Quinta-feira, Novembro 12, 2009

A Pesquisa Vox Populi

Em uma semana agitada por vários fatos políticos, não é possível deixar de comentar a pesquisa encomendada pela Band ao instituto Vox Populi.

Os números mostram um crescimento da ministra Dilma e uma queda do governador Serra. Entretanto, a pesquisa pecou pelos cenários apresentados, tendo em vista que o mais provável desenho da sucessão não foi testado.

O primeiro cenário mostra Serra (36%), Dilma (19%), Ciro (13%), Heloísa Helena (6%) e Marina (3%). Este não é um cenário provável, já que Heloísa disputará uma vaga no Senado por Alagoas. O segundo cenário traz Aécio no lugar de Serra. Novamente traz Heloísa Helena entre as opções: Dilma (20%), Ciro (19%), Aécio (18%), Heloísa (8%) e Marina (4%).

É preciso apurar com precisão o destino dos votos de Heloísa, que tende a apoiar Marina, mas não deve levar de maneira integral os votos deixados pela representante do PSOL.

A saída de Heloísa Helena da disputa precisa ser adicionada aos cenários, bem como o teste de uma opção com Ciro Gomes candidato e outra sem o pré-candidato do PSB, que tende a disputar o governo de São Paulo, como garantiu o presidente Lula a interlocutores esta semama.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

O Pecado da Soberba

Candidatos devem medir o tom de suas palavras, especialmente em suas declarações públicas. Dilma, que já possui uma imagem pouco palatável ao eleitor, cometeu um sério deslize durante o evento de batismo do navio Skandi Ipanema de Eike Batista, ocorrido em Niterói, no Rio.

Dilma partiu para o confronto, alfinetando o governo FHC, fazendo comparações futebolísticas, como "O governo anterior perde de 400 a zero", e classificando de "patética" a comparação do Bolsa-Família com os programas do governo FHC. Disse ainda que entendia o "nervosismo" da oposição e terminou com um tom forte demais, dizendo "Agora pegamos o gosto, e tudo o que nós queremos é comparar".

Dilma precisa lembrar que não é Lula. O Presidente, que é dado a este tipo de discurso, e possui um forte carisma pessoal, ainda impulsionado pelo bolsa-família, sabe até onde pode ir, mas isto não cacifa Dilma a ter o mesmo tom.

Um deslize mais sério pode colocar a perigo todo o trabalho de construção de imagem que está sendo realizado em torno de sua figura e colocar em risco todo o projeto político ao seu redor.

Sobre o Apagão

O Brasil sofreu o maior apagão de sua história na noite de ontem, especialmente se tomarmos por base sua duração e extensão.

Segundo as primeiras informações, o estado mais atingido foi o Rio de Janeiro e a região Sudeste sofreu os maiores danos. Além dos fluminenses, o apagão chegou com força a São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Entretanto, outros estados foram atingidos, especialmente Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco e o Distrito Federal. Também foram sentidos reflexos no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Alagoas, Rondônia e Acre.

O apagão atingiu, em termos de PIB, cerca de 80% do País.

Os órgãos competentes avaliam onde foi o problema, que tem características de ter ocorrido na trasmissão.

A imprensa internacional deu destaque ao problema ocorrido no Brasil, lembrando sempre que o País sediará a Copa do Mundo e a principal cidade atingida, o Rio de Janeiro, sediará as Olimpíadas. A multiplicação dos arrastões por vários bairros da cidade foi destaque. Não se via polícia na rua. A falta de infra-estrutura do País já está sendo apontada como um problema pela imprensa internacional.

Politicamente, a reação do governo será importante, uma vez que a presidenciável do PT, a ministra Dilma Rousseff ocupou por anos a pasta de Minas de Energia. O setor segue controlado em segundo e terceiros escalões e estatais de energia por aliados e indicados da Ministra e do PT, que direta ou indiretamente estão implicados no caso.

A oposição precisa estar atenta, articular-se e cobrar explicações do governo de forma pública e transparente. Não há como deixar de lembrar que a Venezuela tem enfretado apagões diários com Hugo Chávez. Será que a oposição terá a eficácia do PT nos tempos de FHC? O tema certamente renderá politicamente. Resta saber quem terá mais competência na condução do debate.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Muro da Vergonha

Há 20 anos terminava um dos períodos mais sombrios da história.

A queda do Muro de Berlim representou, na Europa, o fim de um regime que precisava cercar suas fronteiras para que seus habitantes não fugissem. Entre 1949 e 1961 foi o que mais de dois milhões e meio de pessoas fizeram. A antiga parte socialista da Alemanha até hoje sofre com os retrocessos que foram impostos pelo regime ditatorial de esquerda.

Uma nova Europa renasceu das amargas cinzas do socialismo. Aqueles, que tiveram experiência semelhante, de conhecer cada um dos países da antiga Cortina de Ferro, conhecem também os detalhes das prisões políticas, das violações aos direitos humanos e do luxo que cercava os membros dos partidos socialistas.

A Alemanha dá uma grande lição em lembrar que o pesadelo não será esquecido e que a liberdade surgida com a queda do Muro de Berlim deve ser festejada e lembrada como uma conquista não só dos alemães, mas também de húngaros, tchecos, poloneses, búlgaros, eslovacos, croatas, ucranianos e tantos outros que pereceram tentando fugir dos horrores do comunismo.

O Muro de Berlim construído pelos socialistas, que era formado por valas de cerca metálica, cabos e alarmes, trincheras, 300 torres de vigilância e 30 bunkers, felizmente se foi. Hoje felizmente existe somente uma Alemanha, livre a capitalista.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Heloísa embola disputa em Alagoas

A decisão de Heloísa Helena em sair candidata ao Senado complicou a disputa em Alagoas. É o que dizem as pesquisas.

Na disputa presidencial, Dilma patina com 13% e Serra lidera com folga, alcançando 44%. Até aí nenhuma surpresa, já que Alagoas foi o único estado onde Lula conheceu a derrota para Serra em 2002.

Entretanto, quanto a disputa pelas duas vagas ao Senado, a disputa toma outros contornos com a entrada de Heloísa Helena. Ela sai de 52% e o ex-governador Ronaldo Lessa alcança 44%. Se o quadro for mantido, isto significa que Renan Calheiros estaria fora do Senado, pois atualmente chega a apenas 34%.

O quadro está longe de ser definido, mas já fez soar o sinal de alerta. Se Renan sair em apoio a Dilma e esta não emplacar, isto pode inclusive dificultar sua campanha pela recondução ao Senado. Apesar de Renan ser um exímio articulador político, se quiser seguir no Senado, talvez a aliança atual do PMDB com o PT, não seja a mais indicada.

Alagoas é um estado muito interessante e vale a pena acompanhar de perto, afinal de contas, nada foi decidido ainda quanto as candidaturas ao governo do estado. Collor será candidato? Muito ainda pode acontecer.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

"Change is Hard"

E pouco a pouco a realidade vai tomando uma forma mais definida para Barack Obama. Há alguns dias, em New Orleans, ele trocou o slogan "Change we can believe in" por "Change is hard". Sem dúvida as tão propaladas mudanças são difíceis de realizar e, acreditem, ele ainda pode sentir saudades deste primeiro ano de governo.

Obama tem maioria no Congresso, pelo menos até o ano que vem, quando ele enfrenta as suas primeiras eleições parlamentares em meio de mandato. Se perder a maioria, a coisa pode complicar.

As chances de perder esta valiosa maioria é uma realidade. Ontem, apesar dos esforços pessoais de Obama, os democratas perderam os governos de dois valiosos estados: Virgínia e New Jersey, que passaram ao domínio republicano. Não seria preocupante se o segundo não fosse um feudo democrata onde o governador Jon Corzine tentava uma reeleição que não conseguiu. Na Virgínia, os republicanos terminaram com um reinado de oito anos dos democratas no comando do estado.

Apenas para recordar: Obama venceu McCain em ambos estados nas eleições presidenciais. Sem dúvida, o Presidente está certo, "change is hard".

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Um vice para os Tucanos

Confirmando-se a escolha de José Serra para concorrer pelo consórcio oposicionista, abre-se a vaga de vice, naturalmente, se assim desejar, de Aécio. Entretanto, aparentemente o Governador de Minas rejeita a idéia.

Neste caso, os partidos que apoiarão os tucanos, tentarão a todo custo emplacar alguém do seu grupo. Existe, como já escrevi aqui, a possibilidade de Aécio não aceitar a vice e indicar um nome seu, no caso Itamar Franco. O problema é que Itamar ocuparia espaço pelo PPS, algo que não agradaria de forma alguma o DEM.

Os Democratas tem uma vasta lista de nomes a apresentar a José Serra, mas todos também tem suas pretensões regionais e vôos políticos próprios. José Agripino Maia tende a disputar a reeleição para o Senado, o mineiro José Roberta Arruda tende a disputar a reeleição no Distrito Federal, César Maia indica que pode entrar na disputa pelo Senado no Rio e assim a lista cresce. Existem outros nomes não muito cogitados que seriam interessantes, como o deputado baiano José Carlos Aleluia e o Senador por Goiás, Demóstenes Torres. Os Democratas têm, como disse, uma vasta lista de nomes.

Mas insisto: a eleição passa por Minas Gerais e, caso Serra seja candidato, o vice deveria vir de Minas. Caberá aos tucanos o trabalho de convenver Aécio a aceitar a dobradinha. Se desejam vencer, os tucanos não podem vacilar como há quatro anos atrás.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

PSOL acena para Marina

Como já havia comentado por aqui, Heloísa Helena deixará o "sacrifício" de ser candidata a Presidente de lado e tentará um confortável assento no Senado Federal que lhe renderá oito anos de presença parlamentar.

Na acirrada disputa pelo Senado em Alagoas, Heloísa terá uma grande aliada, Marina Silva, que disputará o Planalto pelo PV. A troca de apoios parece seguir um curso natural e o PSOL deve apoiar os Verdes na campanha presidencial.

Os interlocutores de Marina no PSOL são, além da própria Heloísa, Ivan Valente (SP) e Chico Alencar (RJ) e o senador José Nery (PA). Apesar de o PSOL ser um partido pouco flexível a acordos políticos, este tem toda a chance de ser fechado, já que é o desejo de Heloísa Helena.