quinta-feira, outubro 22, 2009

Serra abre vantagem, aponta Ibope

Os tucanos encomendaram pesquisa ao Ibope, como foi divulgado pela Folha. Serra subiu novamente, rompendo a barreira dos 40%. Cravou 41%. Isto fortalece o nome do Governador paulista dentro do PSDB.

A outra constatação da pesquisa foi que a disputa pelo segundo lugar embolou de vez. Dilma subiu dois pontos e chegou a 17%, ultrapassando Ciro, que desceu um ponto e aparece com 16%. Na margem de erro, estão empatados. Os números mostram mais uma vez a suspeita de que Lula pode não conseguir transferir votos, algo temerário para a candidata petista.

Enquanto isso ganhou força a tese de que Ciro realmente deixará a disputa presidencial de lado, conforme pediu Lula. Pode até ser, mas quem conhece Ciro sabe que se ele enxergar chance de vencer ou se seu nome estiver consolidado em segundo lugar, ninguém o convence a deixar o páreo.

Os números de Serra são interessantes. Subiu de 35% para 41%. Mostra principalmente sua capacidade de reação, recuperando seis pontos mais do que significativos, especialmente porque também foi mostrado aos eleitores uma cartela que apresenta Aécio como vice do Governador de São Paulo.

Circula nos bastidores que o expressivo apoio recebido por Aécio entre os parlamentares do DEM pode levar o Governador de Minas a aceitar o lugar de vice na chapa oposicionista. Sairia por cima e teria lugar de destaque, respaldado pelos partidos aliados. Aécio deve enxergar esta tendência com sabedoria política, especialmente quando vemos que o nome do mineiro valorizou a chapa tucana.

Com Serra nas alturas e Aécio com prestígio interno, existe sim chances reais de vermos uma chapa tucana puro-sangue e café com leite na eleição presidencial.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Menos uma candidata

As indicações, como havia comentado aqui, eram fortes. Agora o rumo dado por Heloísa Helena a sua candidatura corrobora aquilo esboçado aqui. Ela realmente tende a deixar a disputa da Presidência de lado e tentará retornar ao Senado por Alagoas.

Sua sugestão é que seu partido, o PSOL, inicie conversas para uma composição com o PV de sua amiga Marina Silva. As duas são realmente muito próximas, entretanto, as diferenças que separam os dois partidos, em nível programático e ideológico é abissal. Portanto é compreensível que parte do PSOL veja com ressalvas a sugestão de Heloísa Helena.

Esta deve abrir vaga para uma suplente na Câmara de Vereadores de Maceió, já que deve deixar o cargo se eleita para o Senado, pois até o momento lidera as pesquisas. Como são duas vagas, sua eleição é praticamente certa.

Heloísa Helena tem seu preferido, caso a composição com o PV faça água. É o deputado Milton Temer, que se escolhido, deve fazer papel de mero coadjuvante na campanha, sem alterar de forma substancial o equilíbrio de forças, coisa que a candidatura de Heloísa Helena, se bem conduzida, poderia fazer.

Mais do que a formalização da aliança entre PT e PMDB e a adesão de consórcio de partidos menores em direção a Dilma, a notícia política do momento é a desistência de Heloísa Helena, dada praticamente como certa. Isto altera o quadro de forças e seu potencial apoio para Marina, se confirmado, pode impulsionar mais um pouco os números da candidata do PV.

Vale lembrar um fator. Marina Silva tem sérias restrições quanto a Dilma, assim como Heloísa Helena. Vamos aguardar as pesquisas.

segunda-feira, outubro 19, 2009

PSDB decide esperar

Para aqueles que esperavam uma definição do PSDB em breve, é bom saber que os tucanos decidiram esperar um pouco mais. A definição do candidato ficará mesmo para 2010.

Circulam muitas teses pelos corredores de Brasília, inclusive de que haveria pressão dos partidos aliados para uma rápida definição da candidatura para que assim fosse definido os rumos daquele que poderia ocupar a vice na chapa.

Nem tanto. Os tucanos agem com prudência. É ingenuidade política lançar um candidato agora, a não ser que o nome fosse completamente desconhecido, assim como é Dilma ou precisasse de exposição para consolidar-se, como Ciro. Ainda assim, a operação exigiria atenção redobrada.

Se o PSDB optar por Serra, o que indica a tendência, expor o Governador de São Paulo neste momento seria um movimento que somente beneficiaria Dilma, pois apresentaria-se o adversário direto para a polarização do confronto, assim como deseja o PT.

Mantendo a discussão acesa, o PSDB colhe inclusive mais atenção da mídia, que tende a cobrir os desdobramentos para a escolha do candidato. Política tem dessas coisas e o timing talvez seja a mais importante delas.

A escolha do vice dependerá de uma conjuntura política que deve formar-se com a escolha do candidato. Acredito que uma chapa "puro-sangue" com Serra/Aécio, ou vice-versa, teria chances reais, entretanto, a tendência é que o vice saia de um dos partidos da aliança oposicionista.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Parceiro confiável?

O PT trabalha incansavelmente para trazer o PMDB ao seu lado na candidatura Dilma Roussef. Entretanto, é preciso avaliar o quanto vale a parceria do PMDB como companheiro de chapa.

Argumentos a favor não faltam. Maior tempo de televisão durante a campanha, presença em uma infinidade de municípios Brasil afora, sem contar os apoios dos caciques que direcionam votos em seus estados. Mas existem também fatores negativos que devem ser levados em conta.

O PMDB fará parte do próximo governo, não importa quem vença a disputa presidencial e seus caciques estão cientes disto. Tanto Serra quanto Dilma, ou até Ciro, precisarão compor com o partido para fazer maioria no Congresso.

O PMDB é um partdo muito grande e heterogêneo e aquilo que pode ser seu maior atrativo, pode também transformar-se em grande pesadelo em uma campanha. Levar o PMDB unido para uma disputa nacional é tarefa impossível. Se o PMDB compor com Dilma, vários caciques já anunciaram que romperão o acordo para apoiar o PSDB de Serra. Se a candidatura Dilma der sinais de desgaste já na largada ou pouco depois disso, corre o risco de ser "cristianizada" pelos novos companheiros, coisa que o PMDB sabe muito bem como fazer.

Em suma, em 2002 o PSDB apostou suas fichas na mesma composição que o PT tenta hoje. Deu no que deu. É hora de PT abrir o olho e avaliar muito bem a aliança que está para ser sacrementada, pois o PMDB sabe que com Dilma ou sem Dilma, em 2011 seu naco de poder já está garantido, seja quem for o vencedor da corrida ao Planalto. Existem outros fatores em jogo? Sem dúvida, mas tudo deve ser minuciosamente avaliado.

quinta-feira, outubro 15, 2009

A popularidade de Obama...e Hillary

Obama ganhou o Nobel da Paz, mas popular mesmo é Hillary. Enquanto Obama é festejado mundo afora, nos Estados Unidos não é a primeira vez que sua popularidade dá sérios sinais de desgaste.

O Gallup, em sua mais recente pesquisa, mostrou que Obama já despencou 22 pontos desde o auge de sua popularidade. Tem 53% de avaliação positiva. Outros institutos mostram Obama ainda em situação pior, como Rassmussen e Fox News, com respectivamente 48% e 49%. Mas na média, ele tem aprovação de 52,6% e desprovação de 40,8%.

Hillary, ao contrário, não apresenta o mesmo desgaste. Sua popularidade bate em 62% e ela já teve que desmentir que busque ainda chegar a Casa Branca.

Obama precisa abrir o olho. No próximo ano o Congresso será renovado e os republicanos estão atentos ao pouco resultado prático do governo, assim como a opinião pública.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Os novos sócios

A União Européia pretende ampliar suas fronteiras. Os candidatos já pré-aprovados são Croácia e Islândia. A primeira evidencia o avanço em direção aos Balcãs e a segunda no país que esteve no epicentro da crise financeira.

A Croácia se adiantou em relação a outros candidatos e efetuou as reformas necessárias para fazer parte do clube. Ainda existe trabalho a ser feito, contudo, no tocante a reforma judicial, combate a corrupção e ao crime organizado, muitos avanços foram alcançados.

Quanto a Islândia, que deve ser admitida junto com a Croácia, muito pouco precisa ser feito, a não ser a adequação de alguns parâmetros jurídicos ao sistema europeu.

A entrada da Croácia abre uma porta importante nos Balcãs. A Macedônia já abriu negociações para sua adesão, além da Albania e Montenegro já terem solicitado também seu ingresso. Esta expansão é um importante capítulo da União Européia e é vista com entusiasmo em Bruxelas.

Enquanto isso, a Turquia, que ainda sofre com a oposição clara de França e Alemanha, precisa avançar em muitos pontos antes de chegar lá. Por enquanto, somente Croácia e Islândia já tem presença quase garantida em Bruxelas em breve.

terça-feira, outubro 13, 2009

Cai o governo da Romênia

A democracia e especialmente o parlamentarismo tem dessas coisas. Dez meses depois de chegar ao poder, o Primeiro-Ministro conservador da Romênia terá que deixar o cargo.

A moção de censura que derrubou o governo de Emil Boc prosperou porque sua coalizão se rompeu. Foi ungido ao cargo em parceria com os social-democratas, que retiraram seu apoio ao governo, quando seu ministro do Interior foi demitido.

A vingança dos social-democratas veio de forma contundente no Parlamento (258 X 176), uma vez que a ruptura da coalizão deixou o governo de Boc em minoria.

Em Bucareste circula a tese de que a demissão do Ministro do Interior foi, na realidade, arquitetada pelo Presidente do país, Traian Basescu (do mesmo partido de Boc), com vistas a influenciar o processo eleitoral presidencial de 22 de novembro. Algo que estava nas mãos dos social-democratas, até então.

Agora Basescu deve indicar um novo Primeiro-Ministro. Caberá ao mesmo Parlamento que retirou Boc do cargo, aprovar a indicação. Uma coisa é certa, todos miram na eleição de novembro.

segunda-feira, outubro 12, 2009

O futuro da União Européia

Depois do "sim" irlandês ao Tratado de Lisboa, o Presidente Lech Kaczynski ratificou em Varsóvia o mais recente e importante documento europeu. Assim a Polônia cumpriu o que prometeu e valorizou seu passe no jogo político.

A cúpula da UE aproveitou a oportunidade para mostrar sua cara na cerimônia em Varsóvia. Os pesos pesados da política européia estiveram na Polônia para prestigiar a ratificacão, como José Manuel Barroso pela Comissão, Jerzy Buzek pelo Parlamento e primeiro-ministro sueco Fredrik Reinfeldt, Presidente rotativo do bloco. O Presidente polonês Lech Kaczynski, em seu discurso, foi além e disse que a União não pode descartar novas expansões "não só os Balcãs mas também países como a Geórgia". Uma luz vermelha deve ter acendido em Moscou naquele momento.

As atenções voltam-se agora para Praga. O presidente Vaclav Klaus é um opositor assumido do Tratado de Lisboa e precisa assinar o documento, que já foi ratificado pelo Parlamento tcheco. Ele diz que espera uma decisão da Corte Constitucional de seu país, contudo, sabe-se que ele exige a inclusão de uma cláusula no tratado para evitar que os alemães expulsos da antiga Tchecoslováquia, após a Segunda Guerra Mundial, peçam indenizações junto ao Tribunal Europeu de Justiça.

A UE, que já advertiu Klaus pela pressão, precisa resolver este assunto e mudar sua triste história recente de "oito anos perdidos, dois tratados inúteis, três rotundas negativas em plebiscitos nacionais, dez promessas quebradas de realizar referendos e a sensação crescente de ser ignorado pelos Estados Unidos e a China" como bem assinalou a The Economist na edição desta semana.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Nobel de Literatura histórico. Parabéns, Herta!

O Nobel de literatura para Herta Müller é um fato histórico. Ela foi uma escritora que lutou muito para que seu trabalho pudesse ser publicado. Sua luta na Romênia foi quase em vão, já que seus livros traziam uma visão crítica ao regime totalitário esquerdista de Nicolae Ceaucescu.

Os problemas enfrentados por Herta Müller não foram diferentes daqueles que lutaram contra os regimes de exceção socialistas ao redor do mundo. Foi demitida de vários trabalhos, como de tradutora em uma fábrica em Timisoara. Perseguida profissionalmente acabou deixando a Romênia em 1987 com seu marido para residir na Alemanha.

O trabalho de Herta é único pelas suas origens. Apesar de nascer em um país de raiz linguistica latina, a Romênia, sua família trazia uma origem alemã. Estudante de filologia alemã e romena, foi responsável por aproximar as duas culturas literárias.

Já recebeu vários prêmios, onde o Nobel surge como um elemento completar e mais importante. Ainda sofrendo a preseguição do socialismo de Ceaucescu foi distinguida internacionalmente com o Prêmio Aspekte. Em 1995 recebeu o prêmio europeu de literatura Aristeion e foi eleita para a Academia Alemã para Língua e Poesia. Em 1998 foi a vez de a Irlanda premiá-la com o IMPAC e depois com o Prêmio Franz Kafka. Em 2003 recebeu o Prêmio Joseph Breitbach de literatura alemã, seguido por aquele concedido pela Fundação Konrad Adenauer e, em 2006, com o Prêmio Würth de literatura européia.

Herta é uma dessas mulheres especiais, uma escritora memorável. Além de trabalhar pela aproximação entre as línguas de origem latinas e alemãs, possui uma literatura fascinante. Sua luta contra o socialismo e a favor da liberdade ecoa em seu trabalho, agora por todos os cantos do planeta.

Infelizmente ela possui somente um romance publicado no Brasil, "O compromisso" (Ed. Globo), que narra a história de uma operária da indústria têxtil perseguida pela polícia secreta romena. Literatura obrigatória para aqueles que, a despeito da história, ainda são seduzidos pelas idéias socialistas.

quinta-feira, outubro 08, 2009

Blair Presidente?

O esperado "sim" dos irlandeses quanto ao Tratado de Lisboa levantou uma questão importante. Faltando somente o aceite final da Polônia e República Tcheca, a pergunta que paira na União Européia neste momento é quem ocupará o novo e chamativo posto de Presidente da UE?

Tony Blair é um nome que frequenta todas as listas. Apesar de ser um nome forte, seu país, o Reino Unido, não é, digamos, grande entusiasta do concerto europeu. Os britânicos não fazem parte do acordo Schengen de livre-circulação de pessoas e preferiu manter sua libra esterlina e deixar a zona do Euro de lado. O país não é fundador da UE e entrou no clube bem mais tarde, em 1973. Por outro lado, se Blair assume o comando europeu, talvez isto propicie uma aproximação em Londres e Bruxelas.

Os dois sócios fundadores, Alemanha e França, podem apoiar Blair. Circula a tese de que Sarkozy inclusive já endossou o nome do ex-premiê. Merkel prefere a cautela, e dizem que ela pode apoiar Jan-Peter Balkenende, primeiro-ministro holandês, mas se o nome de Blair tiver muitos apoios e consistência, Berlim tende a confirmar seu nome. Ou seja, Blair precisa de boa estratégia política para vencer as resistências e novos concorrentes, como o ex-Primeiro-Ministro espanhol Felipe González, que já se movimenta nos bastidores.

Os Tories britânicos são aqueles que menos desejam que Blair assuma o posto. Virtuais vencedores das próximas eleições, David Cameron não deseja dividir holofotes com o líder trabalhista no plano internacional.

Como se vê, é um jogo delicado e um xadrez político que deve ser movimentado com extrema habilidade. Blair seria um bom nome. Com trânisto entre conservadores e esquerdistas, teria habilidade e densidade política para falar em nome da UE, além de possuir uma figura marcante o suficiente para representar os 27 sócios em qualquer foro internacional.

terça-feira, outubro 06, 2009

Giorgios Papandreou vence na Grécia

Na inversão da tendência política européia, os socialistas venceram na Grécia. O Movimento Socialista Pan-helénico (PASOK) conquistou 160 cadeiras no Parlamento, o que dará maioria absoluta ao novo gabinete.

O governo atual, do Nea Dimokratia, de Kóstas Karamanlís, já tinha uma estreira margem quando venceu as últimas eleições por diferença de apenas duas cadeiras. Desta vez mostrou desgaste, chegando apenas a 91 cadeiras.

O sociólogo Giorgios Papandreou, que é nascido nos Estados Unidos, traz uma nova formatação para o governo grego. As principais mudanças serão no âmbito da formatação do gabinete. Ele anunciou um novo cargo de vice Primeiro-Ministro que acomodará o antigo chefe da diplomacia grega, Teodoros Pangalos e o próprio Papandreou comandará também a pasta de Relações Exteriores, em acúmulo com a chefia de governo.

O novo executivo deve se submeter ao voto de confiança do novo Legislativo em duas semanas.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Yeda pode complicar PSDB

A pesquisa do Ibope mostra os apuros em que se meteu a governadora Yeda Crusius. Sua rejeição bateu em 60% e suas intenções de voto para reeleição patinam entre 4% e 5%.

Yeda cria agora um grande problema a ser solucionado pela cúpula nacional do PSDB, pois ela deseja concorrer a reeleição. Suas chances são nulas, dada a sua rejeição. Pior, pode contaminar a candidatura nacional do PSDB no Rio Grande do Sul. José Serra lidera nas sondagens, com 34%, mas seria extremamente inconveniente carregar o cadáver político de Yeda campanha adentro.

Enquanto isso, o PT segue na dianteira no Sul para o governo do Estado. Tarso Genro alcança 37%, seguido do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, com 28% e menor taxa de rejeição, 9%.

No Rio Grande do Sul, por enquanto, Serra bate Dilma e Ciro no cenário nacional e Tarso bate Fogaça e Rigotto em nível estadual. Caberá a Tarso turbinar os números de Dilma e a Serra a articulação certa para não ser atingido pela rejeição de Yeda.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Não houve golpe em Honduras

A mídia, de forma geral no Brasil, se refere ao governo "de facto" de Honduras como "golpista". Esta argumentação está permeada de avaliações ideológicas e não condiz com o que dispõe a Constituição hondurenha.

Não houve golpe em Honduras. A Constituição hondurenha balisou suas disposições exatamente com o objetivo de evitar governos golpistas, assim limitou o período presidencial, proibiu reeleições, inserindo estas disposições como cláusulas fundamentais. Assim, qualquer Presidente que avançasse sobre esses pontos, incorreria em crime e poderia ser afastado de imediato do desempenho de seu cargo.

Zelaya tentou avançar sobre a Constituição hondurenha. Propôs a mudança das disposições que mencionei aqui. O Poder Judiciário de pronto freou suas intenções. Entretanto, dando de ombros ao Judiciário, ele deu início a sua campanha para um plebiscito com o objetivo de se manter no cargo. Recebeu material de campanha da Venezuela, evidenciando o apoio de Chávez ao golpe que já estava em curso. As instituições mais uma vez tentaram frear Zelaya, e o Judiciário recolheu seu material de campanha. Assim, Zelaya trocou o comandante do Exército com o objetivo de enfrentar as instituições. Estas, cientes de que o pior estava por vir, fez funcionar os sistemas legais, constitucionais e democráticos da República e por incorrer em crime, Zelaya foi destituído do cargo pela Suprema Corte fazendo ser cumprida a Constituição que o próprio Zelaya prometeu cumprir e tentava violentar.

Assumiu o poder o próximo na linha sucessória, o Presidente do Poder Legislativo, Roberto Micheletti, que manteve a normalidade democrática e garantiu que o calendário eleitoral não mudava e as eleições de novembro estavam confirmadas. Foi investido Presidente dentro das regras constitucionais, como mostra a foto acima.

Destituído pelos meios legais, Zelaya acusa o governo constitucional de golpista e tenta voltar ao poder, agora instalado na Embaixada brasileira, que guarda dentro de seus muros um ex-Presidente deposto por tentativa de subverter a ordem constitucional. Existem mandados de prisão contra Zelaya. Se ele deixar a Embaixada brasileira será preso e terá que enfretar as leis que tentou violentar.

Honduras prova que não é uma "Repúbica de Bananas". Talvez esteja se mostrando exatamente um país maduro, onde as leis valem mais do que homens. Honduras, ao contrário de inúmeros países da América Latina, não foi seduzido pelo discurso fácil do populismo.

Como vemos, não houve golpe em Honduras.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Partidarização Diplomática

Celso Amorim, diplomata de carreira do Itamaraty, que ocupa atualmente o cargo de Ministro das Relações Exteriores, anunciou sua filiação ao PT. Infelizmente, mais uma vez uma tradição de nossa diplomacia foi quebrada, pois aquilo que já se supunha, a partidarização do Itamaraty, agora tomou contornos definidos.

A diplomacia de um País deve servir ao Estado, executando uma política de governo. Assim, os diplomatas possuem, tradicionalmente, uma posição de equidistância no que tange a ideologias ou políticas partidárias no exercício de suas funções. Constitui-se, ou deve constituir-se, em um corpo técnico de alta capacidade analítica da política internacional. Esta sempre foi nossa tradição, desde o Barão do Rio Branco.

Uma diplomacia séria não deveria deixar de lado diplomatas de carreira, de longa contribuição ao Brasil, por simples falta de sintonia ao modelo político-ideológico ditado pelo PT enquanto governo.

A lógica inverteu-se e hoje a diplomacia brasileira, outrora profissional e por isso festejada, apequenou-se em um círculo ideológico. A filiação de Celso Amorim ao PT é o exemplo mais lamentável disso tudo.

Roberto Freire, do PPS, pediu a exoneração de Amorim para "preservar a dignidade da diplomacia brasileira" pois "o diplomata brasileiro não é de um governo nem de um partido". Ele tem toda razão.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Vitória Socialista em Portugal

Portugal também foi as urnas no último final de semana. A vitória foi dos socialistas de José Sócrates, o atual Primeiro-Ministro.

A ala conservadora foi mais uma vez derrotada. O principal problema dentro do PSD até o momento foi não ter encontrado equilíbrio desde a saída de Durão Barroso, o que jogou o partido em profunda crise. Barroso, eleito em 2002, fazia um ótimo governo, mas renunciou em 2004, para assumir a chefia da Comissão Européia, deixando o comando em Lisboa nas mãos de Pedro Santana Lopes, que não durou quatro meses no cargo. Foram chamadas, então, eleições. José Sócrates venceu e segue no comando do país.

O PS, que somou 36,5%, perdeu sua maioria absoluta, entretanto. Formará governo com o Bloco de Esquerda e a CDU, que totalizaram, juntos, 54,2% dos votos, 127 deputados.

O bloco conservador seguirá buscando uma liderança forte, assim como uma identidade clara, que leve seus partidos de volta ao governo. O PSD ficou nos 29,1%, enquanto a CDS/PP alcançou apenas 10,5%. Terão 39,6% do Parlamento, ou seja, 99 deputados.

Resta saber os rumos que serão tomados pelo moderado José Sócrates, um antigo membro do PSD, e agora líder dos socialistas, já que o PS governará em minoria em coalizão com grupos mais de esquerda.

terça-feira, setembro 29, 2009

Mudanças em Berlim

Angela Merkel foi reeleita. Seu partido, a CDU, manteve sua média de votos. Mas tudo muda na Alemanha com o resultado das eleições.

Tudo muda porque agora desfaz-se a bizarra "Grande Coalizão" entre o consórcio democrata-cristão CDU/CSU e os socialistas do SPD. Durante os últimos quatro anos os dois principais partidos alemães conviveram no mesmo governo, sob o comando de Merkel, já que nenhum havia conseguido a maioria legislativa para formar um governo.

O recado das urnas deste domingo foi outro. O SPD, cada vez mais fraco, vem perdendo votos. Despencou de 34,2% em 2005, para 23% agora. Os dissidentes do SPD, no Die Linke, alcançaram 12,8% e seus aliados, Verdes, chegaram a 10,2%.

Do lado conservador, apesar do CDU/CSU ter mantido seu patamar de votos em torno de 34%, o diferencial ficou ao lado dos Liberais do FDP, que subiram de 9,8% para 14,7%. Agora, o CDU/CSU não precisará formar governo de coalizão com o SPD, podendo formar um governo com seus reais aliados do liberal FDP. Juntos, seus partidos agora formam maioria no Bundestag.

Merkel deve muito ao líder do FDP, Guido Westerwelle, que tende a chegar finalmente a Vice-Chancelaria. Se ela tinha a desculpa de não implementar sua agenda por completo em razão da coalizão com o SPD, agora tudo muda. Merkel terá maioria para levar a cabo toda sua agenda reformista. Aqueles que entregaram a vitória em suas mãos, o FDP, estará atento para que ela não vacile.

Merkel foi reeleita, mas tudo mudou em Berlim neste domingo.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Meirelles vem aí

Não é supresa que Henrique Meirelles almeja mesmo a Presidência da República. Este é o seu projeto desde que voltou ao Brasil. Entretanto, ele sabe que não será desta vez.

Quando retornou ao Brasil, em 2002, ingressou no PSDB e foi candidato a Deputado Federal por Goiás. Foi eleito. Convidado por Lula a assumir o Banco Central, renunciou a sua vaga no Congresso Nacional e deixou o PSDB. Como na questão monetária foi o PT que tornou-se tucano e não o inverso, Meirelles não abandonou suas convicções, e tocou o Banco Central no mesmo ritmo de austeridade dos governos FHC.

Assim, Meirelles abriu um interessante canal direto com a cúpula do PT e com Lula, sem deixar de lado sua boa relação com os líderes do DEM e seus antigos companheiros tucanos. Isso tudo aliado a sua competência técnica, torna Meirelles um importante coringa no jogo político.

Como era de se esperar, com o fim do governo Lula, Meirelles pensa em seu futuro político. O problema é que Goiás, seu território político natal é de uma complexidade política peculiar. Ele vinha conversando com o PP, do governador Alcides Rodrigues, sob os auspícios do DEM, liderado por Ronaldo Caiado. Quando tudo parecia alinhavado, Lula resolveu intervir e colocou o PMDB no tabuleiro pelo passe de Meirelles. Depois de uma conversa com Temer, o aval de Iris Rezende e um empurrão de Lula, concretizou-se a ida do Presidente do Banco Central para o bom e velho PMDB.

Como disse, Meirelles aspira a Presidência. Dizem que existe a possibilidade de composição de seu nome como vice de Dilma. Seria um enorme erro político. Se ele almeja postos mais altos, talvez seja o momento de pavimentar seu caminho. O PMDB pode ser esse caminho, mas também pode ser um obstáculo. O PMDB é o partido certo para alguém que equilibra-se entre situação e oposição, contudo, eivado de caciques pode se tornar também um obstáculo para chegar ao Planalto.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Netanyahu desmascara Ahmadinejad na ONU

Mahmoud Ahmadinejad mais uma vez despejou sua ira contra os judeus e o estado de Israel, ao negar novamente a ocorrência do Holocauso. Mais uma vez, acertadamente, várias pessoas deixaram a Assembléia em protesto aos seus desatinos.

Quando chegou a vez do discurso do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, este mostrou evidências claras do Holocausto, documentos nazistas onde estão contidos os planos de extermínio dos judeus, bem como dos campos de concentração. Como se provas desses bárbaros e notórios crimes fossem necessários. Mesmo assim, Netanyahu fez questão de mostrá-los.

Como se a diplomacia brasileira não fosse capaz de acertar pelo menos uma vez, articulou um encontro reservado entre Lula e Ahmadinejad ainda ontem. Por óbvio o Brasil e Lula foram motivo de duras críticas ao redor do mundo. Não pegou nada bem.
E quando perguntado sobre o caráter anti-semita do Presidente do Irã, Lula declarou: “Não sou obrigado a não gostar de alguém (Ahmadinejad) porque outros (judeus) não gostam". Lamentável. Sem comentários.

Já Netanyahu deixou uma mensagem muito importante para o mundo em seu discurso, que deve ser ouvida por todos: "Talvez vocês pensem que este homem (Ahmadinejad) e seu terrível regime representam apenas uma ameaça aos judeus. Se vocês pensam assim, estão terrivelmente enganados". O Primeiro-Ministro de Israel tem toda a razão.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Revés diplomático

Nossa diplomacia, outrora admirada e eficaz, e desde a ascensão de Lula ao Planalto, administrada sob um viés exclusivamente ideológico, levou nosso país a um lamentável posicionamento na eleição à Direção-Geral da Unesco. O resultado não poderia ser pior. Derrotado e isolado, como em outras instâncias internacionais, pouco a pouco nos parecemos mais com aqueles com os quais temos nos alinhado.

Infelizmente o caso Unesco não é uma exceção, mas a regra. Assim como em outros episódios, o Itamaraty preteriu brasileiros para se alinhar com aqueles governados por regimes de exceção ou pseudo-democracias. No caso Unesco, preferiu apoiar o candidato egípcio, Farouk Hosni, sabe-se lá com que pretexto, que defendeu nada menos que a queima de livros de Israel das bibliotecas do Egito. Ele concorria, vale lembrar, à Direção-Geral da agência da ONU para Educação e Cultura.

Felizmente Farouk Hosni foi derrotado e infelizmente, por apoiá-lo, o Brasil sai com uma péssima imagem desta eleição, pior do que aquela que possuía. Uma derrota para a postura ideológica reinante no Itamaraty, mas sobretudo com reflexos amplamente negativos para a figura do País no exterior.

Para o mundo, a eleição da embaixadora da Bulgária na França, Irina Bokova, ao invés de Farouk Hosni, é um alívio, já que EUA e Japão, cortariam verbas da Unesco caso ele fosse eleito, como lembrou o brasileiro Márcio Barbosa, vice-diretor-geral da entidade, que emendou: "O Brasil se sai muito mal porque se alia a países que praticam uma política que não imaginamos como uma democracia".

terça-feira, setembro 22, 2009

Ciro entra na disputa

A pesquisa Ibope era esperada para medir a força que Marina Silva tinha a apresentar de saída. Isto foi constatado. Ela parte de um patamar interessante e apesar de rejeição alta, possui instrumentos para neutralizar seus pontos fracos e seguir adiante.

Mas quem esperava que o nome do jogo nesta altura do campeonato seria Marina, enganou-se. O nome em evidência é Ciro Gomes, que apesar do temperamento forte, pode ter aprendido como chegar lá com chances de vitória. Com a exposição na TV, ele mostrou que possui força política mais consistente e eleitorado próprio, com direito a avançar mais algumas casas dentro do tabuleiro presidencial em pouco tempo. Sem Serra na disputa, Ciro chega a 25 pontos e assume a liderança na pesquisa.

A soma Marina + Ciro causou arrepios no Planalto. Sem um nome forte e consistente na disputa, o petismo deve estar refletindo. Dilma possui uma rejeição que pode invibializar sua candidatura. Perdeu terreno e mais uma vez mostra que seu teto de 20% iguala-se ao patamar de transferência de votos de Lula, ou seja, a Ministra até agora não mostrou musculatura própria. Muitos duvidam que tenha.

Dilma come poeira de Ciro em todos os cenários. Com os números mostrados será muito difícil convencê-lo a desistir em favor da Ministra.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Erro diplomático

O refúgio dado pelo Brasil ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, é um grave erro diplomático, permeado de ilegalidades.

O Brasil tem por tradição uma postura diplomática cautelosa e sempre elogiada no mundo da política externa. O rompimento desta tradição no atual governo coloca em xeque a imagem do Brasil e nossa identidade diplomática histórica.

Apesar das posturas pouco recomendáveis de apoio a governos de exceção e ditaduras ao redor do mundo desde que o Presidente Lula assumiu o Planalto, o Brasil não tem em seu currículo qualquer histórico de ingerência na política interna de outros países. Nossa Constituição, em seu artigo 4º, determina que nas relações internacionais o Brasil deve seguir os seguintes princípios: independência nacional, autodeterminação dos povos, não-intervenção e solução pacífica dos conflitos.

Portanto, a postura diplomática brasileira, neste caso, desrespeita a Constituição e a Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA). O acolhimento de Manuel Zelaya na Embaixada brasileira em Tegucigalpa, com aval presidencial, seria classificado como crime de responsabilidade em qualquer país sério e decente do mundo.

Um erro diplomático, cercado de ilegalidades. O Brasil envolveu-se em um problema que não é seu e colocou-se na condição de propulsor de um possível conflito civil em outro país. Nada mais longe daquilo que um dia sonhou o Barão do Rio Branco.

quinta-feira, setembro 17, 2009

UE à espera da Irlanda

As pesquisas mais recentes dizem que os irlandeses dirão "sim" ao Tratado de Lisboa, que desenha o futuro da União Européia. Entretanto, uma negativa dos irlandeses no referendo do dia 2 de outubro pode criar problemas para Bruxelas.

A Polônia, por exemplo, diz que espera a posição dos irlandeses para tomar a sua. Em Dublin, apesar da últimas pesquisas, ainda reina uma visível incerteza. O governo, que no momento goza de pouca popularidade, diz que será uma disputa apertada.

O Irish Times, por exemplo, fala em 46% de apoio ao Tratado, enquanto o Sunday Business Post fala de 62% a favor. As pesquisas não coincidem, e aliada ao baixo apoio do governo do Fianna Fáil em face da crise econômica e ao apoio deste ao Tratado, a dúvida quanto a decisão dos irlandeses persiste.

A tendência é de ratificação, mas não podemos esquecer que em 2008, quando tudo indicava uma vitória do "sim", os irlandeses disseram um rotundo "não" a Bruxelas. É esperar para ver que ventos soprarão de Dublin.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Barroso reeleito

Ele surgia como o José María Aznar de Portugal. Propôs reformas profundas nas arcaicas estruturas do Estado português. Reformas eram necessárias e Barroso estava disposto e realizá-las, assim como foram feitas pelo seu parceiro espanhol do Partido Popular.

Tudo corria bem em Lisboa até que um chamado de Bruxelas fez com que Barroso deixasse a chefia de governo e rumasse para liderar a Comissão Européia. O Primeiro-Ministro era um nome de consenso em 2004 e soube, de forma cautelosa e eficaz, construir linhas de diálogo nesses cinco anos, mesmo depois de parecer desgastado antes do recesso de verão europeu.

Houve uma tentativa de desgastar Barroso há alguns meses. Ele era o candidato do grupo majoritário, o Popular Europeu, além de ter a chancela dos 27 países do bloco. Entrou o verão em baixa, mas usou o período para exercitar sua desenvoltura política e chegou ao dia de hoje com o apoio de parte dos socialistas, em especial espanhóis e portugueses, estes últimos seus adversários locais. Somados ao seu grupo de apoio, foi suficiente para chegar a maioria absoluta com 382 votos.

Liderará um período crucial, com uma agenda cheia, em especial com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa. Barroso, reeleito, consolida-se como o grande nome de unidade da UE e mostra a força política do grupo Popular, que seguirá dando das cartas na política comunitária.

terça-feira, setembro 15, 2009

Hatoyama chegou lá

A eleição de Hatoyama é um marco na política japonesa, pois retira do poder o Partido Liberal Democrático, que governou o Japão desde sua fundação, em 1955.

A incógnita sobre o futuro do Japão reside nas mãos de Hatoyama. Eleito com o discurso de ruptura e mudança, no fundo Hatoyama sabe exatamente onde está pisando. Ele já foi do PLD no passado, já exerceu seis vezes o mandato parlamentar e sua família tem um logo histórico na política japonesa. Seu avô, Ichiro Hatoyama, foi Primeiro-Ministro e seu pai foi Ministro das Relações Exteriores.

A dúvida está nos rumos que Hatoyama e seu partido desejam dar ao Japão. A última experiência do Partido Democrático no poder, entre 1993 e 1994, foi um fracasso. Cabe ao novo gabinete sepultar os fantasmas do passado e fazer um governo digno dos votos recebidos.

O caminho que Hatoyama deve seguir começa pela esquerda, pois governará em coalizão com a Esquerda Social-Democrata e o "Novo Partido do Povo". Ou seja, sabemos de onde parte o novo governo, mas onde este chegará ainda é uma incógnita. Hatoyama chegou lá. Agora deve mostrar a que veio.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Kassab fora do jogo em São Paulo

Kassab tinha uma ambição. Mirava no Palácio dos Bandeirantes já nas próximas eleições. Serra, contudo, deixou claro ao prefeito que os projetos são outros.

Kassab, um dos mais importantes herdeiros políticos de Serra em São Paulo, deve terminar seu mandato e deixar Geraldo Alckmin assumir a disputa pelo governo do Estado. Kassab ainda se movimentou nos bastidores, mas a tendência é se confirmar a estratégia de Serra.

Se o atual governador paulista vencer as eleições presidenciais, certamente terá planos para Kassab quando este terminar seu mandato de prefeito.

O certo é que Serra, neste momento, dá as cartas na sucessão paulista, no tucanato e na aliança eleitoral que desenha-se com o DEM, que já declarou que Kassab não será candidato e fará aquilo que for melhor para o Governador paulista. Serra, cada vez mais, consolida-se como a opção natural da aliança na disputa presidencial.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Trabalho para Merkel

A eleição mais esperada do ano ainda está por vir. É na Alemanha. Chega ao fim a legislatura em que Merkel, do consórcio CDU/CSU, liderou um governo de coalizão com os socialistas do SPD. Agora os dois blocos seguem para o confronto eleitoral direto.

Se tomarmos como exemplo as eleições européias do meio do ano, a vantagem de Merkel é incontestável. O bloco do CDU/CSU angariou nada menos que 37,9% dos votos e seus parceiros liberais do FDP chegaram a incríveis 11%, mais do que o dobro conseguido pelo partido no último pleito. Se CDU/CSU e FDP construírem uma vitória por maioria absoluta, a Alemanha, por fim, chegará a um governo liberal-conservador pleno, sendo desnecessária a bizarra coalizão atual com o SPD.

A única chance de um gabinete totalmente socialista está em torcer por um resultado que deixe em vantagem os Verdes, o novo partido intitulado "A Esquerda" e o próprio SPD, em uma coalizão.

A incógnita está no comparecimento dos eleitores, que não mostram-se muito empolgados com a campanha, o que abre uma pequena vantagem para os socialistas. Do outro lado, os democrata-cristãos apostam na alta popularidade de Merkel e nos musculos políticos evidenciados na eleição européia pelos liberais e seu líder, Guido Westerwelle, que deseja muito o cargo de Vice-Chanceler em um novo governo Merkel.

Por enquanto, as pesquisas dão pequena vantagem ao grupo liderado pela atual Chanceler, entretanto não o necessário para evitar uma surpresa desagradável para ambos lados, que poderia renovar por mais quatro anos a bizarra aliança com o SPD. Uma tarefa que talvez somente Merkel possa reverter.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Os Kirchner querem calar o Clarín

Percebemos que um governo perde as rédeas da situação quando começa a intimidar a imprensa. Foi o que fez Cristina Kirchner na Argentina.

Um batalhão de 180 a 200 inspetores da Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip) fez uma devassa no grupo composto pelos jornais Clarín, Olé e La Razón, que não comungam das mesmas idéias dos Kirchner e fazem uma cobertura independente da política argentina, sem afagos e benesses da Casa Rosada.

Foi uma violência. Uma invasão para a realização de uma devessa fiscal como forma de intimidar, na imprensa, quem não é benevolente com o governo. Um absurdo em uma democracia.

A violência do Estado argentino contra a imprensa seguiu em outras empresas do grupo. Jornalistas relataram que nunca viram tamanha intimidação, nem no período de exceção.

Os Kirchner, que não conseguem vencer nas urnas, agora querem calar a imprensa.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Obama na sala de aula

Obama gerou polêmica no início do ano escolar nos Estados Unidos. Sua idéia era fazer um discurso para os alunos em seu primeiro dia de aula. A repercussão negativa se espalhou, especialmente em um país como os Estados Unidos, que não é dado a esse tipo de coisa.

Assim sendo, a Casa Branca divulgou previamente o teor do discurso para que os pais pudessem decidir se mandariam ou não seus filhos para escola no dia que seria transmitida as palavras do Presidente. Houve manifestações em frente a muitas escolas por toda a América e muitos pais realmente deixaram seus filhos em casa, afinal de contas, nenhum aluno é obrigado a ouvir Obama.

A transmissão não foi obrigatória e o discurso foi ameno e tranquilo, evitou polêmicas e soou bem aos ouvidos, inclusive de alguns republicanos. Mas nada que afaste o ato em si, repudiado por muitos que buscam preservar o senso de liberdade e democracia no País.

Passada a polêmica, agora Obama fala para gente grande. Quer aprovar a reforma do sistema de saúde custe o que custar. Será que consegue? Além de amaciar os republicanos, terá que convencer uma importante parte de sua base democrata.

terça-feira, setembro 08, 2009

A pesquisa CNT/Sensus

A mais recente pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça, mostra que Serra segue líder absoluto em todos cenários. Faltou, entretanto, uma simulação, talvez a mais importante, que conta com todos os nomes que tendem a disputar a Presidência no próximo ano.

Sem Dilma, e com Ciro em seu lugar, Marina traz um nocaute para o governo. Tira 40% dos votos de Ciro, que cai de 14,3% para 8,7% e assume o segundo lugar, com 17,4%. Heloísa Helena teria 10,7% e Serra 40,5%. Mas como disse, não é este cenário que deve se confirmar. Por exemplo, Heloísa Helena não abrirá mão da vaga praticamente certa no Senado, onde tem mais exposição, e tende a deixar a disputa presidencial de lado.

O cenário mais provável e não testado teria que mostrar Serra, Dilma, Ciro e Marina.

O fato mais importante da pesquisa foi o desgaste de Dima, já presente nos números. Ela caiu em todos os cenários, o que mostra real desgaste da candidata. Ela, até o momento, não conseguiu estourar consistemente a barreira dos 20%, que seriam as intenções de voto espontâneas de Lula, e o voto que conta-se como diretamente transferível pelo Presidente. Ela precisa de musculatura própria para estourar esta barreira, mas não tem conseguido. O episódio Lina Vieira, por exemplo, afetou sua imagem.

Apenas uma nota sobre o cenário onde aparece Palocci. Sem qualquer exposição ou aval de Lula, ele chega a 8,5%. Se ele fosse o candidato de Lula, certamente já teria ultrapassado a barreira dos 20%, pois vemos pelos números que ele realmente acumula popularidade e musculatura política própria, coisa que Dilma ainda desconhece.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Piñera na frente no Chile

A eleição presidencial é só no final do ano, mas o quadro político chileno começa a tomar contornos mais definidos. Tudo indica que depois de governar o Chile desde a saída de Pinochet, o consórcio político de esquerda "Concertación" pode não vencer as eleições.

O El Mercurio divulgou mais uma pesquisa e Sebastián Piñera permanece em um sólido primeiro lugar, com 37% das intenções de voto. O ex-Presidente Eduardo Frei aparece com 17% e a novidade desta eleicão, que retira a polarização entre Alianza por Chile e Concertación, Enriquez-Ominami, surge também com 17%.

O maior risco de Piñera é o segundo turno. Em 1999, Lavín, da UDI, perdeu por apenas 200.000 votos para Ricardo Lagos, da Concertación. Piñera, que perdeu também um segundo turno, em 2005 contra Bachelet, tomou as precauções devidas desta vez, acomodando aliados de seu partido, Renovación Nacional e a UDI. Para vencer, sua coalizão, Alianza por Chile, não pode estar rachada e deve unir forças de todas as correntes.

A direita chilena, um dos raros grupos conservadores sobreviventes na América do Sul, tem amadurecido eleitoralmente e tudo indica que desta vez as chances são grandes e reais.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Ciro candidato?

Pelo jeito vai fazendo água os planos de Lula transformar a eleição presidencial de 2010 em uma disputa plebiscitária, do estilo, Dilma versus Serra.

O tom do programa eleitoral do PSB mostrou que Ciro está na briga e almeja muito mais do que o governo paulista. Ciro mira na cadeira de Lula. O problema é o de sempre. Se Ciro fosse eleito, as chances de Lula volta seriam mínimas. Assim, ele tenta jogar Ciro para fora da disputa.

No cenário apresentado por Ciro, no estilo herdeiro de Lula e capaz de promover os ajustes necessários para seguir adiante, tudo leva a crer que Dilma levará fogo-amigo se ele for candidato e dividirá votos. Ciro não entra em disputa para brincar.

Soma-se a tudo isso a candidatura de Marina Silva e aí sim a intenção de Lula realmente começa a ir por terra. Serra, Dilma, Ciro e Marina. É tudo que Lula menos queria.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O tropeço político de Uribe

Uribe faz um belo governo na Colômbia. Avança sobre as Farc e suas ações terroristas sem concessões ou negociações como aquelas já realizadas pelos antecessores. Suas ações trouxeram maior tranquilidade para os negócios e a vida cotidiana. A economia respondeu, crescendo forte e saudável nos últimos anos.

Quando seu primeiro mandato chegava ao fim, a Constituição foi modificada para que Uribe pudesse concorrer a reeleição. Foi reeleito com facilidade. Agora que o segundo termo chega aos derradeiros meses, sua base de apoio aprovou um referendo que autoriza Uribe a buscar um novo mandato como Presidente.

Uribe é um governante único na América do Sul. Responsável, sério e dedicado, representa a antítese do populismo que eclode por diversos países da região. Ao autorizar sua base de apoio a buscar um novo mandato, comete um tropeço político-institucional.

O pecado político de Uribe foi não ter formado um partido forte e coeso que representasse as idéias que defende e assim, aos poucos, deixar que o partido defendesse suas bandeiras políticas ideológicas. A falta deste elemento faz com que o próprio Uribe materialize essas bandeiras, tornando aquilo que seria um projeto partidário em um projeto político guiado por um líder.

Uribe é um governante exemplar, entretanto, faltou-lhe o toque político como forma de trazer estabilidade institucional-partidária a Colômbia. Espero que ainda seja tempo. Pelo visto ele terá um terceiro termo se deseja tentar seguir este caminho.

terça-feira, setembro 01, 2009

Pré-Campanha

Atrás do Pré-Sal esconde-se a candidatura de Dilma. Toda a cena por trás do anúncio do marco regulatório já faz parte da campanha de Dilma. O discurso de Lula em pleno ataque a Era FHC já faz parte da candidatura Dilma.

Ou seja, apesar de a discussão ser necessária, a festa em torno do Pré-Sal, de forma ufanista (e seria diferente?), chamado por Lula de "a nova independência do Brasil" é apenas um pano de fundo para a propagar sua candidata por aí.

Agora a discussão vai para o Congresso e discussão do tempo de tramitação apenas deixa o tema por mais tempo em evidência, assim como o nome da ministra da Casa Civil.

O tema foi posto em timing perfeito, ou seja, em tempo para estar fresco para a campanha presidencial de 2010. O tom de Lula no lançamento do marco regulatório, em ataques desmedidos ao governo tucano mostra que Lula sabe o que está fazendo: não é Pré-Sal, é Pré-Campanha mesmo.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Palocci entra no jogo

Era uma inocência anunciada. Há muito já se falava que o STF não acataria a denúncia do MP contra Antônio Palocci. Foi o que aconteceu, apesar do placar apertado.

Politicamente, Palocci é o melhor nome para disputar a Presidência da República pelo PT. Não tenho dúvida do seu potencial eleitoral, de sua habilidade política, seu bom trânsito no empresariado e boa aceitação de nome pela classe média em uma campanha. Entretanto, seu ponto fraco reside em suas qualidades. Explico.

Palocci, se eleito, teria habilidade para conduzir quatro anos de mandato que chancelariam seu nome naturalmente para uma reeleição em 2014. Lula busca um nome que não crie sombra para sua volta em quatro anos. Palocci certamente criaria. Lula precisa de um nome fraco, que seja eleito no calor de sua popularidade, e que não impeça sua tentativa de volta. O nome certo para sua estratégia é Dilma.

E como Lula passa longe de ser um estadista, coloca sua vontade pessoal acima do projeto do partido. Sobre isto o PT deve refletir.

Palocci aguarda os desdobramentos. Depois de superado o episódio do caseiro com o chancela do STF, Palocci entrou no jogo e, acreditem, tem musculatura para disputar a Presidência.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Suplicy e o marketing

O senador Eduardo Suplicy não foi feliz em seu pronunciamento. Veio a público depois de encerrada a partida e apresentou literalmente um cartão vermelho ao presidente José Sarney. Chegou a causar risos entre os presentes.

A atitude de Suplicy foi classificada como marketing puro e falta de sinceridade pelo senador Heráclito Fortes. Ao contrário do que ouvi e vi pela mídia, Heráclito não defendeu Sarney, ao contrário, foi ao microfone cobrar coerência de Suplicy ao perguntar:

- É muito simples, contra fatos não há argumentos. V. Exª (senador Suplicy) não assinou o recurso que o Senador José Nery assinou! Por que V. Exª não assinou o recurso, se é tão sincero esse seu sentimento de agora? Por que V. Exª não assinou, para ter legitimidade de estar dizendo aqui hoje o que está dizendo?

Suplicy tentou se explicar. Perdeu a calma. Realmente contra os fatos não há argumentos. Se desejava mesmo agir contra o arquivamento das denúncias contra Sarney, Suplicy deveria ter assinado o recurso. Não assinou. Preferiu ir para a tribuna vociferar contra o Presidente do Senado. Uma clara peça de marketing.

E Heráclito continuou: "Cartão vermelho para o Lula, porque foi quem invadiu o campo aqui, foi quem invadiu as dependências do Senado. Cartão vermelho para o Presidente Lula, que deu cartão amarelo para o Líder do seu Partido, o Senador Mercadante. V. Exª não tem coragem de dar cartão vermelho a Lula. Por que não dá o cartão vermelho aí, para o País todo ver? Porque o responsável disso tudo, quem foi? Seja sincero. Quem foi o responsável por isso tudo?".

Suplicy obedeceu a disciplina partidária. Que não venha agora posar de ético quando houve a possibilidade de colocar sua assinatura no recurso contra Sarney e não o fez.

Realmente contra os fatos não há argumentos.

terça-feira, agosto 25, 2009

Bernanke reconduzido por Obama

Para quem espearava mudanças radicais, Obama, por vezes opera surpresas. Depois de manter Robert Gates no Departamento de Defesa, agora chegou a recondução da política monetária com a indicação de Ben Bernanke. Indicado primeramente por republicanos, terá um novo mandato de quatro anos à frente do Banco Central americano, o Federal Reserve (Fed). É mais um nome trazido por Bush que brilha na constelação da administração do democrata.

Talvez Bernanke não fosse a primeira opção de Obama, mas dentro das circustâncias atuais, não convém realizar experimentações. Bernanke foi testado na crise atual e o anúncio de sua recondução seis meses antes do término do seu mandato sinaliza que Obama mira na estabilidade das políticas e diretrizes monetárias para vencer a crise.

Bernanke é criticado pela ala mais esquerdista do Partido Democrata, que o considera conservador, e pela ala conservadora do Partido Republicano que o considera um interventor. Mas no meio termo tem o apoio de republicanos e democratas que garantem uma tranquila recondução quando seu nome chegar ao Congresso.

Vamos torcer para que os ventos de um Banco Central independente soprem por aqui e assim como Bernanke, um Presidente de Banco Central brasileiro tenha um mandato fixo, deixando a política monetária a cargo de técnicos, longe da ingerência política. Agora, Bernanke terá sólidos quatros anos pela frente para trabalhar, sem pressões ou ingerências da Casa Branca.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Limpeza na Receita

O episódio Dilma/Lina continua a render manchetes. Nesta segunda o governo resolveu exonerar dois assessores ligados à ex-secretária Lina Maria Vieira. Seus nomes: Alberto Amadei Neto e Iraneth Maria Dias Weiler. Ele era seu assessor, ela, chefe de gabinete.

Em resposta ao cerco criado pelo governo, cinco superintendentes regionais, coordenadores, além do subsecretário de Fiscalização, Henrique Jorge Freitas da Silva colocaram seus cargos à disposição em protesto. Reação ao aparelhamento do Estado. Merecem aplausos.

O problema aqui é político. Lina Vieira foi retirada da Receita por questões políticas, assim como os dois funcionários exonerados nesta segunda-feira. Resta saber se um dia receberão polpudas indenizações por suas carreiras terem sido prejudicadas por não se alinhar ao lado daqueles que controlam a máquina pública.

Perseguição política, alguns podem pensar. Outros tem certeza.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Revogação da renúncia irrevogável

Depois de conversar com Lula, Mercadante cedeu. Era de se esperar. Dizem que o Presidente tem o dom do bom argumento "ao pé do ouvido". Mercadante disse aos petistas que fica.

Fica, mas enfraquecido, e o Senado certo de que Mercadante não comanda a bancada que lidera. O caso Sarney expôs que quem realmente manda no PT é Lula e Mercadante será mero instrumento de realização dos desejos emanados do Planalto. Foi enquadrado e seguirá enquadrado.

Ficou ruim para o Senador. Revogar a renúncia irrevogável pegou mal. Mesmo que seja para manter a legenda petista para concorrer em 2010, Mercadante desgastou-se desnecessariamente com seu eleitorado paulista.

Quem conhece o PT sabe como as coisas funcionam e Mercandante ousou virar-se contra a lógica partidária que comanda o grupo do qual faz parte, ou seja, obediência ou porta da rua. Mercadante preferiu seguir sendo petista.

quinta-feira, agosto 20, 2009

PT salva Sarney

Já se imaginava o que ocorreria no Conselho de Ética. O PMDB, liderado por Renan, articulou o salvamento de José Sarney. A oposição faria seu papel, apesar de alguns senadores do DEM terem afinidades com o acusado e terem balançado nas horas finais. Mas a estratégia de defesa estava bem costurada, especialmente com a representação contra Arthur Virgílio. Com o oposição de um lado, em cálculo preciso, e a tropa governista de outro, o fiel da balança seria o PT. E foi.

Lula chamou seu pessoal para uma conversa antes da reunião. Enquadrou os senadores do seu partido como era esperado. Mercadante, que se opôs a manobra de Lula, acabou deixando a liderança do partido, porque afinal de contas, não comandava a bancada. Lula exerceu o papel de líder do partido no Senado. Ordenou o voto pró-Sarney. Os senadores acataram.

O desconforto é grande entre alguns nomes do PT, como Flavio Arns. Os senadores Ideli e Delcídio procuraram ainda ser substituídos na última hora, não porque se opunham ao comando do Planalto, mas porque temem a retaliação em seus redutos eleitorais - ambos são candidatos em 2010. Nada feito. Teriam que ir para o "sacrifício". E foram.

Ao fim e ao cabo, saíram do PT os votos decisivos para manter na gaveta as 11 ações contra Sarney. Os petistas votam ao lado daqueles que um dia foram seus desafetos, mas que hoje são seus soldados na defesa do governo Lula, como Gim Argelo, Wellington Salgado, Gilvam Borges, entre outros.

Depois de tudo, Sarney disse acreditar que tudo se normalizará a partir de agora. Será mesmo? Ainda acredito haver enorme interesse do governo em manter Sarney pressionado. Bate e assopra. Ontem foi o dia de assoprar.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Mercadante perde a linha

Lina Vieira já tinha exposto aquilo que desejava. A tropa de choque governista achou que os danos não eram lá tão graves e já batia em retirada. Neste momento entrou em cena Ideli Salvati despejando sua ira. Prevendo o desastre, Renan tentou alcamá-la, sem sucesso. A senadora jogou fogo em uma discussão que já estava morna, chamando Lina Vieira de mentirosa. Foi muito amadorismo. A partir daí, sentindo-se acuada, Lina subiu o tom.

Como se não fosse o bastante, Mercadante resolveu dar o ar de sua graça e partir para o ataque. Depois de ser agressivo com a depoente, envolveu-se desnecessariamente em uma polêmica com José Serra, que nem em Brasília estava. Tasso Jereissati chegou a dizer que o problema de Mercadante com Serra era freudiano. Pode ser. Tasso disse que Dilma mentiu em seu currículo - o que realmente ocorreu. Em ato contínuo Mercadante atacou Serra, acusando-o de faltar com a verdade no mesmo quesito, quando na verdade o senador petista é quem tinha telhado de vidro: mentiu em seu currículo na corrida ao Palácio dos Bandeirantes (que perdeu para Serra), dizendo-se Doutor pela Unicamp. Não era.

De São Paulo, Serra, envolvido de graça na polêmica, devolveu a grosseria. Chamou Mercadante de mitônomo (viciado em mentir), e concluiu: "Eu acho que é um caso de psicanálise, não de política".

Mercadante, de maneira infantil, acirrou os ânimos na CCJ, gerou atrito com os tucanos, antecipou o debate eleitoral e jogou os holofotes da mídia em José Serra. Péssimo para o PT. O senador paulista mais uma vez perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Com Mecadante na linha de frente, o Planalto não precisa de inimigos.

terça-feira, agosto 18, 2009

Alguém Mentiu

A oposição esperava munição contra o governo. A tropa de choque governista estava pronta para a intimidação. Lina Vieira esteve na CCJ do Senado esta terça-feira e reafirmou aquilo que havia falado aos jornais, ou seja, Dilma Rousseff teria pedido para "agilizar" a fiscalização do filho de Sarney na Receita Federal.

Para a oposição o mais importante foi a confirmação de que sim, ela esteve com a ministra Dilma. Como a Ministra da Casa Civil nega tal encontro, alguém está mentindo. Se confirmada a mentira, em um país sério, Dilma teria que sair que cena. No Brasil, dorme na Câmara dos Deputados um pedido do deputado Ronaldo Caiado para liberação das imagens de segurança do Planalto que mostram com quem está a verdade.

Para o governo, o mais importante foi Lina Vieira dizer que não sentiu-se pressionada. Tudo bem, mas se não sentiu-se pressionada, tal encontro existiu, e neste caso, a Ministra Dilma faltou com a verdade quando negou o encontro.

Além disso, acredito que por "agilizar" a fiscalização do filho de Sarney, entende-se prejudicá-lo, ao contrário do que foi entendido. Sou partidário da tese de que o governo é quem realmente joga e trama contra Sarney nos bastidores.

Mas bom mesmo seria ver a acareação entre Dilma e Lina. Esta última já topou, resta saber o que fará o Planalto. Para evitar a ida de Dilma, o governo precisa do PMDB e o PMDB precisa dos votos do governo para manter Sarney na Presidência. Já sabemos o final dessa história.

Voltando a Lina e Dilma. Alguém mentiu. Entretanto só uma delas tem histórico neste quesito.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Quase ex-Petista

Marina Silva anda desgostosa com o PT. No Ministério do Meio Ambiente pouco pode fazer. Seus seguidos embates com a antiga ocupante da pasta das Minas e Energia, Dilma Rousseff, tiraram sua empolgação com o governo Lula. Seu desafeto virou a toda poderosa da República, e agora, candidata ao Planalto.

Marina esperava um governo legitimamente de esquerda quando assumiu sua pasta. No poder, Lula juntou o clientelismo da década de 80 com a pragmatismo servil do Bolsa Família. Nada de idéias novas, apenas práticas antigas. Sobrou pragmatismo ao petismo Lulista ou esquerdismo ao petismo de Lula?

Bem, de qualquer forma, se Marina encarar o jogo a sucessão, pode trazer dor de cabeça exatamente para seu desafeto, Dilma.

Marina pode entrar para o PV, mas também possui as portas abertas do Psol de Heloísa Helena, que precisa reforçar o partido, mas quer mesmo é voltar ao cenário nacional pelas mãos do Senado.

O certo é que Marina, deixando o PT para trás, tem agenda, carisma e empatia para trazer problemas ao seu quase ex-partido. Se entrar para o jogo, desequilibra a partida.

terça-feira, agosto 11, 2009

Hillary irritada

A secretária de Estado, Hillary Clinton, perdeu a esportiva durante uma entrevista na República Democrática do Congo.

Foi questionada sobre a posição de Bill Clinton em relação a um acordo entre aquele país e a China. A perguntou foi diretamente naquilo que mais incomoda Hillary, a sombra do ex-presidente Bill Clinton em sua carreira política.

Hillary respodeu, objetivamente: "Meu marido não é secretário de Estado, eu sou. Se você quer saber a minha opinião, te responderei minha opinião, mas eu não serei um canal para o meu marido".

O vídeo passou a circular freneticamente por aí. Tá certo. Bill Clinton é muito articulado politicamente e sabe como ninguém ocupar espaços e seduzir os interlocutores. Apesar de ser muito hábil, Hillary carece de um dos mais importantes atributos de Clinton, o charme pessoal, daí ser facilmente confundida como um canal ao marido.

Talvez esta pequena diferença tenha sido a maior responsável pela derrota de Hillary nas primárias. Obama, assim como Bill Clinton, nasceu com o dom que falta a Secretária de Estado.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Chapa Puro-Sangue

José Serra e Aécio Neves estão juntos aqui no Rio de Janeiro na abertura do 16º Congresso Nacional do PPS, no hotel Guanabara. Certamente o PPS caminhará ao lado do PSDB na sucessão, assim como o DEM. Entretanto, aqui e ali sempre surgem comentários sobre a formação da chapa de oposição em 2010.

Serra possui mais força dentro do partido e tem tudo para levar a indicação, mas quem ocuparia o cargo de vice? O caminho natural é buscar um vice dentro dos partidos aliados, mas não deve-se desconsiderar a possibilidade de Aécio Neves ocupar este posto.

O caminho de uma eleição presidencial passa por Minas Gerais, sempre defendi isso. O trabalho torna-se muito mais difícil sem uma passagem obrigatória por Belo Horizonte. Aécio Neves já está no segundo mandato e possui uma administração com aprovação recorde. Seu nome impulsiona e traz para a candidatura onde desembarcar o valioso peso das Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do Brasil.

Serra vem de São Paulo, berço do tucanato, com aprovação recorde, conta com a força de Kassab (cria do próprio Serra) na capital e um candidato para continuidade de seu projeto, Geraldo Alckmin, que oscila entre 53% e 63% das intenções de voto. O desespero de Lula é tamanho com São Paulo que escalou Ciro Gomes como candidato, com o claro objetivo de dividir votos e dar a chance de praticar seu esporte preferido: bater nos tucanos.

Contudo, com Serra e Aécio juntos, o grupo liderado pelos tucanos sai com larga vantagem em São Paulo e Minas Gerais, as duas maiores jóias da coroa de uma campanha presidencial.

Nada de procurar um vice no Nordeste. Acredito que a chapa de oposição deve calcar fortemente seus esforços nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Nordeste, refém do bolsa-família e do assistencialismo do governo do PT, com ou sem campanha forte, deve desgarregar caminhões de votos no candidato ou candidata do Lulismo. No Norte e Nordeste pode-se apanas contar com os palanques regionais.

Ainda lembro da campanha de 2006, Alckmin (com vice de Pernambuco) rumo a Manaus no segundo turno para fazer campanha, onde Lula alcançou 80% dos votos, enquanto esquecia dos estados do Sul, onde além de não ganhar, perdeu votos que havia recebido no primeiro turno.

Se bem articulada com os aliados, e calcada em palaques regionais consistentes, Serra e Aécio podem largar com uma valiosa vantagem na mão. Com a estratégia política certa, podem ser uma chapa com clara e consistente chance de vitória em 2010. Lembro: com movimentos políticos corretos, as chances da Oposição são maiores do que se imagina.

quinta-feira, agosto 06, 2009

O Contra-Ataque

Não demorou muito para a tropa de choque pró-Sarney colocar sua estratégia em curso. Renan Calheiros assumiu a frente do grupo e apresentou representação contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio, que é um dos mais ferrenhos críticos do presidente Lula e desde o início tem defendido a saída de Sarney.

A estratégia visa intimidar a oposição a Sarney atacando seu mais ferrenho líder de forma calculada. Vale lembrar que o grupo pró-Sarney mantém o controle do Conselho de Ética - e agora ameaça Virgílio com a cassação de mandato.

O clima de confronto foi instalado. Renan e Tasso Jereissati trocaram acusações que chegaram ao limite da quebra de decoro.

Depois de tudo, o politicamente correto Cristóvam Buarque leu um manifesto dos líderes do PDT, PSDB, PSOL e DEM pedindo o afastamento de Sarney.

Aloízio Mercadante, líder do PT, e Antônio Carlos Valladares, líder do PSB, não assinaram a carta. Mantém distância regulamentar. Jogam, como já disse, nos dois times.

Assim, enquanto PSDB e PMDB trocam farpas e acusações, o governo assiste de camarote o desgaste da oposição e dos aliados indesejados de ocasião. Nada mais saboroso para o Planalto.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Clinton na Coréia do Norte

Esses aí nas fotos são o ex-presidente Bill Clinton e o ditador Kim Jong Il, da Coréia do Norte.

Clinton fez o que foi chamado de "uma visita privada" a Pyongyang, acompanhado de seu antigo Chefe de Gabinete, John Podesta. O objetivo era a libertação de duas americanas, jornalistas, Euna Lee and Laura Ling, presas políticas do regime comunista da Coréia do Norte quando trabalhavam na fronteira com a China.

A Casa Branca negou qualquer idéia de que Clinton estivesse agindo como emissário de Washington, mas sabe-se que Podesta dirige o Centre for American Progress, think tank ligado a administração Obama. Além disso, a Coréia do Norte sugeriu o oposto, além de nas fotos vermos negociadores do país asiático ao lado de Bill Clinton.

Na verdade, tudo indica que Clinton fez uma viagem diplomática, de traços previamente acertados, como o repatriamento das americanas, e fotos programadas. Ficou bom também para o ditador coreano, que mostrou ao mundo que ainda dirige o país, e internamente com o discurso oficial de que um estadista recebeu o ex-presidente dos Estados Unidos.

Todos ficaram bem na foto. Mas se Bill Clinton levou alguma mensagem de Obama, fica a pergunta: dá para confiar em Kim Jong Il?

terça-feira, agosto 04, 2009

Collor reage

Com o Senado de volta, o senador Pedro Simon foi responsável por colocar fogo no plenário. Foi a tribuna e exigiu a renúncia de Sarney, como um "gesto de grandeza".

Sarney, que havia presidido o início da sessão e já havia se retirado, foi defendido por Renan Calheiros. A discussão entre ambos foi acalorada e Simon mirou na honra de Renan, acusando-o de ter traído o presidente Fernando Collor. Erro de cálculo político do senador gaúcho.

Neste momento o presidente Collor entrou no plenário para defender-se, afinal de contas, seu nome havia sido citado. Passou um corretivo em Simon, daqueles memoráveis ("parlapatão que é", segundo Collor), de forma enfática, veemente: "Peço encarecidamente, que por favor, antes de citar o meu nome desta tribuna, vossa excelência engula, digira e faça dela o uso que julgar conveniente".

Collor passou então a defesa de Sarney, relembrando os terríveis momentos que passou acoado pela mídia: "Esta Casa não pode e não haverá de se agachar aquilo que a mídia ou certa parte da mídia deseja. (...) Eu sei o que é isto, porque por isto eu passei, em muito maior escala. Eu sei como essas coisas funcionam, eu sei como tudo isso é feito, como tudo isso é forjado, eu sei como tudo isso nasce, como tudo isso desabrocha e a quem tudo isso interessa".

Acima de defender Sarney, Collor defendia o Senado, o que poucos entenderam. O Senado, em sua opinião, não pode cair de joelhos, e aquele escolhido pelos senadores, deve cumprir integralmente seu mandato. Collor, em outras palavras, está disposto a não deixar acontecer com o Senado aquilo que fizeram com sua Presidência. Memorável.

domingo, agosto 02, 2009

Bolsa Paraguai

O Brasil não sabe lidar com seus vizinhos. O viés ideológico mais uma vez cegou a política externa brasileira, cada vez mais pautada por uma visão partidária dos governantes brasileiros com os grupos políticos de esquerda aliados ao PT em diferentes países da América Latina, o propolado Foro de São Paulo.

Argentina, Bolívia, Equador, Venezuela, só para ficar entre os vizinhos, são os exemplos mais claros da ingênua política externa brasileira que acredita que nosso país possa trocar beneplácito financeiro por simpatia e servidão na política externa. Vale lembrar que nenhum ato de benevolência com nossos vizinhos resultou em benefícios para o Brasil até o momento. Eles não estão nem aí para o Brasil.

Já disse, no início de um governo Lula, que a diplomacia brasileira trilhava o lamentável caminho de um imperialismo tupiniquim que apenas enfraquece o papel do Brasil no exterior. Acreditar que os países estrangeiros são como os beneficiários do bolsa-família, convertido em um bolsa-vizinho, e simplesmente serão liderados pelo Brasil por gratidão, ultrapassa a ingeniuidade sobre a cenário internacional. O bolsa-família pode funcionar para direcionar votos nas eleições brasileiras, entretanto, acreditar que pode-se dosmeticar a política externa da mesma forma que se fez com o povo brasileiro é ignorância diplomática.

Pela revisão do acordo acertada entre Fernando Lugo e Lula, o pagamento feito pelo Brasil ao Paraguai aumentará dos atuais US$ 120 milhões para US$ 360 milhões por ano, ou seja, são US$ 240 milhões a mais por ano. Além disso, O Brasil bancará a criação de fundo binacional e realizará o financiamento da construção de uma linha de transmissão de Itaipu a Assunção, orçada em US$ 450 milhões, que inicialmente era responsabilidade do Paraguai. Nossos vizinhos, a partir de agora, também poderão vender energia de Itaipu e de outras usinas no mercado livre brasileiro gradualmente e sem a intermediação da Eletrobrás.

Estão entregando o Brasil. As amizades políticas externas parecem ser mais importantes que a soberania nacional. Existe uma perigosa e temerária inversão de valores que trará danos irremediáveis ao Brasil, para sempre.

"O favor é a antesala da ingratidão", já dizia Ulysses Guimarães.