Quarta-feira, Dezembro 01, 2010

Cota Feminina

Enquanto Lula tenta nomear mais um integrante para a equipe de Dilma, desta vez Izabella Teixeira para o Meio-Ambiente, a Presidente eleita começa a se preocupar com o número de mulheres no primeiro escalão. Miriam Belchior foi o primeiro nome, mas outros ainda devem surgir.

Especula-se o nome de Manuela D`Ávila para o Esporte, dentro da cota do PC do B, que manteria o Ministério. Outra gaúcha, Maria do Rosário, do PT, pode emplacar na Secretaria de Direitos Humanos, enquanto Ideli Salvatti, também petista, derrotada em Santa Catarina e sem mandato, pode ir para a pasta da Pesca. Na verdade faltam nomes para Dilma. Este, no momento, é seu grande problema para fechar a cota feminina na Esplanada. Logo, Izabella, apesar não contentar setores petistas, pode ser mantida no cargo, já que além de ser mulher, tem apoio de Lula.

Outros nomes podem surgir no horizonte, como as senadoras eleitas Gleisi Hoffman do PT e Vanessa Grazziotin do PC do B. São nomes que chegarão fortes em Brasília, mas fora do Senado deixarão seus suplentes do PMDB e PP, respectivamente, com as vagas, o que não interessa ao governo.

Mas ainda existe espaço. Dilma pretende reservar boa parte da Esplanada para nomes femininos e ainda faltam outros que ela deseja ver no primeiro escalão, ou pelo menos em destaque, como Maria das Graças Foster, que já foi cotada inclusive para a Casa Civil.

Dentro deste desenho, o PMDB mais uma vez fica menor espaço, já que não conta com um número expressivo de mulheres para indicar. Esta seria mais uma justificativa para diminuir o poder do partido de Michel Temer na Esplanada. Mas é preciso primeiro acertar com os russos. Apesar das divisões, o apetite do PMDB não será contido com facilidade.

Terça-feira, Novembro 30, 2010

A Benção de Lula

Se diante das câmeras Lula diz que apenas aconselha Dilma Rousseff na formação do governo, não se pode dizer o mesmo sobre o que realmente acontece nos bastidores da gestação da equipe. As digitais do Presidente são identificadas em várias nomeações, em especial naquelas que indicam a permanência de nomes de sua equipe.

O mais novo contemplado pela benção de Lula foi Nelson Jobim. O Ministro da Defesa não era o nome preferido de Dilma, mesmo assim foi confirmado no cargo.

Depois de emplacar Jobim, Lula agora se empenha para manter Fernando Haddad na Educação. Pode-se considerar sua confirmação quase certa, visto que Jobim foi confirmado no cargo, Gilberto Carvalho irá para a Secretaria-Geral, Mantega foi mantido na Fazenda, Luciano Coutinho no BNDES e Sérgio Gabrielli na Petrobrás. Todos passaram pela peneira do ainda Presidente.

A benção de Lula é fundamental na composição do governo Dilma. Pelo menos é o que vemos até o momento. Mesmo aqueles que atingem a posição de Ministro neste momento ou aqueles que serão remanejados de pasta foram objeto da avaliação do atual Presidente. O Ministério está sendo construído a quatro mãos, juntamente com Dilma, mas Lula tem poder de indicação e veto.

Assim, aqueles que desejam fazer parte da equipe precisam, além da concordância de Dilma, a benção de Lula e a sondagem de Palocci, um verdadeiro périplo que passa pelo Alvorada, Granja do Torto e Palácio do Planalto. Se algum nome sondado passar pelas três casas, a chance de emplacar no primeiro escalão é quase certa.

Segunda-feira, Novembro 29, 2010

Cota Pessoal

Depois de flertar com a inclusão de um grande empresário frente ao Ministério do Desenvolvimento, tudo indica que Dilma fará uso de sua cota pessoal e despachará para a último prédio da Esplanada seu amigo mineiro Fernando Pimentel.

O ex-Prefeito de Belo Horizonte não desfruta de grande popularidade entre seus pares petistas. Desgastado, cogitou-se que ele seria acomodado dentro do Palácio do Planalto, perto de Dilma, mas a falta de interesse de um nome forte do meio empresarial fez com que a Presidente eleita optasse por um nome "caseiro", por assim dizer.

O Ministério do Desenvolvimento não dará a Pimentel a visibilidade necessária para alçar vôos mais altos, como deseja, mas é um recomeço. Desgastado pela estreita relação com Aécio e pelos dossiês contra os tucanos fabricados dentro da campanha de Dilma, a pressão era para que ficasse de fora da equipe - os petistas preferem e pressionam por Patrus. Mas se Pimentel não terá lá uma visibilidade grande, será melhor do que ficar de fora.

Depois de ceder as pressões de Lula, que nomeia ministros com a desenvoltura de um Presidente eleito, Dilma mostrou, pela primeira vez, que pelo menos terá uma cota pessoal de nomeação de ministros na Esplanada.

Quarta-feira, Novembro 24, 2010

Equipe Econômica

Já tem cara a equipe econômica de Dilma. Não tem o perfil que muitos gostariam, mas de qualquer forma fornece uma idéia clara dos rumos que o governo deve seguir.

Tombini, que assumirá no Banco Central, é mais flexível em certos aspectos do que Henrique Meirelles. O novo chefe do Banco Central, por exemplo, acredita que a instituição peca por uma espécie de cautela excessiva e acha que existe espaço para afrouxar as rédeas dos juros.

Isto é música para os ouvidos de Dilma, mas talvez possa não soar com a mesma levaza para o Real.

Se a política de expansão de gastos de Mantega se aliar ao aumento de investimentos no PAC turbinados por Miriam Belchior no Planejamento, será difícil segurar os juros, pois é neste ponto que se assenta a estabilidade do Real, na manipulação da economia pela taxa de juros.

Tombini disse que existem outros mecanismos para segurar a inflação, ou seja, que os juros podem continuar caindo, pois a inflação será contida em outras frentes. Se houver tal mecanismo, é uma ótima saída, entretanto, ninguém foi apresentado aos meios de concretização desta idéia em mais de 15 anos de Plano Real.

Ao fim e ao cabo, se Mantega e Miriam aumentarem o gasto público como se espera, considerando suas biografias e as políticas acenadas por Dilma, o Bacen precisará conter a inflação e defender a moeda, sob pena de colocar em risco a estabilidade. Até o momento, fora as reformas rechaçadas pelo PT, o único instrumento conhecido para conter a inflação e segurar o moeda, é por intermédio da taxa de juros. Se Tombini conhece outro mecanismo, deve apresentá-lo em breve. Do contrário, terá que seguir a cartilha de Meirelles, sob pena de o Real fazer água.

Terça-feira, Novembro 23, 2010

Os Outros

Definida a trinca Mantega-Tombini-Belchior para a área econômica, vem a parte mais difícil, a definição dos outros ministérios. A sede dos partidos aliados é grande e até candidatos avulsos vão surgindo pelo caminho.

Um dos grandes problemas de Dilma é a configuração das mais de 40 pastas que terão, em tese, novos donos a partir de 2011. Lula teve mais facilidade em 2002 porque trabalhava com um leque menor de partidos aliados. Dilma teve uma aliança muito maior, trazendo logo ali ao seu lado, como maior parceiro, o PMDB, que não fez parte da configuração inicial do primeiro governo Lula.

Dilma agora tem que abrir espaço para o PSB, que cresceu nestas eleições, além de prestigiar o PR, aliado de primeira hora do petismo em 2002, além de aliados tradicionais como o PC do B. A fatura fica maior, já que o PP tem que ser contemplado também, agora com uma bancada mais expressiva no Senado. Isto sem falar no PDT, partido de origem de Dilma, que tenta se agarrar aos postos de comando do Ministério do Trabalho e suas ramificações. É preciso abrir espaço para o PTB, que apesar de ter apoiado formalmente Serra, forneceu apoios regionais importantes para Dilma, além de contar com uma bancada fiel, se bem contemplada. Além de tudo isso, Dilma quer rechear o comando ministerial de mulheres.

Como vemos, é uma equação difícil, ainda mais sabedores de que petistas derrotados devem se acomodar sob o poder federal. Dilma, entretando, deve fechar a equipe palaciana e partir daí divulgar a solução para o quebra-cabeça que precisa montar. O silêncio, até o momento, tem sido uma estratégia eficaz.

Segunda-feira, Novembro 22, 2010

A Equilibrista

O anúncio do nome de Mantega para o Ministério da Fazenda gerou idéias controversas sobre o que deseja Dilma Rousseff. Como escrevi aqui, é preciso que sejam definidos os nomes para o Banco Central e o Planejamento, entretanto, as fortes pressões dos aliados tornam as coisas ainda mais nebulosas.

A saída de Henrique Meirelles do Banco Central é dada como certa. Isto sugere que talvez um nome mais próximo das idéias de Mantega seja escolhido. Para o Planejamento fala-se de Miriam Belchior, coordenadora do PAC. Vemos, dentro desta configuração, um perfil econômico mais do que desenvolvimentista, causando arrepios naqueles que defendem austeridade com o gasto público. Dentro desta configuração, baixar os juros, como disse ser prioridade, é tarefa impossível, especialmente sem gerar inflação.

Dilma, além de acomodar seu perfil pessoal na área econômica, precisa equilibrar-se entre as sugestões de Lula e as pressões dos aliados. Equilibrar-se neste xadrez é complicado. Além disso Lula sugeriu veto a alguns nomes, alguns próximos de Dilma, da sua turma de Minas, gente que ela queria levar para o Planalto. Isto aumenta o apetite do PMDB, que deve perder a pasta da Saúde e deseja ser recompensado mais do que na medida pela perda da jóia.

Assim, depois de levar sua cota pessoal para a área econômica, Dilma precisará de jogo político para montar o resto da equipe. Precisará atuar como uma equilibrista.

Quinta-feira, Novembro 18, 2010

Mantega na Fazenda

Com a decisão de manter Mantega na Fazenda, Dilma enviou vários sinais sobre como será o seu governo. O ministro possui idéias e características muito peculiares. Tem um perfil muito diferente de Antônio Palocci, que dirigiu a pasta durante o primeiro governo Lula e por consequência, não pensa como o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Mantega se enquadra em um perfil desenvolvimentista, enxerga o Estado como propulsor do desenvolvimento e possui uma tendência clara em defesa de altos gastos públicos. Mantega, sem Meirelles ou Paulo Bernardo, que ocupa atualmente a pasta do Planejamento, terá mais liberdade para colocar suas idéias em prática. Muitos se questionam se isto seria um risco para o Real.

Politicamente, Mantega fica por um pedido pessoal de Lula. Aliás o atual Presidente tem disparado pedidos pessoais para a Presidente eleita no sentido de manter muitos nomes de sua equipe ministerial. Dilma não gosta de ser tutelada, mas pode mover-se com inteligência política.

Inicialmente a decisão por Mantega não faz muito sentido, especialmente pela influência que Palocci exerce sobre Dilma e pelo fato de Paulo Bernardo ser cotado para um cargo de grande influência no Palácio do Planalto. Entretanto, ao manter Mantega, Dilma atende um pedido imediato de Lula. O jogo político da escolha pode, neste sentido, ser um movimento orientado por Palocci. Mais do que uma decisão técnica, a escolha de Mantega pode ter um caráter político.

Saberemos de fato o rumo da economia com as escolhas para o Banco Central e Planejamento. No Bacen, tudo indica que Meirelles prepara sua saída, já que impôs condições para ficar, ou seja, a manutenção da autonomia do Banco Central. Ao colocar o assunto em pauta e a Presidente eleita na parede, enviou seu recado político: está de saída. Se Dilma insistir para que ele fique, perderá autoridade. Resta saber quem ficará em seu lugar para defender a moeda.