quinta-feira, maio 23, 2013

Ataque em Londres

O ataque a um soldado em Londres em plena luz do dia mostra a face mais cruel e atual do terrorismo, do extremismo islâmico e da vulnerabilidade de qualquer país a um ato como este.

O caso é muito similar ao ataque ocorrido em Boston. Métodos caseiros e motivação religiosa. Depois de Boston e Londres sabemos uma coisa: não será a última vez. Tresloucados movidos por uma verve religiosa continuarão a agir por sua conta e risco. 

Os Estados souberam lidar com o terrorismo em larga escala e com os grande grupos, sua logística e estrutura de organização. A Al Qaeda é um caso clássico de como a organização dos sistemas de inteligência são capazes de desarticular grupos terroristas. O problema são as sementes que grupos como este deixaram espalhados pelos mundo, em pequenas mesquitas que operam em garagens, locais clandestinos, de viés radical e que impulsionam ações isoladas de fiéis.

Outro desafio para a comunidade internacional e local é entender que muitos dos extremistas não são imigrantes, como os irmãos Tsarnaev, de Boston. Muitos dos terroristas são cidadãos nacionais, dotados de passaportes dos países das vítimas, nascidos no território onde ocorreram os ataques. São geralmente filhos e netos de imigrantes que não conseguiram se integrar na cultura local e vivem da assistência do governo.

Uma das alternativas para acelerar o processo de adaptação cultural é forçar os imigrantes e filhos de imigrantes a se integrar, retirando a assistência do Estado que os mantém em guetos sem trabalhar. As políticas de assistência deveriam ser convertidas em incentivos para que estes imigrantes se tornassem pequenos empreendedores em suas comunidades e assim passassem a fazer parte da cultura local.

O debate é extenso e precisa amadurecer, entretanto, enquanto o problema não for tratado em seu nascedouro, ataques como o de Madri em 2004, Londres em 2005, Boston e Londres em 2013, continuarão a ocorrer.

quarta-feira, maio 22, 2013

PMDB: Bate e Assopra

O PMDB acaba de reforçar seu time de articulação política com a chegada de Eliseu Padilha. Ele, que já foi ministro e deputado, é um dos maiores conhecedores dos meandros do parlamento, em especial a Câmara, e chega, em tese para apagar o fogo causado pelas rebeldias do líder do PMDB na casa, Eduardo Cunha. Em tese.

Na verdade o governo sofre com a ausência de uma coordenação política eficiente. O PT, como bem lembrou o cientista político Paulo Kramer, não é um partido adepto da democracia representativa, logo, tem muita dificuldade em articular acordos. Alugar a base foi uma estratégia no governo Lula, o plano que desaguou no Mensalão. Não deu certo. Portanto, diante dos desafios de governar e executar parcerias com o Congresso, o PT necessita do PMDB.

O problema está posto quando PT e PMDB se desentendem. Sem capacidade de articulação parlamentar, o PT tornou-se refém do PMDB, que esbanja qualidade na arte de costurar acordos e cobrar faturas. A rebeldia do partido, executada por Eduardo Cunha, nada mais foi do que mais um capítulo do jogo de morde e assopra. Neste caso, quem assoprou foi Renan.

A central de desaforos contra parlamentares, geralmente instalada no Palácio do Planalto, tem gerado problemas para Dilma. Com estilo duro, desagrada aqueles deputados que precisam apenas sentir-se importantes. Lula fazia isto bem. Collor tinha o estilo de Dilma. Caiu. Ela tem apoio de ampla base e representa um projeto maior, portanto, não corre o risco de cair. Já governar é outra história.

O PMDB é o partido mais infiel da base do governo, mas mesmo assim é o fiel da balança. Seguiu a orientação de Dilma apenas em 41,15% das votações. Da base, o PT é o campeão, com 80,95% de fidelidade. Mesmo assim, o Planalto segue nas mãos do PMDB quando o assunto é Congresso Nacional. A chegada de Padilha, oficialmente, é para facilitar o diálogo do governo com o parlamento. Na prática fortalecerá o bate e assopra, o que apenas fortalece o partido. A fatura acabou de ficar maior.

terça-feira, maio 21, 2013

Bolsa-Planalto

O rumor do fim do Bolsa Família, assim como aquele que dizia que haveria um bônus pelo dia das Mães, deixou o País em pânico, pois hordas de pessoas foram até os postos de saque e agências da Caixa Econômica Federal desesperados para retirar dinheiro.

Pois então a ministra Maria do Rosário vem a público dizer que o boato era coisa da oposição. Depois desculpou-se pela irresponsabilidade de suas palavras, mas seguiu dizendo que era sua opinião pessoal. Seria a oposição? Poderia até ser se houvesse oposição. De fato, não temos.

Todo esse acontecimento deixa claro uma coisa: o jogo da sucessão presidencial já começou. Dilma e sua equipe resolveram entrar em campo para defender o direito do petismo de se manter no comando do país. Gilberto Carvalho, o homem de Lula no Planalto, já havia avisado que o jogo seria iniciado. Começou. Dilma disse que em campanha se faz o diabo. Pois bem, o diabo começou a ser feito.

Eduardo Campos colocou o bloco no rua. Aécio começa a dar seus primeiros passos. Marina acena lá e cá na construção de sua Rede e assim a sucessão vai tomando forma. O PT mostrou seus dentes. Mostrou o poder do Bolsa-Família e como existem brasileiros dependentes deste tipo de programa. Assim que começar a campanha para valer, esta mesma parcela da população será assustada, mais uma vez, com a notícia de que se o PT não vencer, o dinheiro secará. Como sentiram o gosto amargo do pesadelo, votarão na manutenção do butim.

O boato foi então espalhado pela oposição? Não, de forma alguma, nem a oposição seria tão infantil. O jogo pesado já começou.

sexta-feira, maio 17, 2013

O Milagre Japonês

Shinzo Abe voltou ao poder no Japão. Depois de um governo desastroso em 2007, quando sucedeu o brilhante Junichiro Koizumi, Abe parece ter voltado renovado e revigorado. Levou seu partido de volta ao poder e pelo andar das coisas conseguirá obter maioria na Câmara Alta nas próximas eleições. Se você acha que viu reformas até aqui, espere até o partido liberal democrático conseguir esta vitória eleitoral.

O foco principal das ações de Abe neste retorno residem na área econômica. Na verdade não só porque o Japão necessita desesperadamente de reformas, mas porque viu seu poderio econômico foi superado pela pujança chinesa. Uma China forte frente a um Japão apático pode levar a outros desdobramentos mais sérios. Portanto, é hora de o Japão responder.

Abe trabalha em três frentes: estímulo fiscal, foco na inflação (ou deflação) e reformas estruturais. Já lançou as duas iniciativas iniciais, despejando dinheiro na economia, o que mexeu na questão inflacionária e no valor da moeda, barateando as exportações. O terceiro tiro virá somente depois das eleições.

O problema até aqui é observar que o choque de estímulos que tem feito o Japão responder positivamente é oriundo de manobras derivadas do Estado. Se for usado apenas como estímulo, ao invés de indutor inicial, pode trazer bons resultados. O perigo é o Estado centralizar e adotar estas posições no longo prazo, manipulando a economia. Se chegarmos aí, o Japão colherá problemas.

Por enquanto tudo é sucesso. Aprovação de 70% do governo e a possibilidade de uma vitória avassaladora na Câmara Alta, o que propiciará Abe a passar toda a reforma que tem em mente. Por enquanto é observar, como está fazendo a China.

quinta-feira, maio 16, 2013

Change?

Obama parece ser uma pessoa bacana. É o típico caso daquele cidadão que você gostaria de receber para jantar em sua casa. É um belo candidato. Em suas duas eleições esbanjou carisma e acordos certeiros no momento correto, tanto nas primárias, quanto nas eleições. Já derrotou Hillary Clinton, John McCain e Mitt Romney. Obama, vale lembrar, é um candidato oriundo da desleal e suja política de Chicago, de onde é prefeito seu antigo Chefe de Gabinete, Rahm Emanuel.

No governo, entretanto, Obama tem se mostrado diferente. O candidato que falava em mudança, inclusão e despejava otimismo frente aos imigrantes legais e ilegais, assim que chegou para governar mudou. Não mudou o discurso, mas percebeu-se que na prática vemos um Presidente muito distante de suas promessas. Por exemplo, é o Presidente que mais deportou ilegais dos Estados Unidos.

Quantos votos recebeu com a promessa de fechar Guantánamo? Muitos. Bem, esta é uma promessa que ficou pelo caminho. Vale lembrar que o mesmo candidato que se elegeu com base na crítica sobre as políticas internacionais de Bush, manteve seu Secretário de Defesa, Robert Gates, por anos frente ao Pentágono. Não é o que podemos chamar de mudança na agenda das guerras no Afeganistão e Iraque.

O Presidente que caçou e pegou Bin Laden é responsável também pelo uso brutal dos drones, aviões não tripulados que realizam inesgotáveis caças a alvos definidos pelos sistemas de defesa. Imaginem se Bush tivesse a audácia de usar os drones desta forma...seria bombardeado, pela imprensa.

Quando a imprensa divulgou alvos do governo americano em sua guerra ao terrorismo, Obama ficou furioso. Desta vez, foi mais adiante: seu governo monitorou os números de telefones das fontes jornalísticas usadas pela Associated Press. Esqueceu que existe a Primeira Emenda da Constituição.

Os escândalos mais recentes, como na AP, além de outros como aqueles envolvendo Bengazhi e por fim a caça discriminatória do IRS (Receita Federal americana) para monitorar entidades e membros ligados ao Tea Party - movimento ligado partido opositor, o Republicano, somente mostram uma face perigosa da administração Obama.

Ele chegou prometendo mudaças. Change. Enfim, o que mudou, parece ser para pior. As políticas de seu governo, guiadas por suas decisões, são temerárias. Atentam muitas vezes contra princípios primordiais da formação dos Estados Unidos. A gritaria já começou.

A próxima eleição pode trazer um republicano de volta para Casa Branca.

quarta-feira, maio 15, 2013

Recessão socialista francesa

A França, que apresentou sinais de melhora durante a gestão de Sarkozy, parece ter entrada em uma perigosa espiral socialista com Hollande. A economia do país entrou oficialmente em recessão, tendo encolhido 0,2% no primeiro trimestre do ano.

No final de 2012, o país já mostrava os sinais claros que nada ia bem. A economia já havia encolhido 0,2% no último trimestre do ano. Agora o governo socialista fala em crescimento de 0,1% do PIB em 2013. Sabemos que isso não vai ocorrer. Será pior. Para entender é apenas preciso olhar as políticas aplicadas por Hollande em seu governo, um potencial incrível para acelerar o desgaste ainda mais.

A Europa também não apresenta sinais de melhora, pois o trabalho de políticos austeros que chegaram ao poder sucedendo governos gastadores, é demorado e demanda importantes reformas. Suas políticas baseiam-se em dois pilares: diminuição dos gastos públicos e da rede de assistência do Estado - ações que o governo Hollande nem pensa em fazer.

O caminho de Hollande é o oposto. Ao mesmo tempo que gera novos impostos, também cria algumas tímidas flexibilidades trabalhistas. Está sem rumo. Isto traz um componente de insegurança para quem investe ou possui um negócio. Em suma, Hollande não busca reformas estruturais que gerariam uma França mais competitiva. Parece ser um governo que ainda não sabe a que veio, dentro ainda de uma inabilidade decisória assustadora.

Enquanto isso, o desemprego ronda 10,6%, com viés de alta para o próximo ano.