terça-feira, outubro 26, 2010

No Sudeste

Com a divulgação do Datafolha de hoje e da amostragem do GPP podemos ter uma noção mais clara da distribuição de votos e as chances de cada candidato.

O Datafolha traz resultados similares aos do Ibope e o GPP mais próximos aos do Sensus da última semana. Acredito que os dados do GPP aproximam-se mais dos trackings diários, que orientam as campanhas.

Ali existe uma vantagem de Serra no Sul e uma diferença pró-Dilma no Nordeste. Serra abre 18 pontos em sua frente e Dilma 26 no seu principal reduto eleitoral. Na frente Norte-Centro-Oeste, Serra perde por uma pequena margem. Não deveria. Ali, em função do cinturão do agronegócio deveria abrir a vantagem que hoje é de Dilma, de cerca de 7 pontos. Serra tem como puxador de votos Simão Jatene, que lidera no Pará, além de Marconi Perillo, que lidera em Goiás. De resto, Serra tem apoios expressivos e suporte do agronegócio para subir nesta região, afinal, já foi bem por ali no primeiro turno.

Assim, a eleição volta-se para o Sudeste. Nesta região há empate: 43% para cada um. É neste nicho que a eleição pode ser decidia e deveria pender com tendência para Serra, considerando as contundentes e expressivas vitórias obtidas por Geraldo Alckmin e Aécio Neves, respectivamente em São Paulo e Minas Gerais. Sem a transferência de votos de ambos para Serra, ficará muito difícil para o tucano. Os esforços de Serra devem focar-se, na reta final, no apoio maciço do agronegócio, que precisa estar mobilizado, além da frente tucana no Sudeste. Mesmo assim, será uma eleição apertada.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Semana de Pesquisas e Empate Técnico

Enquanto a campanha caminha para sua última semana, os institutos de pesquisa preparam suas últimas sondagens. Como foram os principais derrotados no primeiro turno, existe um grande ceticismo entre os analistas políticos quanto a sua confiabilidade.

Certamente é muito difícil fazer uma pesquisa certeira, que chegue a um resultado exato, entretanto, os erros apresentados no primeiro turno foram grotescos, especialmente para aqueles institutos que trabalham para partidos, como no caso do Vox e Ibope.

A primeira sondagem da semana foi divulgada pelo Vox. Mostra Dilma na frente com 49% e Serra com 38%. No primeiro turno, o mesmo instituto errou por uma margem maior que a diferença atual entre os dois. Fica a dúvida.

As sondagens internas dos partidos, chamados de tracking, que acertaram em cheio o resultado do primeiro turno, mostram empate técnico e uma disputa acirrada. Os números variam um e quatro pontos em favor de Serra, alternando com um e três pontos para Dilma, mantendo-se ambos no mesmo patamar entre 48% e 52%.

Muitas pesquisas sairão esta semana. Devem, mais para frente, aproximar um pouco os números dos candidatos, mas internamente existe a certeza de que a eleição está muito disputada e pode ser decidida no detalhe. Se não estivesse, convenhamos, os ânimos não estariam tão acirrados.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Agressões Políticas

A agressão sofrida por José Serra esta semana no Rio de Janeiro revela uma triste face da política brasileira. Quando o enfrentamento político toma o rumo das agressões e do jogo sujo, a política começa a perder seu encanto. A política é um instrumento superior, capaz de provocar mudanças de forma harmônica, produzir debates de idéias e ser propulsora de movimentos benéficos para a sociedade. Aqueles que fazem a opção pelas agressões e pelos golpes abaixo da linha da cintura, na verdade, revelam desprezo pela democracia.

Infelizmente o Brasil ainda é uma democracia em construção, demasiadamente tolerante com desmandos, destemperos e ilegalidades. Ao poder público caberia coibir as agressões e condenar os agressores. Mas tomada pela mais completa inversão de valores, vítimas passam a ser considerados agressores.

Esta campanha eleitoral possui farto material para ilustrar tais fatos, desde quebras de sigilo fiscal criminosas, passando pelo tráfico de influência no coração do governo e desaguando em agressões físicas e montagem de dossiês. Percebemos que a democracia brasileira sofreu retrocessos e torna-se urgente a restauração de atitudes republicanas e instituições fortes que zelem pelo respeito aos valores democráticos.

Cabe aqueles que dirigem ao Estado, atuar como magistrados de um processo, que no longo prazo, se exercido de forma equilibrada, justa e honesta, somente trará benefícios para o País. Enxergar a eleição como uma mera disputa de poder é diminuir o Brasil como nação. A falta de visão na construção de valores democráticos institucionais sólidos pode voltar-se contra o Rei. Neste dia, a brincadeira perderá toda a graça.

quinta-feira, outubro 21, 2010

O Peso do PMDB

O PMDB alcançou um grande trunfo neste segundo turno, ou seja, a própria realização de uma segunda etapa nesta eleição. O petismo, certo da vitória de Dilma, deixou os colegas de chapa em segundo plano. O PMDB somente esperou e agora chegou o momento de cobrar a fatura.

A equipe de Dilma sabe que, diferente das pesquisas divulgadas até agora, a disputa está muito acirrada e o peso do PMDB pode fazer a balança da eleição pender para um dos lados. Entretanto, sabe-se que o PMDB sairá vencedor deste pleito, seja qual for o resultado. O partido será importante para a vitória de Serra ou Dilma. O impacto está mais além, visto que o PMDB é o fiel da balança para maioria parlamentar, seja qual for o governo.

O PT, com exceção de Minas Gerais, deixou seu aliado de lado, desprezou o PMDB no primeiro turno. Pior do que isso, trabalhou contra alguns de seus candidatos, que agora insistem em não arregaçar as mangas para trabalhar por Dilma. Casos assim estão na Bahia, Pará e Mato Grosso do Sul. O PMDB gaúcho, por exemplo, já fechou com Serra. Em Santa Catarina, o senador eleito Luiz Henrique foi alvo de ataques pessoais de Lula durante a campanha.

Para evitar a sangria (e a derrota), o alto comando de campanha de Dilma trabalha firme, mobilizando o governo, com seus ministros e peso de seus orçamentos e pastas. Vários interlocutores foram despachados para diferentes estados para tentar reverter a resistência ao nome de Dilma.

Do outro lado, entretanto, os políticos bem informados do PMDB pró-Serra estão também recebendo os números de tracking que mostram um embate em total equilíbrio, com chances de vitória de ambas as chapas. Os tucanos estão atentos para não perder esses apoios, que podem fazer a diferença no dia 31 de outubro. Uma guerra de bastidores.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Pesquisas curiosas

Não deixa de ser curioso verificar os resultados mostrados nas pesquisas mais recentes. Os institutos de sondagem eleitoral foram os grandes derrotados do primeiro turno. Nada, entretanto, parece ter mudado para o segundo turno. As pesquisas certamente não evidenciam o movimento do eleitorado, que é acompanhado diariamente pelos partidos e analisado por cientistas políticos.

O tracking das campanhas mostra uma situação diferente. As sondagens dos partidos indicam as flutuações. Neste momento Serra aparece um ponto na frente de Dilma, em situação de empate técnico, entretanto ainda em viés de alta. Os motivos são vários. Serra ainda mantém seu momentum e Dilma não conseguiu reverter este movimento.

Os programas de TV de Dilma não foram preparados para o segundo turno, mantendo o estilo do primeiro, o que aponto como um erro estratégico. Já o programa de Serra evoluiu muito, acertando o eleitorado, até o momento, onde deve no segundo turno. Além disso, as sondagens mostram ele venceu muito bem os debates entre os indecisos.

Dilma enfrenta problemas em sua aliança, especialmente no PMDB. Líderes do partido liberaram a militância, como no Pará e outros aderiram a Serra, como no Rio Grande do Sul.

Podemos somar a isso os escândalos políticos que seguem gerando crise na campanha do PT. O caso das violações de sigilo voltaram ao noticiário. O caso Erenice teima em não ir embora e o caso Cardeal paira perigosamente sobre a candidatura Dilma.

A falta de mobilização em Minas Gerais e São Paulo, entretanto, é que tendem a se tornar, cada vez mais, a maior dificuldade. Com o partido rachado e desmobilizado em Minas, Aécio pode trabalhar sem adversários para entregar uma vitória retumbante em seu estado, assim como Alckmin pode fazer em São Paulo.

Considerando os fatos, o tracking diário é a fonte mais confiável e ela mostra a situação real, uma disputa acirrada e empatada, com pequena, muito pequena vantagem para Serra neste momento. As pesquisas, como no primeiro turno, erram feio, por incompetência ou leviandade.

terça-feira, outubro 19, 2010

Verdes e FHC por Serra

A decisão pela independência do PV no segundo acabou por liberar suas lideranças. Zequinha Sarney já aderiu a Dilma, entretanto, outros setores do partido optaram por Serra. O movimento em direção aos tucanos tem propulsão em São Paulo e por lá foi lançado. Fabio Feldmann, que tentou ser governador, anunciou sua opção por Serra, assim como do lado carioca, outro candidato ao governo, fez a mesma opção, com a adesão de Fernando Gabeira ao grupo. Entre os presentes ainda estavam deputados federais, estaduais e prefeitos da legenda de Marina Silva.

Tais apoios são importantes, uma vez que são de figuras basilares e históricas do PV, como Gabeira, mas que também não deixam de estar em sintonia com os eleitores de Marina, que em sua maioria, segundo mostraram as primeiras sondagens, ficaram ao lado de Serra.

Mas o ato de apoio dos verdes em São Paulo foi marcado por uma situação interessante, a volta de Fernando Henrique ao cenário político partidário. FHC, aquele que ganhou de Lula duas vezes no primeiro turno, esteve entre os presentes para incentivar a candidatura de Serra. Tudo indica que, juntamente com o PV, FHC finalmente chegou para a campanha. Visto inicialmente, de forma equivocada, como uma debilidade, poderá ser um dos grandes trunfos para os tucanos no segundo turno.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Marina Independente

Marina anunciou sua tão esperada indepedência em relação ao segundo turno. Nem Serra, nem Dilma. Marina optou por Marina, daqui há quatro anos, quando acredita que terá mais chances e poderá consolidar seu nome no cenário nacional.

A idéia é bonita, mas não é tão fácil como a candidata verde imagina. Ela não terá mandato pelos próximos anos e seu partido não tem o mesmo grau de penetração sob o qual se desenvolveu o petismo, como sindicatos e organizações de classe. Consolidar seu nome como uma alternativa viável e palpável para o Planalto é uma tarefa árdua.

Ademais, Marina precisa entender que o cenário que deve encontrar em quatro anos é outro. O mundo político movimenta-se em seu próprio ritmo. Se os tucanos vencerem, uma conjuntura começa a desenhar-se, com Aécio e Serra, assim como se o petismo sair vencedor, outra realidade consolida-se, neste caso já na expectativa da volta de Lula em 2014.

A candidata espera, com sua atitude, preservar seus quase 20 milhões de votos. Não conseguirá. Possui um eleitorado muito heterogêneo e que por diferentes motivos depositaram seus votos no número 43. Não poderá conservar todos, dos progressistas verdes aos conservadores evangélicos. Um eleitorado como este é de praticamente impossível manutenção.

A melhor saída para Marina seria fazer uma opção e impor sua agenda. Precisaria fazer parte do governo e de governos estaduais para estruturar o partido de forma consistente, sob uma idéia central e sua liderança, tornando-se uma opção viável para 2014.

Entretanto, inebriada por uma votação circunstancial, tomou a decisão da neutralidade ou suposta independência, que passa longe dos estadistas que assumem os riscos de suas escolhas e a opção do bom combate de idéias.

sábado, outubro 16, 2010

Aécio entrou no jogo

Se Aécio parecia distante no primeiro turno, assim como em 2002 e 2006, na segunda etapa da eleição de 2010, resolveu arregaçar as mangas. Sua máquina de votos está trabalhando a todo o vapor para José Serra em Minas Gerais.

Aécio sentiu-se especialmente atingido pelos comentários de Lula, que buscava impor uma derrota ao grupo de Aécio em Minas. As intervenções de Lula pegaram muito mal e acabaram por incendiar uma mobilização pró-Serra.

O Senador eleito reuniu 450 prefeitos, vice-prefeitos e líderes municipais, além governador Antônio Anastasia e do senador eleito Itamar Franco. A mobilização pró-Serra tem tudo para espalhar-se pelo interior sob os auspícios do padrinho da candidatura Serra, Aécio Neves.

A movimentação tucana continua. Os verdes que apóiam Serra farão evento similar no Rio de Janeiro e Alckmin articula um mega evento com prefeitos em São Paulo. O PMDB gaúcho fechou com Serra.

Mas é possível que a motivação de Aécio vá além de mostrar mais uma vez sua musculatura política em Minas Gerais. Em um eventual governo Serra teria mais protagonismo que com Dilma no Planalto. Mira, no momento, na Presidência do Senado e depois vôos mais altos.

Por enquanto, mostra seu protagonismo em Minas. Até prefeitos de siglas aliadas a Lula e Dilma compareceram ao evento de Aécio. Se ele entregar uma vitória importante no seu estado, dará mais uma resposta a Lula, depois da humilhante derrota dos governistas por lá, e chegará a Brasília, se Serra sair vitorioso, como a senha da vitória. É uma aposta e tanto. Pelo andar dos acontecimentos, Minas pode decidir a eleição.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Crise Vermelha

O crescimento de José Serra nas pesquisas fez soar um sinal de alerta no PT. Até o momento o partido não conseguiu se recuperar do impacto de não vencer no primeiro turno. A festa estava pronta e teve que ser desmontada. Dilma, em especial, foi surpreendida, pois esperava vencer.

A mudança de tom no debate, com uma Dilma mais agressiva, foi resultado disso. Lula incentivou sua candidata a ser, digamos, mais incisiva. Não adiantou. As pesquisas captaram que ela não foi bem e continuou caindo. Palocci, Dutra e Santana parecem não se entender e agora nenhuma decisão é tomada sem o aval da candidata. Franklin Martins, pelo que ouve, enfureceu-se diante do empate técnico mostrado nas pesquisas. Lula foi recrutado para emprestar sua imagem uma vez mais para a candidata. O efeito pode ser o inverso do desejado. É preciso cautela.

A questão do aborto segue na pauta do dia da candidata. Agora fala-se em uma carta aberta onde estariam dispostas promessas em não descriminalizar o aborto e vetar, se eleita, o casamento entre homossexuais. Perguntada por uma repórter, durante visita ao Piauí, se era homossexual, Dilma preferiu não responder. Resta sabe se sua Carta causaria algum impacto, especialmente depois do assunto estar sedimentado na cabeça do eleitor.

Mas também vieram boas notícias, como o apoio do PP, em sua maioria, para a candidata petista (Minas e Rio Grande do Sul ficaram com Serra). Apesar de algumas dissidências, o partido sucessor da Arena, apoiará Dilma. Ela apenas escorregou quando agradeceu o apoio do "Partido Popular". O verdadeiro nome do PP é Partido Progressista.

O fato é que Dilma e o PT pareciam tão certos da vitória no primeiro turno, que não foi traçada uma estratégia para uma segunda etapa. Ambos sentiram o impacto de ter que disputar o segundo turno. Se os programas de TV de Serra fossem tão bons como os de Dilma, a eleição já poderia ter virado. Dilma está abatida e precisa sair-se muito bem no domingo para estancar a sangria em seus números. A pressão é vermelha.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Empate Técnico

Depois do susto no primeiro turno, os institutos de pesquisa devem ter mais cuidado para não errar tão feio. Todo cuidado é pouco. Assim, é com ceticismo que recebemos as primeiras sondagens relativas ao segundo turno, entretanto, ao avaliar as informações de todos, é possível tirar conclusões sobre o momento eleitoral.

A primeira sondagem divulgada foi o Datafolha: 48% para Dilma e 41% para Serra. O Vox cravou 48% a 40%, com vantagem para a petista. Depois veio o Ibope, que apontou, 49% a 43% também com vantagem para Dilma. Por fim veio o Sensus, mais recente de todos, 46,8% para a petista e 42,7% para o tucano.

Serra foi quem mais subiu, pois vem de números mais modestos que Dilma no primeiro turno. Mesmo assim, seu avanço impressiona. Se enxergarmos o movimento do eleitorado na evolução dessas pesquisas, vemos que um crescimento nítido de Serra e queda de Dilma. Isto é o mais importante para os tucanos, o que chamamos de momentum político. Ele carrega a onda do momento.

Se levarmos em conta os erros cometidos pelos institutos no primeiro turno, aliado ao fato da onda Serra, vemos que o movimento leva já para um empate técnico pró-tucanos. Serra virou a eleição no Sul, Norte e Centro-Oeste, enquanto Dilma lidera no Nordeste. No Sudeste, Serra parece estar virando, mas ainda considera-se em empate técnico.

Por essas razões tudo indica que haverá um segundo turno cercado de expectativa. Aécio parece ter arregaçado as mangas em Minas Gerais, com reais mobilizações e virada já em curso. Goiás, único reduto do cinturão do agronegócio que não foi para Serra, tende a virar com Marconi no segundo turno. Ou seja, se Serra aproveitar seu momentum, tem reais possibilidades de vencer a eleição.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Fator Marina

O apoio de Marina Silva tem sido muito disputado entre Dilma e Serra. Alguns acreditam que ela possa dar um impulso que decida as eleições. Outros se preocuparam em descobrir quem é o eleitor de Marina. Uma equação complexa, entretanto, possível de ser feita. Quando finalizada, contudo, chegar-se-á a conclusão de que por ser um eleitorado heterogêneo, dificilmente se movimentará em conjunto e tampouco sob os auspícios da candidata verde.

Grande parte do eleitorado de Marina pode voltar-se para Serra. Estes foram os eleitores que votaram em Geraldo Alckmin em 2006. Serão impulsionados por uma segunda parte, guiado pelos principais dirigentes do PV que já apoiam ou tendem a apoiar Serra, como Gabeira no Rio de Janeiro.

Existe uma outra parte que pertence a Marina e dela esperará uma posição. A ex-Ministra de Lula, que nasceu com o coração no PT, foi preterida no embate contra Dilma Rousseff. No passado, enquanto Marina deixava o governo, Dilma comemorava do outro lado da Esplanada. Resta saber o que falará mais alto.

Marina, mais do que tudo, precisa entender sua votação e perceber que acumulou um capital político interessante, entretanto, fruto do momento e da novidade. Subiu de patamar na política nacional, entretanto, para chegar ao topo precisa participar dela. Ela tende a não enxergar o cenário desta forma e não me surpreenderia nem um pouco se ela optasse pela neutralidade, preservando, supostamente, seu "capital político". Se agir assim, errará.

O melhor para o PV é negociar programaticamente sua adesão. Neste caso os tucanos sairiam na frente, uma vez que são parceiros dos verdes país afora em muitos governos. Se o coração de Marina ainda bater pelo PT, é possível que o PV venha a rachar no segundo turno. Isto apenas traria retrocessos em relação a agenda verde, que entrou na pauta com os 20 milhões de votos de sua candidata.

terça-feira, outubro 05, 2010

Crescimento de Serra

Marina saiu-se melhor do que os institutos apontavam. Dilma foi pior. José Serra, entretanto, superou expectativas. Explico. Todos trabalhavam com a possibilidade real de vitória de Dilma no primeiro turno. Vox Populi falava em 12 pontos de vantagem sobre a soma dos outros candidatos. O Sensus apontava 54,7% dos votos válidos para a petista, enquanto o Ibope cravou 55%. O Datafolha registrou 50%. Todos erraram para cima.

Dilma alcançou 46,91%. Serra chegou a 32,61%. Marina foi a 19,33%. Em 2002, Serra chegou a 23,19% e Lula a 46,44%. Garotinho e Ciro somaram 29,83%. Vemos que Serra evoluiu em percentual e Dilma manteve os números de Lula em 2002. Em 2006, com Alckmin no lugar de Serra, o tucano alcançou votação expressiva, 41,64%, enquanto Lula foi a 48,61% e Heloísa Helena e Cristóvam Buarque somaram 9,49%. Vemos que Alckmin canalizou no primeiro turno de 2006 muitos votos que em 2010 foram parar com Marina. Cabe aos tucanos, resgatá-los. Se Serra reencontrar esses votos, sua possibilidade de êxito aumenta consideravelmente.

Serra venceu em 2010 no Mato Grosso, Rondônia, Acre, Roraima, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Serra foi muito melhor que ele mesmo em 2002, mas perdeu terreno em relação aos estados vencidos por Alckmin em 2006.

Na região Norte, Serra saltou de 22,7% em 2002 para 34,8 em 2010. No Nordeste, outro aumento, de 19,8% para 24,6%. No Sudeste aumentou de 22,7% para 32,2%. No cinturão do agronegócio, no Centro-Oeste, subiu de 26,2% para 37,5%. No Sul, em 2002 obteve 28,5% e em 2010 chegou a 43,3%. Em 2010, portanto, Serra venceu apenas no Sul, praticamente empatou no Centro-Oeste, mas precisa recuperar terreno no Sudeste e Nordeste. No Norte, chegou perto da concorrente.

O PSDB venceu muito bem em São Paulo e Minas Gerais. A vitória no Paraná também foi significativa. A possível vitória de Serra passa primeiro por dentro do PSDB, onde Alckmin, Richa e principalmente Aécio devem ter posições de destaque.

Serra mostou que pode vencer a eleição, mas para isso não pode errar. O PSDB precisa marchar unido e incorporar integralmente o programa de Marina para tê-la como aliada. Fora desse espectro, a vitória escapará.

As Derrotas de Lula

Lula acumulou vitórias nesta eleição, mas também colheu derrotas. A principal foi certamente Dilma. A priori não foi uma derrota, mas considerando a expectativa de vitória no primeiro turno, certamente, aliado ao viés de baixa de sua candidatura nas últimas semanas, deixou no ar um sentimento de fracasso.

No Senado, Lula travou sua guerra particular, como comentei aqui, mas sua coligação sofreu baixas. Netinho de Paula, por exemplo, já era festejado como eleito. Contrariando as pesquisas, o tucano Aloysio Nunes Ferreira cravou o primeiro lugar, seguido de Marta Suplicy.

Minas Gerais foi um golpe duro. Aécio Neves impôs uma forte derrota ao PT, que naufragou coligado a Hélio Costa. Patrus Ananias e Fernando Pimentel não terão cargo eletivo e se Aécio resolver arregaçar as mangas por Serra, Dilma pode perder votos importantes no segundo turno. A força mostrada por Aécio em Minas foi surpreendente.

A decepção também rondou o Distrito Federal, onde Lula esperava a vitória de Agnelo. Ele terá que enfrentar um segundo turno.

Ao fim e ao cabo, o governo assistiu a mais vitórias do que derrotas, aumentou sua bancada, no caso específico do PT, e conseguiu desarticular muitos nomes da oposição. Mas todas as vitórias terão um sabor amargo para Lula se ele não conseguir eleger Dilma como sucessora. Para isso, precisa deixar para trás os graves erros do final da campanha, onde a arrogância andou de mãos dadas com o segundo turno.

segunda-feira, outubro 04, 2010

As Vitórias de Lula

Dilma não venceu como Lula esperava. Para chegar ao Planalto precisará ainda de um segundo turno. A festa organizada em Brasília para comemorar a dupla vitória, de sua candidata e de Agnelo para o governo do Distrito Federal, foi cancelada. Agnelo tropeçou e enfrentará também um segundo turno.

Mas Lula obteve vitórias. Participou de uma cruzada pessoal para derrotar alguns políticos que fizeram oposição mais contundente ao seu governo. Obteve vitórias, portanto, de caráter simplesmente pessoal, que em nada fazem bem a democracia, pois independentemente da visão política, existem parlamentares que na construção do debate, são importantes para o Parlamento.

A lista de Lula era longa. Tasso Jereissati foi a primeira vítima. Presidente Nacional do PSDB, não alcançou a reeleição para o Senado. Ficarão fora do Senado também Heráclito Fortes, do DEM, e Mão Santa, do PSC, ambos da oposição. Lula disse que deseja "extirpar" o DEM da política. Empenhou-se nisso. Além de Heráclito no Piauí, em Pernambuco, Lula derrotou Marco Maciel, do DEM, que foi vice de FHC. Maciel não voltará ao Senado. O mesmo ocorre com Efraim Morais, do DEM da Paraíba. No Rio de Janeiro, César Maia, do mesmo DEM, perdeu o Senado. O mesmo aconteceu com o tucano Gustavo Fruet, que por pouco não conseguiu a vaga, perdendo para Requião. Lula ainda se empenhou para atrapalhar a vida de Heloísa Helena em Alagoas. Conseguiu. Ela não voltará como Senadora para Brasília. A coroação das vitórias de Lula foi dada pela derrota do tucano Arthur Virgílio, que perdeu sua cadeira no Senado pelo Amazonas.

Lula concentrou seu esforço no Senado, como já lembrei aqui. Derrotou muitos adversários que enxerga como inimigos pessoais. Obteve êxito. O PT pulará de 8 para 13 cadeiras. O parceiro PMDB vai de 17 para 19. O PSDB cai de 16 para 11 e o DEM despenca de 13 para 7. Dos 54 senadores eleitos ontem, 43 são de partidos que integram a atual base governista.

O registro da derrota de Lula em sua estratégia é José Agripino Maia, um dos mais ferrenhos críticos de seu governo. O Planalto se empenhou na sua derrota, mas não conseguiu. Maia, de quebra, ainda ajudou a eleger uma Governadora do DEM, Rosalba Ciarlini.

Lula não colheu somente vitórias, existiram derrotas amargas, que ainda comentarei aqui, mas sua estratégia em atingir ditos inimigos pontuais e pessoais foi vencedora. Ganha Lula, perde a pluralidade e o debate democrático, mas a vontade do povo foi soberana.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Anti-Debate

Quem assistiu ao debate da TV Globo esperando alguma reação de José Serra, ou pelo menos algum movimento que pudesse levar Marina Silva ao segundo turno, ficou decepcionado.

José Serra seguiu a orientação de González, que coordena o marketing da campanha. Preferiu evitar o embate e seguiu na estratégia de mostrar e consolidar sua figura na cabeça do eleitor no longo prazo. As urnas dirão se estava correto.

Marina teve sua grande oportunidade de transformar o movimento ascendente em seu favor em uma verdadeira onda que virasse o segundo lugar e levasse a eleição para um segundo turno. Perdeu esta oportunidade.

Assim, o debate foi fraco e devagar. Dilma aproveitou a folga dada pelos adversários para consolidar sua imagem de sucessora de Lula e nem seu principal deslize foi explorado, quando disse que "todas as doações oficiais estão registradas". Caberia a pergunta que ficou no imaginário de todos, sobre possíveis doações "não oficiais", ou seja estariam estas registradas? A oposição preferiu se fazer de surda e muda continuou.

Dizem que não houve "bala de prata" que salvasse a oposição. Discordo. Se a situação fez muito para perder, a oposição fez menos ainda para ganhar. O arsenal de balas de prata desperdiçados nesta campanha chega a impressionar.

Considerando a postura dos candidatos e a reação morna da oposição, inclusive sem o impulso esperado de Marina, o pleito corre sem alterações. Existe chance de um segundo turno, mas o debate da Globo diminuiu muito esta possibilidade. Na ausência de adversários, Dilma foi a grande beneficiada. O vencedor, se houve, foi William Bonner.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Quadro Nacional

As pesquisas, nesta reta final de campanha, tendem a uma acomodação. Vemos também viradas de última hora em alguns Estados. Tudo isso tende a tornar os resultados das eleições de domingo impressionantes em alguns lugares. Surpresas tendem a aparecer.

A tendência é Alckmin vencer em S. Paulo ainda no primeiro turno. Sua vantagem tende a se manter. A virada em Minas Gerais também é uma tendência consolidada e Anastasia pode vencer no primeiro turno. Se em São Paulo os dois senadores devem ser da coligação governista, em Minas, ambos devem vir da oposição. Ainda nas Minas Gerais, Aécio deve submeter o petismo a uma dolorosa derrota, deixando Patrus Ananais e Fernando Pimentel sem cargo eletivo.

Alagoas aparece no rol do imprevisível. Os três candidatos, Collor, Lessa e Teotônio Villela podem chegar ao segundo turno. Ali, Lula se esforça para derrotar Heloísa Helena na corrida ao Senado. Para tanto se aliou a Renan Calheiros e Benedito de Lira, que podem se eleger.

Os tucanos, além de São Paulo e Minas Gerais, devem vencer em Goiás já no primeiro turno e agora também no Tocantins, com Siqueira Campos virando o jogo e assumindo a ponta. No Pará, Simão Jatene pode confirmar também uma importante vitória. Beto Richa era uma aposta certa no Paraná, mas tudo indica que será uma disputa acirrada com Osmar Dias.

Ainda no terreno da oposição, o DEM pode levar Santa Catarina, talvez em segundo turno, e o Rio Grande do Norte, uma vitória importante de José Agripino Maia, que renovará seu mandato para o Senado.

O PT não deve fazer muitos governadores, já que optou por focar nas vagas para o Senado, onde deve obter forte êxito. Ainda assim pode levar no primeiro turno dois estados importantes, além do Distrito Federal: Rio Grande do Sul e Bahia. Tende a vencer também em Sergipe.

No mais, parceiros do PT devem fazer governadores, como o PSB, no Ceará, Espírito Santo e Pernambuco e com o PMDB, uns mais próximos, outros nem tanto.

terça-feira, setembro 28, 2010

Refluxo para Dilma

As pesquisam mostram que Dilma caiu de forma consistente, ou seja, em várias classes sociais e regiões. Chegou ao limite da vantagem para vencer no primeiro turno. Também fica claro que Marina cresce, também de forma consistente.

Será difícil para Marina chegar ao segundo turno. Sua chance está apenas na possibilidade de um movimento ascendente que retire, além dos votos da parte conservadora que apóia Dilma, como os evangélicos, votos também de José Serra. Uma espécie de voto útil que lhe catapulte para um segundo turno. Casos assim foram vistos no Rio Grande do Sul, que levou Rigotto ao segundo turno em 2002 e Yeda para a segunda etapa de 2006. Ambos venceram no segundo turno. Rigotto levou votos de Britto e Yeda do próprio Rigotto.

A onda, ou ainda uma espécie de marolinha, está a serviço de Marina. Vem na hora certa, mas com pouca intensidade. Precisa se alinhar com consistência até o dia da eleição. Para isso, o debate na Rede Globo será fundamental. Mas vejam, muitos prefeitos e líderes nacionais do PMDB "marinaram" e a candidata do PT evita o confronto com a candidata do PV. A cautela na campanha petista, depois de já estar discutindo cargos em um futuro governo, é lembrada a todo o momento.

Entretanto, a tendência é de segundo turno, pois Dilma desce de forma consistente e como disse aqui, em face de uma série de fatores, para vencer no domingo, ela precisa chegar com uma vantagem confortável, pois seu eleitorado tende a se atrapalhar com a urna eletrônica e precisa levar dois documentos para votar. A tendência, por mais que alguns institutos possam apontar em sentido contrário, é clara de um segundo turno. A pergunta é se Marina terá fôlego para transformar os votos de Serra em votos úteis a seu favor. Se mostrar que pode vencer Dilma, terá chances.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Risco para Dilma

A queda de Dilma na pesquisa Datafolha ainda precisa ser confirmada por outros institutos, como o Ibope, que deve divulgar seus números ainda hoje, entretanto, fez soar um alarme no front do PT.

A diferença caiu de 12 para 7 pontos de vantagem. É certo que Dilma ainda ganharia no primeiro turno, mas existem muitas variáveis que precisam ser consideradas quando se especula a possibilidade de um segundo turno. Para evitar uma segunda votação, Dilma precisa estar com uma vantagem confortável nas pesquisas. Explico.

Apesar de 58% dos eleitores de Dilma identificarem seu número com seu nome, existe um problema adicional, o acerto do voto na urna eletrônica. Esta é uma variável que precisa ser considerada e que certamente está na mente da coordenação de campanha.

Os eleitores de Serra e, principalmente Marina, são mais escolarizados e de renda mais alta, menos propensos a errar o voto na urna eletrônica. Em uma eleição em que é preciso digitar por último os números do candidato a Presidente, algum problema pode surgir e votos podem ser perdidos. Apenas vota-se para Presidente depois digitar os números para Deputado Estadual/Distrital, Deputado Federal, dois Senadores e Governador. É uma tarefa que pode parecer fácil, mas tende a ser difícil para muitos eleitores.

Assim, Dilma precisa chegar ao dia da eleição com uma boa margem de segurança. Por isso sua descida nas pesquisas preocupa. Por mais que não afete sua liderança, a perda de votos nas camadas mais escolarizadas (migrando para Marina) pode tirar votos importantes da candidata petista - votos que certamente não seriam perdidos na urna eletrônica.

Ainda é preciso considerar a questão da abstenção, que na eleição de 2006 foi amplamente favorável a Alckmin no primeiro turno. Ela é maior no Norte e Nordeste, onde Dilma é mais forte. No Norte, em 2006, a abstenção foi de 19%. No Nordeste, de 18%. No Sul ficou em 15% e no Sudeste em 16%.

Assim, se os números de Serra e, especialmente Marina, mostrarem reação, a chance de um segundo é real e possível. Para evitá-lo, Dilma precisa se mobilizar no Sul e nas camadas com maior escolaridade e renda - exatamente os nichos onde tem perdido votos.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Os Dias

Como se os tucanos já não tivessem problemas suficientes. Agora, aquele foi vice de Serra sem nunca ter sido, o tucano Álvaro Dias, declarou apoio ao irmão, Osmar, que disputa o governo do Paraná apoiado por Dilma e turbinado por Lula.

Álvaro Dias é um dos mais combativos senadores da oposição. Inclusive ouviu de Dilma, recentemente, que não aceita convite seu "nem para um cafezinho".

Do outro lado do palanque de Osmar Dias está Beto Richa, tucano como Álvaro. Dizem pelo Paraná que as últimas pesquisas, impedidas de serem divulgadas por decisão judicial, traziam já uma inversão de posição, com Osmar em primeiro e Beto logo atrás.

Osmar Dias perdeu a disputa pelo governo do Paraná em 2006 contra Roberto Requião, apoiado por Lula. Hoje, Lula apoia Osmar, que além de ter sido tucano entre 1996 e 2001, é irmão de Álvaro Dias, que por pouco não foi o vice de Serra nesta eleição. Para tornar tudo ainda mais inverossímil, o antigo adversário, Requião, agora concorre ao Senado pela chapa de Osmar.

Depois de dizer que "A campanha estadual abandonou a candidatura nacional (de Serra)", Álvaro Dias diz que tomou a decisão de não apoiar Beto Richa em respeito à memória de seus pais, e emendou: "tendo um irmão na disputa, meu voto para governador será para o Osmar".

A Onda

As eleições casadas, como as que temos este ano, acabam gerando o que chamamos na política de "efeito cascata", ou seja, o embalo que leva a candidatura mais forte a puxar votos para seus aliados.

É sem dúvida o caso de Dilma. Vemos que sua subida nas pesquisas gera um efeito cascata para os candidatos aos governos de estado apoiados pelo PT e também para o Senado. A escalada de Dilma foi benéfica de norte a sul para os candidatos petistas, como Tarso Genro no Rio Grande do Sul e Aloízio Mercadante em São Paulo, até outros como Roseana Sarney no Maranhão, filiada ao PMDB e Osmar Dias no Paraná, filiado ao PDT.

A onda segue para as candidaturas ao Senado, onde Lindberg Farias, do PT, apoiado pelo ex-tucano, atual Governador pelo PMDB, Sérgio Cabral, assume a ponta no Rio de Janeiro.

Este fenômeno desagua nas candidaturas proporcionais, para deputados federais e estudais. Tucanos e democratas vêem a possibilidade real de um brutal redução em sua bancada, perdendo um considerável número de parlamentares.

Isto ocorre, entre outras coisas, pelo fato de prefeitos e parlamentares locais desejarem estar ao lado do vencedor, para assim serem beneficiados com repasses mais robustos, tanto do governo federal, quanto dos governos estaduais. Apoiar aquele que vai vencer, rende dividendos futuros.

A melhor forma de reverter este quadro é uma reação de Serra, que seria já tardia para as eleições proporcionais, mas que poderia influenciar ainda as disputas pelo Senado e pelos governos estaduais.

De outro modo, a onda Dilma pode virar um tsunami petista e em caso de segundo turno, com Senadores e muitos Governadores, identificados com a candidatura oficial, eleitos já no primeiro turno, será muito difícil reverter a eleição presidencial em uma segunda etapa.

terça-feira, setembro 21, 2010

"Nem para um cafezinho"

A história mostra como o nível de tensão continua alto entre governo e aquilo que sobrou, pelo menos por enquanto, da oposição.

Convidada ao Senado para dar explicações sobre o Caso Erenice, por sugestão do senador tucano Álvaro Dias, Dilma respondeu: "Convite do Alvaro Dias eu não aceito nem pra cafezinho".

A resposta, que poderia ter sido outra, fornece uma idéia dos rumos que o País tomará a partir de janeiro de 2011. A oposição está sendo reduzida a pó pelas forças governistas e a preocupante ampla maioria idealizada por Lula para o Senado, cada vez toma formas mais definidas.

O tom de Dilma com o senador Álvaro Dias mostra que, em um eventual governo da candidata petista, as relações políticas tendem a não ter qualquer tom amistoso e isto será certamente ruim para os rumos da democracia no País.

Aliás, instado a controlar-se mais em suas declarações após os últimos incidentes, Lula, do alto de sua popularidade, avisou que não moderará seu ataques contra aquilo que ainda resta de oposição. Seu objetivo é, realmente, reduzí-la a pó.

Socialites do B

Percebemos que uma campanha vai bem quando os apoios começam a surgir de todos os lados. A escalada do PT rumo a hegemonia plena da política nacional tem movimentado diversos setores. Cientes dos rumos que o País toma e preocupados com seu próprio futuro, assim como de seus negócios, a high society brasileira curiosamente se descobre mais socialista (e vermelha) com o passar dos dias.

O mais novo expoente do petismo é Chella Safra, mulher do banqueiro Moise Safra. Em jantar de apoio a Marta Suplicy, disparou que mulher vota em mulher e declarou voto em Dilma. Aliás, os anfitriões do convescote eram Eleonora e Ivo Rosset, donos da Valisere.

Os Safra ainda foram representados pelo banqueiro Joseph Safra e sua esposa Vicky e classe ainda contou com a presença de Olavo Setúbal Jr., do Itaú-Unibanco. Ricardo Steinbruch, do grupo Vicunha, estava lá, além de Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, e Jack Terpins, das Lojas Marisa, entre outros.

O registro, feito na coluna de Mônica Bergamo, evidencia os rumos do País e deixa claro o resultado das eleições que se avizinham.

*A foto, que não foi realizada no evento, é da festa de 135 anos do Jockey Club de São Paulo, onde Dilma esteve presente com a alta sociedade paulistana.

sexta-feira, setembro 17, 2010

O Fim do DEM

Lula falou, do alto da sua popularidade e de um palanque, que quer extirpar o DEM da política nacional. A afirmação assusta a democracia, é verdade, assim como qualquer arroubo de flerte com idéias que cerceiam a liberdade. Rumamos para um governo praticamente sem oposição. Será o início da consolidação do projeto político, como afirmou José Dirceu. O DEM, de antigo protagonista, passará a partido nanico, em um processo digno de antropofagia.

O DEM, mesmo sem a mão pesada de Lula, caminha pouco a pouco para o cadafalso. Entretanto, ainda existem opções. Uma delas é a fusão com o PSDB, que diminuiria os partidos e não encontraria homogenidade. Se não seguir este caminho, perderá a condição de partido forte no Congresso Nacional que se avizinha, pois deve eleger menos do que 51 deputados. Os dois caminhos são sinuosos, para dizer o mínimo.

Faltou ao DEM um projeto político nacional e uma renovação nas bases. O partido tornou-se refém de uma segunda geração dos políticos que o fundaram, carregando em seus sobrenomes a missão de renovar a agremiação. Acontece que partidos políticos não são entidades hereditárias. Para seguir existindo com força, é necessário que seus quadros sejam renovados por nomes da base. Isto nunca ocorreu com o DEM. Colhe-se agora os resultados.

Um partido precisa estar perto das bases, onde surgem as lideranças. Um partido não se faz apenas de lideranças, mas de um ampla base, exatamente o que falta ao DEM. É necessário estar presente em Diretórios Acadêmicos, Associações de Moradores, Movimentos Empresariais. É preciso formar lideranças, possuir um forte instituto de formação, possuir uma oposição atuante, que ocupe espaços. É preciso realizar mobilizações regionais das bases semanalmente. É preciso sempre lançar candidatos formados e afinados com as idéias do partido. Aí está a base.

Na Espanha, trabalhei com José María Aznar, que juntando os retalhos dos pequenos partidos da direita espanhola, fez surgir um partido novo, calcado na estratégia que mencionei acima. É preciso, para o projeto de uma força política, três coisas, ele sempre me disse: Um Partido, Uma Idéia e Um Líder. Com base nisso, ele formou o Partido Popular e mudou a face da política espanhola.

Cabe ao DEM encontrar seu líder, alguém que leve a refundação do partido e talvez uma fusão com outros menores. Investir na base, em idéias claras e atuar como uma oposição combativa e leal. O trabalho é longo e difícil, mas possível.

Se nada for feito, o DEM caminha mesmo a extinção, sem precisar da ajuda de Lula. A provável derrota de seus barões nas eleições deste ano evidenciam a crise pela qual o partido passa. Se o DEM não encontrar um líder que tome as rédeas do partido, caminhará para o cadafalso.

quarta-feira, setembro 15, 2010

No Bolso

Como se um escândalo não fosse o bastante, veio outro, desta vez gestado no coração do governo, nas mãos de Erenice Guerra, indicada por Dilma para comandar a Casa Civil.

O que mudará este fato na eleição presidencial? Verdadeiramente nada. Dilma seguirá na frente e Serra continuará ladeira abaixo, como vemos. Os parcos votos que Dilma perde seguem para Marina. O candidato do PSDB, mesmo sendo vítima, não conseguiu fazer sua campanha sentir sequer um impacto positivo com todo o episódio.

Na verdade, nenhum dos fatos apresentados geram impacto negativo para Dilma por razões simples. Lula colocou em marcha um governo calcado na distribuição de renda para todas as classes sociais, seja via concursos públicos, investimentos estatais, bolsas auxílio e polpudos subsídios. Desta forma, não há como perder a eleição. Quase todas as famílias brasileiras recebem sua fatia de recursos do governo. Ninguém quer perder a sua. Para que mudar?

Esta política já existiu no passado. A alta intervenção do governo na economia e a farta distribuição de bondades e investimentos estatais geram distorções econômicas no longo prazo. A penosa década de 80 foi o preço que uma geração inteira pagou pela política econômica similar a de Lula, implantada no governo Geisel.

Mas quem pensa no longo prazo? Quem pensa nos possíveis retrocessos e riscos democráticos que uma anestesia inconsciente coletiva pode trazer? O País caminha para uma espécie de planificação mascarada, um socialismo moreno, na definição deixada por Leonel Brizola? Talvez, é bem provável. Mas quem se importa com isso? O importante é passar em um concurso e garantir a aposentadoria.

Como todos se beneficiam, poucos questionam, talvez só os 4,9% que desaprovam o governo Lula, ou seja, os que estão fora da festa. Mas um dia a festa acaba e todos terão que pagar a conta. Até lá, nenhum escândalo terá repercussão. Todos estão devidamente guardados no bolso. Não há porque questionar quando se participa da farra.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Os Números do Desgaste

Começam a surgir os primeiros números com o impacto das violações de sigilo fiscal que tinham como alvo o PSDB. Pode-se perceber pelo tracking de alguns institutos que a candidatura de Dilma sentiu o desgaste, descendo para 44%. Resta saber se ela reagirá ou se pode descer ainda mais.

Para evitar um desgaste maior, uma verdadeira operação de guerra foi deflagrada, desde insinuações por meio de Dilma, desmentidos do governo e desqualificação dos adversários. A ausência de punição dos verdadeiros mentores da operação parece ser a única certeza.

Lula, na estratégia de reação, foi para a TV e acusou os adversários tucanos. Estes, até o momento tem apresentado uma reação pífia, desproporcional ao tamanho do escândalo. Considerando isto e a eficiência da máquina governamental em criar versões diferentes, vemos que Dilma tem tudo para segurar sua queda.

Mesmo que Dilma mantenha os 44%, Serra ainda precisaria subir. O tucano não conseguiu criar um momento político favorável. Peças publicitárias fracas foram ao ar. Nada de impacto, nada que comova o eleitor e mexa com os brios e emoção. Ao invés de compor com Marina, tentando evitar a vitória de Dilma, Serra sofre ataques até do PV. A vítima virou vilão e o jogo virou. A política precisa ser exercida de forma profissional. O jogo eleitoral presidencial é muito pesado para uma estratégia tão fraca. Talvez o tucano tenha perdido sua grande chance de levar a eleição para um segundo turno.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Francenildos

A quebra dos sigilos fiscais de membros do PSDB é, até o momento, o único fato relevante de uma eleição que não tem mobilizado os brasileiros. O caso se torna ainda mais grave quando vemos que outros tantos cidadãos, sabe-se lá por qual motivo, tiveram também seus sigilos fiscais violados da mesma forma que os tucanos.

O PSDB mais uma vez não acerta na estratégia eleitoral. Deveria, face a situação de Serra nas pesquisas, explorar o fato politicamente. Mobilizou-se juridicamente, entretanto, na esfera política, pouco foi mostrado em seu programa de TV, por exemplo. Enquanto isso, editoriais, como vimos n'O Globo, são contundentes em reprovar o que foi chamado pelo jornal de "a partidarização do Estado, uma das últimas escalas na degradação da democracia rumo a um regime policial, personalista, autocrático". Do outro lado, os tucanos, principais vítimas deste jogo sujo e baixo, pouco fazem.

Serra deveria trazer, por exemplo, Francenildo dos Santos Costa, maior símbolo da violação de sigilos constitucionais, a dar seu depoimento. A violação de sua conta ocorreu sob a batuta do homem forte da candidatura Dilma, Antônio Palocci. Assim como Francenildo, outros tantos brasileiros que também foram vítimas da violência exercida pela Receita Federal, de uma celebridade como Ana Maria Braga até cidadãos comuns, pessoas sem qualquer notoriedade, que poderiam dar seu depoimento.

Mas como também foi escrito por analistas políticos, o País parece tomado de uma letargia coletiva que o impede de refletir. Se somarmos a este fato a inoperância da oposição, chegaremos a conclusão que cedo ou tarde todos seremos Francenildos.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Quebras de Sigilo

As quebras de sigilo fiscal de membros graduados do PSDB é um daqueles absurdos com os quais a população brasileira já ficou habituada. É um escândalo, sem dúvida, mas como todos os mais recentes que vimos na história brasileira, tem tudo para dar em nada.

Quais as implicações para a campanha eleitoral? Praticamente nulas. O assunto não tem capacidade de penetração em parte do eleitorado e tende a revoltar outros tantos que já tem consolidada sua opinião, assim como não importa para aqueles que já decidiram votar na continuidade do governo atual.

É, por certo, muito ruim para o País. Escândalos como esse, assim como vários outros, deveriam servir de punição exemplar. Em países com uma maior tradição de continuidade democrática e instituições fortes, que situam-se acima daqueles que ocupam o governo, as chances de punição são muito maiores e acontecem. O resultado é, diante da certeza da punição, a ausência de novos delitos. No Brasil fizemos o caminho inverso, infelizmente.

Quebrar os sigilos fiscais de membros da família de um candidato, assim como de dirigentes partidários com o intuito de intimidá-los, constitui-se em uma daquelas práticas que afastam o interesse dos bons pela política. Infelizmente parece que estas são as práticas políticas atuais e comuns em um País que não assiste um escândalo dessa envergadura pela primeira vez. O pior de tudo é que atos como este não chocam, nem influenciam mais o voto da população. Mensalões, mensalinhos, aloprados e caseiros, só para citar os mais recentes, estão aí para nos lembrar.

A investigação não dará em nada e o impacto eleitoral será zero.

terça-feira, agosto 31, 2010

O Peso do PMDB

Os sinais de que Dilma pode vencer no primeiro turno fez soar um sinal de alerta no PMDB. Isto indica que a onda Lula foi realmente o diferencial que trouxe a candidata até aqui e joga o partido de seu vice para uma natural situação de desvantagem na montagem do governo.

Para o PMDB seria até interessante a realização de um segundo turno, quando Dilma tivesse que olhar com mais atenção para seus parceiros e o PT enxergasse a real necessidade de juntar-se ao partido de Temer de formal integral e coesa. Assim o PMDB poderia mostrar força e entregar resultados eleitorais para Dilma dependentes de sua própria militância e importância.

No caminho atual, o PMDB parte para um eventual governo Dilma com uma importância menor do que a desejada. Deverá disputar poder com outras agremiações governistas, como PSB, PDT, PP, PR, PRB, PC do B e outros tantos que pularam no barco de Dilma. Por certo o PMDB é o aliado mais importante, entretanto, converter esta situação em poder real na política é outra história.

Para concretizar seu objetivo, o PMDB deve caminhar coeso. Coincidentemente o partido nunca esteve tão unido e deve seguir assim se pretende dar as cartas em um governo Dilma. De outro modo, a fome dos aliados, somada a patrola petista, pode reservar ingratas surpresas para os pares de Michel Temer. Mas o PMDB sabe fazer política no Brasil, como poucos.

sábado, agosto 28, 2010

Onde está Serra?

A pesquisa Ibope divulgada neste sábado mostra que a campanha presidencial virou um massacre de petistas sobre tucanos. Quem pensava que a eleição iria ser resolvida em Minas Gerais e imaginava um pleito disputado, estava errado. A eleição se tornou um passeio para Lula. Dilma, além de ter consolidado o eleitorado natural do Nordeste e Norte, avança com força para São Paulo e o Sul, onde já mostra-se na frente de Serra.

Se o PSDB deseja levar a eleição para um segundo turno, pelo menos, precisa agir de forma urgente. Os programas de TV de Serra estão em uma linguagem inferior e ultrapassados. A linguagem televisiva evoluiu nos últimos anos, mas esta notícia parece não ter chegado aos ouvidos dos tucanos. É preciso mudar para evitar um vexame no dia 3 de outubro.

As consequências da queda de Serra se traduzem em parcos apoios nos estados, inversão de apoios locais, agora pró-Dilma, e uma diminuição na arrecadação de fundos para a campanha.

Serra precisa aparecer e fazer o que até agora não fez. Não se faz propaganda política para o Brasil como se faz para o eleitorado paulista. Ele precisa modificar sua linguagem no rádio e TV, resgatar a força no Sul e São Paulo, para então avançar e tentar jogar a eleição para um segundo turno. Pode começar a articulação com os candidatos ao Senado e governos de Estado, foco principal das ações petistas, que já consideram a eleição presidencial favas contadas.

Serra precisa aparecer, pois de sua performance depende a eleição da bancada de oposição, em caso de vitória de Dilma. Seu fraco desempenho já tem reflexos nas disputas estaduais. Um partido que se apresenta como alternativa real de oposição, tem obrigação de mostrar mais do que está sendo visto até agora.

Apenas para registro: se contarmos apenas os votos válidos, Dilma chegou a 59%. Serra teria 32%. Um passeio.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Vantagem de Dilma

A cada pesquisa a distância entre Dilma e Serra parece maior. A tendência já é de uma vitória em primeiro turno. O PT virou o jogo para cima de Serra e a cúpula tucana deve estar atônita com o vem assistindo. A derrota que se avizinha corre o risco de ser humilhante.

O principal trunfo da campanha de Dilma é a televisão. Foi nela que a candidata de Lula deu o mais importante passo para subir nas pesquisas. Ali, ambos apareceram juntos dando uma idéia do que ainda estava por vir. Os tucanos não entenderam o recado.

O programa de TV apresentado por Dilma é dinâmico, direto e impactante. Trouxe uma nova linguagem, moderna e objetiva. A presença de Lula sedimenta todo o processo. Ela pouco fala, mas os projetos e realizações são apresentados com uma clareza que atinge diretamente seu público.

Já o programa do PSDB situa-se em um patamar inferior. Não causa impactos, tampouco emociona. Patina ao tentar passar mensagens. Enquanto Dilma vende um país grandioso, Serra optou pela cadência simples e normal dos programas eleitorais do passado. Serra teria muito a mostrar, mais do que Dilma. Como Deputado, Senador, Ministro, Prefeito e Governador teve projetos e conquistas impactantes. Falta saber passar a mensagem. Na política talvez importe mais como a mensagem é passada do que a própria veracidade da mensagem.

Assim a distância aumenta. Acredito ser menor do que as pesquisas mostram, entretanto, não há como negar o momento pró Dilma. A TV apenas deixa claro que a diferença de qualidade visual se consolida em intenções de votos reais. Pior para Serra.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Dilma fora dos Debates

O confortável primeiro lugar nas pesquisas trouxe cautela para a campanha de Dilma Rousseff. O comando da campanha pretende preservar a imagem da candidata ao invés de expor Dilma frente a frente com os adversários. Neste momento ela somente teria a perder apresentando-se nos debates. Desta forma ela termina talvez com a última carta que José Serra ainda poderia jogar na tentativa de virar a eleição.

A estratégia pode servir para a candidata petista, visto que ela não é conhecida do eleitorado, sendo no momento apenas uma versão apresentada por Lula para concorrer em seu lugar. Na verdade, Dilma não tem votos. Estes são de Lula, que apenas transfere sua popularidade para a ex-ministra. Neste caso, qualquer tropeço de Dilma poderia balançar a imagem criada sobre ela, visto que a candidata não possui uma identidade própria na cabeça do eleitor. A candidata em si é a maior fraqueza da campanha, pois não tem intimidade com os holofotes e a política, portanto, melhor deixar Dilma isolada e Lula continuar o processo de transferência de votos. Esta é a estratégia.

Serão ainda mais cinco debates até o dia da eleição: Estadão e TV Gazeta, CNBB, Rede TV, Rede Record e por fim o da TV Globo. Ela deve aparecer somente na Globo e mesmo que não aparecesse, talvez não afetasse de forma significativa sua perspectiva de vencer no primeiro turno. Existe no momento uma onda criada a favor de Dilma, que bem aproveitada pode fazer com que a margem atual em seu favor seja mantida. Com programas de TV milionários e extremamente bem feitos, com a presença de Lula ao seu lado e cada vez lideranças regionais querendo colar sua imagem com a do Presidente e sua candidata, está cada vez difícil de Lula, digo, Dilma perder esta eleição.

terça-feira, agosto 17, 2010

Programas de TV

Agora começa uma nova fase de campanha com os programas de rádio e TV. Na última eleição presidencial foi neste período que Alckmin se aproximou de Lula e conseguiu jogar a disputa para o segundo turno. Serra espera uma recuperação, mas corre risco, uma vez que Dilma subiu nas pesquisas exatamente quando surgiu na TV ao lado de Lula.

O programa de Dilma esboçou a sua linha de campanha. Foi possível perceber como o PT está disposto a jogar as fichas em sua eleição, todas elas. O partido tornou-se um player profissional da política. O programa foi caprichado e direcionado para onde é necessário. Foi impecável em quase todos os aspectos. Lula aparece como o grande cabo eleitoral. Faz a diferença.

Serra fez um programa bem pautado, mas sem o dinamismo e o entusiasmo que pautaram o programa do PT. Os tucanos apostaram na questão da saúde, o ponto forte de Serra e que atinge sua camada mais vulnerável de votos, as classes mais baixas. Falta, entretanto, achar a sintonia. Resta agora ao PSDB achar onde seu programa pode fazer a diferença.

Marina foi mais do mesmo. Se deseja ser mais do que uma candidata monotemática, precisa mudar o disco, inserir seu vice, mostrar suas propostas e dar dinamismo ao seu programa.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Os Números

As mais recentes pesquisas eleitorais devem estar deixando o alto comando da campanha de José Serra extremamente preocupado. No Datafolha Dilma chegou a 41%, deixando Serra com 33%. Na pequisa anterior, o tucano ainda estava na frente, com o placar de 37%, contra 36% da ex-ministra. Houve, portanto, segundo o instituto, uma movimentação significativa de votos que mostra uma tendência.

Os institutos de pesquisas estão emparelhando seus números para o início do horário eleitoral. No Ibope a situação é semelhante ao Datafolha. Serra caiu para 32% e Dilma subiu para 43%. Aqui a situação é um pouco mais confortável, já que sinaliza uma possível vitória de Dilma ainda no primeiro turno.

Hoje, a candidata do PT está com 47% dos votos válidos e Serra com 37%. Se compararmos estes números com os da última eleição, Lula entrava no período de propaganda eleitoral com 55% e Alckmin com 24%, em curva descendente. O resultado do primeiro turno foi Lula com 48% e Alckmin com 41%. Ou seja, naquele cenário, o período que está por iniciar foi mais benéfico para os tucanos.

Mas naquela época Lula não era tão popular e apesar de Serra desafiar a criatura de Lula e não o próprio, o Presidente está disposto a jogar pesado com sua imagem e margens de aprovação do governo para impulsionar Dilma. Os aliados de agora tem mais densidade, como o PMDB, completamente envolvido na campanha. Existe uma base mais ampla no leque de alianças.

Além de tudo, vale lembrar que Dilma começou a avançar de forma consistente quando Lula apareceu ao seu lado nos programas de TV do PT. A formula se repetirá a partir de agora.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Debate com os Vices

Sempre deixados em segundo plano, os vices tem procurado ter mais voz. Dentre todos os postulantes, o mais experiente do ponto de vista político é Michel Temer. Ele é o valioso elo que liga o PT a um pacificado PMDB. Como fiador da aliança, é sobretudo aquele que terá mais importância em um futuro governo. Seria um importante articulador dentro e fora do seu partido.

Índio da Costa, o vice de Serra, deseja um debate entre os vices. Será uma ótima oportunidade para discutir com Temer a paternidade do projeto Ficha Limpa. O vice de Dilma diz que foi o grande patrocinador do projeto. Uma discussão que não deve trazer nada de novo para campanha além do fato de que, se bem articulado, pode desgastar Índio da Costa.

Guilherme Leal, por muitos considerado o melhor candidato a vice, deve participar com os outros dois do debate no Estado de S. Paulo na próxima terça. Será uma boa oportunidade para o vice de Marina falar e ser ouvido. Tem muito a contribuir para a campanha e pode fazer Marina crescer em uma parte do eleitorado ainda não atingida pela candidata do Partido Verde.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Serra no JN

Dos três candidatos entrevistados pelo Jornal Nacional, a presença de Serra foi talvez a mais segura. O candidato do PSDB falou com tranquilidade e tom sereno, explicou os temas com a simplicidade necessária para o alcance do programa. Pode ter ganhado pontos junto ao eleitorado.

O grande problema de José Serra, no momento, é enfrentar a forte máquina política do PT, montada dentro do Estado, e fazer frente a uma campanha onde um popular Lula apresenta-se como fiador de sua candidata. Sobre isso ele também comentou: "Lula não está concorrendo comigo. Não é candidato (...) Não há presidente que possa governar na garupa, ouvindo terceiros ou sendo monitorado por terceiros". O recado foi dado e tinha destinatário certo.

Por mais que não faça uma campanha perfeita, Serra se porta diante da imprensa, em entrevistas, debates e questionamentos de forma correta, longe do candidato que foi em 2002. Entretanto, as forças a serem enfretadas tem um poder exepcionalmente maior nos dias de hoje.

Serra tentou pautar o debate em uma era pós-Lula, de forma acertada, "O governo Lula fez coisas positivas, outras coisas deixou de fazer. A discussão não é Lula. É o que vem pela frente".

Saiu-se bem da saia justa criada por Bonner quando foi mencionado o PTB e soube justificar a escolha de Índio da Costa como vice, por mais difícil que isso possa ser.

Reitero que o problema de Serra é de ordem política, dentro da articulação. Os tucanos não entendem como enfrentar este novo PT, agora no comando da máquina do Estado e pragmáticos no fechamento de alianças.

Serra foi muito melhor do que em 2002 no Jornal Nacional. O cenário, entretanto, é outro. Seria bom que todos seus aliados estivessem tão preparados e dedicados como ele.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Marina no JN

Marina Silva também compareceu ao Jornal Nacional. Não conseguiu ir muito além de onde estava, ou seja, sua presença não serviu para ampliar sua base de votos, tampouco para empolgar seus apoiadores.

Faltou a Marina duas vertentes. A primeira no sentido de trazer propostas de país mais concretas do que vem apresentado. Ficou restrita a temas gerais e não conseguiu direcionar a entrevista, caindo no caráter defensivo. O segundo foi treinamento mesmo. Somente aos nove minutos de entrevista Marina olhou para a câmera. Mesmo assim não ficou plenamente confortável. Depois de concentrar nesta, voltou aos entrevistadores e esqueceu dos telespectadores novamente.

Na falta de um caráter mais propositivo, como falar da experiência administrativa de seu vice, Marina foi mais defensiva. Tentou explicar o inexplicável, no caso do mensalão, e seguiu pouco simpática, mantendo seu caráter sisudo e fechado, que em nada ajuda em sua imagem.

Marina falou para seu público, ou seja, para seus 10%. Não comprometeu, mas perdeu uma grande oportunidade de subir um pouco mais nas pesquisas.

terça-feira, agosto 10, 2010

Fatos e Versões de Dilma

Durante sua entrevista no Jornal Nacional, Dilma fez várias afirmações, algumas indicando números, outras fatos. Acontece que muitos deles foram desmentidos logo após sua exposição no JN. A imprensa tratou de repercutir o que não era verdadeiro, mas como o impacto político, neste caso, refere-se mais a versão exposta do que ao fato propriamente dito, tudo deve ficar por isso mesmo.

A candidata segue o script pré-determinado pela assessoria. Precisou de muito treinamento para não vacilar nas respostas e apesar de nervosa conseguiu passar, sem maiores arranhões, uma versão pessoal e parcial para o grande público. Foi bem orientada.

Os temas relativos a inflação herdada de FHC, dados relativos ao saneamento, obras do PAC e tantos outros, podem ser melhor explorados nos debates que ainda estão por vir. Por exemplo, disse que o governo investiu R$ 270 milhões na Rocinha, mas o valor real não chega a 30% disso. O excesso de versões dos números e fatos apresentados pela candidata é um farto arsenal para Serra usar mais adiante.

A estratégia, contudo, tem dado certo. Dilma sobe nas pesquisas embalada por uma campanha com Lula a tiracolo, baseada em fatos e versões não tão críveis assim. Mas na política praticada atualmete no Brasil, infelizmente aquilo que é, na verdade é o que menos conta, mas a versão do que parece ser é o mais importante.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Dilma no JN

Depois do debate, Dilma teve a segunda prova de fogo em menos de uma semana, desta vez no Jornal Nacional. É sabido na política que a bancada do JN pode ser dura, como já ocorreu no passado, logo, as atenções voltaram-se para o desempenho de Dilma.

Considerando-se que Dilma não possui experiência política, pode-se dizer até que foi bem, mas levando-se em conta que estamos tratando de uma eleição presidencial, ficou claro que ainda falta muita cancha para a candidata petista sentir-se confortável diante dos holofotes.

William Bonner e Fátima Bernardes tocaram em pontos sensíveis. A estratégia foi responder outra coisa, fugindo da questão principal. Dilma suava muito, estava nervosa. Cometeu erros, disse inverdades, entretanto, nenhuma que possa atingir verticalmente sua imagem como candidata. Falar como mãe dos brasileiros (na tentativa de imitar Lula) não pegou bem. Ela não passa essa impressão maternal. Reforçou sua simbiose com Lula. Era isso. Para ela foi positivo, pois poderia ser bem pior.

A tensão ficou no seguinte trecho em que foi desmentida por Bonner:

"Dilma Rousseff: Não, o presidente não falou em maltratar, o presidente falou que eu era dura.

William Bonner: Não, ele disse isso. A senhora me perdoe, mas o discurso dele está disponível. Ele disse assim: as pessoas diziam que foram maltratadas pela senhora"

A bancada do JN segue entrevistando outros candidatos no decorrer da semana.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Sinal de Alerta

A pesquisa CNT/Sensus traz muitas falhas, mas não deixa de uma certa forma de confirmar uma tendência. Dilma sobe e Serra desce. Tem sido assim nos últimos meses. O sinal mais importante da pesquisa é indicação de um padrão de comportamento do eleitorado, mesmo que seus números não sejam exatos e plenamente confiáveis.

Os últimos levantamentos devem ter feito soar um sinal de alerta na campanha de José Serra. Ele vem caindo onde era mais forte, especialmente em São Paulo, onde a diferença se mostra cada vez menor. Isso sem falar onde já vinha mal. São sinais de que algo deve ser mudado e a estratégia de campanha reavaliada. Alguns acreditam que nada deve ser mudado e que os debates e o horário eleitoral ajudarão a campanha a tomar fôlego. É arriscado. Pode ocorrer o inverso, dada a franca exposição de Lula ao lado de Dilma. Um Plano B deveria estar na manga da coordenação de campanha tucana.

Os números atuais fazem aliados debandarem, desestimulam palanques regionais e o desânimo pode contaminar toda a campanha. Inclusive tucanos tradicionais preferiram a alianças regionais que garantam sua recondução, mesmo que ao lado de oposicionistas no plano nacional. Do outro lado já discuti-se a formação do ministério de Dilma. Salto alto? Pode ser, mas o empresariado e as instituições já trabalham com a possibilidade real deste cenário.

A campanha é pesada. O governo está jogando todas suas fichas no projeto de continuidade. O trabalho do tucano é muito difícil, porém, não é impossível. Acredito que Serra, assim como seu slogan, pode mais. Mas o timing da reação pode estar passando da hora.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Falta de idéias

Os rumos desta campanha presidencial são preocupantes. Campanhas servem, via de regra, como instrumentos para apresentar um projeto de País, idéias, confrontar ideologias políticas. Tudo isso falta nesta campanha presidencial, infelizmente.

A certeza de vitória de Dilma, impulsionada pela convicção de Lula e entusiasmo dos aliados históricos e dos parceiros de ocasião do governo atual, fecharam a disputa. Evitam a discussão de um projeto de país, tornando a eleição uma simples disputa de poder. O jogo pesado contra a Lei Eleitoral e a desenvoltura com que se descumpre os preceitos básicos do jogo democrático de forma impune mostram muito sobre o cenário brasileiro atual.

Nos prognósticos políticos usamos as campanhas como fonte de coleta de informações sobre os rumos que um novo governo deve trilhar. No caso brasileiro, a situação se complica especialmente em função da falta de orientação política clara de muitos partidos, que simplesmente orientam suas decisões em decorrência de conveniências políticas de ocasião, geralmente ao lado do governo, que controla a máquina.

Nos mercados escuta-se que existe uma preferência por Dilma, já que a regra do jogo não mudaria. É preciso avaliar com cautela tal afirmação. Em caso de vitória, um eventual governo Dilma pode e deve ser muito diferente de Lula. Virá a maioria governista no Senado, o temperamento e a falta de habilidade política da ocupante do Planalto, a perspicácia de Temer, as pressões por cargos do PMDB, a influência externa de Lula. Enfim, muitos caciques para pouca experiência política. A acomodação pode ser mais delicada do que imaginamos e talvez em um eventual governo Serra seja muito fácil de prever o que vem por aí.

Pelo menos se fossem debatidas idéias e projetos de País, tudo já ficava mais claro.

terça-feira, agosto 03, 2010

Divisão de Poder

O Senado foi, durante o governo Lula, o único significativo foco de resistência da oposição. Se em algum momento o governo sofreu algum revés nos últimos oito anos, foi no Senado. Isto começou a mudar. O PT entende a importância do Senado para levar adiante as reformas que pretende implementar se Dilma sair vencedora. Mais um movimento foi realizado neste sentido.

Gim Argello, político de Brasília e suplente de Joaquim Roriz, foi durante muito anos desafeto dos petistas na política local. Entretanto, desde que chegou ao Senado, passou a circular com muita desenvoltura nos corredores palacianos. Hoje é o vice-líder de Lula no Senado.

Se o PT se articula para formar uma base forte no Senado nestas eleições, trabalha também, mediante seus aliados, a manter sob sua influência, grande parte da Casa. Neste sentido, Gim Argello assumiu a responsabilidade. Organizou um almoço em sua casa na data de hoje onde compareceram 18 ministros e 38 parlamentares (dentre os quais nove candidatos a governos estaduais e 16 à reeleição). O Senadores governistas compareceram em peso.

Discutiu-se campanha, mas já se ampliou a discussão na direção da ocupação de espaços em um eventual governo Dilma. Todos ali estão certos da vitória petista no pleito presidencial e a divisão do bolo já estava em pauta, sob o comando de Gim Argello. Excesso de confiança e certeza na vitória pairavam no ar.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Vantagem em Minas

Desde o princípio da campanha tenho alertado para a importância de Minas Gerais. É neste estado que a eleição presidencial será definida. A última pesquisa Ibope que mostra Dilma já na dianteira evidencia esta tese. Na medida que amplia a vantagem em Minas, a candidata de Lula vai abrindo vantagem nacionalmente.

Se nos estados do Sul Serra leva vantagem e nos do Nordeste Dilma sai na frente, é preciso atenção em duas frentes: Centro-Oeste e Sudeste. Nesta última, considerando os grandes colégios eleitorais, o PT leva vantagem no Rio de Janeiro, enquanto Serra carrega São Paulo. Em Minas reside a senha para a vitória.

Por lá, em 2006, ocorreu o fenômeno Lulécio, ou seja, Lula para Presidente e Aécio para Governador. Em 2010, vemos que 46% daqueles que votarão em Antônio Anastasia, preferem Dilma. Começa a ser gestado o chamado voto "Dilmasia", que pode ferir gravemente a candidatura Serra. O único capaz de evitar o naufrágio tucano em Minas é Aécio Neves. Seu eleitorado fiel está com Anastasia, mas não está com Serra. Dilma tem 44% no estado, contra 32% do tucano. São 1,2 milhão de votos de vantagem para a petista.

O candidato do PSDB tem outro problema. Falta a Serra também uma maior penetração política no Centro-Oeste. Escrevi aqui que ele deveria considerar um vice ligado ao agronegócio dentro desta região. Se olharmos os números, somando Norte/Centro-Oeste, Dilma já aparece na frente, com 40% das intenções de voto.

Serra precisa reforçar sua campanha em duas frentes: Minas e Centro-Oeste. Se não o fizer, Dilma caminhará para vitória, talvez até no primeiro turno.