terça-feira, dezembro 04, 2018

Retomada Internacional


A visita de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos tende a se tornar um marco importante na retomada das relações entre Brasília e Washington. Ao tomar a iniciativa de iniciar estas conversas, nosso país sinaliza de modo claro que deseja resgatar os laços que historicamente sempre uniram as duas nações. O recado é claro no sentido de que ideologias não podem afastar países que possuem uma tradição de parceria, cooperação e valores que moldaram ambos povos.

Os desdobramentos da viagem ocorreram em diversos níveis e frentes. Em Washington ajudou-se a reposicionar o Brasil frente aos Estados Unidos. As palavras do deputado brasileiro foram muito bem recebidas tanto no governo americano, como em organismos multilaterais e think tanks, deixando a mensagem que existe o desejo de resgate da dimensão histórica das relações entre os dois países. Isto pode destravar iniciativas de cooperação, acordos comerciais e especialmente aproximar politicamente as duas nações.

A mensagem ao mundo das relações comerciais e investimentos também foi clara. Este novo momento, sem dúvida, será marcado por uma diminuição da presença do governo na economia, que devolverá poder ao cidadão, aquele que verdadeiramente paga pelos gastos do poder público. Ao mostrar que o Brasil tem compromisso com a responsabilidade fiscal e um arcabouço de reformas que propiciem o investimento, um importante primeiro passo foi dado no sentido de atrair capital de qualidade para nosso país.

Não houve quem criticasse a iniciativa do ponto de vista diplomático, o que certamente é um equívoco. Na diplomacia, diferentes canais são usados em diferentes situações. Esta incursão nos Estados Unidos teve por objetivo iniciar um novo processo de relações que agora será encaminhado por nossa diplomacia em diversas frentes. Ao acompanhar e discutir com o deputado os canais abertos e a conversas realizadas, o nosso futuro Chanceler Ernesto Araújo tornou-se peça fundamental desta engrenagem, fazendo nossa diplomacia parceria desta estratégia de reposicionamento internacional do país.

O Brasil começa, por meio destas ações, a mostrar que existe um caminho a ser resgatado, que a criação artificial de parceiros comerciais internacionais por motivos ideológicos não pode, nem tampouco deve guiar nossa diplomacia comercial, que deve estar alinhada com uma visão pragmática e real das relações internacionais. Reposicionar nossa relação com os Estados Unidos foi apenas o primeiro passo de uma estratégia de fundo que deve aos poucos levar o Brasil a assumir um novo papel na geopolítica internacional.

Depois de uma guinada impulsionada pela esquerda nos últimos anos, o Brasil visa retomar seu lugar no concerto internacional. Uma visão ocidental, alinhada aos valores e parceiros tradicionais de nosso país, deverá ser a tônica nos próximos anos. Um posicionamento rejeitado pelo establishment, porém validado com folga pelas urnas.

sexta-feira, novembro 23, 2018

Escolha Acertada

A escolha de Ricardo Vélez Rodriguez está sendo atacada de todos os lados pela mídia por vários motivos, mas o principal deles é o descontentamento em Bolsonaro não ter optado por Mozart Ramos. Esta visão torta da realidade deixa claro os sintomas de um país que mergulhou no politicamente correto e na corrente de pensamento único.

Mozart Ramos, apoiado pela mesma maioria que bateu palmas para Renato Janine, Fernando Haddad, Cid Gomes e Aloízio Mercadante, certamente não seria o escolhido por Bolsonaro. Ao tentar forçar a nomeação dando a indicação como certa, a imprensa acabou atrapalhando ainda mais as possibilidades que ele teria de emplacar no cargo. Bolsonaro mais uma vez mostrou que não se move por pressão da mídia em qualquer direção.

Na falta de acusações graves contra Ricardo Vélez, levantou-se inclusive a tese de que é colombiano. O novo ministro da Educação é naturalizado brasileiro e mesmo se não fosse, não vejo mal algum em termos um grande quadro, seja qual for sua nacionalidade, em nosso governo. Kissinger e Albright foram Secretários de Estado do governo americano, o mais alto cargo da diplomacia dos EUA. Kissinger nasceu na Alemanha, Albright na República Tcheca. Fala-se que também não é técnico. Outro erro primário. É um quadro extremamente qualificado no Brasil e no exterior, alguém que dedicou sua vida ao ensino.

A indicação do Professor Olavo de Carvalho também está sendo vendida como algo desabonador. Muito pelo contrário. Olavo, por ter sido um dos primeiros que alertaram para os riscos do petismo e da esquerda, entende como poucos os gargalos das deficiências impostas pelo partido na educação brasileira ao longo dos anos. Mais do que isso, ao denunciar há tempos que o modelo introduzido por Paulo Freire produz uma usina de pensamento único que serve aos interesses da esquerda, credencia-se como alguém que entende quais as reformas urgentes são necessárias.

Como sempre digo: Bolsonaro foi eleito para implementar estas mudanças. Se fosse para continuar na linha anterior, Haddad teria vencido a eleição.

quinta-feira, novembro 22, 2018

Bolsonaro Muda o Jogo

Poucos perceberam que além da guinada ideológica representada pela eleição de Jair Bolsonaro, o modo de fazer política e comunicação também sofreu grandes alterações. Ao montar um governo que está colocando fim ao fisiologismo e as escolhas políticas que transformaram a Esplanada em feudos partidários, Bolsonaro está tentando mudar as práticas que levaram aos maiores escândalos de corrupção da história do país.

Vivemos em um sistema anacrônico. Somos reféns de um modelo presidencialista que opera dentro das regras do parlamentarismo, fazendo uso inclusive de seus instrumentos, como a Medida Provisória. Esta disfunção já gerou dois impeachments e governos que somente conseguem se sustentar mediante o fatiamento de cargos para os partidos aliados.

O Brasil precisa de forma urgente uma reforma política que defina que tipo de sistema temos no país. Se estamos dentro de um modelo parlamentarista ou presidencialista e a partir daí viver dentro da dinâmica e mecanismos inerentes a cada modelo. O sistema disfuncional de hoje coloca em xeque a estabilidade do país e impede que governos sérios trabalhem suas políticas, pois se tornam reféns de um modelo anacrônico que incentiva o fisiologismo.

Bolsonaro, ao nomear um governo técnico, tenta colocar fim neste estado de coisas. Terá um desafio imenso, mas como disse, foi eleito exatamente para não se dobrar ao sistema e conduzir um governo com bons quadros, representativos da sociedade e capazes de implementar uma correção de rumos robusta nas políticas públicas do país. Qualquer coisa fora deste contexto seria não ouvir os 57 milhões de brasileiros que optaram pela mudança.

O desafio é enorme, mas grandes mudanças não são implementadas com facilidade. Bolsonaro segue o caminho que prometeu, afinal, o povo emitiu o sinal claro que desejava colocar fim em um sistema falido e apodrecido.

quarta-feira, novembro 21, 2018

Maia em Risco

A situação de Rodrigo Maia para presidir a Câmara dos Deputados pela terceira vez seguida começou a se complicar. Isto tem a ver com a montagem do novo governo. Ao escolher o deputado Henrique Mandetta para a pasta da Saúde, a Esplanada passa a contar com três ministros do Democratas. Certamente os parlamentares não enxergam com bons olhos tamanho acúmulo de poder somente em um partido. Controlar também Câmara, seria demais.

Apesar de o DEM possuir todos estes nomes no governo, isto não significa que o partido segue unido para apoiar o Bolsonaro, apesar da possibilidade ser grande. O governo prefere lidar com bancadas transversais ao invés de negociar diretamente com os partidos. As chamadas bancadas temáticas já acumulam dois ministérios: Agricultura e Saúde. Resta saber se entregarão fidelidade quando forem votados temas sensíveis diferentes de suas pautas.

Enquanto isso, o centrão começa a se articular para viabilizar um nome de um dos partidos da frente. PR, PRB, SDD, PP, PSD e até PSDB e MDB começam as primeiras conversas para decidir quem ocupará a cadeira de Maia a partir de fevereiro. O atual Presidente ainda tentará manobras políticas para se manter em seu posto. Ontem recebeu deputados federais que começam o mandato e alguns líderes antigos para um jantar. Busca caminhos alternativos.

Bolsonaro visa quebrar as estruturas do Presidencialismo de Coalizão, implementado por Sarney e sacramentado pela Constituição de 1988. Os partidos já entenderam que se não se organizarem, podem perder importância na nova configuração de poder. Por isso não deixam um minuto sequer de mostrar ao Presidente-Eleito como podem atrapalhar sua vida se não forem contemplados.

Bolsonaro tem em mente que governará com outro Congresso, onde as forças ainda precisarão se acomodar e aposta que o governo pode ser peça fundamental nesta dinâmica, criando uma base sólida que possa aprovar as reformas. A dúvida é saber se Maia fará parte deste processo.

segunda-feira, novembro 19, 2018

AntiGlobalismo

A escolha do diplomata Ernesto Araújo para chefiar a diplomacia brasileira é um sinal extremamente claro dos rumos que a política externa tomará nos próximos anos. Para compreender melhor a visão de mundo do Presidente-Eleito e as ideias do novo Chanceler, recomendo a leitura do artigo “Trump e o Ocidente”, publicado nos Cadernos de Política Exterior da Fundação Alexandre de Gusmão.

O mundo enxergado pelas lentes do novo governo se assemelha a visão adotada na atual administração norte-americana e também em outros países. Um movimento de valorização dos elementos formadores das nações ocidentais como instrumentos essenciais balizadores dos valores de democracia e liberdade. Um movimento em contraposição ao globalismo, que visa criar um amálgama de valores que deve ser adotado pelo maior número de países indiscriminadamente. 

Os valores universais adotados pelo globalismo são propagados por instituições internacionais que tiveram sua agenda sequestrada por estes movimentos ao longo das últimas décadas. Ao invés de defender a autodeterminação e os valores nacionais de cada nação, visam reformar os sistemas fazendo-os adotar políticas ditas universais que atacam os valores de formação de cada uma destas sociedades. O movimento mais recente é em direção da reforma dos valores ocidentais, que precisam ser regatados e fortalecidos por governos que entendam esta realidade.

O mais importante movimento neste sentido vem da eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos. Washington começou um movimento de regaste dos valores nacionais, elementos formadores da liberdade e da democracia ocidentais, que permaneciam submetidos ao pensamento único internacional. Este movimento respeita as diferenças nacionais na certeza de que não existe valor supremo que deve prevalecer perante qualquer país. Portanto, a resistência é enorme especialmente nas frentes organizadas que trabalham pela implementação desta agenda. 

A eleição de Trump, a saída do Reino Unido da União Europeia e a resistência de alguns governos europeus contra o globalismo tornaram-se focos de resistência ao politicamente correto e a adoção de um pensamento único hegemônico internacional. Neste momento, o Brasil, diante da guinada conservadora adotada nas eleições deste ano, toma o mesmo rumo, somando-se aos esforços pelo resgate dos valores nacionais como elementos essenciais da formação de nossa identidade democrática ocidental. 

A escolha de Ernesto Araújo para dar rumo nesta agenda é acertada, pois está alinhada com o pensamento do Presidente-Eleito, consagrado nas urnas menos de um mês atrás. A globalização no sentido de incremento pragmático de nosso comércio internacional também será um pilar essencial desta reconstrução. O globalismo, entretanto, que não se confunde com este conceito, sai de cena no mesmo momento que o país reafirma seu compromisso com a democracia e sua autodeterminação como nação.

sexta-feira, novembro 16, 2018

Nova Política Externa

A escolha do diplomata Ernesto Araújo foi uma decisão acertada de Bolsonaro. O Embaixador possui experiência para ocupar a posição e carga intelectual necessária para enfrentar o desafio. Pertence a uma linhagem minoritária no Itamaraty, ou seja, daqueles que rejeitam o globalismo como elemento essencial nas Relações Internacionais e acredita nos valores formadores da sociedade ocidental como elemento fundamental de identidade de nações como o Brasil.

As críticas que surgiram em relação ao seu nome são meramente de caráter ideológico, daqueles que discordam de sua visão de mundo. Entretanto, sua visão de mundo é a mesma defendida pelo Presidente-Eleito e por 55% da população que optou por Bolsonaro como Presidente. Em última instância, as ideias defendidas pelo novo Chanceler estão em sintonia com o desejo de mudança expresso pelo povo nas urnas.

Certamente Bolsonaro não escolheria um nome que não conseguisse imprimir rumo para a política externa brasileira na medida desejada pelo Planalto. De nada adianta um Presidente escolher um Chanceler que não está de acordo com seus projetos de política externa. É preciso escolher um nome experimentado, com densidade intelectual e afinado com o projeto presidencial vitorioso nas urnas. Ernesto é um nome que se enquadra em todas estas frentes.

O Brasil viveu sob uma política externa de viés esquerdista e globalista que imprimiu sua marca no Itamaraty, afinal, o Ministério servia a política externa do vitorioso nas urnas, Fernando Henrique e depois Lula e Dilma. O que ocorre agora é o sentido oposto. Eleito um governo conservador, nada mais natural que a frente internacional também adquira estas feições, afinal o governo foi eleito exatamente para implementar estas políticas.

As tentativas de impor um nome de um campo ideológico oposto ao do Presidente-Eleito não cessaram. Desde a sugestão de diplomatas alinhados com a social democracia tucana, até outros, que apesar de transitarem entre o petismo, rejeitam este rótulo. Até políticos derrotados nas urnas surgiram como alternativas. As tentativas foram em vão. O Presidente-Eleito tem certeza absoluta do caminho que deve trilhar e a escolha de Ernesto como Chanceler, mais do que uma simples escolha, é um sinal de respeito emitido por Bolsonaro aos 57 milhões de brasileiros que disseram claramente semanas atrás que desejam um novo rumo para o Brasil.

quinta-feira, novembro 15, 2018

Lula em Transe

Tudo indica que o ex-Presidente Lula ainda vive em uma realidade paralela onde exerce influência sobre a política nacional e os destinos da nação. Isto ficou evidente em seu depoimento em Curitiba na data de ontem. Impulsionado pela soberba, afrontou a juíza do caso e tentou mais uma vez intimidar os procuradores. Foi enquadrado, assim como seus advogados, que alegando cerceamento de defesa, diziam que Lula poderia falar o que desejasse. Em uma audiência criminal existem regras e Lula estava tentando mais uma vez usar o momento para falar ao país, algo que não é permitido pelas leis processuais.

O PT sofreu sua mais amarga derrota desde 1989, quando Lula perdeu a eleição presidencial para Fernando Collor. Perder faz parte do jogo, mas perder para um antagonista, alguém com uma visão de mundo e valores completamente diferente das suas, é uma outra história. A derrota para Bolsonaro fez o insucesso ser mais amargo e fez Lula, antes um baluarte da estratégia política, perder o encanto, pois demonstrou não conhecer a configuração política do jogo eleitoral.

Fora da política, preso, com seu partido derrotado nas eleições, o ex-Presidente não possui muitas alternativas. Tudo indica que Bolsonaro inicia um governo que irá rever muitas políticas e programas petistas, que serviam de sustentáculo do partido no poder. Mais do que isso, ao cortar linhas de financiamento de movimentos sociais que funcionam como linha auxiliar do petismo, o novo governo pode estar colocando fim ao exército de militantes que Lula imagina controlar.

A audiência em Curitiba mostra o ocaso de um político. Derrotado nos tribunais e nas urnas, Lula é somente uma sombra do líder sindical e político que mobilizava apoiadores e eleitores. Hoje, em transe, de uma cela no Paraná, prestes a sofrer uma segunda condenação, enxerga o desmoronamento de sua força política. Quando falta razão, sobra soberba.