terça-feira, setembro 22, 2009

Ciro entra na disputa

A pesquisa Ibope era esperada para medir a força que Marina Silva tinha a apresentar de saída. Isto foi constatado. Ela parte de um patamar interessante e apesar de rejeição alta, possui instrumentos para neutralizar seus pontos fracos e seguir adiante.

Mas quem esperava que o nome do jogo nesta altura do campeonato seria Marina, enganou-se. O nome em evidência é Ciro Gomes, que apesar do temperamento forte, pode ter aprendido como chegar lá com chances de vitória. Com a exposição na TV, ele mostrou que possui força política mais consistente e eleitorado próprio, com direito a avançar mais algumas casas dentro do tabuleiro presidencial em pouco tempo. Sem Serra na disputa, Ciro chega a 25 pontos e assume a liderança na pesquisa.

A soma Marina + Ciro causou arrepios no Planalto. Sem um nome forte e consistente na disputa, o petismo deve estar refletindo. Dilma possui uma rejeição que pode invibializar sua candidatura. Perdeu terreno e mais uma vez mostra que seu teto de 20% iguala-se ao patamar de transferência de votos de Lula, ou seja, a Ministra até agora não mostrou musculatura própria. Muitos duvidam que tenha.

Dilma come poeira de Ciro em todos os cenários. Com os números mostrados será muito difícil convencê-lo a desistir em favor da Ministra.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Erro diplomático

O refúgio dado pelo Brasil ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, é um grave erro diplomático, permeado de ilegalidades.

O Brasil tem por tradição uma postura diplomática cautelosa e sempre elogiada no mundo da política externa. O rompimento desta tradição no atual governo coloca em xeque a imagem do Brasil e nossa identidade diplomática histórica.

Apesar das posturas pouco recomendáveis de apoio a governos de exceção e ditaduras ao redor do mundo desde que o Presidente Lula assumiu o Planalto, o Brasil não tem em seu currículo qualquer histórico de ingerência na política interna de outros países. Nossa Constituição, em seu artigo 4º, determina que nas relações internacionais o Brasil deve seguir os seguintes princípios: independência nacional, autodeterminação dos povos, não-intervenção e solução pacífica dos conflitos.

Portanto, a postura diplomática brasileira, neste caso, desrespeita a Constituição e a Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA). O acolhimento de Manuel Zelaya na Embaixada brasileira em Tegucigalpa, com aval presidencial, seria classificado como crime de responsabilidade em qualquer país sério e decente do mundo.

Um erro diplomático, cercado de ilegalidades. O Brasil envolveu-se em um problema que não é seu e colocou-se na condição de propulsor de um possível conflito civil em outro país. Nada mais longe daquilo que um dia sonhou o Barão do Rio Branco.

quinta-feira, setembro 17, 2009

UE à espera da Irlanda

As pesquisas mais recentes dizem que os irlandeses dirão "sim" ao Tratado de Lisboa, que desenha o futuro da União Européia. Entretanto, uma negativa dos irlandeses no referendo do dia 2 de outubro pode criar problemas para Bruxelas.

A Polônia, por exemplo, diz que espera a posição dos irlandeses para tomar a sua. Em Dublin, apesar da últimas pesquisas, ainda reina uma visível incerteza. O governo, que no momento goza de pouca popularidade, diz que será uma disputa apertada.

O Irish Times, por exemplo, fala em 46% de apoio ao Tratado, enquanto o Sunday Business Post fala de 62% a favor. As pesquisas não coincidem, e aliada ao baixo apoio do governo do Fianna Fáil em face da crise econômica e ao apoio deste ao Tratado, a dúvida quanto a decisão dos irlandeses persiste.

A tendência é de ratificação, mas não podemos esquecer que em 2008, quando tudo indicava uma vitória do "sim", os irlandeses disseram um rotundo "não" a Bruxelas. É esperar para ver que ventos soprarão de Dublin.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Barroso reeleito

Ele surgia como o José María Aznar de Portugal. Propôs reformas profundas nas arcaicas estruturas do Estado português. Reformas eram necessárias e Barroso estava disposto e realizá-las, assim como foram feitas pelo seu parceiro espanhol do Partido Popular.

Tudo corria bem em Lisboa até que um chamado de Bruxelas fez com que Barroso deixasse a chefia de governo e rumasse para liderar a Comissão Européia. O Primeiro-Ministro era um nome de consenso em 2004 e soube, de forma cautelosa e eficaz, construir linhas de diálogo nesses cinco anos, mesmo depois de parecer desgastado antes do recesso de verão europeu.

Houve uma tentativa de desgastar Barroso há alguns meses. Ele era o candidato do grupo majoritário, o Popular Europeu, além de ter a chancela dos 27 países do bloco. Entrou o verão em baixa, mas usou o período para exercitar sua desenvoltura política e chegou ao dia de hoje com o apoio de parte dos socialistas, em especial espanhóis e portugueses, estes últimos seus adversários locais. Somados ao seu grupo de apoio, foi suficiente para chegar a maioria absoluta com 382 votos.

Liderará um período crucial, com uma agenda cheia, em especial com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa. Barroso, reeleito, consolida-se como o grande nome de unidade da UE e mostra a força política do grupo Popular, que seguirá dando das cartas na política comunitária.

terça-feira, setembro 15, 2009

Hatoyama chegou lá

A eleição de Hatoyama é um marco na política japonesa, pois retira do poder o Partido Liberal Democrático, que governou o Japão desde sua fundação, em 1955.

A incógnita sobre o futuro do Japão reside nas mãos de Hatoyama. Eleito com o discurso de ruptura e mudança, no fundo Hatoyama sabe exatamente onde está pisando. Ele já foi do PLD no passado, já exerceu seis vezes o mandato parlamentar e sua família tem um logo histórico na política japonesa. Seu avô, Ichiro Hatoyama, foi Primeiro-Ministro e seu pai foi Ministro das Relações Exteriores.

A dúvida está nos rumos que Hatoyama e seu partido desejam dar ao Japão. A última experiência do Partido Democrático no poder, entre 1993 e 1994, foi um fracasso. Cabe ao novo gabinete sepultar os fantasmas do passado e fazer um governo digno dos votos recebidos.

O caminho que Hatoyama deve seguir começa pela esquerda, pois governará em coalizão com a Esquerda Social-Democrata e o "Novo Partido do Povo". Ou seja, sabemos de onde parte o novo governo, mas onde este chegará ainda é uma incógnita. Hatoyama chegou lá. Agora deve mostrar a que veio.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Kassab fora do jogo em São Paulo

Kassab tinha uma ambição. Mirava no Palácio dos Bandeirantes já nas próximas eleições. Serra, contudo, deixou claro ao prefeito que os projetos são outros.

Kassab, um dos mais importantes herdeiros políticos de Serra em São Paulo, deve terminar seu mandato e deixar Geraldo Alckmin assumir a disputa pelo governo do Estado. Kassab ainda se movimentou nos bastidores, mas a tendência é se confirmar a estratégia de Serra.

Se o atual governador paulista vencer as eleições presidenciais, certamente terá planos para Kassab quando este terminar seu mandato de prefeito.

O certo é que Serra, neste momento, dá as cartas na sucessão paulista, no tucanato e na aliança eleitoral que desenha-se com o DEM, que já declarou que Kassab não será candidato e fará aquilo que for melhor para o Governador paulista. Serra, cada vez mais, consolida-se como a opção natural da aliança na disputa presidencial.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Trabalho para Merkel

A eleição mais esperada do ano ainda está por vir. É na Alemanha. Chega ao fim a legislatura em que Merkel, do consórcio CDU/CSU, liderou um governo de coalizão com os socialistas do SPD. Agora os dois blocos seguem para o confronto eleitoral direto.

Se tomarmos como exemplo as eleições européias do meio do ano, a vantagem de Merkel é incontestável. O bloco do CDU/CSU angariou nada menos que 37,9% dos votos e seus parceiros liberais do FDP chegaram a incríveis 11%, mais do que o dobro conseguido pelo partido no último pleito. Se CDU/CSU e FDP construírem uma vitória por maioria absoluta, a Alemanha, por fim, chegará a um governo liberal-conservador pleno, sendo desnecessária a bizarra coalizão atual com o SPD.

A única chance de um gabinete totalmente socialista está em torcer por um resultado que deixe em vantagem os Verdes, o novo partido intitulado "A Esquerda" e o próprio SPD, em uma coalizão.

A incógnita está no comparecimento dos eleitores, que não mostram-se muito empolgados com a campanha, o que abre uma pequena vantagem para os socialistas. Do outro lado, os democrata-cristãos apostam na alta popularidade de Merkel e nos musculos políticos evidenciados na eleição européia pelos liberais e seu líder, Guido Westerwelle, que deseja muito o cargo de Vice-Chanceler em um novo governo Merkel.

Por enquanto, as pesquisas dão pequena vantagem ao grupo liderado pela atual Chanceler, entretanto não o necessário para evitar uma surpresa desagradável para ambos lados, que poderia renovar por mais quatro anos a bizarra aliança com o SPD. Uma tarefa que talvez somente Merkel possa reverter.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Os Kirchner querem calar o Clarín

Percebemos que um governo perde as rédeas da situação quando começa a intimidar a imprensa. Foi o que fez Cristina Kirchner na Argentina.

Um batalhão de 180 a 200 inspetores da Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip) fez uma devassa no grupo composto pelos jornais Clarín, Olé e La Razón, que não comungam das mesmas idéias dos Kirchner e fazem uma cobertura independente da política argentina, sem afagos e benesses da Casa Rosada.

Foi uma violência. Uma invasão para a realização de uma devessa fiscal como forma de intimidar, na imprensa, quem não é benevolente com o governo. Um absurdo em uma democracia.

A violência do Estado argentino contra a imprensa seguiu em outras empresas do grupo. Jornalistas relataram que nunca viram tamanha intimidação, nem no período de exceção.

Os Kirchner, que não conseguem vencer nas urnas, agora querem calar a imprensa.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Obama na sala de aula

Obama gerou polêmica no início do ano escolar nos Estados Unidos. Sua idéia era fazer um discurso para os alunos em seu primeiro dia de aula. A repercussão negativa se espalhou, especialmente em um país como os Estados Unidos, que não é dado a esse tipo de coisa.

Assim sendo, a Casa Branca divulgou previamente o teor do discurso para que os pais pudessem decidir se mandariam ou não seus filhos para escola no dia que seria transmitida as palavras do Presidente. Houve manifestações em frente a muitas escolas por toda a América e muitos pais realmente deixaram seus filhos em casa, afinal de contas, nenhum aluno é obrigado a ouvir Obama.

A transmissão não foi obrigatória e o discurso foi ameno e tranquilo, evitou polêmicas e soou bem aos ouvidos, inclusive de alguns republicanos. Mas nada que afaste o ato em si, repudiado por muitos que buscam preservar o senso de liberdade e democracia no País.

Passada a polêmica, agora Obama fala para gente grande. Quer aprovar a reforma do sistema de saúde custe o que custar. Será que consegue? Além de amaciar os republicanos, terá que convencer uma importante parte de sua base democrata.

terça-feira, setembro 08, 2009

A pesquisa CNT/Sensus

A mais recente pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça, mostra que Serra segue líder absoluto em todos cenários. Faltou, entretanto, uma simulação, talvez a mais importante, que conta com todos os nomes que tendem a disputar a Presidência no próximo ano.

Sem Dilma, e com Ciro em seu lugar, Marina traz um nocaute para o governo. Tira 40% dos votos de Ciro, que cai de 14,3% para 8,7% e assume o segundo lugar, com 17,4%. Heloísa Helena teria 10,7% e Serra 40,5%. Mas como disse, não é este cenário que deve se confirmar. Por exemplo, Heloísa Helena não abrirá mão da vaga praticamente certa no Senado, onde tem mais exposição, e tende a deixar a disputa presidencial de lado.

O cenário mais provável e não testado teria que mostrar Serra, Dilma, Ciro e Marina.

O fato mais importante da pesquisa foi o desgaste de Dima, já presente nos números. Ela caiu em todos os cenários, o que mostra real desgaste da candidata. Ela, até o momento, não conseguiu estourar consistemente a barreira dos 20%, que seriam as intenções de voto espontâneas de Lula, e o voto que conta-se como diretamente transferível pelo Presidente. Ela precisa de musculatura própria para estourar esta barreira, mas não tem conseguido. O episódio Lina Vieira, por exemplo, afetou sua imagem.

Apenas uma nota sobre o cenário onde aparece Palocci. Sem qualquer exposição ou aval de Lula, ele chega a 8,5%. Se ele fosse o candidato de Lula, certamente já teria ultrapassado a barreira dos 20%, pois vemos pelos números que ele realmente acumula popularidade e musculatura política própria, coisa que Dilma ainda desconhece.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Piñera na frente no Chile

A eleição presidencial é só no final do ano, mas o quadro político chileno começa a tomar contornos mais definidos. Tudo indica que depois de governar o Chile desde a saída de Pinochet, o consórcio político de esquerda "Concertación" pode não vencer as eleições.

O El Mercurio divulgou mais uma pesquisa e Sebastián Piñera permanece em um sólido primeiro lugar, com 37% das intenções de voto. O ex-Presidente Eduardo Frei aparece com 17% e a novidade desta eleicão, que retira a polarização entre Alianza por Chile e Concertación, Enriquez-Ominami, surge também com 17%.

O maior risco de Piñera é o segundo turno. Em 1999, Lavín, da UDI, perdeu por apenas 200.000 votos para Ricardo Lagos, da Concertación. Piñera, que perdeu também um segundo turno, em 2005 contra Bachelet, tomou as precauções devidas desta vez, acomodando aliados de seu partido, Renovación Nacional e a UDI. Para vencer, sua coalizão, Alianza por Chile, não pode estar rachada e deve unir forças de todas as correntes.

A direita chilena, um dos raros grupos conservadores sobreviventes na América do Sul, tem amadurecido eleitoralmente e tudo indica que desta vez as chances são grandes e reais.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Ciro candidato?

Pelo jeito vai fazendo água os planos de Lula transformar a eleição presidencial de 2010 em uma disputa plebiscitária, do estilo, Dilma versus Serra.

O tom do programa eleitoral do PSB mostrou que Ciro está na briga e almeja muito mais do que o governo paulista. Ciro mira na cadeira de Lula. O problema é o de sempre. Se Ciro fosse eleito, as chances de Lula volta seriam mínimas. Assim, ele tenta jogar Ciro para fora da disputa.

No cenário apresentado por Ciro, no estilo herdeiro de Lula e capaz de promover os ajustes necessários para seguir adiante, tudo leva a crer que Dilma levará fogo-amigo se ele for candidato e dividirá votos. Ciro não entra em disputa para brincar.

Soma-se a tudo isso a candidatura de Marina Silva e aí sim a intenção de Lula realmente começa a ir por terra. Serra, Dilma, Ciro e Marina. É tudo que Lula menos queria.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O tropeço político de Uribe

Uribe faz um belo governo na Colômbia. Avança sobre as Farc e suas ações terroristas sem concessões ou negociações como aquelas já realizadas pelos antecessores. Suas ações trouxeram maior tranquilidade para os negócios e a vida cotidiana. A economia respondeu, crescendo forte e saudável nos últimos anos.

Quando seu primeiro mandato chegava ao fim, a Constituição foi modificada para que Uribe pudesse concorrer a reeleição. Foi reeleito com facilidade. Agora que o segundo termo chega aos derradeiros meses, sua base de apoio aprovou um referendo que autoriza Uribe a buscar um novo mandato como Presidente.

Uribe é um governante único na América do Sul. Responsável, sério e dedicado, representa a antítese do populismo que eclode por diversos países da região. Ao autorizar sua base de apoio a buscar um novo mandato, comete um tropeço político-institucional.

O pecado político de Uribe foi não ter formado um partido forte e coeso que representasse as idéias que defende e assim, aos poucos, deixar que o partido defendesse suas bandeiras políticas ideológicas. A falta deste elemento faz com que o próprio Uribe materialize essas bandeiras, tornando aquilo que seria um projeto partidário em um projeto político guiado por um líder.

Uribe é um governante exemplar, entretanto, faltou-lhe o toque político como forma de trazer estabilidade institucional-partidária a Colômbia. Espero que ainda seja tempo. Pelo visto ele terá um terceiro termo se deseja tentar seguir este caminho.

terça-feira, setembro 01, 2009

Pré-Campanha

Atrás do Pré-Sal esconde-se a candidatura de Dilma. Toda a cena por trás do anúncio do marco regulatório já faz parte da campanha de Dilma. O discurso de Lula em pleno ataque a Era FHC já faz parte da candidatura Dilma.

Ou seja, apesar de a discussão ser necessária, a festa em torno do Pré-Sal, de forma ufanista (e seria diferente?), chamado por Lula de "a nova independência do Brasil" é apenas um pano de fundo para a propagar sua candidata por aí.

Agora a discussão vai para o Congresso e discussão do tempo de tramitação apenas deixa o tema por mais tempo em evidência, assim como o nome da ministra da Casa Civil.

O tema foi posto em timing perfeito, ou seja, em tempo para estar fresco para a campanha presidencial de 2010. O tom de Lula no lançamento do marco regulatório, em ataques desmedidos ao governo tucano mostra que Lula sabe o que está fazendo: não é Pré-Sal, é Pré-Campanha mesmo.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Palocci entra no jogo

Era uma inocência anunciada. Há muito já se falava que o STF não acataria a denúncia do MP contra Antônio Palocci. Foi o que aconteceu, apesar do placar apertado.

Politicamente, Palocci é o melhor nome para disputar a Presidência da República pelo PT. Não tenho dúvida do seu potencial eleitoral, de sua habilidade política, seu bom trânsito no empresariado e boa aceitação de nome pela classe média em uma campanha. Entretanto, seu ponto fraco reside em suas qualidades. Explico.

Palocci, se eleito, teria habilidade para conduzir quatro anos de mandato que chancelariam seu nome naturalmente para uma reeleição em 2014. Lula busca um nome que não crie sombra para sua volta em quatro anos. Palocci certamente criaria. Lula precisa de um nome fraco, que seja eleito no calor de sua popularidade, e que não impeça sua tentativa de volta. O nome certo para sua estratégia é Dilma.

E como Lula passa longe de ser um estadista, coloca sua vontade pessoal acima do projeto do partido. Sobre isto o PT deve refletir.

Palocci aguarda os desdobramentos. Depois de superado o episódio do caseiro com o chancela do STF, Palocci entrou no jogo e, acreditem, tem musculatura para disputar a Presidência.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Suplicy e o marketing

O senador Eduardo Suplicy não foi feliz em seu pronunciamento. Veio a público depois de encerrada a partida e apresentou literalmente um cartão vermelho ao presidente José Sarney. Chegou a causar risos entre os presentes.

A atitude de Suplicy foi classificada como marketing puro e falta de sinceridade pelo senador Heráclito Fortes. Ao contrário do que ouvi e vi pela mídia, Heráclito não defendeu Sarney, ao contrário, foi ao microfone cobrar coerência de Suplicy ao perguntar:

- É muito simples, contra fatos não há argumentos. V. Exª (senador Suplicy) não assinou o recurso que o Senador José Nery assinou! Por que V. Exª não assinou o recurso, se é tão sincero esse seu sentimento de agora? Por que V. Exª não assinou, para ter legitimidade de estar dizendo aqui hoje o que está dizendo?

Suplicy tentou se explicar. Perdeu a calma. Realmente contra os fatos não há argumentos. Se desejava mesmo agir contra o arquivamento das denúncias contra Sarney, Suplicy deveria ter assinado o recurso. Não assinou. Preferiu ir para a tribuna vociferar contra o Presidente do Senado. Uma clara peça de marketing.

E Heráclito continuou: "Cartão vermelho para o Lula, porque foi quem invadiu o campo aqui, foi quem invadiu as dependências do Senado. Cartão vermelho para o Presidente Lula, que deu cartão amarelo para o Líder do seu Partido, o Senador Mercadante. V. Exª não tem coragem de dar cartão vermelho a Lula. Por que não dá o cartão vermelho aí, para o País todo ver? Porque o responsável disso tudo, quem foi? Seja sincero. Quem foi o responsável por isso tudo?".

Suplicy obedeceu a disciplina partidária. Que não venha agora posar de ético quando houve a possibilidade de colocar sua assinatura no recurso contra Sarney e não o fez.

Realmente contra os fatos não há argumentos.

terça-feira, agosto 25, 2009

Bernanke reconduzido por Obama

Para quem espearava mudanças radicais, Obama, por vezes opera surpresas. Depois de manter Robert Gates no Departamento de Defesa, agora chegou a recondução da política monetária com a indicação de Ben Bernanke. Indicado primeramente por republicanos, terá um novo mandato de quatro anos à frente do Banco Central americano, o Federal Reserve (Fed). É mais um nome trazido por Bush que brilha na constelação da administração do democrata.

Talvez Bernanke não fosse a primeira opção de Obama, mas dentro das circustâncias atuais, não convém realizar experimentações. Bernanke foi testado na crise atual e o anúncio de sua recondução seis meses antes do término do seu mandato sinaliza que Obama mira na estabilidade das políticas e diretrizes monetárias para vencer a crise.

Bernanke é criticado pela ala mais esquerdista do Partido Democrata, que o considera conservador, e pela ala conservadora do Partido Republicano que o considera um interventor. Mas no meio termo tem o apoio de republicanos e democratas que garantem uma tranquila recondução quando seu nome chegar ao Congresso.

Vamos torcer para que os ventos de um Banco Central independente soprem por aqui e assim como Bernanke, um Presidente de Banco Central brasileiro tenha um mandato fixo, deixando a política monetária a cargo de técnicos, longe da ingerência política. Agora, Bernanke terá sólidos quatros anos pela frente para trabalhar, sem pressões ou ingerências da Casa Branca.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Limpeza na Receita

O episódio Dilma/Lina continua a render manchetes. Nesta segunda o governo resolveu exonerar dois assessores ligados à ex-secretária Lina Maria Vieira. Seus nomes: Alberto Amadei Neto e Iraneth Maria Dias Weiler. Ele era seu assessor, ela, chefe de gabinete.

Em resposta ao cerco criado pelo governo, cinco superintendentes regionais, coordenadores, além do subsecretário de Fiscalização, Henrique Jorge Freitas da Silva colocaram seus cargos à disposição em protesto. Reação ao aparelhamento do Estado. Merecem aplausos.

O problema aqui é político. Lina Vieira foi retirada da Receita por questões políticas, assim como os dois funcionários exonerados nesta segunda-feira. Resta saber se um dia receberão polpudas indenizações por suas carreiras terem sido prejudicadas por não se alinhar ao lado daqueles que controlam a máquina pública.

Perseguição política, alguns podem pensar. Outros tem certeza.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Revogação da renúncia irrevogável

Depois de conversar com Lula, Mercadante cedeu. Era de se esperar. Dizem que o Presidente tem o dom do bom argumento "ao pé do ouvido". Mercadante disse aos petistas que fica.

Fica, mas enfraquecido, e o Senado certo de que Mercadante não comanda a bancada que lidera. O caso Sarney expôs que quem realmente manda no PT é Lula e Mercadante será mero instrumento de realização dos desejos emanados do Planalto. Foi enquadrado e seguirá enquadrado.

Ficou ruim para o Senador. Revogar a renúncia irrevogável pegou mal. Mesmo que seja para manter a legenda petista para concorrer em 2010, Mercadante desgastou-se desnecessariamente com seu eleitorado paulista.

Quem conhece o PT sabe como as coisas funcionam e Mercandante ousou virar-se contra a lógica partidária que comanda o grupo do qual faz parte, ou seja, obediência ou porta da rua. Mercadante preferiu seguir sendo petista.

quinta-feira, agosto 20, 2009

PT salva Sarney

Já se imaginava o que ocorreria no Conselho de Ética. O PMDB, liderado por Renan, articulou o salvamento de José Sarney. A oposição faria seu papel, apesar de alguns senadores do DEM terem afinidades com o acusado e terem balançado nas horas finais. Mas a estratégia de defesa estava bem costurada, especialmente com a representação contra Arthur Virgílio. Com o oposição de um lado, em cálculo preciso, e a tropa governista de outro, o fiel da balança seria o PT. E foi.

Lula chamou seu pessoal para uma conversa antes da reunião. Enquadrou os senadores do seu partido como era esperado. Mercadante, que se opôs a manobra de Lula, acabou deixando a liderança do partido, porque afinal de contas, não comandava a bancada. Lula exerceu o papel de líder do partido no Senado. Ordenou o voto pró-Sarney. Os senadores acataram.

O desconforto é grande entre alguns nomes do PT, como Flavio Arns. Os senadores Ideli e Delcídio procuraram ainda ser substituídos na última hora, não porque se opunham ao comando do Planalto, mas porque temem a retaliação em seus redutos eleitorais - ambos são candidatos em 2010. Nada feito. Teriam que ir para o "sacrifício". E foram.

Ao fim e ao cabo, saíram do PT os votos decisivos para manter na gaveta as 11 ações contra Sarney. Os petistas votam ao lado daqueles que um dia foram seus desafetos, mas que hoje são seus soldados na defesa do governo Lula, como Gim Argelo, Wellington Salgado, Gilvam Borges, entre outros.

Depois de tudo, Sarney disse acreditar que tudo se normalizará a partir de agora. Será mesmo? Ainda acredito haver enorme interesse do governo em manter Sarney pressionado. Bate e assopra. Ontem foi o dia de assoprar.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Mercadante perde a linha

Lina Vieira já tinha exposto aquilo que desejava. A tropa de choque governista achou que os danos não eram lá tão graves e já batia em retirada. Neste momento entrou em cena Ideli Salvati despejando sua ira. Prevendo o desastre, Renan tentou alcamá-la, sem sucesso. A senadora jogou fogo em uma discussão que já estava morna, chamando Lina Vieira de mentirosa. Foi muito amadorismo. A partir daí, sentindo-se acuada, Lina subiu o tom.

Como se não fosse o bastante, Mercadante resolveu dar o ar de sua graça e partir para o ataque. Depois de ser agressivo com a depoente, envolveu-se desnecessariamente em uma polêmica com José Serra, que nem em Brasília estava. Tasso Jereissati chegou a dizer que o problema de Mercadante com Serra era freudiano. Pode ser. Tasso disse que Dilma mentiu em seu currículo - o que realmente ocorreu. Em ato contínuo Mercadante atacou Serra, acusando-o de faltar com a verdade no mesmo quesito, quando na verdade o senador petista é quem tinha telhado de vidro: mentiu em seu currículo na corrida ao Palácio dos Bandeirantes (que perdeu para Serra), dizendo-se Doutor pela Unicamp. Não era.

De São Paulo, Serra, envolvido de graça na polêmica, devolveu a grosseria. Chamou Mercadante de mitônomo (viciado em mentir), e concluiu: "Eu acho que é um caso de psicanálise, não de política".

Mercadante, de maneira infantil, acirrou os ânimos na CCJ, gerou atrito com os tucanos, antecipou o debate eleitoral e jogou os holofotes da mídia em José Serra. Péssimo para o PT. O senador paulista mais uma vez perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Com Mecadante na linha de frente, o Planalto não precisa de inimigos.

terça-feira, agosto 18, 2009

Alguém Mentiu

A oposição esperava munição contra o governo. A tropa de choque governista estava pronta para a intimidação. Lina Vieira esteve na CCJ do Senado esta terça-feira e reafirmou aquilo que havia falado aos jornais, ou seja, Dilma Rousseff teria pedido para "agilizar" a fiscalização do filho de Sarney na Receita Federal.

Para a oposição o mais importante foi a confirmação de que sim, ela esteve com a ministra Dilma. Como a Ministra da Casa Civil nega tal encontro, alguém está mentindo. Se confirmada a mentira, em um país sério, Dilma teria que sair que cena. No Brasil, dorme na Câmara dos Deputados um pedido do deputado Ronaldo Caiado para liberação das imagens de segurança do Planalto que mostram com quem está a verdade.

Para o governo, o mais importante foi Lina Vieira dizer que não sentiu-se pressionada. Tudo bem, mas se não sentiu-se pressionada, tal encontro existiu, e neste caso, a Ministra Dilma faltou com a verdade quando negou o encontro.

Além disso, acredito que por "agilizar" a fiscalização do filho de Sarney, entende-se prejudicá-lo, ao contrário do que foi entendido. Sou partidário da tese de que o governo é quem realmente joga e trama contra Sarney nos bastidores.

Mas bom mesmo seria ver a acareação entre Dilma e Lina. Esta última já topou, resta saber o que fará o Planalto. Para evitar a ida de Dilma, o governo precisa do PMDB e o PMDB precisa dos votos do governo para manter Sarney na Presidência. Já sabemos o final dessa história.

Voltando a Lina e Dilma. Alguém mentiu. Entretanto só uma delas tem histórico neste quesito.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Quase ex-Petista

Marina Silva anda desgostosa com o PT. No Ministério do Meio Ambiente pouco pode fazer. Seus seguidos embates com a antiga ocupante da pasta das Minas e Energia, Dilma Rousseff, tiraram sua empolgação com o governo Lula. Seu desafeto virou a toda poderosa da República, e agora, candidata ao Planalto.

Marina esperava um governo legitimamente de esquerda quando assumiu sua pasta. No poder, Lula juntou o clientelismo da década de 80 com a pragmatismo servil do Bolsa Família. Nada de idéias novas, apenas práticas antigas. Sobrou pragmatismo ao petismo Lulista ou esquerdismo ao petismo de Lula?

Bem, de qualquer forma, se Marina encarar o jogo a sucessão, pode trazer dor de cabeça exatamente para seu desafeto, Dilma.

Marina pode entrar para o PV, mas também possui as portas abertas do Psol de Heloísa Helena, que precisa reforçar o partido, mas quer mesmo é voltar ao cenário nacional pelas mãos do Senado.

O certo é que Marina, deixando o PT para trás, tem agenda, carisma e empatia para trazer problemas ao seu quase ex-partido. Se entrar para o jogo, desequilibra a partida.

terça-feira, agosto 11, 2009

Hillary irritada

A secretária de Estado, Hillary Clinton, perdeu a esportiva durante uma entrevista na República Democrática do Congo.

Foi questionada sobre a posição de Bill Clinton em relação a um acordo entre aquele país e a China. A perguntou foi diretamente naquilo que mais incomoda Hillary, a sombra do ex-presidente Bill Clinton em sua carreira política.

Hillary respodeu, objetivamente: "Meu marido não é secretário de Estado, eu sou. Se você quer saber a minha opinião, te responderei minha opinião, mas eu não serei um canal para o meu marido".

O vídeo passou a circular freneticamente por aí. Tá certo. Bill Clinton é muito articulado politicamente e sabe como ninguém ocupar espaços e seduzir os interlocutores. Apesar de ser muito hábil, Hillary carece de um dos mais importantes atributos de Clinton, o charme pessoal, daí ser facilmente confundida como um canal ao marido.

Talvez esta pequena diferença tenha sido a maior responsável pela derrota de Hillary nas primárias. Obama, assim como Bill Clinton, nasceu com o dom que falta a Secretária de Estado.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Chapa Puro-Sangue

José Serra e Aécio Neves estão juntos aqui no Rio de Janeiro na abertura do 16º Congresso Nacional do PPS, no hotel Guanabara. Certamente o PPS caminhará ao lado do PSDB na sucessão, assim como o DEM. Entretanto, aqui e ali sempre surgem comentários sobre a formação da chapa de oposição em 2010.

Serra possui mais força dentro do partido e tem tudo para levar a indicação, mas quem ocuparia o cargo de vice? O caminho natural é buscar um vice dentro dos partidos aliados, mas não deve-se desconsiderar a possibilidade de Aécio Neves ocupar este posto.

O caminho de uma eleição presidencial passa por Minas Gerais, sempre defendi isso. O trabalho torna-se muito mais difícil sem uma passagem obrigatória por Belo Horizonte. Aécio Neves já está no segundo mandato e possui uma administração com aprovação recorde. Seu nome impulsiona e traz para a candidatura onde desembarcar o valioso peso das Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do Brasil.

Serra vem de São Paulo, berço do tucanato, com aprovação recorde, conta com a força de Kassab (cria do próprio Serra) na capital e um candidato para continuidade de seu projeto, Geraldo Alckmin, que oscila entre 53% e 63% das intenções de voto. O desespero de Lula é tamanho com São Paulo que escalou Ciro Gomes como candidato, com o claro objetivo de dividir votos e dar a chance de praticar seu esporte preferido: bater nos tucanos.

Contudo, com Serra e Aécio juntos, o grupo liderado pelos tucanos sai com larga vantagem em São Paulo e Minas Gerais, as duas maiores jóias da coroa de uma campanha presidencial.

Nada de procurar um vice no Nordeste. Acredito que a chapa de oposição deve calcar fortemente seus esforços nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Nordeste, refém do bolsa-família e do assistencialismo do governo do PT, com ou sem campanha forte, deve desgarregar caminhões de votos no candidato ou candidata do Lulismo. No Norte e Nordeste pode-se apanas contar com os palanques regionais.

Ainda lembro da campanha de 2006, Alckmin (com vice de Pernambuco) rumo a Manaus no segundo turno para fazer campanha, onde Lula alcançou 80% dos votos, enquanto esquecia dos estados do Sul, onde além de não ganhar, perdeu votos que havia recebido no primeiro turno.

Se bem articulada com os aliados, e calcada em palaques regionais consistentes, Serra e Aécio podem largar com uma valiosa vantagem na mão. Com a estratégia política certa, podem ser uma chapa com clara e consistente chance de vitória em 2010. Lembro: com movimentos políticos corretos, as chances da Oposição são maiores do que se imagina.

quinta-feira, agosto 06, 2009

O Contra-Ataque

Não demorou muito para a tropa de choque pró-Sarney colocar sua estratégia em curso. Renan Calheiros assumiu a frente do grupo e apresentou representação contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio, que é um dos mais ferrenhos críticos do presidente Lula e desde o início tem defendido a saída de Sarney.

A estratégia visa intimidar a oposição a Sarney atacando seu mais ferrenho líder de forma calculada. Vale lembrar que o grupo pró-Sarney mantém o controle do Conselho de Ética - e agora ameaça Virgílio com a cassação de mandato.

O clima de confronto foi instalado. Renan e Tasso Jereissati trocaram acusações que chegaram ao limite da quebra de decoro.

Depois de tudo, o politicamente correto Cristóvam Buarque leu um manifesto dos líderes do PDT, PSDB, PSOL e DEM pedindo o afastamento de Sarney.

Aloízio Mercadante, líder do PT, e Antônio Carlos Valladares, líder do PSB, não assinaram a carta. Mantém distância regulamentar. Jogam, como já disse, nos dois times.

Assim, enquanto PSDB e PMDB trocam farpas e acusações, o governo assiste de camarote o desgaste da oposição e dos aliados indesejados de ocasião. Nada mais saboroso para o Planalto.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Clinton na Coréia do Norte

Esses aí nas fotos são o ex-presidente Bill Clinton e o ditador Kim Jong Il, da Coréia do Norte.

Clinton fez o que foi chamado de "uma visita privada" a Pyongyang, acompanhado de seu antigo Chefe de Gabinete, John Podesta. O objetivo era a libertação de duas americanas, jornalistas, Euna Lee and Laura Ling, presas políticas do regime comunista da Coréia do Norte quando trabalhavam na fronteira com a China.

A Casa Branca negou qualquer idéia de que Clinton estivesse agindo como emissário de Washington, mas sabe-se que Podesta dirige o Centre for American Progress, think tank ligado a administração Obama. Além disso, a Coréia do Norte sugeriu o oposto, além de nas fotos vermos negociadores do país asiático ao lado de Bill Clinton.

Na verdade, tudo indica que Clinton fez uma viagem diplomática, de traços previamente acertados, como o repatriamento das americanas, e fotos programadas. Ficou bom também para o ditador coreano, que mostrou ao mundo que ainda dirige o país, e internamente com o discurso oficial de que um estadista recebeu o ex-presidente dos Estados Unidos.

Todos ficaram bem na foto. Mas se Bill Clinton levou alguma mensagem de Obama, fica a pergunta: dá para confiar em Kim Jong Il?

terça-feira, agosto 04, 2009

Collor reage

Com o Senado de volta, o senador Pedro Simon foi responsável por colocar fogo no plenário. Foi a tribuna e exigiu a renúncia de Sarney, como um "gesto de grandeza".

Sarney, que havia presidido o início da sessão e já havia se retirado, foi defendido por Renan Calheiros. A discussão entre ambos foi acalorada e Simon mirou na honra de Renan, acusando-o de ter traído o presidente Fernando Collor. Erro de cálculo político do senador gaúcho.

Neste momento o presidente Collor entrou no plenário para defender-se, afinal de contas, seu nome havia sido citado. Passou um corretivo em Simon, daqueles memoráveis ("parlapatão que é", segundo Collor), de forma enfática, veemente: "Peço encarecidamente, que por favor, antes de citar o meu nome desta tribuna, vossa excelência engula, digira e faça dela o uso que julgar conveniente".

Collor passou então a defesa de Sarney, relembrando os terríveis momentos que passou acoado pela mídia: "Esta Casa não pode e não haverá de se agachar aquilo que a mídia ou certa parte da mídia deseja. (...) Eu sei o que é isto, porque por isto eu passei, em muito maior escala. Eu sei como essas coisas funcionam, eu sei como tudo isso é feito, como tudo isso é forjado, eu sei como tudo isso nasce, como tudo isso desabrocha e a quem tudo isso interessa".

Acima de defender Sarney, Collor defendia o Senado, o que poucos entenderam. O Senado, em sua opinião, não pode cair de joelhos, e aquele escolhido pelos senadores, deve cumprir integralmente seu mandato. Collor, em outras palavras, está disposto a não deixar acontecer com o Senado aquilo que fizeram com sua Presidência. Memorável.

domingo, agosto 02, 2009

Bolsa Paraguai

O Brasil não sabe lidar com seus vizinhos. O viés ideológico mais uma vez cegou a política externa brasileira, cada vez mais pautada por uma visão partidária dos governantes brasileiros com os grupos políticos de esquerda aliados ao PT em diferentes países da América Latina, o propolado Foro de São Paulo.

Argentina, Bolívia, Equador, Venezuela, só para ficar entre os vizinhos, são os exemplos mais claros da ingênua política externa brasileira que acredita que nosso país possa trocar beneplácito financeiro por simpatia e servidão na política externa. Vale lembrar que nenhum ato de benevolência com nossos vizinhos resultou em benefícios para o Brasil até o momento. Eles não estão nem aí para o Brasil.

Já disse, no início de um governo Lula, que a diplomacia brasileira trilhava o lamentável caminho de um imperialismo tupiniquim que apenas enfraquece o papel do Brasil no exterior. Acreditar que os países estrangeiros são como os beneficiários do bolsa-família, convertido em um bolsa-vizinho, e simplesmente serão liderados pelo Brasil por gratidão, ultrapassa a ingeniuidade sobre a cenário internacional. O bolsa-família pode funcionar para direcionar votos nas eleições brasileiras, entretanto, acreditar que pode-se dosmeticar a política externa da mesma forma que se fez com o povo brasileiro é ignorância diplomática.

Pela revisão do acordo acertada entre Fernando Lugo e Lula, o pagamento feito pelo Brasil ao Paraguai aumentará dos atuais US$ 120 milhões para US$ 360 milhões por ano, ou seja, são US$ 240 milhões a mais por ano. Além disso, O Brasil bancará a criação de fundo binacional e realizará o financiamento da construção de uma linha de transmissão de Itaipu a Assunção, orçada em US$ 450 milhões, que inicialmente era responsabilidade do Paraguai. Nossos vizinhos, a partir de agora, também poderão vender energia de Itaipu e de outras usinas no mercado livre brasileiro gradualmente e sem a intermediação da Eletrobrás.

Estão entregando o Brasil. As amizades políticas externas parecem ser mais importantes que a soberania nacional. Existe uma perigosa e temerária inversão de valores que trará danos irremediáveis ao Brasil, para sempre.

"O favor é a antesala da ingratidão", já dizia Ulysses Guimarães.

sexta-feira, julho 31, 2009

“Não votei no Sarney nem para senador”

As suspeitas de que o governo Lula esteja jogando contra José Sarney são cada vez maiores. Como já disse aqui, a estratégia do "bate e assobra" funcionou até o momento, mas as reais intenções por trás de tudo isso pode estar começando a se confirmar.

Orientado por pesquisas internas a se descolar de José Sarney, que carrega a crise em seu colo, Lula cada vez mais se afasta do ex-Presidente. Primeiro delegou a função de defesa aos assessores, agora, em outro momento, já diz que nada tem a ver com isso. Medo de contaminar o governo e a candidatura Dilma?

Pode ser. Mas de onde surgem as denúncias que cada vez mais encurralam o senador Sarney e outros tantos em diversos casos de repercussão? Enquanto o ministro da Justiça Tarso Genro acusa advogados, o Presidente do STF, Gilmar Mendes, acusou a própria Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça e a Tarso Genro, de vazar informações sigilosas de inquéritos de acordo com interesses políticos. As gravações envolvendo Sarney foram foram realizados pela Polícia Federal durante a operação Boi Barrica.

Talvez a mesma mão que afague Sarney, seja a mesma que trabalhe contra ele. Resta saber o desfecho dessa história. Se realmente se confirmar uma manobra interna do governo para derrubar Sarney, o apoio do PMDB a Dilma pode ruir, assim como suas chances de ocupar o Planalto do Planalto no lugar de Lula. Um grande erro político pode estar sendo gestado.

quinta-feira, julho 30, 2009

ETA de novo

Um dia após o brutal ataque terrorista em Burgos, o ETA provocou mais um atentado com as mesmas características, carro-bomba e como alvo membros da Guarda Civil espanhola. O alvo desta vez foram as Ilhas Baleares, em Mallorca, no charmoso e tranquilo balneário de Palmanova. Dois guardas, Diego Salvá, 27, e Carlos Sáenz de Tejada, 28, faleceram na explosão.

Alguns dizem que os atentados mostram uma desesperada necessidade de o ETA mostrar que ainda está vivo. Não acredito completamente nesta tese. O ETA está vivo e agindo, de forma coordenada e brutal, como sempre.

A Espanha segue em alerta, pois depois de dois atentados em dois dias, é preciso ter cautela, pois esta é a semana de aniversário de 50 anos do ETA e certamente os terroristas buscam marcar a data provocando uma série de atentados. Em Madri, onde presume-se que estevam os principais alvos, o alerta é total.

O requinte de crueldade do atentado de Palmanova, a poucos metros da residência do Rei Juan Carlos, que chega ao balneário entre hoje e amanhã, foi ter sido realizado por dispositivo remoto, ou seja, os terroristas esperaram os guardas entrar no carro para acionar o dispositivo. Suspeita-se que os etarras ainda estejam na ilha, que fechou portos e aeroportos na operação "Jaula", que tem o objetivo de capturar os terroristas.

quarta-feira, julho 29, 2009

ETA ataca novamente

Atentados terroristas são ações covardes. Quando vivi na Espanha presenciei os resultados das brutalidades cometidas pelo ETA e o sofrimento das famílias destruídas. Desarticular essas redes criminosas é uma obrigação dos governos nacionais, em especial do espanhol. O ETA mais uma vez não perdoou e dois dias antes de completar 50 anos, cometeu um atentado que poderia ter alcançado proporções ainda mais sinistras. Por sorte o resultado não foi o esperado pelos terroristas.

O ETA atacou o quartel-residência da Guarda Civil espanhola, na bela cidade de Burgos, no norte da Espanha. O furgão-bomba usava placas usadas por um carro de um dos vizinhos, o que enganou a polícia, que havia desconfiado do veículo horas antes da explosão.

Foram usados entre 200 e 300kg de explosivos e o atentado abriu um buraco de sete por dois metros e destruiu parcialmente sete dos 14 andares do prédio-residência.

Este é o resultado da política de leniência do governo Zapatero, que por ser ineficaz, deixa espaço para que o ETA manobre com facilidade e prepare seus atentados. Depois de roubar dois litros de nitrometano em 2007, o grupo vem experimentado atentados com o uso de amonitol, com efeitos muito mais fortes do que os explosivos usados em ações anteriores. Suspeita-se que tenha sido o explosivo usado em Burgos.

Felizmente o atentado não deixou vítimas fatais, mas os feridos passam de 60. As férias evitaram um dano maior. Já está na hora de governo espanhol pesar a mão contra o ETA. Se não o fizer, o grupo continuará se rearmando, reagrupando e recuperando sua força, que ficou debilitada depois do duro combate imposto pelo governo Aznar.

terça-feira, julho 28, 2009

Sotomayor quase lá

Obama caminha tranquilamente para a confirmação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte.

A primeira batalha ela já havia vencido, a mais delicada, quando sua vida foi investigada a fundo. Restou aos que se opunham a sua candidatra a pressão natural de uma bancada em desvantagem.

Os Republicanos colocaram em ação os meios possíveis, acionando todo seu grassroots, de think-tanks, do-tanks e até associações, como a NRA. Não foi suficiente, pelo menos no comitê do Congresso resposável pela sabatina. Mesmo acusada de ser mais ativista do que juíza, Sotomayor soube ser política e evitar polêmicas, sabendo transitar pelos parlamentares de Washington.

A votação foi tranquila. 12 votos a favor. Os Republicanos preferiram o silêncio, em bloco, com a exceção de Lindsey Graham, que votou a favor da confirmação de Sotomayor.

Agora é no plenário. Mas mesmo se os Republicanos se unirem, chegarão apenas a 40 votos. Os independentes podem desequilibrar o páreo, mas tendem a votar com a indicada de Obama.

E que o Presidente aproveite a farta maioria no Congresso. As eleições de meio de mandato podem mudar completamente a cara de Washington. E Obama não gostará nada disso.

Por enquanto é só esperar a inevitável confirmação de Sotomayor.

segunda-feira, julho 27, 2009

Dos dois lados

É onde está o PT no episódio José Sarney. Explico.

Enquanto o presidente Lula afaga e defende o senador Sarney, o senador Mercadante divulga nota posicionando a bancada do PT de lado contrário. A estratégia está bem montada, mas é perigosa.

Sabe-se que o episódio José Sarney pode gerar desgastes para o governo e para candidatura Dilma. A estratégia é segurar o PMDB, como já disse aqui, para que assim mantenha-se no barco de apoio de Dilma e no apoio ao governo, ajudando a sepultar aqui e ali incômodos como a CPI da Petrobrás.

O PT não quer ficar vendido nessa história, confundindo-se com o fisiologismo do PMDB, portanto, Mercadante procura transmitir independência de sua bancada em relação a questão Sarney, mesmo sabendo que se algo der errado, os senadores petistas serão protagonistas de uma "operação abafa". Joga para torcida.

Lula já sentiu que os ventos da crise podem chegar ao Planalto. Assim sairá da linha frente de defesa de Sarney e passará a operação aos articuladores políticos. Evita desgates.

Assim, contra ou a favor de Sarney, bem dosado, o petismo achou um ponto de equilíbrio. Entretanto, a linha é tênue. A pressão que Sarney vem sofrendo não pode ser considerada normal se levarmos em conta que a tranquilidade de Lula depende da dele. Avaliar o real comprometimento dos aliados é fundamental, de ambos lados.

quinta-feira, julho 23, 2009

Movimentações Diplomáticas

Na esteira do que comentamos ontem, confirma-se a postura ativa da administração Obama em relação ao Oriente Médio. Se ontem era Erdogan que estava em Damasco, amanhã a capital síria prepara-se para mais uma visita do enviado norte-americano George Mitchel.

Ele já está na região, em Abu Dhabi, conforme o Departamento de Estado. De lá segue para Damasco e no domingo estará em Israel. Antes de voltar a Washington deve passar pelo Egito e Barein. Segundo o governo americano, a viagem a Damasco tem o objetivo de "ver o que os sírios estão preparados para fazer para impulsionar um processo integral", no que tange a relação destes com Israel. Mas sabemos que a visita de Mitchel vai muito além disto, especialmente depois da visita do Primeiro-Ministro turco nesta semana. A conferir.

Vale também um comentário sobre outra movimentação diplomática de Obama, nos antigos satélites comunistas Ucrânia e Geórgia, que possuem relações tensas com Moscou. O vice de Obama, Biden, que esteve em Kiev e Tbilisi, declarou apoio ao ingresso dos dois países na Otan, o que desagrada o Kremlin e disse que Washington não admite a independência das regiões separatistas georgianas Ossétia do Sul e Abkházia, ao contrário de Moscou.

A região é sensível e Biden tocou em assuntos delicados. Resta saber o que Obama combinou com Medvedev em sua recente visita a Moscou.

quarta-feira, julho 22, 2009

Erdogan, o facilitador

Já falei aqui da importância estratégica da Síria no tabuleiro político do Oriente Médio. Falei também da aproximação de Obama com Bashar al-Assad, que já recebeu diversos emissários de Washington nos últimos meses.

Se a estratégia está correta e se a Síria seria um aliado confiável é outra história. Temos que nos ater aos fatos.

Hoje, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, viajou até Damasco acompanhado de seu ministro das relações exteriores, Ahmet Davutoglu. O objetivo é a retomada das conversações de paz entre Síria e Israel.

O fato não seria inteiramente curioso, uma vez que o governo de Ancara já foi intermediador de negociações entre os dois países ainda em 2006. O curioso é quem permeia a iniciatica turca, ninguém menos que os Estados Unidos.

Semana passada um enviado norte-americano, Fred Hoff, esteve na Síria e em Israel e não voltou a Washington sem antes solicitar uma ajuda para a Turquia, parceiro estratégico dos americanos na região há tempos.

A Turquia, apesar de laica, é governada por um partido nascido das ruínas do antigos grupos políticos pró-islâmicos. Erdogan, que se oferece como ponte entre Israel e Síria, é muçulmano e apesar de a Turquia ser o primeiro país de maioria muçulmana a reconhecer o Estado de Israel, as relações estremeceram desde que Erdogan discutiu com o Presidente Shimon Peres no Fórum Econômico Mundial e retirou-se da sala em protesto. Esta seria uma grande chance para Erdogan mostrar sua habilidade política, reaproximar-se de Israel e mostra-se pragmático para uma Europa extremamente cética em relação aos rumos políticos na Turquia.

terça-feira, julho 21, 2009

A Popularidada de Obama

Coisas da política. Seis meses já passaram desde a posse de Barack Obama como Presidente dos Estados Unidos. Sua popularidade é de 55%, similar ao número de George W. Bush com seis meses de mandato, que ostentava 56%.

Os números mostram que a popularidade de Barack Obama aos poucos encontra seu ponto de equilíbrio. Ele mostrou a que veio, seja na política internacional, questões domésticas ou mesmo econômicas e os americanos já sentiram o fio condutor de suas políticas para o país.

Se olharmos os números dos vários institutos mais a fundo percebe-se que o Presidente ainda usa seu charme pessoal para segurar sua popularidade. Isto fica claro quando vemos que as políticas domésticas de seu governo, aquelas que mais interessam aos eleitores, sofrem sérios questionamentos. A economia ainda é o ponto mais sensível, acompanhada pela batalha pessoal de Obama em reformar o sistema de saúde, medida questionada por 50% dos americanos. Sua personalidade, contudo, alcança robustos 65% de populariade, o que não é pouco para os Estados Unidos.

Ainda existem muitos anos pela frente, assim como uma larga agenda de reformas prometidas. Obama deve aproveitar ao máximo os dois primeiros anos de mandato, até as eleições legislativas de 2010, que pode mudar a cara do Congresso e forçar a agenda do Presidente para léguas aquém de onde ele imaginava chegar. Até lá, espera-se que seu charme pessoal esteja afiado para tocar uma agenda de reformas profunda, como prometeu em campanha.

segunda-feira, julho 20, 2009

Fujimori condenado. Keiko lidera pesquisas no Peru

Fujimori recebeu a terceira condenação desde que voltou ao Peru, há dois anos, diretamente remetido do Chile, onde chegou em 2005.

A condenação de 7 anos e meio de prisão nada altera a vida do ex-Presidente. Ele já cumpre pena de 25 anos. Disse ele que reconhece os fatos, aceita parcialmente as acusações, mas que não aceita a responsabilidade criminal.

Enquanto o judiciário discute as penas de Fujimori, que presidiu o Peru entre 1990 e 2000, sua filha e herdeira política, Keiko, segue como franca favorita nas pequisas para a eleição presidencial de 2011.

Não pensem que apoio a Fujimori é tímido. Pude constatar pessoalmente isto quando estive no Peru. Por todo o país ele é extremamente popular e reconhecido por muitos como um político de atitude, que além de arrumar a economia, acabou com o Sendero Luminoso (seu líder, Abimael Guzmán, está preso até hoje) e o Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA).

A possível (e provável?) vitória de Keiko Fujimori em 2011 pode mudar substancialmente o andar dos acontecimentos. Vejam o sorriso do ex-Presidente.

quinta-feira, julho 16, 2009

Sobre Pizzas e Pizzaiolos

Mais uma vez o Presidente Lula colocou sua língua afiada para funcionar e atacou o Congresso Nacional, afirmando que todos os senadores eram bons pizzaiolos, atacando a CPI da Petrobrás, que em suas palavras, é coisa de “quem quer fazer Carnaval”.

Esqueceu que quando estava na oposição o PT era agitador de CPI's, e que talvez tivesse o intuito só fazer Carnaval também lá no passado. Mas algo não mudou, a capacidade de atacar as instituições. Chamar os senadores de pizzaiolos é desrespeitar o Senado, e por consequência o Poder Legislativo.

A atitude recorrente de desacreditar as instituições é um forte golpe na democracia. Por certo existem parlamentares que servem a qualquer governo, a qualquer custo, sem preocupação ideológica, entretanto é errado generalizar e atacar um outro poder da República, sob pena de colocar em risco a própria República.

Não faltarão aqueles inocentes úteis, como o senador Cristóvam Buarque, que já sugeriu em seus devaneios um plebiscito sobre o fim do Congresso e ainda disse que o nome disso não seria golpe, se assim o povo desejasse. Depois ele voltou atrás, mas já era tarde e o estrago estava feito. Pelo menos no epsidódio dos pizzaiolos, Buarque está se redimindo da lambança anterior, requerendo um voto de censura do Senado ao Presidente da República.

É bom lembrar que no governo do Presidente Lula não faltaram escandâlados de toda a ordem que se pode imaginar, troca de favores e alianças com aqueles que o petismo sempre atacou. Nunca um governo foi tão hábil em tornar o Congresso um ente tão servil aos seus interesses. O problema é saber a que custo, que poder ser um dia a falta de um Parlamento, ou a transformação do mesmo em um fantoche manobrado pelo Executivo. Talvez falte menos do que imaginamos.

quarta-feira, julho 15, 2009

O Suplente do Suplente

A tropa de choque liderada por Renan Calheiros conseguiu mais uma vitória, a confirmação do senador Paulo Duque, do Rio de Janeiro, para chefiar o Conselho de Ética.

Paulo Duque é suplente do suplente de Sérgio Cabral, atual governador do Rio, e chegou ao Senado da mesma forma que o presidente da CPI da Petrobrás, o suplente, agora senador (petista) João Pedro, ou seja, sem sequer um voto. Uma daquelas distorções bisonhas que só a política brasileira consegue produzir de forma bem acabada.

A eleição de Duque (um dos dois suplentes da foto, o outro é João Pedro) para chefiar o Conselho de Ética foi tranquilo. Candidato único, obteve 10 dos 15 votos. Houve ainda uma abstenção e quatro votos em branco da oposição, que se negou a votar em Duque.

Sua missão? Defender todos os membros da tropa de choque do PMDB, e se o acordo for bem amarrado, dar uma ajudinha ao governo petista também. Duque é o homem de Renan Calheiros no Conselho. E o novo Presidente já avisou a que veio em apenas uma declaração: "José Sarney é um homem que prestou muitos serviços ao país. Ficar vasculhando a vida dele é uma bobagem".

É isso aí. Por essas e outras que o jornalista Augusto Nunes lhe conferiu o curioso apelido de "Velhinho Moleque".

terça-feira, julho 14, 2009

PetroCPI "Chapa Branca"

Depois de idas e vindas, a CPI da Petrobrás foi instalada. E a maioria governista é avassaladora, abriga 8 dos 11 integrantes.

As chances de a CPI não dar em coisa alguma é grande, mas sempre existe a possibilidade de o governo se complicar. Mas isso será difícil, pois o consórcio governista PT/PMDB divide o comando e o destino das verbas da estatal. Cada um defenderá os seus, e ambos podem se ajudar.

Na oposição segue a esperança que, de uma forma ou de outra, alguma denúncia possa gerar embaraço e atingir cardeais do governo petista, especialmente Dilma Rousseff, conselheira da Petrobrás. Isto se a CPI "pegar" e tiver força até o fim dos seus dias, prevista para fevereiro. Se a coisa pegar fogo, e a oposição colher apoios, os trabalhos podem ser prorrogados até agosto do ano eleitoral, 2010. Este seria o cenário de sonhos de oposição.

Certos de que isso pode acontecer, a tropa de choque de Lula já mira na administração FHC, com o objetivo de desviar as atenções e intimidar tucanos e democratas. Estratégia esta que pode se revelar equivocada, uma vez que a parcela do PMDB que apóia Lula hoje, também apoiou FHC. Se Lula pensa em atingí-los, pode detonar sua própria frágil base no Senado.

Mas ao fim e ao cabo não podemos esperar muito de uma CPI presidida por João Pedro (PT-AM), suplente do atual ministro dos Transportes de Lula, Marcelo Crivella (PRB-RJ) como vice e o polivalente Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo Lula, membro da tropa de choque de Sarney e antigo líder de FHC na Casa, para relator.

segunda-feira, julho 13, 2009

Taro Aso antecipa eleições no Japão

Tudo indica que mais um Primeiro-Ministro japonês deve deixar o cargo. Desta vez é Taro Aso, com a popularidade na lona, beirando os 20%. E isto pode jogar seu tradicional partido em uma crise profunda.

Entretanto não foi somente sua popularidade em queda livre que indica o ocaso de seu governo, mas a vitória do partido rival (PDJ) nas eleições municipais deste final de semana. O Partido de Aso perdeu uma hegemonia de 40 anos em Tóquio. Foi um golpe brutal.

Sua manobra política foi antecipar as eleições gerais, previstas inicialmente em outubro, para o dia 30 de agosto. Para isso, Taro Aso deve dissolver o Parlamento nos próximos dias, por volta do dia 21 de julho. Um erro político? Talvez. Mas se mantivesse seu gabinete no poder durantes os próximos meses, sua popularidade cairia ainda mais. Já, antecipando o pleito, retira do foco o desgaste de seu governo e o traz para o debate político propriamente dito.

Desde que o habilidoso Junichiro Koizumi deixou o poder, em 2006, parece que o Partido Liberal Democrático, que controla o governo japonês há 50 anos, não encontrou equilibrio. Depois de Koizumi veio Shinzo Abe, Yasuo Fukuda e por fim Taro Aso.

O PLD precisa de forma urgente de outro Koizumi, ou de uma vez por todas, virar a página e renovar suas lideranças. Mas este é um assunto muito delicado dentro de um partido praticamente monopolista que já confunde-se com o próprio Estado. Talvez o alerta vindo de Tóquio e a possibilidade real de perder as eleições gerais leve o PLD a discutir de forma profunda essas questões.

quinta-feira, julho 09, 2009

A Questão de Honduras

As questões que rondam a situação em Honduras são delicadas e por isso devem ser analisadas com atenção. Aos olhos dos mais afoitos, aquilo que foi classificado de golpe, com a saída de Manuel Zelaya do poder, pode representar exatamente o oposto.

Explico. Zelaya afrontou as instituições. Uma democracia não é feita de homens corajosos, mas de instituições fortes. Zelaya buscava miná-las, assim como fizeram outros presidentes latino-americanos, como Chávez, Correa, Morales, entre outros. Tentou-se, como no resto da América Latina, distorcer a noção de democracia como forma corrempê-la e atacá-la por dentro.

Quais países resistem aos movimentos populistas que modificam a lei com o intuito de se perpetuar no poder? Exatamente aqueles que possuem instituições fortes que se sobrepõe aos homens. Sempre disse que em um país sério, leis são mais fortes que os homens e quando ocorre o contrário, estamos observando os instantes finais de uma democracia.

Zelaya afrontou a Constituição, foi advertido pela Suprema Corte e pelo Congresso. Mesmo assim resolveu ir adiante com seus devaneios populistas que visavam mudar a Constituição para que pudesse se perpetuar no poder. As instituições foram mais fortes. Ele foi removido de seu posto.

Podemos nos perguntar de que lado está o povo? Do lado da Lei, apoiando seu poder judiciário, seu Congresso. Isto é o mais admirável. Nem sempre projetos de pseudo-ditadores de plantão conseguem seus objetivos.

Honduras mostrou que pelo menos em algum lugar da América Latina, quem realmente manda é o povo, que fala por meio de suas instituições.

quarta-feira, julho 08, 2009

Irã anuncia libertação de 100 detidos

O Irã anunciou que nos próximos dias libertará mais 100 detidos durante os confrontos pós-eleitorais.

Parece muito? É pouco. Estima-se que mais de 2.500 pessoas foram detidas no país, entre intelectuais, políticos, jornalistas e acadêmicos, inclusive estrangeiros. Sem falar nas mortes. O governo fala em 1.032 detenções e alega que 2/3 já foram libertados. Acho difícil acreditar na versão governista.

Entre os iranianos presos, ainda encontra-se, por exemplo, o ex-vice-presidente Mohammad Ali Abtahi e outros aliados do ex-presidente reformista Mohamad Khatami.

Estima-se que mais de 1.000 pessoas ainda estejam presas, mas acredito que este número pode ser maior.

O crime dessas pessoas, no caso dos jornalistas, foi noticiar os tumultos e manifestações ocorridas quando anunciada a vitória de Ahmadinejad com folga. O crime dos iranianos foi protestar contra uma clara fraude, onde em vários lugares foram computados mais votos que eleitores, todos em favor do vitorioso.

Agora, aos poucos, o regime, que se fechou e prendeu milhares de pessoas, começa, a conta gotas, a liberar seus detidos.

Tudo isso manter o poder e o regime fechado. Não há democracia que resista quando a fraude pauta uma eleição como a iraniana. Lamentável.

terça-feira, julho 07, 2009

Uigures enfrentam a China em Xinjiang

Se já é difícil obter informações confiáveis sobre a China, imagine sobre a região de Xinjiang, que fica no noroeste do país, onde a imprensa é controlada e a presença de jornalistas estrangeiros ostensivamente monitorada.

Esta região chama a atenção nos últimos dias pelo onda de protestos de uigures, muçulmanos que tradicionalmente sempre habitaram a região.

Assim como outras regiões da China, como o Tibete, Xinjiang tem pouco a ver com a cultura chinesa. Sua proximidade, étnica, cultural, religiosa e sua língua estão intimamente mais ligados a Ásia Central. Mas mesmo assim, da mesma forma brutal com que o Tibete foi ocupado, saqueado e anexado à China comunista, a região de Xinjiang passou a fazer parte do país em 1949.

Assim como no Tibete, um crime se perpetua na região, a limpeza étnica, e aí está o cerne da crise. A China vem tentando "limpar" o território de uigures incentivando a migração em massa de pessoas da etnia han para o local. Resultado: 40% da população em Xinjiang já é da etnia han e na capital já são maioria. A China fomenta uma situação que, além de criminosa, cria uma situação delicada para o futuro da região.

Como em qualquer regime comunista, as pessoas tem medo de falar, neste caso os uigures, mas por mais que a China, que fomenta uma situação de conflito, reprima as manifestações, o vulto das 150 mortes (dados oficiais) nos últimos dias chamaram a atenção do mundo.

Vale lembrar que os uigures conseguiram, nesses dias, realizar a maior manifestação popular contra o governo comunista ditatorial chinês em 20 anos.

Em Xinjiang, os uigures não se consideram chineses. Talvez porque realmente não o sejam. O mundo precisa ficar atento às atrocidades cometidas em lugares como Xinjiang e o Tibete.

segunda-feira, julho 06, 2009

PRI ressurge no México

Quem achava que um terceiro lugar nas últimas eleições presidenciais sepultava a força política do tradicional PRI mexicano, estava redondamente enganado. As eleições parlamentares foram a arena para o antigo partido mostrar sua nova musculatura e envergadura política.

O PRI governou o México por 71 anos, até a vitória de Vicente Fox, que trouxe o PAN ao poder, em 2000. O partido de Fox seguiu no poder com a vitória de Felipe Calderón frente ao candidado do PRD, López Obrador, que havia se tornado a segunda força política do país. Ao PRI estava relegado o terceiro lugar.

Mesmo como o fiel da balança no jogo parlamentar, o PRI ainda não era protagonista. Agora tudo adquiriu um novo contorno. Com a vitória do PRI, e suas 233 das 500 cadeiras no Parlamento, o jogo muda.

Tudo ainda se torna mais dramático para o PAN ao ver que sua força política não chega a 1/3 do Parlamento, necessário para manter os vetos presidenciais. Isto torna o governo Calderón mais refém do PRI do que se possa imaginar.

É certo que as eleições em meio de mandato no México não atraem muito os eleitores. Apenas 43,7% compareceram e 5,97% anularam seu voto. Mas não se enganem, apesar destes números está claro que a máquina partidária priista, construída ao longo de 71 anos, está ativa. O PRI agora é a maior força política do México, de novo, e mira em 2012.

sexta-feira, julho 03, 2009

E o PMDB enquadrou Lula

"Lula é refém do PMDB porque quer". As palavras do líder tucano Arthur Virgílio ecoam uma verdade que não quer calar no meio político. Lula tornou seu governo dependente do PMDB porque assim desejou.

No início do governo, ainda em 2003, muitos petistas eram contra a aliança com o PMDB, mas os tempos mudaram, surgiram os escândalos, o mensalão e aos poucos Lula percebeu a comodidade de ser aliado do partido.

Mas a comodidade custa caro. O PMDB cobra uma alta fatura por seu apoio. Lula está disposto a pagá-la, mediante o loteamento dos Ministérios pela várias correntes do partido que o apoiam.

FHC, neste quesito, foi mais hábil (até porque tinha um claro projeto político social-democrata para o País), ou seja, sabia lidar melhor com este tipo de situação. O ex-Presidente blindou áreas chave do governo, como educação, saúde, economia e para barganhar apoio do PMDB (sim, ninguém governa o Brasil sem seu apoio), entregou ao partido pastas como Integração Nacional e Transportes, suficientes para abrandar a sede voraz do partido. Assim não faltou apoio no Congresso. FHC conseguia manter o PMDB sob controle. Sob a batuta de Lula, sem limites, o partido encontrou o paraíso. Esta, infelizmente, é a triste história de como opera o Presidencialismo Parlamentar brasileiro.

Lula não se preocupou em blindar área alguma a não ser a economia, que deu continuidade a política de FHC. Ao contrário, buscou um contato direto com o eleitor, ultrapassando a barreira partidária, mediante a distribuição de dinheiro via Bolsa-Família. Assim, conseguiu mudar, especialmente nos grotões a lógica política anterior.

Aos políticos que comandam grotões, como Sarney, que apoiam Lula hoje, todo é cuidado é pouco. A lógica imposta pelo Bolsa-Família no jogo eleitoral pode jogar sua fonte de votos, e logo depois sua fonte de poder, em segundo plano.

Mas enquanto isto não acontece, o PMDB ainda é o fiel da balança e Lula depende de seu apoio para governar. O PMDB é o sócio que dá sustentação ao governo, garante a governabilidade, bloqueia CPI's, impede investigações e dá tranquilidade ao Planalto para seguir adiante. Quem imaginaria que os cardeais da interlocução política de um governo Lula (que se elegeu calcado na bandeira da ética) no Congresso, seria realizada por Gim Argelo e Romero Jucá ?

A fatura é cara, mas Lula está disposto a pagá-la, ainda mais se for para eleger Dilma e preparar sua volta em 2014. Assim, Lula foi enquadrado esta semana pelo PMDB e o será quantas vezes for necessário. É o preço e o caminho que o Presidente decidiu trilhar.

quinta-feira, julho 02, 2009

E Lula enquadrou o PT

Como disse anteriormente, Sarney é um aliado do qual Lula não pode prescindir, portanto, operou para que ele fique onde está.

Sarney ofereceu a fatura de sua renúncia a Dilma. Sim, renúncia, o ex-Presidente não pedirá licença do cargo. A ministra da Casa Civil entendeu o recado. Há muito em jogo e Sarney é o fiel da balança que assegura apoio do PMDB para sua candidatura presidencial e para a estabilidade do governo no Senado, vide CPI da Petrobrás.

Assim, o PT, que num arroubo ético, havia tomado posição pelo afastamento de Sarney, subitamente mudou de opinião e passou a defender sua permanência. Missão dolorosa dada por Lula a Mercadante. Afinal de contas, manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Em caso de renúncia de Sarney (sim, ainda cogita-se essa possibilidade), os nomes que circulam pelo Congresso como seus prováveis sucessores (oriundos do PMDB) seriam: Romero Jucá, Hélio Costa, Edison Lobão ou, em último caso, Garibaldi Alves (sim, ele de novo).

Enquanto isso, a tropa de choque de Sarney continua trabalhando por sua manutenção no cargo: Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Gim Argello e Wellington Salgado. Agora com o apoio dos cardeais do PT liderados por Mercadante, Ideli e Berzoini.

Confesso que bom mesmo seria ver Simon presidindo o Senado, mas preferências todos podemos ter. Na verdade mesmo, o governo não pode abrir mão de ter Sarney capitaneando o Senado. No máximo, em caso remoto de concretização da renúncia, alguém intimamente ligado a Sarney deve ocupar seu lugar e o PT sabe que o preço a pagar por esta manobra seria alto demais.

Resta saber quanto o PT está disposto a barganhar pelo apoio do PMDB à candidatura Dilma. Isto é só o começo.