sexta-feira, outubro 19, 2018

Desespero Petista

A reportagem da Folha de São Paulo que acusa empresários de patrocinarem ações pró-Bolsonaro via whatapp ainda precisa ser verificada e apurada. Um dia depois de publicar uma notícia que mexe com a dinâmica das eleições, o jornal ainda não apresentou provas das acusações, o que enfraquece seu argumento. Se de um lado a Folha ainda precisa ir mais a fundo, ser mais precisa, com vistas a evitar a acusação de estar produzindo notícias falsas ou de verdades elásticas, do outro, o PT aproveitou o gancho para esticar a corda, o que torna-se um risco para nossa democracia.

Haddad pediu a exclusão de Bolsonaro do processo eleitoral, enquanto o PSOL, atuando como linha auxiliar, solicitou a suspensão do serviço de whatsapp no Brasil para evitar a disseminação das chamadas "Fake News". Na falta de votos, o petismo está jogando as fichas no tapetão, uma atitude que somente diminui ainda mais o tamanho do partido. Uma atitude que flerta com aquilo que o PT mais acusa Bolsonaro: autoritarismo. A face autoritária do partido de Lula sempre aparece quando o petismo encontra-se acuado eleitoralmente.

Ao acusar o adversário de fraude e de fomentar uma organização criminosa, Haddad esquece de olhar para seu partido, descredencia a democracia e o processo eleitoral brasileiro, subvertendo a vontade popular expressa nas urnas. Diante da iminente derrota, prepara o discurso oposicionista e os futuros movimentos de tentativa de destituição de um governo que sequer foi eleito. O partido mostra assim que não está disposto a discutir o país, mas apenas em tomar o poder. É uma pena, pois fica claro que no jogo democrático, as regras valem para o petismo somente em caso de vitória. Uma atitude mostra desprezo pela democracia.

Na mesma linha vai o pedido do PSOL para bloquear o whatsapp. A tese parte do princípio de que notícias falsas transitam apenas por este aplicativo e que o eleitores não possuem capacidade de discernimento, sendo necessário suprimir a liberdade para garantir a democracia. Ora, não existe democracia sem liberdade.

O objetivo estratégico petista visa impedir o crescimento de um candidato que faz sua campanha basicamente usando as redes sociais, desacreditar o pleito e a confiança em nossa democracia já embasando as linhas de ação de um projeto de oposição que não tem o menor interesse em discutir os melhores caminhos para o país. Diante desta triste realidade, ficou mais claro quem são os verdadeiros autoritários que flertam com a irresponsabilidade nesta campanha eleitoral.

quinta-feira, outubro 18, 2018

Os Erros de Haddad

O jogo se complica para o petismo a cada nova pesquisa divulgada pelos institutos. Se havia entusiasmo pela escalada meteórica de Haddad no primeiro turno, impulsionada pela associação com Lula, no segundo, parece que a estratégia certa está longe de ser encontrada. A crise chegou nas hostes petistas.

Haddad não conseguiu crescer acima dos simpatizantes do seu próprio partido. 20% do eleitorado se considera petista, patamar atingido pelo candidato rapidamente depois do apoio de Lula. A escalada para perto dos 30 pontos foi diante dos simpatizantes do PT, mas para além disso, o candidato tem enorme dificuldade de crescer.

Isto se explica pela onda conservadora que vem crescendo e consolidando cada vez mais a posição de Bolsonaro, calcada no antipetismo e na narrativa antisistema. Do outro lado, diante da vitória maiúscula do conservador no primeiro turno e na larga margem aberta nesta segunda etapa, a campanha petista entrou estado de alerta, dando início a confrontos internos.

Isto não ajuda o candidato do PT, que perdeu o discurso e o caminho assim que desembarcou no segundo turno. A troca dos slogans e cores de campanha irritaram a militância tradicional do partido e não ajudaram a conquistar mais votos. Haddad acreditava que seria possível construir uma frente ampla contra Bolsonaro, com apoios nos partidos de centro e especialmente a adesão de caciques do PSDB. Com isso, poderia tentar construir a narrativa da democracia contra o autoritarismo e do progressismo contra o conservadorismo. A tática não funcionou. Sozinho, Haddad tentou uma imagem mais centrista, sem contudo obter apoios mais o centro.

Diante do erro estratégico e da falta de articulação política, ao invés de crescer, Haddad vem caindo e enxergando sua rejeição crescer a cada pesquisa. A curva que se abre entre as intenções de voto de Bolsonaro e do petista é sintomática do momento vivido pelo candidato de Lula. Diante deste cenário, a vitória de Bolsonaro pode se tornar ainda maior e mais significativa do que a de Lula em 2002.

Neutralidade Marota

Depois de totalizados os votos, com a confirmação de que o segundo turno seria entre Bolsonaro e Haddad, começaram as movimentações em busca de apoio dos partidos e candidatos derrotados na primeira fase. Enquanto de um lado o bloco de agremiações de esquerda se uniu em tornou de Haddad e PTB e PSC rumaram na direção de Bolsonaro, a maior parte dos partidos fez a opção marota pela neutralidade.

Sabemos que um dos principais pecados na política é a omissão. A opção pela neutralidade mostra o tamanho da insegurança que ronda os principais caciques partidários, quase que em sua totalidade abatidos pelas urnas. A limpeza que o população promoveu na última semana ligou o sinal de alerta para os políticos. O eleitor em fúria apresentou-se para votar com o fígado e seu recado ecoou nas direções partidárias.

O objetivo de declarar a neutralidade é liberar os candidatos dos diferentes estados, especialmente aqueles que enfrentam o segundo turno, para buscar seu próprio caminho, sem fechar portas. Como estamos diante de duas propostas antagônicas, assumir declaradamente o apoio, tanto a Haddad como Bolsonaro, pode obstruir canais que levam a votos importantes.

Os tucanos entraram em crise. Diante do fiasco de Alckmin as brigas internas já começaram e o partido saiu rachado. Enquanto Fernando Henrique diz que não votará em Bolsonaro, Doria segue em sentido oposto, assim como Expedito Júnior em Rondônia, Eduardo Leite no Rio Grande do Sul e Reinaldo Azambuja no Mato Grosso do Sul. Permanecem neutros ou indefinidos os candidatos ao governo de Minas Gerais, Antônio Anastasia e Anchieta Júnior em Roraima – neste dois estados os oponentes Romeu Zema e Antonio Denarium já estão com Bolsonaro.

A neutralidade serviu, de um lado, para evitar a contaminação do antipetismo em candidaturas que poderiam ser facilmente prejudicadas pela associação com a opção por Haddad, como Rodrigo Rollemberg no Distrito Federal, Valadares Filho em Sergipe, Eduardo Paes no Rio de Janeiro e Márcio França em São Paulo. Do outro lado, visa trazer prudência em um segundo turno em que Bolsonaro mostra-se cada vez mais perto da vitória.


O condomínio chamado centrão somente espera a confirmação do vencedor para tentar impor seu jogo. A neutralidade marota faz parte da estratégia de se posicionar diante do novo governo. A opção preferencial é por Haddad, pois em uma eventual administração petista sabem seu lugar no jogo, ao contrário de um Planalto comandado por Bolsonaro – onde paira a incerteza para fisiologismo. A eleição do candidato do PSL tende a romper com as estruturas tradicionais de negociação e irá diminuir o poder da burocracia, um movimento que assusta os partidos, mas seduz o eleitor.

terça-feira, outubro 16, 2018

Bolsonaro Consolidado

A margem aberta por Bolsonaro nas projeções de segundo turno é do tamanho da indignação do eleitor, algo que corrobora a tese de que os institutos tradicionais erraram feio na medição da rejeição. Ibope e Datafolha apontavam para o fato de que Bolsonaro perderia para qualquer candidato na reta final. Um argumento que foi inclusive usado por opositores para tentar a migração do voto útil para suas campanhas, uma estratégia que não funcionou.


Ao contrário, o alto índice de rejeição apontado pelas pesquisas fez Bolsonaro avançar ainda mais, direcionando o voto útil no capitão para que ele ganhasse ainda no primeiro turno. Na última semana nasce uma onda pró-Bolsonaro que se torna um efeito manada, que chegou perto de entregar-lhe a vitória já na primeira rodada. Alckmin, Alvaro e Meirelles desidrataram. Amoedo resistiu.  

Minas Gerais aponta para uma vitória folgada de Bolsonaro. O estado possui a característica de apontar a tendência nacional sem nunca ter errado os caminhos de uma eleição nacional. Entre os mineiros, o candidato do PSL já atinge 70% dos votos. Isto mostra que no quadro nacional a tendência é que Bolsonaro amplie ainda mais a vantagem que possui sobre Haddad, hoje entre 18 e 19 pontos. No dia da eleição pode chegar a mais de 25 pontos. Se isto se confirmar, o petismo terá sofrido mais dura derrota eleitoral da história, uma surra que não está acostumado a enxergar nas urnas.

Bolsonaro lidera em todos os estratos testados nas pesquisas, mas especialmente entre as mulheres, com 47% contra 36% de Haddad. Sua rejeição neste grupo também é menor, ou seja, as mulheres rejeitam muito mais o petismo do que Bolsonaro. Haddad vence apenas no Nordeste, entre os que ganham até um salário mínimo e possuem apenas o ensino fundamental. Sem fatos novos, o jogo está praticamente selado.

O capitão deve chegar a vitória com folga embalado pelo antipetismo e pela indignação do eleitor. Conseguiu um feito inédito, embalar a eleição de uma bancada conservadora de 52 deputados que ainda deve receber novos membros batendo nos 70 deputados, tornando-se o maior partido da Câmara. Este movimento de renovação impulsionou também os candidatos da direita liberal que chegaram a oito cadeiras. Bolsonaro deve governar diante de uma base de direita de praticamente 80 deputados. Para quem falava em governabilidade, uma realidade que se impõe.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Bolsonaro dispara em Minas

Se depender de Minas Gerais, o próximo Presidente será Bolsonaro. Depois de chegar no primeiro turno em terras mineiras com 48% dos votos contra 27% de Haddad, nas projeções atuais aparece com praticamente 70% contra 30% do petista.

Minas Gerais pode ser o fiel da balança e decidir as eleições, mas vai sempre além disso, pois é um termômetro que consegue medir com exatidão o que acontece no Brasil. As características do estado reproduzem de forma fiel o país, portanto, ao testar um candidato no estado, podemos ter uma ideia aproximada do que está acontecendo no quadro geral.

Nacionalmente, no primeiro turno, Bolsonaro obteve cerca de 46% e Haddad 29%, muito próximo dos números que obtiveram em terras mineiras. Tudo indica que a vantagem elástica que abriu no estado nas sondagens atuais, seja confirmada no quadro nacional e sua vitória seja mais contundente do que tem sido projetada.

Mesmo assim, algumas sondagens de cunho nacional trazem outro cenário, que apesar de confortável, é considerado mais apertado, o que fornece esperanças para o petismo. O sentimento geral, entretanto, inclusive pela escolha do novo Congresso, é de uma linha ascendente da direita, enquanto a esquerda segue na direção descendente. Em Minas, onde o PT ficou fora do segundo turno, Haddad segue sem palanque, visto que a maioria dos eleitores de Zema e Anastasia tendem a votar com o capitão.

A única saída para o petista é partir para o ataque e tentar atingir Bolsonaro, como tem feito. Do outro lado, a defesa também corre pela raia do contra-ataque. Será assim até o final, uma vez que o segundo turno é mais uma disputa entre as rejeições do que baseada em proposições.

Minas Gerais, assim como Ohio nas eleições americanas, deve servir de termômetro para o que deve acontecer no Brasil. Portando, se você deseja se adiantar sobre o que vem por aí neste segundo turno, fique atento a tendência do eleitor mineiro. Até o momento, o estado projeta uma vitória contundente de Bolsonaro.

quarta-feira, outubro 10, 2018

Refundação Tucana

Diante do resultado eleitoral do último domingo, não houve maior derrotado do que o PSDB. A fracasso do Presidente do partido e candidato ao Planalto, Geraldo Alckmin, foi amargo e trará muitos desdobramentos para o futuro incerto dos tucanos.

Ao perder o discurso antipetista, viu sua popularidade evaporar, com claros reflexos no tamanho da bancada eleita na Câmara dos Deputados. Com 29 parlamentares, o PSDB se tornou apenas a nona força da Casa, atrás de partidos como PP, PSD, PSB, MDB e PR. Os tucanos precisam avaliar com muita atenção os erros cometidos sob pena de entrar em derretimento. 

A troca geracional do PSDB é um assunto que vem ganhando corpo desde a votação das denúncias contra o Presidente Michel Temer. Os cabeças pretas, como são chamados os parlamentares mais jovens, entraram em conflito com os cabeças brancas, fundadores e comandantes do partido, gerando um desgaste que ainda pode ser sentido. Com a derrocada de Alckmin, a tendência é que a velha guarda finalmente abra passagem para os novos nomes, donos de votos que ainda mantém o partido de pé. 

Ao se impôr como candidato presidencial, Alckmin atingiu em cheio o partido. A falta de leitura do cenário político, que se pautou pelo conservadorismo e antipetismo, fez sua campanha naufragar. Ao atacar o líder das pesquisas, sua impopularidade disparou. Diante uma campanha refém de estratégias erradas, acabou gerando um desgaste que afetou todos os candidatos do PSDB, responsável pela derretimento da bancada na Câmara dos Deputados. 

O PSDB precisa de ser refundado por suas novas lideranças, efetivando uma mudança geracional expressa nas urnas, aposentar as antigas lideranças e abrir espaço para aqueles que hoje tem voz e voto no parlamento. Ao prorrogar este movimento, os tucanos podem estar se dirigindo para um caminho sem volta e uma derrocada ainda maior. O resgate de um partido rachado e combalido é tarefa fundamental das novas gerações de líderes tucanos.

segunda-feira, outubro 08, 2018

Eleitor em Fúria

O resultado eleitoral deste domingo deixou um recado muito claro para os políticos: o eleitor cansou. Isto tem íntima relação com o momento que estamos vivendo, de reorganização do tecido político com o fim da Nova República. As velhas práticas e estratégias não funcionam mais, assim como os nomes tradicionais e antigas alianças.

O recado começou a ser dado nas manifestações de 2013 e foi crescendo na medida que os políticos testavam a paciência do eleitor. Veio o impeachment e logo depois as eleições municipais e um grande recado. A população queria administradores novos aos invés de políticos tarimbados. Dois fenômenos explicaram isso: a ascensão de João Doria em São Paulo e especialmente a escolha de Alexandre Kalil para governar Belo Horizonte.

Aqueles que não entenderam o recado das ruas, sucumbiram na noite deste domingo. A renovação profunda do Senado deixa evidente a vontade de mudança do eleitor. Nomes da política tradicional foram abatidos por novatos e outros que não possuem sequer tradição neste meio. Houve uma mudança profunda nos protagonistas e os reflexos serão sentidos em breve.

A votação expressiva obtida por Bolsonaro está intimamente ligada ao movimento do eleitor. Existe um movimento sólido e organizado de direita no Brasil, um grupo que busca voz e participação. O deputado apenas serviu de porta-voz da soma de insatisfações de uma parcela significativa da sociedade, somada ao sentimento geral de indignação com a classe política.

A velha política se apresentou para o jogo e o resultado foi pífio. Geraldo Alckmin teve o desempenho mais fraco de um tucano concorrendo ao Planalto. A aglutinação de forças do establishment em torno de sua candidatura mostrou uma tentativa de reação da classe política, que acabou sucumbindo diante da vontade de renovação do eleitor.

Se o antipetismo tivesse se concentrado em Bolsonaro, provavelmente a fatura seria liquidada no primeiro turno. A divisão de forças jogou o embate para o final de outubro. A tendência é que seja muito disputada e aberta, apesar do petismo ter sido fortemente abatido no primeiro turno nas eleições proporcionais e para os estados.


A fúria do eleitor teve este resultado expresso nas urnas. Em três semanas saberemos se será ampliada do Congresso para o Planalto. A conferir.

sexta-feira, outubro 05, 2018

Onda Bolsonaro

Multiplicam-se no Brasil os apoios na direção de Bolsonaro. O fenômeno virou onda e a onda pode virar um efeito manada. A eleição tem chances reais de terminar no domingo.

Além das frentes parlamentares evangélica e agropecuária, o deputado começa a atrair também políticos de diferentes níveis. Candidatos aos governos dos estados que estavam com Alckmin ou Meirelles aderiram publicamente ao capitão, na tentativa de ver suas campanhas embalarem na onda do líder das pesquisas.

O movimento contrário ao PT também se espalha com rapidez, o que confere a Bolsonaro um raio maior de votos úteis que caminham em sua direção ainda no primeiro turno. Na ânsia de não ter que passar por um duelo com o partido de Lula no segundo turno, diferentes segmentos da sociedade optaram por abrir mão de seus candidatos e rumar na direção do capitão com a esperança de ver a eleição resolvida no primeiro turno.

O Nordeste, bastião petista, também começa a mandar sinais positivos para Bolsonaro. Por lá, multiplica-se o voto em um candidato a governador da esquerda, mas na direção contrária para Presidente. A onda que veio do sul-sudeste-centro-oeste parece ter chegado ao Nordeste e se o capitão penetrar no bastião petista, a campanha de Haddad pode ruir em seu principal ponto de apoio.

Identificamos como onda aquele movimento que vai ganhando força. Bolsonaro está vivenciando sua onda favorável (já experimentada por Haddad semanas atrás) no momento certo. Para vencer no primeiro turno ele precisa que este movimento tome contornos de um "efeito manada", agregando votos de todos os lados em número significativo, desidratando os outros candidatos na reta final. Se isto acontecer, as chances de vitória no primeiro turno, repito, são reais. Os primeiros sinais deste movimento já podem ser sentidos. A união das forças antipetistas em torno do capitão é o fator determinante desta equação.