quarta-feira, março 21, 2007

Анна Политковская, 1958 - 2006

A jornalista russa Anna Politkovskaya foi sempre muito polêmica. Acabou assassinada por aqueles que não suportam a crítica e sentiram-se atingidos por suas reportagens.

Não foi a primeira jornalista morta na Rússia. Antes dela existiram outros. Depois dela também. Assim como o jornalista ucraniano Georgiy Gongadze, foi encontrada morta. Anna morreu no elevador de seu prédio em Moscou com quatro tiros, um deles na cabeça. A jornalista da Novaya Gazeta deixará saudades.

O crime brutal foi em Outubro de 2006 e não deve ser esquecido, porque Anna era uma daquelas jornalistas engajadas na luta pela liberdade e na defesa dos Direitos Humanos para realmente quem precisa: as vítimas do terrorismo e os atingidos por regimes que ceifam a liberdade.

Ela imaginava que podia vir a pagar com sua própria vida. "Algumas pessoas pagam com a vida por dizer claramente o que pensam", disse em Viena, em uma conferência da organização "Repórteres Sem Fronteiras". Anna pagou com a sua. Seu legado de liberdade de expressão não pode ser esquecido.

O Círculo de Bellas Artes de Madrid fez uma bonita homenagem para Anna. Ocorreu a leitura de trechos de sua obra intitulada "Terror na Chechênia" enquanto eram projetadas cenas de suas entrevistas e de dois momentos emblemáticos de sua carreira: o sequestro no Teatro de Moscou e na Escola de Beslan, ambas realizadas por terroristas chechenos islâmicos.

Foi uma homenagem muito bonita, carregada de carinho e admiração. Foi marcante para todos que acompanhamos.

Para todos nós, jornalistas ou ligados aos meios de comunicação, a perda de Anna deve servir de incentivo para seguirmos adiante com nosso trabalho.

terça-feira, março 20, 2007

Onda de frio

A primavera chega por aqui. Acompanhada pelo frio. Neve. Ventos de mais de 100 km/h. Temperaturas baixas. Madrid amanheceu com 4 graus positivos. Ao norte tivemos temperaturas negativas.

Sete autonomias estão em alerta, em especial as do norte: Asturias, Cantabria, Euskadi (País Basco), Castilla y León, La Rioja, Aragón e Navarra. Estas duas últimas em especial, consideradas em "risco extremo".

As estradas e ferrovias também estão sendo afetadas. Alguns trens da rede Renfe não circulam e algumas pistas já se encontram fechadas para trânsito de veículos.

E não é só na Espanha. Ontem, em contato com a Alemanha, soube que o país está coberto de neve.

Fica uma pergunta que não quer calar, e o tal aquecimento global?

Dolce & Gabbana versão "light"

A Dolce & Gabbana apresentou sua versão "light" ou "business" da polêmica propaganda censurada na Espanha.

Desta vez, o anúncio está mais comportado. Foi apresentado no suplemento Style do New York Times. Os homens agora estão de terno e gravata e a mulher apresenta-se com comportamente distinto. Alguns já dizem que ela aparece demasiadamente como "objeto", nesta versão.

Se mantém a legenda: "Uma mulher para quatro homens".

FAES lança "Mientras Europa Duerme"

Enquanto Saramago desfilava sua verve espirituosa pela Casa América, a Fundación FAES, centro de estudos do Partido Popular, apresentava o livro "Mientras Europa Duerme" (While Europe Slept) lançado por sua editora chamada "Gota a Gota". A tradução do título foi adaptada e atualizada pela editorial espanhola com o consentimento do autor.

O Wellington Hotel, na calle Velazquez, foi responsável por sediar o evento, que contou com a presença do autor, o norueguês Bruce Bawer. A apresentação do livro ficou nas mãos do diplomata e deputado catalão do PP Jorge Moragas, secretário de relações internacionais do partido.

Moragas, como sempre, foi direto e objetivo, crítico e sincero. Disse que a leitura do livro seria algo duro e desagradável para os europeus, um reflexo que talvez a Europa não goste de admitir, mas uma terapia necessária. Uma viagem ao antiamericanismo dos europeus, ou seja, um livro que todos os diplomatas norte-americanos deveriam ler.

Curiosamente o autor realiza críticas interessantes relativas a um país que sempre pensamos ser aberto, tolerante e liberal, a Holanda. Talvez o País Baixo não seja exatamente como imaginamos.

A esquerda, segundo o autor, é responsável pela política condescendente que deixa o "islamismo radical destruir os valores ocidentais desde dentro", ou seja, como somos tolerantes com os muçulmanos radicais e nos esquecemos de ser tolerantes com nossos próprios valores. Uma relfexão certamente necessária e importante.

O autor, que é assumidamente gay, diz: "O gay não precisa ser anti-americano, promíscuo, socialista, ateu e adorador de Che Guevara". Um gay pode ser pró-ocidental, conservador e cristão, segundo ele. Realmente a agenda gay foi sequestrada pela esquerda, que a associa aos seus valores, mas que no fundo os usa como massa de manobra.

Fica a questão, especialmente no que tange ao governo Zapatero, como ficam os direitos dos gays frente a homofobia do Islã? Como fica a dignidade das mulheres que são encarceradas em uma burka? Ou seja, no fundo esta suposta "tolerância" com o Islã encerra uma renúncia a liberdade - o mais importante valor ocidental.

A política do apaziguamento e da "tolerância", no fundo, não gera benefícios. A besta sempre pedirá mais, concluiu Moragas.

É preciso que a Europa acorde de seu sono profundo, pois certamente em pouco tempo pode começar o pesadelo.

O livro é imperdível. Se alguém deseja conhecer mais o autor, é só ir até: http://www.brucebawer.com e se deseja a versão em espanhol da obra: http://www.fundacionfaes.org

segunda-feira, março 19, 2007

Saramago na Casa América

Hoje a Casa América promoveu o "Diálogos sobre Derechos Humanos y seguridad jurídica en Iberoamérica". O debate estava ótimo, em especial porque além de Miguel Angel Moratinos, Ministro de Assuntos Exteriores da Espanha e o juiz Baltasar Garzón, foi possível contar com a presença do Nobel de Literatura José Saramago.

As tiradas espirituosas de Saramago são geniais. Hoje não foi diferente. Atacou diretamente a União Européia, que segundo ele faz corpo mole com a perseguição sofrida por outros escritores, como na Turquia, com o outro Nobel de Literatura, Orhan Pamuk. "E se Cuba ficasse onde estão as ilhas Canárias e desejasse entrar na União Européia, o que faríamos? Fecharíamos os olhos como fazemos com a Turquia?".

Ainda quando mencionou Cuba disse: "Em qualquer entrevista me perguntam sobre Cuba. Gostaria de saber o que acontecerá depois que o regime cair, ficarão sem assunto, sem pauta! O que irão me perguntar??".

Garzón pediu que Saramago terminasse falando de Guantánamo. Apesar de o escritor português continuar a atacar os Estados Unidos, finalizou com uma frase digna de um Nobel de Literatura: "Como criticar a maior democracia do mundo se todos nós carregamos nossa própria Guantánamo?".

Realmente a verve esquerdista de Saramago está bem atenuada.

Oviedo, um conto de fadas

Este Blog no dia de hoje irá fugir um pouco de Madrid. Assim como irei publicar algumas curiosidades sobre a capital, seus prédios e sua história, irei aproveitar para falar de outros lugares interessantes do país. Hoje começaremos pelo norte.

A Espanha é cheia de lugares especiais. O norte, então, possui características únicas. Lá encontramos Galícia, Principado das Astúrias, Cantabria, Euskadi (ou País Basco), Navarra, Aragón e Catalunha.

Oviedo, capital do Principado das Asturias é um desses lugares inesquecíveis. As pessoas são amáveis (o que não é comum em geral na Espanha) e as esculturas que se espalham pela cidade são belíssimas.

Ademais, Oviedo é considerada uma capital cultural, sempre com ótimas opções de óperas, concertos e festivais. O Teatro Campoamor e o Auditório Príncipe Felipe são acolhedores para esses espetáculos. Além disso, por lá existe uma Orquestra Sinfônica imperdível.

A acolhedora terra de Fernando Alonso e Leticia Ortiz possui por volta de 300.000 habitantes e é especialmente famosa por suas sidrerias concentradas na calle Gascona e por sua rota de vinhos, localizadas em duas ruas perto da estação central com várias alternativas para restaurantes e bares. Se o interesse está nos pubs, também não faltarão opções.

Enfim, uma cidade muito charmosa que merece uma visita. Afinal, como disse, Woody Allen, que foi homenageado com uma estátua na cidade, "Oviedo é uma cidade deliciosa, exótica, bela, limpa, agradável, tranquila, feita para se caminhar. É como se não pertencesse a este mundo. Como se não existisse...Oviedo é como um conto de fadas".

O grande Woody Allen, como sempre, não poderia definir melhor.

quinta-feira, março 15, 2007

Zapatero entrevistado na rádio Onda Cero

Pouco a pouco Zapatero começa a responder perguntas. Não gosta de fazer isso no Congresso, mas está aparecendo algumas vezes na imprensa. Desta vez foi a rádio Onda Cero, ainda curtindo uma ressaca da bateria de perguntas disparadas pelos populares na sessão de controle do governo no dia anterior.

Disse que tomou a decisão de atenuar a pena do terrorista do ETA De Juana Chaos porque sua eventual morte em função de sua greve de fome alimentaria "os piores instintos dos setores jovens radicais".

Bem, mas Rubalcaba não havia dito que a decisão havia sua? Ou seja, uma decisão pessoal? Agora Zapatero reclama a decisão para si. Quem fala a verdade?

Por fim, Zapatero disse que não mantém contato de qualquer tipo com a organização terrorista ETA, ou seja, segundo ele não existem negociações secretas em curso.

Sinceramente, depois de praticamente colocar em liberdade um dos mais perigosos terroristas espanhóis, alguém acredita nisso? A pergunta que fica no ar é: o governo mente?

Aznar apresenta livro em Madrid

Aznar esteve no hotel Intercontinental na noite de quarta-feira apresentado o livro "Qué Piensan los "Neocon" Españoles" do Grupo de Estudos Estratégicos.

Como sempre, seu discurso foi recheado de idéias claras e diretas e tiradas sempre espirituosas. Desde o princípio deixou claro que não era um "neocon", ou seja, um novo conservador, mas um liberal clássico. Assim mesmo, as duas escolas tem sempre trabalhado juntas. "Até esquerdistas convertidos tive em meu Ministério", lembrou, sendo irônico. Aznar roubou gargalhadas do público. Foi fantástico.

Mais do que qualquer coisa, Liberais e Neocons compartem da idéia de extensão da liberdade e da democracia. Aznar lembrou que ocorre um perigoso relativismo especialmente na Europa e quando isso acontece é porque o ocidente deixou de acreditar em si mesmo. Esta foi uma idéia marcante de seu discurso.

Terminou falando de terrorismo. Para derrotá-lo, segundo ele, é preciso de constância, uso dos instrumentos do Estado de Direito, sem ceder a chantagens (Será que Zapatero ouviu pelo menos esta parte?). O apaziguamento não funciona com o terrorismo, por isso eles atacam os fracos.
E aqui deixo um comentário meu: Os terroristas exigem a retirada das tropas espanholas no Afeganistão porque sabem que a sociedade espanhola já cedeu a sua chantagem uma vez.

Ele não podia terminar melhor, citando Reagan, que quando perguntado qual seria sua política para a Guerra Fria, respondeu: "É simples, ele perdem, nós ganhamos". Com o terrorismo deve-se aplicar a mesma política, segundo Aznar: "Eles perdem, nós ganhamos".

Quem perdeu um grande Presidente foi a Espanha, quando Aznar cumpriu sua promessa de ficar apenas dois mandatos frente a Moncloa.

quarta-feira, março 14, 2007

Polêmica nos anúncios de Dolce & Gabbana e Armani

Os espanhóis ontem se perguntavam se são tolerantes. Esta pergunta pairava nos notíciários da noite. Hoje os jornais estampam o porquê.

A Dolce & Gabbana já havia retirado sua última campanha publicitária por aqui desde o final de fevereiro. O Instituto da Mulher acusou a marca de "fomentar a violência machista" e em resposta, os italianos chamaram a Espanha de "país atrasado" por não entender sua mensagem.

Uma "autêntica incitação a violação" foi o que disse a ministra para Igualdade de Oportunidades, Barbara Pollastrini, apoiada por 13 senadores italianos, quando a polêmica chegou também aquele país, dia 2 de março.

Agora a Dolce & Gabbana resolveu retirar todos seus anúncios da Espanha, devido ao que chamaram de "clima de censura" que reinaria por aqui. Está repercutindo.

A Casa Armani também foi atingida. Foi acusada de incentivar o turismo sexual em um anúncio da Armani Júnior, para crianças, pois as meninas aparecem maquiadas e uma delas de biquini. O Defensor do Menor da Comunidad de Madrid disse que o anúncio estava no limíte da legalidade e pediu sua retirada.

É bom lembrar que apesar das opimiões digamos, "progressistas", de Zapatero, a Espanha é um país extremamente conservador, de raiz fortemente católica. Não podemos esquecer que aqui nasceu a Opus Dei.

Estariam os espanhóis com razão? Estamos falando de uma espécie de censura ou as marcas estão simplesmente agindo de acordo com posicionamentos de mercado? São questões interessantes para se pensar.

terça-feira, março 13, 2007

Rubalcaba, a raposa do PSOE

Eduardo Zaplana, porta voz dos populares no Congresso, jogou Rubalcaba nas cordas na sessão de hoje. Chamou o chefe do Ministro do Interior de covarde e atacou dizendo que esta é a primeira vez que um governo democrático espanhol cede ao ETA.

Triste. Mas verdade.

Rubalcaba, contudo, é uma raposa. Sabe desviar, contra-atacar, iludir, persuadir. Um político exprimentado, um sobrevivente do Felipismo. Mas sobretudo um estrategista. Muitos atribuem a ele a vitoriosa estratégia socialista pós-atentado que levou Zapatero ao poder. Ele teria idealizado a famosa frase: "O Governo Mente", que se espalhou pela Espanha naqueles dias. Recheou as respostas a Zaplana com frases de impacto, que sairiam nos noticiários da noite e nos jornais de amanhã. E terminou enfático: "O PP mentiu para permanecer no poder e agora mente para poder voltar".

O que interessa muitas vezes não é a verdade, mas a versão. Rubalcaba é o homem das versões.

Identificado o agressor de Sevilla

No último ano, durante uma tourada em Ventas, vi a segurança retirar a socos duas pessoas que haviam jogado uma garrafa de plástico em direção a uma outra parte da arquibancada. O povo grita "fuera!", enquanto os dois resistiam e eram arrastados para fora. A tolerância realmente é zero neste tipo de circunstância por aqui.

Por isso assustou tanto a garrafa lançada na cabeça do treinador do Sevilla, Juande Ramos, no último dia 28, na partida entre sua equipe e o Betis, aos 13 minutos do segundo tempo. O jogo ocorria no Ruiz de Lopera.

O clássico da região foi exatamente quando se comemora o dia da Andaluzia. Um dia de festa que acabou mal.

O treinador do Sevilla já está bem. Mas hoje surgiu a informação que já foi identificado o agressor, chamado até o momento de Ángel CH.R, torcedor do Betis. A polícia trabalhava incansavelmente neste caso. Este senhor vai ter muito que explicar a polícia.

O jogo, que foi interrompido em decorrência do incidente, será terminado no Coliseo Alfonso Pérez de Getafe, de portas fechadas, na próxima terça-feira, dia 20, 20hs.

Rubalcaba tenta livrar Zapatero

O grande Fouché do PSOE, o ministro do Interior, Alfredo Perez Rubalcaba, tentará livrar o pescoço do chefe hoje no Congresso.

O primeiro dos "sete rounds" será na data de hoje. Ele comparece ao Congresso para explicar aquilo que chamou de sua "decisão pessoal", ou seja, atenuar a prisão do terrorista do ETA De Juana Chaos.

Depois o Pleno analisará um pedido do grupo parlamentário popular com o objetivo de revogar a medida. A chance é mínima, já que os socialistas contam com maioria no Congresso.

O PP ainda tenta ilegalizar o Partido Comunista de las Tierras Vascas (PCTV-EHAK), já que o ETA está usando este grupamento para poder concorrer nas eleições autonômicas. Seu partido, o Batasuna foi colocado na ilegalidade desde 2003, quando foi provado no Tribunal Supremo, depois de um atentado, que operava como braço do ETA.

Rubalcaba inicia hoje a tentativa de salvar a imagem de Zapatero.

segunda-feira, março 12, 2007

As jóias de Madrid

Dizem que Madrid é uma cidade para ser apreciada especialmente durante à noite. Isto é verdade. A iluminação nos prédios chama a atenção de todos que passam pelas ruas da cidade.

Há muito tempo Madrid foi cercada por muros e tinha portas de entrada. Bem, nem todas as portas foram conservadas, mas uma delas, a Puerta de Alcalá continua intacta e belíssima. É perto desta entrada que estão situados parte dos prédios mais antigos e charmosos de Madrid. Ali está, por exemplo, O Palácio Del Marqués de Linares, que atualmente é a Casa de América. Conta a lenda que o Palácio, fechado durante muito tempo, é assombrado.

Bem, minha idéia é ir passando pouco a pouco por cada um desses prédios belíssimos e contar um pouco de sua história. Vamos começar ainda esta semana com a região da Puerta de Alcalá, onde está a famosa fonte de "La Cibeles", a Casa de América, o Banco de España (antigo Banco Nacional), o Palacio de Comunicaciones, entre outros.

Dizem também que Madrid é uma cidade que deve ser apreciada quando calmamente podemos olhar para cima, comtemplando as belas fachadas, sempre muito bem cuidadas. A prova está aí na foto ao lado. Hoje, durante a noite, se faziam reparos na fachada do Instituto Cervantes. Madrid cuida de suas jóias.

domingo, março 11, 2007

Jazz na noite madrilenha

Quando falamos sobre Jazz, Madrid não fica atrás de outras importantes capitais. Entretanto neste sábado uma programação na cidade tornou o Jazz imperdível, especialmente para os amantes deste estilo. Enquanto a batalha entre Barça e Real Madrid seguia no Camp Nou, o Jazz seguia supremo no Círculo de Belas Artes de Madrid. Uma competição desleal segundo o apresentador, mas que ao final, apesar do empate em Barcelona, vimos que valeu a pena estar no Jazz Círculo.

De fevereiro a abril, a cada 15 dias, a Sala de Columnas do Círculo se transforma em um templo do Jazz, ao estilo dos clubs de Londres, Paris e Nova York. 400 pessoas dispostas ao redor de pequenas 80 mesas, onde se pode estar acompanhado de um bom whisky sem as desleais leis anti tabaco, desfrutaram da performance do Aruán Ortiz Trío na noite de ontem.

No intervalo, ainda se podia assistir no telão a trechos de filmes clássicos de Jazz das décadas de 30 e 40. Fantástico. Esta iniciativa do Círculo é uma daquelas coisas que tornam Madrid um lugar único, especialmente no tocante a cultura.

O Círculo de Belas Artes também merece aplusos. Exposições, teatro, música, palestras, cinema, lançamentos de livros, debates. Um lugar que marca Madrid em seu ponto central, na calle Alcalá, bem perto do Museo do Prado e do Instituto Cervantes.

Não percam a oportunidade de conhecer um pouco do Círculo em seu site na internet: www.circulobellasartes.com

Manifestação em Madrid organizada pelo PP

Foi uma manifestação bonita e tranquila. Marcada para 17hs, já por volta das 14hs as pessoas se dirigiam para seus pontos chave, em especial a Puerta de Alcalá, de onde saiu a manifestação "España por la libertad. No más cesiones a ETA".

A Comunidade de Madrid estimou o público em pouco mais de 2 milhões, um exagero certamente. O governo falou em pouco mais de 300.000. Certamente queria diminuir o brilho dos populares. Estimo, pelo que vi, por volta de 700.000 pessoas no máximo. Mesmo assim, é um número considerável.


O PP foi responsável por organizar a marcha desta vez e na cabeceira da manifestação estavam os principais nomes dos populares, como Mariano Rajoy, Ángel Acebes, Alberto Ruiz-Gallardón, Esperanza Aguirre e Jaime Mayor Oreja. Aznar tabém estava presente.


Se lembrou muito o assassinato do Prefeito do PP, Miguel Ángel Blanco, morto pelo ETA há quase dez anos.

O povo gritava refrões como "Zapatero fue un error ¡ohhhh!", "Zapatero, ¿quién está detrás del 11-M?", "Zapatero, en mi nombre no", "La COPE, verdad y libertad" e "La COPE somos todos". A campeã, como sempre, foi "Zapatero, dimisión!".

No fim, na Plaza de Colón (sim, a bandeira já estava lá de volta, como mostro nesta foto), Rajoy leu o manifesto, ouviu-se o hino espanhol, com milhares de bandeiras sendo agitadas. A manifestação foi um sucesso. Valeu a pena.

sexta-feira, março 09, 2007

Amancio Ortega, orgulho espanhol

A Forbes divulgou hoje a lista com as maiores fortunas do mundo.

A Espanha não fez feio e Amancio Ortega, de 71 anos, fundador do império têxtil Inditex, e dono (entre outras, sem dúvida), da marca Zara subiu 15 posições. É o oitavo homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em 24 bilhões de dólares.

Nada mal para quem largou a escola no segundo grau e começou sua empresa costurando na sala com sua esposa há 44 anos. Hoje a Zara está presente em 64 países.

É fantástico verificar essas histórias de sucesso e trabalho. Antes de ficar com injeva, é preciso aprender com esses senhores.

Parabéns ao Sr. Amancio Ortega e todos empreendedores. São os verdadeiros geradores de riqueza do mundo.

Roberto Carlos deixa o Madrid

Depois de ficar com essa cara aí quando perdeu uma bola aos 10 segundos de jogo, e ser acusado de desclassificar o Real Madrid, Roberto Carlos decidiu deixar o clube.

Depois de 11 anos por aqui, disse que o erro no jogo contra o Bayern foi um "aviso de Deus". Tá bem.

O Real Madrid está realmente desmanchando seu elenco de "galáticos". Zidane já havia deixado o clube. Depois foi Ronaldo, logo irá Beckham e agora Roberto Carlos. Tempos atrás, ainda contou com Figo. Robinho e Émerson estão com a corda no pescoço.

O curioso é ver que Roberto Carlos participou feliz da era de ouro do clube. Agora que o Madrid vai ladeira abaixo, "recebe uma mensagem de Deus" e vai embora.

Mas há quem diga que sempre foi "mascarado", como lembra a gíria do futebol.

quinta-feira, março 08, 2007

O terrorista De Juana tinha tratamento privilegiado no hospital

O terrorista De Juana Chaos realmente tinha tratamento especial durante o período que esteve preso e em tratamento no hospital.

Um enfermeiro que cuidava do terrorista acaba de dar uma entrevista contando os detalhes da passagem de De Juana por lá.

Sua namorada, Irati Aranzabal, dormia e passava o dia com ele. Nos últimos dias os guardas já tinham ordens superiores para deixá-los sozinhos no quarto para "terem momentos de intimidade". Presos sem privilégios no hospital recebem visitas de somente duas horas por dia e a permissão para conseguí-las é muito difícil.

O prisioneiro/paciente estava longe de estar moribundo, como afirmou o governo de Zapatero, uma vez que em protesto chegou mover a cama e dormir no chão. "Ele não estava mal como mostravam as fotos", adicionou.

Concluiu afirmando: "Ele não falava, mas seu olhar dizia tudo. Era um olhar fixo, acompanhando tudo que fazíamos. Isto me marcou".

O sumiço da bandeira

Aqueles que passavam pela Plaza de Colón na tarde de hoje, por volta das 15:30, se deparavam com uma cena estranha. A imponente bandeira espanhola não tremulava no mastro da praça. Este Blog decidiu fazer o registro.

Esperamos que tenha sido apenas uma simples e rápida troca da bandeira, afinal, é uma das imagens mais marcantes de Madrid.

O local é emblemático para a cidade. Não é mera casualidade que será o ponto chave da manifestação de sábado.

Roberto Carlos, ele de novo.

Roberto Carlos acaba de enterrar os sonhos de mais uma equipe, desta vez o nosso Real Madrid.

Hoje no meio esportivo não se falava em outro coisa. O Madrid tomou o gol mais rápido da história da Liga dos Campeões da Europa, com 10 segundos de jogo, depois de Roberto Carlos, sim, sempre ele, perder o controle da bola na primeira jogada.

Depois disso, o Madrid se descompensou e não mais se recuperou.

Assim como na Copa do Mundo, quando ficou arrumando o "meião" ao invés de marcar Henry, de novo, foi melancólico. Depois do Brasil, agora enterrou o Real Madrid.

Zapatero se explica no Senado

Assim que chegou do Marrocos, Zapatero foi ao Senado. A sessão foi dura, com fortes interpelações do porta voz dos populares, Pío García Escudero.

O Senado espanhol não possui muita força. É uma casa representativa mas com pouco pouco poder efetivo. Entretanto não deixa de ser um lugar de bons debates, mas mesmo assim, longe daqueles que se produzem no Congresso de Deputados.

De um lado, Zapatero atacava o governo de Aznar. Do outro os populares atacavam Zapatero. A certo ponto o Presidente do Senado advertiu que se estava produzindo um vergonhoso espetáculo para o povo espanhol.

Contudo foi de Zapatero a frase que marcou o debate: "Não é a primeira vez que um governo cede diante do ETA", disse. Ou seja, assumiu pela primeira vez, publicamente, que o ETA colocou seu governo de joelhos.

Foi um ato falho terrível.

Espanha pela liberdade. Chega de concessões ao ETA

Esta é a manifestação que o Partido Popular está organizando para este sábado, 10 de março, 17 hs.

"España, por la libertad. No más cesiones a ETA"

Desta vez a concentração não será na Plaza de Colón. Fará o circuito inverso. Iniciará na Puerta de Alcalá, seguindo até Colón.

Na foto está Ángel Acebes, número 2 do PP, saindo do ônibus que leva o símbolo do evento.

terça-feira, março 06, 2007

Rubalcaba aos leões. Zapareto viaja para Marrocos

Zapatero é demais. No meio do fogo cruzado sobre sua decisão de ceder ao ETA, foi ao Marrocos.

E como se não fosse o bastante, na sessão de controle do Governo, disse que responderá somente uma pergunta sobre De Juana Chaos, deixando a batata quente nas mãos do Ministro do Interior.

Sim, nas mãos do Ministro do Interior. Rubalcaba, o grande Fouché do PSOE, que já assumiu o desgaste da decisão, agora se oferece aos leões, para poupar Zapatero.

O Presidente de Governo disse que Rubalcaba vai ao Congresso exclusivamente para apresentar explicações relativas ao caso do terrorista De Juana.

Os socialistas entregam os peões (que neste caso está mais para bispo ou eminência parda) para salvar o rei.

Apesar de que um verdadeiro Rei assumiria as consequências de suas decisões e não se esconderia de forma vergonhosa como vem fazendo.

Zapatero se esconde

A oposição pediu o comparecimento do Presidente de Governo no Congresso para explicar sua polêmica decisão de ceder diante da greve de fome do terrorista do ETA, De Juana Chaos.

Zapatero, que está no Marrocos, disse, desde Rabat, que não compareceria ao Congresso para dar explicações. Já sabia do que se passava na Câmara Baixa espanhola.

Pois vejam só, a maioria parlamentaria que dispõe Zapatero lhe foi útil. A Junta de Porta-Vozes do Congresso (uma espécie de Colégio de Líderes Partidários) não aprovou o comparecimento do Presidente de Governo para dar explicações.

Talvez não achem necessário que se dê explicações sobre um fato de tal gravidade. É um absurdo.

Zapatero foge das interpelações parlamentárias como o diabo da cruz.

domingo, março 04, 2007

A chance de ouro de Rajoy

O desastrado governo Zapatero ajuda a oposição. Entretanto, esta não poderá errar ao se movimentar no jogo político, que entra em momento crucial.

Se Mariano Rajoy souber se posicionar de forma inteligente frente ao deslize cometido pelo governo, pode angariar a simpatia exatamente da parte do eleitorado de centro que lhe falta. Do contrário, se não souber, talvez perderá a única grande chance que terá de virar o jogo em favor dos populares até as eleições gerais.

Vale a pena lembrar que o eleitorado espanhol tende historicamente a um centro-esquerdismo. Assim, os populares precisam saber se movimentar muito melhor que os socialistas.

A sessão de controle do governo no Parlamento na outra quarta, promete. Vamos ficar atentos. Estarei lá para conferir.

58% dos espanhóis acreditam que Zapatero cedeu diante da pressão dos terroristas

(Clique na imagem para ampliar)

Saí logo cedo neste domingo de sol em Madrid, com as ruas cheias de turistas, e logo me deparei com as duas principais pesquisas divulgadas sobre esta polêmica decisão do governo Zapatero sobre o terrorista De Juana nos principais jornais. Os resultados das pesquisas ABC/Metroscopia e El Mundo/Sigma-2 mostram um brutal desgaste do governo.

64% estão em desacordo com a decisão de Zapatero. Entre os votantes do PP, a revolta é maior (89%), mas nem entre os socialistas conseguem maioria. 54% estão em desacordo com seu governo.

55% acreditam que Zapatero cedeu diante da pressão dos terroristas, na sondagem do diário ABC. Na pesquisa do El Mundo é ainda maior, 58%.

54% acham que Zapatero operou uma "manobra política", ao contrário do que alegou Rubalcaba, ou seja, que De Juana teria sido enviado ao País Basco e a prisão domiciliar como uma "medida humanitária".

57% acreditam que Zapatero age com improvisão quando se trata do ETA.

Até entre os socialistas nada vai bem. 50% dos votantes do PSOE acham que ele cedeu ao terrorismo. 53% dos votantes da Izquierda Unida (IU), acreditam no mesmo.

A coisa está feia para Zapatero. Mas, vamos combinar, ele faz de tudo para se danar, não é mesmo?

sábado, março 03, 2007

Frases mais escutadas nos protestos

O que mais se ouvia nos protestos de ontem à noite pelas diversas cidades espanholas:

"De Juana é podre"
"Zapatero vete já"
"Abaixo o governo, e viva a nação"
"De Juan Chaos, assassino"
"Zapatero, demissão"
"Zapatero, assassino"
"Navarra não se vende"
"Não à rendição"
"Zapatero cúmplice"
"Zapatero traidor"

E claro, a já tradicional, presente em muitas manifestações: "Espanha merece outro presidente"

Espanhóis protestam contra Zapatero

As principais cidades espanholas estão sendo movimentadas por protestos contra a decisão de Zapatero, que enviou para prisão domiciliar um dos mais perigosos líderes do ETA, Ignacio de Juana Chaos.

As manifestações que começaram quinta-feira em Madrid, em frente ao Ministério do Interior (antiga sede da Presidência de Governo) na avenida Castellana, continuaram nesta sexta, e espalharam-se por toda Espanha.

Aqui em Madrid os 2.000 manifestantes estiveram na Plaza de la Villa e parte da calle Mayor. Alguns foram para a calle Ferraz, onde está a sede do PSOE, partido de Zapatero. Os protestos se intensificaram principalmente por Barcelona, Segovia, Pamplona, Logroño, Sevilla, Santiago, Salamanca, Zaragoza, Valencia, Cáceres, Murcia e Tenerife.

sexta-feira, março 02, 2007

De Juana: As Verdades Começam a Aparecer

Pouco a pouco vai se descobrindo pelas ruas de Madrid o que está por detrás do ato de bondade do governo socialista de Zapatero com o terrorista De Juana do ETA.

Zapatero continua disposto a negociar com os terroristas bascos, mesmo depois de ser traído pelo ETA, que atacou Madrid durante o cessar fogo em dezembro último.

É incrível, para não dizer inacreditável. Mas não quando avaliamos a estratégia de longo prazo dos socialistas.

Pelo visto, os terroristas manobram o governo como querem. Tudo indica que o ETA impôs duas condições a Zapatero: legalização de seu partido, o Batasuna (colocado na ilegadade por Aznar em 2003), e a libertação de De Juana, para que este possa concorrer nas próximas eleições. O primeiro passo já teria sido dado.

O curioso é perceber que o atentado em Barajas, em dezembro, foi realizado durante a "greve de fome" de De Juana e durante a suposta "trégua" com o ETA. O governo tinha motivos de sobra para endurecer contra o terror, mas Zapatero insiste em ser condescedente, como ocorreu ontem.

Creio que há muito por detrás dessa história. Vou postando sobre isto aos poucos, para juntarmos as peças.

Zapatero cede diante da chantagem do ETA

A Espanha está revoltada. Mais de 1.000 madrilenhos protestavam em frente ao Ministério do Interior na noite passada. Não se fala em outra coisa. O governo socialista de Zapatero cedeu diante da greve de fome do terrorista José Ignacio De Juana Chaos, do grupo terrorista ETA.

Juana Chaos, ou Iñaki, é um dos cérebros por detrás do ETA. Responsável pela morte de 25 pessoas, foi condenado a 3.000 anos de prisão. Preso desde 1987, foi contemplado por uma disposição do código penal, que permitia sua liberação após o cumprimento de 18 anos. Quando estava a ponto de sair, em 2005, foi condenado novamente, desta vez por publicar artigos que continham ameaças e incentivo ao terrorismo. Mais 12 anos de cárcere. Em protesto, iniciou uma greve de fome que já durava 114 dias. O Tribunal Supremo revisou sua pena, diminuindo-a para três anos.

Há um mês, em entrevista do jornal britânico "The Times", disse que não se arrependia de seus crimes.

Devido a seu estado de saúde em decorrência da greve de fome, o Ministro do Interior, Rubalcaba, transferiu o terrorista de Madrid para um hospital no País Basco e depois ele seguirá para casa. Segundo o ministro, "Por razões legais e humanitárias". Zapatero, que teria a última palavra, não foi capaz de se pronunciar. Mostrou-se, mais uma vez, fraco e vacilante.

Agora, sabe-se que Juana Chaos recebia visitas íntimas durante sua greve de fome e porque não suspeitar, que realmente comia durante a greve de fome? Afinal de contas, o homem considerado moribundo pelo ministro Rubalcaba, saiu caminhando tranquilamente da ambulância quando chegou ao País Basco.

Por que o governo Zapatero é tão complacente com o ETA?

Muitos comentam o seguinte: se não fosse o ETA, Zapatero não seria Presidente de Governo, uma vez que se suspeita da aliança entre bascos e islâmicos na operação dos atentados de 11 de março de 2004, que sacou o PP e sua forte política antiterror do poder.

quinta-feira, março 01, 2007

"Castro: Mentira Barbuda" é lançado em Madrid

Ouvir José María Calleja é uma aula sobre Cuba. Acompanhado pelo brilhante poeta Raúl Rivero é uma honra. E assim foi. Enquanto anoitecia em Madrid, eu percebia que tudo que sabia sobre Fidel Castro ainda era pouco.

Rivero, que foi encarcerado por Castro e solto por pressão internacional, e Olga Adeva apresentaram o livro de Calleja, "Castro: Mentira Barbuda". O autor nos contou como passou de um adolescente fascinado por Castro, a um crítico horrorizado com seus crimes e sua brutalidade de ditador.

Descreve Havana como um lugar com sensação de tristeza, silêncio, miséria, penúria, pobreza e mau cheiro. Um povo submetido a uma ditadura a imagem e semelhança de um criminoso, um prolongamento da personalidade de Castro.

Seu livro desnuda Cuba e o regime totalitário de Fidel. "Uma grande máquina de propaganda com controle político total por meio da repressão". Delação, vigilância e perseguição. Um sistema baseado no medo e no controle pelos comitês de defesa da revolução. O grande receio é o acerto de contas que grupos perseguidos querem realizar contra os Castristas quando chegar o fim do regime. Pode ser um banho de sangue. Penso que Estados Unidos e Espanha terão papéis fundamentais nesta transição.

Bem, não deixem de ler o livro e conhecer os outros fatos, como a desmistificação do sistema de saúde e educação de Cuba. Ao fim fica uma pergunta: Por que Castro levou um cirurgião, medicamentos, instrumentos de diagnósticos e cirurgia da Espanha para seu tratamento se o sistema de saúde cubano é tão exemplar?

O Chile em debate em Madrid III

Espero não estar errado em acreditar que o governo de Bachelet é o principal ícone de uma nova esquerda, moderna, que aceita os pressupostos de mercado. Seu ministro, por exemplo, disse: "Só existe democracia onde há êxito econômico, onde há competição. Isto propiciará o fim dos ciclos de avanço e retrocesso democráticos". Se referindo ao estabelecimento das bases do livre mercado disse que é um processo doloroso, mas cria oportunidades novas. Fala de política de liberalização com inclusão social e não abre mão dos gastos sociais.

Há também controle de gastos do governo, que alcançou um superávit fiscal de 6% e a economia de 1% para alocação em um fundo de estabilização para manter os níveis de gasto público em casos de crise. Assim, o governo de Bachelet poderia manter estável a tríade segunça - oportunidade - acesso a empregos estáveis.

Existem claramente políticas de esquerda no Chile, mas as bases liberais de sua economia não foram alteradas. Isto é uma virtude. Mas isto também é a herança dos anos de Pinochet e do choque de capitalismo que o Chile conheceu com os "Chicago Boys" orientados por Milton Friedman. Isto Bachelet não pode negar, por mais que deteste o falecido General. Suas políticas sociais só podem ser implementadas porque alguém arrumou a casa e acertou as contas antes.

Fazer política social com a casa arrumada é fácil. Mas a esquerda chilena tem seu mérito, assim como os trabalhistas ingleses, de terem reconhecido os acertos dos antecessores e revisto seus conceitos. Por mais que se negue, a sombra de Pinochet estará para sempre aliada ao sucesso do modelo econômico chileno.

Que diga o pragmatismo comercial do chanceler Alejandro Foxley.

O Chile em debate em Madrid II

Perguntei sobre a posição chilena sobre o perigo que ronda as democracias da Venezuela, Bolívia e Nicarágua. Ele foi novamente pragmático: "O Chile aceita o pluralismo e o caminho que outras nações desejam seguir. Respeitamos as diversidades. Agora, para estabelecimento de laços comerciais, veremos o que há de comum e veremos o que fazer". Ou seja, para o Chile não interessa o que se passa fora de suas fronteiras, desde que não afete seus interesses e negócios.

Quanto a integração latino-americana se mostra decepcionado. Na sua opinião faltam principalmente interconectividade dos mercados, convergência de políticas econômicas (como estabeleceu o Tratado de Maastricht, para a UE) e integração energética, onde segundo ele: "Fala-se muito e faz-se pouco", concluindo, "Na América Latina a integração sempre ocorreu de cima para baixo".

Esta certíssimo neste ponto. Os acordos na América Latina são muita pompa e conteúdo zero. E quando há conteúdo, não se respeitam as regras no decorrer dos laços comerciais.

Ele trouxe um dado interessante. O comércio regional da UE é responsável por 65% do seu total anual. Na América Latina este percentual de comércio interno é de apenas 25%. Ou seja, os europeus comerciam muito mais entre si do que os latino-americanos.

Foxley indicou que necessita mais presença européia em nosso continente, pois considera a Europa um sócio natual. com uma espécie de poder conceitual. Assim, reclama um diálogo político mais intenso, em especial da Espanha, que segundo ele, é "A voz da América Latina na Europa".

Falou também do Chile internamente, da necessidade de importar 90% do petróleo consumido, de sua dependência energética da Argentina e da intenção de diversificar a matriz, inserindo fontes geotérmicas e, na linha do politicamente correto, renováveis.

O Chile em debate em Madrid I

Nesta quinta-feira o ministro de Relações Exteriores do governo de Michelle Bachelet no Chile esteve em Madrid, na Casa de América. Alejandro Foxley está em viagem oficial na Espanha e depois segue para Portugal. Ele falou bastante sobre a agenda internacional e o posicionamento do Chile sobre os processos de integração.

O Chile tem uma agenda própria que não está e nem ficará presa a qualquer parceiro ou pacto comercial que possa lhe fechar portas. Assim, busca ficar longe da participação de qualquer ação que implique União Aduaneira e o estabelecimento de tarifas externas comuns. O negócio do Chile se chama "acordo de livre comércio", com os melhores blocos e mercados possíveis. Uma economia exterior aberta e sem amarras. Isto é o que se percebe pelas palavras de seu Chanceler.

Por exemplo, no âmbito latino-americano, o Chile participa da Comunidade Sul Americana de Nações, Grupo do Rio, retornou a Comunidade Andina (CAN) e participa do Mercosul como um membro privilegiado. Possui acordos de livre comércio ao redor do mundo, com o Canadá, já há 10 anos, com Estados Unidos e pretende assinar com o Japão no final deste mês de março. O Chile pode ser governado por socialistas, mas no aspecto de livre comércio, parece muito longe dos ideais marxistas e das economias reguladas. Muito pelo contrário, é muito pragmático.

Apaga tu móvil

Esses Madrilenhos são admiráveis mesmo. Se organizam e protestam de verdade quando acreditam na causa. Neste semana mesmo vários se manifestaram na Praça Neptuno contra o casamento de pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por estes. Bem, hoje o protesto é outro.

"Apaga tu móvil" é o protesto de hoje na Espanha. Ninguém deve usar os celulares hoje. O país possui 46,5 milhões de telefones, ou seja, já alcançou 100% de penetração no mercado, pois a Espanha possui cerca de 42 milhões de habitantes. O protesto é relativo ao aumento de 25% nas tarifas.

Mas é importante entender porque as operadoras Orange, Movistar e Vodafone adotaram esta medida. Esta atitude é uma represália contra uma lei instituída contra o "arredondamento para cima" de certos valores nas contas telefônicas. Este caso é uma sucessão de erros, de um lado das operadoras, e de outro, de políticos ingênuos ou populistas. Um ação que ao fim e ao cabo estourará nas mãos dos consumidores, que como se vê, defendem-se como podem.

Os parlamentares deveriam, face a atitude das operadoras, desregulamentar ainda mais o mercado jogando mais concorrentes no sistema, mas fizeram o contrário, criaram mais regulação. Certamente mais concorrência faria os preços baixarem. Começou uma briga que já tem uma vítima certa: o consumidor.

Enquanto isso, hoje, só falo por skype.

O exemplo da Estônia

Vejam que ótima notícia. A Estônia, já pela segunda vez, realizará parte de sua eleição via internet. Um total de 30,275 dos 940 mil eleitores registrados votarão pela rede, com cartão de identificação e senhas. Possibilidade de fraude? Não, estamos falando de um país sério, com instituições fortes e estáveis, muito diferente de outros exemplos que conhecemos.

Juntamente com a Irlanda, o país báltico foi aquele que mais aprofundou as reformas liberais em sua economia, e é considerada a jóia da coroa na região, com índices muito melhores que Letônia e Lituânia, seus principais vizinhos. Desde 1991 a idéia central é aplicar as idéias de Milton Friedman na economia. O resultado não podia ser outro senão aquele colhido por todos os países que aplicaram as idéias do Nobel em economia de 1976, ou seja, prosperidade.

Desde 1994, todos os anos há diminuição de carga de impostos. Hoje, a carga tributária é de cerca de 22% do PIB. Ainda falta muito para chegar ao grau de liberdade da Irlanda, que tributa somente 12% do PIB, mas o caminho trilhado pelo governo estônio se mostra na direção correta. As mesmas reformas foram feitas durante o governo Aznar na Espanha, responsáveis por diminuir o desemprego de 25% para 10%.

Mas vejam só. A renda per capita da Estônia, um país que até 1991 era comunista, já é em 2006 mais que o dobro da brasileira, que amarga uma sufocante tributação de 40% do PIB.

É verdade, não aprendemos mesmo.