segunda-feira, maio 10, 2010

Clegg, o fiel da balança

Nick Clegg foi, na verdade, o grande perdedor das eleições britânicas. Entretanto, como terceira força, tem sido fundamental, em um Parlamento sem maioria absoluta, para a formação de um governo.

O partido de Clegg foi uma decepção. Tem hoje menos cadeiras no Parlamento do que na legislatura anterior, mesmo tendo sido a sensação da campanha. Em votos, de alguma forma, mostrou presença, mas como resultado real, ou seja, vitória nos distritos em disputa, foi uma decepção.

Mas em um Hung Parliament, como o atual, os votos do partido de Clegg valem o governo. Por isso, David Cameron o procurou após o pleito. Os Trabalhistas não fizeram diferente. A vida política tem dessas coisas. Clegg, uma decepção nas urnas, agora é o fiel da balança.

Os Liberal Democrats tem mais afinidades com o Labour. Entretanto, os Tories tentam trazer o partido para seu lado com o objetivo de por um fim a 13 anos de governo dos Trabalhistas.

Quando parecia que o acordo com os Conservadores estava alinhado, soube-se que os tratativas com Labour também avançava a passos largos, com uma exigência clara: Gordon Brown deve deixar o governo.

Nunca uma bancada que diminuiu de tamanho possuiu tamanho valor no jogo político.

sexta-feira, maio 07, 2010

Cameron acena para Nick Clegg

Com os números finais da eleição praticamente consolidados, os partidos começam a buscar acordos que possam viabilizar a formação de um governo.

Gordon Brown tem a prerrogativa de tentar formar um governo, já que é o Primeiro-Ministro e nenhum partido alcançou a maioria absoluta. Tem esperança ainda de ficar, mas a tendência clara é de saída. Se o Labour, que conquistou 258 deputados, tentar manter o poder em aliança com os Liberal Democrats, que elegeu 57, chegará apenas a 315 cadeiras, ou seja, sem maioria absoluta. Além disso, o partido de Nick Clegg não deseja marchar ao lado de Gordon Brown.

Isto leva as atenções para Cameron. Os Conservadores conquistaram 306 assentos, podendo chegar ainda a 307. Neste caso, pode se tentar formar um governo de minoria, mas David Cameron deseja ir além. Um governo de minoria poderia durar pouco tempo e novas eleições teriam que ser convocadas. Uma base assim retrataria um governo fraco.

Assim, Cameron procurou Nick Clegg, que mesmo com uma votação aquém do esperado, tornou-se o fiel da balança, podendo juntar-se aos Tories e formar um governo de maioria. A soma de ambos resultaria em 364 cadeiras na Câmara dos Comuns, mais do que o suficiente.

Os riscos para Cameron, entretanto, são consideráveis, pois alas importantes dos Tories não enxergariam com bons olhos um acordo com os Liberal Democrats. Cameron, neste caso, estaria colocando sua liderança em risco. Uma jogada política arriscada.

quinta-feira, maio 06, 2010

Tories de volta a Downing Street?

Tudo indica realmente que David Cameron será o próximo Primeiro-Ministro. Ainda não sabemos ao certo como formará a maioria, mas a tendência do eleitorado é clara. Ou seja, não houve um empate entre dois partidos, dividindo voto a voto a liderança. A vitória dos Tories é incontestável e calcula-se agora uma projeção de 305 cadeiras no Parlamento.

O segundo lugar ficou com o Labour, com projeção de 255 cadeiras. O Liberal Democrats deve confirmar 61 assentos e outros 29 divididos em partidos menores.

A diferença entre Conservadores e Trabalhistas chega a 50 deputados, o que caracteriza uma vitória consistente e dá aos Tories a possibilidade de formar um governo, mesmo que em minoria ou até chegando a maioria com apoio de outros partidos. Juntos, Liberal Democrats e Labour não devem alcançar os votos recebidos pelos Conservadores e seus aliados.

Assim, como apontei acima, Cameron deve realmente ser o novo Primeiro-Ministro. Se isto se confirmar, será um governo sem uma maioria confortável e os Conservadores terão muito trabalho para implementar sua agenda de reformas. De qualquer forma, aguardamos as confirmações oficiais, entretanto, se a tendência se confirmar, Gordon Brown já deve estar arrumando sua mudança de Downing Street n.10.

Tories vencem. Ainda falta maioria

As primeiras projeções para a composição do Parlamento de 646 assentos mostram uma situação ainda indefinida, que pode ser ainda revertida no detalhe, mas definitivamente mostra uma tendência.

A vitória, como esperado, está nas mãos dos Conservadores. Aposta-se entre 305 e 307 assentos. Os Trabalhistas vem logo a seguir com 255 e os Liberal Democrats entre 59 e 61. Cerca de 29 cadeiras devem ser divididas entre partidos menores, como os Unionistas da Irlanda do Norte, que tendem a apoiar Cameron.

O número mágico para os Tories é 326. Este é o número de cadeiras que precisam ser conquistadas para formar maioria absoluta. Faltam, na melhor das hipóteses, 19 assentos para os Tories formarem o governo. Não chegará pelas próprias forças, resta saber com quem irá compor para tentar chegar ao número mágico.

Voltarei com números mais definidos ainda hoje.

É Hoje!

Finalmente o Reino Unido chegou ao dia de suas eleições mais disputadas em décadas. As pesquisas mostram uma clara vantagem de David Cameron. Depois de ganhar espaço e encostar nos Conservadores, Nick Clegg perdeu fôlego e disputa a preferência dos eleitores pelo segundo lugar com Gordon Brown.

Os Tories ficaram com uma média de 37% nas últimas pesquisas. Entretanto, os Liberal Democrats e o Labour alternam-se em algumas pesquisas, com uma tendência de baixa em alguns institutos para os Trabalhistas, que na pior previsão aparece com 24%. Na verdade, ambos devem dividir cerca de 27% a 28% dos votos segundo as projeções.

Vale lembrar que o voto no Reino Unido é distrital e para confirmar esta tendência que aponto aqui, é necessário um equilíbrio entre os distritos. Aqui é o ponto fraco de Clegg, pois o Labour tem distritos históricos que deve manter e a tradição dos Conservadores aliada a nova estratégia de Cameron, que avançou em distritos do Labour, deve render vantagem estratégica. Os Liberal Democrats, sem uma base consolidada como os partidos tradicionais, não deve transferir a intenção de votos em Nick Clegg de forma consistente em assentos no Parlamento.

Volto ainda hoje com os primeiros resultados.

quarta-feira, maio 05, 2010

PMDB dá as cartas

A campanha de Dilma Rousseff passa por sérios problemas, como já comentamos aqui. A ausência de resposta em números nas pesquisas tem levantado receio em torno de sua base de apoio. Já fala-se em esvaziamento da candidatura e descrença entre os partidos aliados.

Dilma precisa do PMDB. Este é o posicionamento de Lula. Sabemos que o partido não marchará 100% com o PT, já que alguns setores apóiam José Serra. Mas o que farão os outros segmentos, no caso de Dilma continuar patinando em torno dos 30%? Existe a suspeita de que o PMDB poderia abortar o projeto Dilma e engajar-se ao lado de Serra ou mesmo liberar seus quadros para as coligações locais.

Sabedor desta possibilidade, Lula resolveu partir para a ofensiva e adiantar o processo de aproximação formal com PMDB. Convocado o jantar entre Temer e Dilma, esta convidou formalmente o presidente do PMDB para ser o vice em sua chapa.

O movimento mostrou ao PMDB a necessidade de Dilma ter ao seu lado o partido na campanha presidencial. Portanto, Temer entendeu que agora é o momento do PMDB valorizar seu passe. O primeiro passo é a formatação dos palanques estaduais.

Resultado da pressão de Lula: O PMDB adiou o encontro marcado para 15 de maio, quando indicaria claramente seu apoio a Dilma. A decisão foi prorrogada até a data da Convenção do partido, em 12 de junho.

O PMDB agora dá as cartas. Se o PT deseja retomar o controle, precisa fazer com que Dilma pare de errar e mostre reação nas pesquisas. Do contrário, pode inclusive perder aquele que considera seu mais importante e estratégico aliado.

segunda-feira, maio 03, 2010

A Aposta de Cameron

Enquanto Gordon Brown praticamente selou seu futuro político na última semana, os concorrentes, David Cameron e Nick Clegg seguem com seus objetivos de campanha. Tudo indica dois objetivos. Cameron busca chegar a Downing Street e Clegg procura fortalecer o partido e mira nas próximas eleições.

Clegg, apesar dos números altos nas pequisas, não deve conseguir transformar esta maioria em assentos no Parlamento, especialmente em decorrência do sistema eleitoral britânico. Os Trabalhistas, entretanto, devem manter boa representatividade no Parlamento pelo mesmo motivo.

O jogo está nas mãos dos Conservadores, portanto. Se olharmos o mapa eleitoral do Reino Unido, podemos projetar que os Tories alcancem 311 assentos, aumentando em 113 aqueles conquistados na última eleição, ou seja, um avanço significativo e consistente. Estes assentos devem ser conquistados em antigos redutos do Labour, devido a estratégia política adotada por Cameron que já comentei aqui.

Neste caso, os Conservadores estão perto da maioria, pois consideramos fortemente a possibilidade de aliança destes com partidos locais, que devem ganhar assentos importantes, como os Unionistas da Irlanda do Norte. Neste balanço vejo que é plenamente possível Cameron vencer e formar maioria.

Confirmando-se este cenário, Cameron poderá ir até a Rainha Elizabeth II solicitar sua permissão para a formação de um novo governo no Reino Unido.

sexta-feira, abril 30, 2010

Economia e Política na Europa

A vitória do FIDEZS nas eleições húngaras sinaliza uma tendência do bloco europeu aos partidos reformistas, posicionados a centro-direita do espectro político. A equação é muito simples. Os países governados por socialistas enfrentam os resultados de excessivos gastos do governo. O desequilíbrios de suas contas, em um cenário pós-crise, colocam a saúde da economia em xeque.

A situação econômica da Grécia é a mais alarmante. Entretanto, já vemos preocupação real com as contas de Portugal e Espanha, que assim como Atenas, possuem partidos socialistas no comando do Estado.

A Hungria, que também era governada pelos socialistas, levou o grupo de centro-direita ao poder com uma votação impressionante. As sondagens em Portugal e Espanha mostram governos socialistas desgastados e partidos opositores reformistas como PSD e PP já com vantagem clara nas intenções de voto.

No Reino Unido, a tendência clara é a saída dos trabalhistas do governo e a volta dos Conservadores nas eleições da próxima semana. Assim como a Alemanha, que recentemente referendou um segundo mandato para a CDU de Merkel, agora aliada ao FDP, de clara linha política e econômica liberal.

Na Polônia, as eleições presidenciais devem confirmar a chegada do grupo de Tusk também a Presidência, com Bronisław Komorowski, dos reformistas liberais do Plataforma Cívica.

Muito países europeus, inclusive aqueles que se recuperam mais rapidamente da crise, descobriram nas opções de centro-direita governos que sabem lidar de maneira mais eficaz com a economia. Apesar de cortar benefícios, existe uma agenda clara de corte de impostos, produzindo políticas que desoneram o empreendedor, responsáveis pela geração de empregos e sustentabilidade de uma economia saudável no longo prazo.

O movimento no espectro político é claro, neste caso, claramente influenciado pela economia.

quinta-feira, abril 29, 2010

Debate Final em Birmingham

Acabo de assistir o último debate da corrida eleitoral britânica. Com um nível excelente, Cameron, Brown e Clegg mostraram que existem grandes diferenças entre os seus partidos e projetos para o Reino Unido.

Foi um debate de dinâmica rápida, objetivo e um elevado nível político. Cameron saiu vitorioso. É isso que os primeiros números apontam. Clegg saiu-se muito bem e Gordon Brown, ainda abatido pelo fiasco político de ontem, perdeu o ritmo de campanha. As primeiras sondagens do Angus Reid mostram que 37% do Reino Unido diz que Cameron saiu-se vitorioso hoje. Clegg alcançou 29% e Brown ficou nos parcos 23%. O YouGov aponta 41% para Cameron, 32% para Clegg e 25% para Brown.

A The Economist decidiu dar seu apoio para David Cameron, que pouco a pouco constrói sua vitória. A respeitada publicação britânica divulgou artigo em que justifica seu posicionamento pró-Tories nesta eleição, enquanto analisa as propostas de cada partido. Vale conferir aqui.

Por certo a repercussão do debate por vezes é mais importante que o próprio. Por isso as equipes dos três partidos estão, neste momento, trabalhando freneticamente pelos corredores justificando sua vitória na mídia. Os números de ontem davam Cameron na frente com 34%, Clegg com 28% e Brown com 27%.

A campanha ainda não acabou. Na reta final, entretanto, tudo indica que o momentum se moveu na direção de David Cameron e os Conservadores.

quarta-feira, abril 28, 2010

Microfone derruba Brown

Tudo leva a crer que Gordon Brown está com os dias contados em Downing Street. Em meio a uma eleição difícil ele pode ter selado seu futuro em um erro básico.

Brown fazia campanha em Rochdale. Interpelado por uma eleitora, gentilmente respondeu seus questionamentos. Depois, de volta ao carro, disparou: "Aquilo foi um desastre, eles nunca deveriam ter me colocado com aquela mulher. De quem foi esta ideia? Foi ridículo...ela era só um tipo de mulher intolerante que disse que costumava (votar para) os Trabalhistas. Quer dizer, foi ridículo". O microfone que Brown carregava, não é preciso dizer, estava ligado.

Um desastre político que praticamente leva sua campanha ao fim, as vésperas do debate final. De nada adiantaram os pedidos de desculpas na rádio e na casa da eleitora, para onde se dirigiu depois. O estrago já estava feito.

Depois do episódio, o Labour deve chegar mesmo em terceiro nas eleições, mas entende-se que fará um bom número de deputados mesmo assim. Em caso de vitória de Clegg, sabe-se que Brown, na composição, ficará de fora.

Mas a balança tende, pouco a pouco, para os Tories (4-8 pontos de vantagem), que dependendo da margem de vitória, podem ter dificuldade em formar um governo.

Por tudo isso, o debate de amanhã é imperdível e pode definir a eleição. Entretanto, todos os cenários apontam o fim do governo Brown.

terça-feira, abril 27, 2010

Os Problemas de Dilma

A campanha de Dilma parece enfrentar problemas. Os principais surgem da própria candidata e sua falta de habilidade com a política.

Os fatos são os mais variados. Dilma tropeçou em Minas, andou pelo Ceará de Ciro e até seu twitter sofre com os erros de português. O cenário se confirma com episódios lamentáveis como aquele em que Dilma é apontada como Normal Bengell em uma foto. Isto sem falar nos desmentidos e desculpas atrapalhadas posteriores e os tropeços em relação aos números do PAC.

O sinal de alerta foi acionado. Dilma foi chamada ao Alvorada para uma conversa com Lula na sexta-feira. Diminuirá sua agenda, como já estava sendo arquitetado. Precisa de mais treinamento. Os tropeços precisam parar. Seu discurso precisa de encaixe. A tática comparativa entre Lula e FHC não tem a penetração esperada.

Agora Dilma terá gravações com respostas prontas para assuntos pré-determinados em seu site. Passará a leitura de declarações previamente escritas por assessores, como na reunião de hoje com os sindicalistas. Ficou artificial, mas pelo menos não tem gafe.

A campanha de Dilma precisa de coordenação. Da forma como se apresenta, fica a suspeita da falta de comando. Os erros atuais, aliados a soberba da certeza de vitória, na vida política, é o caminho certo para o fracasso.

segunda-feira, abril 26, 2010

Ciro, o Preterido

Apesar de Dilma ser uma pesssoa melhor, Serra é mais preparado, mais legítimo e mais capaz de ser Presidente. Acredite se quiser, mas estas são palavras de Ciro Gomes em relação a José Serra.

Ciro é um homem ferido e traído. Acreditou (e foi levado a acreditar) que poderia ser o candidato do Planalto. Não entendeu que é considerado um cristão-novo no reino petista. Não teve as bençãos dos cardeais que poderiam selar seu nome.

Ele acreditou que poderia mostrar musculatura eleitoral e viabilizar-se caso Dilma não alçasse vôo. Pensou também que mesmo sem possibilidade de vitória, poderia ao menos credenciar-se como vice. Cogitou que sua candidatura assegura o segundo turno. Nada disso. Não contava com as cartadas petistas e a voracidade e determinação do PMDB para fechar com Lula.

O PSB, seu partido, também o abandonou quando atendeu pedido expresso de Lula: queria Ciro fora da disputa. Os socialistas atenderam a solicitação e aderiram a Dilma.

Ciro, sentindo-se traído por Lula, pelos socialistas e petistas, disparou que o Presidente "sente-se como um todo poderoso". Este pode ser apenas o aperitivo do que vem por aí. Por isso, a base governista quer Ciro fora do País por uns tempos para, quem sabe, estudar ou algo do gênero, já que seu apoio a Dilma será, "apenas discreto", como frisou.

A saída de Ciro, em princípio, beneficia Serra. É bom lembrar que ele é amigo de Aécio e o Ceará é um dos colégios eleitorais mais importantes do Nordeste.

quarta-feira, abril 21, 2010

50 anos de Brasília

É impossível falar de política sem falar de Brasília. É impossível viver a política sem viver Brasília e neste aniversário de 50 anos, nada mais natural do que falarmos de nossa capital.

A cidade é algo do qual muitos falam, mas poucos conhecem. Contestada por muitos, Brasília é muito mais do que um centro nervoso do poder. Com seus traços modernos e arrojados, transformou-se em referência urbanística internacional. Colecionou ao longo do tempo imigrantes, pessoas acima de tudo corajosas, que levaram para a cidade sua cultura junto com seus sonhos.

Críticas existem. Dizem que deixou o mundo político fora do alcance do povo e sua arquitetura tem claros traços de uma cidade socialista. A capital, contudo, também soube se reinventar. Foi palco de protestos e de acordo com as demandas de mercado soube adequar tendências ideológicas de sua arquitetura a soluções inovadoras e inteligentes.

Brasília é hoje muito maior do que se imaginava. Contrariou aqueles que teimavam em não acreditar no projeto do visionário JK, de erguer uma nova capital no interior. A cidade aproximou o Brasil, no sentido de relacionar culturas e mostrar, neste mosaico, a verdadeira cara de nosso País.

Apesar de não ter nascido em Brasília, sou uma daquelas pessoas que, mesmo sendo crítico, acabou se rendendo a tudo que a cidade representa. Minha história desde muito tempo, assim como as de diversas outras que chegaram ao Planalto Central, confunde-se com cada parte de uma cidade que tornou-se também nosso lar.

Idealizada, criada e erguida pelo homem, Brasília é uma das mais belas cidades do mundo, portanto uma jóia rara da arquitetura e do urbanismo, um local de uma beleza única no planeta, algo que devemos nos orgulhar. Por isso cabe a cada um de nós, brasilienses ou não, preservá-la, seja por meio de nosso voto ou nossas ações. Afinal de contas, Brasília é um pouco de cada um nós.

terça-feira, abril 20, 2010

Obama regula, popularidade despenca

Obama segue obstinado em seu projeto de realizar todas as reformas históricas para o Partido Democrata. Depois da batalha no sistema de saúde, agora ele volta suas baterias para o sistema financeiro.

Ele pretende ampliar a supervisão dos bancos e suas práticas financeiras. Não será tarefa fácil. Se sua popularidade saiu combalida na reforma anterior, angariar apoios para esta será uma tarefa quase impossível.

O povo americano, ao contrário do brasileiro, não gosta da palavra regulação, pois sabe que a conta da intervenção do governo cedo ou tarde é cobrada de seu bolso. Ele pode tentar uma brecha política, com habilidade, se usar a crise financeira como discurso para as reformas - mas não poderá lembrar que foi exatamente a intervenção governamental de Clinton que criou a bolha que explodiu pouco antes de Obama chegar a Casa Branca.

Enquanto isso, a popularidade do Presidente norte-americano segue em queda livre. Apenas 22% confiam no governo e só 19% mostram-se contentes com a situação atual. Este é o nível mais baixo de confiança popular em um governo americano em meio século. Trabalho para Obama, já que o Congresso irá se renovar nas eleições de novembro.

segunda-feira, abril 19, 2010

Na espera do Ibope

Causou estranheza nos meios políticos os resultados trazidos pela pesquisa do Instituto Sensus na última semana. A sondagem trouxe um empate entre Serra e Dilma, mais precisamente 32,7% x 32,4%.

A expectativa ficou pelos resultados de outra pesquisa, esta do Datafolha, no final da semana. Os números chegaram bem diferentes daqueles mostrados pelo Sensus.

Pelos dados do Datafolha, Serra ampliou a vantagem. No cenário com Ciro, Serra segue oscilando para cima. Há um ano, ele tinha 35%. Chegou a perder três pontos, caindo para 32% no começo de 2010. Entretanto, desde então viu seus números subirem, para 36% e agora 38%.

Dilma estagnou no mesmo patamar. Tinha 28%, caiu para 27% e voltou aos 28%. A diferença entre os dois aumentou e agora chegou a 10 pontos.

No cenário sem Ciro, Serra também ampliou a vantagem. Tinha 40% e agora chegou a 42%. Dilma segue no mesmo patamar, 30%. Como Marina tem 12%, a presença de Ciro continua a assegurar a ocorrência de um segundo turno. De outro modo, Serra poderia vencer no primeiro turno.

As divergências entre os institutos são fortes. Fica especialmente difícil de conceber um desgaste tão forte de Serra exatamente no momento de lançamento de seu nome, como apontou o Sensus. Caberá a pesquisa do Ibope, que será divulgada esta semana, dirimir as dúvidas.

domingo, abril 18, 2010

Liberal Democrats lideram no Reino Unido

Apenas uma atualização deste domingo. Por essa nem Nick Clegg esperava. Os números que são divulgados neste momento no Reino Unido mostram que a onda amarela, dos Liberal Democrats, continua crescendo.

Nick Clegg e seu partido tomaram a liderança dos Tories. Os Lib Dems surgiram com 33% neste domingo, deixando os Conservadores em segundo com 32% e os Trabalhistas com 26%.

Consolidando-se as tendências atuais, a eleição toma novos contornos dentro do sistema parlamentarista britânico: um Parlamento dividido em três forças principais, onde nenhuma delas alcança maioria absoluta.

Os votos anti-Tories canalizam-se, neste momento, para os Liberal Democrats, o que deixa a situação de Gordon Brown cada vez mais dramática.

Tudo indica que a disputa pela liderança ficará mesmo entre David Cameron e Nick Clegg.

sexta-feira, abril 16, 2010

Reviravolta em Londres

Enquanto as cinzas vindas da Islândia fechavam o espaço aéreo do Reino Unido, os líderes dos três principais partidos britânicos travavam uma disputa memorável em um debate visto por mais de 10 milhões de pessoas no país. Há tempos uma eleição não mobilizava tanto o eleitorado.

A surpresa do debate foi Nick Clegg do Liberal Democrats. Se seu partido já vinha subindo pouco a pouco nas pesquisas, sua performance fez com que uma eleição polarizada entre Gordon Brown e David Cameron tomasse novos ares e considerasse de forma real uma terceira-via.

Nick Clegg tansitou com tranquilidade entre o embate de Brown e Cameron e assim conquistou uma importante parte do eleitorado. Seu partido tira votos dos Conservadores e dos Trabalhistas, além de mobilizar uma parte do eleitorado já desacreditado com a política. Clegg e os Liberal Democrats não poderiam esperar uma onda e um momento tão favorável em um timing melhor do que este.

Nick Clegg foi considerado o vencedor do debate por 51% do eleitorado, seguido de Cameron com 28% e Brown com 19%.

O impacto do resultado do debate mexeu profundamente com o quadro eleitoral. Antes, o cenário previa 37% para os Conservadores, 31% para os Trabalhistas e 22% para os Liberal Democrats. A primeira sondagem após o debate mostra que além de deixar os Trabalhistas para trás, Nick Clegg e seu partido encostaram nos Conservadores. Os Tories aparecem com 33%, Liberal Democrats com 30% e Trabalhistas com 28%.

Se antes Nick Cregg aparecia somente como figurante no cenário eleitoral e depois como a força que daria governabilidade ao vencedor, impondo sua agenda, agora aparece com chances reais de vencer. O Reino Unido, divido em três correntes políticas, caminha certamente para um governo de coalizão, resta saber entre quais partidos.

quinta-feira, abril 15, 2010

PMDB mostra as garras

O PT tem cozinhado o PMDB em banho-maria. Existem pendências em mais de uma dezena de estados e até o momento o partido de Lula parece não se mobilizar para resolvê-los.

Alguns nomes fortes do PMDB já entenderam o recado e estão dispostos a engrossar a pressão para cima de Lula. Os deslizes de Dilma, associados com a falta de disposição dos petistas, fez soar um alerta vermelho no alto comando do PMDB.

Lula dá a eleição como favas contadas e toca o PMDB como um sócio minoritário. Serra, de outra lado, exige cautela, e diz que será uma eleição difícil. A soberba de Lula pode fazer com que sua candidata deslize em meio a tanta alta-confiança.

O nome de Temer como vice de Dilma já tem data para chegar ao grande público, em meados de maio, antes, portanto, da convenção. Se Temer entender, entretanto, que precisa de mais tempo para pressionar o PT, pode adiar o anúncio e deixar Lula sob pressão até a convenção.

O PT precisa negociar a situação nos Estados com o PMDB, a começar por Minas Gerais, onde o petismo mineiro dá sinais que não deseja fechar em torno de Hélio Costa, que já disse que poderá apoiar Serra.

Uma coisa é certa. Em termos de articulação, o PMDB tem muito mais cancha que os colegas petistas, que tem outras qualidades, mas não possuem a sintonia fina com o poder que calibra as posturas do PMDB. Caso o PT não dê a devida atenção ao PMDB, pode colocar a eleição de Dilma em risco. Excesso de soberba, na política, é o caminho certo para a derrota.

quarta-feira, abril 14, 2010

Le Pen sairá de cena

No último domingo, Jean Marie Le Pen anunciou que, em janeiro de 2011, a Frente Nacional deve escolher um novo líder. Não deixa de ser emblemático que em um período de renascimento dos nacionalismos e regionalismos europeus,o principal líder nacionalista francês decida sair de cena.

O Le Figaro pontuou que ele não deve se apresentar nas próximas eleições. A Frente Nacional deverá ser liderada por sua filha, Marine Le Pen, ou pelo antigo colega de partido, Bruno Gollnisch.

A força eleitoral da Frente Nacional francesa não pode ser desprezada, especialmente no atual período por que passa a Europa. Partidos nacionalistas tem angariado votos por todo o continente e já são parte de um grupo político nada desprezível em nível europeu. Tanto Marine Le Pen, quanto Bruno Gollnisch são eurodeputados.

De qualquer forma, a escolha do sucessor de Le Pen, que já chegou ao segundo turno nas eleições presidenciais, é muito importante para seu grupo. Sua personalidade excêntrica carrega muito do apelo da Frente Nacional. Somente um novo líder, de dimensões similares, poderá continuar o trabalho de Le Pen. Com a palavras os filiados, que devem escolher o sucessor em 2011.

terça-feira, abril 13, 2010

Direita vence com folga na Hungria

Depois de oito anos de governo socialista, a Hungria resolveu mudar radicalmente. A vitória da centro-direita húngara neste final de semana foi arrasadora. Se nas eleições de 2006 tinha chegado a apenas 42,06% dos votos, em 2010 os conservadores do FIDESZ chegam a incríveis 52,7%.

O desgastado governo dos socialistas do MSZP ainda levou os nacionalistas do Jobbik (Movimento para uma Hungria Melhor) a ultrapassar a cláusula de barreira dos 5%, consolidando-se com 16,7%.

Nas mãos dos socialistas, os resultados obtidos pela Hungria não tem sido satisfatórios. Recorde de gastos e aumento de impostos fizeram com que o desemprego fosse o maior desde 1994, em 11,4% e uma retração econômica chegasse a 6,3%. Somaram-se os escândalos de corrupção no governo dos socialistas e a falta de habilidade em lidar com a economia, mesmo antes da crise.

A resposta foi contundente. A Direita terá sua grande chance. Com a ampla maioria conquistada no Parlamento, poderá levar adiante um audacioso plano de reformas.

segunda-feira, abril 12, 2010

Serra, o conciliador

José Serra mostrou o tom de sua campanha. Se alguém esperava trazê-lo para uma campanha beligerante, precisará rever suas estratégias.

Transitando entre a crítica pontual e o discurso propositivo, esboçou idéias claras e um posicionamento político conciliador.

Falou sobre a política de divisão da nação, exatamente a estratégia de confronto que se articula contra sua candidatura nos corredores dos atuais inquilinos do Planalto.

O tom final veio com sua mensagem de campanha, "O Brasil pode mais".

A presença e o discurso de Aécio foram importantes, passaram a idéia da união que o partido precisava. Serra agora começará sua campanha por Minas.

Para ter impacto semelhante ao encontro do PT que lançou Dilma, Serra precisaria ter ocupado as capas dos principais revistas semanais no mesmo final de semana de seu discurso, como ocorreu com a candidata oficial.

Duas pesquisas sairão nesta semana. A atenção recairá sobre o Datafolha, que deve ser divulgado no final da semana. Mas uma coisa é certa, o impacto do encontro que selou o nome de Serra, teve menor repercussão na mídia do que o encontro do PT que fez o mesmo com Dilma.

Entretanto, Serra trouxe seu tema de campanha para a berlinda. Caberá ao PT reagir da maneira certa. O manual da estratégia política mostra que Dilma, depois do tom mostrado por Serra, talvez precise rever sua atual tática de campanha.

domingo, abril 11, 2010

Tristeza em Varsóvia

"Há 70 anos, em Katyn, os soviéticos mataram as elites polonesas. Hoje, a elite polonesa morreu quando ia a Katyn homenagear os poloneses mortos". As palavras do ex-presidente Lech Walesa sintetizam a dor que atingiu a Polônia. No avião onde estava o Presidente Lech Kaczyński, também estavam comandantes das Forças-Armadas, incluindo altos oficiais do Estado-Maior, Marinha, Exército, Aeronáutica e das Forças Especiais, além de oficiais veteranos da inteligência, renomados historiadores e os mais importantes formuladores da política externa do Partido Lei e Justiça.

Sou um admirador incondicional da Polônia. Seu povo, que sofreu nas mãos do nazismo e depois do comunismo, emergiu como a nação com a economia mais pujante do Leste Europeu na história recente. Minha admiração pelos poloneses só aumentou quando meu trabalho felizmente levou-me a estar no país e enxergar traços admiráveis em um povo sério, honesto e apaixonado. Varsóvia, como tradução desta nova realidade, reinventa-se como cidade, que quando bela e admirada, foi invadida e destruída, e hoje mostra-se moderna e pujante, reflexo de um povo que valoriza seu passado e orgulha-se de suas tradições.

Assim, o impacto da perda de importante parte da elite polonesa neste desastre aéreo é incalculável, pois foram-se muitos daqueles que lutaram para que a Polônia encontrasse sua tão sonhada liberdade, agora já felizmente consolidada.

Os reflexos políticos são brutais para o partido de Kaczyński, que enfrentaria duras eleições ainda este ano. Assume o cargo interinamente o presidente da Câmara Baixa (Sejm), Bronisław Komorowski, adversário dos irmãos Kaczyński, e aliado do Primeiro-Ministro Donald Tusk. As chances de Komorowski concorrer e vencer são grandes, uma vez que seu nome já era dado como certo nas eleições de outubro, além de representar Tusk, que dirige um governo sólido, coerente e que colhe ótimos resultados.

Enquanto isso, a Polônia terá que mais uma vez superar uma difícil etapa de sua história. Mas somente grandes nações tem a força para enfrentar grandes dificuldades e a Polônia é um desses raros exemplos admiráveis.

sexta-feira, abril 09, 2010

Alencar decide não concorrer

Tudo indicava que o vice-presidente José Alencar enfrentaria as urnas novamente este ano. Foi contundente quando perguntado pelo Presidente Lula, dizendo que gostaria de voltar ao Senado. Flertou também com o governo de Minas, mas por fim, decidiu se retirar do cenário político.

Com 78 anos e ainda em tratamento contra o câncer, ele disse que não seria honesto concorrer sem estar plenamente curado. Certamente não seria e se este foi o real motivo, tomou a decisão correta.

Politicamente, Alencar resolveu um problema para Lula, pois passará a assumir a Presidência em suas ausências, evitando o desgaste de transmissão do cargo temporariamente para José Sarney.

Em Minas, a retirada de seu nome tem reflexos na sucessão. Para o Governo, consolida a candidatura de Hélio Costa, e para o Senado deixa aberta uma vaga que seria certamente sua. Como Aécio é dado com candidato imbatível ao Senado, a segunda vaga pode acabar no colo de Itamar Franco.

Como vemos, a decisão de Alencar começa a definir o cenário nas Minas Gerais. Já no Planalto trará a tranquilidade que Lula tanto desejava para engajar-se com mais força na campanha de Dilma.

quinta-feira, abril 08, 2010

"Dilmasia, Anastadilma, qualquer coisa assim"

Longe de Lula, Dilma tem o hábito de meter os pés pelas mãos em campanha. Sugeriu, em Minas, sem pensar nas consequências políticas com seus aliados, uma aliança branca com o candidato a Governador de Aécio Neves, Antônio Anastasia. Chamou sua idéia de "Dilmasia, Anastadilma, qualquer coisa assim".

O que une ambos é a dependência crônica de seus padrinhos políticos para suas candidaturas. Mas Dilma enxergou no fato uma possibilidade de desestabilizar o ninho tucano, que depende de Minas e da boa vontade de Aécio para vencer as eleições presidenciais. Errou o foco. Provocou fogo amigo.

A estratégia, tudo indica, não surtiu os melhores resultados, já que o pretenso candidato do governo, Hélio Costa, saiu atirando. Disse que preferia o voto "Serrélio", ou seja, Serra para Presidente e Hélio Costa para Governador. Isso sem falar na dupla Pimentel-Patrus, do ninho petista e do vice José Alencar, todos com ambições em Minas.

O problema é que Dilma causou tensão e desconforto transitando em um terreno onde não possui qualquer habilidade. Solta, tende a gerar fatos que podem prejudicar sua candidatura e colocar em dúvida alianças estratégicas, como em Minas.

Em tempo, Antônio Anastasia disse que apóia o pré-candidato do PSDB a Presidente, José Serra. "Minas está firme com ele”, completou.

terça-feira, abril 06, 2010

Sarney is Back

Como já havíamos previsto por aqui, José Sarney voltaria ao Planalto, mesmo que interinamente em função do calendário eleitoral.

Como Lula estará ausente do País e o vice, José Alencar, pretende se candidatar, o natural seria que o Presidente da Câmara assumisse o cargo. Mas como Michel Temer pretende ser candidato na chapa de Dilma, também não pode assumir, sob o risco de tornar-se inelegível.

O próximo na linha sucessória é José Sarney, presidente do Senado, que voltará ao Planalto no próximo domingo, 20 anos depois de deixar a Presidência da República.

Assim, sob as bençãos de Lula, Sarney is back. Não será somente por uma vez, o Presidente do Senado deve assumir a cadeira presidencial por várias vezes até as eleições. Desgaste eleitoral para o PT? Não acredito. Como vemos, a política reserva várias vidas para seus pares, como lembrou Churchill.

quinta-feira, abril 01, 2010

Dia do Fico

E Henrique Meirelles, depois de ser cotado para concorrer a Vice-Presidência da República, decidiu não ser candidato a coisa alguma e ficará no comando do Banco Central.

As justificas técnicas não escondem os motivos políticos. Meirelles filiou-se ao PMDB sob a orientação de Lula para tentar emplacar como vice de Dilma. Era seu desejo. Mas o PMDB foi inflexível e como já era esperado deixou Henrique Meirelles de fora.

O PMDB quer Michel Temer como vice de Dilma e assim será. Se o partido marchará unido é outra história, mas ficou claro que o PMDB tem comando e que Michel representa este grupo.

Quanto a Meirelles, nem uma candidatura em Goiás emplacou. Os destinos seriam o Governo ou o Senado. Íris Rezende será candidato ao governo e dependendo da composição, uma candidatura ao Senado poderia não se concretizar.

Ao filiar-se no PMDB, Meirelles selou seu destino político nas próximas eleições. Virou apenas mais uma carta do baralho político produzido pelo Planalto. Temer agradece.

terça-feira, março 30, 2010

Bunker Tucano

A sucessão paulista tem tudo para tornar-se um passeio para os tucanos. A pesquisa Datafolha deixou isto muito claro com os números apresentados na última sondagem.

Alckmin dispara na frente, com 53%, no cenário em que o principal adversário é Aloísio Mercadante, que aparece com 13%. No embate com Suplicy, Alckmin obtém 50%, contra 19% do petista. Nem o projeto, já sepultado, de lançar Ciro mudou o quadro, pois o deputado oscila entre 9% e 11%.

São Paulo é hoje o grande bunker dos tucanos, um estado tradicionalmente governado pelo PSDB, que cravou sua bandeira no Palácio dos Bandeirantes com Montoro em 1982 (ainda no PMDB) e que venceu todas as eleições para o governo desde 1994, com Mário Covas.

A oposição na disputa estadual virá do PT, que preferiu deixar Suplicy de fora em favor de Mercadante. Este, por sua vez, abandonará a corrida pelo Senado e irá para o sacrifício, segundo alguns, na certeza que terá apoio dos seus companheiros para disputar a prefeitura paulistana em 2012. Mas para isso, ele deve torcer muito para que Marta vença a disputa para sua cadeira atual no Senado.

segunda-feira, março 29, 2010

Serra amplia vantagem

A pesquisa Datafolha traz um cenário que evidencia alguns fatos importantes que merecem diagnóstico.

A primeira delas foi a primeira queda de Dilma. Ela, que havia alcançado, nos ombros de Lula, 28%, pela primeira vez não subiu em uma pesquisa e, ao contrário do que era esperado pelos petistas, caiu um ponto, estacionada neste período no patamar de 27%. O Datafolha foi decepcionante para o petismo, que projetava e já insinuava os números de Dilma pouco acima de Serra neste período.

Serra, ao contrário, viu seus números oscilarem para cima. Ele, que apresentava no último Datafolha 32% e no Ibope 35%, chegou a 36%. Neste cenário, com Ciro Gomes, há um ano, Serra obteve 35%. Como já escrevi aqui, uma estabilidade impressionante, especialmente para quem não havia assumido a candidatura e tinha sua principal oponente em plena campanha sob a batuta de Lula.

Nos números sem Ciro, com a subida de Serra e o desgaste de Dilma, o momento mostra que a eleição poderia ser definida no primeiro turno em favor de Serra. Enquanto ele chaga a 40%, Dilma alcança 30% e Marina 10%. Lembro mais uma vez que a presença de Ciro, neste momento, garante o segundo turno para os petistas.

Por certo Dilma deve ainda subir, pois não atingiu o patamar de 30%-33% que se espera de um candidato petista com base mobilizada. Entretanto, Serra surpreendeu com uma reação não esperada neste momento. Deve ainda subir mais alguns pontos com o anúncio formal de sua candidatura e a ocupação de espaços na mídia.

Caberá aos petistas criar fatos políticos que diminuam o impacto do anúncio de Serra sob pena de ver a distância entre os dois aumentar ainda mais, já que Dilma entrará em uma zona cinza entre a saída da Casa Civil e o começo formal da campanha.

sexta-feira, março 26, 2010

Ciro sem saída

Ciro Gomes parece sem saída. Durante entrevista esta semana atirou para todos os lados e garantiu que é candidato a Presidente, não a Vice, quando questionado sobre a possibilidade de dividir a chapa com Dilma.

O que Ciro já sabe é que uma grande "operação abafa" de sua candidatura já está em curso e tem suas principais ações planejadas no próprio Palácio do Planalto. Na verdade, sua candidatura já estaria sepultada, sob a orientação e benção de Lula.

Diante da situação criada em São Paulo, nem o PT deseja mais sua candidatura ao Palácio dos Bandeirantes. Mercadante já admitiu que vai para o sacrifício. Resta a Ciro, que disse não ter vontade de voltar ao Parlamento, procurar uma saída honrosa.

Ele acreditou que poderia ser o candidato de Lula. Na realidade, nunca seria. Seguindo orientação do Presidente, ele transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo. A estratégia de lançá-lo ao governo para servir ao petismo e enfraquecer o PSDB deu errado. O que os barões do petismo esquecem é que a candidatura de Ciro talvez fosse a melhor garantia que haverá um segundo turno.

quinta-feira, março 25, 2010

Chávez endurece regime

A Venezuela, a cada dia que passa, se parece mais com uma ditadura. Os pequenos espaços onde ainda seria possível fazer oposição a Hugo Chávez vão, pouco a pouco, desaparecendo. Esta quinta-feira foi mais uma prova do endurecimento do regime de cerceamento de liberdades.

A vítima, uma vez mais e como é recorrente em todos os tiranetes de plantão ao redor do mundo, foi a imprensa. O presidente do canal de TV opositor "Globovisión", Guillermo Zuloaga, foi detido hoje por simplesmente ter criticado Hugo Chávez. Após sua detenção, a campanha de desinformação já estava ativa, dando conta de que Zuloaga teria incorrido em "vários delitos por ofensa" e por "divulgação de informação falsa". Acusações típicas de regimes autoritários.

Inúmeras organizações e entidades internacionais, além de governos estrangeiros mostraram preocupação com o endurecimento do regime e encarceramento de jornalistas, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a SIP, a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR ), a Human Rights Watch (HRW) e o Governo do Canadá.

Depois de intimidado, Zuloaga foi liberado no final do dia, mas não pode mais deixar a Venezuela. Outra recente vítima do governo autoritário foi o ex-governador do Estado de Zulia, Álvarez Paz, preso depois de acusar o governo de colaborar com o narcotráfico em um programa do canal Globovisión de Zuloaga.

Como todo governo autoritário, Chávez fecha o cerco cada vez mais contra qualquer um que ouse criticar seus atos. Lamentável.

quarta-feira, março 24, 2010

Pressão em Berlim

As pressões dos sócios europeus para encontrar uma saída para Grécia se intensificaram com o passar da semana. A resistência vem de Berlim. A Alemanha segue firme em sua posição de não ceder aos apelos dos países da zona do Euro.

Existe uma chance de Merkel ceder, mas para isto acontecer, o FMI teria que estar disposto a dividir a conta com os sócios europeus.

Enquanto nada fica decidido, o Euro voltou a perder valor, tanto pela situação grega, quanto pela notícia da desvalorização da dívida portuguesa. É preciso achar uma saída que estabilize a situação de forma rápida e a presença de governos socialistas gastadores nos países foco da crise, não ajudam em nada a situação.

Os principais nomes da UE procuraram a Alemanha com o objetivo de tentar uma saída completamente européia para a crise, mas os esforços parecem em vão. Tudo indica que Berlim só dividirá a fatura se a solução extrapolar as fronteiras da Europa.

Os sócios europeus precisam ajudar a Alemanha a se posicionar favoravelmente. Bancar a fatura de ajuda à Grécia neste momento pode balançar a coalizão que mantém Merkel no governo.

Apesar das pressões de Bruxelas, Berlim não tende a ceder. É provável que a conta tenha que ser dividida com o FMI e seu maior acionista, os Estados Unidos. Assim salva-se o Euro e o governo de Merkel.

É preciso perguntar, entretanto, até quando a Alemanha terá que pagar pela irresponsabilidade fiscal de seus sócios menos confiáveis? Fica uma certeza, de Berlim depende o Euro. E agora, talvez de Washington também.

terça-feira, março 23, 2010

Trabalho para Obama

O aspecto geral é de felicidade na Casa Branca, afinal de contas, Obama conseguiu a aprovação da reforma do sistema de saúde, mesmo que não tenho sido a versão que ele imaginava, nem com os votos que esperava, especialmente depois de ceder em alguns pontos.

Mas batalha realmente está por começar. Os republicanos, por certo, já avisaram que pretendem desmontar a reforma (e os atos custos que representa) se retomarem o controle do Congresso ainda este ano. Entretanto, os problemas são maiores.

Minutos após a sanção da lei, 13 estados, Alabama, Colorado, Flórida, Idaho, Louisiana, Michigan, Nebraska, Pensilvânia, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Texas, Utah e Washington deram entrada em uma ação contra a reforma. O estado da Virgínia move mais uma ação em separado.

A opinião geral é de cautela. Obama não é um Presidente popular e as pesquisas feitas logo após a aprovação da reforma mostram que sua vitória em nada mudou sua impopularidade. 60,8% dos americanos acham que o país segue o caminho errado. A aprovação do governo Obama permanece no fraco patamar de 47,5%.

A Casa Branca acaba de lançar uma ofensiva publicitária para explicar a reforma aos americanos que, até o momento, sentem cheiro de "promessas rompidas, custos mais altos, empregos perdidos e menos liberdades", como pontuou John Boehner, líder republicano.

Para Obama, vencer no Congresso foi apenas o começo. Agora virá a parte difícil, ou seja, provar que seu plano funciona, mesmo que avance no bolso dos americanos.

segunda-feira, março 22, 2010

Sarkozy em alerta

Se no primeiro turno, o fato político foi a votação recebida pela Frente Nacional de Le Pen, no segundo turno, o protagonismo das eleições francesas passou para os socialistas.

O PS venceu de forma indiscutível por toda a França. Foram 54,3% dos votos e vitórias em 21 das 22 regiões em disputa no território europeu. A UMP ficou com 36,1% e venceu apenas na Alsácia e nas duas regiões não européias, a ilha Reunion e a Guiana Francesa.

Em 2004, na esteira da construção da vitória de Sarkozy em 2007, a UMP tinha obtido 50% contra 37% dos socialistas. Houve uma clara inversão das tendências de voto.

Sarkozy movimenta-se agora de olho nas eleições presidenciais de 2012 e deve mover suas políticas no sentido de consolidar seu nome para reeleição. Não existirão mais testes eleitorais até as eleições nacionais para o Elysée.

Sarkozy terá trabalho dobrado. Movido pelo combustível eleitoral socialistas, greves já são preparadas para os próximos dias e Dominique de Villepin deve anunciar o lançamento de um novo partido para dividir os votos da UMP e enfraquecer o Presidente francês.

sexta-feira, março 19, 2010

Serra Candidato

Pela primeira vez Serra admitiu sua candidatura. Não é surpresa, afinal de contas, sua posição nas pesquisas, especialmente se compararmos com as chances de outros postulantes do PSDB, evidencia que ele é o mais forte para tentar recuperar o Planalto para os tucanos.

O anúncio da pré-candidatura não é oficial. Foi apenas em uma entrevista, mas teve o resultado de trazer o nome de José Serra para o debate. Seria melhor que Serra tivesse anunciado suas intenções de outra forma, de uma maneira mais impactante e que tomasse as manchetes dos jornais por alguns dias. Preferiu fazer diferente.

A divulgação oficial do nome de Serra como pré-candidato para a convenção tucana ainda está por vir, agora dentro de um quadro eleitoral consolidado. Entretanto, pesquisas feitas entre o anúncio informal e a divulgação oficial não mostrarão um retrato fiel.

Serra deve ocupar-se de escolher o vice. Algum muito importante para sua candidatura. Não deveria ceder a qualquer pressão de ter ao seu lado um nome do Nordeste. Tal atitude pode abater sua candidatura. O Nordeste é terreno perdido dentro da lógica do bolsa-família. Ele precisa de um vice que lhe traga votos de onde precisa: Minas. Aécio, se não aceitar o posto, deve ser ungido a condição de escolher um nome, mineiro, para acompanhar Serra. O jogo começou.

quinta-feira, março 18, 2010

Oposição reage

Quem pensava que não restava forças a oposição, especialmente depois da divulgação da pesquisa Ibope com índices recordes de aprovação de Lula, surpreendeu-se com os movimentos no Senado.

Descontentes com os rumos da política externa brasileira, o senador tucano Eduardo Azeredo, de Minas Gerais, resolveu suspender a indicação de novos embaixadores até que Celso Amorim venha até o Senado explicar a política exterior do governo Lula.

O Brasil tem sofrido várias críticas no exterior, especialmente depois de Lula ignorar os pedidos de interferência dos presos em greve de fome em Havana e, em ato contínuo, comparar os presos políticos da ditadura cubana a presos condenados por crimes comuns em São Paulo. Realmente não pegou bem, até jornais europeus identificados com a esquerda foram contundentes em reprovar as atitudes de Lula. Os deslizes diplomáticos em Israel só contribuíram para o tom se elevar.

Se Lula almeja uma carreira internacional, como é especulado nos bastidores, depois que deixar o Planalto, é preciso moderar seu discurso e assumir um tom condizente com um representante diplomático.

O fato é que a oposição reagiu na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Até o Presidente Collor, membro da base governista, defendeu a devolução das indicações ao Itamaraty, mas por defeito formal, uma vez que faltava a assinatura do Ministro Celso Amorim nas indicações.

quarta-feira, março 17, 2010

Serra na frente, aponta Ibope

Parece incrível, mas discordo da maioria das análises políticas sobre a situação de Serra na corrida presidencial.

O Governador de S. Paulo manteve-se estável na pesquisa Ibope. Comentei neste espaço, que no cenário com Ciro Gomes, há um ano, Serra cravava 35%. Hoje, alcança os mesmos 35% no Ibope (no Datafolha 32%). O fato é que com Ciro na disputa, Serra não oscilou, sem campanha, durante um ano.

No cenário sem Ciro, Serra alcançou 38% (no Datafolha, os mesmos 38%). Há um ano, neste cenário, o Governador paulista alcançou 47%.

De um lado Dilma cresceu, mas não chegou, como era esperado dentro do PT. Serra, de outro, mesmo sem campanha alguma, mostra uma incrível estabilidade dentro dos 35-38 pontos.

Se as notícias são boas para Dilma, que chegou nos 30%, as notícias são boas também para Serra. Sem envolvimento e campanha, mantém uma base forte de saída, o que com a campanha na rua, deve ainda ver crescer seus números.

Talvez a preservação a que Serra se submeteu, ao contrário da opinião geral, seja o ponto estratégico mais importante de sua pré-campanha. Sua exposição prematura o tornaria alvo preferencial de Dilma, no contraponto. Ao seu eleitorado, que vemos ser fiel, mandou a mensagem que importa. Resta conquistar o segundo terço do eleitorado. Mas isto é tarefa de campanha.

terça-feira, março 16, 2010

A Estratégia de Cameron

O Partido Conservador britânico tem se preparado muito para as próximas eleições e o resultado das pesquisas tem deixado bem clara esta percepção. O Guardian trouxe os números mais recentes no final de semana onde os Tories aparecem com uma liderança de 9 pontos, chegando a 40%, enquanto o Labour crava 31%.

Mas a liderança consolidada dos Conservadores vem sendo construída há algum tempo, com mais precisão desde 2005, quando David Cameron assumiu a liderança do partido. Uma renovação foi colocada em curso, bem como uma estratégia de médio prazo que fortaleceria o partido para vencer as eleições.

O resultado está aí, mas o trabalho político realizado até agora tem sido incansável e por isso a provável vitória de Cameron pode ser significativa, traduzida em uma maioria confortável no Parlamento.

Cameron mirou em locais, que apesar de terem seguido Tony Blair nos últimos pleitos, sempre carregou uma tradição de voto nos Conservadores. Estratégia acertada, mostram as pesquisas. Ele também dirigiu o foco para regiões em que os Tories perderam por uma pequena margem na última eleição e segundo as pesquisas, ali também os Conservadores devem inverter a tendência ao Labour.

Por fim, os votos dos Liberal Democrats, que devem privilegiar o voto útil nos Tories em locais onde a divisão Conseravadores/Liberais acaba por eleger Trabalhistas.

A soma de todos esses movimentos pode, estrategicamente, ampliar a vitória dos Tories em nível nacional e consolidar uma importante maioria parlamentar para governar.

segunda-feira, março 15, 2010

O Renascimento de Le Pen

Para a imprensa, pode ter sido tão somente uma derrota de Sarkozy, entretanto, as eleições francesas deste final de semana mostraram algo que vai um pouco além.

Se a UMP perdeu eleitores, a Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen ganhou votos. A FN alcançou 11,7% dos votos, mostrando um crescimento brutal, considerando-se as eleições européias de 2009, quando apenas 6,3% dos votos foram conquistados por seu partido.

O renascimento de Le Pen foi tanto no norte quanto no sul. Nas regiões de Provence, Alpes e Côte d'Azur, superou os 20% dos votos e no norte, na região de Nord Pas de Calais, as listas lideradas pela sua filha e herdeira política, Marine Lê Pen, chegaram a 18%.

Foram resultados muito expressivos e de longe o fato político mais importante das eleições deste final de semana. Nada de Sarkozy ou da esquerda francesa, ambos precisam ainda consolidar os resultados. Le Pen renasce das cinzas, herdando votos que foram perdidos pela UMP.

sexta-feira, março 12, 2010

DEM em busca de rumo

O antigo PFL, rebatizado de DEM, busca incansavelmente seu rumo no cenário político nacional. Nascido de uma dissidência do PDS durante a transição para a Nova República, o partido entra em uma fase decisiva nas eleições de 2010.

Nascido na situação, o antigo PFL tornou-se refém de sua presença habitual nas esferas de poder. A sigla, situada na oposição desde o início governo Lula, mostra-se carente de estratégia política para apresentar-se como um contraponto consistente ao governo. Não sabe fazer a oposição combativa do PT, tampouco uma construtiva, que sendo uma idéia de vanguarda, renovaria o partido e poderia oxigenar a política nacional.

Soma-se a isso a falta de renovação política no partido. Guiado historicamente por líderes fortes, não souber criar uma base consistente de renovação partidária (algo muito bem articulado em agremiações como o PT), buscando, em muitas oportunidades, herdeiros políticos nas famílias dos próprios líderes do partido. Carente de uma base consistente e da presença no governo, enxerga seu número de votos e densidade política diminuir a cada eleição.

Na sua tentativa de renovação, esbarrou na oportunidade perdida com Arruda, e pela demora na tomada de posição, saiu chamuscado. Apesar disso, o DEM ainda possui nomes consistentes e sérios que podem levar a reconstrução do partido.

O DEM precisa reinventar-se dentro de suas próprias idéias, criar base partidária identificada com suas bandeiras com vistas a gerar renovação de seus quadros, algo similar a operação realizada no PP espanhol por José María Aznar.

Renovado, o partido precisa mostrar-se como uma alternativa viável de poder, com projetos, líderes, quadros qualificados, administrações modernas, identificadas exatamente com as bandeiras defendidas pelo partido.

Do contrário verá o PT avançar pelos seus antigos redutos eleitorais via Bolsa-Família, sem conseguir reposicionar-se como alternativa viável nos grandes centros. Aquele, que já foi o partido mais forte e influente do Brasil, se não agir rápido, poderá estar condenado a um papel de menor importância, mero coadjuvante da política nacional, sem quaisquer condições de levar ao poder a implementação de sua agenda para o Brasil. 2010 será um duro teste para os Democratas.

quinta-feira, março 11, 2010

PMDB mantém Ministérios

O PMDB não vacilou. Ao menor ruído de que poderia perder influência no destino orçamentário da Esplanada dos Ministérios, rapidamente se reuniu com Lula. O Presidente, provavelmente movido pelos bons argumentos peemedebistas, decidiu: o partido, principal parceiro e fiador do governo Lula no Congresso, permanecerá com o controle dos ministérios que comanda após abril, quando os titulares deixam as pastas para a disputa das eleições.

Esta é uma sinalização importante, uma vez que o PMDB comanda ministérios estratégicos, dotados de orçamentos invejáveis na Esplanada, especialmente em período eleitoral.

Os fiadores do acordo foram José Sarney, Michel Temer e Romero Jucá, juntamente com Lula, durante um almoço na data de hoje. Caberá aos caciques do partido a indicação dos nomes que passarão ao comando de seus ministérios em abril. Lula terá poder veto, mas dificilmente irá exercê-lo, uma vez que enxerga no PMDB um aliado estratégico nas eleições presidenciais.

Resta saber quem serão os escolhidos para comandar os seguintes ministérios a partir de abril: Minas e Energia, Comunicações, Agricultura, Saúde e Integração Nacional. O PMDB já coloca na conta também o Banco Central. Se normalmente são pastas importantes, em ano de eleições, o controle da máquina destes ministérios se torna fundamental. O PMDB não brinca em serviço.

quarta-feira, março 10, 2010

Meirelles na berlinda

A imagem que está aí do lado parece cada vez mais distante, mesmo que tenha torcida graúda. Um dos potenciais nomes do PMDB para ocupar a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff, Henrique Meirelles, foi indiciado pelo Ministério Público Federal por crimes contra a ordem tributária.

Não é novidade que certos setores preferem o nome do Presidente do Banco Central para compor a chapa com Dilma, inclusive Lula tem aparecido como um dos mais importantes articuladores desta idéia. Quem não quer Meirelles ao lado de Dilma é o PMDB, que prefere indicar seu Presidente, Michel Temer.

Justo quando seu nome começava a ser trabalhado com mais afinco, surgiu o movimento do MPF. Apesar de o Bacen declarar que sequer houve qualquer notificação até o momento, no terreno político, que possui dinâmica e timing próprios, a ação desgasta o nome de Meirelles.

E fortecele o de Temer.

segunda-feira, março 08, 2010

A Questão Serra

Muito tem se especulado sobre as reais chances de José Serra na corrida presidencial. Segundo alguns, sua demora em assumir a candidatura faz com que a candidata do PT tenha terreno livre para crescer. Discordo de muitos desses pontos, que repetidos exaustivamente, já são tomados como verdade.

Pesquisas realizadas muito tempo antes da eleição, sem a definição clara dos candidatos, não conseguem retratar o cenário de disputa, uma vez que a campanha ainda não está nas ruas. Neste cenário pré-eleitoral, Serra aparecia, em março de 2009, com 47% de preferência do eleitorado. Dilma chegava a 13% e Heloísa Helena a 15%, no cenário sem Ciro Gomes. Com o deputado cearense na disputa, Serra cravava 35%.

Em análises, consideramos que os números de Serra deveriam ainda descer deste patamar, incluindo-se neste ponto dois fatores importantes: a entrada da popularidade de Lula carregando sua candidata, bem como o natural descenso daquele que à época, era praticamente o único candidato na disputa.

Argumentar que os números de Serra desceram porque ele ainda não entrou na disputa ou porque sua popularidade diminuiu é um erro de cálculo grave em análise política. Vejam que o cenário com Ciro na disputa trazia, há um ano, Serra com 35%.

Os números apresentados neste momento mostram o retrato do início da campanha eleitoral. Com Ciro, Serra possui 32% e sem Ciro na disputa, Serra obtém 38%. Vemos, portanto que a oscilação de Serra em um ano, sem campanha, não foi substancial como se imagina, ou seja, 9 pontos sem Ciro e 3 pontos com Ciro no cenário.

Vale lembrar que Serra mantém seu patamar sem campanha nas ruas, o que leva a crer um alto grau de consolidação deste voto, sendo difícil arrastá-lo para outro competidor. Entretanto, em campanha ele tem a possibilidade de resgatar os pontos perdidos até o momento, pois estes eram, em tese, votos com tendência para sua candidatura. Serra tampouco teve exposição na mídia, foi capa de revistas semanais ou deu entrevistas como candidato - todos elementos que tendem a alavancar ainda seus números.

Os de Dilma, ao contrário, subiram na escala proporcional ao envolvimento de Lula em sua caravana, bem como na esteira da popularidade do Presidente e presença constante na mídia e do patamar base de votação petista, que oscila nos 30%. Ela deve subir mais e chegar pouco acima dos 30% no cenário sem Ciro Gomes.

Portanto, assumir que Serra está sofrendo desgaste por não assumir sua candidatura é um erro de cálculo. Até o momento, sua decisão de centrar seus esforços no governo de São Paulo e evitar a antecipação da sucessão não alterou substancialmente sua intenção de voto e deixou-o fora dos ataques de seus opositores que visam desgastar sua imagem. Seu eleitorado não foi abalado, portanto foi a estratégia política correta até o momento.

A cautela que Serra traz em seus movimentos políticos denotam que ele não entrará na disputa para fazer figuração. Entrará para vencer, ciente da oscilação de seus números de acordo com seus movimentos políticos, que até o momento, ao contrário do que é veiculado na mídia, são extremamente favoráveis. Para vencê-lo, o PT precisará de análise política apurada e estratégia bem calculada.

sexta-feira, março 05, 2010

A Negativa de Lula

Depois de circular pelos bastidores, inclusive das campanhas, a tese de que Lula estaria disposto a licenciar-se do cargo para ajudar Dilma, veio a negativa do Presidente.

Aécio deu sua opinião, disse que se Dilma tiver densidade, não precisará de licença de Lula para vencer.

Marina Silva, que conhece o PT por dentro, disse que a possibilidade de licença demonstra a insegurança do partido com o processo político, já que a eleição é o momento da afirmação de uma liderança. A ponderação de Marina tem fundamento, afinal de contas, se alguém precisa que um terceiro construa sua liderança, este alguém não pode ser considerado um líder.

Considerações à parte, o próprio Lula foi enfático em sua declaração: "Seria uma coisa descabida um presidente pedir licença do cargo mais importante do Brasil para fazer campanha. Segundo, que fosse possível um presidente da República se afastar sendo que pode não ter o vice-presidente para exercitar (sic) o mandato. Não teria cabimento, não teria lógica, seria uma irresponsabilidade com o mandato que foi me dado pelo povo brasileiro".

Estaria Lula disposto a perder a eleição sabendo que sua presença poderia fazer toda a diferença? Em política, os fatos podem ser lidos de várias maneiras, portanto, uma delas, depois desta declaração, seria que agora já é possível considerar a possibilidade da licença de Lula para cruzar o País ao lado de Dilma em campanha.

Mas como já disse aqui, deve avaliar o impacto político de alçar Sarney de volta ao Planalto.

quinta-feira, março 04, 2010

A volta de Sarney ao Planalto

As chances de José Sarney voltar a ocupar o terceiro andar do Palácio do Planalto, mesmo que interinamente, são muito reais.

Tudo indica que Lula quer evitar problemas com a Justiça Eleitoral. O Presidente também sabe da importância de sua figura para catapultar os números de Dilma Rousseff. Com Lula e sua popularidade ao seu lado, Dilma teria maiores chances de penetração e de fechar alianças.

Assim, o Presidente licenciaria-se do cargo para poder participar com força total da campanha presidencial. Como o vice José Alencar e Michel Temer estarão impedidos de assumir, uma vez que serão candidatos, a Presidência ficará nas mãos de José Sarney.

Caso Sarney desista da empreitada, o presidente do STF assume a vaga, mas isto será difícil de ver. Se a conjunção favorável se estabelecer, Sarney deve passar a despachar no Planalto, novamente.

O fato político de reconduzir Sarney, mesmo que indiretamente ao Planalto, causará reflexos negativos para a campanha de Dilma? Lula deve avaliar com muito cuidado.

quarta-feira, março 03, 2010

Serra Candidato?

O PSDB já tem candidato. Esta foi a mensagem passada pelos tucanos durante o evento em homenagem a Tancredo Neves. Apesar das evasivas de Serra com os repórteres, quando falou na tribuna, falou como candidato, pontuou o discurso e apontou na direção de sua candidatura.

Serra já fez o convite pessoalmente para Aécio compor a chapa tucana ao seu lado. Aécio ainda resiste, mas as pressões são grandes. Diante de todos, agiu como Tancredo, usando a seguinte frase: “Não adianta empurrar, empurrado eu não vou”. Mas ficou uma dúvida, e se não for empurrado, vai?

O Governador de Minas está certo, mesmo que aceite, este não é o momento e se aceitar o convite para compor a chapa, deverá negociar muito bem sua entrada na disputa.

Serra fustigou o PT em seu discurso. Deu o tom de candidato que vai para o embate. Aécio foi conciliador, como se espera de um bom e tradicional político mineiro. Pode aí estar nascendo uma parceria que leve os tucanos de volta ao Planalto, mesmo que Aécio não esteja na disputa. Ou vice versa?

terça-feira, março 02, 2010

Aécio resiste. Tucanos insistem

O crescimento de Dilma nas pesquisas fez o alarme soar no ninho tucano. Desde então o nome de Aécio Neves voltou ao palco presidencial. Ele seria o nome que, ao lado de José Serra, formaria a chapa dos sonhos de boa parte da oposição.

Entretanto, Aécio ainda resiste. Em busca de uma solução, surgiu o nome do senador Tasso Jereissati, sugerido pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. A tese é aquela de sempre, ou seja, fortaleceria o candidato no Nordeste, onde Dilma é mais forte.

A tese de um vice do Nordeste é perigosa para os tucanos. Foi o erro na campanha de Alckmin em 2006. Enquanto existiam votos para ser conquistados no Sul, Alckmin rumou para o Nordeste e Amazonas, onde Lula teve mais de 80% dos votos.

As intenções de voto na região Nordeste, assim como no Norte, são extremamente consolidadas, especialmente em função dos programas de assistência do governo. Portanto, voltar a campanha oposicionista fortemente para este front, é perder tempo, espaço e votos onde ainda é possível crescer, ou seja, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que se identificam muito mais com a agenda oposicionista. Os palanques para os candidatos aos governos destes estados são também estrategicamente muito importantes.

É fundamental que o vice, em caso de confirmação do nome de Serra, venha de Minas. É neste estado que se definirão as eleições. Se não for Aécio, que seja um nome escolhido pessoalmente por ele. Se for de algum dos partidos aliados, como PPS ou DEM, melhor ainda.

segunda-feira, março 01, 2010

Dilma no jogo

Como havia dito aqui, Dilma aproveitou bem seu momento de exposição para crescer nas pesquisas. A presença nas revistas semanais, bem como o Congresso do PT, trouxeram a candidata para a mídia, algo extremamente precioso para alguém que deseja se fazer conhecido.

Se alguém ainda tinha alguma dúvida de que Dilma tenha entrado no jogo para vencer, o resultado do Datafolha deixa isso claro. Dilma está no jogo para vencer e a estrutura do seu partido, bem como o Presidente da República, trabalharão incansavelmente na busca pela vitória.

O fato político da pesquisa não é a subida da candidata, tampouco a queda de Serra. Estas são questões que nós analistas esperávamos, em especial face a exposição da ministra, as chuvas em São Paulo e a indefinição no ninho tucano, que gera um vácuo que é preenchido por Dilma. O fato importante foi a demonstração de que Dilma talvez não precise de Ciro na disputa para gerar um segundo turno. Isto afeta decisivamente a candidatura do PSB, praticamente invibializando seu nome na corrida presidencial.

Neste caso, a campanha surge com tons plebiscitários, como desejava Lula. O embate entre petistas e tucanos pode gerar dois cenários, o voto útil ou o crescimento de Marina na margem de uma terceira-via, algo improvável, mas com necessidade de avaliação em pesquisas de consumo interno.

Os tucanos, se desejam voltar ao Planalto, precisam ocupar o noticiário. O vácuo político, bem aproveitado pelo PT, levará a candidata ao patamar dos 30% antes do PSDB lançar seu postulante. O PT já entrou com seus 30% na briga.