segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Gore, o mediador

Os Democratas estão receosos com o resultado da batalha entre Clinton e Obama. O medo é de que os efeitos sejam de tal ordem que acabem por afetar de forma determinante as aspirações do vencedor.

Hillary Clinton já luta para fazer valer os delegados do Michigan e, principalmente da Flórida, que estariam fora da disputa, uma vez que os dois estados andiantaram suas primárias. Obama nem concorreu no Michigan.

No meio deste racha entre os democratas, que pode lhes custar a eleição, Al Gore surgiu como um possível mediador. Ele segue neutro na disputa e hoje é um dos barões do partido. Entretanto, enquanto uns criticam sua proximidade com os Clinton, outros dizem que esta não é mais tão forte, pois as rusgas entre ambos pode inclusive fazer a balança pender para Obama.

Tudo são especulações, mas aquele que poderia ter sido o candidato democrata, agora pode assumir a condição de árbitro em uma disputa, que se não for bem mediada, pode custar muito caro aos democratas.

domingo, fevereiro 17, 2008

Romney mira em 2012?

Michael Reagan, filho do presidente Ronald Reagan, compara a estratégia de Mitt Romney àquela realizada pelo seu próprio Pai em 1976.

Em 1976 Reagan perdeu as prévias para Gerald Ford, Presidente na época. A luta entre os dois foi intensa, mas Reagan foi derrotado. A partir daquele momento mostrou apoio incondicional a Ford e esteve ao seu lado durante todo período eleitoral. Ford perdeu a eleição para Jimmy Carter e Reagan voltou triunfal em 1980. Venceu as primárias, as eleições, e iniciou um período de mudanças e prosperidade.

O discurso de renúncia da candidatura de Romney, que acompanhei no CPAC, é comparado ao de Reagan, na convenção de Republicana de 1976, ou seja, na linha de manter unido, coeso e forte o partido Republicano. Além disso, Romney, criticado pela sua constante mudança de opinião em relação a temas sensíveis, teria, com as primárias deste ano, fortalecido seu nome como um real conservador, preparado para liderar o partido no futuro. Romney teve seu debut no movimento conservador.

Comparar Romney a Reagan chega a ser exagero, mas se ele não se tornar o vice de McCain, como alguns tem especulado, abre-se uma grande oportunidade para que ele volte daqui há 4 anos como o grande nome conservador do partido. É uma opção que não pode ser descartada.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Hillary ainda viva

Passo por aqui neste instante para trazer os números mais recentes para as importantes primárias que estão por vir.

Tudo indica que Hillary ainda leva vantagem no Texas, Ohio e Pennsylvania. Entretanto, ainda existe um problema. Já que os delegados são divididos proporcionalmente, Hillary precisa vencer bem, com autoridade, para descontar a margem que Barack Obama já possui.

TEXAS
Rasmussen: Clinton 54, Obama 38.
InsiderAdvantage: Clinton 48, Obama 41.
TCUL/Hamilton: Clinton 49, Obama 41.

OHIO
Rasmussen: Clinton 51, Obama 37
Quinnipiac: Clinton 55, Obama 34

PENNSYLVANIA
Quinnipiac: Clinton 52, Obama 36.

Hillary Clinton deve vencer nesses importantes estados. Mas além da proporcionalidade, há outro fator de influência. Wisconsin fará sua primária antes desses estados. Obama deve vencer e continuar com seu momento positivo, o que pode influenciar uma onda favorável a seu favor.

WISCONSIN
Research 2000: Obama 47, Clinton 42
Rasmussen: Obama 47, Clinton 43

Hillary ainda está viva, mas necessita cuidar com muita atenção destes três preciosos estados: Texas, Ohio e Pennsylvania. E precisa vencer bem, com folga.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Romney apresenta apoio a McCain

Depois de Rudy Giuliani e Fred Thompson, hoje foi o dia de Mitt Romney. Ele apresentou formalmente apoio ao senador McCain na disputa pela Presidência.

McCain fez uma parada, não programada, em Boston para encontrar o ex-governador e antigo rival interno no Partido Republicano. Romney apresentou apoio formalmente, e afirmou que busca a união do partido. Mais do que nunca os republicanos precisam de coesão, em especial em uma época onde os democratas entram em um brutal confronto.

Os 277 delegados de Romney podem apoiar McCain. Não existe uma regra definida, mas a tendência é clara de a maioria acompanhar a orientação de Romney.

Resta Mike Huckabee. Que ainda acredita em milagres, enquanto os republicanos precisam de união.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

A estratégia de Obama

A campanha do senador Obama está confiante e diz que Hillary só conseguirá alcançá-lo se vencer bem as próximas primárias. Ela só teria chance de vencer se tentar fazer valer os resultados do Michigan e Flórida, que não deveriam contar nas primárias, já que estes estados foram punidos por adiantá-las. Mas fazer isso é rachar o Partido Democrata ao meio na Convenção. E uma estratégia arrisacada.

Enquanto isso, vocês verão Obama posicionar-se já como candidato, na tentativa de mostrar ao Partido que sua candidatura está consolidada e ele deve ser inevitavelmente o escolhido. Nos dois últimos grandes discursos ele já fez isso, colocando-se no contraponto de McCain, sem mencionar a senadora Hillary Clinton, deixada em segundo plano.

São movimentos sutis da política mas que mostram as estratégias por trás das campanhas.

Maggie Williams admite erros e reorganiza campanha de Hillary

Ontem, em mais uma noite triunfal de Obama, mais uma baixa ocorria na campanha de Hillary Clinton. Mike Henry, o segundo homem da campanha, renunciou. Sua saída era esperada, uma vez que houve troca de comando, com a saída de Patti Solis Doyle e a entrada de Maggie Williams.

Esta, aliás, já trabalha na reorganização da campanha da Senadora. Ela apontou alguns erros, mas um deles, na minha opinião foi fundamental: Não brigar pelos estados pequenos, o que abriu a possibilidade de Obama ganhar momento. Isto afetou a arrecadação de fundos e desestimulou os voluntários. É preciso fazer mais pedidos aos doadores e voltar a vencer o quanto antes. Apesar de estarem empatados em número de delegados, Obama é aquele que mais lucra, pois é o desafiador que tornou-se favorito.

Hillary começou a atacar Obama em comerciais no Wisconsin, onde será a próxima primária. Todo cuidado é pouco, pois acredito que atacar agora pode parecer desespero. Ela deveria ter partido para um ataque inteligente muito tempo atrás.

Enquanto Hillary precisa voltar a vencer desesperadamente, David Wilhelm, antigo chefe de campanha de Clinton e superdelegado democrata, anunciou apoio a Obama.

O partido move-se claramente na direção do desafiante de Illinois. Maggie Williams tem muito trabalho pela frente.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

McCain vence por todo Potomac

A vitória foi de McCain, mas a notícia da noite é para Huckabee. Ele perdeu a Virgínia e, desta forma, uma grande oportunidade de ainda conseguir algum tipo de impulso para uma campanha que já deveria ter encontrado seu fim há tempos.

Na Virgínia McCain ficou com 50%, deixando Huckabee com 41%. As áreas rurais ficaram com o ex-governador do Arkansas, mas nas áreas urbanas McCain venceu fácil.

Em Maryland McCain venceu novamente, desta vez com 54% e Huckabee ficou nos 30%. Mas em Washington, DC, o Senador pelo Arizona foi absoluto, alcançando 67%, contra 17% de Huckabee.

O discurso de vitória de McCain, em Alexandria, foi sereno e claro. Nada de messiânico, mas extremamente emotivo. Ele tem um apelo emocional ainda não trabalhado pelo direção da campanha.

Agora McCain chegou a 819 delegados, neste momento. Huckabee fica ainda com 240.

A hora de Huckabee jogar a tolha já passou há tempos.

Virgínia, Maryland e DC impulsionam Obama pelo Potomac

Obama prossegue em sua interminável sucessão de vitórias. Neste momento ele se encontra no campo da próxima batalha, Madison, Wisconsin, em mais um discurso avassalador. Fala de esperança, que é possível vencer. Um discurso cheio de emoção que leva seus apoiadores ao delírio.

Esta noite mais uma vez foi dele. Venceu com segurança e folga em todo Potomac. Em Washington, DC chegou a alcançar impressionantes 75%, catapultado pelo voto negro, que corresponde a 60% da população aqui da capital. Em Maryland ele chegou a 62% e na Virgínia, onde Hillary tinha alguma esperança, emplacou 63%, contra apenas 36% da ex-Primeira-Dama.

O furacão Obama derruba os Clinton estado por estado e agora já ultrapassa Hillary em número de delegados: 1.272 para Obama e 1.231 para Hillary.

Ela já está no Texas, em El Paso, em campanha para uma primária que ela não pode correr o risco de perder.

A perigosa aventura de Huckabee

Hoje pela manhã conversei com um dos conselheiros da campanha de Huckabee. O que achei incrível é que realmente eles acham que é possível reverter a situação e vencer McCain até a convenção. Na minha opinião é muito dificil, diria praticamente impossível.

Mas pelo que vi, a estratégia é enfraquecer pouco a pouco McCain, chegando na Convenção com uma diferença possível de ser revertida. Para a concretização deste objetivo, é fundamental uma vitória na Virgínia, onde me encontro neste momento. A campanha de Huckabee ficou animada com a vitória no Kansas e especialmente por chegado muito perto no estado de Washington.

Huckabee pode estar levando parte dos republicanos a uma aventura perigosa, que pode desgastar o partido e a candidatura de McCain, especialmente se Huckabee ganhar mais alguns estados. Ou seja, insuficiente para ganhar a indicação, mas suficiente para tirar momento e entusiasmo dos partidários de McCain.

No momento que McCain recebe apoios de conservadores como o ex-governador da Flórida, Jeb Bush, o líder evangélico Gary Bauer, do deputado Jeb Hensarling, além dos pesos pesados do partido na Virgínia, como o senador George Allen e o ex-governador Jim Gilmore, a insistência de Huckabee chega a soar infantil, pois pode vir a prejudicar o seu próprio partido.

Um alerta para os Republicanos

Estive com Tom DeLay, antigo líder da maioria Republicana na Câmara de Representantes, e ouvi dele algo interessante, que deve ser levado em consideração nesta campanha.

Ele me alertou para o fato de que apenas sete milhões de republicanos votaram nas primárias da Super Tuesday. Do lado dos democratas, este número chegou a 14 milhões de militantes. Isto nos mostra precisamente o grau de mobilização dos democratas frente aos republicanos nesta eleição.

Lembrei de uma conversa que tive com Ed Gillespie, conselheiro do Presidente Bush, semana passada. Ele me disse que Karl Rove deu uma dica quando ele assumiu como Chairman do RNC: "Registre o maior número de republicanos". A mobilização do partido foi essencial para a vitória de Bush em 2004.

O registro serve de alerta para os coordenadores de campanha do partido.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Hillary troca comando da campanha

Quando tudo dá errado, tudo dá errado mesmo.

"Como não se pode trocar o candidato, troca-se o comando da campanha". A frase nem sempre é verdadeira, apesar de ter escutado hoje. Referia-se a Hillary Clinton.

Depois de ser nocauteada no final de semana pela série de vitórias de Obama, coroadas ainda por um Grammy na noite de domingo, a Senadora resolveu trocar o comando da campanha. Sai Patti Solis Doyle, amiga de Hillary desde a época do Arkansas. Entra Maggie Williams, antiga chefe de gabinete da durante seu período como primeira-dama.

Hillary enfrenta problemas financeiros na campanha. Na medida em que Obama ganha momento e exposição, potencializados por sucessivas vitórias e doações generosas, Hillary perde em todos os campos. Em janeiro ela arrecadou US$ 13,5 milhões e Obama levantou espantosos US$ 35 milhões.

Hillary deve tentar evitar mais um desastre nas prévias do Potomac, amanhã, que englobam Virgínia, Washington DC e Maryland. Ela precisa desesperadamente frear a onda em favor de Obama. O problema será realizar este trabalho em uma região em que o senador naturalmente leva vantagem, especialmente pela concentração do voto negro.

Hoje pela manhã encontrei voluntários de Hillary por vários pontos de Washington e Virgínia, especialmente nas saídas de metrô.

Se ela esperar para frear Obama em Ohio e no Texas, talvez seja tarde demais. Na minha opinião, a onda em favor de Obama está se transformando em algo que pode evitar que os Clinton consigam usar de sua habilidade política no momento decisivo. Hillary, se deseja vencer, precisa agir logo.

A onda Obama

Não adianta, quando tudo dá certo, tudo dá certo mesmo.

Ontem, além do Maine, Obama venceu o prêmio Grammy na categoria de Melhor Audiobook, com "The Audacity of Hope: Thoughts on Reclaiming the American Dream".

Ele derrotou os ex-presidentes Jimmy Carter e Bill Clinton.

Obama vence com facilidade no Maine

E mais uma vitória para Obama. Desta vez foi o estado do Maine. Hillary Clinton não chegou nem perto, mas pelo sistema proporcional de delegados, pelo menos somou mais nove.

Obama venceu fácil e levou 15 delegados.

O resultado ficou assim:
Obama: 59%
Hillary: 40%

domingo, fevereiro 10, 2008

A semana dos Democratas

Como se não fosse o bastante ter vencido em Louisiana, Nebraska e Washington, Obama ainda levou as Ilhas Virgens, com mais de 90% dos votos.

Neste domigo ficaremos atentos aos resultados do Maine, onde Hillary possui vantagem, já que o governador John Balducci a apóia. Ela precisa vencer por lá para frear a forte onda pró-Obama.

Seria importante ela vencer no Maine porque ele voltará a vencer no decorrer da semana, especialmente aqui em Washington, DC, que possui um forte eleitorado negro que garante um resultado favorável. Além daqui haverá primárias nos estados vizinhos, ao redor de DC, Maryland e Virgínia. Neste último Obama conta com apoio do governador Tim Kaine.

Hillary joga suas fichas nas jóias da coroa, ou seja, estados de maior peso na convenção, assim como fez com Nova York e Califórinia na Super Tuesday. Ela está de olho na Pennsylvanya, Ohio e Texas, este último com alta concentração de latinos, um ponto forte para Hillary.

Hoje ficamos de olho no Maine.

sábado, fevereiro 09, 2008

Obama arrasador

Contem comigo: Washington, Lousiana, Nebraska. Três estados em disputa. Três estados a mais com Obama. O sábado mais uma vez foi dele.

Neste momento, Barack Obama discursa para um entusiasmado público aqui em Richmond, Virgínia, que realiza prévias nesta terça. Entrou no palco embalado pela música "City of Blinding Lights", do U2. Seu discurso é forte e empolgante, como sempre.

Este impulso de hoje é importantíssimo para que ele vença Hillary na terça.

Vamos aos números:

Lousiana:
Obama: 53%
Hillary: 39%

Nebraska:
Obama: 68%
Hillary: 32%

Washington:
Obama: 68%
Hillary: 31%

Enquanto termino esta postagem, os partidários de Obama, em coro, repetem: "Yes, we can", enquanto Obama cita Kennedy.

Hillary que se cuide.

E o Kansas vai para Huckabee

Não sei se foi embalado pelos fluidos da CPAC aqui em Washington, mas Mike Huckabee já pode ser considerado o vencedor do caucus republicano do Kansas.

Pelas informações que tenho aqui, ele deve ficar com 59%, contra 23% de McCain. Certamente o ex-governador do Arkansas se favoreceu com a saída de Romney da disputa. Isto prova realmente que ambos estavam dividindo o voto conservador no partido, o que favoreceu McCain.

De um total de 36 delegados, Huckabee deve levar por volta de 24, apesar do popular senador Sam Brownback ter apoiado McCain.

Mas agora é tarde para tirar a indicação de McCain, por mais que os partidários conservadores de Huckabee e Romney tenham esperança.

Huckabee, o candidato-pastor, empolga os conservadores

A semana foi cheia. A CPAC, em ano eleitoral, foi prestigiada. Por lá tive o privilégio de conversar e estar com os principais membros do Partido Republicano. Dentre os mais prestigiados, estiveram o Presidente Bush, o vice Dick Cheney e os antigos e ainda postulantes da indicação republicana: Mitt Romney, Ron Paul e John McCain. Hoje foi o dia de Mike Huckabee. E pelo que vi, os conservadores ainda se empolgam (muito) com ele.

Huckabee tem suas qualidades, apesar de pessoalmente ter resistência ao seu nome e muitas de suas idéias. Ele é um orador de primeira, afinal de contas, foi pastor. Seu conservadorismo empolgou muito o público, assim como quando disse que não desistiria das prévias. Neste momento, foi ovacionado.

Ao final de seu discurso, enfrentou os analistas: "Dizem que a matemática está contra mim, mas não desistirei, eu não me graduei matemática, sou um homem feito por milagres e acredita muito neles!".

Não preciso dizer que a reação do público foi de pleno delírio.

O futuro de Romney

Ouvi no CPAC uma teoria interessante sobre o que planeja Romney para seu futuro. Desejo dividir com vocês. Sinto que os conservadores ainda sentem muito a saída de Romney e que eles ainda demorarão muito tempo para engolir McCain, se é que vão conseguir.

A saída triunfal de Romney, em plena Conferência de Ação Política dos Conservadores, segundo ele, "pelo bem do Partido", abre um leque de oportunidades.

No caso de vitória de McCain e um governo republicano moderado, Romney pode-se qualificar como a consciência conservadora do Partido, pressionando McCain em temas relevantes.

No caso de uma vitória Democrata, Romney pode ser aquele que lideraria um levante conservador daqui há quatro anos, com pleno apoio de toda máquina partidária republicana.

Mas para isso, Romney precisaria mostrar-se realmente um conservador, e deixar de mudar de acordo com os ventos políticos, como vem ocorrendo. Lembrem-se que ele era um governador moderado e liberal antes de vestir o traje conservador clássico nas primárias atuais.

Tudo isso se ele não acabar como o candidato a vice de McCain.

Ah, e Fred Thompson acaba de endossar seu amigo McCain. Seria um sinal?

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

McCain em busca de um vice Conservador

Confesso que dentro do CPAC os conservadores ficaram desolados com a desistência de Romney. Ele personificava os valores tradicionalmente conservadores que são tão valiosos para todos os presentes.

McCain sofre forte resistência de setores do Partido Republicano. Ann Coulter, que apresentou Mitt Romney no CPAC, chegou a dizer que se McCain fosse o escolhido, ela faria campanha para Hillary Clinton. A conferir..

Mas Pat Toomey, do "Club for Growth" fez uma pequena lista de possíveis VP's para McCain. Ele teria 72 anos quando assumisse a Presidência, o que faz com que a escolha do vice seja de vital importância.

Escutei nos corredores do CPAC que Huckabee seria uma opção, em função do bom desempenho no Sul, mas vamos combinar, ele não fez mais do a obrigação quando venceu na sua região. Especula-se que Romney teria desistido para tentar a vice, mas todos sabem que a relação entre ele e McCain não é das melhores.

O fato é que McCain precisa de um vice conservador o suficiente para unificar o partido e evitar que Ann Coulter faça campanha para os Clinton..

Isto exclui Giuliani e Lieberman. De pronto.

Huckabee é uma opção. Mas lembro sempre todos ainda o nome de Fred Thompson. É conservador, possui ar presidencial, é respeitado dentro do partido e além de tudo isso, vejam bem: é amigo pessoal de McCain - e sabemos que o candidato republicano é conhecido pelo pavio curto. Não vi comentários sobre essa possibilidade, mas não acho que seja possível descartá-la. Repassei essa tese para quem desejasse ouvir no CPAC, ontem e hoje. Muitos conservadores concordaram comigo.

Mas vamos a lista de Toomey:

1. Mark Sanford - Governador da Carolina do Sul
2. Jim DeMint - Senador pela Carolina do Sul
3. Mike Pence - Deputado por Indiana
4. Phil Gramm - Ex-Senador pelo Texas
5. Steve Forbes, CEO, Forbes, Inc.

Os números com McCain na disputa

Agora que Romney está oficialmente fora da disputa, avaliamos pesquisas que indicam a corrida entre McCain e os democratas restantes na disputa, Hillary e Obama.

Para mim, se Obama passar por Hillary nas prévias é imbatível. Já repeti isso várias vezes aqui. Com McCain, os republicanos ficaram certamente com o melhor nome para tentar vencer, mas ainda é uma tarefa dura.

A CNN/Opinion Research Corporation mostra Hillary com 50% e McCain com 47%, dentro de uma margem de erro de 3%. Já a pesquisa da Time mostra ambos empatados em 46%.

Mas tudo muda quando o adversário de McCain passa a ser Obama.

A CNN dá vantagem de 8 pontos para o democrata, enquanto a Time fala em 7 pontos. Seria um cenário de 52% - 44% para a CNN e 48% a 41% para a Time. Com Obama, democratas ganham o centro e como McCain deve escolher um vice mais conservador para acalmar o partido, os votos moderados centristas cairão no colo de Obama.

Por isso que sempre disse, especialmente para os republicanos com quem sigo conversando no CPAC, aqui em Washington: Mais importante do que vencer as prévias, os republicanos devem estar atentos ao adversário que sairá do outro lado.

McCain, o escolhido

Com a desistência de Romney, automaticamente McCain se tornou naturalmente o candidato do Partido Republicano. Huckabee não deve conseguir alcançá-lo e Ron Paul não possui chances matemáticas.

Havia no CPAC um receio de que McCain fosse hostilizado pela platéia, já que segundo alguns, o senador não possui credenciais conservadoras suficientes. Neste caso, enquanto Romney foi ovacionado pela platéia, McCain poderia sofrer uma forte vaia.

Mas McCain levou uma tropa de choque de voluntários para o salão principal, abafando qualquer possibilidade de maior hostilidade. Foi uma tática acertada. Aliada a decepção dos partidários de Romney, ainda assimilando sua desistência, os apoiadores de McCain conseguiram abafar algumas vaias contra o Senador.

McCain fez um discurso pacificador. Apesar de não possuir a presença de Romney, é extremamente simpático e cativante. Seu discurso não é poderoso, mas envolvente, talvez pelo seu carisma. Na minha opinião foi certeiro quando disse: "Não serei outra pessoa somente para ganhar o apoio de vocês e depois mudar de opinião. Vocês podem não gostar de todas as minhas idéias, mas vocês sabem exatamente quais são elas". McCain é assim, claro, objetivo e transparente.

Agora a questão central é saber quem será escolhido para concorrer como Vice-Presidente. Já tenho algumas idéis e discordo de algumas especulações que ouvi no CPAC. Mas isto fica para a próxima postagem.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Romney fora: "I hate to lose"

Passei toda quinta-feira na Conferência Conservadora de Ação Política, CPAC, neste ano no Hotel Omni Shoreham, aqui em Washington. Todos esperavam principalmente duas presenças especiais: Mitt Romney e John McCain. Os dois apareceram, mas a surpresa ficou com Romney.

O ex-governador de Massachusetts tem uma presença fenomenal no palco e fala com ótima desenvoltura. Poderia ter futuro com uma melhor coordenação de campanha. McCain renovou seu pessoal e com uma nova estratégia renasceu das cinzas. Faltou estratégia política mais atenta para Romney.

Mas como todos já sabem e havia sugerido aqui, ele surpreendeu com a notícia de sua desistência ao final de seu discurso. Considerado o mais conservador de todos os candidatos, deixou a platéia desolada. Todos seguravam placas, cartazes e os mais diversos tipos de material de campanha. O que estava preparado para ser uma festa, se transformou em um misto de desolação e tristeza. "I hato to lose", disse Romney, decepcionando os conservadores.

Como não havia sinal de celular no salão onde estávamos, ao final de seu discurso houve uma corrida para os corredores.

"Se lutasse por minha campanha até a convenção, poderia atrapalhar o lançamento da campanha nacional, facilitando para que os senadores Clinton ou Obama pudessem vencer", concluiu.

Romney investiu US$ 35 milhões de sua fortuna pessoal na campanha.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Vídeo de Obama

Já escutei alguns comentários por aqui de que a demora na decisão do Partido Democrata em escolher seu candidato pode favorecer Barack Obama.

Eu tenho minhas dúvidas. Acredito que a demora pode ser um fator favorável tanto para um quanto para outro. Na realidade Hillary pode beneficiar-se melhor deste fato do que Obama.

Na medida que uma campanha se arrasta por mais tempo, pode contar mais a experiência de Hillary, que saberá passar por acontecimentos que até o momento são uma novidade para Obama. Mas vale lembrar também que o prolongamento desgasta o favorito, nesta caso Hillary.

Mas Obama tem outros trunfos, muito melhores, que se bem usados poderão levá-lo a indicação. Ele vende sonhos e embala uma grande parcela da América em seu discuro. O timing é perfeito. Vejam este vídeo. Ele dá uma idéia da "onda" a seu favor. É uma montagem excelente de seus discursos que formam uma música que conta com a presença de vários artistas. Prestem atenção nas idéias centrais:

HOPE / CHANGE / YES, WE CAN

http://www.youtube.com/watch?v=jjXyqcx-mYY

Se Obama levar a indicação, sua eleição será um passeio.

O grande perdedor da Super Tuesday

Para os republicanos tudo parece mais claro. John McCain tem a liderança absoluta e somente algo completamente fora do normal pode tirar a indicação de suas mãos.

McCain chegou aos 615 delegados. Romney tem 268 e Huckabee alcançou 166 até o momento. O partido indicará aquele que chegar aos 1.191 delegados. Mas quando avaliamos estes números é preciso verificar a curva de cada candidato. Por exemplo, muitos se perguntam porque a terça-feira foi melhor para Huckabee do que para Romney, já que este levou mais delegados e estados?

O fato é que se esperava muito de Romney. Ele estava dentro de um bom momento, impulsionado por recentes vitórias. A Super Tuesday era sua oportunidade de ganhar delegados e se aproximar de McCain. Romney, apesar de vencer em sete estados, não chegou onde precisava. Ele necessitava de mais. Como disse aqui, ele necessitava da Califórnia, por exemplo. McCain, seu principal oponente levou a Califórnia e Nova York, as duas principais jóias em termos de números de delegados.

Romney, entretanto, além de não se aproximar de McCain, teve que dividir o voto mais conservador com Huckabee e viu o ex-Governador do Arkansas se aproximar perigosamente de seus números. Huckabee ganhou em cinco estados e como nada se esperava mais dele, surgiu com ares de triunfo, mesmo que com números absolutos menores do que Romney.

Por isso se comenta por Washington que Romney foi o grande perdedor da Super Tuesday. Perdendo sua grande oportunidade, pode ter perdido em definitivo a possibilidade de ser indicado.

Sobre West Virgínia e táticas políticas

Esta é uma daquelas histórias interessantes da política.

Ontem, em West Virginia, Romney liderava com 41% e Huckabee aparecia em segundo com 33%. McCain mantinha-se em um distante terceiro lugar com 15%. A vitória de Romney era certa e ele já contava com os delegados de West Virginia em suas projeções.

Foi então que a direção de campanha de McCain resolveu tranferir seus votos para Huckabee, entregando de presente a vitória para o ex-Governador do Arkansas.

Ao final Huckabee venceu com 52%, contra 47% de Romney e apenas 1% para McCain.

Romney ficou furioso, acusando McCain de usar acordos obscuros para vencer. Mas os 18 delegados em disputa na data de ontem entraram na conta de Huckabee.

Hillary Clinton leva a Califórnia

De todos os estados que Hillary desejava vencer, não havia outro mais importante do que a Califórnia. Obama venceu em muitos estados, mas Hillary obteve vitórias importantes, talvez mais significativas e representativas.

Hillary levou seu estado, Nova York. Além disso conseguir também manter Massachusetts, apesar do apoio da maioria dos Kennedy para Obama. As vitórias de Hillary Clinton ainda se espalharam por Arizona, New Jersey, Tennessee, Arkansas e Oklahoma. Perdeu uma disputa acirrada no Missouri e uma garantida em Connecticut. O Novo México ainda não está definido, porém, ela lidera as apurações.

A perda da Califórnia teria sido fatal para Hillary, mas com esta vitória ela pode inverter o jogo e ganhar momento político suficiente para fazer a diferença nas próximas primárias.

Por fim, Obama ganhou um maior número de estados, mas Hillary recuperou o número de delegados. Será uma disputa muito acirrada até a decisão final, ao contrário dos republicanos, que praticamente decidiram a diputa interna nesta noite.

Mas como já disse uma vez, toda vez que a disputa fica parelha, Hillary consegue vencer. Foi assim em New Hampshire, Nevada e agora Califórnia. Os Clinton conhecem melhor a máquina partidária e eleitoral e ao final isto pode fazer a diferença. E tem feito.

O desempenho de Obama

Se existe uma certeza do lado dos democratas é aquela que indica que a disputa ainda estará aberta depois desta noite. Entretanto, depois desta terça, o "momento" alcançado pode ajudar a embalar em definitivo uma das candidaturas.

Obama acaba de fazer um discurso muito emotivo em Chicago. Ele é um grande orador e sabe mexer com a platéia. Suas vitórias estão sendo importantes esta noite: Alaska, Utah, Idaho, Colorado, Minnesota, Connecticut, Kansas, North Dakota, Alabama, Delaware, Georgia, e em seu estado, Illinois.

O grande problema será a possível perda da Califórnia, já que os números indicam que Hillary deve vencer por lá. Seria importantíssimo para Obama vencer neste estado. Numericamente representaria pouco, já que os delegados devem se dividir, mas forneceria um embalo fundamental para sua campanha.

Uma boa notícia no final deste longo dia é a indicação de que depois de uma disputa acirrada, o Missouri deve ficar com o Obama.

Nada está decidido, mas há muito trabalho pela frente.

McCain na liderança republicana

A grande questão da noite aqui em Washington é saber se McCain conseguirá o número de delegados para decidir ainda esta noite quem será o candidato republicano. Ele está muito perto.

Até o momento as vitórias de McCain, que acaba de falar diretamente de Phoenix, estão em Oklahoma, Nova York, Delaware, New Jersey, Connecticut, Illinois, Missouri e seu estado natal, Arizona. Outros ainda estão por vir.

Agora a MSNBC projeta a vitória de McCain na Califórinia. Se este resultado for confirmado, será devastador para a campanha de Romney, que aliado ao bom desempenho de Huckabee no Sul, pode deixar o ex-governador de Massachusetts em um doloroso terceiro lugar após a Super Tuesday.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Romney em busca da Califórnia

Depois de decepcionar em alguns Estados, Romney precisa mais do que nunca dos valiosos votos da Califórnia. Até o momento que escrevo esta postagem, a disputa ainda está aberta, mas com forte vantagem para McCain.

Romney venceu no Minnesota, North Dakota, Colorado, Montana, Massachusetts e Utah, esses dois últimos já esperados. Ele não conseguiu estender sua vitória da Massachusetts para os estados vizinhos, como New Hampshire e Connecticut. Mas apesar de ter vencido no Maine há poucos dias, Romney ainda possui somente 135 delegados até o momento. McCain já chega aos 389.

A força da candidatura de Huckabee nos estados do Sul afetou de forma considerável o potencial que se esperava de Romney nesta região.

Mas Romney precisa de mais. Ele ainda precisa da Califórnia.

Huckabee surpreende

Com apoio dos evangélicos e empurrado pelos estados do Sul, Huckabee apresenta na Super Tuesday uma musculatura eleitoral além do que era esperado.

Até o momento, Huckabee venceu no Arkansas, Georgia, Alabama e West Virginia. Está perto de vencer também no Tennessee, onde ainda pode ser alcançado por McCain.

Desta forma Huckabee credencia-se na disputa e pode influenciar mais diretamente na disputa, apesar de ainda estar longe ou praticamente fora da disputa real pela indicação republicana. Ele deixou de ser o terceiro nome na disputa, deixando, pelo menos por enquanto, disputando com Romney o segundo lugar.

Os ventos do Sul conservador e evangélico impulsionaram Huckabee, votos que serão valiosos na eleição geral em alguns meses. McCain, em seu discurso desta noite, foi especialmente atencioso com Huckabee. O endosso do governador pode ajudar muito McCain dentro do partido.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Super Tuesday em pauta

Enquanto os republicanos mais conservadores alegam que John McCain não é conservador suficiente para ser o candidato do partido e Mitt Romney cruza o país um dia antes da Super Tuesday, do outro lado, Barack Obama segue em ascenção.

Segundo a CNN/Opinion Research Corp. Poll a diferença geral entre Obama e Hillary se inverteu. Se a Senadora de Nova York possuía 44% em novembro e Obama alcançava apenas 25%, pode-se dizer que hoje esta tendência está invertida. Hoje, o senador por Illinois tem 49% contra 46% de Hillary. Dentro da margem de erro, Hillary ainda pode surpreender, mas na realidade quem está surpreendendo é Obama.

Ontem em Los Angeles, Obama recebeu o apoio entusiamado da Primeira-Dama da Califórinia, Maria Shriver, filha de Eunice Kennedy e esposa de Arnold Schwarzenegger. Ela apareceu ao lado de Caroline Kennedy, Oprah Winfrey e Michelle Obama. Uma vitória na Califórnia nesta terça, que ainda é difícil, mas não impossível, pode ser importantíssima para Obama. Sua candidatura não pára de receber apoios de artistas, como Steve Wonder e Robert de Niro. Somados as outras dezenas de outros que já recebeu, espera embalar definitivamente na Califórnia.

Hillary, do outro lado, não pára de viajar freneticamente pelo país, divindo esforços com Bill Clinton. Ela em Massachussetts. Ele no Novo México. Ela em Nova York. Ele na Califórnia. Ela também apresentou apoio de um Kennedy, Robert Kennedy Jr.

Os canais de TV seguem quase em tempo integral com análises e novos números de diferentes Estados. A América respira política nesta terça-feira.

Os republicanos devem confirmar McCain, com o apoio do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. Se ele não conseguir a indicação amanhã, pelo menos ficará a poucos metros. A dúvida está no Partido Democrata. Nada será decidido amanhã, mas poderá indicar o início do fim para Hillary ou Obama. Ela já está sem voz, enquanto ele segue em ascenção.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Los Angeles Times apóia Obama e McCain em prévias

Uma das coisas mais interessantes da imprensa americana é sua clara tomada de posição. Não existe hipocrisia e os leitores são avisados de que a linha editorial segue em determinado sentido, ou seja, o veículo expressa claramente sua posição política.

Isto é corriqueiro em jornais como o NY Times, por exemplo, mas é raro de ocorrer com o Los Angeles Times. Mas vejam só: o jornal californiano expressou seu apoio a Barack Obama nas primárias democratas e para John McCain nas republicanas. É a primeira vez que o L.A. Times expressa seu apoio na campanha presidencial desde 1972.

O L.A. Times é o maior jornal da costa oeste dos Estados Unidos, com 2,2 milhões de leitores diários, chegando a 3,2 milhões nos domingos. Nesta terça a Califórnia, assim como mais de duas dezenas de Estados, realizam suas primárias e o apoio do diário de Los Angeles vem em ótima hora para McCain e Obama.

O jornal indicou o fundamento de sua decisão dizendo que McCain é genuinamente um conservador, (no aspecto norte-americano, vale ressaltar) com boas propostas para reformar o sistema de imigração e a política externa. Quanto a Obama, o periódico ressaltou que é "mais focado em levar nossa nação à uma mudança construtiva, oferecendo aos democratas a esperança de liderar a América para o futuro, e dá aos californianos a oportunidade de votar da maneira mais empolgante e consequente em uma geração".

Se Obama vencer, acredito que possivelmente o L.A. Times estará ao seu lado. Entretanto, a atitude do jornal, especialmente em período de prévias, merece aplausos. Acredito que assim é feito um jornalismo com seriedade e honestidade com os leitores.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Edwards fora. Obama recebe apoios e vive "momento"

John Edwards anunciou que está fora da disputa pela indicação pelo partido Democrata. Seu desempenho tem sido bem pior do que em 2004, mas alerto mais uma vez para o que já havia dito: Edwards busca um lugar na chapa Democrata como Vice.

Obama recebeu apoios esta semana e está em alta. O senador Edward Kennedy apresentou seu apoio. Além disso, apesar de Hillary ter vencido na Flórida, os números devem ser olhados com cautela, em especial no que tange a evolução dos dois candidatos. Isto pode indicar um fator interessante favorável a Obama no que tange a Super Tuesday.

Na Flórida, há um mês, Hillary vencia entre os indecisos com folga, com mais de 20% de vantagem. A diferença foi diminuindo e no dia da eleição caiu para zero, ou seja, 35% para Obama e 35% para Hillary. Isto mostra um bom trabalho da equipe de Obama e além de tudo indica que o senador por Illinois ganha momento em um período sensível e crucial da campanha, a poucos dias da Super Tuesday.

Os Clinton terão que usar todo seu capital e habilidade política para lidar com a ascenção de Obama, que angaria o apoio de leões do partido, como Kennedy, e ainda vive um "momento" de embalo natural de sua campanha.

Meu prognóstico é de que Hillary leva a indicação, mas Obama pode surpreender.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

McCain. O republicano do momento

A noite da Flórida foi, finalmente, de McCain. Ele venceu com uma margem de 5% para Mitt Romney, o segundo colocado. A diferença foi maior do que esperava e mostra mais uma vez a competência de sua campanha, que depois de reformulada, tem dado uma banho de estratégia. Por menor que possa parecer, minha leitura é de que sua vitória foi contundente.

O cenário neste instante fica dividido entre o "momento" de McCain e os fartos recursos pessoais de Romney, empenhados no objetivo de ganhar a indicação. Fica também entre a simpatia de McCain e a forte capacidade de comunicação de Romney.

Giuliani, como já havia dito aqui, não usou a estratégia correta. A concentração de esforços na Flórida foi um erro, assim como a falta de foco em locais como New Hampshire, Iowa e Carolina do Sul. Vencido na Flórida, desistiu de tentar a indicação.

E como a estrela de McCain não pára de brilhar, o apoio de Guiliani foi justamente para ele. Um apoio importante que pode abrir caminho para o ex-prefeito de Nova York compor a chapa como Vice de McCain. Mais um entra na disputa, portanto.

A corrida entre os Republicanos se estreitou, como prevíamos, entre McCain e Romney. O Senador já saiu na frente.

terça-feira, janeiro 29, 2008

McCain e Lieberman

Enquanto corre a terça-feira decisiva na Flórida, começaram a surgir especulações sobre quem poderia concorrer como candidato a vice-presidente em algumas das chapas.

O nome cogitado para fechar chapa com McCain é o senador Joe Lieberman, de Connecticut.

Ele foi candidato a vice com Al Gore em 2000, mas rompeu com o Partido Democrata depois de perder as primárias para disputar sua reeleição no Senado. Renegado pelos colegas de partido, que resolveram apoiar o candidato democrata Ned Lamont, Lieberman resolveu concorrer como independente...e venceu. Os Democratas perderam um assentou significativo no Senado e Lieberman surgiu como um forte a respeitado parlamentar independente.

Desde dezembro Lieberman apóia McCain para Presidente. Os dois são considerados homens moderados no Senado e com ótimo trânsito entre os dois partidos. Os dois são nomes agregadores e inteligentes articuladores políticos. A chapa é simpática e atraente, apesar de faltar um nome sulista, mas Lieberman pode ser o nome que trará os eleitores de centro que McCain precisará.

Lieberman garante que não deseja concorrer novamente para a Vice-Presidência e reafirmou isto nesta terça. Se não concorrer como vice, certamente Lieberman teria uma presença marcante em um eventual governo McCain.

Mas para quem já assistiu o magnífico filme "Lions for Lambs", e entende as entrelinhas da política, fica uma dúvida: Até que ponto Lieberman realmente não estaria buscando a Vice-Presidência?

segunda-feira, janeiro 28, 2008

McCain em pequena vantagem na Flórida

A corrida Republicana pela Flórida continua muito disputada, mas McCain continua com uma pequena diferença. Desta vez a pesquisa divulgada foi pela Reuters/C-SPAN/Zogby. Nela McCain chega a 33% e Romney a 30%.

A diferença está sendo consolidada aos poucos e isto pode ser sentido pelos apoios que McCain vem agariando. O popular governador da Flórida, Charlie Crist, que conta com 60% de aprovação, endossou McCain e isto pode fazer a sutil diferença a favor do senador pelo Arizona. O senador republicano de origem cubana, Mel Martinez, também o apóia, uma grande ajuda em um estado com forte concentração de voto latino.

McCain também apresentou bons resultados na Califórnia, que elege na Super Tuesday 170 delegados para a convenção dos republicanos. Ali ele abriu 13 pontos, segundo a CNN/Opinion Research Corp, chegando a 39%, e Romney alcança 26%.

Por isso a importância da Flórida. Quem vencer ali chegará com um bom folêgo para Super Tuesday. Os endossos de Charlie Crist e Mel Martinez podem ser fundamentais para McCain.

domingo, janeiro 27, 2008

Obama reabilitado pelo Sul

Barack Obama respira aliviado. Uma vitória na Carolina do Sul era fundamental. Depois de surpreender em Iowa, ele perdeu por pouco em New Hampshire e Nevada. Hillary Clinton estava ganhando momento, portanto, uma vitória de Obama era essencial para estancar a subida da Senadora. A vitória veio e de forma contundente.

Se a vitória era fundamental para Obama e uma derrota fatal, vale mensurar como veio seu êxito. Certamente a vitória de Obama foi mais expressiva do que se esperava, especialmente pelo eleitorado negro do Sul sempre ter sido fiel a Bill Clinton. Este confronto evidenciou o que se tornou uma verdade: Hillary não é capaz de quebrar a hegemonia sólida do voto negro em Obama. O mesmo deve se repetir nos outros estados do Sul.

Ele obteve 80% do voto negro. No resultadoo final Obama obteve 55%, Hillary 27% e Edwards, que venceu no estado em 2004, chegou em terceiro com 18%.

Obama adotou um discurso conciliador, como tem feito desde o início da campanha, sem acirrar uma disputa que poderia facilmente ser levada para o lado racial.

O mais importante é que Obama chega vivo na Super Tuesday, onde talvez a força de Hillary venha a prevalecer, mas isto não impede o Senador de ainda lutar de forma competitiva pela indicação democrata. A Carolina do Sul veio em boa hora para Obama.

Fiquem com as palavras de Barack Obama e avaliem por si mesmos o potencial do Senador por Illinois: "Nestas eleições não se trata de escolher segundo a região de cada um, a religião ou o gênero. Não se trata de ricos contra pobres, jovens contra velhos, nem brancos contra negros. Trata-se (de uma batalha) do passado contra o futuro. Estive vários dias viajando pelo estado, e eu não vi uma Carolina do Sul branca e outra negra. Vi uma só Carolina do Sul"

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Debate Republicano

Há pouco terminou o debate entre os republicanos. O nível foi mais alto do que o debate entre os democratas, sem trocas de acusações ou confrontos diretos. A estratégia adotada pelos candidatos certamente foi a mais correta.

Mitt Romney foi quem mais ganhou com este debate. Sua evidência e seus pontos fracos poderiam ser explorados pelos outros candidatos, mas todos preferiram não se expor e deixar fluir um lado mais cordial. Por isso Romney sai na frente. Contou para ele tambéem o fato de ter atacado diretamente os Clinton várias vezes, tanto Bill, quanto Hillary.

McCain foi cauteloso, já que está em ascenção e, portanto, preferiu não arriscar. Saiu ileso do debate, controlando os âncoras com classe e habilidade.

Giuliani foi bem, mas não seria este debate que faria suas intenções de voto subir. De um modo geral debates servem para abater candidaturas, não para impulsioná-las.

Ron Paul foi um show em separado. Suas posições libertárias mostram muito do que o Partido Republicano já foi em certos aspectos e serve como referencial dentro do partido.

Huckabee saiu como entrou, sem arranhões, mas também sem vitória expressiva.

Ao final, saiu em vantagem aquele que mais teria a perder, Romney, que usou o espaço aberto sem agressões entre seus pares para sair em combate com os Democratas. Certamente ganhou pontos. O debate não altera substancialmente o que se pode prever para a Flórida. McCain pode ser alcançado por Romney, se este otimizar sua estratégia, mas Giuliani e Huckabee devem manter distância dos líderes.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

McCain segue em ascenção

Poucos perceberam, mas o Partido Republicano anunciou nesta quarta-feira que McCain saiu vitorioso no caucus da Louisiana. Ron Paul ficou em segundo e Romney em terceiro.

Apesar de o caucus da Lousiana não ser muito representativo, chega em ótima hora para McCain, que desde as primárias de New Hampshire vem em plena ascenção, consolidada com a vitória nas primárias da Carolina do Sul.

McCain chega em ótimo momento na Flórida. Todas as pesquisas apontam sua liderança, como o Miami Herald and the St. Petersburg Times com 25% e o American Research Group, que leva suas intenções de voto ainda mais acima, chegando aos 29%.

O único nome que, por enquanto, ameça McCain é o de Mitt Romney, que possui uma estrutura de campanha altamente profissional e potencializada pela fortuna pessoal do ex-governador de Massachusetts. Seus números oscilam entre 22% e 23% nas mesmas pesquisas.

Quem parece não ter decolado até o momento é Rudy Giuliani. O ex-prefeito de Nova York, que apostou todas suas fichas na Flórida, parece não conseguir sair da faixa dos 15%, empatato tecnicamente com Huckabee. Sempre disse que sua estratégia é muito arriscada - e todos comentam que sua campanha tem sérios problemas em levantar mais apoio financeiro.

A Lousiana foi uma pequena vitória, mas valiosa e no momento certo, que embala ainda mais a campanha de McCain. O timing não poderia ser mais perfeito, assim como a desistência de Thompson, que pode ajudar o senador pelo Arizona. Nesta quinta haverá debate, mas a estrela de McCain parece começar a brilhar, no momento certo.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Thomposon abandona batalha pela indicação Republicana

Escrevi aqui que esperava pela desistência de Thompson, especialmente pelo discurso que ouvi em Columbia, Carolina do Sul, no último sábado. mas agora é oficial: Thompson abandonou a corrida republicana pela Casa Branca.

Acreditei que ele poderia ainda tentar alguma reação na Flórida, mas como já lembrei neste espaço seria difícil ele reverter a situação. Ele seria derrotado novamente e não chegaria com fôlego para a Super Tuesday. Preferiu sair agora e isto abre um leque de opções.

A primeira delas é a migração de seus votos. A primeira e mais clara opção no momento é que seus eleitores acompanhem McCain. Thompson já apoiou o senador do Arizona em 2000 e a possibilidade de isto ocorrer não é pequena. Sua presença na última primária tirou votos de Huckabee e evitou que o ex-governador do Arkansas vencesse na Carolina do Sul. Em outras palavras, a presença de Thompson garantiu a vitória de McCain na Carolina do Sul.

Os (agora preciosos) votos de Thompson na Flórida, já começaram a ser cortejados. Romney já disse que ele naturalmente deve receber os votos de Thompson, pois ele teria as mesmas credenciais conservadoras que o senador do Tennessee. Existem dúvidas sobre isso. O certo é que esses votos não devem acabar com Giuliani.

Thompson pode estar mirando ou credenciando-se para ser o nome natural para Vice-Presidência republicana. Dependendo da escolha principal, possui grandes chances, pois pode trazer equilíbrio, conservadorismo e serenidade para a candidatura.

Tudo ainda são especulações, mas pode-se medir o alcance da desistência de Thomspon e suas principais consequências, que neste momento podem ser medidas e avaliadas.

Pessoalmente gosto muito de Thompson e, além de torcer para que seu papel na sucessão ainda não tenha terminado, acredito que o pêndulo político pode voltar a bater em sua porta.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Democratas, Nevada e a Carolina do Sul

Esta batalha Obama perdeu, por pouco. Depois de receber apoio de sindicatos do Nevada, tudo indicava que Barack Obama ganhava fôlego para alcançar Hillary Clinton, que era favorita. Obama veio crescendo, mas não conseguiu ultrapassar a senadora por Nova York.

Depois de ganhar o momento em Iowa, Obama perdeu em New Hampshire e agora no Nevada. Obama precisa recuperar seu folêgo e nenhum lugar seria melhor para isto ocorrer do que o Sul dos Estados Unidos na semana do Martin Luther King's day. A conjunção é favorável para Obama, mas Hillary tem trabalhado forte no Sul, onde seu marido sempre teve muito apoio.

Se Hillary vencer na Carolina do Sul neste sábado, a candidatura de Obama sofrerá um forte abalo, pois chegará sem embalo para o grande embate do início de fevereiro. Por outro lado, uma vitória de Obama na Carolina do Sul recolocaria a campanha equilibrada e sem possibilidade de previsão clara.

O debate desta semana está centrado nas especulações sobre o direcionamento do expressivo voto negro e do feminino, que podem derecionar as primárias democratas pela Carolina do Sul.

O momento é crucial para Obama. Ele, no meu ponto de vista, ainda é o nome forte dos Democratas para a eleição presidencial. Mas não falta experiência política em Hillary para no momento certo ganhar a indicação. Esta semana é crucial para os democratas. Hoje é noite de debate. Vamos ficar atentos.

domingo, janeiro 20, 2008

Republicanos, Nevada e Carolina do Sul

Este foi um final de semana que deixou as campanhas republicanas mais claras na minha opinião, ao contrário do que está sendo dito.

Estive na Carolina do Sul para acompanhar as primárias republicanas. Deu a lógica. McCain já havia preparado sua estratégia no estado desde que perdeu para Bush em 2000. Na faixa litorânea foi absoluto e finalmente conseguiu angariar mais votos para evitar a vitória de Huckabee, que vinha embalada pela froteira oeste fortemente evangélica. McCain chegou aos 33% e Huckabee aos 30%.

A fato triste ficou por conta de Fred Thompson. Ele calculou que sua ofensiva nasceria do Sul (ele é do Tennessee) e escolheu a Carolina do Sul como este ponto de partida. As estratégias de McCain e a forte base evangélica de Huckabee evitaram que isto ocorresse. Infelizmente Thompson chegou aos 16%, apenas um ponto na frente de Roomey. Gosto muito de Thompson e torço para que ele possa se recuperar, apesar de achar que seja um trabalho difícil, especialmente depois do discurso de ontem, que abriu caminho para sua despedida. A Flórida será tudo ou nada para ele.

Roomey tem muito a comemorar, assim como McCain. Brilhou sozinho no Nevada, estado vizinho ao mormon Utah, onde obteve 55% dos votos. Depois do Michigan e com o Nevada nas mãos ganhou "momento" na corrida e agora chega embalado para Flórida.

Giuliani buscará finalmente sua redenção, Roomey, a consolidação, McCain, a certeza do renascimento, Thompson verá sua provável última chance e Huckabee tentará chegar com folêgo na Super Tuesday.

Sabemos o que deseja cada um e a Flórida acomodará este processo. Roomey tem competência e o momento nas mãos. O debate desta semana pode encaminhar as coisas.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Obama cita Reagan. Edwards reage.

Barack Obama, em campanha no Nevada, citou, vejam só, o maior ídolo dos republicanos, Ronald Reagan.

"(Reagan) mudou a trajetória da América de uma forma que Richard Nixon nem Bill Clinton conseguiram". Sim, você leu certo, Bill Clinton. Mas Obama foi além, e disse “Ele (Reagan) tocou no ponto importante, naquilo que os americanos sentiam. Nós queremos otimismo, um retorno ao senso de dinamismo e empreendedorismo que estava faltando".

A resposta de Edwards veio rápido, dizendo que Reagan atacou a classe média, beneficiou os ricos e foi intolerante com empregados e sindicatos. Pessoalmente, discordo frontalmente. Reagan, como bem colocou Obama, trouxe os Estados Unidos de volta ao seu caminho. Foram anos de glória, otimismo e concretização de sonhos.

O porta-voz de Obama ainda tentou reverter o impacto de suas palavra, dizendo que citou Reagan pela sua qualidade de agente de mudanças.

Mas o "estrago" estava feito. E Obama pode ter ganhado mais alguns votos.

Felizmente os americanos estão longe de pensar como John Edwards.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

E Romney continua no páreo..

A batalha do Michigan foi vencida por Romney. Isto deixou sua candidatura ainda viva. Uma derrota teria sido fatal.

McCain não se deu por vencido e continua com sua estratégia de ir pouco a pouco. Uma vitória no Michigan teria consolidado uma virada. Não veio.

Agora o foco está na Carolina do Sul. Giulianni deve seguir longe de Columbia. Seus esforços estão na Flórida e ele pretende virar o jogo na Super Tuesday, no início de fevereiro. Não deixa de ser uma estratégia arriscada. McCain nem esperou os resultados do Michigan para chegar na Carolina do Sul.

Neste sábado as primárias serão no por lá e no Nevada. Romney espera conquistar o Nevada, enquanto a batalha pela Carolina do Sul pode selar o destino de outras candidaturas. Fred Thompson colocou todo seu esforço no estado do Sul e espera vencer, ganhando embalo para a Super Tuesday. Uma derrota pode selar o destino de Thompson, ou ser início de sua ascendência.

Huckabee, McCain, Thompson e Romney. O jogo está aberto enquanto Rudy luta pela Flórida.

terça-feira, janeiro 15, 2008

A Batalha do Michigan

Do lado republicano, já foi iniciada a batalha pelo estado do Michigan. As prévias Republicanas estão ainda em aberto, com um vencedor em Iowa, outro em New Hampshire e outro no Wyoming.

Exatamente por isso o Michigan se torna ainda mais interessante. Detroit está longe de ser o grande centro que um dia já foi e o desemprego no estado chega a assustadores 7,4% (eles não conhecem o Brasil...). Lá, as chances de Romney são grandes, afinal de contas ele nasceu no Estado e seu pai foi um dos mais populares governadores da história regional.

Mas McCain, que parecia estar com a campanha acabada no ano passado, renasceu das cinzas depois da vitória em New Hampshire. O Michigan seria a consolidação do seu movimento de volta ao cenário central da campanha e ao mesmo tempo abalaria fortemente a campanha de Romney, que investiu fortemente nas primeiras primárias. Huckabee, que venceu em Iowa, ficará feliz com um terceiro lugar.

Se o Michigan pode trazer a primeira definição concreta do lado Republicano, a segunda pode vir em breve, nas prévias da Carolina do Sul. Fred Thompson, que entrou tardiamente na campanha, pode dar adeus se não vencer por lá. Mas está é uma outra história que tratarei aqui nos próximos dias.

Enquanto isso, Giuliani concentra seus esforços na Flórida.

Mas a primeira definição pode vir ainda hoje do Michigan, estado vencido por McCain em 2000, quando disputava a indicação com George W. Bush, mas também terra de Mitt Romney, vencedor no Wyoming e segundo lugar nas prévias de Iowa e New Hampshire. A sobrevivência de cada um está nas prévias em que qualquer um pode votar - não é necessário ser republicano para votar nas prévias do partido naquele estado.

Edwards. Em busca da Vice-Presidência Democrata

Todos estão preocupados com a batalha entre Hillary e Obama. Estão errados. O ponto mais importante do embate Democrata infelizmente está encoberto pela batalha entre os dois grandes.

Alguém já se perguntou porque John Edwards insiste em continuar na disputa sem ter qualquer chance? A resposta se chama: Vice-Presidência. Com as chances de um Democrata chegar a Casa Branca em alta, o lugar mais estratégico para aquele que sabe que não vencerá as prévias e, se vencesse, não levaria a eleição, está na carona de Hillary ou Obama.

Edwards, que possui o peso dos sindicatos ao seu lado, será a única opção na briga entre Obama e Hillary. A tensão entre os dois chegou a um nível que impossibilita a formação da chapa presidencial dos sonhos dos democratas, Obama-Hillary ou Hillary-Obama. A opção natural será Edwards no segundo posto.

Hillary teria força para frear o ímpeto de Edwards. Com Obama seria diferente. Com menos experiência aqui em Washington, o senador teria a tendência de abrir mais espaço para o representante dos privilégios dos sindicatos. Uma Casa Branca sob a sombra de um VP forte como Edwards, neste caso, é preocupante. Obama levaria os votos, Edwards colheria os frutos.

Portanto, de qualquer forma, do lado Democrata, sugiro que uma atenção especial seja dada a Edwards. É bom entender o que pensa, que aspirações possui e o que pretende caso chegue a ocupar a Vice-Presidência.

sábado, janeiro 12, 2008

Diários de Washington

Mais uma mudança nos rumos deste Blog.

Nos últimos meses, desde Viena e outras cidades européias, busquei tratar dos assuntos do Velho Mundo, dos temas relevantes europeus, sob a ótica de alguém que vivia o dia-a-dia da política do continente. A idéia era trazer uma visão crítica e uma profundidade que muitas vezes falta na imprensa brasileira.

Assim como os Diários de Madrid nasceram e tiveram seu fim com o nascimento dos Diários do Velho Mundo, agora chegou o momento deste abrir espaço para os Diários de Washington.

A partir de agora, desde a capital dos Estados Unidos, passarei a redigir os diários, dentro do mesmo modelo e guardada a mesma forma dos dois anteriores. Chego aos Estados Unidos durante um momento especial, as primárias dos dois principais partidos americanos com foco na corrida Presidencial dentro de alguns meses.

Será um período muito interessante, com vasto material para análises críticas e mais profundas, sem o cocoete esquerdista e anti-americano que tomou por completo a imprensa brasileira. Assim como fiz na cobertura da campanha presidencial francesa, que acompanhei para este Blog desde Lyon e Paris, procurarei desfazer os pequenos mitos que geram erros brutais de avaliação e cegam os leitores desavisados.

Chegam os Diários de Washington no ano das eleições presidenciais. Será um grande desafio, mas extremamente gratificante. A cobertura deste Blog seguirá atrelada ao Parlata, assim como a sua linha editorial.

Desejo uma ótima leitura. Este tem tudo para ser o ano das eleições mais interessantes dos últimos tempos na América.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Sarkozy mira nas 35 horas de trabalho

Será neste ano a grande e mais importante reforma que Sarkozy prometeu em campanha, o fim das famigeradas 35 horas de trabalho semanais.

O anúncio foi realizado perante 600 jornalistas que cobriam o discurso de abertura do ano.

A jornada de 35 horas introduzida pelo governo de Lionel Jospin está com os dias contados. Felizmente.

A França voltará a ter mais poder aquisitivo com a medida, garantiu Sarkozy. Não tenho a menor dúvida de que ele está correto.

domingo, janeiro 06, 2008

Lujbljana dá as cartas

Não demorou muito para que a Eslovênia começasse a realizar movimentos concretos na Presidência rotativa da União Européia. Seu foco, como já disse aqui anteriormente está baseado nos interesses do Leste e especialmente relativos a ex-Ioguslávia, da qual a Eslovênia já fez parte.

Dimitrij Rupel, ministros de Relações Exteriores da Eslovênia pressiona Bruxelas para aceitar a Sérvia o mais rápido possível no Acordo de Associação e Estabilização da UE, o primeiro movimento em direção a aceitação como membro pleno. Atualmente, a Sérvia está sendo pressionada a entregar o general Ratko Mladic e o ex-dirigente Radovan Karadzic para o Tribunal Penal Internacional da ex-Ioguslávia. Eles são acusados de genocídio e crimes de guerra.

O papel da Eslovênia está em frear as resistência de Bélgica e Holanda especialmente, que exigem a entrega de Mladic e Karadzic para que a Sérvia dê um primeiro passo em direção a UE.

Mas talvez o mais importante seja trazer a Sérvia para a área de influência da UE o quanto antes. Moscou tem planos de trazer Belgrado para mais perto do Kremlin, o que seria um desastre para o Ocidente. A Eslovênia está certa em tentar furar o bloqueio de Bélgica e Holanda de forma urgente.

A Sérvia terá eleições em poucos dias, em janeiro. Boris Tadic, o mais pró-ocidente dos candidatos e atual Presidente, pode não ser o ideal, mas talvez tenha a senha de estabilização da Sérvia junto a UE. A Eslovênia está pavimentando o caminho para que isto aconteça.

Lujbljana começa sua Presidência na direção correta.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Lujbljana no centro da Europa

Quem conhece a capital da Eslovênia, Ljubljana, sabe que esta ainda é uma das mais belas jóias européias ainda não descobertas pelos turistas. E desde o início deste ano Ljubljana é a mais nova capital da Europa, uma vez que a Eslovênia assumiu a Presidência rotativa semestral da UE.

Este é o primeiro antigo país comunista do Leste a assumir o cargo, e neste ponto reside o significado da Presidência eslovena. Certamente Ljubljana entrará no mapa político europeu pelos próximos meses e temas relacionados com a antiga Ioguslávia estarão na pauta. Um Kosovo independente, não reconhecido pela Sérvia e a Croácia que se move rapidamente para tornar-se o mais novo sócio do clube sediado em Bruxelas. Estes serão temas relevantes na agenda européia pelos próximos seis meses.

O outro anúncio importante da virada do ano foi a entrada de Chipre e Malta na zona Euro. Os dois países cumpriram com todas as exigências de Bruxelas e agora tornam-se membros em um novo patamar. Especula-se que finalmente a Dinamarca pode aderir ao Euro em 2009, enquanto outros países do antigo Leste ainda lutam para colocar as contas em dia e poder entrar na zona Euro.

A Eslovênia, talvez o mais desenvolvido e estável país Europeu do antigo Leste Comunista, já faz parte da zona Euro, e pelos próximos seis meses presidirá a União. A bela Lujbljana inesperadamente tornou-se o novo centro da Europa.