segunda-feira, agosto 02, 2010

Vantagem em Minas

Desde o princípio da campanha tenho alertado para a importância de Minas Gerais. É neste estado que a eleição presidencial será definida. A última pesquisa Ibope que mostra Dilma já na dianteira evidencia esta tese. Na medida que amplia a vantagem em Minas, a candidata de Lula vai abrindo vantagem nacionalmente.

Se nos estados do Sul Serra leva vantagem e nos do Nordeste Dilma sai na frente, é preciso atenção em duas frentes: Centro-Oeste e Sudeste. Nesta última, considerando os grandes colégios eleitorais, o PT leva vantagem no Rio de Janeiro, enquanto Serra carrega São Paulo. Em Minas reside a senha para a vitória.

Por lá, em 2006, ocorreu o fenômeno Lulécio, ou seja, Lula para Presidente e Aécio para Governador. Em 2010, vemos que 46% daqueles que votarão em Antônio Anastasia, preferem Dilma. Começa a ser gestado o chamado voto "Dilmasia", que pode ferir gravemente a candidatura Serra. O único capaz de evitar o naufrágio tucano em Minas é Aécio Neves. Seu eleitorado fiel está com Anastasia, mas não está com Serra. Dilma tem 44% no estado, contra 32% do tucano. São 1,2 milhão de votos de vantagem para a petista.

O candidato do PSDB tem outro problema. Falta a Serra também uma maior penetração política no Centro-Oeste. Escrevi aqui que ele deveria considerar um vice ligado ao agronegócio dentro desta região. Se olharmos os números, somando Norte/Centro-Oeste, Dilma já aparece na frente, com 40% das intenções de voto.

Serra precisa reforçar sua campanha em duas frentes: Minas e Centro-Oeste. Se não o fizer, Dilma caminhará para vitória, talvez até no primeiro turno.

sexta-feira, julho 30, 2010

Racha na Itália

A coalizão que sustenta o governo de Silvio Berlusconi pode ceder em breve. A saída de Gianfranco Fini para a criação de um novo partido, o Azione Nazionale (AN), pode ser o ponto inicial de uma crise no gabinete italiano.

Fini veio de um partido chamado Aliança Nacional, que se fundiu com o Forza Italia de Berlusconi para formar o Povo da Liberdade (PdL). Agora o movimento foi inverso e Fini leva para o novo partido pelo menos 35 deputados e oito senadores. Neste ponto reside o problema da governabilidade. A questão está em saber até que ponto este movimento desestabiliza o gabinete e a maioria parlamentar.

A situação não parece tão grave quanto mostra a imprensa italiana, mas inspira cuidados. Será preciso ter muita habilidade política para que o governo consiga se manter sem a convocação de eleições antecipadas, que deveriam ocorrer apenas em 2013. Berlusconi estaria confiante, mas é preciso sentir o ambiente político, já que na Itália a linha que divide o poder entre esquerda e direita é muito tênue e qualquer erro político pode ser fatal nas eleições.

quinta-feira, julho 29, 2010

Coisas da Política

Quem poderia imaginar o seguinte jingle de campanha: "É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma, pelos mais carentes. É Lula apoiando Dilma, é Dilma apoiando Collor, para o bem da nossa gente. É Lula apoiando Dilma, é Dilma apoiando Collor, e os três para o bem da gente". Pois é. Existe e expressa a linha central da campanha de Collor para o governo de Alagoas.

O ex-Presidente não está fazendo feio. Muito pelo contrário. Tudo indica um clara e forte chance de vitória. As últimas pesquisas mostram Collor na liderança isolada com 38% das intenções de voto.

Apesar do jingle, o PT não está formalmente coligado com Collor em Alagoas. A aliança do partido de Lula é com o PDT de Ronaldo Lessa, que também tenta angariar votos por meio de um jingle que diz: "É Lessa, é Lula juntos por Alagoas". Lessa tem 26%.

Na oposição, liderada pelo governador Teotônio Vilela, existe preocupação, não só porque ele permanece nos 21%, mas porque Alagoas foi o único estado em que Lula perdeu para Serra em 2002 e se as coisas vão mal em Alagoas para os tucanos, no restante do Nordeste não parecem ser nada boas.

Na disputa pelo Senado, Heloísa Helena deve confirmar sua volta e Renan deve confirmar mais oito anos em Brasília.

Enquanto isso, é Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma..

quarta-feira, julho 28, 2010

Rebeldia Catalã

O ato de rebeldia da Catalunha em proibir as touradas não tem sido visto pela ótica real do que representa. Na verdade representa apenas isto, uma rebeldia de Barcelona frente à Espanha, na tentativa de ferir a unidade nacional depois da Corte Nacional declarar a inconstitucionalidade de parte das leis autonômicas catalãs.

A decisão nada tem a ver com a proteção ao direito dos animais, democracia, meio-ambiente ou qualquer um dos grupos que comemoraram a proibição. A diretriz vinda de Barcelona tem um cunho político, de corte profundo, em um tema delicado, que é o equilíbrio autonômico entre os territórios regionais que formam a Espanha.

O Presidente do Partido Popular sintetizou a posição de muitos espanhóis em uma frase: "Sou a favor da liberdade. Os que quiserem ir às touradas que vão. Divisão e separação não é o que a Catalunha, a Andaluzia e nem ninguém precisam".

A votação foi apertada, vencendo a proibição por 68 contra 55 votos. Gerou forte discussão porque argumentos equivocados foram usados para politizar uma questão que deveria ser avaliada de outra forma.

Ferir uma tradição nacional foi a forma encontrada por alguns políticos da Catalunha para impulsionar um movimento separatista e se cacifar para as eleições regionais no outuno. Perdeu-se uma grande oportunidade de discutir um tema importante dentro de sua verdadeiro âmbito.

terça-feira, julho 27, 2010

"Carta-Compromisso"

Depois de toda confusão gerada pela divulgação de um programa de governo um tanto quanto radical, parece que o PT busca contornar a situação com uma estratégia de consenso entre os aliados. A idéia é divulgar os pontos de um novo programa no estilo de uma "Carta-Compromisso" contendo as diretrizes básicas do que seria um governo Dilma.

Existe também a idéia do lançamento de propostas setoriais, separadas por vértices de importância estratégica, como saúde, segurança, educação e infra-estrutura. Entretanto, todo o material deve estar pronto e divulgado até 17 de agosto, quando entram no ar os programas eleitorais no rádio e TV. Mas é melhor a coligação se apressar, já que o primeiro debate será antes disso.

Por falar em debate, Dilma está em fase de aprendizado intensivo com os ministros de Lula. Todos aqueles responsáveis por áreas importantes e estratégicas do governo tem suprido a candidata de informações e números sobre a administração pública. O treinamento tem sido intenso. É preciso que, abastecida de números, Dilma abandone o tom professoral e soberbo que a caracteriza, pois caso não seja domado, poderá influenciar de forma negativa sua imagem.

Bem que a preparação de Dilma para os debates poderia ser acompanhada de um Plano de Governo consistente, pois na falta dele, esta é uma fraqueza que pode ser muito explorada por José Serra.

segunda-feira, julho 26, 2010

Repercussão no New York Times

A imprensa internacional repercutiu os esforços de Lula em fazer o sucessor. O New York Times publicou matéria que mostra a constante presença do Presidente em comícios e eventos em prol de Dilma e lembra que ele já foi multado em razão disso.

O jornal foi além e mostrou como o governo federal usou a máquina administrativa para fazer a candidata viável, por meio da entrega da coordenação das ações do multibilionário PAC, dando a visibilidade necessária para que ela se torne conhecida e para que Lula possa lhe transferir votos.

Sendo mais direta, a matéria continuou dizendo que o Presidente, além de desrespeitar as leis, creditou a Dilma programas e obras públicas realizados durante seu governo.

As críticas foram contundentes e fornecem uma idéia de como a eleição presidencial brasileira é vista internacionalmente. É uma lástima que o nossos lideres não brindem o país com um processo eleitoral que respeite as leis e as instituições, evidenciando a grandeza do Brasil.

Na matéria, que ainda lembra o fato de Lula ter passado dos limites, diz que a popularidade pode não ser suficiente para fazer o candidato do governo vencer, como ocorreu no Chile. Entretanto, no país andino, as instituições e a liberdade econômica fornecem uma menor dependência do governo que faz toda a diferença. Especialmente em matéria eleitoral.

sexta-feira, julho 23, 2010

PT mira no Senado

Além de trabalhar para fazer de Dilma Rousseff a sucessora de Lula, o PT trava uma uma outra batalha de alta importância estratégica. O foco é o Senado, onde o partido sofreu suas maiores derrotas durante o governo Lula.

Para tanto, a estratégia política foi mover os candidatos mais fortes do PT para disputar uma cadeira na Casa legislativa que atualmente é presidida por Sarney. Isto facilitou de forma importante também a formação dos palanques nos Estados. Aqui o PT abriu mão da cabeça de chapa e indicou para disputar uma cadeira no Senado candidatos que teriam envergadura para vencer a disputa pelo governo estadual.

Em 2006 o PT lançou 20 candidatos aos governos estaduais. Neste ano serão apenas 11. A coligação com o PMDB foi a parceria ideal para esta estratégia. Hoje o PT conta com 9 senadores, sendo que dois deles tem mandato até 2014. O partido projeta chegar a 18 e alcançar a maioria da Casa, já que o PMDB alcançará no máximo 17. Para ter candidatos com fortes chances de vitória, o PT inclusive afastou da disputa senadores em mandato que poderiam tentar a reeleição. O partido optou, nestes casos, por outros nomes com máxima chance de vitória.

Os resultados de uma êxito esmagador do PT para as cadeiras no Senado terão um impacto grande nos planos do próximo governo, independentemente de quem vença. Se a vencedora for Dilma Rousseff, o caminho estará aberto para reformas mais profundas, inclusive de âmbito constitucional.

quinta-feira, julho 22, 2010

Marina na América

Em uma eleição polarizada entre PT e PSDB, Marina Silva tenta firmar seu nome como uma real alternativa para eleitores que rejeitam a tese de uma eleição plebiscitária. Trabalha muito para isso. Nesta semana ela está em Nova York e fala com postura de candidata competitiva e com discurso sintonizado com os temas globais.

Já ouvi de muitos formadores de opinião que falta uma terceira-via consiste na campanha presidencial. Marina tenta se viabilizar neste nicho e caso encontre ressonância poderia ver sua candidatura alçar vôo.

No New York Palace ela disse que o Brasil precisa ser cuidadoso, mesmo com crescimento em alta, que uma agenda clara de desenvolvimento, certamente sustentável, é necessária. O País precisa evitar recuperações cíclicas e se direcionar em um crescimento equilibrado e permanente, disse ela.

Marina ainda defendeu sistema de metas de inflação, austeridade fiscal e um regime de câmbio flutuante. Temas positivos para retirar o rótulo de candidata de um tema só: Meio-Ambiente.

Sua campanha caminha de maneira consistente. Cresce nos segmentos mais escolarizados das grandes cidades e a escolha de Guilherme Leal para vice foi um acerto que abriu as portas do meio empresarial. Falta para a campanha de Marina uma maior entrada nas cidades pequenas e até médias, onde só entram candidatos com uma forte máquina partidária por trás.

Marina trouxe os grandes temas para o debate e posicionou-se de forma consistente sobre eles, mas para se viabilizar como um nome competitivo, sem estrutura partidária, precisa se transformar em um fenômeno da terceira-via. Esta é sua única chance de vencer.

quarta-feira, julho 21, 2010

Pesquisas internas

O Vox Populi trata de analisar as tendências de uma pesquisa eleitoral feito sob encomenda para o PT. Mostra Dilma com larga margem de vantagem, algo em torno de 7 pontos de dianteira.

No PSDB os trackings mostram algo diferente, ainda com Serra pouco acima de Dilma, o que evidencia um claro empate técnico. Logo é preciso abrir a pesquisa e estudá-la. Todas tendências que são passíveis de avaliação trazem informações importantes. O Vox introduziu, ainda em 1989, para Collor, as pesquisas qualitativas, que foram fundamentais para que o então governador de Alagoas chegasse ao Planalto.

Como pesquisas mostram direcionamentos eleitorais, é possível realizar, por meio de seus números, correções de rumo, mudanças de discurso, foco de propaganda e orientação de onde se deve investir os recursos de campanha.

É o que o PT está fazendo, debruçado nos números trazidos pelo Vox Populi, não somente com seus analistas, mas com os grão-duques que mandam no partido e coordenam a campanha de Dilma. Os tucanos deveriam seguir o mesmo caminho.

terça-feira, julho 20, 2010

Gillard sai na frente na Austrália

Julia Gillard é a Primeira-Ministra da Austrália há apenas poucas semanas, mas já colocou sua estratégia em prática. Sua idéia é renovar o mandato dos Trabalhistas frente ao governo antes do final do atual mandato.

As eleições foram convocadas e Julia conseguiu mover as peças de maneira inteligente. Os índices alcançados pelo seu antecessor eram pífios, típicos de um governo impopular. Desde que os Trabalhistas trocaram Kevin Rudd por Julia Gillard, entretanto, algo mudou. O partido conseguiu respirar novos ares e parte para o embate eleitoral com chances de vitória.

As primeiras pesquisas mostraram liberais e trabalhistas empatados, o que já era um grande resgate de popularidade para o atual governo. Mas as pesquisas dos últimos dias mostram que os Trabalhistas abriram vantagem. Isto significa uma pequena tendência em prol de Julia, mas que ainda está longe de se consolidar como liderança.

No sistema político australiano, a vantagem em termos de pesquisa é relativa. Os distritos é que são decisivos e dentro desta conta é que os liberais, liderados por Tony Abbot, fazem suas projeções. Eles precisam de apenas nove cadeiras para atingir maioria e formar um novo governo.

A nova roupagem trazida por Julia ao Partido Trabalhista serviu para trazer o jogo a um patamar de igualdade. Ela sai com pequena vantagem, mas agora é que a campanha propriamente dita começa.

segunda-feira, julho 19, 2010

A Força do Estado nas Eleições

O Globo publicou matéria neste final de semana que mostra a dimensão do peso do Estado brasileiro na conta final da eleição. Pelas contas feitas pelo jornal, 48,8 milhões de brasileiros dependem diretamente do dinheiro advindo da arrecadação de impostos. Considera-se nesta conta os beneficiados pelo seguro-desemprego, bolsa-família, funcionários públicos e aposentados.

Por certo este número é maior, especialmente se considerarmos que existem famílias dependentes destes recursos. Portanto, de saída este número pode dobrar, batendo na casa dos 100 milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do Estado para viver. Isto constitui-se em um fato eleitoral com impacto que não pode ser desprezado.

Mas a conta pode ir além, se considerarmos estruturas que passam pelo Estado para sobreviver e de suas benesses para se manter. Exemplos claros são as ONGs e movimentos sociais que dependem de verbas públicas, sem contar os sindicatos. Logo vemos que poder de fogo, bem como a estrutura eleitoral de longo prazo que o governo montou, é decisivo quando se fala em vencer eleições.

De acordo com os fatos pode-se considerar inviável qualquer candidato que afete os interesses daqueles que recebem sua renda dos cofres públicos. Vimos isto na última eleição, quando Alckmin foi acusado de "privatista", o que logo o levou a sair na defesa do papel estratégico do Estado, suas empresas e benesses.

Isto explica porque os candidatos alinhados com Lula tem mais votos onde mais se depende do governo para viver, nas regiões Norte e Nordeste. Também explica porque o mesmo grupo sofre para vencer eleições em locais como o Sul e São Paulo, onde se depende menos do governo e existe maior presença da iniciativa privada.

A estrutura criada pelo grupo que atualmente comanda máquina pública conseguiu articular-se em todas as frentes. Para o grande empresariado e a imprensa, acena com subsídios, obras e polpudas verbas publicitárias. Na classe média, proliferam-se aqueles que procuram os concursos públicos e para as faixas de baixa-renda, acena-se com programas como o Bolsa-Família. Isto sem falar na estrutura sindical e das ONGs.

Vencer a estrutura das benesses do Estado torna-se cada mais difícil no Brasil. Vota-se naqueles que defendem a manutenção do sistema. Um modelo de que alimenta-se de si mesmo em um perigoso ciclo vicioso que afeta diretamente a existência da democracia, uma vez que domestica os eleitores, em todos os níveis.

sexta-feira, julho 16, 2010

Popularidade em Queda

A popularidade de Obama continua em queda. Em ano de eleições legislativas, isto realmente não é uma boa notícia. Mas a sorte, de alguma forma, acompanha o Presidente americano, já que o desgaste de seu governo, que contamia o Partido Democrata, pode não ser suficiente para a impôr a derrota especulada por muitos analistas.

Para vencer, é preciso primeiro não perder. Pode ser que o Partido Democrata não esteja passando pelo seu melhor momento, mas isto não quer dizer que os republicanos estejam preparados para vencer. Sem uma liderança consistente e uma forte guinada interna para sua vertente mais conservadora, muitos votos podem ser perdidos. Se os moderados não embarcarem na onda conservadora republicana, o partido pode sair do pleito com números mais pífios do que se espera.

Se a união dos republicanos fosse mais simples, um cenário promissor poderia surgir. Obama se esforça para manter sua popularidade cada dia a níveis mais baixos. 60% dos americanos, segundo o jornal Washington Post, publicação que apoiou entusiasticamente a eleição de Obama, disseram não ter confiança no Presidente democrata. Em relação a economia, 54% desaprovam sua gestão. 61,6% acreditam que o país segue no rumo errado. No geral, a desaprovação bateu em 47%. Na média de todos os institutos, a sensação negativa em relação ao governo democrata de Obama já ultrapassa o percentual de aprovação.

Mas do lado dos republicanos a situação não é muito melhor. 72% dos eleitores não confiam nos parlamentares republicanos, enquanto 68% dizem o mesmo sobre os congressistas democratas. Ocorre uma pequena vantagem no geral para os republicanos quando olhamos para os números da eleição de novembro. 45% tendem a votar no GOP e 41,7% nos democratas.

Isto mostra que existe espaço para uma campanha que transite entre os dois partidos, já que a percepção negativa é grande de parte a parte. Mas falta aos republicanos a percepção de mudança no discurso, apesar de saber que a força interna do partido vem de sua ala mais conservadora. Um grande desafio para o Grand Old Party.

quinta-feira, julho 15, 2010

Progressitas fecham com Dilma

Esta é mais uma da série de episódios que atestam o potencial de vitória da candidatura Dilma. Desta vez foi o PP que caiu nos braços da candidata governista. Na verdade o partido rachou, mas o resultado do racha é benéfico para Dilma.

O Partido Progressista, que é o sucessor do PPB, PPR, PDS e mais atrás da Arena, antes de decidir apoiar quase integralmente a chapa petista, por pouco não foi oficialmente acomodado no ninho tucano. O Presidente do PP, Francisco Dornelles, foi cotado para ser o vice de Serra, mas não emplacou. O partido levará para a coligação de Dilma e Temer o apoio de 20 diretórios estaduais. Cinco fecharão com Serra e dois permanecerão neutros.

Dilma não ficará com o tempo de TV do PP, já que não existe uma coligação formal, mas o peso da opção do partido por Dilma terá reflexos eleitorais. Os resultados políticos na ocupação dos espaços já começaram a aparecer. O PP integrará os três grandes núcleos da campanha: político, programa e mobilização.

Os progressistas, que compõe um dos principais partidos envolvidos no mensalão petista de 2005, é um daqueles grupos políticos que entendem o sentido do vento favorável em uma campanha eleitoral. Pretende estar ao lado do vencedor.

Dentro da lógica eleitoral brasileira, hoje vemos o PT cortejando a antiga Arena, outrora o "maior partido político do ocidente", a cerrar fileiras ao lado de Dilma. O governo jogou com todo peso de sua máquina mais uma vez e venceu. Parte do PP, que já faz parte do governo Lula, alinha-se agora a parcela do PTB e até ao PSC, que recentemente mudou de lado. Todos apoioarão Dilma. O fato político criado pela adesão dos pepistas é mais um golpe para os tucanos. Um fato com peso político, especialmente quando sabemos que o Presidente do PP, Francisco Dornelles, é primo de Aécio Neves.

quarta-feira, julho 14, 2010

Derrota amarga no Japão

Quem esperava um governo audacioso quando o Partido Democrático do Japão chegasse ao poder, tem se decepcionado. Yukio Hatoyama teve uma passagem breve pelo comando do país. Seu sucessor, Naoto Kan, pode trilhar o mesmo caminho.

O PDJ chegou ao poder cercado de expectativas. Hatoyama liderou uma campanha vitoriosa ao lado de Ichiro Ozawa. Seu governo não completou um ano. Kan, seu sucessor, que tentou afastar-se de Ozawa, agora sente a mão pesada da eminência parda do partido. As eleições para a Câmara Alta do Parlamento, apenas seis semanas após a escolha de Kan para governar o Japão, tinham tudo para se tornar difíceis para o PDJ. Foram piores do que se imaginava.

O Partido Democrático esperava fazer 60 cadeiras, depois baixou a expectativa para 50. Fez 44. O resultado foi pífio e Kan, agora líder do partido, passou a ser responsabilizado.

A derrota do partido de Kan tem dois vértices. O primeiro é Ichiro Ozawa, que deseja recuperar seu prestígio interno e tenta mostrar sua força. Do outro lado está o PDL, que esteve no poder japonês pelas últimas décadas. A máquina partidária-eleitoral dos liberais entrou em operação com Shinjiro Koizumi, filho de Junichiro Koizumi, como um dos expoentes. Os liberais conquistaram 51 cadeiras.

Agora Kan encontra-se sem maioria na Câmara Alta. Na Câmara Baixa, falta-lhe a maioria de 2/3 para passar qualquer reforma importante. Precisará fazer concessões aos liberais. Governar tornou-se uma tarefa árdua para o PDJ.

O Primeiro-Ministro tem pouco tempo para mostrar serviço. Em setembro terá que renovar sua liderança perante o partido, que sabemos, sofrerá influência Ichiro Ozawa. Kan precisa de resultados concretos para sua manutenção na Chefia de Governo. Sem a maioria na Câmara Alta, tudo ficou ainda mais difícil.

terça-feira, julho 13, 2010

Sarkozy sob pressão

Sarkozy defendeu seu governo durante os 60 minutos de entrevista no canal de televisão pública France 2. Suas palavras não foram diferentes daquelas usadas por qualquer governo que sofre acusações. Seu objetivo principal foi evitar que o assunto ganhe maior repercussão política e tome contornos mais agudos.

O Presidente francês entende que os desdobramentos da atual crise podem refletir-se nas próximas eleições presidenciais francesas e a UMP, sem o controle de governos regionais, é refém única e simplesmente, do nome de Sarkozy, se deseja renovar seu mandato presidencial.

Depois de estar sem rumo, ao perder o pleito nacional em 2007, os socialistas conseguiram unir suas forças e se renovar, criando condições reais de chegar ao poder nacional. As vitórias eleitorais deste ano fazem parte deste cenário.

Do outro lado, a UMP enfrenta o desgaste do governo Sarkozy e denúncias como o atual caso Woerth-Bettencourt. As iniciativas estão nas mãos do Presidente, que precisa agir de forma coerente e consistente, equilibrando-se entre a pressão dos aliados e a resposta necessária para a população. Setores empresariais, que já davam como certa a reeleição de Sarkozy, começam a considerar outros cenários.

O remédio usado até o momento por Sarkozy para debelar a crise não foi eficiente, inclusive com a entrevista desta segunda. Woerth deixará cargo de tesoureiro da UMP, mas permanece ministro. Neste caso, não basta. É preciso agir de forma mais contundente. O timing da crise é perfeito para os adversários políticos da UMP. Ainda há tempo hábil para uma reação política vinda do Elysée, entretanto, precisa ser realizada de maneira certeira, sem erros.

segunda-feira, julho 12, 2010

High Society

Pense o que poderia reunir Lucy Barreto, Hildegard Angel, Carmen Mayrink Veiga, Ângela Gutierrez, Magali Cabral, Andrea Agnelli, Beth Floris, Lenny Niemeyer, Nélida Piñon, Maria da Conceição Tavares, Jandira Feghali, Alcione entre mais de 50 nomes de mulheres da sociedade carioca sob o teto do emblemático casarão do Cosme Velho onde reside Lily de Carvalho Marinho, viúva de Roberto Marinho? A resposta é simples: a candidata Dilma Rousseff.

D. Lily convidou todas para ouvirem as idéias da candidata de Lula. No cardápio, além educação, família, cultura e comentários sobre operações plásticas, tartare de salmão com maçã e funcho e filé de cherne com banana caramelada, passas e urucum feitos pelo chef Claude Troisgos. Pelo salão circulavam garçons de luvas brancas que serviam champanhe Dom Perignon. Dilma teve seu batismo nos salões da sociedade carioca e transitou com impressionante desenvoltura para uma pessoa com seu passado. Sua campanha tem realizado um trabalho profissional.

O que menos importa, neste caso, é teor do que foi discutido, mas a mensagem enviada pelo simbolismo do ato. Depois de passar pelos salões da sociedade paulistana, Dilma foi recebida pela sociedade carioca. Existe reconhecimento de seu potencial de vitória e já inicia-se, também deste modo, a acomodação de interesses futuros. Nos salões de D. Lily estavam, além de esposas influentes, acadêmicas, jornalistas, escritoras, empresárias, políticas e artistas.

Ao final, a anfitriã, que ofereceu o almoço para homenagear "a senhora D, a senhora democracia", declarou que "se votasse, seria na Dilma". Confiante, a candidata petista devolveu: "Te espero na minha posse".

Alguns sinais mostram a tendência de movimento das peças no xadrez político. Os recentes encontros de Dilma com figuras representativas do establishment brasileiro, evidenciam esta percepção. Se a oposição deseja vencer, já passou da hora de acordar.

sexta-feira, julho 09, 2010

Crise no Elysée

Os franceses estarão de olho no canal de televisão pública France 2 na próxima segunda-feira. Sarkozy finalmente irá falar sobre o caso Woerth-Bettencourt, referente as supostas doações ilegais para sua campanha presidencial em 2007.

Sarkozy enfrenta um período difícil de seu governo. Depois do desgaste sofrido pela UMP, com inúmeras derrotas nas eleições regionais, e a impossibilidade de colocar em curso todas as reformas que imaginava, tudo tem se tornado mais difícil. Os sindicatos pressionam, boatos se espalham pela imprensa e tudo isso gera reflexos em sua popularidade, que chegou a níveis muito baixos.

O caso mais recente, que envolve a herdeira da l'Oréal e o ministro do Trabalho, é apenas mais um episódio de desgaste. De forma curiosa, tudo ocorreu exatamente nas vésperas da apresentação do projeto de reforma das aposentadorias, criticado pelos socialistas e atacado pelos sindicatos. O projeto é articulado por Eric Woerth, titular da pasta do Trabalho, aquele que está no epicentro da crise. Não deixa de ser uma coincidência peculiar.

Pelo que conheço da política local, especialmente pelo que vi acompanhando a campanha presidencial de 2007 in loco, algo se esconde ainda por trás disso tudo. De qualquer forma, Sarkozy tentará trazer toda sua habilidade política para frente das câmeras na segunda. Acompanharei para comentar aqui.

Se Sarkozy deseja alcançar mais um termo frente ao Elysée, precisa começar a mudar radicalmente. Além da economia, ele precisa reformar as práticas políticas francesas, a começar por dentro de casa. A UMP precisa reagir.

quinta-feira, julho 08, 2010

Desafio para Kan

Naoto Kan apenas começou seu governo no Japão, mas já enfrenta o primeiro teste. Pela primeira vez como líder do Partido Democrático, enfrentará as urnas. A disputa será para a Câmara Alta do Parlamento e será fundamental para testar a força de Kan.

O partido do recém empossado Primeiro-Ministro perdeu a confortável distância que mantinha do rival Partido Liberal Democrático. Dos 10,5% de vantagem, o partido de Kan despencou nas vésperas do pleito para uma diferença de apenas 6,4%. Mais importante do que os números propriamente ditos, é a tendência de queda para o partido do governo. Já fala-se que o Partido Democrático desistiu de chegar as 60 cadeiras, contentando-se com possíveis 50, exatamente na margem para formar maioria.

O teste nas eleições para o Senado é também um teste para o jovem gabinete de Kan. Depois de chegar ao governo pela renúncia de Yukio Hatoyama, Naoto Kan tem muito a provar frente a seu partido. Busca implementar reformas e também levar seu partido a terminar a legislatura ainda na liderança do país. Ele precisa provar que lidera um governo forte, como comentei neste espaço anteriormente.

Desde que Junichiro Koizumi deixou o poder, a lista de breves Primeiro-Ministros no Japão não deixa de aumentar. Shinzo Abe, Yasuo Fukuda, Taro Aso e Yukio Hatoyama. Kan enfrentará a primeira batalha para não seguir o mesmo destino de seus antecessores.

quarta-feira, julho 07, 2010

Netanyahu em Washington

A visita de Netanyahu a Washington está permeada de significados e ocorre exatamente porque ambas partes compreendem que os dividendos políticos do seu entendimento são maiores do que os movimentos atuais.

Registrei aqui a visita de Rahn Emanuel, o influente Chefe de Gabinete de Obama, a Israel. Este foi apenas o primeiro passo. A Casa Branca entende que precisa mover-se no sentido de uma reaproximação de Israel. Obama busca, com este movimento, obter mais apoio no Capitólio e garantir suporte do eleitorado judaico nas eleições de novembro. O Presidente americano entendeu também o recado de Israel, que não tolerará uma política ambígua, diferente daquela histórica, construída ao longo dos anos entre os dois países. Israel sabe mudar o tom se preciso.

Isso tudo fornece a Netanyahu uma segunda chance de construir boas relações com a Casa Branca de Obama. A recepção em Washington foi diferente de março. Desta vez, o Primeiro-Ministro de Israel apareceu ao lado de Obama para uma coletiva e teve um encontro privado com o Presidente no Salão Oval. Obama, entretanto, almeja mais.

Os afagos em Netanyahu serviram para que fosse entendido que ele precisa se mover na direção de fazer concessões dentro da política externa de Obama para a região, se deseja continuar a ser um convidado de honra em Washington. O Primeiro-Ministro se move em uma linha tênue, pois sofre pressão em casa para não ceder e, se o fizer, a coalizão política que mantém seu gabinete pode ruir. Precisa negociar o quanto irá se mover nesta aproximação.

As relações bilaterais, que estremeceram desde que Obama chegou a Casa Branca, pode ter dado sinais de recuperação. Mesmo que forçado pelas circunstâncias, uma boa oportunidade para ambas partes.

terça-feira, julho 06, 2010

Alianças no México

A política realiza casamentos improváveis não somente no Brasil. Acabamos de ver um resultado inusitado no México. Enquanto o PRI lutava sozinho pelos seus votos, os outros dois principais partidos, PAN e PRD, se uniram para derrotá-lo. Não seria inusitado se os dois não representassem forças políticas completamente antagônicas.

O centrista PRI triunfou em nove dos 12 governos regionais em disputa. Levou, inclusive dois governados pelo PAN, Aguascalientes e Tlaxcala, além do único do PRD, Zacatecas. As vitórias, entretanto, foram amargas. Unidos, o partido do presidente Calderón e de seu adversário, Lopes Obrador, triunfaram em três jóias da coroa que eram governadas pelo PRI: Oaxaca, Sinaloa e Puebla.

O golpe sofrido pelo PRI com a perda desses três governos regionais explica-se pela ótica orçamentária-política. Os recursos financeiros recebidos pelos partidos no México são calculados pelo número de eleitores. Assim sendo, o PRI ganhou 2,7 milhões de eleitores, mas perdeu três estados com 9,8 milhões.

O PRI pretendia uma vitória completa, ampla no sentido de sedimentar seu caminho rumo as eleições presidenciais de 2012. Com receio dessa estratégia, PAN e PRD se uniram para evitar seu próprio fracasso político em dois anos. O primeiro passo foi dado.

Resta saber como Calderón, do conservador PAN, irá lidar com este intrincado xadrez político, uma vez que necessita do apoio do PRI para governar, especialmente em um momento de crescente violência no México.

Possuo muitos bons amigos na política mexicana, alguns com os quais já tive o prazer de trabalhar em pleitos disputados e interessantes. Eles alertam que, pelo menos por enquanto, é improvável falar de uma aliança nacional entre PAN e PRD para 2012. Mas sabemos que na política alianças improváveis são possíveis, especialmente quando existe um adversário comum. Caso contrário, o PRI seguirá como fiador da estabilidade política.

segunda-feira, julho 05, 2010

Direita Liberal vence na Polônia

Em 2007, quando trabalhava em Viena, fui até Varsóvia assim que Donald Tusk venceu as eleições com o Plataforma Cívica. Pretendia ver o impacto das mudanças que seriam implementadas e monitorar a escolha do gabinete, de fundamental importância para entender a guinada pela qual a Polônia estava passando. Fiz os registros neste Blog.

Percebi uma direção liberal clara, ou seja, o governo continuaria nas mãos da Direita, assim como era com o Lei e Justiça, mas a chegada do Plataforma Cívica trazia, além de uma nova geração, a concretização de uma maior aproximação com a Europa e a implementação de reformas liberalizantes na economia.

O recente falecimento de Lech Kaczynski, deixando vago o cargo de Presidente, abriu a possibilidade de renovação de poder também na Chefia de Estado. Era a chance do Plataforma Cívica concluir o ciclo que começou com a vitória de 2007. Apesar do cargo de Presidente não ser fundamental para o exercício do poder na Polônia, sua conquista traria tranquilidade para o partido concluir as reformas sem qualquer forma de veto da Chefia de Estado.

Assim, a vitória de Bronislaw Komorowski, do Plataforma Cívica, sobre Jaroslaw Kaczynski, do Lei e Justiça, nas eleições presidenciais deste domingo tem um significado muito importante na política polonesa. Foi uma mensagem de confiança da população no governo liderado por Donald Tusk e uma consolidação do rumo reformista adotado pelo seu gabinete.

Do outro lado, os 47% alcançados por Jaroslaw Kaczynski mostram que a Direita Conservadora ainda tem capital eleitoral para mobilizar-se visando as eleições legislativas de 2011. O Lei e Justiça disputará essas eleições para vencer, mas Tusk, além do Presidente, tem a seu favor uma economia que não sofreu abalos durante a crise e deve entrar com louvor na zona do Euro antes do pleito. Caberá ao Plataforma Cívica manter a vantagem que Bronislaw Komorowski atingiu nesta disputada eleição.

sexta-feira, julho 02, 2010

O Empate

Depois da pequena dianteria de Dilma nas pesquisas, tudo indica um recuo e um empate. O Datafolha mostra Serra agora com 39% e Dilma logo atrás com 38%. Marina segue estagnada nos 10%.

Isto se dá devido a maior exposição de Serra na TV. Dilma subiu até aqui pelo mesmo caminho. Serra perdeu uma grande oportunidade de ocupar maior espaço na mídia mediante a escolha de seu vice, que poderia ter sido melhor costurada. A presença de Serra na mídia foi muito maior devido a indefinição na escolha do nome que o acompanharia na chapa e as brigas internas que levaram a escolha de Índio da Costa.

Dilma apareceu sempre de forma mais positiva. O Planalto tem trabalhado a todo vapor para fechar palanques nos estados que impulsionem os números de sua candidata. Para isso o PT cortou na própria carne, intervindo quando necessário e agindo nos bastidores com enorme contundência, tanto para atrapalhar os planos dos tucanos, como no Paraná, como para fechar acordos com um PMDB rebelde em alguns estados.

Se a eleição fosse hoje, Dilma teria vantagem com o empate em função de dois fatores. O primeiro reside na maior consistência e articulação de seus palanques estaduais, especialmente fortalecido com o homogêneo apoio que o PMDB tem demonstrado. Temer, fiador e elo do acordo, entrega aquilo que promete. Dilma agradece. O segundo ponto reside na capacidade de mobilização. Aprendi, durante o período que trabalhei na Espanha, que partidos como o PT, em reta final, se empatados, conseguem alcançar a vitória. Sua capacidade de mobilização, articulada com setores organizados da sociedade, como igreja e sindicatos, catapultam os números finais para além do esperado.

Portanto, se Serra deseja vencer, precisa chegar com alguma folga nos momentos finais. Isto será fundamental para vitória. Caso chegue empatado, como mostra o retrato de hoje, as chances de perder são grandes.

Amanhã o Ibope solta números que devem confirmar estes do Datafolha, zerando o jogo em termos de pesquisas, mas sabemos que em articulação nacional a chapa PT/PMDB sai na frente. Vale lembrar que estes números não trazem ainda o impacto da escolha do nome de vice de Serra, seja para o lado positivo ou negativo.

quinta-feira, julho 01, 2010

Ainda sobre o Vice

Gostaria de voltar aqui ao tema da escolha do candidato a vice de José Serra e tecer alguns comentários.

No caso da chapa do PSDB, a escolha do vice deveria recair em algum nome que, de forma estratégica, pudesse agregar na campanha. Índio da Costa pode ser um bom deputado e ter boas idéias, entretanto, não se encaixa dentro do perfil necessário para vencer uma disputa da forma que esta eleição presidencial se apresenta.

José Serra precisava de um nome do cento país, como já coloquei aqui. Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Mato Grosso são os estados chave dentro desta idéia. Poderia se buscar um vice ligado ao agronegócio, que também unisse a base e impulsionasse a campanha para o Centro-Oeste.

Descartado o nome de Aécio, de projeção nacional, deveria se oferecer ao ex-Governador de Minas Gerais a possibilidade de ele mesmo indicar um nome de seu estado para a vice. Isto traria inevitavelmente Aécio para dentro da disputa presidencial, sem correr o risco de ver seu eleitorado debandar no pleito nacional, como ocorreu em 2006. Em caso de negativa de Aécio, poderia-se buscar dentre os partidos que compõe a aliança.

Dentro do DEM, Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado e Kátia Abreu exerceriam o papel com muita competência. Carregariam o Centro-Oeste, tem história política, projeção nacional e uniriam a base. Os dois últimos, ainda carregariam com entusiasmo o agronegócio para o coração da campanha.

Ainda se faltassem nomes dentre os aliados e o PSDB voltasse seu foco para a formação de um chapa pura, os tucanos poderiam fazer a opção pelo discurso da ética e alçar Flávio Arns para a posição. Seria uma jogada de mestre. Ex-membro do PT, Arns representaria um resgate ético de valor inestimável para a chapa, trazendo inclusive votos petistas para José Serra.

Enfim, as opções eram as mais variadas, dependendo da estratégia de campanha. A primeira opção seria Aécio, ou um nome mineiro indicado por ele, passando-se pelos bons nomes do DEM e aliados e aterrisando, quem sabe, em um nome com o balisamento ético de Arns, levando a campanha para águas onde o PT não deseja navegar. Faltou a José Serra tomar as rédeas da escolha de seu vice. Sem planejamento estratégico dos rumos de campanha, não foi possível fazer este desenho. Agora, com a imposição dos fatos sobre qualquer forma de estratégia, encara-se a campanha.

quarta-feira, junho 30, 2010

E agora, José?

A novela acabou e foi definido o nome do candidato a vice de José Serra. A decisão sacramenta a aliança com o DEM, mas terá desdobramentos políticos no caminho eleitoral.

A eleição de 2010 possui seu caráter peculiar. A oposição tem sua segunda oportunidade real de vencer as eleições. A primeira ocorreu com no final do primeiro mandato de Lula, quando havia o desgaste político do mensalão. Como sabemos, foi perdida. A segundo apresenta-se neste momento. Entretanto, a sucessão de erros, que já ocorreu em 2006, renova-se em 2010.

No quadro eleitoral de 2010, os tucanos precisavam de um vice do eixo produtivo-interior do país, um nome de envergadura nacional. Para vencer, a oposição precisava deste alinhamento. Talvez Serra tenha acreditado que Aécio, que se encaixa neste perfil, aceitaria a vaga. Não aceitou. Foi buscada uma solução doméstica para desarticular um palanque regional em prol de Dilma. Mais um erro. Mesmo assim não funcionou. O DEM reclamou. Optou-se por um nome sem densidade eleitoral e envergadura nacional, o que simplesmente contempla o grupo político regional que domina o partido.

Entretanto, a chapa de Serra precisaria de um nome capaz de aglutinar forças nacionais e mover o peso eleitoral da disputa. Um político municipal não possui tais credenciais. Dentro da aliança tucana, assim como no próprio DEM, não faltam nomes, em especial do eixo Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, de onde, no meu ponto de vista, deveria ter saído o vice.

Dilma, ou melhor, Lula entendeu as fraquezas de sua chapa e moveu-se no sentido de preenchê-las mediante um acordo com o PMDB em unidade, onde contemplou-se os vazios da candidatura petista. Da mesma forma ele compôs com José Alencar oito anos atrás. Aos oposicionistas faltou a mesma clarividência.

Os tucanos não preencheram os espaços vazios da candidatura Serra com a escolha de seu vice. Existem vácuos políticos que permanecerão abertos e tendem a comprometer a possibilidade de vitória da chapa. Falta envergadura nacional com palanques estaduais para os tucanos. Serra não apresenta-se como um fenômeno eleitoral que suplante esta ausência.

Por enquanto, de um lado existe um pragmatismo político profissional, em contraponto a estratégias simplórias e equivocadas. Poderia ser uma eleição disputada e difícil para o petismo, entretanto, o quadro está posto e o exército de um dos candidatos já se mostrou mais inteligente, articulado e preparado para vencer a disputa eleitoral que vem por aí.

terça-feira, junho 29, 2010

Dilma e o "Establishment"

Um ano atrás Dilma Rousseff mostrou que seria uma candidata competitiva. Em junho de 2009 reuniu-se com formadoras de opinião da sociedade brasileira. O grupo era este aí do lado. Parece brincadeira, mas é verdade.

O "bate-papo", classificado assim pela anfitriã, foi após um almoço realizado na casa de Marta Suplicy. Lá estiveram Adriane Galisteu, Ana Maria Braga, Luciana Gimenez, Hortência, Viviane Senna e Maria Paula. Politicamente foi um sucesso. Como analista garanto que não deve-se subestimar o grau de penetração eleitoral das presentes com suas respectivas audiências. Para completar, marcaram presença também Marilena Chauí, Helena Maria Diniz e Leilah Assumpção, entre outras.

Um ano depois, a rede e o poder de penetração de Dilma se ampliou. Na última sexta foi convidada para outro bate-papo, desta vez na casa de Geyze Diniz, esposa do empresário Abílio Diniz. Dezenas de socialites, empresárias e “executivas de influência” estiveram na sala de estar do dono do grupo Pão de Açúcar. Diniz é aquele empresário que foi sequestrado pelo MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária) ainda em 1989.

De lá, Dilma seguiu seu périplo pelo mundo da alta sociedade, desta vez em um jantar organizado por Marcio Thomaz Bastos, com o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho.

E agora o foco volta-se ao Rio de Janeiro. Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, receberá Dilma no emblemático casarão do Cosme Velho.

A candidata de Lula segue o script traçado para sua eleição. Tais encontros, até ironizados por parcela do eleitorado, possuem um valor político incalculável para Dilma, tanto na sua capacidade eleitoral, como na consolidação de seu nome perante o "establishment" brasileiro.

segunda-feira, junho 28, 2010

A Queda de Stalin

"Um memorial para Stalin não tem espaço na Geórgia do século 21". Estas são palavras do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. A estátua do antigo ditador soviético, de seis metros de altura, que ficava no centro de Gori, foi retirada na noite de quinta-feira.

O monumento foi instalado um ano antes da morte de Stalin, em 1952, e agora partirá rumo a um museu, como foi feito com as estátuas de antigos ícones do comunismo em Budapeste. Na capital húngara, é franqueada a visitação, mediante pagamento, a um cemitério de estátuas do período socialista. No local onde estava Stalin, em Gori, será construída uma homenagem aos mortos na guerra entre Rússia e Geórgia pelo controle da Ossétia do Sul.

Tbilisi, assim como governos de outras repúblicas que conseguiram a independência da antiga URSS e os países da extinta Cortina de Ferro, na medida que enterram as lembranças dos dolorosos e brutais anos de ditaduras socialistas, se tornam mais fortes e seguros para seguir adiante. Atos como este devem ser registrados e lembrados, para que práticas cruéis, como aquelas cometidas por Stalin, nunca se repitam.

sexta-feira, junho 25, 2010

Encontro Camarada

Os tempos realmente são outros. Ninguém poderia imaginar Kruschev e Kennedy na situação desta foto. Pois Obama e Medvedev mostraram que muito mudou na relação entre os dois países.

Os americanos venceram a Guerra Fria, a URSS não existe mais e a Rússia, sua sucessora, hoje equilibra-se no pragmatismo em sua política externa. Na pauta do encontro entre os dois Presidentes estava, além dos hamburgueres, a entrada da Rússia na OMC, as sanções ao Irã e os investimentos norte-americanos na terra da vodca.

Medvedev esteve também na Califórina, onde criou uma conta no Twitter e apreciou as inovações da Apple, do novo iPhone4 ao iPad. Os tempos são outros. O russo agora tenta a criação de uma espécie de Vale do Silício em seu país, um local que concentraria empresas de alta tecnologia, que além das nacionais, contaria também com o aporte da Google e a própria Apple.

A foto fala por si mesma. A visita do Presidente russo, regada a Coca-Cola, hambugueres e inovações da Apple mostram que o mundo não é mais o mesmo. O pragmatismo dos tempos capitalistas tomaram o lugar do ranço ideológico socialista na antiga URSS.

O fato é que esta aproximação é muito bom vinda e a sintonia fina entre Washington e Moscou tem sido responsável por boas notícias na esfera internacional.

quinta-feira, junho 24, 2010

Mudanças na Austrália

Kevin Rudd foi eleito para comandar o governo australiano depois de anos e anos de governo do popular primeiro-ministro liberal John Howard. Sua jornada durou três anos. Abatido por forças internas de seu próprio partido, decidiu deixar o governo antes de disputar a liderança contra sua antiga aliada e ministra, Julia Gillard, que a partir de hoje dirige o executivo em Camberra.

As ações de Kevin Rudd frente ao executivo foram controversas. Ele pediu perdão aos aborígines por supostos abusos sofridos no passado, tentou aumentar impostos e retirou as tropas australianas do Iraque, aumentando o contingente no Afeganistão. Seguiu a cartilha do politicamente correto e dos governos de esquerda, entretanto, faltou combinar com os australianos.

O aumento de impostos para os que tem grandes lucros, o que atingiu de forma direta as empresas mineradoras, foi um dos pontos de afetaram sua popularidade, assim como a discussão sobre uma nova legislação sobre comércio de gases causadoras do efeito estufa.

Os Trabalhistas sabiam que com Rudd as eleições estariam perdidas. Na verdade, para tentar manter-se no poder, era preciso uma mudança. Na esteira desta estratégia, ou na arquitetura dela, veio Julia Gillard. Segunda ela, "um bom governo estava perdendo o rumo". Agora é preciso encontrá-lo, pois as eleições serão no final do ano.

Os liberais, que ficaram no poder com John Howard por 11 anos, tentarão voltar. Dependerá agora também das correções de rumo que Gillard, mais moderada do que Rudd, fará até as eleições (e ela é boa nisso). Do outro lado do Parlamento, os liberais, agora liderados por Tony Abbott, deverão achar um boa linha de campanha para uma rival que mostra-se disposta e tem competência de sobra para vencer.

terça-feira, junho 22, 2010

Segundo Turno na Polônia

Parece incrível, mas Jaroslaw Kaczynski conseguiu seu primeiro objetivo e levou as eleições presidenciais polonesas para um segundo turno.

Kaczynski conseguiu o inesperado. Em uma eleição que tinha tudo para ser um passeio do Plataforma Cívica, o scrpit mudou desde a forte campanha empenhada pelo Lei e Ordem de Kaczynski. Ele avançou dia a dia e nos últimos dias tomou um impulso surpreendente.

Bronislaw Komorowski, o candidato do atual Chefe de Governo Donald Tusk, largou com uma vantagem muito confortável sobre seus concorrentes e chegou a data do pleito ainda com esperanças de levar a Presidência no primeiro turno, mas o cordão ultra-conservador em torno do partido Lei e Justiça funcionou de forma muito eficiente, revertendo este quadro e levando Jaroslaw Kaczynski a cravar 36,74% no último domingo. Komorowski ficou com 41,22%.

Por certo Komorowski larga na frente, entretanto, os liberais não possuem a mesma capacidade de mobilização mostrada pelos conservadores, decisiva para jogar a disputa para um segundo turno. Além disso, apesar de Komorowski ter vantagem de saída, o momentum está com Kaczynski e isto conta muito em um período eleitoral, ainda mais como o polônes, especialmente curto, já que o segundo turno será dia 4 de julho.

O Plataforma Cívica brigará muito por Komorowski, pois sua escolha como Chefe de Estado da Polônia poderá abrir a real possibilidade de concretização da agenda do seu partido, que levou Donald Tusk a vencer as eleições de 2007. Se Kaczynski vencer, os mesmos problemas que ocorreram quando seu irmão era Presidente podem se repetir, e assim colocar as importantes reformas do Plataforma Cívica em risco.

Duas visões da Polônia e uma disputa muito acirrada. Será uma campanha intensa e muito interessante.

segunda-feira, junho 21, 2010

Santos vence na Colômbia

Juan Manuel Santos venceu na Colômbia. Como escrevi aqui, era o esperado. Sua diferença foi ainda maior e chegou a praticamente 42 pontos. Enquanto seu opositor chegou apenas a 3 milhões de votos, Santos alcançou 69% ou 9 milhões de votos.

A vitória de Santos foi esmagadora, com votação maior inclusive do que aquelas alcançadas por Alvaro Uribe, que em 2002 chegou aos 53% e em sua reeleição, em 2006, foi a 62%. Santos ampliou esta vantagem.

Mas a candidatura do Presidente eleito passa necessariamente por Alvaro Uribe. Sua eleição se deve ao fato de que a população deseja uma continuação das políticas do atual Presidente. Caberá a Santos, agora herdeiro político, entender isso na construção de seu mandato.

Acredito que inicialmente Santos deve manter todas as políticas e estruturas criadas por Uribe, para somente depois imprimir seu tom ao novo governo. Seria o mais prudente a fazer. Santos possui um perfil diferente de Uribe e não pode confundir sua vitória com um simples êxito pessoal, mas sim de um grupo político que se baseia em idéias e políticas claras. A vaidade de Santos é o único ponto a se considerar neste momento. Se entender a vitória como uma conquista de seu grupo político, estará bem situado.

No mais, a vitória dos partidos de direita foi arrasadora e isto dará a Santos uma confortável maioria no Parlamento, de praticamente 80%. O polido e carismático Uribe sai de cena e faz seu sucessor. Chega o vaidoso e orgulhoso Santos, que tem a opção de se inspirar no antecessor para alcançar êxitos ainda maiores.

quinta-feira, junho 17, 2010

Kaczynski avança na Polônia

Todos pensavam que Bronislaw Komorowski venceria as eleições presidenciais polonesas com folga. Não é o que estamos vendo. O elemento desestabilizador da estratégia de Komorowski chama-se Jaroslaw Kaczynski, irmão do ex-Presidente falecido no acidente aéreo na Rússia.

Kaczynski pode não vencer, mas sacudiu um pleito que parecia decidido. Sua ascensão nas pesquisas tem sido muito rápida e captura uma parte importante do eleitorado mais conservador e arraigado aos valores católicos. Leva votos também em função de representar seu irmão, parceiro também na política dentro do partido Lei e Justiça, quando ambos governaram a Polônia.

O que Kaczynski pode, e deve até provocar, é um segundo turno, para onde partiria em disputa direta com Komorowski. O Gazeta Wyborcza informa que 48% dos eleitores estão ao lado dos liberais do Plataforma Cívica, com Bronislaw Komorowski, ou seja, a um passo de vencer no primeiro turno.

No domingo a Polônia tomará uma decisão importante. Se levar o Plataforma Cívica também a Chefia de Estado, o caminho estará livre para as reformas liberalizantes idelalizadas pelo Primeiro-Ministro Donald Tusk, mas Kaczynski está no páreo e tenta impedir este movimento.

quarta-feira, junho 16, 2010

As Convenções

No último final de semana foram realizadas as convenções que homologaram os nomes dos principais presidenciáveis para a corrida deste ano.

Nada de muito novo no cenário. O PSDB fez sua festa em Salvador, enquanto PV e PT optaram por Brasília. Mais uma vez perdeu-se uma grande oportunidade de impulsionar as candidaturas.

As convenções foram tomadas por discursos insossos e sem empolgação. O PT, em especial, investiu fartos recursos para sua festa, mas não passou disso e os desdobramentos políticos não ficaram no patamar desejável para aquilo que foi investido. Serviu para selar o acordo com o PMDB, que confimou Temer como companheiro de chapa.

O PSDB errou a estratégia. A convenção poderia ter sido maior e provocar mais repercussão. O local escolhido, Salvador, não foi o ideal. O melhor teria sido realizar um grande movimento em Minas, talvez em Belo Horizonte ou em alguma cidade do interior. Como já disse aqui, esta eleição passa por Minas e pretigiaria Aécio, peça fundamental neste jogo. Além do mais, mobilizar a militância no estado é hoje tarefa primordial dos tucanos.

Mas o final de semana de convenções pífias, em período de Copa do Mundo, ficará na memória pelo lançamento da marca de campanha de Dilma, claramente inspirada no modelo usado por Obama em 2008. Tudo bem, sabemos que o PT importou mão-de-obra dos Estados Unidos para impulsionar Dilma, mas pelo menos podia ter disfarçado a semelhança um pouco.

Enfim, muito tempo que poderia ter sido melhor aproveitado. O recall na imprensa será menor do que o pretendido, menos do que se esperava. A hora da campanha real chegou.

terça-feira, junho 15, 2010

Eleições na Bélgica

Eleições na Bélgica não tem sido um tema fácil. O país que viveu "sem governo" durante algum tempo em 2007, pouco a pouco encontra seu caminho, por mais polêmico e controverso que seja.

Os pleitos sempre colocam em contraposição duas regiões, Flandres e Valônia. A primeira, de maior influência holandesa, possui 60% da população do país, além de ser mais próspera. A outra metade, de influência francesa, se beneficia dos impostos pagos no norte para sustentar seu estado de bem estar social. Aí reside grande parte do problema.

Soma-se a questão o fato de que Valões tem migrado em demasia para a região de Bruxelas, tradicionalmente ocupados por Flamengos. A questão linguística entre ambos está no ponto central da dissolução do governo dos liberais flamengos de Yves Laterme.

A insatisfação dos seis milhões de flamengos com toda esta situação os levou a entregar a maioria parlamentar a Nova Aliança Flamenga (N-VA), que deseja, aos poucos, caminhar para a cisão do país entre Flandres e Valônia. Bart de Wever é nome que deve liderar este processo.

Agora o Rei Albert II convocou o republicano De Wever, vencedor em Flandres, e o socialista Elio Di Rupo, vencedor na Valônia. De Wever tem clara maioria sobre os socialistas, mas é preciso negociação ainda para formar um gabinete. O N-VA deseja um processo gradual e buscará apoio político para isso. Tem forte apoio dos habitantes de Flandres.

De Wever inciará o processo de modo cauteloso, mas objetivo. Começará a negociar o corte de benefícios sociais dos Valões, angariando mais popularidade entre os Flamengos. Assim começaria o processo de cisão de um belo país que tem mostrado claramente que possui duas nações.

segunda-feira, junho 14, 2010

Eslováquia leva Direita ao poder

Mais um governo de centro-esquerda perdeu as eleições na Europa. Desta vez o palco foi a Eslováquia. As razões foram as de sempre. Um governo desgastado pelas políticas de bem estar social, déficit e altos gastos públicos, além da corrupção, o pecado de todos países que optam pelas políticas de alta intervenção do Estado.

Os eslovacos fizeram uma opção clara por políticas que tem objetivo cortar o déficit público, hoje em 6,8% para cerca de 3% em 2012. Uma gama de partidos da centro-direita deve assumir o governo em coalizão, assim como ocorreu na República Tcheca, onde o partido irmão do SMER, os sociais-democratas comandados por Jiri Paroubek, também perderam as eleições. A esquerda deixará o poder tanto na República Tcheca, como na Eslováquia.

A movimentação na simpática capital eslovaca, Bratislava, mostra que o comando da coalizão de centro-direita pode ser exercida por uma mulher, Iveta Radicova, da União Eslovaca Democrata-Cristã (SDKU), em substituição a Robert Fico, do derrotado SMER.

A coalizão que deve governar a Eslováquia tem em seu espectro Conservadores, Liberais, Democratas-Cristãos e húngaros moderados (a Eslováquia possui cerca de meio milhão de húngaros em seu território). Juntos SDKU, KDH, SaS e húngaros chegam a 79 cadeiras no Parlamento. Maioria absoluta tranquila para formação de um governo. A coalizão do SMER chegou a 71 cadeiras.

A Eslováquia busca retomar as origens das políticas que um dia levaram o país a ser chamado "Tigre da Europa Central", além desenhar uma reaproximação necessária com a Hungria. Bratislava segue o caminho político dos sócios europeus. Os bons ventos já chegaram ao país.

sexta-feira, junho 11, 2010

Dilema Republicano

Barack Obama não faz um governo popular. Seus números não trazem qualquer expectativa de êxito para os Democratas nas eleições deste ano. Tudo indica que o Presidente norte-americano enfrentará um terceiro ano de governo difícil, sem maioria no Congresso, e caminhará para o quarto ano, de plena campanha eleitoral, dentro desta perspectiva.

Entretanto, do outro lado, as coisas não caminham bem. Os Republicanos tem tudo para recuperar o controle do Congresso nas midterm elections deste ano. Uma conquista importante, que lhes dará de volta o comando da Câmara, hoje nas mãos de Nancy Pelosi. Contudo, é preciso se perguntar neste momento, qual a face do partido Republicano irá emergir como vencedora nessas eleições.

A resposta a esta pergunta indicará os rumos do partido para o confronto de 2012 contra Barack Obama. Surgirá um partido mais conservador ou mais moderado? A tendência natural, após a vitória Democrata em 2008, é que a vertente conservadora surja como uma opção natural, entretanto, seria a mais inteligente?

Os conservadores tem ao seu lado a derrota do moderado McCain em 2008. Dizem que é preciso uma guinada conservadora. O movimento Tea Party dá uma idéia desta tese. Entretanto, para confrontar Obama, talvez uma opção moderada fosse a mais indicada.

O problema é que o partido está dividido, mas seu sustentáculo mobilizador, sua musculatura política, vem do lado conservador, assim como os fundings mais decisivos e fartos. Talvez os Republicanos necesitassem de um nome com trânsito dos lados do partido. Nomes não faltam. Esta indefinição, porém, apesar do momento político propício ao GOP, pode levar os Democratas a confirmarem mais quatro anos para Obama.

Para saber se existe possibilidade de virar o jogo, o resultado das eleições para o Congresso este ano serão fundamentais e irão sinalizar os rumos dos Republicanos para a disputa da Casa Branca em 2012.

quinta-feira, junho 10, 2010

Direita vence também na Holanda

Depois de oito anos e quatro coalizões de governo, a era de Jan-Peter Balkenende terminou na noite desta quarta-feira. Seu partido sofreu uma derrota histórica nas eleições holandesas, caindo de 41 assentos para apenas 21. Perdeu a maioria, perdeu o comando do governo.

Balkenende já renunciou e disse que nem pretende voltar ao Parlamento. Agora espera-se a formação do novo governo, que deve levar em conta as alianças. O vencedor, mesmo que por uma pequena margem, foi Mark Rutte, do Partido Popular da Liberdade e da Democracia (VVD). Seu partido alcançou 31 cadeiras no Parlamento. Somou 9 assentos a mais do que na legislatura anterior.

Apesar da boa votação dos social-democratas do PvdA, que chegaram logo atrás, com 30 representantes eleitos, a chefia de governo deve ficar pela primeira vez com os liberais-conservadores, que tem uma agenda muito definida de reformas.

Rutte, que deve ser o novo Primeiro-Ministro, levou seu partido a vitória histórica, entretanto o grande nome desta eleição foi Geert Wilders, do PVV. Seu partido galgou 15 assentos, chegando agora a 24 e tornando-se o terceiro maior partido da Holanda, superando inclusive os democratas-cristãos de Balkenende. A votação de uma direita com as características do PVV enviou um recado muito claro aos políticos.

Os liberais-conservadores de Mark Rutte devem liderar uma coalizão, mas ainda especula-se por quais caminhos seu gabinete deve ser formado. O quadro político mostra a tendência clara que Rutte deve seguir. A Holanda, assim como outros países europeus, decidiu levar a direita ao poder. Isso significa rigor fiscal, corte de impostos e revisão de benefícios sociais. Mas talvez algo mais venha por aí. É só esperar a composição do governo e poderemos dizer com mais certeza.

quarta-feira, junho 09, 2010

Thatcher em Downing Street

David Cameron recebeu uma visita ilustre em Downing Street, a Baronesa, ex-Primeira-Ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher.

O encontro tem um forte simbolismo, uma vez que Thatcher é a mais importante figura do Partido Conservador. Seu governo, que durou de 1979 até 1990, mudou o Reino Unido e foi responsável, juntamente com Ronald Reagan, pela estratégia que desarticulou o comunismo e colocou abaixo a Cortina de Ferro do Leste Europeu.

Enquanto Primeira-Ministra, Thatcher implementou uma série de medidas econômicas liberalizantes, calcadas nas idéias de Hayek, que foram responsáveis pelo grande ressurgimento do Reino Unido como uma nação rica e poderosa. Depois de Thatcher, até o Trabalhismo inglês mudou. Seus adversários políticos, liderados por Tony Blair, fundaram o New Labour, uma reforma partidária que aceitou as conquistas de Thatcher como fundamentais no país. Somente assim os Trabalhistas voltaram a Downing Street.

A importância de Thatcher é reconhecida por ambos partidos. Ela visitou Tony Blair e Gordon Brown enquanto ocuparam a Chefia de Governo. O mesmo faz agora com um companheiro de partido, David Cameron.

Grandes personalidades da política como Thatcher mostram que acima das diferenças partidárias, existe uma idéia clara de nação. O respeito de seus adversários políticos provam que grandes nações são feitas desse respeito e admiração mútuos. A visita de Thatcher a cada novo inquilino de Downing Street é um exemplo claro dessa idéia.

segunda-feira, junho 07, 2010

O Euro chega a Estônia

Enquanto a União Européia procura contornar a crise criada pela Grécia para salvar o Euro, um novo país deve entrar no clube da moeda única, a Estônia. A Comissão Européia e os ministros das Finanças da UE deram sinal verde para que o país báltico entre na união monetária.

A Estônia deve ainda realizar algumas reformas estruturais, entretanto as premissas básicas já foram alcançadas, como controle de inflação, contas públicas em equilíbrio, déficit público controlado (em torno de 1,7%, um dos menores, senão o menor da Europa) e condições macroeconômicas estáveis.

O importante é notar que a Estônia é um exemplo raro. Depois de alcançar a independência da União Soviética, em um momento histórico, juntamente com Letônia e Lituânia, implementou, de forma corajosa, um rol de políticas liberalizantes que livraram a economia da influência do Estado, alcançado resultados notáveis. Como consequência, o país passou a ser chamado de Tigre Báltico. Mart Laar, que ocupou a chefia de governo por duas vezes, é um fã de Milton Friedman e buscou a implementação das teses liberais da Escola de Chicago. Teve êxito. Os resultados falam por si.

Hoje a Estônia é um país estável, saudável e livre. Sua entrada na zona do Euro antes dos parceiros do Leste Europeu, já em 2011, pode ser visto como algo natural. O Tigre Báltico, apesar de pequeno, pode contribuir de forma substancial com sua experiência de liberdade econômica e responsabilidade fiscal para o futuro da união monetária européia.

Em resumo, o Euro chega a Estônia, mas quem ganha mesmo é a União Européia.

sexta-feira, junho 04, 2010

Números de Budapeste

Recém chegado ao governo da Hungria, o FIDESZ encontrou uma situação que se repete por alguns países europeus há algum tempo. O governo anterior, os socialistas do MSZP, mascararam os dados do país, informando a Bruxelas uma situação irreal das contas públicas. Hoje, apesar de não ser um caso alarmante, descobriu-se que o problema é maior do que se imaginava.

Os pecados cometidos pelo MSZP foram vários e pouco a pouco descobre-se tudo aquilo que até o momento era escondido pelo governo socialista, como desvios de recursos públicos, gastos mascarados nas companhias estatais e fraude no sistema de aposentadorias. Tudo isso mostra que a situação da Hungria, que já inspirava cuidados, é mais delicada do que se imaginava. Budapeste irá, provavelmente, tentar acalmar os mercados nos próximos dias, mas sabe-se que o governo atual herda uma situação nada confortável.

Bruxelas segue os dados com atenção, assim como o FMI, que emprestou recursos para o país e mantém suas prestações de contas em avaliação. A situação, felizmente não é tão grave como na Grécia (não há risco de quebra), mas o probelma de contágio só não é maior porque a Hungria ainda não faz parte da zona do Euro. De qualquer forma a moeda européia também segue afetada pelas notícias vindas de Budapeste.

Viktor Orbán, o novo Primeiro-Ministro, terá um trabalho árduo pela frente. Precisa colocar as políticas de austeridade do FIDESZ em curso e lidar uma situação ainda mais difícil do que era imaginado. É preciso que a União Européia, de forma urgente, implemente mecanismos de penas duras para os países que mascaram suas contas públicas. A falta de ética e responsabilidade de alguns governos podem fazer naufragar um grande projeto de união monetária já em curso.

quinta-feira, junho 03, 2010

Movimentos em Berlim

Angela Merkel aproveitou a renúncia de Horst Köhler como Presidente da Alemanha para fazer um movimento político. Ela escolheu o mais importante nome dentro de seu partido para concorrer ao cargo, Christian Wulff, premiê da Baixa Saxônia.

Ela teria também outra opção, fortemente especulada. Seria sua ministra do Trabalho, Ursula von der Leyen. Mas Ursula, que é protestante como a Chanceler, sofreu, até onde se sabe, resistência de segmentos do partido. Bom para Merkel, que enxergou um caminho livre para Wulff e conseguiu manter sua Ministra, que realiza um trabalho muito elogiado e pode, no futuro, pensar em vôos mais altos.

A escolha de Christian Wulff, católico, equilibra as forças em quase todos os sentidos. Ele é um hábil político com muito trânsito, ao contrário de Köhler. Sua confirmação é praticamente certa, já que CDU/CSU e FDP detém maioria no Parlamento. Entretanto, o movimento provocado por Horst Köhler mexeu com as estruturas do principal partido governista, obrigando-o a uma acomodação que ainda não era esperada.

Aos 50 anos, Wulff pode fazer da Presidência, algo meramente decorativo na Alemanha, um instrumento político que pode fortalecer seu nome como um grande conciliador, quem sabe a fortaleza que lhe faltava para um dia substituir Merkel.

quarta-feira, junho 02, 2010

O influente Ichiro Ozawa

Depois de Shinzo Abe, Yasuo Fukuda e Taro Aso, chegou a vez de Yukio Hatoyama. Ele não resistiu as pressões e renunciou ao cargo de Primeiro-Ministro do Japão. A diferença é que, ao contrário dos antecessores, Hatoyama chegou ao poder carregando uma popularidade de 71%, líder da oposição até então, eleito com a promessa de trazer mudanças ao cenário político japonês. Não conseguiu.

A crise que tragou o capital político de Hatoyama, carregou também homem forte do Partido Democrático do Japão, Ichiro Ozawa. Eles formavam a dupla que venceu de maneira arrasadora as eleições de agosto para a Câmara Baixa e que conduziu o partido ao poder. Ozawa, entretanto, sabedor dos desgastes, já mostrava distanciamento do Primeiro-Ministro.

Nos bastidores, contudo, Ozawa continua a se movimentar e especula-se que ele continuará dando as cartas dentro do partido visando as eleições para a Câmara Alta no meio deste ano.

Isso tudo influi na escolha do nome do novo Presidente do partido, que será eleito pela Câmara Baixa como o novo Primeiro-Ministro. Se Ozawa foi um dos responsáveis pela derrocada de Hatoyama, pode ser decisivo na escolha do seu sucessor.

O favorito, por enquanto, é Naoto Kan, atual Vice-Primeiro Ministro e titular da pasta das Finanças. O outro é Shinji Tarutoko. Outros possíveis candidatos, como os ministros Seiji Maehara e Katsuya Okada tendem a apoiar Kan, com objetivo de diminuir o poder e influência de Ichiro Ozawa. Acredito que este, no entanto, mesmo que saia perdedor, deve tentar impor uma vitória pequena ao adversário, que obrigará Kan a negociar a formação do gabinete com seu grupo, tornando-se, assim, um governo fraco. Isto deixa a escolha indefinida, mas uma certeza: o Japão pode caminhar para ter mais um governo frágil e possivelmente breve.

terça-feira, junho 01, 2010

Direita triunfa na República Tcheca

A crise grega tem acentuado o ritmo da volta dos governos de direita e centro-direita ao poder na Europa. A tendência se confirmou novamente, desta vez na República Tcheca, que formará um gabinete conservador como resultado das eleições.

Governos identificados com a esquerda tendem a aumentar o gasto público, o que está no cerne da crise grega e, consequentemente, que se abateu sobre o Euro. Na República Tcheca, por exemplo, a proposta dos social-democratas para sair da crise era mais intervenção do estado e gastos públicos, ou seja, aumento de impostos. Isto apenas agravaria a crise.

Assim, os tchecos, de forma acertada resolveram mudar o rumo das coisas. Levaram a vitória três partidos de centro e direita que devem formar um governo conservador, que certamente adotarão políticas de diminuição dos gastos sociais, corte de impostos e austeridade econômica, especialmente pela união entre ODS, agora liderado por Petr Necas e o TOP09 de Karel Schwarzenberg.

Será interessante observar a formação deste governo de coalizão, especialmente depois da queda do gabinete conservador de Topolánek no último ano. Os Democratas-Cívicos (ODS), que lideram a aliança com 20,2% dos votos, convergem para a centro-direita, assim como o TOP09 (Tradição, Responsabilidade e Prosperidade) que obteve 16,6%. Mas é no TOP09 que residem as grande expectativas, pois mostra-se, apesar de ser um partido recente, aquele que pode impulsionar as reformas mais importantes e profundas que a República Tcheca precisa. A aliança é completada pelo grupo centrista Assuntos Públicos (VV), que alcançou 10,9%.

Os social-democratas do ČSSD, que viram na queda de Topolánek uma forma de resgatar o poder, não tiveram sucesso. Ficarão na oposição com os comunistas do KSČM, com apenas 33,4% do Parlamento. O Presidente do ČSSD já ofereceu sua renúncia.

Na Europa tem sido assim. Mesmo que as vitórias das alianças de centro-direita fossem esperadas, certamente foram impulsionadas pela crise. Parece claro aos europeus que, no momento de crise, chama-se a direta para arrumar a casa. É o que acontece mais uma vez. Os resultados vindos, desta vez de Praga, apenas confirmam esta tese.