quarta-feira, março 17, 2010

Serra na frente, aponta Ibope

Parece incrível, mas discordo da maioria das análises políticas sobre a situação de Serra na corrida presidencial.

O Governador de S. Paulo manteve-se estável na pesquisa Ibope. Comentei neste espaço, que no cenário com Ciro Gomes, há um ano, Serra cravava 35%. Hoje, alcança os mesmos 35% no Ibope (no Datafolha 32%). O fato é que com Ciro na disputa, Serra não oscilou, sem campanha, durante um ano.

No cenário sem Ciro, Serra alcançou 38% (no Datafolha, os mesmos 38%). Há um ano, neste cenário, o Governador paulista alcançou 47%.

De um lado Dilma cresceu, mas não chegou, como era esperado dentro do PT. Serra, de outro, mesmo sem campanha alguma, mostra uma incrível estabilidade dentro dos 35-38 pontos.

Se as notícias são boas para Dilma, que chegou nos 30%, as notícias são boas também para Serra. Sem envolvimento e campanha, mantém uma base forte de saída, o que com a campanha na rua, deve ainda ver crescer seus números.

Talvez a preservação a que Serra se submeteu, ao contrário da opinião geral, seja o ponto estratégico mais importante de sua pré-campanha. Sua exposição prematura o tornaria alvo preferencial de Dilma, no contraponto. Ao seu eleitorado, que vemos ser fiel, mandou a mensagem que importa. Resta conquistar o segundo terço do eleitorado. Mas isto é tarefa de campanha.

terça-feira, março 16, 2010

A Estratégia de Cameron

O Partido Conservador britânico tem se preparado muito para as próximas eleições e o resultado das pesquisas tem deixado bem clara esta percepção. O Guardian trouxe os números mais recentes no final de semana onde os Tories aparecem com uma liderança de 9 pontos, chegando a 40%, enquanto o Labour crava 31%.

Mas a liderança consolidada dos Conservadores vem sendo construída há algum tempo, com mais precisão desde 2005, quando David Cameron assumiu a liderança do partido. Uma renovação foi colocada em curso, bem como uma estratégia de médio prazo que fortaleceria o partido para vencer as eleições.

O resultado está aí, mas o trabalho político realizado até agora tem sido incansável e por isso a provável vitória de Cameron pode ser significativa, traduzida em uma maioria confortável no Parlamento.

Cameron mirou em locais, que apesar de terem seguido Tony Blair nos últimos pleitos, sempre carregou uma tradição de voto nos Conservadores. Estratégia acertada, mostram as pesquisas. Ele também dirigiu o foco para regiões em que os Tories perderam por uma pequena margem na última eleição e segundo as pesquisas, ali também os Conservadores devem inverter a tendência ao Labour.

Por fim, os votos dos Liberal Democrats, que devem privilegiar o voto útil nos Tories em locais onde a divisão Conseravadores/Liberais acaba por eleger Trabalhistas.

A soma de todos esses movimentos pode, estrategicamente, ampliar a vitória dos Tories em nível nacional e consolidar uma importante maioria parlamentar para governar.

segunda-feira, março 15, 2010

O Renascimento de Le Pen

Para a imprensa, pode ter sido tão somente uma derrota de Sarkozy, entretanto, as eleições francesas deste final de semana mostraram algo que vai um pouco além.

Se a UMP perdeu eleitores, a Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen ganhou votos. A FN alcançou 11,7% dos votos, mostrando um crescimento brutal, considerando-se as eleições européias de 2009, quando apenas 6,3% dos votos foram conquistados por seu partido.

O renascimento de Le Pen foi tanto no norte quanto no sul. Nas regiões de Provence, Alpes e Côte d'Azur, superou os 20% dos votos e no norte, na região de Nord Pas de Calais, as listas lideradas pela sua filha e herdeira política, Marine Lê Pen, chegaram a 18%.

Foram resultados muito expressivos e de longe o fato político mais importante das eleições deste final de semana. Nada de Sarkozy ou da esquerda francesa, ambos precisam ainda consolidar os resultados. Le Pen renasce das cinzas, herdando votos que foram perdidos pela UMP.

sexta-feira, março 12, 2010

DEM em busca de rumo

O antigo PFL, rebatizado de DEM, busca incansavelmente seu rumo no cenário político nacional. Nascido de uma dissidência do PDS durante a transição para a Nova República, o partido entra em uma fase decisiva nas eleições de 2010.

Nascido na situação, o antigo PFL tornou-se refém de sua presença habitual nas esferas de poder. A sigla, situada na oposição desde o início governo Lula, mostra-se carente de estratégia política para apresentar-se como um contraponto consistente ao governo. Não sabe fazer a oposição combativa do PT, tampouco uma construtiva, que sendo uma idéia de vanguarda, renovaria o partido e poderia oxigenar a política nacional.

Soma-se a isso a falta de renovação política no partido. Guiado historicamente por líderes fortes, não souber criar uma base consistente de renovação partidária (algo muito bem articulado em agremiações como o PT), buscando, em muitas oportunidades, herdeiros políticos nas famílias dos próprios líderes do partido. Carente de uma base consistente e da presença no governo, enxerga seu número de votos e densidade política diminuir a cada eleição.

Na sua tentativa de renovação, esbarrou na oportunidade perdida com Arruda, e pela demora na tomada de posição, saiu chamuscado. Apesar disso, o DEM ainda possui nomes consistentes e sérios que podem levar a reconstrução do partido.

O DEM precisa reinventar-se dentro de suas próprias idéias, criar base partidária identificada com suas bandeiras com vistas a gerar renovação de seus quadros, algo similar a operação realizada no PP espanhol por José María Aznar.

Renovado, o partido precisa mostrar-se como uma alternativa viável de poder, com projetos, líderes, quadros qualificados, administrações modernas, identificadas exatamente com as bandeiras defendidas pelo partido.

Do contrário verá o PT avançar pelos seus antigos redutos eleitorais via Bolsa-Família, sem conseguir reposicionar-se como alternativa viável nos grandes centros. Aquele, que já foi o partido mais forte e influente do Brasil, se não agir rápido, poderá estar condenado a um papel de menor importância, mero coadjuvante da política nacional, sem quaisquer condições de levar ao poder a implementação de sua agenda para o Brasil. 2010 será um duro teste para os Democratas.

quinta-feira, março 11, 2010

PMDB mantém Ministérios

O PMDB não vacilou. Ao menor ruído de que poderia perder influência no destino orçamentário da Esplanada dos Ministérios, rapidamente se reuniu com Lula. O Presidente, provavelmente movido pelos bons argumentos peemedebistas, decidiu: o partido, principal parceiro e fiador do governo Lula no Congresso, permanecerá com o controle dos ministérios que comanda após abril, quando os titulares deixam as pastas para a disputa das eleições.

Esta é uma sinalização importante, uma vez que o PMDB comanda ministérios estratégicos, dotados de orçamentos invejáveis na Esplanada, especialmente em período eleitoral.

Os fiadores do acordo foram José Sarney, Michel Temer e Romero Jucá, juntamente com Lula, durante um almoço na data de hoje. Caberá aos caciques do partido a indicação dos nomes que passarão ao comando de seus ministérios em abril. Lula terá poder veto, mas dificilmente irá exercê-lo, uma vez que enxerga no PMDB um aliado estratégico nas eleições presidenciais.

Resta saber quem serão os escolhidos para comandar os seguintes ministérios a partir de abril: Minas e Energia, Comunicações, Agricultura, Saúde e Integração Nacional. O PMDB já coloca na conta também o Banco Central. Se normalmente são pastas importantes, em ano de eleições, o controle da máquina destes ministérios se torna fundamental. O PMDB não brinca em serviço.

quarta-feira, março 10, 2010

Meirelles na berlinda

A imagem que está aí do lado parece cada vez mais distante, mesmo que tenha torcida graúda. Um dos potenciais nomes do PMDB para ocupar a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff, Henrique Meirelles, foi indiciado pelo Ministério Público Federal por crimes contra a ordem tributária.

Não é novidade que certos setores preferem o nome do Presidente do Banco Central para compor a chapa com Dilma, inclusive Lula tem aparecido como um dos mais importantes articuladores desta idéia. Quem não quer Meirelles ao lado de Dilma é o PMDB, que prefere indicar seu Presidente, Michel Temer.

Justo quando seu nome começava a ser trabalhado com mais afinco, surgiu o movimento do MPF. Apesar de o Bacen declarar que sequer houve qualquer notificação até o momento, no terreno político, que possui dinâmica e timing próprios, a ação desgasta o nome de Meirelles.

E fortecele o de Temer.

segunda-feira, março 08, 2010

A Questão Serra

Muito tem se especulado sobre as reais chances de José Serra na corrida presidencial. Segundo alguns, sua demora em assumir a candidatura faz com que a candidata do PT tenha terreno livre para crescer. Discordo de muitos desses pontos, que repetidos exaustivamente, já são tomados como verdade.

Pesquisas realizadas muito tempo antes da eleição, sem a definição clara dos candidatos, não conseguem retratar o cenário de disputa, uma vez que a campanha ainda não está nas ruas. Neste cenário pré-eleitoral, Serra aparecia, em março de 2009, com 47% de preferência do eleitorado. Dilma chegava a 13% e Heloísa Helena a 15%, no cenário sem Ciro Gomes. Com o deputado cearense na disputa, Serra cravava 35%.

Em análises, consideramos que os números de Serra deveriam ainda descer deste patamar, incluindo-se neste ponto dois fatores importantes: a entrada da popularidade de Lula carregando sua candidata, bem como o natural descenso daquele que à época, era praticamente o único candidato na disputa.

Argumentar que os números de Serra desceram porque ele ainda não entrou na disputa ou porque sua popularidade diminuiu é um erro de cálculo grave em análise política. Vejam que o cenário com Ciro na disputa trazia, há um ano, Serra com 35%.

Os números apresentados neste momento mostram o retrato do início da campanha eleitoral. Com Ciro, Serra possui 32% e sem Ciro na disputa, Serra obtém 38%. Vemos, portanto que a oscilação de Serra em um ano, sem campanha, não foi substancial como se imagina, ou seja, 9 pontos sem Ciro e 3 pontos com Ciro no cenário.

Vale lembrar que Serra mantém seu patamar sem campanha nas ruas, o que leva a crer um alto grau de consolidação deste voto, sendo difícil arrastá-lo para outro competidor. Entretanto, em campanha ele tem a possibilidade de resgatar os pontos perdidos até o momento, pois estes eram, em tese, votos com tendência para sua candidatura. Serra tampouco teve exposição na mídia, foi capa de revistas semanais ou deu entrevistas como candidato - todos elementos que tendem a alavancar ainda seus números.

Os de Dilma, ao contrário, subiram na escala proporcional ao envolvimento de Lula em sua caravana, bem como na esteira da popularidade do Presidente e presença constante na mídia e do patamar base de votação petista, que oscila nos 30%. Ela deve subir mais e chegar pouco acima dos 30% no cenário sem Ciro Gomes.

Portanto, assumir que Serra está sofrendo desgaste por não assumir sua candidatura é um erro de cálculo. Até o momento, sua decisão de centrar seus esforços no governo de São Paulo e evitar a antecipação da sucessão não alterou substancialmente sua intenção de voto e deixou-o fora dos ataques de seus opositores que visam desgastar sua imagem. Seu eleitorado não foi abalado, portanto foi a estratégia política correta até o momento.

A cautela que Serra traz em seus movimentos políticos denotam que ele não entrará na disputa para fazer figuração. Entrará para vencer, ciente da oscilação de seus números de acordo com seus movimentos políticos, que até o momento, ao contrário do que é veiculado na mídia, são extremamente favoráveis. Para vencê-lo, o PT precisará de análise política apurada e estratégia bem calculada.

sexta-feira, março 05, 2010

A Negativa de Lula

Depois de circular pelos bastidores, inclusive das campanhas, a tese de que Lula estaria disposto a licenciar-se do cargo para ajudar Dilma, veio a negativa do Presidente.

Aécio deu sua opinião, disse que se Dilma tiver densidade, não precisará de licença de Lula para vencer.

Marina Silva, que conhece o PT por dentro, disse que a possibilidade de licença demonstra a insegurança do partido com o processo político, já que a eleição é o momento da afirmação de uma liderança. A ponderação de Marina tem fundamento, afinal de contas, se alguém precisa que um terceiro construa sua liderança, este alguém não pode ser considerado um líder.

Considerações à parte, o próprio Lula foi enfático em sua declaração: "Seria uma coisa descabida um presidente pedir licença do cargo mais importante do Brasil para fazer campanha. Segundo, que fosse possível um presidente da República se afastar sendo que pode não ter o vice-presidente para exercitar (sic) o mandato. Não teria cabimento, não teria lógica, seria uma irresponsabilidade com o mandato que foi me dado pelo povo brasileiro".

Estaria Lula disposto a perder a eleição sabendo que sua presença poderia fazer toda a diferença? Em política, os fatos podem ser lidos de várias maneiras, portanto, uma delas, depois desta declaração, seria que agora já é possível considerar a possibilidade da licença de Lula para cruzar o País ao lado de Dilma em campanha.

Mas como já disse aqui, deve avaliar o impacto político de alçar Sarney de volta ao Planalto.

quinta-feira, março 04, 2010

A volta de Sarney ao Planalto

As chances de José Sarney voltar a ocupar o terceiro andar do Palácio do Planalto, mesmo que interinamente, são muito reais.

Tudo indica que Lula quer evitar problemas com a Justiça Eleitoral. O Presidente também sabe da importância de sua figura para catapultar os números de Dilma Rousseff. Com Lula e sua popularidade ao seu lado, Dilma teria maiores chances de penetração e de fechar alianças.

Assim, o Presidente licenciaria-se do cargo para poder participar com força total da campanha presidencial. Como o vice José Alencar e Michel Temer estarão impedidos de assumir, uma vez que serão candidatos, a Presidência ficará nas mãos de José Sarney.

Caso Sarney desista da empreitada, o presidente do STF assume a vaga, mas isto será difícil de ver. Se a conjunção favorável se estabelecer, Sarney deve passar a despachar no Planalto, novamente.

O fato político de reconduzir Sarney, mesmo que indiretamente ao Planalto, causará reflexos negativos para a campanha de Dilma? Lula deve avaliar com muito cuidado.

quarta-feira, março 03, 2010

Serra Candidato?

O PSDB já tem candidato. Esta foi a mensagem passada pelos tucanos durante o evento em homenagem a Tancredo Neves. Apesar das evasivas de Serra com os repórteres, quando falou na tribuna, falou como candidato, pontuou o discurso e apontou na direção de sua candidatura.

Serra já fez o convite pessoalmente para Aécio compor a chapa tucana ao seu lado. Aécio ainda resiste, mas as pressões são grandes. Diante de todos, agiu como Tancredo, usando a seguinte frase: “Não adianta empurrar, empurrado eu não vou”. Mas ficou uma dúvida, e se não for empurrado, vai?

O Governador de Minas está certo, mesmo que aceite, este não é o momento e se aceitar o convite para compor a chapa, deverá negociar muito bem sua entrada na disputa.

Serra fustigou o PT em seu discurso. Deu o tom de candidato que vai para o embate. Aécio foi conciliador, como se espera de um bom e tradicional político mineiro. Pode aí estar nascendo uma parceria que leve os tucanos de volta ao Planalto, mesmo que Aécio não esteja na disputa. Ou vice versa?

terça-feira, março 02, 2010

Aécio resiste. Tucanos insistem

O crescimento de Dilma nas pesquisas fez o alarme soar no ninho tucano. Desde então o nome de Aécio Neves voltou ao palco presidencial. Ele seria o nome que, ao lado de José Serra, formaria a chapa dos sonhos de boa parte da oposição.

Entretanto, Aécio ainda resiste. Em busca de uma solução, surgiu o nome do senador Tasso Jereissati, sugerido pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. A tese é aquela de sempre, ou seja, fortaleceria o candidato no Nordeste, onde Dilma é mais forte.

A tese de um vice do Nordeste é perigosa para os tucanos. Foi o erro na campanha de Alckmin em 2006. Enquanto existiam votos para ser conquistados no Sul, Alckmin rumou para o Nordeste e Amazonas, onde Lula teve mais de 80% dos votos.

As intenções de voto na região Nordeste, assim como no Norte, são extremamente consolidadas, especialmente em função dos programas de assistência do governo. Portanto, voltar a campanha oposicionista fortemente para este front, é perder tempo, espaço e votos onde ainda é possível crescer, ou seja, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que se identificam muito mais com a agenda oposicionista. Os palanques para os candidatos aos governos destes estados são também estrategicamente muito importantes.

É fundamental que o vice, em caso de confirmação do nome de Serra, venha de Minas. É neste estado que se definirão as eleições. Se não for Aécio, que seja um nome escolhido pessoalmente por ele. Se for de algum dos partidos aliados, como PPS ou DEM, melhor ainda.

segunda-feira, março 01, 2010

Dilma no jogo

Como havia dito aqui, Dilma aproveitou bem seu momento de exposição para crescer nas pesquisas. A presença nas revistas semanais, bem como o Congresso do PT, trouxeram a candidata para a mídia, algo extremamente precioso para alguém que deseja se fazer conhecido.

Se alguém ainda tinha alguma dúvida de que Dilma tenha entrado no jogo para vencer, o resultado do Datafolha deixa isso claro. Dilma está no jogo para vencer e a estrutura do seu partido, bem como o Presidente da República, trabalharão incansavelmente na busca pela vitória.

O fato político da pesquisa não é a subida da candidata, tampouco a queda de Serra. Estas são questões que nós analistas esperávamos, em especial face a exposição da ministra, as chuvas em São Paulo e a indefinição no ninho tucano, que gera um vácuo que é preenchido por Dilma. O fato importante foi a demonstração de que Dilma talvez não precise de Ciro na disputa para gerar um segundo turno. Isto afeta decisivamente a candidatura do PSB, praticamente invibializando seu nome na corrida presidencial.

Neste caso, a campanha surge com tons plebiscitários, como desejava Lula. O embate entre petistas e tucanos pode gerar dois cenários, o voto útil ou o crescimento de Marina na margem de uma terceira-via, algo improvável, mas com necessidade de avaliação em pesquisas de consumo interno.

Os tucanos, se desejam voltar ao Planalto, precisam ocupar o noticiário. O vácuo político, bem aproveitado pelo PT, levará a candidata ao patamar dos 30% antes do PSDB lançar seu postulante. O PT já entrou com seus 30% na briga.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Arruda negocia renúncia

Circula pelos meios políticos que José Roberto Arruda considera renunciar ao cargo para ficar livre da prisão.

O STJ, segundo especula-se, enxerga com bons olhos um acordo neste sentido, uma vez que fora do cargo, Arruda teria menores condições de tentar interferir nas investigações.

Arruda tem pouco tempo para barganhar sua liberdade em troca da renúncia, uma vez que a Câmara Distrital avança a passos largos para aprovar seu impedimento.

A renúncia deixa o Governador afastado sem o foro privilegiado, algo que pode preocupá-lo, uma vez que fora do cargo perderia a condição especial de estar preso na sede da Polícia Federal. Se outra prisão fosse decretada, ele estaria sem o amparo do cargo.

De qualquer forma, cada vez mais que o impeachment avança, piores são as condições para Arruda negociar sua liberdade mediante a renúncia. Deve levar em conta também seus direitos políticos, que podem ser cassados juntamente com o impedimento.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Ciro começa a ceder

Ciro Gomes diz que está no jogo e mira na Presidência da República. Lula insiste para que ele volte seus esforços para São Paulo, no intuito de atrapalhar a vida dos tucanos. Sua decisão move peças importantes na disputa pelo Planalto.

Não há dúvida quanto ao seu desejo pessoal, mas o horizonte da sucessão de Lula parece cada vez mais distante de sua realidade. Entre os parceiros que desejam embarcar no projeto Dilma, encontra-se o partido de Ciro, o PSB.

Os problemas não param por aí. PC do B e PDT, dois partidos com os quais Ciro contava em sua chapa, tomaram o rumo mais seguro de uma candidatura patrocinada pelo Planalto. Este cenário deixa Ciro sozinho, em uma batalha com poucas chances reais de vitória.

Para atrair os parceiros que deseja, Ciro precisa decolar nas pesquisas. Até agora, segue em sentido inverso. Os interlocutores de Lula fazem pressão para que ele aceite o desafio da eleição paulista. Neste caso, a ampla aliança que respalda Dilma em nível nacional, pode reproduzir-se quase que em sua totalidade em São Paulo.

Diante dos fatos e do cenário que se desenha, Ciro parece estar cedendo.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

A Renúncia de Paulo Octávio

Paulo Octávio, Vice-Governador em exercício do Distrito Federal, resolveu optar pela renúncia. Na verdade, a razão foi não conseguir lidar com as pressões para manter a governabilidade e sustentar-se politicamente.

Neste ponto residiu o problema de Paulo Octávio. Ele não é um político. Seu êxito e méritos como empresário são conhecidos por toda a cidade, entretanto, quando confrontado com os planos mais sensíveis da política, durante uma crise aguda, não soube movimentar-se com a mesma desenvoltura mostrada na condução de seus negócios.

O plano político possui rotas e saídas próprias e aqueles que se aventuram por seus caminhos sem conhecê-los, acabam derrotados durante sua caminhada. Foi o caso de Paulo Octávio.

Contra ele, juridicamente, era apenas acusado. As denúncias contra ele carecem da contundência daquelas que pesam sobre Arruda, por exemplo. Neste sentido, possuía maior margem de manobra para costurar a governabilidade e evitar a intervenção federal.

A saída de Paulo Octávio de cena fortalece a tese da intervenção, algo que os grupos políticos que habitam o Distrito Federal não desejam. Este era outro trunfo que fugiu ao seu entendimento político e sua habilidade negociadora. Ele tentou, mas o empresário não trabalha na mesma sintonia que a política.

Paulo Octávio sempre sonhou governar Brasília. Governou, por 12 dias. Para estar a frente da administração pública é preciso muito mais do que competência empresarial. Se a vida pública lhe brindar com uma nova chance no futuro, deve manter isto em mente.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Pré-Candidata

Dilma Rousseff foi ungida formalmente a pré-candidata do PT para as eleições presidenciais. Ao seu lado estava Michel Temer, do PMDB, que deseja embarcar no projeto de Lula.

Ela agora está vivendo o que chamamos em política, de um "momentum", ou seja, embalada pelas pesquisas eleitorais e pelas viagens ao lado de Lula para reforçar seu nome, chegou como imaginava para o Congresso do PT, na casa dos 25%.

No caso da ministra, o embalo será maior e seu nome deve se mover para cima nas pesquisas em função do espaço ocupado na mídia pelo Congresso petista e por sua exposição nas revistas semanais. Os jornais ajudam, pois também deram ampla cobertura ao evento de lançamento de sua pré-candidatura. Assim, em várias frentes seu nome se consolida de forma conhecida, sempre acompanhada da presença de Lula, seu fiador na empreitada.

Dilma rompeu os 20%, percentual de transferência automática de Lula, chegando aos 25%. Segue o script e a exposição deste final de semana deve empurrá-la para algo perto dos 30%. Se a oposição deseja frear seu crescimento, precisa criar fatos e ocupar a mídia. Sua falha neste aspecto, rende a Dilma números mais robustos.

Passado o momento, ela precisará mostrar musculatura própria e manter seu índice acima dos 30%, sem ajuda do cargo, do qual deve se afastar compulsoriamente, e ainda sem a exposição de candidata. Será seu momento de prova.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Ciro garante Segundo Turno

A pesquisa Ibope consolidou uma idéia já mostrada por outros institutos de pesquisa, ou seja, que a presença de Ciro Gomes na corrida presidencial garante a realização de um segundo turno.

Ciro, que ocupa novamente a TV esta semana, é o elemento que desafia a tese de eleição plebiscitária que deseja Lula. Se seus 11% no Ibope forem sólidos e caracterizarem seu piso, aliados aos 41% de rejeição, ele poderia ser um fator pró-Dilma na campanha eleitoral, pois empurraria o pleito para um segundo turno. De outro lado, o PT tem o receio de Ciro perder a esportiva e atacar Dilma, viabilizando seu nome.

Serra, sem assumir a candidatura ou fazer campanha, permanece no patamar de 36% com Ciro e 41% sem Ciro (o que lhe confere vitória no primeiro turno). Dilma, em plena campanha, rompeu a marca dos 20% (sua intenção de voto pré-decidido) e agora precisa mostrar que tem autonomia de vôo para avançar. Disto dependem os acordos com o PMDB e principalmente os movimentos de Ciro.

Até o momento, mesmo com seus 11%, Ciro é uma peça de fundamental importância na campanha, para o bem ou para o mal do PT. Saberá Lula administrá-lo?

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Crise em Brasília

O governador José Roberto Arruda apostava na manutenção de seu poder em Brasília. Tinha a Câmara Distrital nas mãos, o que impedia o avanço de uma ação via impeachment. Este era o ponto central que lhe dava sustentabilidade.

Entretanto, tudo indica que o governador errou o cálculo quando tentou, até onde é possível saber, interferir nas investigações. Motivou um pedido de prisão, que bem articulado, foi levado a cabo juntamente com um pedido de intervenção federal. Os golpes certeiros, em diferentes frentes, desarticularam o Governador.

Sua base de apoio, na esperança de ainda manter-se viva, agora aceita entregar a cabeça de Arruda e não deve demorar para os processos de impeachment, ora negligenciados, começarem a andar. A pressão também chega do DEM, que não deseja se contaminar ainda mais, e já pede a expulsão do vice de Arruda, Paulo Octávio, que equilibra-se para tentar manter o cargo.

Arruda não deve voltar ao governo, uma vez que além de sua prisão, foi decidido seu afastamento do governo do DF. Resta saber se o grupo que gravitava em volta do Governador, conseguirá salvar-se.

Tudo começa e termina com a habilidade de articulação de Paulo Octávio. De sua capacidade política depende sua sobrevivência, assim como de um grupo e um movimento, frente ao governo. Se faltar apoio dos seus, estes poderão ser os próximos, assim como em um jogo de dominó. As forças políticas que se movem, ao contrário do que muitos pensam, transcendem o DF, são poderosas, estão no poder e alimentam o vendaval pode ainda atingir muitos daqueles que pensam ter passado incólumes pela tormenta.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Ciro abre fogo contra Dilma

Depois de aparecer atrás da pré-candidata de Lula nas pesquisas, Ciro Gomes resolveu abrir fogo contra Dilma Rousseff.

Enquanto ela dizia que Ciro é "um dos políticos mais qualificados do País", o pré-candidato pelo PSB disparou: "Quantas eleições a Dilma já disputou? Lamento, e pouco importa se parece com o que diz Serra ou não. Às vezes, o Serra fala a verdade também".

Ciro foi adiante, como é seu estilo de fazer política. Disse que a circunstância política da candidatura Dilma é o que mais preocupa, pois hoje ela está sendo suportada por uma coalizão cuja hegemonia moral é questionada pelo pré-candidato do PSB.

Com a subida nas pesquisas, Dilma também virará vidraça. É bom sua assessoria estar perto para que ela controle seu temperamento, pois como disse Ciro, lembrando de campanhas passadas: "Colocaram uma casca de banana e eu escorreguei com os dois pés". Pois é.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Venezuela Radicaliza

O regime de Hugo Chávez dá sinais claros de fadiga na Venezuela e corre o risco de balançar. A sucessão dos fatores que colocam seu projeto em risco tem aumentado consideravelmente.

Os sustentáculos do governo chavista tem entrado em colapso com a passagem do tempo. A administração ineficaz da máquina do Estado, ao mesmo tempo que esta avança ferozmente sobre a propriedade privada e as empresas do País, é somente um dos elementos. Outros estão calcados em fatores como a baixa do preço do petróleo, que aliado a incompetência administrativa, tem deixado os venezuelanos literalmente no escuro.

Os apagões e racionamentos são constantes e como se não fosse o suficiente, a incompetência do governo deixou a inflação disparar e e desemprego subir. Como todo o regime de exceção acuado, Chávez resolveu radicalizar ainda mais e avançou sobre o que restava de imprensa livre no país. Com a Venezuela em estado econômico lastimável e população nas ruas, qualquer regime autoritário busca tomar as rédeas da informação, buscando controlá-la a seu modo. Chávez segue o scprit.

Seus aliados começaram a deixar o governo, incluindo-se aí o Vice-Presidente e Ministro da Defesa, a Ministra do Meio-Ambiente e o Presidente do Banco Central.

Se Chávez não tomar cuidado, talvez não seja a oposição que passe a ocupar o Palácio de Miraflores, mas seus antigos aliados.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

PMDB na Vice

Mais uma vez o PMDB será acessório em uma campanha presidencial. Refém de si mesmo, de uma estrutura regionalista, sem diretrizes nacionais, deve partir mais uma vez fracionado para a disputa presidencial.

O capitão do time do PMDB desta vez é Michel Temer e o destino da aliança é com o PT, na chapa de Dilma, ocupando a vice. Apesar de ser especulada a possibilidade de uma lista de peemedebistas para formar a chapa com a petista, não há quem não coloque todas as fichas no próprio Michel, nem o próprio PT, que tem jogado contra.

A chapa Dilma-Michel tem virtudes para o mercado, especialmente parte do empresariado paulista que aposta na manutenção das políticas atuais do governo, coordenadas também diretamente por Michel Temer.

A chapa também possui fraquezas, das quais falaremos mais a frente, assim como a força política da dupla, que será analisada com mais calma em outros comentários.

O fato é que o PMDB indicará o vice, mas fracionado ou não, isto não quer dizer que estará fora do próximo governo, em caso de triunfo tucano. Não se governa o Brasil sem o PMDB e seus cardeais sabem muito bem disso.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Caminho aberto para Renan

A disputa pelo Senado em Alagoas tinha tudo para ser muito acirrada. Além de Heloísa Helena, que desistiu da disputa ao Planalto para garantir oito anos na Casa, outros fortes postulantes buscavam a outra vaga, Ronaldo Lessa e Renan Calheiros.

Renan aparece atrás dos outros dois postulantes nas pesquisas. Lula tratou de salvá-lo. Pediu que Lessa, que possui 44% das intenções de votos, abandone a disputa pelo Senado, abrindo caminho para a recondução de Renan. Lessa, pelo visto topou, mas existem pontos que precisam ser amarrados.

O ex-Governador disse que somente tentará chegar ao cargo novamente se houver uma grande aliança em torno do seu nome. Isto quer dizer PT, PMDB, PC do B, PR e PP. Precisa ainda do apoio explícito de Dilma, para a qual forneceria palanque. Lessa se refere a disputa como um sacrifício que faria por Lula.

Resta, como disse, acertar alguns pontos, como a também possível candidatura de Collor ao governo do Estado. Entretanto, pelo que se desenha, Serra estaria no palanque do atual governador Teotônio Vilela Filho e Dilma fecharia com Lessa.

É esperar para ver os próximos fatos. Apesar de Alagoas ser um estado com pouca densidade eleitoral, possui políticos que influem de forma decisiva na política nacional, daí sua fundamental importância.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Vitória épica em Boston

Desde 1930 o partido Democrata domina a política de Massachusetts. No Senado, a presença beirava a unanimidade. John Kerry, que ocupa uma das vagas, tentou chegar inclusive a Presidência em 2004. O outro, Edward Kennedy, ocupou a cadeira por quase 50 anos, falecendo durante o mandato no ano passado.

Assim uma eleição especial foi convocada. O partido Democrata apresentou Martha Coakley, secretária de Justiça de Massachusetts, e os republicanos escalaram para a disputa o advogado Scott Brown. Martha Coakley iniciou a campanha com larga vantagem, mais de 25 pontos de diferença. Scott Brown foi crescendo e depois de mostrar chances reais de vitória, um alerta foi lançado no Partido Democrata. Barack Obama rumou até Boston para evitar a derrota. Não obteve sucesso. Martha Coakley recebeu 47% dos votos e Scott Brown atingiu 52%. O republicano agora ocupará a cadeira que foi de Edward Kennedy por quase meio século.

A derrota democrata em Massachusetts é também uma derrota para Barack Obama, que hoje lidera o partido e envolveu-se pessoalmente na campanha. Além disso,é inconcebível perder no Estado de mais forte tradição democrata nos Estados Unidos e por fim, deixar nas mãos do republicanos a mais emblemática cadeira do Senado americano, ocupada por Ted Kennedy.

Obama, com a perda da cadeira em Massachusetts, perdeu a maioria legislativa no Senado para aprovar sua reforma do sistema de saúde, seu projeto mais importante. E tudo isso acontece exatamente no aniversário de sua posse na Casa Branca. Obama é o presidente com popularidade mais baixa depois de um ano de mandato na história recente norte-americana.

Massachusetts foi apenas uma prévia do que pode acontecer ainda este ano nas mid-terms elections para o Congresso. Obama precisa mostrar serviço em casa.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Piñera chegou lá

O Chile mostra-se como o mais amadurecido dos países latino-americanos. Isto se deve, antes de tudo, por ser um país com economia aberta, o que proporciona um sistema político oxigenado e plural.

No Chile discute-se idéias. Existem grupos políticos definidos, com visões claras sobre os modelos que podem ser adotados. Mais do que discutir pessoas, na política chilena debate-se sobre projetos de país.

A Concertación, grupo que aglutina os grupos de esquerda no espectro político, governa desde o fim dos tempos de Pinochet e teve um papel importante na transição. Em qualquer momento, entretanto, o grupo ameaçou com a quebra de regras e contratos ou foi seduzido pelo populismo, que no Chile, devido a abertura econômica, não encontraria eco.

A eleição de Piñera traz algo de simbólico na política chilena. Finda a transição, chegou o tempo da alternância democrática e salutar das visões políticas que dirigem o Estado.

O Chile deu uma lição de estabilidade democrática a um continente cercado de políticos e grupos que flertam com idéias e práticas políticas menos nobres.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Mercadante em São Paulo

Realmente as preocupações com a situação do PT em São Paulo se intensificam. Sem um palanque forte para Dilma e um nome consistente para o governo, faz com que uma solução seja encontrada de forma urgente.

Várias saídas já foram cogitadas. Entre elas, o lançamento do nome de Ciro Gomes, além de Antônio Palocci, que em tese teria dificuldade de empinar sua candidatura, e Emídio de Souza, sem a densidade eleitoral necessária para ajudar Dilma.

Por essas e outras surgiu o nome de Mercadante como um candidato que teria a densidade necessária para alavancar uma candidatura consistente e forte, que ajudasse na eleição presidencial.

O problema é que Mercadante pretendia tentar a reeleição para o Senado. Entrar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes é arriscado, já que os tucanos vencem em todas as projeções ainda no primeiro turno. Neste caso Mercadante iria para o sacrifício no sentido de garantir um palanque para Dilma. Estaria disposto a abrir mão de sua reeleição para o Senado?

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Gabeira entra na Disputa

"Se todos se sentirem confortáveis, eu topo". Foi com esta frase que o deputado Fernando Gabeira deu o primeiro passo para concorrer ao governo do Rio.

Entendemos por todos, os sócios na disputa, PSDB, DEM e PPS, que com suas estruturas podem ajudar muito na construção do projeto. Assim, a disputa no Rio vai tomando contornos definidos, já que Garotinho e Cabral também estarão no páreo.

A presença de Gabeira como candidato ao governo também tem uma função política nacional importante, uma vez que abre espaço para Marina e Serra terem um palanque no Rio de Janeiro, que até o momento estava sem um postulante fora da área de influência de Lula.

Se de um lado resolve um problema, do outro o PT ainda possui um pior, a falta de um candidato consistente em São Paulo. Se Gabeira empinar sua candidatura, como fez na cidade do Rio de Janeiro, e impulsionar as candidaturas de Serra e Marina, será preciso um esforço forte do governo para recuperar os votos perdidos no estado do Rio em outros lugares. Votos com os quais contava. Com a decisão de Gabeira, a disputa começa a tomar uma característica nacional.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Eleições na Ucrânia

A "Revolução Laranja" ficou para trás, é o que se escuta em Kiev. Dias antes da eleição presidencial na Ucrânia, os sonhos de uma nação forte e associada à Europa parecem mais distantes.

O líder das reformas e da virada ocidental contra a influência russa, Viktor Yushchenko, está desgastado. A disputa agora se dá entre sua antiga aliada (de idas e vindas) Yulia Tymoshenko e o candidato pró-russo derrotado por Yushchenko em 2004, Viktor Yanukovych.

Tymoshenko, charmosa e polêmica, é atualmente a Primeira-Ministra. Seu carisma impulsiona seus números para além dos 19%. Entretanto, seu oponente, Yanukovych, ultrapassa a barreira dos 40%. Deverá ocorrer segundo turno, mas Yanukovych, impulsionado pela metade da Ucrânia mais ligada à Rússia (e deixada de lado por Yushchenko) está perto de vencer.

A União Européia mais uma vez observa com atenção a eleição ucraniana e a possibilidade da influência russa sobre o país deixa Bruxelas atenta. A falha de Yushchenko em aproximar sua nação do ocidente pode ter jogado a Ucrânia nas mãos do Kremlin.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Fujii deixa gabinete japonês

Hatoyama enfrenta a primeira baixa em sua equipe. Quem deixou o time foi o experiente Hirohisa Fujii, ministro das Finanças e o membro mais experiente do gabinete. O motivo alegado foi sua saúde.

Talvez seja coincidência, mas o fato ocorre exatamente no momento em que Hatoyama começa a ser cobrado por resultados que ainda não chegaram. O substituto, vice-primeiro-ministro Naoto Kan, é conhecido como o "irritável Kan".

Na realidade, Hatoyama perdeu o decano de sua equipe por desentendimentos com o secretário-geral do Partido Democrático, Ichiro Ozawa. Kan é um dos fundadores do partido. Tudo foi recolocado, assim, em seu devido lugar no jogo político.

A taxa de apoio a Hatoyama segue caindo e desceu abaixo dos 50%. Sua desaprovação já passa da casa dos 30%.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

O Vácuo de Dilma

Tudo indica que Dilma ultrapassou os 20% de intenção de votos. Isto ainda precisa ser confirmado por pesquisas de outros institutos, mas se realmente for verdade, será a primeira vez que a Ministra mostrará alguma musculatura própria na corrida presidencial, ainda que impulsionada por Lula.

Para alcançar tal patamar sua agenda foi avassaladora nos últimos anos. No primeiro semestre de 2009 teve em média 51 compromissos mensais em eventos na agenda, subindo na segunda parte do ano para 75. Tudo exposição para se fazer conhecida ao lado de Lula.

O período de preocupação começa com a obrigatória desencompatibilização em abril. A Ministra terá que obrigatoriamente deixar o governo. Não poderá andar com Lula inaugurando obras e participando de eventos. Poderá voltar a berlinda somente em julho com o início da campanha eleitoral. Para aqueles candidatos já conhecidos, como Ciro ou Serra, será um período menos difícil do que para Dilma, ainda desconhecida da maioria do eleitorado.

A Macropolítica, onde trabalho com consultor, calculou que foi necessária a presença da ministra em 768 eventos em 2008 e a 621 em 2009 para chegar aos 20%, ainda colados na popularidade de Lula. Ainda existe muito trabalho a ser feito e a distância dos holofotes entre abril e julho abre um vácuo que precisa ser preenchido por seus consultores políticos, sob o risco de sua candidatura não empinar com a envergadura necessária.

Para enfrentar o período magro, o PT acredita que ela termine abril consolidada acima dos 25%, quase com com 30%. Para isso, precisará mostrar força política própria, especialmente na consolidação dos acordos políticos com seus aliados e carisma pessoal. Se ela passar bem por esse período, chega com chances. De outro modo, corre o risco de ser cristianizada.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Cristóvam pensa no Buriti

Depois do escândalo que abateu o governo José Roberto Arruda em Brasília, o PSDB e José Serra buscam um palanque no Distrito Federal. Paulo Octávio, vice de Arruda, pode concorrer ao Buriti, mas, envolvido nas denúncias que atingiram o governno Arruda, suas chances são pequenas. O nome que desponta como virtual vencedor nas eleições do DF é Joaquim Roriz.

Isto mexeu com os brios do senador Cristóvam Buarque, atualmente no PDT, e adversário histórico de Roriz. Circula que Cristóvam poderia sair candidato ao governo. O cenário, neste caso, pode ser a saída para o governador José Serra no Distrito Federal.

O senador do PDT está rompido com o PT desde que deixou o partido. No Distrito Federal, o candidato do PT é Agnelo Queiróz, ex-PC do B. Se Cristóvam decidir entrar na disputa, a candidatura de Agnelo seria abalada, pois o senador tem eleitores entre aqueles simpáticos ao PT.

Cristóvam é grato aos tucanos, que apoiaram sua candidatura em 1994, mesmo que no plano nacional PSDB e PT tivessem travado uma batalha eletoral. Resta saber se ele abrirá mão de uma eleição praticamente garantida ao Senado, que lhe daria oito anos de mandato, pela incerteza da disputa ao governo do DF, onde Joaquim Roriz ostenta mais de 40% das intenções de voto.

Existe mais um ponto a ser considerado. O PDT tende a sair de mãos dadas com Dilma, capitaneado pelo ministro Carlos Lupi. Em caso de acordo entre Cristóvam e os tucanos, os trabahistas teriam que abrir mão da dobradinha no Distrito Federal, algo delicado de ser negociado.

Mas que tudo isso seria perfeito para tucanos, ah isso seria.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Cabral criticado

Os deslizamentos em Angra dos Reis atingem de forma direcionada o governador do Rio, Sérgio Cabral. As primeiras e mais contundentes críticas vieram da demora do governador em aparecer, chegando a levantar suspeitas de que ele estava no exterior. Não estava, ao contrário, encontrava-se perto de Angra, assim como o ministro do Meio-Ambiente, Carlos Minc.

O Vice-Governador do Rio, no vácuo deixado por Cabral, apareceu em Angra dos Reis já no primeiro dia do ano, coordenou a ação do governo, prestou solidariedade as vítimas e atendeu pacientemente a imprensa, ou seja, se fez presente, da maneira correta no momento mais importante. Luiz Fernando Pezão fez aquilo que se esperava de Sérgio Cabral.

Carlos Minc nem passou por Angra, deixando logo o estado do Rio e até o momento não se pronuniciou sobre uma matéria que é um dos assuntos principais de sua pasta. Cabral, com atraso, chegou até Angra dos Reis, mas neste momento não havia mais muito o que fazer. Pezão já tinha ocupado o espaço necessário no calor do momento, quando a população necessitava respostas, auxílio, solidariedade e ações diretas do Estado.

Agora a cobrança sobre o governador do Rio será incansável, especialmente em ano eleitoral. Cabral abriu um flanco de ataque político desnecessário, que seria coberto facilmente com sua ação pessoal imediata depois dos deslizamentos em Angra. Seus adversários políticos já começaram a se movimentar, lembrando que em junho de 2009, Cabral assinou o decreto nº 41.921, que flexibilizou as regras de construção na Área de Proteção Ambiental, o que atinge o ponto central da questão em Angra dos Reis. Cabral terá que correr atrás do tempo perdido.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Serra e Marina?

Começa a tomar forma uma operação que pode alterar de forma substancial a eleição presidencial. Primeiro discutida reservadamente entre tucanos e depois já divulgada pela imprensa, uma possível aliança entre Serra e Marina.

A possibilidade surge com a desistência de Aécio de ser companheiro de chapa de Serra e com o desgaste do DEM com o caso Arruda. O PPS, também aliado, é candidato a fornecer um nome, mas nenhum cairia tão bem quanto o de Marina Silva.

As chances reais do projeto se concretizar ainda são pequenas, mas se for fechada, a aliança do PV com o bloco oposicionista indicando a candidata a vice, causaria danos irreparáveis para a candidatura Dilma.

Além de Marina ser mulher e neutralizar este aspecto na candidatura Dilma, o nome da ex-ministra de Lula quebraria a estratégia central da candidatura petista, que é o caráter plebiscitário do pleito, comparando as presidências de Lula e FHC. Serra e Marina juntos fornecem a continuidade das duas gestões e a manutenção daquele aspecto ético do petismo que levou Lula até a Presidência e que foi perdido durante sua gestão.

Marina tem aquilo que falta a Serra e ele exatamente aquilo que completa Marina. Seria uma forte dupla. No governo, será a grande possibilidade de ex-ministra ver sua agenda realmente implementada.

Uma aliança Serra/Marina alteraria o jogo presidencial de forma definitiva.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Os ventos do Sul

Como a influência dos palanques regionais para a sucessão presidencial é grande e os primeiros nomes nas disputas para os governos já despontam, as primeiras pesquisas já começam a apontar cenários.

No sul as tendências aparecem já de forma clara. No Paraná a disputa está acirrada entre Beto Richa (40%) e Osmar Dias (38%). O candidato do governador Requião, Orlando Pessuti, patina nos 5%. Dilma deve descer no palanque de Dias, do PDT, e o candidato tucano, provavalmente Serra, no de Beto Richa. O problema para Dilma é que Álvaro Dias, irmão de Osmar, é um dos mais ferrenhos opositores do governo federal. Algumas peças ainda podem se mover. A conferir.

Em Santa Catarina, Ângela Amin, do PP, sai na frente, com 31%. Depois vem Raimundo Colombo, do DEM, com 18% e Ideli Salvati, do PT, com 14%. Resta saber para que lado irá a candidatura de Ângela, já que Dilma deve desembarcar com Ideli e Serra com Colombo. Vale lembrar que Ideli chega ao fim de seu mandato no Senado nesta eleição. Avaliará se vale a pena ir para o sacrifício para garantir um palanque para Dilma ou disputar a reeleição para o Senado, uma tarefa mais fácil e que renderá mais oito anos em Brasília.

No Rio Grande do Sul, PMDB e PT devem ir para disputa direta. Tarso e o PT nem cogitam aliança com o PMDB para fortalecer Dilma. O consórcio eleitoral PMDB/PT rachou no Rio Grande. Fogaça, prefeito de Porto Alegre, buscará o governo e o anúncio de sua candidatura catapultou seu nome para os 30%. Tarso caiu e alcança os mesmos 30%. Yeda, atual governadora, tem parcos 5% e o PSB de Beto Albuquerque, 7%. A disputa será como sempre no Rio Grande do Sul, voto a voto. Serra e Dilma tem palanques bem definidos.

Como vemos, alguns movimentos poderiam mudar sensivelmente o cenário. Se Lula enquadra o PT no Rio Grande, sorte de Dilma, e se Aécio fosse o candidato, poderia forçar uma derrota histórica para Dilma no Paraná e Santa Catarina. Mas de acordo com que se apresenta, o cenário de saída já está posto.

terça-feira, dezembro 22, 2009

A Eleição passa por Minas

Assim como teremos disputa presidencial no próximo ano, o mesmo ocorrerá nos estados. A influência eleitoral de um pleito sobre o outro começa a tomar forma.

São Paulo, até o momento, constitui-se no estado mais dramático para Dilma. Lá, em todos os cenários, os tucanos vencem no primeiro turno, seja com Alckmin ou Serra. Além disso, o Governador possui um alto patamar de transferência de votos, avaliado em 39%.

Já o Rio de Janeiro é motivo de preocupação para os tucanos. Estes esperavam que Fernando Gabeira disputasse o governo. Engano. Gabeira vai mesmo disputar o Senado. Lá, Sérgio Cabral, aliado de Lula e Dilma, lidera com 37%. Garotinho, outro aliado do petismo, alcança 24% e Lindberg Farias (que não deve disputar) chega a 8%. Os tucanos não tem postulante ao Palácio Guanabara. César Maia aparece com 13%, mas não sairá candidato, prefere o Senado. No Rio, Dilma já abre vantagem sobre Serra.

Minas Gerais será outro estado interessante. A posição de Aécio é estratégica e deve impulsionar os números de Anastasia, que atualmente bate em 10%. Hélio Costa, que lidera as pesquisas e teoricamente é aliado de Lula, deve sair pelo PMDB e o PT hesita entre Patrus Ananais e Fernando Pimentel. Um embate entre PMDB e PT em Minas pode beneficiar Serra, ainda mais se Aécio realmente se empenhar na campanha.

Os números destes estados devem ser considerados porque seu movimento pode decidir a eleição. Se a margem aberta por Serra for ampla em São Paulo, será muito difícil reverter o quadro, ainda mais se Aécio mostrar resultados em Minas. Cabe aos tucanos, de forma urgente, encontrar uma saída para o Rio de Janeiro. No caso petista, a vantagem vem do Rio, mas encontrará em Minas uma situação a ser resolvida.

Enfim, mais uma vez a eleição para por Minas e no cenário atual Aécio pode ser o grande eleitor da sucessão.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Datafolha

A pesquisa realizada pelo Datafolha mostra uma acomodação dos números, especialmente com a saída de Heloísa Helena da disputa. Se compararmos com a pesquisa anterior, vemos um direcionamento dos votos de Heloísa para Marina e Dilma, sem reflexos para Serra.

Com Ciro Gomes na disputa, o novo cenário traz Serra na dianteira com 37%, Dilma sobe para 23%, Ciro atinge 13% e Marina 8%. Sem o nome de Ciro, Serra chega a 40%, Dilma crava 26% e Marina 11%. Vemos que para garantir a realização de um segundo turno, neste momento, a presença de Ciro é indispensável. Sem ele, Serra liquida a fatura no primeiro turno.

O crescimento de Dilma é um fato interessante, mas é preciso ser confirmado pelos outros institutos. O importante é enxergar que nos cenários apresentados ela rompe a barreira dos 20%, mas é preciso entender que Heloísa Helena deixou a disputa, portanto, estes podem ser votos herdados e não conquistados pela Ministra de Lula. Isto precisa ser verificado.

Nas simulações de segundo turno, Serra (respectivamente 49% e 51%) bate com folga tanto Dilma (34%) quanto Ciro (28%).

Dois dados interessantes. Dilma possui seus melhores números entre os de maior renda e possui fraco desempenho entre as mulheres. Se conseguir melhorar sua performance nas camadas mais baixas com a ajuda de Lula e fazer valer sua condição de mulher, pode subir mais um pouco.

Entretanto, se o PT não conseguir penetrar em São Paulo, de nada adiantará seu esforço. Mas este é um assunto para mais adiante.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

O Jogo de Aécio

Aécio Neves é mineiro. Neto de Tancredo Neves. A política em Minas é feita de modo peculiar e é preciso entendê-la. Aécio desistiu de buscar a indicação do PSDB neste momento, o que não quer dizer que não continue no jogo.

Ontem, no twitter, publiquei que Serra disse que será candidato apenas se as chances de vitória forem “muito concretas”. Se até março Dilma decola e Serra não sente-se seguro, todos se voltarão para Aécio. O Governador de Minas diz que esta chance não existe, uma vez que ele perderia o timing da costura de uma aliança mais ampla.

Talvez sim, talvez não. Aécio precisa romper as barreiras de Minas, tornar-se um nome nacional para conseguir atingir o Planalto no futuro. Esta campanha o deixaria de evidência.

O DEM já circulou a tese de que apoiaria uma chapa Serra-Aécio. Mais uma vez os holofotes voltam-se para o Governador mineiro. Mesmo se não for o vice, ele carrega os valiosos votos de Minas Gerais. Como vemos, em todas as situações, Aécio, saindo agora de cenário, torna-se o bem mais valioso em disputa na política nacional.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Festa em Timisoara

As comemorações na cidade romena de Timisoara tem razão de ser. Foi ali que há 20 anos começou a revolta que colocaria fim ao brutal regime socialista do ditador Nicolau Ceausescu.

Tudo foi muito rápido. Depois da Queda do Muro de Berlim, os regimes comunistas foram caindo um a um em 1989. Na Romênia tudo começou com a resistência do pastor Laszlo Toekes, transferido de forma arbitrária para uma área rural, onde não ofereceria risco ao regime de exceção socialista.

A população revoltou-se. Em pouco tempo o movimento cresceu e chegou as ruas de Bucareste. A repressão foi violenta. Apenas em Timisoara, 118 pessoas foram mortas. Exército, polícia e a Securitate, que contava com mais de 700 mil informantes, não foram páreo para a revolta popular contra o socialismo.

Nicolau Ceausescu e Elena, sua esposa, foram executados em praça pública pela população no dia de Natal. Era o fim dos tempos sombrios na Romênia.

Possuo muitos amigos romenos, muitos deles fugiram dos horrores do comunismo. Em Bucareste existe a Piata Revolutiei (Praça da Revolução), para lembrar a vitória contra o comunismo em 1989, passagem obrigatória de todas aqueles que visitam a bela capital romena.

Por isso as comemorações em Timisoara renovam-se a cada ano. Lembrar o fim de um pesadelo é a melhor maneira de evitar sua repetição.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Ato Falho de Dilma



Este é o vídeo do momento no You Tube. A ministra Dilma Rousseff fala durante a COP15 em Copenhague. Suas palavras foram as seguintes: "O Meio-Ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável e isso significa que é uma ameaça para o futuro do nosso planeta e dos nossos países".

Quem conhece Dilma e sabe das batalhas que travou contra Marina Silva, quando esta ocupava a pasta do Meio-Ambiente, entende que é de duvidar se realmente a candidata de Lula se enganou.

Como se não fosse o bastante, Dilma entrou em rota de colisão com Carlos Minc, ministro do Meio-Ambiente, desautorizando-o em plena conferência. Agora, segundo fontes, o ministro circula isolado pelos corredores da COP15.

O temperamento da ministra, mais uma vez, tem sido apontado como seu pronto fraco e tudo leva a crer que o trabalho de sua equipe de campanha será duríssimo.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Aécio, o conciliador

José Dirceu disse que Aécio Neves já comunicou ao grão-tucanato que não será candidato a Presidente. Aécio rebateu alegando que ainda busca a indicação do partido e que sua estratégia de ampliar o leque de apoios em torno do seu nome continua em curso, incluindo aí partidos da base do governo petista.

A alegação de Dirceu deu margem para Aécio ir além, pois segundo ele é preciso tirar o escopo plebiscitário do pleito e adiantou seu discurso de campanha, no estilo da política mineira: "(...) O que está em jogo não é ser contra ou a favor o presidente Lula. O que está em jogo é quem tem melhores condições de fazer o governo menos aparelhado pela burocracia partidária, mais oxigenado do ponto de vista da qualidade, dos objetivos".

Em Minas, Pimentel ganhou a disputa interna do PT, mas Hélio Costa ganhou no PMDB. Se o PT não se entender com o PMDB e houver um racha, pode surgir um palanque inusitado em Minas para o candidato tucano.

Aécio trabalha nos bastidores, como sempre faz com habilidade. A sucessão, como sempre digo, não pode deixar de passar pelas Minas Gerais.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Chile: Piñera e Frei no segundo turno

Eduardo Frei, candidato da Concertación, chega nos últimos dias que antecedem a eleição, com 31% dos votos. O ex-Presidente (e agora candidato) não conseguiu transformar a aprovação de 80% do governo de sua aliada Bachelet em intenções de voto até o momento.

Do outro lado, o empresário Sebastian Piñera parece caminhar tranquilamente para o segundo turno, trazendo na bagagem 44% das intenções de voto. Ao contrário de Joaquim Lavín, que tinha tudo para vencer Lagos no pleito de 1999, tudo indica que Piñera irá confirmar a tendência e ser eleito no segundo turno.

Ominami que parecia surgir, em princípio, como uma terceira alternativa, não vingou como candidato viável e deve terminar em terceiro lugar, na faixa dos 20%. Para um provável segundo turno, devem passar Piñera, um pouco além dos 40% e Frei por volta dos 30%.

A Concertacíon vem perdendo espaço. Nas primeiras eleições pós Pinochet, Alwin obteve com 55,17%. Em 1993 Frei venceu com tranquilidade, chegando a 57,99% ainda no primeiro turno. Em 1999, depois de um empate no primeiro turno, Lagos venceu Lavín por estreita margem no segundo turno, alcançando 51,31%. Bachelet também enfrentou um segundo turno, desta vez contra Piñera, e venceu com 54,50%.

Com a exceção da eleição Lagos X Lavín, esta é a primeira vez que os partidos conservadores chegam com reais chances de vitória. A Coalición por el Cambio de Piñera, aliança da Unión Demócrata Independiente (UDI), Renovacíon Nacional e Chile Primero, por projeções e tendências, deve ultrapassar os 50% no segundo turno e vencer a eleição.

Um marco na política chilena, com o amadurecimento das instituições democráticas, está sendo escrito. Mas, antes disso, o primeiro turno, que acontece neste final de semana.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

O Realismo de Obama

Para quem foi eleito pregando idealismo, especialmente nas relações internacionais, é incrível ver as mudanças pelas quais Obama tem passado.

Na entrega do Nobel da Paz, hoje em Oslo, Obama, que disse ter recebido o prêmio cedo demais, fez um discurso realista. Sua visão dos conflitos internacionais e dos meios para resolvê-los tem tomado ares cada vez mais pragmáticos, apesar de rejeitar, inteligentemente, qualquer rótulo.

Obama trouxe, em um bem costurado discurso, a idéia de "Guerra Justa" e citou exemplos históricos, dizendo que o pacifismo, por si mesmo, não teria vencido o Nazismo, por exemplo, apesar das boas intenções. Obama acaba de mandar mais 30.000 soldados americanos para o Afeganistão.

De qualquer forma, o discurso reposiciona Obama nas relações internacionais, assume uma postura claramente realista e mostra porque manteve no Pentágono o Secretário de Defesa do governo Bush, Robert Gates. Mesmo recebendo o Nobel da Paz, para atingí-la, agora ele defende uma guerra justa, seja no Iraque ou no Afeganistão.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

A pesquisa IBOPE

A pesquisa do Ibope agrega valores importantes para avaliação do cenário eleitoral em 2010.

Serra mantém sua margem na liderança, consolidando-se no patamar de 38%, pois apresentou crescimento acima da margem de erro desde a última pesquisa, onde aparecia com 35%.

Dilma também cresceu, mas como sempre digo aqui, ainda é necessário que ela ultrapasse a barreira dos 20%, que é a base de transferência de votos diretos do Presidente. Ela, que tinha 15%, subiu para 17%. Movimentou-se dentro da margem de erro. O preocupante para Dilma é seu grau de rejeição, que bateu em 41%. Sabemos dentro da ciência política que um candidato com 40% de rejeição torna-se inviável. Ela chegou neste perigoso patamar. Vamos ver se as inserções comerciais e o programa eleitoral na TV na próxima quinta alteram este cenário.

Ciro foi quem apresentou queda mais acentuada. Desceu de 17% para 13%. Com Aécio no lugar de Serra, Ciro chega a 26% (já teve 28%) e assume a dianteira. Muitos dos votos de Serra deslocam-se para Ciro (e não para Aécio), como vemos. É preciso avaliar para onde escoarão os votos de Ciro caso ele desista da disputa. Se for no mesmo ritmo, Serra claramente será beneficiado e poderá resolver a eleição no primeiro turno.

Marina segue com seu percentual menor do que 10%. Desceu de 8% para 6%. Precisa ainda dizer a que veio.

Os números mostram uma clara vantagem de Serra e a tendência de a eleição ser decidida no primeiro turno caso venha a se tornar plebiscitária, como deseja o PT. Dilma ainda não emplacou como candidata e possui uma rejeição preocupante. Dentro do ninho tucano não há números que justifiquem a escolha por Aécio Neves. Serra, neste momento, mostra-se como o nome natural e mais viável para o PSDB voltar ao Planalto.

terça-feira, dezembro 08, 2009

COP15 e as promessas de sempre

Declarações políticas são meras cartas de intenções. A conferência sobre mudança climática em Copenhague possui o mérito de chamar a atenção para o problema e inserir dentro de um mesmo ambiente líderes mundiais com o simples objetivo de discutir questões relativas ao clima e ao futuro do planeta. Entretanto, a falha está na possibilidade de implementação das políticas moldadas nestas reuniões.

O ponto central reside nas políticas de diminuição das emissões de carbono, algo que remonta a tempos antigos, mais precisamente na reunião de cúpula sobre a matéria no Rio de Janeiro, em 1992. De lá para cá foram diversas cartas de boas intenções, muitas promessas e pouco efetivamente realizado.

O problema neste campo não é meramente político, mas também econômico. As políticas atuais de diminuição das emissões de carbono não são viáveis economicamente a ponto de o mundo continuar, no mesmo ritmo atual, a gerar o desenvolvimento necessário para retirar milhões de pessoas da pobreza. Este é apenas um dos argumentos. Perguntem a Índia e China o que pensam sobre o assunto.

Além do mais, as políticas alternativas de energia não suprem de forma satisfatória a demanda atual e ficarão ainda mais defasadas no futuro. A diminuição das emissões de carbono depende diretamente do incremento de formas alternativas de energia, que atualmente são caras e ineficientes. E continuará assim. Países, como o Japão, aplaudidos por alegar que baixarão as emissões em 25%, sabem que suas projeções são irreais.

Diminuir as emissões de carbono é fundamental e constitui-se no principal pilar da conferência sobre o clima. As respostas até o momento são inviáveis nos campos tecnológico, politico e econômico, como lembrou Bjørn Lomborg em artigo na Der Spiegel. Ele está certo. Os políticos podem fazer promessas, mas certamente estas não serão cumpridas mais uma vez. O planeta certamente não agradece, assim como as gerações futuras.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Definição em Porto Alegre

O prefeito José Fogaça acaba de anunciar sua candidatura ao governo do estado do Rio Grande do Sul. Apesar de ser esperado, é o primeiro grande racha oficial no consórcio PMDB/PT que pretende lançar o nome de Dilma ao Planalto.

O Rio Grande do Sul é um dos estados onde esta aliança não tinha a menor chance prosperar. Lá, PMDB e PT são adversários históricos. Assim como lá, outros estados devem seguir o mesmo rumo e formalizar o racha na aliança patrocinada por Lula. Ou seja, vários estados estão na fila, e desta vez os gaúchos saíram frente.

José Fogaça é o mesmo que terminou com a hegemonia de 16 anos do PT na Prefeitura de Porto Alegre e agora terá um páreo duro pela frente. Da última vez que um prefeito da capital decidiu renunciar para concorrer ao governo do estado, a punição do eleitorado veio a galope. Nesta ocasião Tarso Genro foi derrotado por Germano Rigotto. O trunfo de Fogaça pode estar no PDT, que deve ser seu parceiro e fazer a diferença no interior do estado.

O ex-Governador, aliás, que era o único empecilho no caminho de Fogaça, decidiu que irá concorrer a uma vaga no Senado, que será também disputadíssima.

A boa notícia vem para José Serra, que terá em Fogaça um forte palanque estadual, em um dos estados com maior número de eleitores do Brasil. Dilma desembarca no palanque de Tarso e Serra no de Fogaça. Falta convencer a desgastada Governadora tucana a desistir de tentar sua reeleição. Envolvida em escândalos, as chances de Yeda são nulas, e sua candidatura apenas prejucaria o PSDB em nível nacional. Ninguém tem a intenção de carregar seu cadáver político em pleno ano eleitoral.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

UE preocupada com a Ucrânia

A Ucrânia deseja fazer parte da União Européia, bem, pelo menos parte da Ucrânia. Entretanto, o governo de Kiev, pró-europeu, não tem avançado nos esforços necessários para convencer Bruxelas.

Em Kiev, José Manuel Durão Barroso cobrou um esforço maior da Ucrânia. Nada feito. Kiev continua excessivamente dependente de sua política de energia e de sua posição geopolítica estratégia para fazer circular petróleo e gás. A ausência de mudanças nessa área é responsável por uma carga burocrática assustadora, aliada sempre da corrupção, que anda de mãos dadas com o dirigismo estatal.

A ausência de mudanças somente chama a atenção da Rússia, com os interesses de sempre na Ucrânia.

E as eleições vem por aí, em janeiro de 2010. Apesar do ministro de Relações Exteriores ter dito que independementemente do resultado nada muda a marcha da Ucrânia em direção a UE, é bom ter certa cautela: a Revolução Laranja ficou para trás e a sombra da influência russa pode mostrar sua força novamente.

Por isso a preocupação da União Européia, com toda razão.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Mensalão do DEM?

O DEM pode estar sendo tragado para uma perigosa armadilha. Aquilo que supostamente seria o mensalão do Governo Arruda está sendo tratado como mensalão do DEM.

O partido tem culpa até o momento por ter evitado a expulsão sumária do Governador. Este era o desejo de parte do partido, expressada de forma clara pelo deputado Ronaldo Caiado e os senadores José Agripino Maia e Demóstenes Torres. Existe previsão no estatuto do partido para tal, como uma medida preventiva, o que acarreta posterior defesa e reintegração ao quadro partido em caso de inocência. Mas infelizmente não foi esta a opção do DEM.

Ao invés de cortar o mal pela raiz, o partido preferiu sangrar junto com o Governador. Evitou a expulsão sumária e foi tragado para o noticiário como o articulador das práticas empregadas por Arruda.

Arruda teria deixado no ar um tom de ameaça em caso de expulsão sumária. Teria dito que se o partido radicalizasse com ele, ele também radicalizaria. A cúpula do DEM preferiu a abertura de processo sem expulsão sumária.

Faltam outros membros do DEM, como o vice-governador Paulo Octávio, envolvido nas denúncias, mas que até o momento mantém distância do escândalo. Circula a tese de que ele estaria sendo blindado para ser um Plano B para a disputa do governo em 2010, entretanto, é uma operação extremamente arriscada.

A contaminação, infelizmente, foi realizada. O mensalão de Arruda, agora é do DEM. Os reflexos eleitorais da equivocada operação em evitar a expulsão sumária de Arruda serão sentidas em 2010. O partido perdeu sua principal bandeira de campanha.

terça-feira, dezembro 01, 2009

Honduras Venceu

A eleição ocorrida em Honduras, de forma normal e pacífica, atestada por um sem número de observadores internacionais, coloca um ponto final em todo o embróglio político causado pela tentativa de Zelaya de subverter a ordem constitucional para permanecer no poder e sua posterior destituição.

Na verdade não importava qual o eleito, desde que a vontade do povo hondurenho fosse respeitada. Tudo indica que será. Peru, Colômbia, Costa Rica e Panamá, os principais vizinhos, já reconheceram o triunfo de Porfírio Lobo. Espanha e Estados Unidos já se juntaram ao grupo.

O que ocorreu em Honduras é a prova cabal de que instituições fortes podem e devem evitar manobras que visam subverter a ordem constitucional e atacar a democracia. Zelaya, que arquitetava um golpe, foi deposto constitucionamente. Micheletti, Presidente do Poder Legislativo, assumiu o cargo com vistas a encaminhar o processo eleitoral.

Honduras sofreu pressões de todos os lados, inclusive dos apoiadores internacionais do ex-Presidente golpista, onde infelizmente o Brasil se perfilou. Agora que as eleições ocorreram e que existe um vencedor, reconhecido e legítimo, restaura-se a estabilidade política. Honduras, seguidamente classificada como uma "República de Bananas" mostrou a todo o mundo uma das maiores lições de respeito a lei e as instituições.

Ao Brasil, coube um papel lamentável, como lembrou Oscar Arias, que criticou nosso governo, taxando-o de possuir "dupla moral": "Acho que é uma dupla moral reconhecer as eleições iranianas, que não foram limpas e onde houve uma série de casos, e até um candidato resolveu desistir do segundo turno, e não reconhecer as hondurenhas".

Não poderia ter sido mais preciso.