qualquer regime autoritário busca tomar as rédeas da informação, buscando controlá-la a seu modo. Chávez segue o scprit.

Seus aliados começaram a deixar o governo, incluindo-se aí o Vice-Presidente e Ministro da Defesa, a Ministra do Meio-Ambiente e o Presidente do Banco Central.

Se Chávez não tomar cuidado, talvez não seja a oposição que passe a ocupar o Palácio de Miraflores, mas seus antigos aliados.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

PMDB na Vice

Mais uma vez o PMDB será acessório em uma campanha presidencial. Refém de si mesmo, de uma estrutura regionalista, sem diretrizes nacionais, deve partir mais uma vez fracionado para a disputa presidencial.

O capitão do time do PMDB desta vez é Michel Temer e o destino da aliança é com o PT, na chapa de Dilma, ocupando a vice. Apesar de ser especulada a possibilidade de uma lista de peemedebistas para formar a chapa com a petista, não há quem não coloque todas as fichas no próprio Michel, nem o próprio PT, que tem jogado contra.

A chapa Dilma-Michel tem virtudes para o mercado, especialmente parte do empresariado paulista que aposta na manutenção das políticas atuais do governo, coordenadas também diretamente por Michel Temer.

A chapa também possui fraquezas, das quais falaremos mais a frente, assim como a força política da dupla, que será analisada com mais calma em outros comentários.

O fato é que o PMDB indicará o vice, mas fracionado ou não, isto não quer dizer que estará fora do próximo governo, em caso de triunfo tucano. Não se governa o Brasil sem o PMDB e seus cardeais sabem muito bem disso.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Caminho aberto para Renan

A disputa pelo Senado em Alagoas tinha tudo para ser muito acirrada. Além de Heloísa Helena, que desistiu da disputa ao Planalto para garantir oito anos na Casa, outros fortes postulantes buscavam a outra vaga, Ronaldo Lessa e Renan Calheiros.

Renan aparece atrás dos outros dois postulantes nas pesquisas. Lula tratou de salvá-lo. Pediu que Lessa, que possui 44% das intenções de votos, abandone a disputa pelo Senado, abrindo caminho para a recondução de Renan. Lessa, pelo visto topou, mas existem pontos que precisam ser amarrados.

O ex-Governador disse que somente tentará chegar ao cargo novamente se houver uma grande aliança em torno do seu nome. Isto quer dizer PT, PMDB, PC do B, PR e PP. Precisa ainda do apoio explícito de Dilma, para a qual forneceria palanque. Lessa se refere a disputa como um sacrifício que faria por Lula.

Resta, como disse, acertar alguns pontos, como a também possível candidatura de Collor ao governo do Estado. Entretanto, pelo que se desenha, Serra estaria no palanque do atual governador Teotônio Vilela Filho e Dilma fecharia com Lessa.

É esperar para ver os próximos fatos. Apesar de Alagoas ser um estado com pouca densidade eleitoral, possui políticos que influem de forma decisiva na política nacional, daí sua fundamental importância.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Vitória épica em Boston

Desde 1930 o partido Democrata domina a política de Massachusetts. No Senado, a presença beirava a unanimidade. John Kerry, que ocupa uma das vagas, tentou chegar inclusive a Presidência em 2004. O outro, Edward Kennedy, ocupou a cadeira por quase 50 anos, falecendo durante o mandato no ano passado.

Assim uma eleição especial foi convocada. O partido Democrata apresentou Martha Coakley, secretária de Justiça de Massachusetts, e os republicanos escalaram para a disputa o advogado Scott Brown. Martha Coakley iniciou a campanha com larga vantagem, mais de 25 pontos de diferença. Scott Brown foi crescendo e depois de mostrar chances reais de vitória, um alerta foi lançado no Partido Democrata. Barack Obama rumou até Boston para evitar a derrota. Não obteve sucesso. Martha Coakley recebeu 47% dos votos e Scott Brown atingiu 52%. O republicano agora ocupará a cadeira que foi de Edward Kennedy por quase meio século.

A derrota democrata em Massachusetts é também uma derrota para Barack Obama, que hoje lidera o partido e envolveu-se pessoalmente na campanha. Além disso,é inconcebível perder no Estado de mais forte tradição democrata nos Estados Unidos e por fim, deixar nas mãos do republicanos a mais emblemática cadeira do Senado americano, ocupada por Ted Kennedy.

Obama, com a perda da cadeira em Massachusetts, perdeu a maioria legislativa no Senado para aprovar sua reforma do sistema de saúde, seu projeto mais importante. E tudo isso acontece exatamente no aniversário de sua posse na Casa Branca. Obama é o presidente com popularidade mais baixa depois de um ano de mandato na história recente norte-americana.

Massachusetts foi apenas uma prévia do que pode acontecer ainda este ano nas mid-terms elections para o Congresso. Obama precisa mostrar serviço em casa.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Piñera chegou lá

O Chile mostra-se como o mais amadurecido dos países latino-americanos. Isto se deve, antes de tudo, por ser um país com economia aberta, o que proporciona um sistema político oxigenado e plural.

No Chile discute-se idéias. Existem grupos políticos definidos, com visões claras sobre os modelos que podem ser adotados. Mais do que discutir pessoas, na política chilena debate-se sobre projetos de país.

A Concertación, grupo que aglutina os grupos de esquerda no espectro político, governa desde o fim dos tempos de Pinochet e teve um papel importante na transição. Em qualquer momento, entretanto, o grupo ameaçou com a quebra de regras e contratos ou foi seduzido pelo populismo, que no Chile, devido a abertura econômica, não encontraria eco.

A eleição de Piñera traz algo de simbólico na política chilena. Finda a transição, chegou o tempo da alternância democrática e salutar das visões políticas que dirigem o Estado.

O Chile deu uma lição de estabilidade democrática a um continente cercado de políticos e grupos que flertam com idéias e práticas políticas menos nobres.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Mercadante em São Paulo

Realmente as preocupações com a situação do PT em São Paulo se intensificam. Sem um palanque forte para Dilma e um nome consistente para o governo, faz com que uma solução seja encontrada de forma urgente.

Várias saídas já foram cogitadas. Entre elas, o lançamento do nome de Ciro Gomes, além de Antônio Palocci, que em tese teria dificuldade de empinar sua candidatura, e Emídio de Souza, sem a densidade eleitoral necessária para ajudar Dilma.

Por essas e outras surgiu o nome de Mercadante como um candidato que teria a densidade necessária para alavancar uma candidatura consistente e forte, que ajudasse na eleição presidencial.

O problema é que Mercadante pretendia tentar a reeleição para o Senado. Entrar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes é arriscado, já que os tucanos vencem em todas as projeções ainda no primeiro turno. Neste caso Mercadante iria para o sacrifício no sentido de garantir um palanque para Dilma. Estaria disposto a abrir mão de sua reeleição para o Senado?

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Gabeira entra na Disputa

"Se todos se sentirem confortáveis, eu topo". Foi com esta frase que o deputado Fernando Gabeira deu o primeiro passo para concorrer ao governo do Rio.

Entendemos por todos, os sócios na disputa, PSDB, DEM e PPS, que com suas estruturas podem ajudar muito na construção do projeto. Assim, a disputa no Rio vai tomando contornos definidos, já que Garotinho e Cabral também estarão no páreo.

A presença de Gabeira como candidato ao governo também tem uma função política nacional importante, uma vez que abre espaço para Marina e Serra terem um palanque no Rio de Janeiro, que até o momento estava sem um postulante fora da área de influência de Lula.

Se de um lado resolve um problema, do outro o PT ainda possui um pior, a falta de um candidato consistente em São Paulo. Se Gabeira empinar sua candidatura, como fez na cidade do Rio de Janeiro, e impulsionar as candidaturas de Serra e Marina, será preciso um esforço forte do governo para recuperar os votos perdidos no estado do Rio em outros lugares. Votos com os quais contava. Com a decisão de Gabeira, a disputa começa a tomar uma característica nacional.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Eleições na Ucrânia

A "Revolução Laranja" ficou para trás, é o que se escuta em Kiev. Dias antes da eleição presidencial na Ucrânia, os sonhos de uma nação forte e associada à Europa parecem mais distantes.

O líder das reformas e da virada ocidental contra a influência russa, Viktor Yushchenko, está desgastado. A disputa agora se dá entre sua antiga aliada (de idas e vindas) Yulia Tymoshenko e o candidato pró-russo derrotado por Yushchenko em 2004, Viktor Yanukovych.

Tymoshenko, charmosa e polêmica, é atualmente a Primeira-Ministra. Seu carisma impulsiona seus números para além dos 19%. Entretanto, seu oponente, Yanukovych, ultrapassa a barreira dos 40%. Deverá ocorrer segundo turno, mas Yanukovych, impulsionado pela metade da Ucrânia mais ligada à Rússia (e deixada de lado por Yushchenko) está perto de vencer.

A União Européia mais uma vez observa com atenção a eleição ucraniana e a possibilidade da influência russa sobre o país deixa Bruxelas atenta. A falha de Yushchenko em aproximar sua nação do ocidente pode ter jogado a Ucrânia nas mãos do Kremlin.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Fujii deixa gabinete japonês

Hatoyama enfrenta a primeira baixa em sua equipe. Quem deixou o time foi o experiente Hirohisa Fujii, ministro das Finanças e o membro mais experiente do gabinete. O motivo alegado foi sua saúde.

Talvez seja coincidência, mas o fato ocorre exatamente no momento em que Hatoyama começa a ser cobrado por resultados que ainda não chegaram. O substituto, vice-primeiro-ministro Naoto Kan, é conhecido como o "irritável Kan".

Na realidade, Hatoyama perdeu o decano de sua equipe por desentendimentos com o secretário-geral do Partido Democrático, Ichiro Ozawa. Kan é um dos fundadores do partido. Tudo foi recolocado, assim, em seu devido lugar no jogo político.

A taxa de apoio a Hatoyama segue caindo e desceu abaixo dos 50%. Sua desaprovação já passa da casa dos 30%.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

O Vácuo de Dilma

Tudo indica que Dilma ultrapassou os 20% de intenção de votos. Isto ainda precisa ser confirmado por pesquisas de outros institutos, mas se realmente for verdade, será a primeira vez que a Ministra mostrará alguma musculatura própria na corrida presidencial, ainda que impulsionada por Lula.

Para alcançar tal patamar sua agenda foi avassaladora nos últimos anos. No primeiro semestre de 2009 teve em média 51 compromissos mensais em eventos na agenda, subindo na segunda parte do ano para 75. Tudo exposição para se fazer conhecida ao lado de Lula.

O período de preocupação começa com a obrigatória desencompatibilização em abril. A Ministra terá que obrigatoriamente deixar o governo. Não poderá andar com Lula inaugurando obras e participando de eventos. Poderá voltar a berlinda somente em julho com o início da campanha eleitoral. Para aqueles candidatos já conhecidos, como Ciro ou Serra, será um período menos difícil do que para Dilma, ainda desconhecida da maioria do eleitorado.

A Macropolítica, onde trabalho com consultor, calculou que foi necessária a presença da ministra em 768 eventos em 2008 e a 621 em 2009 para chegar aos 20%, ainda colados na popularidade de Lula. Ainda existe muito trabalho a ser feito e a distância dos holofotes entre abril e julho abre um vácuo que precisa ser preenchido por seus consultores políticos, sob o risco de sua candidatura não empinar com a envergadura necessária.

Para enfrentar o período magro, o PT acredita que ela termine abril consolidada acima dos 25%, quase com com 30%. Para isso, precisará mostrar força política própria, especialmente na consolidação dos acordos políticos com seus aliados e carisma pessoal. Se ela passar bem por esse período, chega com chances. De outro modo, corre o risco de ser cristianizada.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Cristóvam pensa no Buriti

Depois do escândalo que abateu o governo José Roberto Arruda em Brasília, o PSDB e José Serra buscam um palanque no Distrito Federal. Paulo Octávio, vice de Arruda, pode concorrer ao Buriti, mas, envolvido nas denúncias que atingiram o governno Arruda, suas chances são pequenas. O nome que desponta como virtual vencedor nas eleições do DF é Joaquim Roriz.

Isto mexeu com os brios do senador Cristóvam Buarque, atualmente no PDT, e adversário histórico de Roriz. Circula que Cristóvam poderia sair candidato ao governo. O cenário, neste caso, pode ser a saída para o governador José Serra no Distrito Federal.

O senador do PDT está rompido com o PT desde que deixou o partido. No Distrito Federal, o candidato do PT é Agnelo Queiróz, ex-PC do B. Se Cristóvam decidir entrar na disputa, a candidatura de Agnelo seria abalada, pois o senador tem eleitores entre aqueles simpáticos ao PT.

Cristóvam é grato aos tucanos, que apoiaram sua candidatura em 1994, mesmo que no plano nacional PSDB e PT tivessem travado uma batalha eletoral. Resta saber se ele abrirá mão de uma eleição praticamente garantida ao Senado, que lhe daria oito anos de mandato, pela incerteza da disputa ao governo do DF, onde Joaquim Roriz ostenta mais de 40% das intenções de voto.

Existe mais um ponto a ser considerado. O PDT tende a sair de mãos dadas com Dilma, capitaneado pelo ministro Carlos Lupi. Em caso de acordo entre Cristóvam e os tucanos, os trabahistas teriam que abrir mão da dobradinha no Distrito Federal, algo delicado de ser negociado.

Mas que tudo isso seria perfeito para tucanos, ah isso seria.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Cabral criticado

Os deslizamentos em Angra dos Reis atingem de forma direcionada o governador do Rio, Sérgio Cabral. As primeiras e mais contundentes críticas vieram da demora do governador em aparecer, chegando a levantar suspeitas de que ele estava no exterior. Não estava, ao contrário, encontrava-se perto de Angra, assim como o ministro do Meio-Ambiente, Carlos Minc.

O Vice-Governador do Rio, no vácuo deixado por Cabral, apareceu em Angra dos Reis já no primeiro dia do ano, coordenou a ação do governo, prestou solidariedade as vítimas e atendeu pacientemente a imprensa, ou seja, se fez presente, da maneira correta no momento mais importante. Luiz Fernando Pezão fez aquilo que se esperava de Sérgio Cabral.

Carlos Minc nem passou por Angra, deixando logo o estado do Rio e até o momento não se pronuniciou sobre uma matéria que é um dos assuntos principais de sua pasta. Cabral, com atraso, chegou até Angra dos Reis, mas neste momento não havia mais muito o que fazer. Pezão já tinha ocupado o espaço necessário no calor do momento, quando a população necessitava respostas, auxílio, solidariedade e ações diretas do Estado.

Agora a cobrança sobre o governador do Rio será incansável, especialmente em ano eleitoral. Cabral abriu um flanco de ataque político desnecessário, que seria coberto facilmente com sua ação pessoal imediata depois dos deslizamentos em Angra. Seus adversários políticos já começaram a se movimentar, lembrando que em junho de 2009, Cabral assinou o decreto nº 41.921, que flexibilizou as regras de construção na Área de Proteção Ambiental, o que atinge o ponto central da questão em Angra dos Reis. Cabral terá que correr atrás do tempo perdido.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Serra e Marina?

Começa a tomar forma uma operação que pode alterar de forma substancial a eleição presidencial. Primeiro discutida reservadamente entre tucanos e depois já divulgada pela imprensa, uma possível aliança entre Serra e Marina.

A possibilidade surge com a desistência de Aécio de ser companheiro de chapa de Serra e com o desgaste do DEM com o caso Arruda. O PPS, também aliado, é candidato a fornecer um nome, mas nenhum cairia tão bem quanto o de Marina Silva.

As chances reais do projeto se concretizar ainda são pequenas, mas se for fechada, a aliança do PV com o bloco oposicionista indicando a candidata a vice, causaria danos irreparáveis para a candidatura Dilma.

Além de Marina ser mulher e neutralizar este aspecto na candidatura Dilma, o nome da ex-ministra de Lula quebraria a estratégia central da candidatura petista, que é o caráter plebiscitário do pleito, comparando as presidências de Lula e FHC. Serra e Marina juntos fornecem a continuidade das duas gestões e a manutenção daquele aspecto ético do petismo que levou Lula até a Presidência e que foi perdido durante sua gestão.

Marina tem aquilo que falta a Serra e ele exatamente aquilo que completa Marina. Seria uma forte dupla. No governo, será a grande possibilidade de ex-ministra ver sua agenda realmente implementada.

Uma aliança Serra/Marina alteraria o jogo presidencial de forma definitiva.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Os ventos do Sul

Como a influência dos palanques regionais para a sucessão presidencial é grande e os primeiros nomes nas disputas para os governos já despontam, as primeiras pesquisas já começam a apontar cenários.

No sul as tendências aparecem já de forma clara. No Paraná a disputa está acirrada entre Beto Richa (40%) e Osmar Dias (38%). O candidato do governador Requião, Orlando Pessuti, patina nos 5%. Dilma deve descer no palanque de Dias, do PDT, e o candidato tucano, provavalmente Serra, no de Beto Richa. O problema para Dilma é que Álvaro Dias, irmão de Osmar, é um dos mais ferrenhos opositores do governo federal. Algumas peças ainda podem se mover. A conferir.

Em Santa Catarina, Ângela Amin, do PP, sai na frente, com 31%. Depois vem Raimundo Colombo, do DEM, com 18% e Ideli Salvati, do PT, com 14%. Resta saber para que lado irá a candidatura de Ângela, já que Dilma deve desembarcar com Ideli e Serra com Colombo. Vale lembrar que Ideli chega ao fim de seu mandato no Senado nesta eleição. Avaliará se vale a pena ir para o sacrifício para garantir um palanque para Dilma ou disputar a reeleição para o Senado, uma tarefa mais fácil e que renderá mais oito anos em Brasília.

No Rio Grande do Sul, PMDB e PT devem ir para disputa direta. Tarso e o PT nem cogitam aliança com o PMDB para fortalecer Dilma. O consórcio eleitoral PMDB/PT rachou no Rio Grande. Fogaça, prefeito de Porto Alegre, buscará o governo e o anúncio de sua candidatura catapultou seu nome para os 30%. Tarso caiu e alcança os mesmos 30%. Yeda, atual governadora, tem parcos 5% e o PSB de Beto Albuquerque, 7%. A disputa será como sempre no Rio Grande do Sul, voto a voto. Serra e Dilma tem palanques bem definidos.

Como vemos, alguns movimentos poderiam mudar sensivelmente o cenário. Se Lula enquadra o PT no Rio Grande, sorte de Dilma, e se Aécio fosse o candidato, poderia forçar uma derrota histórica para Dilma no Paraná e Santa Catarina. Mas de acordo com que se apresenta, o cenário de saída já está posto.

terça-feira, dezembro 22, 2009

A Eleição passa por Minas

Assim como teremos disputa presidencial no próximo ano, o mesmo ocorrerá nos estados. A influência eleitoral de um pleito sobre o outro começa a tomar forma.

São Paulo, até o momento, constitui-se no estado mais dramático para Dilma. Lá, em todos os cenários, os tucanos vencem no primeiro turno, seja com Alckmin ou Serra. Além disso, o Governador possui um alto patamar de transferência de votos, avaliado em 39%.

Já o Rio de Janeiro é motivo de preocupação para os tucanos. Estes esperavam que Fernando Gabeira disputasse o governo. Engano. Gabeira vai mesmo disputar o Senado. Lá, Sérgio Cabral, aliado de Lula e Dilma, lidera com 37%. Garotinho, outro aliado do petismo, alcança 24% e Lindberg Farias (que não deve disputar) chega a 8%. Os tucanos não tem postulante ao Palácio Guanabara. César Maia aparece com 13%, mas não sairá candidato, prefere o Senado. No Rio, Dilma já abre vantagem sobre Serra.

Minas Gerais será outro estado interessante. A posição de Aécio é estratégica e deve impulsionar os números de Anastasia, que atualmente bate em 10%. Hélio Costa, que lidera as pesquisas e teoricamente é aliado de Lula, deve sair pelo PMDB e o PT hesita entre Patrus Ananais e Fernando Pimentel. Um embate entre PMDB e PT em Minas pode beneficiar Serra, ainda mais se Aécio realmente se empenhar na campanha.

Os números destes estados devem ser considerados porque seu movimento pode decidir a eleição. Se a margem aberta por Serra for ampla em São Paulo, será muito difícil reverter o quadro, ainda mais se Aécio mostrar resultados em Minas. Cabe aos tucanos, de forma urgente, encontrar uma saída para o Rio de Janeiro. No caso petista, a vantagem vem do Rio, mas encontrará em Minas uma situação a ser resolvida.

Enfim, mais uma vez a eleição para por Minas e no cenário atual Aécio pode ser o grande eleitor da sucessão.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Datafolha

A pesquisa realizada pelo Datafolha mostra uma acomodação dos números, especialmente com a saída de Heloísa Helena da disputa. Se compararmos com a pesquisa anterior, vemos um direcionamento dos votos de Heloísa para Marina e Dilma, sem reflexos para Serra.

Com Ciro Gomes na disputa, o novo cenário traz Serra na dianteira com 37%, Dilma sobe para 23%, Ciro atinge 13% e Marina 8%. Sem o nome de Ciro, Serra chega a 40%, Dilma crava 26% e Marina 11%. Vemos que para garantir a realização de um segundo turno, neste momento, a presença de Ciro é indispensável. Sem ele, Serra liquida a fatura no primeiro turno.

O crescimento de Dilma é um fato interessante, mas é preciso ser confirmado pelos outros institutos. O importante é enxergar que nos cenários apresentados ela rompe a barreira dos 20%, mas é preciso entender que Heloísa Helena deixou a disputa, portanto, estes podem ser votos herdados e não conquistados pela Ministra de Lula. Isto precisa ser verificado.

Nas simulações de segundo turno, Serra (respectivamente 49% e 51%) bate com folga tanto Dilma (34%) quanto Ciro (28%).

Dois dados interessantes. Dilma possui seus melhores números entre os de maior renda e possui fraco desempenho entre as mulheres. Se conseguir melhorar sua performance nas camadas mais baixas com a ajuda de Lula e fazer valer sua condição de mulher, pode subir mais um pouco.

Entretanto, se o PT não conseguir penetrar em São Paulo, de nada adiantará seu esforço. Mas este é um assunto para mais adiante.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

O Jogo de Aécio

Aécio Neves é mineiro. Neto de Tancredo Neves. A política em Minas é feita de modo peculiar e é preciso entendê-la. Aécio desistiu de buscar a indicação do PSDB neste momento, o que não quer dizer que não continue no jogo.

Ontem, no twitter, publiquei que Serra disse que será candidato apenas se as chances de vitória forem “muito concretas”. Se até março Dilma decola e Serra não sente-se seguro, todos se voltarão para Aécio. O Governador de Minas diz que esta chance não existe, uma vez que ele perderia o timing da costura de uma aliança mais ampla.

Talvez sim, talvez não. Aécio precisa romper as barreiras de Minas, tornar-se um nome nacional para conseguir atingir o Planalto no futuro. Esta campanha o deixaria de evidência.

O DEM já circulou a tese de que apoiaria uma chapa Serra-Aécio. Mais uma vez os holofotes voltam-se para o Governador mineiro. Mesmo se não for o vice, ele carrega os valiosos votos de Minas Gerais. Como vemos, em todas as situações, Aécio, saindo agora de cenário, torna-se o bem mais valioso em disputa na política nacional.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Festa em Timisoara

As comemorações na cidade romena de Timisoara tem razão de ser. Foi ali que há 20 anos começou a revolta que colocaria fim ao brutal regime socialista do ditador Nicolau Ceausescu.

Tudo foi muito rápido. Depois da Queda do Muro de Berlim, os regimes comunistas foram caindo um a um em 1989. Na Romênia tudo começou com a resistência do pastor Laszlo Toekes, transferido de forma arbitrária para uma área rural, onde não ofereceria risco ao regime de exceção socialista.

A população revoltou-se. Em pouco tempo o movimento cresceu e chegou as ruas de Bucareste. A repressão foi violenta. Apenas em Timisoara, 118 pessoas foram mortas. Exército, polícia e a Securitate, que contava com mais de 700 mil informantes, não foram páreo para a revolta popular contra o socialismo.

Nicolau Ceausescu e Elena, sua esposa, foram executados em praça pública pela população no dia de Natal. Era o fim dos tempos sombrios na Romênia.

Possuo muitos amigos romenos, muitos deles fugiram dos horrores do comunismo. Em Bucareste existe a Piata Revolutiei (Praça da Revolução), para lembrar a vitória contra o comunismo em 1989, passagem obrigatória de todas aqueles que visitam a bela capital romena.

Por isso as comemorações em Timisoara renovam-se a cada ano. Lembrar o fim de um pesadelo é a melhor maneira de evitar sua repetição.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Ato Falho de Dilma



Este é o vídeo do momento no You Tube. A ministra Dilma Rousseff fala durante a COP15 em Copenhague. Suas palavras foram as seguintes: "O Meio-Ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável e isso significa que é uma ameaça para o futuro do nosso planeta e dos nossos países".

Quem conhece Dilma e sabe das batalhas que travou contra Marina Silva, quando esta ocupava a pasta do Meio-Ambiente, entende que é de duvidar se realmente a candidata de Lula se enganou.

Como se não fosse o bastante, Dilma entrou em rota de colisão com Carlos Minc, ministro do Meio-Ambiente, desautorizando-o em plena conferência. Agora, segundo fontes, o ministro circula isolado pelos corredores da COP15.

O temperamento da ministra, mais uma vez, tem sido apontado como seu pronto fraco e tudo leva a crer que o trabalho de sua equipe de campanha será duríssimo.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Aécio, o conciliador

José Dirceu disse que Aécio Neves já comunicou ao grão-tucanato que não será candidato a Presidente. Aécio rebateu alegando que ainda busca a indicação do partido e que sua estratégia de ampliar o leque de apoios em torno do seu nome continua em curso, incluindo aí partidos da base do governo petista.

A alegação de Dirceu deu margem para Aécio ir além, pois segundo ele é preciso tirar o escopo plebiscitário do pleito e adiantou seu discurso de campanha, no estilo da política mineira: "(...) O que está em jogo não é ser contra ou a favor o presidente Lula. O que está em jogo é quem tem melhores condições de fazer o governo menos aparelhado pela burocracia partidária, mais oxigenado do ponto de vista da qualidade, dos objetivos".

Em Minas, Pimentel ganhou a disputa interna do PT, mas Hélio Costa ganhou no PMDB. Se o PT não se entender com o PMDB e houver um racha, pode surgir um palanque inusitado em Minas para o candidato tucano.

Aécio trabalha nos bastidores, como sempre faz com habilidade. A sucessão, como sempre digo, não pode deixar de passar pelas Minas Gerais.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Chile: Piñera e Frei no segundo turno

Eduardo Frei, candidato da Concertación, chega nos últimos dias que antecedem a eleição, com 31% dos votos. O ex-Presidente (e agora candidato) não conseguiu transformar a aprovação de 80% do governo de sua aliada Bachelet em intenções de voto até o momento.

Do outro lado, o empresário Sebastian Piñera parece caminhar tranquilamente para o segundo turno, trazendo na bagagem 44% das intenções de voto. Ao contrário de Joaquim Lavín, que tinha tudo para vencer Lagos no pleito de 1999, tudo indica que Piñera irá confirmar a tendência e ser eleito no segundo turno.

Ominami que parecia surgir, em princípio, como uma terceira alternativa, não vingou como candidato viável e deve terminar em terceiro lugar, na faixa dos 20%. Para um provável segundo turno, devem passar Piñera, um pouco além dos 40% e Frei por volta dos 30%.

A Concertacíon vem perdendo espaço. Nas primeiras eleições pós Pinochet, Alwin obteve com 55,17%. Em 1993 Frei venceu com tranquilidade, chegando a 57,99% ainda no primeiro turno. Em 1999, depois de um empate no primeiro turno, Lagos venceu Lavín por estreita margem no segundo turno, alcançando 51,31%. Bachelet também enfrentou um segundo turno, desta vez contra Piñera, e venceu com 54,50%.

Com a exceção da eleição Lagos X Lavín, esta é a primeira vez que os partidos conservadores chegam com reais chances de vitória. A Coalición por el Cambio de Piñera, aliança da Unión Demócrata Independiente (UDI), Renovacíon Nacional e Chile Primero, por projeções e tendências, deve ultrapassar os 50% no segundo turno e vencer a eleição.

Um marco na política chilena, com o amadurecimento das instituições democráticas, está sendo escrito. Mas, antes disso, o primeiro turno, que acontece neste final de semana.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

O Realismo de Obama

Para quem foi eleito pregando idealismo, especialmente nas relações internacionais, é incrível ver as mudanças pelas quais Obama tem passado.

Na entrega do Nobel da Paz, hoje em Oslo, Obama, que disse ter recebido o prêmio cedo demais, fez um discurso realista. Sua visão dos conflitos internacionais e dos meios para resolvê-los tem tomado ares cada vez mais pragmáticos, apesar de rejeitar, inteligentemente, qualquer rótulo.

Obama trouxe, em um bem costurado discurso, a idéia de "Guerra Justa" e citou exemplos históricos, dizendo que o pacifismo, por si mesmo, não teria vencido o Nazismo, por exemplo, apesar das boas intenções. Obama acaba de mandar mais 30.000 soldados americanos para o Afeganistão.

De qualquer forma, o discurso reposiciona Obama nas relações internacionais, assume uma postura claramente realista e mostra porque manteve no Pentágono o Secretário de Defesa do governo Bush, Robert Gates. Mesmo recebendo o Nobel da Paz, para atingí-la, agora ele defende uma guerra justa, seja no Iraque ou no Afeganistão.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

A pesquisa IBOPE

A pesquisa do Ibope agrega valores importantes para avaliação do cenário eleitoral em 2010.

Serra mantém sua margem na liderança, consolidando-se no patamar de 38%, pois apresentou crescimento acima da margem de erro desde a última pesquisa, onde aparecia com 35%.

Dilma também cresceu, mas como sempre digo aqui, ainda é necessário que ela ultrapasse a barreira dos 20%, que é a base de transferência de votos diretos do Presidente. Ela, que tinha 15%, subiu para 17%. Movimentou-se dentro da margem de erro. O preocupante para Dilma é seu grau de rejeição, que bateu em 41%. Sabemos dentro da ciência política que um candidato com 40% de rejeição torna-se inviável. Ela chegou neste perigoso patamar. Vamos ver se as inserções comerciais e o programa eleitoral na TV na próxima quinta alteram este cenário.

Ciro foi quem apresentou queda mais acentuada. Desceu de 17% para 13%. Com Aécio no lugar de Serra, Ciro chega a 26% (já teve 28%) e assume a dianteira. Muitos dos votos de Serra deslocam-se para Ciro (e não para Aécio), como vemos. É preciso avaliar para onde escoarão os votos de Ciro caso ele desista da disputa. Se for no mesmo ritmo, Serra claramente será beneficiado e poderá resolver a eleição no primeiro turno.

Marina segue com seu percentual menor do que 10%. Desceu de 8% para 6%. Precisa ainda dizer a que veio.

Os números mostram uma clara vantagem de Serra e a tendência de a eleição ser decidida no primeiro turno caso venha a se tornar plebiscitária, como deseja o PT. Dilma ainda não emplacou como candidata e possui uma rejeição preocupante. Dentro do ninho tucano não há números que justifiquem a escolha por Aécio Neves. Serra, neste momento, mostra-se como o nome natural e mais viável para o PSDB voltar ao Planalto.

terça-feira, dezembro 08, 2009

COP15 e as promessas de sempre

Declarações políticas são meras cartas de intenções. A conferência sobre mudança climática em Copenhague possui o mérito de chamar a atenção para o problema e inserir dentro de um mesmo ambiente líderes mundiais com o simples objetivo de discutir questões relativas ao clima e ao futuro do planeta. Entretanto, a falha está na possibilidade de implementação das políticas moldadas nestas reuniões.

O ponto central reside nas políticas de diminuição das emissões de carbono, algo que remonta a tempos antigos, mais precisamente na reunião de cúpula sobre a matéria no Rio de Janeiro, em 1992. De lá para cá foram diversas cartas de boas intenções, muitas promessas e pouco efetivamente realizado.

O problema neste campo não é meramente político, mas também econômico. As políticas atuais de diminuição das emissões de carbono não são viáveis economicamente a ponto de o mundo continuar, no mesmo ritmo atual, a gerar o desenvolvimento necessário para retirar milhões de pessoas da pobreza. Este é apenas um dos argumentos. Perguntem a Índia e China o que pensam sobre o assunto.

Além do mais, as políticas alternativas de energia não suprem de forma satisfatória a demanda atual e ficarão ainda mais defasadas no futuro. A diminuição das emissões de carbono depende diretamente do incremento de formas alternativas de energia, que atualmente são caras e ineficientes. E continuará assim. Países, como o Japão, aplaudidos por alegar que baixarão as emissões em 25%, sabem que suas projeções são irreais.

Diminuir as emissões de carbono é fundamental e constitui-se no principal pilar da conferência sobre o clima. As respostas até o momento são inviáveis nos campos tecnológico, politico e econômico, como lembrou Bjørn Lomborg em artigo na Der Spiegel. Ele está certo. Os políticos podem fazer promessas, mas certamente estas não serão cumpridas mais uma vez. O planeta certamente não agradece, assim como as gerações futuras.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Definição em Porto Alegre

O prefeito José Fogaça acaba de anunciar sua candidatura ao governo do estado do Rio Grande do Sul. Apesar de ser esperado, é o primeiro grande racha oficial no consórcio PMDB/PT que pretende lançar o nome de Dilma ao Planalto.

O Rio Grande do Sul é um dos estados onde esta aliança não tinha a menor chance prosperar. Lá, PMDB e PT são adversários históricos. Assim como lá, outros estados devem seguir o mesmo rumo e formalizar o racha na aliança patrocinada por Lula. Ou seja, vários estados estão na fila, e desta vez os gaúchos saíram frente.

José Fogaça é o mesmo que terminou com a hegemonia de 16 anos do PT na Prefeitura de Porto Alegre e agora terá um páreo duro pela frente. Da última vez que um prefeito da capital decidiu renunciar para concorrer ao governo do estado, a punição do eleitorado veio a galope. Nesta ocasião Tarso Genro foi derrotado por Germano Rigotto. O trunfo de Fogaça pode estar no PDT, que deve ser seu parceiro e fazer a diferença no interior do estado.

O ex-Governador, aliás, que era o único empecilho no caminho de Fogaça, decidiu que irá concorrer a uma vaga no Senado, que será também disputadíssima.

A boa notícia vem para José Serra, que terá em Fogaça um forte palanque estadual, em um dos estados com maior número de eleitores do Brasil. Dilma desembarca no palanque de Tarso e Serra no de Fogaça. Falta convencer a desgastada Governadora tucana a desistir de tentar sua reeleição. Envolvida em escândalos, as chances de Yeda são nulas, e sua candidatura apenas prejucaria o PSDB em nível nacional. Ninguém tem a intenção de carregar seu cadáver político em pleno ano eleitoral.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

UE preocupada com a Ucrânia

A Ucrânia deseja fazer parte da União Européia, bem, pelo menos parte da Ucrânia. Entretanto, o governo de Kiev, pró-europeu, não tem avançado nos esforços necessários para convencer Bruxelas.

Em Kiev, José Manuel Durão Barroso cobrou um esforço maior da Ucrânia. Nada feito. Kiev continua excessivamente dependente de sua política de energia e de sua posição geopolítica estratégia para fazer circular petróleo e gás. A ausência de mudanças nessa área é responsável por uma carga burocrática assustadora, aliada sempre da corrupção, que anda de mãos dadas com o dirigismo estatal.

A ausência de mudanças somente chama a atenção da Rússia, com os interesses de sempre na Ucrânia.

E as eleições vem por aí, em janeiro de 2010. Apesar do ministro de Relações Exteriores ter dito que independementemente do resultado nada muda a marcha da Ucrânia em direção a UE, é bom ter certa cautela: a Revolução Laranja ficou para trás e a sombra da influência russa pode mostrar sua força novamente.

Por isso a preocupação da União Européia, com toda razão.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Mensalão do DEM?

O DEM pode estar sendo tragado para uma perigosa armadilha. Aquilo que supostamente seria o mensalão do Governo Arruda está sendo tratado como mensalão do DEM.

O partido tem culpa até o momento por ter evitado a expulsão sumária do Governador. Este era o desejo de parte do partido, expressada de forma clara pelo deputado Ronaldo Caiado e os senadores José Agripino Maia e Demóstenes Torres. Existe previsão no estatuto do partido para tal, como uma medida preventiva, o que acarreta posterior defesa e reintegração ao quadro partido em caso de inocência. Mas infelizmente não foi esta a opção do DEM.

Ao invés de cortar o mal pela raiz, o partido preferiu sangrar junto com o Governador. Evitou a expulsão sumária e foi tragado para o noticiário como o articulador das práticas empregadas por Arruda.

Arruda teria deixado no ar um tom de ameaça em caso de expulsão sumária. Teria dito que se o partido radicalizasse com ele, ele também radicalizaria. A cúpula do DEM preferiu a abertura de processo sem expulsão sumária.

Faltam outros membros do DEM, como o vice-governador Paulo Octávio, envolvido nas denúncias, mas que até o momento mantém distância do escândalo. Circula a tese de que ele estaria sendo blindado para ser um Plano B para a disputa do governo em 2010, entretanto, é uma operação extremamente arriscada.

A contaminação, infelizmente, foi realizada. O mensalão de Arruda, agora é do DEM. Os reflexos eleitorais da equivocada operação em evitar a expulsão sumária de Arruda serão sentidas em 2010. O partido perdeu sua principal bandeira de campanha.

terça-feira, dezembro 01, 2009

Honduras Venceu

A eleição ocorrida em Honduras, de forma normal e pacífica, atestada por um sem número de observadores internacionais, coloca um ponto final em todo o embróglio político causado pela tentativa de Zelaya de subverter a ordem constitucional para permanecer no poder e sua posterior destituição.

Na verdade não importava qual o eleito, desde que a vontade do povo hondurenho fosse respeitada. Tudo indica que será. Peru, Colômbia, Costa Rica e Panamá, os principais vizinhos, já reconheceram o triunfo de Porfírio Lobo. Espanha e Estados Unidos já se juntaram ao grupo.

O que ocorreu em Honduras é a prova cabal de que instituições fortes podem e devem evitar manobras que visam subverter a ordem constitucional e atacar a democracia. Zelaya, que arquitetava um golpe, foi deposto constitucionamente. Micheletti, Presidente do Poder Legislativo, assumiu o cargo com vistas a encaminhar o processo eleitoral.

Honduras sofreu pressões de todos os lados, inclusive dos apoiadores internacionais do ex-Presidente golpista, onde infelizmente o Brasil se perfilou. Agora que as eleições ocorreram e que existe um vencedor, reconhecido e legítimo, restaura-se a estabilidade política. Honduras, seguidamente classificada como uma "República de Bananas" mostrou a todo o mundo uma das maiores lições de respeito a lei e as instituições.

Ao Brasil, coube um papel lamentável, como lembrou Oscar Arias, que criticou nosso governo, taxando-o de possuir "dupla moral": "Acho que é uma dupla moral reconhecer as eleições iranianas, que não foram limpas e onde houve uma série de casos, e até um candidato resolveu desistir do segundo turno, e não reconhecer as hondurenhas".

Não poderia ter sido mais preciso.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Arruda e o fim da linha

"Gente, eu errei, eu não quero ser igual aos outros políticos que erram e ficam mentindo.Então vou falar a verdade logo, eu vi mesmo a lista. Não matei, não roubei e não desviei recursos públicos"
José Roberto Arruda, na tribuna do Senado, em maio de 2000, chorando e renunciando ao mandato, depois da quebra do sigilo do painel na votação secreta que cassou Luiz Estevão

As denúncias contra o Governador do Distrito Federal são sérias. As provas são robustas e contundentes. Envolvem, além de Arruda, o vice Paulo Octávio, o Presidente da Câmara Distrital, além de outros parlamentares e dos principais secretários de Governo do GDF.

As imagens são de alto impacto. Arruda recebe dinheiro vivo durante a campanha, parlamentares de sua base de apoio recebem maços de dinheiro, o Presidente da Câmara Distrital esconde reais em suas meias. Cenas que devem levar Arruda a lona, bem como metade da classe política de Brasília.

O mensalão de Arruda ainda não foi divulgado em sua totalidade. Segundo fontes em Brasília ainda há mais para ser divulgado. Tudo está surgindo a conta gotas e deve ser mantido assim.

Práticas ilegais devem ser repudiadas, não interessa o partido. Arruda e seu grupo devem responder por todas as denúncias da "Operação Caixa de Pandora". Seu próprio partido cobra sua renúnica ou sua expulsão. Os demais envolvidos deveriam tomar o mesmo caminho.

Neste caso, Arruda estará em maus lençóis. Considerado até a semana passada um nome imbatível para as eleições de 2010 no Distrito Federal e até considerado como um possível nome para ocupar a candidatura a Vice-Presidência na chapa de Serra ou Aécio, Arruda desce novamente até as profundezas do inferno político, como fizera em 2000, quando mentiu publicamente no caso do painel do Senado e acabou renunciando ao mandato de Senador.

Pediu uma segunda chance e obteve uma nova oportunidade de fazer a coisa certa. Não fez. Sucumbiu mais uma vez as velhas práticas da política e seguro de si, expôs sua imagem, seu governo e seu partido a uma situação, no mínimo, indesejável.

É uma pena. Arruda fazia um bom governo em Brasília, moderno e propositivo. Infelizmente sua prática política foi o oposto, o que decepcionou muitos que como eu, apoiaram sua candidatura. Deve perder a legenda do DEM, que avalia sua expulsão, e assim não poderá concorrer a cargo eletivo em 2010. O partido, que não deseja velar e carregar um cadáver político em ano eleitoral, quer seu desligamento, mas tudo indica que Arruda pode ter colocado o DEM "na parede", assim como outras agremiações que querem deixar o governo.

Em caso de explusão, se tornará um cidadão comum, sem imunidades, podendo ter sua prisão decretada por qualquer juiz de primeira instância.

A OAB já pediu seu impeachment. Mas como pode prosperar qualquer iniciativa que deve ser julgada por uma Casa envolvida diretamente no escândalo?

Arruda diz que vai até o fim, mas parece que o fim já chegou.

sexta-feira, novembro 27, 2009

Irã condenado pela AIEA

Esta é a notícia do dia, especialmente na semana em que o governo Lula recebeu Mahmoud Ahmadinejad no Brasil.

Em Viena, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) acaba de aprovar uma resolução de condenação ao Irã devido a sua falta de cooperação com os observadores internacionais em relação ao seu programa nuclear. O país enriqueceu urânio secretamente.

Venezuela, Cuba e Malásia ficaram ao lado do Irã. Do outro lado, 25 países votaram com o parecer da AIEA condenando Teerã, inclusive aliados tradicionais como a China e Rússia. O Brasil e outros cinco países preferiram a abstenção. Pegou mal depois de Lula ter defendido publicamente o programa nuclear iraniano para fins pacíficos. Na ótica da AIEA, o programa iraniano nada tem de pacífico.

Como vemos, a comunidade internacional felizmente começa a fechar o cerco em torno do Irã.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Racha no PMDB

Enquanto uma ala do PMDB se desdobra para fechar acordos com o PT em diversos estados, outro grupo agora avança com a tese da candidatura própria. Reunidos em Curitiba, lançaram o nome do governador Roberto Requião e lembram que uma das bandeiras de Michel Temer, quando eleito para dirigir a sigla, foi a tese da candidatura própria. Hoje, Temer flerta com o governo para ser o candidato a vice na chapa de Dilma.

Parte do PMDB deseja a aliança com o PT, entretanto, outros são seus ferrenhos adversários em vários estados. Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco são exemplos e dificilmente seguirão a orientação de aliança com Dilma. Em outros estados, os dirigentes petistas e peemedebistas terão que suar a camiseta para fechar acordos, como no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Paraná e Ceará. Alguns desses, sem intenveção rápida, podem tornar-se casos perdidos como os citados anteriormente.

Em Curitiba, Pedro Simon, Luiz Henrique, Roberto Requião, Neudo do Conto, Orestes Quércia e dirigentes de 15 diretórios estaduais seguem em clima de entrosamento e já planejam o registro da pré-candidatura de Requião, a discussão de temas nacionais para um plano de governo e uma agenda de viagens pelo Brasil do governador do Paraná.

Quem conhece Requião, sabe que ele não está somente fazendo barulho. Suas palavras foram as seguintes: "Sou amigo do Lula. Sou amigo pessoal da Dilma. Sou companheiro de militância e de juventude do Serra. Mas, antes de tudo, sou peemedebista e brasileiro". Se o PMDB deseja mesmo uma aliança com Dilma, é melhor começar a abrir o olho.

terça-feira, novembro 24, 2009

A Pesquisa CNT/Sensus

Pesquisas precisam ser olhadas com cuidado e profundidade. Seus números escondem, muitas vezes, informações valiosas que podem ser extremamente importantes em uma campanha eleitoral.

A pesquisa CNT/Sensus trouxe informações importantes. Primeiro é preciso avaliar os cenários. Serra (31,8%), Dilma (21,7%), Ciro (17,5%) e Marina (5,9%). Este é o principal cenário pré-eleitoral até o momento. Constata-se que Ciro Gomes estabilizou seus números perto daqueles atingidos por Dilma e que Marina, depois do fato novo, o lançamento de seu nome, ainda patina em patamares por volta de 5%.

Entretanto, se colocarmos Aécio no lugar de Serra, Dilma não assume a ponta. Ela mantém o segundo lugar e Ciro Gomes pula na frente, herdando muitos eleitores do Governador paulista: Ciro (25%), Dilma (21,3%), Aécio (14,7%), Marina (7,3%).

Vemos, portanto, que uma faixa do eleitorado flutua entre Ciro e Serra e que a saída deste da disputa não favorece a segunda colocada, impulsionando exatamente aquele que estava em terceiro lugar. Já Aécio, apesar da fama de agregador, não consegue manter o patamar de Serra. Se poderá reverter durante a campanha, é outra história.

Um terceiro cenário foi testado sem Ciro Gomes: Serra (40,5%), Dilma (23,5%) e Marina (8,1%). Segue a mesma lógica. Dilma não é diretamente beneficiada com a saída de Ciro e seus eleitores tendem, na sua maioria, a apoiar José Serra.

Mais um dado interessante. 20,1% dos entrevistados disseram que o candidato indicado por Lula seria o único em que votariam. Este patamar assemelha-se as intenções de voto obtidas por Dilma em todos os cenários testados. Ou seja, Dilma ainda não estourou a bolha dos 20%, estando circunscrita ao voto lulista. Resta saber se, conhecida pelo resto do eleitorado, poderá, por méritos próprios ainda avançar.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Equívoco Histórico

A visita de Ahmadinejad é um equívoco político em diversos aspectos. Vale lembrar a constitucional e histórica tradição diplomática brasileira de respeito e defesa dos valores democráticos e sua posição equidistante e cautelosa nas relações exteriores, que muitas vezes credenciou nosso país a mediar e encontrar soluções inteligentes na esfera internacional.

Ahmadinejad representa aquilo que uma nação democrática, tolerante, pacífica e aberta mais repudia. O Presidente do Irã prega a destruição de Israel e nega o Holocausto, uma das maiores bárbaries da história da humanidade. Nosso país foi destino de um incontável número de judeus, que aportaram no Brasil em rota de fuga dos campos de concentração. Foram recebidos de braços abertos e hoje, brasileiros há gerações, são parte fundamental e importante de nossa história. As culturas entrelaçaram-se de tal forma que hoje não é possível mais dissociá-la. Negar o Holocausto é negar o horror pelo qual passaram os antepassados de milhares de brasileiros.

Ahmadinejad não defende a democracia. Persegue seus opositores, encarcera seus rivais políticos, reprime manifestações públicas contra o governo, limita o acesso a informação, censura a imprensa, prende jornalistas, persegue homosexuais, minorias religiosas e fuzila vozes dissonantes ao regime dos aiatolás. Como se não fosse o bastante, sua eleição está sob forte suspeita de fraude.

Ahmadinejad é exatamente o oposto daquilo que defendemos em nossa história e nossas leis. Nossa história repudia tudo aquilo que Ahmadinejad representa. Nossas instituições, que deveriam estar acima dos homens, deveriam evitar que um equívoco histórico fosse cometido.

Receber Ahmadinejad no Brasil, sob qualquer ótica, é um atentado aos nossos valores pacíficos e democráticos, um desrespeito aqueles que também, como todos imigrantes que por aqui aportaram, construíram de forma honesta e digna nossa nação.

Que o mundo enxergue que os valores reais da nação brasileira são pacíficos, democráticos e mais dignos do que aqueles defendidos por quem temporariamente exerce o poder.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Os Movimentos de Aécio

A estratégia já está em curso há algum tempo. Aécio movimenta-se na tentativa de viabilizar seu nome como candidato dentro do PSDB. Na tentativa de barrar a candidatura de Serra, que alcança sólidos 40% das intenções de voto, o Governador de Minas optou por uma estratégia peculiar. Ele tenta mostrar-se agregador, podendo ampliar a aliança para além de PSDB, DEM e PPS. Aécio acha que uma grande frente em torno de seu nome seria a forma de evitar uma eleição plebiscitária e atingir no âmago a estratégia eleitoral petista.

É preciso, contudo, avaliar até que ponto sua estratégia é passível de vitória ou se a oposição pode estar sendo tragada para uma armadilha criada pelas hostes governistas.

Enquanto isso, Aécio colhe a simpatia de empresários, políticos e até da imprensa. Carlos Lupi do PDT é sensível em torno da candidatura do Governador de Minas. Hélio Costa, ministro de Lula pelo PMDB mineiro, também, e até o presidente do PSDB declarou que acha Aécio mais agregador. Isso sem falar em parte do DEM e no suposto receio de Lula, que teria declarado: "Se o Aécio for o nome do PSDB mesmo, ele bagunça a base governista". Até Ciro Gomes, sempre beligerante e inflexível, diz que desistiria de sua candidatura em favor de Aécio.

Como vemos, Aécio tem colhido apoios de diferentes lados ultimamente. Eles surgem inclusive da base governista, que apesar de estar fechada com Dilma, flerta com o Governador mineiro, incluindo o grande desafeto dos tucanos, Ciro Gomes. Na realidade, diferentemente de Serra, Aécio não representa risco de ruptura para os grupos políticos. Este é seu grande trunfo, mas também é a debilidade que pode comprometer um futuro governo seu. O contrário serve para Serra.

Entretanto, em razão disso, não deixam de surgir rumores que Aécio, no afã de viabilizar-se como candidato tucano, esteja abrindo um perigoso flanco para que o governo desestabilize o projeto da oposição.

A linha que separa ambas possibilidades é muito tênue e Aécio deve transitá-la com muito cuidado, sob pena de rachar o PSDB, como fez Geraldo Alckmin em 2006, e colocar o projeto dos tucanos em risco.

terça-feira, novembro 17, 2009

Jogo Perigoso

O contato político estabelecido entre Aécio Neves e Ciro Gomes está cheio de significados e articulações internas. Ciro é ex-tucano e nutre um ardente desprezo pelos antigos companheiros de partido, especialmente aqueles que gravitam dentro do núcleo paulista do partido, liderado por Serra, seu desafeto.

Mesmo assim, a chegada de Ciro a Belo Horizonte traz um novo fator. Em primeiro plano tudo sugere que o governador de Minas Gerais tenta ampliar um leque de apoios, que evidencia Aécio como um líder agregador e facilitador de uma grande frente em torno de seu nome.

Ficam, no entanto, questões no ar, caso um acordo fosse viabilizado. Se Aécio for o candidato do PSDB, deve-se perguntar como reagiria Ciro Gomes, um dos mais contundentes críticos dos tucanos, no sentido de equilibrar o discurso entre FHC e Lula.

Este, no entanto, não é o maior obstáculo a ser transposto. Nesta mesma hipótese, Ciro Gomes, que na impossibilidade de sair candidato a Presidente, disputaria o governo de São Paulo, o faria contra seu maior desafeto, José Serra, o principal nome do partido de Aécio.

Mas os questionamentos são ainda mais profundos e a aproximação de Aécio com cardeais governistas, mesmo que no intuito de construir uma candidatura mais agregadora, pode gerar efeitos negativos em seu próprio ninho tucano.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Alerta Vermelho

Se o destempero da ministra Dilma, durante sua passagem pelo Rio, não havia sido suficiente para gerar preocupação, sua coletiva pós-apagão certamente fez soar um importante alerta em sua base de apoio.

O principal receio é que seu tom possa colocar em risco sua candidatura. Muitos lembram do exemplo de Ciro Gomes, que não conseguiu calibrar sua língua quando crescia nas pesquisas, e teve sua candidatura abatida em seu melhor momento.

Dilma conta com ótimos marqueteiros e uma boa rede de apoio que está sendo tecida por Lula. Entretanto, de nada adiantará se seu temperamento explosivo e professoral não for domado. Sua reação irônica com uma repórter na coletiva pós-apagão é o melhor exemplo de como um candidato não deve se portar.

Ministros e líderes de partidos que apóiam a candidatura petista já questionam se a candidata terá traquilidade e estabilidade emocional durante uma campanha que tende a ser duríssima. Circulou hoje, por exemplo, uma nota sobre o ríspido corretivo que a Ministra aplicou em seu colega Carlos Minc, do Meio-Ambiente. Suas broncas, além de ministros, já atingiram inclusive parlamentares de sua base de apoio.

Certamente os parceiros do consórcio governista que tendem a embarcar em sua candidatura estão preocupados, pois se Dilma não domar seu temperamento, correrá o risco de ser "cristianizada" em plena corrida presidencial.

quinta-feira, novembro 12, 2009

A Pesquisa Vox Populi

Em uma semana agitada por vários fatos políticos, não é possível deixar de comentar a pesquisa encomendada pela Band ao instituto Vox Populi.

Os números mostram um crescimento da ministra Dilma e uma queda do governador Serra. Entretanto, a pesquisa pecou pelos cenários apresentados, tendo em vista que o mais provável desenho da sucessão não foi testado.

O primeiro cenário mostra Serra (36%), Dilma (19%), Ciro (13%), Heloísa Helena (6%) e Marina (3%). Este não é um cenário provável, já que Heloísa disputará uma vaga no Senado por Alagoas. O segundo cenário traz Aécio no lugar de Serra. Novamente traz Heloísa Helena entre as opções: Dilma (20%), Ciro (19%), Aécio (18%), Heloísa (8%) e Marina (4%).

É preciso apurar com precisão o destino dos votos de Heloísa, que tende a apoiar Marina, mas não deve levar de maneira integral os votos deixados pela representante do PSOL.

A saída de Heloísa Helena da disputa precisa ser adicionada aos cenários, bem como o teste de uma opção com Ciro Gomes candidato e outra sem o pré-candidato do PSB, que tende a disputar o governo de São Paulo, como garantiu o presidente Lula a interlocutores esta semama.

quarta-feira, novembro 11, 2009

O Pecado da Soberba

Candidatos devem medir o tom de suas palavras, especialmente em suas declarações públicas. Dilma, que já possui uma imagem pouco palatável ao eleitor, cometeu um sério deslize durante o evento de batismo do navio Skandi Ipanema de Eike Batista, ocorrido em Niterói, no Rio.

Dilma partiu para o confronto, alfinetando o governo FHC, fazendo comparações futebolísticas, como "O governo anterior perde de 400 a zero", e classificando de "patética" a comparação do Bolsa-Família com os programas do governo FHC. Disse ainda que entendia o "nervosismo" da oposição e terminou com um tom forte demais, dizendo "Agora pegamos o gosto, e tudo o que nós queremos é comparar".

Dilma precisa lembrar que não é Lula. O Presidente, que é dado a este tipo de discurso, e possui um forte carisma pessoal, ainda impulsionado pelo bolsa-família, sabe até onde pode ir, mas isto não cacifa Dilma a ter o mesmo tom.

Um deslize mais sério pode colocar a perigo todo o trabalho de construção de imagem que está sendo realizado em torno de sua figura e colocar em risco todo o projeto político ao seu redor.

Sobre o Apagão

O Brasil sofreu o maior apagão de sua história na noite de ontem, especialmente se tomarmos por base sua duração e extensão.

Segundo as primeiras informações, o estado mais atingido foi o Rio de Janeiro e a região Sudeste sofreu os maiores danos. Além dos fluminenses, o apagão chegou com força a São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Entretanto, outros estados foram atingidos, especialmente Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco e o Distrito Federal. Também foram sentidos reflexos no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Alagoas, Rondônia e Acre.

O apagão atingiu, em termos de PIB, cerca de 80% do País.

Os órgãos competentes avaliam onde foi o problema, que tem características de ter ocorrido na trasmissão.

A imprensa internacional deu destaque ao problema ocorrido no Brasil, lembrando sempre que o País sediará a Copa do Mundo e a principal cidade atingida, o Rio de Janeiro, sediará as Olimpíadas. A multiplicação dos arrastões por vários bairros da cidade foi destaque. Não se via polícia na rua. A falta de infra-estrutura do País já está sendo apontada como um problema pela imprensa internacional.

Politicamente, a reação do governo será importante, uma vez que a presidenciável do PT, a ministra Dilma Rousseff ocupou por anos a pasta de Minas de Energia. O setor segue controlado em segundo e terceiros escalões e estatais de energia por aliados e indicados da Ministra e do PT, que direta ou indiretamente estão implicados no caso.

A oposição precisa estar atenta, articular-se e cobrar explicações do governo de forma pública e transparente. Não há como deixar de lembrar que a Venezuela tem enfretado apagões diários com Hugo Chávez. Será que a oposição terá a eficácia do PT nos tempos de FHC? O tema certamente renderá politicamente. Resta saber quem terá mais competência na condução do debate.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Muro da Vergonha

Há 20 anos terminava um dos períodos mais sombrios da história.

A queda do Muro de Berlim representou, na Europa, o fim de um regime que precisava cercar suas fronteiras para que seus habitantes não fugissem. Entre 1949 e 1961 foi o que mais de dois milhões e meio de pessoas fizeram. A antiga parte socialista da Alemanha até hoje sofre com os retrocessos que foram impostos pelo regime ditatorial de esquerda.

Uma nova Europa renasceu das amargas cinzas do socialismo. Aqueles, que tiveram experiência semelhante, de conhecer cada um dos países da antiga Cortina de Ferro, conhecem também os detalhes das prisões políticas, das violações aos direitos humanos e do luxo que cercava os membros dos partidos socialistas.

A Alemanha dá uma grande lição em lembrar que o pesadelo não será esquecido e que a liberdade surgida com a queda do Muro de Berlim deve ser festejada e lembrada como uma conquista não só dos alemães, mas também de húngaros, tchecos, poloneses, búlgaros, eslovacos, croatas, ucranianos e tantos outros que pereceram tentando fugir dos horrores do comunismo.

O Muro de Berlim construído pelos socialistas, que era formado por valas de cerca metálica, cabos e alarmes, trincheras, 300 torres de vigilância e 30 bunkers, felizmente se foi. Hoje felizmente existe somente uma Alemanha, livre a capitalista.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Heloísa embola disputa em Alagoas

A decisão de Heloísa Helena em sair candidata ao Senado complicou a disputa em Alagoas. É o que dizem as pesquisas.

Na disputa presidencial, Dilma patina com 13% e Serra lidera com folga, alcançando 44%. Até aí nenhuma surpresa, já que Alagoas foi o único estado onde Lula conheceu a derrota para Serra em 2002.

Entretanto, quanto a disputa pelas duas vagas ao Senado, a disputa toma outros contornos com a entrada de Heloísa Helena. Ela sai de 52% e o ex-governador Ronaldo Lessa alcança 44%. Se o quadro for mantido, isto significa que Renan Calheiros estaria fora do Senado, pois atualmente chega a apenas 34%.

O quadro está longe de ser definido, mas já fez soar o sinal de alerta. Se Renan sair em apoio a Dilma e esta não emplacar, isto pode inclusive dificultar sua campanha pela recondução ao Senado. Apesar de Renan ser um exímio articulador político, se quiser seguir no Senado, talvez a aliança atual do PMDB com o PT, não seja a mais indicada.

Alagoas é um estado muito interessante e vale a pena acompanhar de perto, afinal de contas, nada foi decidido ainda quanto as candidaturas ao governo do estado. Collor será candidato? Muito ainda pode acontecer.

quarta-feira, novembro 04, 2009

"Change is Hard"

E pouco a pouco a realidade vai tomando uma forma mais definida para Barack Obama. Há alguns dias, em New Orleans, ele trocou o slogan "Change we can believe in" por "Change is hard". Sem dúvida as tão propaladas mudanças são difíceis de realizar e, acreditem, ele ainda pode sentir saudades deste primeiro ano de governo.

Obama tem maioria no Congresso, pelo menos até o ano que vem, quando ele enfrenta as suas primeiras eleições parlamentares em meio de mandato. Se perder a maioria, a coisa pode complicar.

As chances de perder esta valiosa maioria é uma realidade. Ontem, apesar dos esforços pessoais de Obama, os democratas perderam os governos de dois valiosos estados: Virgínia e New Jersey, que passaram ao domínio republicano. Não seria preocupante se o segundo não fosse um feudo democrata onde o governador Jon Corzine tentava uma reeleição que não conseguiu. Na Virgínia, os republicanos terminaram com um reinado de oito anos dos democratas no comando do estado.

Apenas para recordar: Obama venceu McCain em ambos estados nas eleições presidenciais. Sem dúvida, o Presidente está certo, "change is hard".

terça-feira, novembro 03, 2009

Um vice para os Tucanos

Confirmando-se a escolha de José Serra para concorrer pelo consórcio oposicionista, abre-se a vaga de vice, naturalmente, se assim desejar, de Aécio. Entretanto, aparentemente o Governador de Minas rejeita a idéia.

Neste caso, os partidos que apoiarão os tucanos, tentarão a todo custo emplacar alguém do seu grupo. Existe, como já escrevi aqui, a possibilidade de Aécio não aceitar a vice e indicar um nome seu, no caso Itamar Franco. O problema é que Itamar ocuparia espaço pelo PPS, algo que não agradaria de forma alguma o DEM.

Os Democratas tem uma vasta lista de nomes a apresentar a José Serra, mas todos também tem suas pretensões regionais e vôos políticos próprios. José Agripino Maia tende a disputar a reeleição para o Senado, o mineiro José Roberta Arruda tende a disputar a reeleição no Distrito Federal, César Maia indica que pode entrar na disputa pelo Senado no Rio e assim a lista cresce. Existem outros nomes não muito cogitados que seriam interessantes, como o deputado baiano José Carlos Aleluia e o Senador por Goiás, Demóstenes Torres. Os Democratas têm, como disse, uma vasta lista de nomes.

Mas insisto: a eleição passa por Minas Gerais e, caso Serra seja candidato, o vice deveria vir de Minas. Caberá aos tucanos o trabalho de convenver Aécio a aceitar a dobradinha. Se desejam vencer, os tucanos não podem vacilar como há quatro anos atrás.

segunda-feira, novembro 02, 2009

PSOL acena para Marina

Como já havia comentado por aqui, Heloísa Helena deixará o "sacrifício" de ser candidata a Presidente de lado e tentará um confortável assento no Senado Federal que lhe renderá oito anos de presença parlamentar.

Na acirrada disputa pelo Senado em Alagoas, Heloísa terá uma grande aliada, Marina Silva, que disputará o Planalto pelo PV. A troca de apoios parece seguir um curso natural e o PSOL deve apoiar os Verdes na campanha presidencial.

Os interlocutores de Marina no PSOL são, além da própria Heloísa, Ivan Valente (SP) e Chico Alencar (RJ) e o senador José Nery (PA). Apesar de o PSOL ser um partido pouco flexível a acordos políticos, este tem toda a chance de ser fechado, já que é o desejo de Heloísa Helena.