terça-feira, setembro 21, 2010

Socialites do B

Percebemos que uma campanha vai bem quando os apoios começam a surgir de todos os lados. A escalada do PT rumo a hegemonia plena da política nacional tem movimentado diversos setores. Cientes dos rumos que o País toma e preocupados com seu próprio futuro, assim como de seus negócios, a high society brasileira curiosamente se descobre mais socialista (e vermelha) com o passar dos dias.

O mais novo expoente do petismo é Chella Safra, mulher do banqueiro Moise Safra. Em jantar de apoio a Marta Suplicy, disparou que mulher vota em mulher e declarou voto em Dilma. Aliás, os anfitriões do convescote eram Eleonora e Ivo Rosset, donos da Valisere.

Os Safra ainda foram representados pelo banqueiro Joseph Safra e sua esposa Vicky e classe ainda contou com a presença de Olavo Setúbal Jr., do Itaú-Unibanco. Ricardo Steinbruch, do grupo Vicunha, estava lá, além de Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, e Jack Terpins, das Lojas Marisa, entre outros.

O registro, feito na coluna de Mônica Bergamo, evidencia os rumos do País e deixa claro o resultado das eleições que se avizinham.

*A foto, que não foi realizada no evento, é da festa de 135 anos do Jockey Club de São Paulo, onde Dilma esteve presente com a alta sociedade paulistana.

sexta-feira, setembro 17, 2010

O Fim do DEM

Lula falou, do alto da sua popularidade e de um palanque, que quer extirpar o DEM da política nacional. A afirmação assusta a democracia, é verdade, assim como qualquer arroubo de flerte com idéias que cerceiam a liberdade. Rumamos para um governo praticamente sem oposição. Será o início da consolidação do projeto político, como afirmou José Dirceu. O DEM, de antigo protagonista, passará a partido nanico, em um processo digno de antropofagia.

O DEM, mesmo sem a mão pesada de Lula, caminha pouco a pouco para o cadafalso. Entretanto, ainda existem opções. Uma delas é a fusão com o PSDB, que diminuiria os partidos e não encontraria homogenidade. Se não seguir este caminho, perderá a condição de partido forte no Congresso Nacional que se avizinha, pois deve eleger menos do que 51 deputados. Os dois caminhos são sinuosos, para dizer o mínimo.

Faltou ao DEM um projeto político nacional e uma renovação nas bases. O partido tornou-se refém de uma segunda geração dos políticos que o fundaram, carregando em seus sobrenomes a missão de renovar a agremiação. Acontece que partidos políticos não são entidades hereditárias. Para seguir existindo com força, é necessário que seus quadros sejam renovados por nomes da base. Isto nunca ocorreu com o DEM. Colhe-se agora os resultados.

Um partido precisa estar perto das bases, onde surgem as lideranças. Um partido não se faz apenas de lideranças, mas de um ampla base, exatamente o que falta ao DEM. É necessário estar presente em Diretórios Acadêmicos, Associações de Moradores, Movimentos Empresariais. É preciso formar lideranças, possuir um forte instituto de formação, possuir uma oposição atuante, que ocupe espaços. É preciso realizar mobilizações regionais das bases semanalmente. É preciso sempre lançar candidatos formados e afinados com as idéias do partido. Aí está a base.

Na Espanha, trabalhei com José María Aznar, que juntando os retalhos dos pequenos partidos da direita espanhola, fez surgir um partido novo, calcado na estratégia que mencionei acima. É preciso, para o projeto de uma força política, três coisas, ele sempre me disse: Um Partido, Uma Idéia e Um Líder. Com base nisso, ele formou o Partido Popular e mudou a face da política espanhola.

Cabe ao DEM encontrar seu líder, alguém que leve a refundação do partido e talvez uma fusão com outros menores. Investir na base, em idéias claras e atuar como uma oposição combativa e leal. O trabalho é longo e difícil, mas possível.

Se nada for feito, o DEM caminha mesmo a extinção, sem precisar da ajuda de Lula. A provável derrota de seus barões nas eleições deste ano evidenciam a crise pela qual o partido passa. Se o DEM não encontrar um líder que tome as rédeas do partido, caminhará para o cadafalso.

quarta-feira, setembro 15, 2010

No Bolso

Como se um escândalo não fosse o bastante, veio outro, desta vez gestado no coração do governo, nas mãos de Erenice Guerra, indicada por Dilma para comandar a Casa Civil.

O que mudará este fato na eleição presidencial? Verdadeiramente nada. Dilma seguirá na frente e Serra continuará ladeira abaixo, como vemos. Os parcos votos que Dilma perde seguem para Marina. O candidato do PSDB, mesmo sendo vítima, não conseguiu fazer sua campanha sentir sequer um impacto positivo com todo o episódio.

Na verdade, nenhum dos fatos apresentados geram impacto negativo para Dilma por razões simples. Lula colocou em marcha um governo calcado na distribuição de renda para todas as classes sociais, seja via concursos públicos, investimentos estatais, bolsas auxílio e polpudos subsídios. Desta forma, não há como perder a eleição. Quase todas as famílias brasileiras recebem sua fatia de recursos do governo. Ninguém quer perder a sua. Para que mudar?

Esta política já existiu no passado. A alta intervenção do governo na economia e a farta distribuição de bondades e investimentos estatais geram distorções econômicas no longo prazo. A penosa década de 80 foi o preço que uma geração inteira pagou pela política econômica similar a de Lula, implantada no governo Geisel.

Mas quem pensa no longo prazo? Quem pensa nos possíveis retrocessos e riscos democráticos que uma anestesia inconsciente coletiva pode trazer? O País caminha para uma espécie de planificação mascarada, um socialismo moreno, na definição deixada por Leonel Brizola? Talvez, é bem provável. Mas quem se importa com isso? O importante é passar em um concurso e garantir a aposentadoria.

Como todos se beneficiam, poucos questionam, talvez só os 4,9% que desaprovam o governo Lula, ou seja, os que estão fora da festa. Mas um dia a festa acaba e todos terão que pagar a conta. Até lá, nenhum escândalo terá repercussão. Todos estão devidamente guardados no bolso. Não há porque questionar quando se participa da farra.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Os Números do Desgaste

Começam a surgir os primeiros números com o impacto das violações de sigilo fiscal que tinham como alvo o PSDB. Pode-se perceber pelo tracking de alguns institutos que a candidatura de Dilma sentiu o desgaste, descendo para 44%. Resta saber se ela reagirá ou se pode descer ainda mais.

Para evitar um desgaste maior, uma verdadeira operação de guerra foi deflagrada, desde insinuações por meio de Dilma, desmentidos do governo e desqualificação dos adversários. A ausência de punição dos verdadeiros mentores da operação parece ser a única certeza.

Lula, na estratégia de reação, foi para a TV e acusou os adversários tucanos. Estes, até o momento tem apresentado uma reação pífia, desproporcional ao tamanho do escândalo. Considerando isto e a eficiência da máquina governamental em criar versões diferentes, vemos que Dilma tem tudo para segurar sua queda.

Mesmo que Dilma mantenha os 44%, Serra ainda precisaria subir. O tucano não conseguiu criar um momento político favorável. Peças publicitárias fracas foram ao ar. Nada de impacto, nada que comova o eleitor e mexa com os brios e emoção. Ao invés de compor com Marina, tentando evitar a vitória de Dilma, Serra sofre ataques até do PV. A vítima virou vilão e o jogo virou. A política precisa ser exercida de forma profissional. O jogo eleitoral presidencial é muito pesado para uma estratégia tão fraca. Talvez o tucano tenha perdido sua grande chance de levar a eleição para um segundo turno.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Francenildos

A quebra dos sigilos fiscais de membros do PSDB é, até o momento, o único fato relevante de uma eleição que não tem mobilizado os brasileiros. O caso se torna ainda mais grave quando vemos que outros tantos cidadãos, sabe-se lá por qual motivo, tiveram também seus sigilos fiscais violados da mesma forma que os tucanos.

O PSDB mais uma vez não acerta na estratégia eleitoral. Deveria, face a situação de Serra nas pesquisas, explorar o fato politicamente. Mobilizou-se juridicamente, entretanto, na esfera política, pouco foi mostrado em seu programa de TV, por exemplo. Enquanto isso, editoriais, como vimos n'O Globo, são contundentes em reprovar o que foi chamado pelo jornal de "a partidarização do Estado, uma das últimas escalas na degradação da democracia rumo a um regime policial, personalista, autocrático". Do outro lado, os tucanos, principais vítimas deste jogo sujo e baixo, pouco fazem.

Serra deveria trazer, por exemplo, Francenildo dos Santos Costa, maior símbolo da violação de sigilos constitucionais, a dar seu depoimento. A violação de sua conta ocorreu sob a batuta do homem forte da candidatura Dilma, Antônio Palocci. Assim como Francenildo, outros tantos brasileiros que também foram vítimas da violência exercida pela Receita Federal, de uma celebridade como Ana Maria Braga até cidadãos comuns, pessoas sem qualquer notoriedade, que poderiam dar seu depoimento.

Mas como também foi escrito por analistas políticos, o País parece tomado de uma letargia coletiva que o impede de refletir. Se somarmos a este fato a inoperância da oposição, chegaremos a conclusão que cedo ou tarde todos seremos Francenildos.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Quebras de Sigilo

As quebras de sigilo fiscal de membros graduados do PSDB é um daqueles absurdos com os quais a população brasileira já ficou habituada. É um escândalo, sem dúvida, mas como todos os mais recentes que vimos na história brasileira, tem tudo para dar em nada.

Quais as implicações para a campanha eleitoral? Praticamente nulas. O assunto não tem capacidade de penetração em parte do eleitorado e tende a revoltar outros tantos que já tem consolidada sua opinião, assim como não importa para aqueles que já decidiram votar na continuidade do governo atual.

É, por certo, muito ruim para o País. Escândalos como esse, assim como vários outros, deveriam servir de punição exemplar. Em países com uma maior tradição de continuidade democrática e instituições fortes, que situam-se acima daqueles que ocupam o governo, as chances de punição são muito maiores e acontecem. O resultado é, diante da certeza da punição, a ausência de novos delitos. No Brasil fizemos o caminho inverso, infelizmente.

Quebrar os sigilos fiscais de membros da família de um candidato, assim como de dirigentes partidários com o intuito de intimidá-los, constitui-se em uma daquelas práticas que afastam o interesse dos bons pela política. Infelizmente parece que estas são as práticas políticas atuais e comuns em um País que não assiste um escândalo dessa envergadura pela primeira vez. O pior de tudo é que atos como este não chocam, nem influenciam mais o voto da população. Mensalões, mensalinhos, aloprados e caseiros, só para citar os mais recentes, estão aí para nos lembrar.

A investigação não dará em nada e o impacto eleitoral será zero.

terça-feira, agosto 31, 2010

O Peso do PMDB

Os sinais de que Dilma pode vencer no primeiro turno fez soar um sinal de alerta no PMDB. Isto indica que a onda Lula foi realmente o diferencial que trouxe a candidata até aqui e joga o partido de seu vice para uma natural situação de desvantagem na montagem do governo.

Para o PMDB seria até interessante a realização de um segundo turno, quando Dilma tivesse que olhar com mais atenção para seus parceiros e o PT enxergasse a real necessidade de juntar-se ao partido de Temer de formal integral e coesa. Assim o PMDB poderia mostrar força e entregar resultados eleitorais para Dilma dependentes de sua própria militância e importância.

No caminho atual, o PMDB parte para um eventual governo Dilma com uma importância menor do que a desejada. Deverá disputar poder com outras agremiações governistas, como PSB, PDT, PP, PR, PRB, PC do B e outros tantos que pularam no barco de Dilma. Por certo o PMDB é o aliado mais importante, entretanto, converter esta situação em poder real na política é outra história.

Para concretizar seu objetivo, o PMDB deve caminhar coeso. Coincidentemente o partido nunca esteve tão unido e deve seguir assim se pretende dar as cartas em um governo Dilma. De outro modo, a fome dos aliados, somada a patrola petista, pode reservar ingratas surpresas para os pares de Michel Temer. Mas o PMDB sabe fazer política no Brasil, como poucos.

sábado, agosto 28, 2010

Onde está Serra?

A pesquisa Ibope divulgada neste sábado mostra que a campanha presidencial virou um massacre de petistas sobre tucanos. Quem pensava que a eleição iria ser resolvida em Minas Gerais e imaginava um pleito disputado, estava errado. A eleição se tornou um passeio para Lula. Dilma, além de ter consolidado o eleitorado natural do Nordeste e Norte, avança com força para São Paulo e o Sul, onde já mostra-se na frente de Serra.

Se o PSDB deseja levar a eleição para um segundo turno, pelo menos, precisa agir de forma urgente. Os programas de TV de Serra estão em uma linguagem inferior e ultrapassados. A linguagem televisiva evoluiu nos últimos anos, mas esta notícia parece não ter chegado aos ouvidos dos tucanos. É preciso mudar para evitar um vexame no dia 3 de outubro.

As consequências da queda de Serra se traduzem em parcos apoios nos estados, inversão de apoios locais, agora pró-Dilma, e uma diminuição na arrecadação de fundos para a campanha.

Serra precisa aparecer e fazer o que até agora não fez. Não se faz propaganda política para o Brasil como se faz para o eleitorado paulista. Ele precisa modificar sua linguagem no rádio e TV, resgatar a força no Sul e São Paulo, para então avançar e tentar jogar a eleição para um segundo turno. Pode começar a articulação com os candidatos ao Senado e governos de Estado, foco principal das ações petistas, que já consideram a eleição presidencial favas contadas.

Serra precisa aparecer, pois de sua performance depende a eleição da bancada de oposição, em caso de vitória de Dilma. Seu fraco desempenho já tem reflexos nas disputas estaduais. Um partido que se apresenta como alternativa real de oposição, tem obrigação de mostrar mais do que está sendo visto até agora.

Apenas para registro: se contarmos apenas os votos válidos, Dilma chegou a 59%. Serra teria 32%. Um passeio.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Vantagem de Dilma

A cada pesquisa a distância entre Dilma e Serra parece maior. A tendência já é de uma vitória em primeiro turno. O PT virou o jogo para cima de Serra e a cúpula tucana deve estar atônita com o vem assistindo. A derrota que se avizinha corre o risco de ser humilhante.

O principal trunfo da campanha de Dilma é a televisão. Foi nela que a candidata de Lula deu o mais importante passo para subir nas pesquisas. Ali, ambos apareceram juntos dando uma idéia do que ainda estava por vir. Os tucanos não entenderam o recado.

O programa de TV apresentado por Dilma é dinâmico, direto e impactante. Trouxe uma nova linguagem, moderna e objetiva. A presença de Lula sedimenta todo o processo. Ela pouco fala, mas os projetos e realizações são apresentados com uma clareza que atinge diretamente seu público.

Já o programa do PSDB situa-se em um patamar inferior. Não causa impactos, tampouco emociona. Patina ao tentar passar mensagens. Enquanto Dilma vende um país grandioso, Serra optou pela cadência simples e normal dos programas eleitorais do passado. Serra teria muito a mostrar, mais do que Dilma. Como Deputado, Senador, Ministro, Prefeito e Governador teve projetos e conquistas impactantes. Falta saber passar a mensagem. Na política talvez importe mais como a mensagem é passada do que a própria veracidade da mensagem.

Assim a distância aumenta. Acredito ser menor do que as pesquisas mostram, entretanto, não há como negar o momento pró Dilma. A TV apenas deixa claro que a diferença de qualidade visual se consolida em intenções de votos reais. Pior para Serra.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Dilma fora dos Debates

O confortável primeiro lugar nas pesquisas trouxe cautela para a campanha de Dilma Rousseff. O comando da campanha pretende preservar a imagem da candidata ao invés de expor Dilma frente a frente com os adversários. Neste momento ela somente teria a perder apresentando-se nos debates. Desta forma ela termina talvez com a última carta que José Serra ainda poderia jogar na tentativa de virar a eleição.

A estratégia pode servir para a candidata petista, visto que ela não é conhecida do eleitorado, sendo no momento apenas uma versão apresentada por Lula para concorrer em seu lugar. Na verdade, Dilma não tem votos. Estes são de Lula, que apenas transfere sua popularidade para a ex-ministra. Neste caso, qualquer tropeço de Dilma poderia balançar a imagem criada sobre ela, visto que a candidata não possui uma identidade própria na cabeça do eleitor. A candidata em si é a maior fraqueza da campanha, pois não tem intimidade com os holofotes e a política, portanto, melhor deixar Dilma isolada e Lula continuar o processo de transferência de votos. Esta é a estratégia.

Serão ainda mais cinco debates até o dia da eleição: Estadão e TV Gazeta, CNBB, Rede TV, Rede Record e por fim o da TV Globo. Ela deve aparecer somente na Globo e mesmo que não aparecesse, talvez não afetasse de forma significativa sua perspectiva de vencer no primeiro turno. Existe no momento uma onda criada a favor de Dilma, que bem aproveitada pode fazer com que a margem atual em seu favor seja mantida. Com programas de TV milionários e extremamente bem feitos, com a presença de Lula ao seu lado e cada vez lideranças regionais querendo colar sua imagem com a do Presidente e sua candidata, está cada vez difícil de Lula, digo, Dilma perder esta eleição.

terça-feira, agosto 17, 2010

Programas de TV

Agora começa uma nova fase de campanha com os programas de rádio e TV. Na última eleição presidencial foi neste período que Alckmin se aproximou de Lula e conseguiu jogar a disputa para o segundo turno. Serra espera uma recuperação, mas corre risco, uma vez que Dilma subiu nas pesquisas exatamente quando surgiu na TV ao lado de Lula.

O programa de Dilma esboçou a sua linha de campanha. Foi possível perceber como o PT está disposto a jogar as fichas em sua eleição, todas elas. O partido tornou-se um player profissional da política. O programa foi caprichado e direcionado para onde é necessário. Foi impecável em quase todos os aspectos. Lula aparece como o grande cabo eleitoral. Faz a diferença.

Serra fez um programa bem pautado, mas sem o dinamismo e o entusiasmo que pautaram o programa do PT. Os tucanos apostaram na questão da saúde, o ponto forte de Serra e que atinge sua camada mais vulnerável de votos, as classes mais baixas. Falta, entretanto, achar a sintonia. Resta agora ao PSDB achar onde seu programa pode fazer a diferença.

Marina foi mais do mesmo. Se deseja ser mais do que uma candidata monotemática, precisa mudar o disco, inserir seu vice, mostrar suas propostas e dar dinamismo ao seu programa.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Os Números

As mais recentes pesquisas eleitorais devem estar deixando o alto comando da campanha de José Serra extremamente preocupado. No Datafolha Dilma chegou a 41%, deixando Serra com 33%. Na pequisa anterior, o tucano ainda estava na frente, com o placar de 37%, contra 36% da ex-ministra. Houve, portanto, segundo o instituto, uma movimentação significativa de votos que mostra uma tendência.

Os institutos de pesquisas estão emparelhando seus números para o início do horário eleitoral. No Ibope a situação é semelhante ao Datafolha. Serra caiu para 32% e Dilma subiu para 43%. Aqui a situação é um pouco mais confortável, já que sinaliza uma possível vitória de Dilma ainda no primeiro turno.

Hoje, a candidata do PT está com 47% dos votos válidos e Serra com 37%. Se compararmos estes números com os da última eleição, Lula entrava no período de propaganda eleitoral com 55% e Alckmin com 24%, em curva descendente. O resultado do primeiro turno foi Lula com 48% e Alckmin com 41%. Ou seja, naquele cenário, o período que está por iniciar foi mais benéfico para os tucanos.

Mas naquela época Lula não era tão popular e apesar de Serra desafiar a criatura de Lula e não o próprio, o Presidente está disposto a jogar pesado com sua imagem e margens de aprovação do governo para impulsionar Dilma. Os aliados de agora tem mais densidade, como o PMDB, completamente envolvido na campanha. Existe uma base mais ampla no leque de alianças.

Além de tudo, vale lembrar que Dilma começou a avançar de forma consistente quando Lula apareceu ao seu lado nos programas de TV do PT. A formula se repetirá a partir de agora.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Debate com os Vices

Sempre deixados em segundo plano, os vices tem procurado ter mais voz. Dentre todos os postulantes, o mais experiente do ponto de vista político é Michel Temer. Ele é o valioso elo que liga o PT a um pacificado PMDB. Como fiador da aliança, é sobretudo aquele que terá mais importância em um futuro governo. Seria um importante articulador dentro e fora do seu partido.

Índio da Costa, o vice de Serra, deseja um debate entre os vices. Será uma ótima oportunidade para discutir com Temer a paternidade do projeto Ficha Limpa. O vice de Dilma diz que foi o grande patrocinador do projeto. Uma discussão que não deve trazer nada de novo para campanha além do fato de que, se bem articulado, pode desgastar Índio da Costa.

Guilherme Leal, por muitos considerado o melhor candidato a vice, deve participar com os outros dois do debate no Estado de S. Paulo na próxima terça. Será uma boa oportunidade para o vice de Marina falar e ser ouvido. Tem muito a contribuir para a campanha e pode fazer Marina crescer em uma parte do eleitorado ainda não atingida pela candidata do Partido Verde.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Serra no JN

Dos três candidatos entrevistados pelo Jornal Nacional, a presença de Serra foi talvez a mais segura. O candidato do PSDB falou com tranquilidade e tom sereno, explicou os temas com a simplicidade necessária para o alcance do programa. Pode ter ganhado pontos junto ao eleitorado.

O grande problema de José Serra, no momento, é enfrentar a forte máquina política do PT, montada dentro do Estado, e fazer frente a uma campanha onde um popular Lula apresenta-se como fiador de sua candidata. Sobre isso ele também comentou: "Lula não está concorrendo comigo. Não é candidato (...) Não há presidente que possa governar na garupa, ouvindo terceiros ou sendo monitorado por terceiros". O recado foi dado e tinha destinatário certo.

Por mais que não faça uma campanha perfeita, Serra se porta diante da imprensa, em entrevistas, debates e questionamentos de forma correta, longe do candidato que foi em 2002. Entretanto, as forças a serem enfretadas tem um poder exepcionalmente maior nos dias de hoje.

Serra tentou pautar o debate em uma era pós-Lula, de forma acertada, "O governo Lula fez coisas positivas, outras coisas deixou de fazer. A discussão não é Lula. É o que vem pela frente".

Saiu-se bem da saia justa criada por Bonner quando foi mencionado o PTB e soube justificar a escolha de Índio da Costa como vice, por mais difícil que isso possa ser.

Reitero que o problema de Serra é de ordem política, dentro da articulação. Os tucanos não entendem como enfrentar este novo PT, agora no comando da máquina do Estado e pragmáticos no fechamento de alianças.

Serra foi muito melhor do que em 2002 no Jornal Nacional. O cenário, entretanto, é outro. Seria bom que todos seus aliados estivessem tão preparados e dedicados como ele.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Marina no JN

Marina Silva também compareceu ao Jornal Nacional. Não conseguiu ir muito além de onde estava, ou seja, sua presença não serviu para ampliar sua base de votos, tampouco para empolgar seus apoiadores.

Faltou a Marina duas vertentes. A primeira no sentido de trazer propostas de país mais concretas do que vem apresentado. Ficou restrita a temas gerais e não conseguiu direcionar a entrevista, caindo no caráter defensivo. O segundo foi treinamento mesmo. Somente aos nove minutos de entrevista Marina olhou para a câmera. Mesmo assim não ficou plenamente confortável. Depois de concentrar nesta, voltou aos entrevistadores e esqueceu dos telespectadores novamente.

Na falta de um caráter mais propositivo, como falar da experiência administrativa de seu vice, Marina foi mais defensiva. Tentou explicar o inexplicável, no caso do mensalão, e seguiu pouco simpática, mantendo seu caráter sisudo e fechado, que em nada ajuda em sua imagem.

Marina falou para seu público, ou seja, para seus 10%. Não comprometeu, mas perdeu uma grande oportunidade de subir um pouco mais nas pesquisas.

terça-feira, agosto 10, 2010

Fatos e Versões de Dilma

Durante sua entrevista no Jornal Nacional, Dilma fez várias afirmações, algumas indicando números, outras fatos. Acontece que muitos deles foram desmentidos logo após sua exposição no JN. A imprensa tratou de repercutir o que não era verdadeiro, mas como o impacto político, neste caso, refere-se mais a versão exposta do que ao fato propriamente dito, tudo deve ficar por isso mesmo.

A candidata segue o script pré-determinado pela assessoria. Precisou de muito treinamento para não vacilar nas respostas e apesar de nervosa conseguiu passar, sem maiores arranhões, uma versão pessoal e parcial para o grande público. Foi bem orientada.

Os temas relativos a inflação herdada de FHC, dados relativos ao saneamento, obras do PAC e tantos outros, podem ser melhor explorados nos debates que ainda estão por vir. Por exemplo, disse que o governo investiu R$ 270 milhões na Rocinha, mas o valor real não chega a 30% disso. O excesso de versões dos números e fatos apresentados pela candidata é um farto arsenal para Serra usar mais adiante.

A estratégia, contudo, tem dado certo. Dilma sobe nas pesquisas embalada por uma campanha com Lula a tiracolo, baseada em fatos e versões não tão críveis assim. Mas na política praticada atualmete no Brasil, infelizmente aquilo que é, na verdade é o que menos conta, mas a versão do que parece ser é o mais importante.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Dilma no JN

Depois do debate, Dilma teve a segunda prova de fogo em menos de uma semana, desta vez no Jornal Nacional. É sabido na política que a bancada do JN pode ser dura, como já ocorreu no passado, logo, as atenções voltaram-se para o desempenho de Dilma.

Considerando-se que Dilma não possui experiência política, pode-se dizer até que foi bem, mas levando-se em conta que estamos tratando de uma eleição presidencial, ficou claro que ainda falta muita cancha para a candidata petista sentir-se confortável diante dos holofotes.

William Bonner e Fátima Bernardes tocaram em pontos sensíveis. A estratégia foi responder outra coisa, fugindo da questão principal. Dilma suava muito, estava nervosa. Cometeu erros, disse inverdades, entretanto, nenhuma que possa atingir verticalmente sua imagem como candidata. Falar como mãe dos brasileiros (na tentativa de imitar Lula) não pegou bem. Ela não passa essa impressão maternal. Reforçou sua simbiose com Lula. Era isso. Para ela foi positivo, pois poderia ser bem pior.

A tensão ficou no seguinte trecho em que foi desmentida por Bonner:

"Dilma Rousseff: Não, o presidente não falou em maltratar, o presidente falou que eu era dura.

William Bonner: Não, ele disse isso. A senhora me perdoe, mas o discurso dele está disponível. Ele disse assim: as pessoas diziam que foram maltratadas pela senhora"

A bancada do JN segue entrevistando outros candidatos no decorrer da semana.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Sinal de Alerta

A pesquisa CNT/Sensus traz muitas falhas, mas não deixa de uma certa forma de confirmar uma tendência. Dilma sobe e Serra desce. Tem sido assim nos últimos meses. O sinal mais importante da pesquisa é indicação de um padrão de comportamento do eleitorado, mesmo que seus números não sejam exatos e plenamente confiáveis.

Os últimos levantamentos devem ter feito soar um sinal de alerta na campanha de José Serra. Ele vem caindo onde era mais forte, especialmente em São Paulo, onde a diferença se mostra cada vez menor. Isso sem falar onde já vinha mal. São sinais de que algo deve ser mudado e a estratégia de campanha reavaliada. Alguns acreditam que nada deve ser mudado e que os debates e o horário eleitoral ajudarão a campanha a tomar fôlego. É arriscado. Pode ocorrer o inverso, dada a franca exposição de Lula ao lado de Dilma. Um Plano B deveria estar na manga da coordenação de campanha tucana.

Os números atuais fazem aliados debandarem, desestimulam palanques regionais e o desânimo pode contaminar toda a campanha. Inclusive tucanos tradicionais preferiram a alianças regionais que garantam sua recondução, mesmo que ao lado de oposicionistas no plano nacional. Do outro lado já discuti-se a formação do ministério de Dilma. Salto alto? Pode ser, mas o empresariado e as instituições já trabalham com a possibilidade real deste cenário.

A campanha é pesada. O governo está jogando todas suas fichas no projeto de continuidade. O trabalho do tucano é muito difícil, porém, não é impossível. Acredito que Serra, assim como seu slogan, pode mais. Mas o timing da reação pode estar passando da hora.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Falta de idéias

Os rumos desta campanha presidencial são preocupantes. Campanhas servem, via de regra, como instrumentos para apresentar um projeto de País, idéias, confrontar ideologias políticas. Tudo isso falta nesta campanha presidencial, infelizmente.

A certeza de vitória de Dilma, impulsionada pela convicção de Lula e entusiasmo dos aliados históricos e dos parceiros de ocasião do governo atual, fecharam a disputa. Evitam a discussão de um projeto de país, tornando a eleição uma simples disputa de poder. O jogo pesado contra a Lei Eleitoral e a desenvoltura com que se descumpre os preceitos básicos do jogo democrático de forma impune mostram muito sobre o cenário brasileiro atual.

Nos prognósticos políticos usamos as campanhas como fonte de coleta de informações sobre os rumos que um novo governo deve trilhar. No caso brasileiro, a situação se complica especialmente em função da falta de orientação política clara de muitos partidos, que simplesmente orientam suas decisões em decorrência de conveniências políticas de ocasião, geralmente ao lado do governo, que controla a máquina.

Nos mercados escuta-se que existe uma preferência por Dilma, já que a regra do jogo não mudaria. É preciso avaliar com cautela tal afirmação. Em caso de vitória, um eventual governo Dilma pode e deve ser muito diferente de Lula. Virá a maioria governista no Senado, o temperamento e a falta de habilidade política da ocupante do Planalto, a perspicácia de Temer, as pressões por cargos do PMDB, a influência externa de Lula. Enfim, muitos caciques para pouca experiência política. A acomodação pode ser mais delicada do que imaginamos e talvez em um eventual governo Serra seja muito fácil de prever o que vem por aí.

Pelo menos se fossem debatidas idéias e projetos de País, tudo já ficava mais claro.

terça-feira, agosto 03, 2010

Divisão de Poder

O Senado foi, durante o governo Lula, o único significativo foco de resistência da oposição. Se em algum momento o governo sofreu algum revés nos últimos oito anos, foi no Senado. Isto começou a mudar. O PT entende a importância do Senado para levar adiante as reformas que pretende implementar se Dilma sair vencedora. Mais um movimento foi realizado neste sentido.

Gim Argello, político de Brasília e suplente de Joaquim Roriz, foi durante muito anos desafeto dos petistas na política local. Entretanto, desde que chegou ao Senado, passou a circular com muita desenvoltura nos corredores palacianos. Hoje é o vice-líder de Lula no Senado.

Se o PT se articula para formar uma base forte no Senado nestas eleições, trabalha também, mediante seus aliados, a manter sob sua influência, grande parte da Casa. Neste sentido, Gim Argello assumiu a responsabilidade. Organizou um almoço em sua casa na data de hoje onde compareceram 18 ministros e 38 parlamentares (dentre os quais nove candidatos a governos estaduais e 16 à reeleição). O Senadores governistas compareceram em peso.

Discutiu-se campanha, mas já se ampliou a discussão na direção da ocupação de espaços em um eventual governo Dilma. Todos ali estão certos da vitória petista no pleito presidencial e a divisão do bolo já estava em pauta, sob o comando de Gim Argello. Excesso de confiança e certeza na vitória pairavam no ar.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Vantagem em Minas

Desde o princípio da campanha tenho alertado para a importância de Minas Gerais. É neste estado que a eleição presidencial será definida. A última pesquisa Ibope que mostra Dilma já na dianteira evidencia esta tese. Na medida que amplia a vantagem em Minas, a candidata de Lula vai abrindo vantagem nacionalmente.

Se nos estados do Sul Serra leva vantagem e nos do Nordeste Dilma sai na frente, é preciso atenção em duas frentes: Centro-Oeste e Sudeste. Nesta última, considerando os grandes colégios eleitorais, o PT leva vantagem no Rio de Janeiro, enquanto Serra carrega São Paulo. Em Minas reside a senha para a vitória.

Por lá, em 2006, ocorreu o fenômeno Lulécio, ou seja, Lula para Presidente e Aécio para Governador. Em 2010, vemos que 46% daqueles que votarão em Antônio Anastasia, preferem Dilma. Começa a ser gestado o chamado voto "Dilmasia", que pode ferir gravemente a candidatura Serra. O único capaz de evitar o naufrágio tucano em Minas é Aécio Neves. Seu eleitorado fiel está com Anastasia, mas não está com Serra. Dilma tem 44% no estado, contra 32% do tucano. São 1,2 milhão de votos de vantagem para a petista.

O candidato do PSDB tem outro problema. Falta a Serra também uma maior penetração política no Centro-Oeste. Escrevi aqui que ele deveria considerar um vice ligado ao agronegócio dentro desta região. Se olharmos os números, somando Norte/Centro-Oeste, Dilma já aparece na frente, com 40% das intenções de voto.

Serra precisa reforçar sua campanha em duas frentes: Minas e Centro-Oeste. Se não o fizer, Dilma caminhará para vitória, talvez até no primeiro turno.

sexta-feira, julho 30, 2010

Racha na Itália

A coalizão que sustenta o governo de Silvio Berlusconi pode ceder em breve. A saída de Gianfranco Fini para a criação de um novo partido, o Azione Nazionale (AN), pode ser o ponto inicial de uma crise no gabinete italiano.

Fini veio de um partido chamado Aliança Nacional, que se fundiu com o Forza Italia de Berlusconi para formar o Povo da Liberdade (PdL). Agora o movimento foi inverso e Fini leva para o novo partido pelo menos 35 deputados e oito senadores. Neste ponto reside o problema da governabilidade. A questão está em saber até que ponto este movimento desestabiliza o gabinete e a maioria parlamentar.

A situação não parece tão grave quanto mostra a imprensa italiana, mas inspira cuidados. Será preciso ter muita habilidade política para que o governo consiga se manter sem a convocação de eleições antecipadas, que deveriam ocorrer apenas em 2013. Berlusconi estaria confiante, mas é preciso sentir o ambiente político, já que na Itália a linha que divide o poder entre esquerda e direita é muito tênue e qualquer erro político pode ser fatal nas eleições.

quinta-feira, julho 29, 2010

Coisas da Política

Quem poderia imaginar o seguinte jingle de campanha: "É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma, pelos mais carentes. É Lula apoiando Dilma, é Dilma apoiando Collor, para o bem da nossa gente. É Lula apoiando Dilma, é Dilma apoiando Collor, e os três para o bem da gente". Pois é. Existe e expressa a linha central da campanha de Collor para o governo de Alagoas.

O ex-Presidente não está fazendo feio. Muito pelo contrário. Tudo indica um clara e forte chance de vitória. As últimas pesquisas mostram Collor na liderança isolada com 38% das intenções de voto.

Apesar do jingle, o PT não está formalmente coligado com Collor em Alagoas. A aliança do partido de Lula é com o PDT de Ronaldo Lessa, que também tenta angariar votos por meio de um jingle que diz: "É Lessa, é Lula juntos por Alagoas". Lessa tem 26%.

Na oposição, liderada pelo governador Teotônio Vilela, existe preocupação, não só porque ele permanece nos 21%, mas porque Alagoas foi o único estado em que Lula perdeu para Serra em 2002 e se as coisas vão mal em Alagoas para os tucanos, no restante do Nordeste não parecem ser nada boas.

Na disputa pelo Senado, Heloísa Helena deve confirmar sua volta e Renan deve confirmar mais oito anos em Brasília.

Enquanto isso, é Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma..

quarta-feira, julho 28, 2010

Rebeldia Catalã

O ato de rebeldia da Catalunha em proibir as touradas não tem sido visto pela ótica real do que representa. Na verdade representa apenas isto, uma rebeldia de Barcelona frente à Espanha, na tentativa de ferir a unidade nacional depois da Corte Nacional declarar a inconstitucionalidade de parte das leis autonômicas catalãs.

A decisão nada tem a ver com a proteção ao direito dos animais, democracia, meio-ambiente ou qualquer um dos grupos que comemoraram a proibição. A diretriz vinda de Barcelona tem um cunho político, de corte profundo, em um tema delicado, que é o equilíbrio autonômico entre os territórios regionais que formam a Espanha.

O Presidente do Partido Popular sintetizou a posição de muitos espanhóis em uma frase: "Sou a favor da liberdade. Os que quiserem ir às touradas que vão. Divisão e separação não é o que a Catalunha, a Andaluzia e nem ninguém precisam".

A votação foi apertada, vencendo a proibição por 68 contra 55 votos. Gerou forte discussão porque argumentos equivocados foram usados para politizar uma questão que deveria ser avaliada de outra forma.

Ferir uma tradição nacional foi a forma encontrada por alguns políticos da Catalunha para impulsionar um movimento separatista e se cacifar para as eleições regionais no outuno. Perdeu-se uma grande oportunidade de discutir um tema importante dentro de sua verdadeiro âmbito.

terça-feira, julho 27, 2010

"Carta-Compromisso"

Depois de toda confusão gerada pela divulgação de um programa de governo um tanto quanto radical, parece que o PT busca contornar a situação com uma estratégia de consenso entre os aliados. A idéia é divulgar os pontos de um novo programa no estilo de uma "Carta-Compromisso" contendo as diretrizes básicas do que seria um governo Dilma.

Existe também a idéia do lançamento de propostas setoriais, separadas por vértices de importância estratégica, como saúde, segurança, educação e infra-estrutura. Entretanto, todo o material deve estar pronto e divulgado até 17 de agosto, quando entram no ar os programas eleitorais no rádio e TV. Mas é melhor a coligação se apressar, já que o primeiro debate será antes disso.

Por falar em debate, Dilma está em fase de aprendizado intensivo com os ministros de Lula. Todos aqueles responsáveis por áreas importantes e estratégicas do governo tem suprido a candidata de informações e números sobre a administração pública. O treinamento tem sido intenso. É preciso que, abastecida de números, Dilma abandone o tom professoral e soberbo que a caracteriza, pois caso não seja domado, poderá influenciar de forma negativa sua imagem.

Bem que a preparação de Dilma para os debates poderia ser acompanhada de um Plano de Governo consistente, pois na falta dele, esta é uma fraqueza que pode ser muito explorada por José Serra.

segunda-feira, julho 26, 2010

Repercussão no New York Times

A imprensa internacional repercutiu os esforços de Lula em fazer o sucessor. O New York Times publicou matéria que mostra a constante presença do Presidente em comícios e eventos em prol de Dilma e lembra que ele já foi multado em razão disso.

O jornal foi além e mostrou como o governo federal usou a máquina administrativa para fazer a candidata viável, por meio da entrega da coordenação das ações do multibilionário PAC, dando a visibilidade necessária para que ela se torne conhecida e para que Lula possa lhe transferir votos.

Sendo mais direta, a matéria continuou dizendo que o Presidente, além de desrespeitar as leis, creditou a Dilma programas e obras públicas realizados durante seu governo.

As críticas foram contundentes e fornecem uma idéia de como a eleição presidencial brasileira é vista internacionalmente. É uma lástima que o nossos lideres não brindem o país com um processo eleitoral que respeite as leis e as instituições, evidenciando a grandeza do Brasil.

Na matéria, que ainda lembra o fato de Lula ter passado dos limites, diz que a popularidade pode não ser suficiente para fazer o candidato do governo vencer, como ocorreu no Chile. Entretanto, no país andino, as instituições e a liberdade econômica fornecem uma menor dependência do governo que faz toda a diferença. Especialmente em matéria eleitoral.

sexta-feira, julho 23, 2010

PT mira no Senado

Além de trabalhar para fazer de Dilma Rousseff a sucessora de Lula, o PT trava uma uma outra batalha de alta importância estratégica. O foco é o Senado, onde o partido sofreu suas maiores derrotas durante o governo Lula.

Para tanto, a estratégia política foi mover os candidatos mais fortes do PT para disputar uma cadeira na Casa legislativa que atualmente é presidida por Sarney. Isto facilitou de forma importante também a formação dos palanques nos Estados. Aqui o PT abriu mão da cabeça de chapa e indicou para disputar uma cadeira no Senado candidatos que teriam envergadura para vencer a disputa pelo governo estadual.

Em 2006 o PT lançou 20 candidatos aos governos estaduais. Neste ano serão apenas 11. A coligação com o PMDB foi a parceria ideal para esta estratégia. Hoje o PT conta com 9 senadores, sendo que dois deles tem mandato até 2014. O partido projeta chegar a 18 e alcançar a maioria da Casa, já que o PMDB alcançará no máximo 17. Para ter candidatos com fortes chances de vitória, o PT inclusive afastou da disputa senadores em mandato que poderiam tentar a reeleição. O partido optou, nestes casos, por outros nomes com máxima chance de vitória.

Os resultados de uma êxito esmagador do PT para as cadeiras no Senado terão um impacto grande nos planos do próximo governo, independentemente de quem vença. Se a vencedora for Dilma Rousseff, o caminho estará aberto para reformas mais profundas, inclusive de âmbito constitucional.

quinta-feira, julho 22, 2010

Marina na América

Em uma eleição polarizada entre PT e PSDB, Marina Silva tenta firmar seu nome como uma real alternativa para eleitores que rejeitam a tese de uma eleição plebiscitária. Trabalha muito para isso. Nesta semana ela está em Nova York e fala com postura de candidata competitiva e com discurso sintonizado com os temas globais.

Já ouvi de muitos formadores de opinião que falta uma terceira-via consiste na campanha presidencial. Marina tenta se viabilizar neste nicho e caso encontre ressonância poderia ver sua candidatura alçar vôo.

No New York Palace ela disse que o Brasil precisa ser cuidadoso, mesmo com crescimento em alta, que uma agenda clara de desenvolvimento, certamente sustentável, é necessária. O País precisa evitar recuperações cíclicas e se direcionar em um crescimento equilibrado e permanente, disse ela.

Marina ainda defendeu sistema de metas de inflação, austeridade fiscal e um regime de câmbio flutuante. Temas positivos para retirar o rótulo de candidata de um tema só: Meio-Ambiente.

Sua campanha caminha de maneira consistente. Cresce nos segmentos mais escolarizados das grandes cidades e a escolha de Guilherme Leal para vice foi um acerto que abriu as portas do meio empresarial. Falta para a campanha de Marina uma maior entrada nas cidades pequenas e até médias, onde só entram candidatos com uma forte máquina partidária por trás.

Marina trouxe os grandes temas para o debate e posicionou-se de forma consistente sobre eles, mas para se viabilizar como um nome competitivo, sem estrutura partidária, precisa se transformar em um fenômeno da terceira-via. Esta é sua única chance de vencer.

quarta-feira, julho 21, 2010

Pesquisas internas

O Vox Populi trata de analisar as tendências de uma pesquisa eleitoral feito sob encomenda para o PT. Mostra Dilma com larga margem de vantagem, algo em torno de 7 pontos de dianteira.

No PSDB os trackings mostram algo diferente, ainda com Serra pouco acima de Dilma, o que evidencia um claro empate técnico. Logo é preciso abrir a pesquisa e estudá-la. Todas tendências que são passíveis de avaliação trazem informações importantes. O Vox introduziu, ainda em 1989, para Collor, as pesquisas qualitativas, que foram fundamentais para que o então governador de Alagoas chegasse ao Planalto.

Como pesquisas mostram direcionamentos eleitorais, é possível realizar, por meio de seus números, correções de rumo, mudanças de discurso, foco de propaganda e orientação de onde se deve investir os recursos de campanha.

É o que o PT está fazendo, debruçado nos números trazidos pelo Vox Populi, não somente com seus analistas, mas com os grão-duques que mandam no partido e coordenam a campanha de Dilma. Os tucanos deveriam seguir o mesmo caminho.

terça-feira, julho 20, 2010

Gillard sai na frente na Austrália

Julia Gillard é a Primeira-Ministra da Austrália há apenas poucas semanas, mas já colocou sua estratégia em prática. Sua idéia é renovar o mandato dos Trabalhistas frente ao governo antes do final do atual mandato.

As eleições foram convocadas e Julia conseguiu mover as peças de maneira inteligente. Os índices alcançados pelo seu antecessor eram pífios, típicos de um governo impopular. Desde que os Trabalhistas trocaram Kevin Rudd por Julia Gillard, entretanto, algo mudou. O partido conseguiu respirar novos ares e parte para o embate eleitoral com chances de vitória.

As primeiras pesquisas mostraram liberais e trabalhistas empatados, o que já era um grande resgate de popularidade para o atual governo. Mas as pesquisas dos últimos dias mostram que os Trabalhistas abriram vantagem. Isto significa uma pequena tendência em prol de Julia, mas que ainda está longe de se consolidar como liderança.

No sistema político australiano, a vantagem em termos de pesquisa é relativa. Os distritos é que são decisivos e dentro desta conta é que os liberais, liderados por Tony Abbot, fazem suas projeções. Eles precisam de apenas nove cadeiras para atingir maioria e formar um novo governo.

A nova roupagem trazida por Julia ao Partido Trabalhista serviu para trazer o jogo a um patamar de igualdade. Ela sai com pequena vantagem, mas agora é que a campanha propriamente dita começa.

segunda-feira, julho 19, 2010

A Força do Estado nas Eleições

O Globo publicou matéria neste final de semana que mostra a dimensão do peso do Estado brasileiro na conta final da eleição. Pelas contas feitas pelo jornal, 48,8 milhões de brasileiros dependem diretamente do dinheiro advindo da arrecadação de impostos. Considera-se nesta conta os beneficiados pelo seguro-desemprego, bolsa-família, funcionários públicos e aposentados.

Por certo este número é maior, especialmente se considerarmos que existem famílias dependentes destes recursos. Portanto, de saída este número pode dobrar, batendo na casa dos 100 milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do Estado para viver. Isto constitui-se em um fato eleitoral com impacto que não pode ser desprezado.

Mas a conta pode ir além, se considerarmos estruturas que passam pelo Estado para sobreviver e de suas benesses para se manter. Exemplos claros são as ONGs e movimentos sociais que dependem de verbas públicas, sem contar os sindicatos. Logo vemos que poder de fogo, bem como a estrutura eleitoral de longo prazo que o governo montou, é decisivo quando se fala em vencer eleições.

De acordo com os fatos pode-se considerar inviável qualquer candidato que afete os interesses daqueles que recebem sua renda dos cofres públicos. Vimos isto na última eleição, quando Alckmin foi acusado de "privatista", o que logo o levou a sair na defesa do papel estratégico do Estado, suas empresas e benesses.

Isto explica porque os candidatos alinhados com Lula tem mais votos onde mais se depende do governo para viver, nas regiões Norte e Nordeste. Também explica porque o mesmo grupo sofre para vencer eleições em locais como o Sul e São Paulo, onde se depende menos do governo e existe maior presença da iniciativa privada.

A estrutura criada pelo grupo que atualmente comanda máquina pública conseguiu articular-se em todas as frentes. Para o grande empresariado e a imprensa, acena com subsídios, obras e polpudas verbas publicitárias. Na classe média, proliferam-se aqueles que procuram os concursos públicos e para as faixas de baixa-renda, acena-se com programas como o Bolsa-Família. Isto sem falar na estrutura sindical e das ONGs.

Vencer a estrutura das benesses do Estado torna-se cada mais difícil no Brasil. Vota-se naqueles que defendem a manutenção do sistema. Um modelo de que alimenta-se de si mesmo em um perigoso ciclo vicioso que afeta diretamente a existência da democracia, uma vez que domestica os eleitores, em todos os níveis.

sexta-feira, julho 16, 2010

Popularidade em Queda

A popularidade de Obama continua em queda. Em ano de eleições legislativas, isto realmente não é uma boa notícia. Mas a sorte, de alguma forma, acompanha o Presidente americano, já que o desgaste de seu governo, que contamia o Partido Democrata, pode não ser suficiente para a impôr a derrota especulada por muitos analistas.

Para vencer, é preciso primeiro não perder. Pode ser que o Partido Democrata não esteja passando pelo seu melhor momento, mas isto não quer dizer que os republicanos estejam preparados para vencer. Sem uma liderança consistente e uma forte guinada interna para sua vertente mais conservadora, muitos votos podem ser perdidos. Se os moderados não embarcarem na onda conservadora republicana, o partido pode sair do pleito com números mais pífios do que se espera.

Se a união dos republicanos fosse mais simples, um cenário promissor poderia surgir. Obama se esforça para manter sua popularidade cada dia a níveis mais baixos. 60% dos americanos, segundo o jornal Washington Post, publicação que apoiou entusiasticamente a eleição de Obama, disseram não ter confiança no Presidente democrata. Em relação a economia, 54% desaprovam sua gestão. 61,6% acreditam que o país segue no rumo errado. No geral, a desaprovação bateu em 47%. Na média de todos os institutos, a sensação negativa em relação ao governo democrata de Obama já ultrapassa o percentual de aprovação.

Mas do lado dos republicanos a situação não é muito melhor. 72% dos eleitores não confiam nos parlamentares republicanos, enquanto 68% dizem o mesmo sobre os congressistas democratas. Ocorre uma pequena vantagem no geral para os republicanos quando olhamos para os números da eleição de novembro. 45% tendem a votar no GOP e 41,7% nos democratas.

Isto mostra que existe espaço para uma campanha que transite entre os dois partidos, já que a percepção negativa é grande de parte a parte. Mas falta aos republicanos a percepção de mudança no discurso, apesar de saber que a força interna do partido vem de sua ala mais conservadora. Um grande desafio para o Grand Old Party.

quinta-feira, julho 15, 2010

Progressitas fecham com Dilma

Esta é mais uma da série de episódios que atestam o potencial de vitória da candidatura Dilma. Desta vez foi o PP que caiu nos braços da candidata governista. Na verdade o partido rachou, mas o resultado do racha é benéfico para Dilma.

O Partido Progressista, que é o sucessor do PPB, PPR, PDS e mais atrás da Arena, antes de decidir apoiar quase integralmente a chapa petista, por pouco não foi oficialmente acomodado no ninho tucano. O Presidente do PP, Francisco Dornelles, foi cotado para ser o vice de Serra, mas não emplacou. O partido levará para a coligação de Dilma e Temer o apoio de 20 diretórios estaduais. Cinco fecharão com Serra e dois permanecerão neutros.

Dilma não ficará com o tempo de TV do PP, já que não existe uma coligação formal, mas o peso da opção do partido por Dilma terá reflexos eleitorais. Os resultados políticos na ocupação dos espaços já começaram a aparecer. O PP integrará os três grandes núcleos da campanha: político, programa e mobilização.

Os progressistas, que compõe um dos principais partidos envolvidos no mensalão petista de 2005, é um daqueles grupos políticos que entendem o sentido do vento favorável em uma campanha eleitoral. Pretende estar ao lado do vencedor.

Dentro da lógica eleitoral brasileira, hoje vemos o PT cortejando a antiga Arena, outrora o "maior partido político do ocidente", a cerrar fileiras ao lado de Dilma. O governo jogou com todo peso de sua máquina mais uma vez e venceu. Parte do PP, que já faz parte do governo Lula, alinha-se agora a parcela do PTB e até ao PSC, que recentemente mudou de lado. Todos apoioarão Dilma. O fato político criado pela adesão dos pepistas é mais um golpe para os tucanos. Um fato com peso político, especialmente quando sabemos que o Presidente do PP, Francisco Dornelles, é primo de Aécio Neves.

quarta-feira, julho 14, 2010

Derrota amarga no Japão

Quem esperava um governo audacioso quando o Partido Democrático do Japão chegasse ao poder, tem se decepcionado. Yukio Hatoyama teve uma passagem breve pelo comando do país. Seu sucessor, Naoto Kan, pode trilhar o mesmo caminho.

O PDJ chegou ao poder cercado de expectativas. Hatoyama liderou uma campanha vitoriosa ao lado de Ichiro Ozawa. Seu governo não completou um ano. Kan, seu sucessor, que tentou afastar-se de Ozawa, agora sente a mão pesada da eminência parda do partido. As eleições para a Câmara Alta do Parlamento, apenas seis semanas após a escolha de Kan para governar o Japão, tinham tudo para se tornar difíceis para o PDJ. Foram piores do que se imaginava.

O Partido Democrático esperava fazer 60 cadeiras, depois baixou a expectativa para 50. Fez 44. O resultado foi pífio e Kan, agora líder do partido, passou a ser responsabilizado.

A derrota do partido de Kan tem dois vértices. O primeiro é Ichiro Ozawa, que deseja recuperar seu prestígio interno e tenta mostrar sua força. Do outro lado está o PDL, que esteve no poder japonês pelas últimas décadas. A máquina partidária-eleitoral dos liberais entrou em operação com Shinjiro Koizumi, filho de Junichiro Koizumi, como um dos expoentes. Os liberais conquistaram 51 cadeiras.

Agora Kan encontra-se sem maioria na Câmara Alta. Na Câmara Baixa, falta-lhe a maioria de 2/3 para passar qualquer reforma importante. Precisará fazer concessões aos liberais. Governar tornou-se uma tarefa árdua para o PDJ.

O Primeiro-Ministro tem pouco tempo para mostrar serviço. Em setembro terá que renovar sua liderança perante o partido, que sabemos, sofrerá influência Ichiro Ozawa. Kan precisa de resultados concretos para sua manutenção na Chefia de Governo. Sem a maioria na Câmara Alta, tudo ficou ainda mais difícil.

terça-feira, julho 13, 2010

Sarkozy sob pressão

Sarkozy defendeu seu governo durante os 60 minutos de entrevista no canal de televisão pública France 2. Suas palavras não foram diferentes daquelas usadas por qualquer governo que sofre acusações. Seu objetivo principal foi evitar que o assunto ganhe maior repercussão política e tome contornos mais agudos.

O Presidente francês entende que os desdobramentos da atual crise podem refletir-se nas próximas eleições presidenciais francesas e a UMP, sem o controle de governos regionais, é refém única e simplesmente, do nome de Sarkozy, se deseja renovar seu mandato presidencial.

Depois de estar sem rumo, ao perder o pleito nacional em 2007, os socialistas conseguiram unir suas forças e se renovar, criando condições reais de chegar ao poder nacional. As vitórias eleitorais deste ano fazem parte deste cenário.

Do outro lado, a UMP enfrenta o desgaste do governo Sarkozy e denúncias como o atual caso Woerth-Bettencourt. As iniciativas estão nas mãos do Presidente, que precisa agir de forma coerente e consistente, equilibrando-se entre a pressão dos aliados e a resposta necessária para a população. Setores empresariais, que já davam como certa a reeleição de Sarkozy, começam a considerar outros cenários.

O remédio usado até o momento por Sarkozy para debelar a crise não foi eficiente, inclusive com a entrevista desta segunda. Woerth deixará cargo de tesoureiro da UMP, mas permanece ministro. Neste caso, não basta. É preciso agir de forma mais contundente. O timing da crise é perfeito para os adversários políticos da UMP. Ainda há tempo hábil para uma reação política vinda do Elysée, entretanto, precisa ser realizada de maneira certeira, sem erros.

segunda-feira, julho 12, 2010

High Society

Pense o que poderia reunir Lucy Barreto, Hildegard Angel, Carmen Mayrink Veiga, Ângela Gutierrez, Magali Cabral, Andrea Agnelli, Beth Floris, Lenny Niemeyer, Nélida Piñon, Maria da Conceição Tavares, Jandira Feghali, Alcione entre mais de 50 nomes de mulheres da sociedade carioca sob o teto do emblemático casarão do Cosme Velho onde reside Lily de Carvalho Marinho, viúva de Roberto Marinho? A resposta é simples: a candidata Dilma Rousseff.

D. Lily convidou todas para ouvirem as idéias da candidata de Lula. No cardápio, além educação, família, cultura e comentários sobre operações plásticas, tartare de salmão com maçã e funcho e filé de cherne com banana caramelada, passas e urucum feitos pelo chef Claude Troisgos. Pelo salão circulavam garçons de luvas brancas que serviam champanhe Dom Perignon. Dilma teve seu batismo nos salões da sociedade carioca e transitou com impressionante desenvoltura para uma pessoa com seu passado. Sua campanha tem realizado um trabalho profissional.

O que menos importa, neste caso, é teor do que foi discutido, mas a mensagem enviada pelo simbolismo do ato. Depois de passar pelos salões da sociedade paulistana, Dilma foi recebida pela sociedade carioca. Existe reconhecimento de seu potencial de vitória e já inicia-se, também deste modo, a acomodação de interesses futuros. Nos salões de D. Lily estavam, além de esposas influentes, acadêmicas, jornalistas, escritoras, empresárias, políticas e artistas.

Ao final, a anfitriã, que ofereceu o almoço para homenagear "a senhora D, a senhora democracia", declarou que "se votasse, seria na Dilma". Confiante, a candidata petista devolveu: "Te espero na minha posse".

Alguns sinais mostram a tendência de movimento das peças no xadrez político. Os recentes encontros de Dilma com figuras representativas do establishment brasileiro, evidenciam esta percepção. Se a oposição deseja vencer, já passou da hora de acordar.

sexta-feira, julho 09, 2010

Crise no Elysée

Os franceses estarão de olho no canal de televisão pública France 2 na próxima segunda-feira. Sarkozy finalmente irá falar sobre o caso Woerth-Bettencourt, referente as supostas doações ilegais para sua campanha presidencial em 2007.

Sarkozy enfrenta um período difícil de seu governo. Depois do desgaste sofrido pela UMP, com inúmeras derrotas nas eleições regionais, e a impossibilidade de colocar em curso todas as reformas que imaginava, tudo tem se tornado mais difícil. Os sindicatos pressionam, boatos se espalham pela imprensa e tudo isso gera reflexos em sua popularidade, que chegou a níveis muito baixos.

O caso mais recente, que envolve a herdeira da l'Oréal e o ministro do Trabalho, é apenas mais um episódio de desgaste. De forma curiosa, tudo ocorreu exatamente nas vésperas da apresentação do projeto de reforma das aposentadorias, criticado pelos socialistas e atacado pelos sindicatos. O projeto é articulado por Eric Woerth, titular da pasta do Trabalho, aquele que está no epicentro da crise. Não deixa de ser uma coincidência peculiar.

Pelo que conheço da política local, especialmente pelo que vi acompanhando a campanha presidencial de 2007 in loco, algo se esconde ainda por trás disso tudo. De qualquer forma, Sarkozy tentará trazer toda sua habilidade política para frente das câmeras na segunda. Acompanharei para comentar aqui.

Se Sarkozy deseja alcançar mais um termo frente ao Elysée, precisa começar a mudar radicalmente. Além da economia, ele precisa reformar as práticas políticas francesas, a começar por dentro de casa. A UMP precisa reagir.

quinta-feira, julho 08, 2010

Desafio para Kan

Naoto Kan apenas começou seu governo no Japão, mas já enfrenta o primeiro teste. Pela primeira vez como líder do Partido Democrático, enfrentará as urnas. A disputa será para a Câmara Alta do Parlamento e será fundamental para testar a força de Kan.

O partido do recém empossado Primeiro-Ministro perdeu a confortável distância que mantinha do rival Partido Liberal Democrático. Dos 10,5% de vantagem, o partido de Kan despencou nas vésperas do pleito para uma diferença de apenas 6,4%. Mais importante do que os números propriamente ditos, é a tendência de queda para o partido do governo. Já fala-se que o Partido Democrático desistiu de chegar as 60 cadeiras, contentando-se com possíveis 50, exatamente na margem para formar maioria.

O teste nas eleições para o Senado é também um teste para o jovem gabinete de Kan. Depois de chegar ao governo pela renúncia de Yukio Hatoyama, Naoto Kan tem muito a provar frente a seu partido. Busca implementar reformas e também levar seu partido a terminar a legislatura ainda na liderança do país. Ele precisa provar que lidera um governo forte, como comentei neste espaço anteriormente.

Desde que Junichiro Koizumi deixou o poder, a lista de breves Primeiro-Ministros no Japão não deixa de aumentar. Shinzo Abe, Yasuo Fukuda, Taro Aso e Yukio Hatoyama. Kan enfrentará a primeira batalha para não seguir o mesmo destino de seus antecessores.

quarta-feira, julho 07, 2010

Netanyahu em Washington

A visita de Netanyahu a Washington está permeada de significados e ocorre exatamente porque ambas partes compreendem que os dividendos políticos do seu entendimento são maiores do que os movimentos atuais.

Registrei aqui a visita de Rahn Emanuel, o influente Chefe de Gabinete de Obama, a Israel. Este foi apenas o primeiro passo. A Casa Branca entende que precisa mover-se no sentido de uma reaproximação de Israel. Obama busca, com este movimento, obter mais apoio no Capitólio e garantir suporte do eleitorado judaico nas eleições de novembro. O Presidente americano entendeu também o recado de Israel, que não tolerará uma política ambígua, diferente daquela histórica, construída ao longo dos anos entre os dois países. Israel sabe mudar o tom se preciso.

Isso tudo fornece a Netanyahu uma segunda chance de construir boas relações com a Casa Branca de Obama. A recepção em Washington foi diferente de março. Desta vez, o Primeiro-Ministro de Israel apareceu ao lado de Obama para uma coletiva e teve um encontro privado com o Presidente no Salão Oval. Obama, entretanto, almeja mais.

Os afagos em Netanyahu serviram para que fosse entendido que ele precisa se mover na direção de fazer concessões dentro da política externa de Obama para a região, se deseja continuar a ser um convidado de honra em Washington. O Primeiro-Ministro se move em uma linha tênue, pois sofre pressão em casa para não ceder e, se o fizer, a coalizão política que mantém seu gabinete pode ruir. Precisa negociar o quanto irá se mover nesta aproximação.

As relações bilaterais, que estremeceram desde que Obama chegou a Casa Branca, pode ter dado sinais de recuperação. Mesmo que forçado pelas circunstâncias, uma boa oportunidade para ambas partes.

terça-feira, julho 06, 2010

Alianças no México

A política realiza casamentos improváveis não somente no Brasil. Acabamos de ver um resultado inusitado no México. Enquanto o PRI lutava sozinho pelos seus votos, os outros dois principais partidos, PAN e PRD, se uniram para derrotá-lo. Não seria inusitado se os dois não representassem forças políticas completamente antagônicas.

O centrista PRI triunfou em nove dos 12 governos regionais em disputa. Levou, inclusive dois governados pelo PAN, Aguascalientes e Tlaxcala, além do único do PRD, Zacatecas. As vitórias, entretanto, foram amargas. Unidos, o partido do presidente Calderón e de seu adversário, Lopes Obrador, triunfaram em três jóias da coroa que eram governadas pelo PRI: Oaxaca, Sinaloa e Puebla.

O golpe sofrido pelo PRI com a perda desses três governos regionais explica-se pela ótica orçamentária-política. Os recursos financeiros recebidos pelos partidos no México são calculados pelo número de eleitores. Assim sendo, o PRI ganhou 2,7 milhões de eleitores, mas perdeu três estados com 9,8 milhões.

O PRI pretendia uma vitória completa, ampla no sentido de sedimentar seu caminho rumo as eleições presidenciais de 2012. Com receio dessa estratégia, PAN e PRD se uniram para evitar seu próprio fracasso político em dois anos. O primeiro passo foi dado.

Resta saber como Calderón, do conservador PAN, irá lidar com este intrincado xadrez político, uma vez que necessita do apoio do PRI para governar, especialmente em um momento de crescente violência no México.

Possuo muitos bons amigos na política mexicana, alguns com os quais já tive o prazer de trabalhar em pleitos disputados e interessantes. Eles alertam que, pelo menos por enquanto, é improvável falar de uma aliança nacional entre PAN e PRD para 2012. Mas sabemos que na política alianças improváveis são possíveis, especialmente quando existe um adversário comum. Caso contrário, o PRI seguirá como fiador da estabilidade política.

segunda-feira, julho 05, 2010

Direita Liberal vence na Polônia

Em 2007, quando trabalhava em Viena, fui até Varsóvia assim que Donald Tusk venceu as eleições com o Plataforma Cívica. Pretendia ver o impacto das mudanças que seriam implementadas e monitorar a escolha do gabinete, de fundamental importância para entender a guinada pela qual a Polônia estava passando. Fiz os registros neste Blog.

Percebi uma direção liberal clara, ou seja, o governo continuaria nas mãos da Direita, assim como era com o Lei e Justiça, mas a chegada do Plataforma Cívica trazia, além de uma nova geração, a concretização de uma maior aproximação com a Europa e a implementação de reformas liberalizantes na economia.

O recente falecimento de Lech Kaczynski, deixando vago o cargo de Presidente, abriu a possibilidade de renovação de poder também na Chefia de Estado. Era a chance do Plataforma Cívica concluir o ciclo que começou com a vitória de 2007. Apesar do cargo de Presidente não ser fundamental para o exercício do poder na Polônia, sua conquista traria tranquilidade para o partido concluir as reformas sem qualquer forma de veto da Chefia de Estado.

Assim, a vitória de Bronislaw Komorowski, do Plataforma Cívica, sobre Jaroslaw Kaczynski, do Lei e Justiça, nas eleições presidenciais deste domingo tem um significado muito importante na política polonesa. Foi uma mensagem de confiança da população no governo liderado por Donald Tusk e uma consolidação do rumo reformista adotado pelo seu gabinete.

Do outro lado, os 47% alcançados por Jaroslaw Kaczynski mostram que a Direita Conservadora ainda tem capital eleitoral para mobilizar-se visando as eleições legislativas de 2011. O Lei e Justiça disputará essas eleições para vencer, mas Tusk, além do Presidente, tem a seu favor uma economia que não sofreu abalos durante a crise e deve entrar com louvor na zona do Euro antes do pleito. Caberá ao Plataforma Cívica manter a vantagem que Bronislaw Komorowski atingiu nesta disputada eleição.

sexta-feira, julho 02, 2010

O Empate

Depois da pequena dianteria de Dilma nas pesquisas, tudo indica um recuo e um empate. O Datafolha mostra Serra agora com 39% e Dilma logo atrás com 38%. Marina segue estagnada nos 10%.

Isto se dá devido a maior exposição de Serra na TV. Dilma subiu até aqui pelo mesmo caminho. Serra perdeu uma grande oportunidade de ocupar maior espaço na mídia mediante a escolha de seu vice, que poderia ter sido melhor costurada. A presença de Serra na mídia foi muito maior devido a indefinição na escolha do nome que o acompanharia na chapa e as brigas internas que levaram a escolha de Índio da Costa.

Dilma apareceu sempre de forma mais positiva. O Planalto tem trabalhado a todo vapor para fechar palanques nos estados que impulsionem os números de sua candidata. Para isso o PT cortou na própria carne, intervindo quando necessário e agindo nos bastidores com enorme contundência, tanto para atrapalhar os planos dos tucanos, como no Paraná, como para fechar acordos com um PMDB rebelde em alguns estados.

Se a eleição fosse hoje, Dilma teria vantagem com o empate em função de dois fatores. O primeiro reside na maior consistência e articulação de seus palanques estaduais, especialmente fortalecido com o homogêneo apoio que o PMDB tem demonstrado. Temer, fiador e elo do acordo, entrega aquilo que promete. Dilma agradece. O segundo ponto reside na capacidade de mobilização. Aprendi, durante o período que trabalhei na Espanha, que partidos como o PT, em reta final, se empatados, conseguem alcançar a vitória. Sua capacidade de mobilização, articulada com setores organizados da sociedade, como igreja e sindicatos, catapultam os números finais para além do esperado.

Portanto, se Serra deseja vencer, precisa chegar com alguma folga nos momentos finais. Isto será fundamental para vitória. Caso chegue empatado, como mostra o retrato de hoje, as chances de perder são grandes.

Amanhã o Ibope solta números que devem confirmar estes do Datafolha, zerando o jogo em termos de pesquisas, mas sabemos que em articulação nacional a chapa PT/PMDB sai na frente. Vale lembrar que estes números não trazem ainda o impacto da escolha do nome de vice de Serra, seja para o lado positivo ou negativo.

quinta-feira, julho 01, 2010

Ainda sobre o Vice

Gostaria de voltar aqui ao tema da escolha do candidato a vice de José Serra e tecer alguns comentários.

No caso da chapa do PSDB, a escolha do vice deveria recair em algum nome que, de forma estratégica, pudesse agregar na campanha. Índio da Costa pode ser um bom deputado e ter boas idéias, entretanto, não se encaixa dentro do perfil necessário para vencer uma disputa da forma que esta eleição presidencial se apresenta.

José Serra precisava de um nome do cento país, como já coloquei aqui. Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Mato Grosso são os estados chave dentro desta idéia. Poderia se buscar um vice ligado ao agronegócio, que também unisse a base e impulsionasse a campanha para o Centro-Oeste.

Descartado o nome de Aécio, de projeção nacional, deveria se oferecer ao ex-Governador de Minas Gerais a possibilidade de ele mesmo indicar um nome de seu estado para a vice. Isto traria inevitavelmente Aécio para dentro da disputa presidencial, sem correr o risco de ver seu eleitorado debandar no pleito nacional, como ocorreu em 2006. Em caso de negativa de Aécio, poderia-se buscar dentre os partidos que compõe a aliança.

Dentro do DEM, Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado e Kátia Abreu exerceriam o papel com muita competência. Carregariam o Centro-Oeste, tem história política, projeção nacional e uniriam a base. Os dois últimos, ainda carregariam com entusiasmo o agronegócio para o coração da campanha.

Ainda se faltassem nomes dentre os aliados e o PSDB voltasse seu foco para a formação de um chapa pura, os tucanos poderiam fazer a opção pelo discurso da ética e alçar Flávio Arns para a posição. Seria uma jogada de mestre. Ex-membro do PT, Arns representaria um resgate ético de valor inestimável para a chapa, trazendo inclusive votos petistas para José Serra.

Enfim, as opções eram as mais variadas, dependendo da estratégia de campanha. A primeira opção seria Aécio, ou um nome mineiro indicado por ele, passando-se pelos bons nomes do DEM e aliados e aterrisando, quem sabe, em um nome com o balisamento ético de Arns, levando a campanha para águas onde o PT não deseja navegar. Faltou a José Serra tomar as rédeas da escolha de seu vice. Sem planejamento estratégico dos rumos de campanha, não foi possível fazer este desenho. Agora, com a imposição dos fatos sobre qualquer forma de estratégia, encara-se a campanha.