quarta-feira, dezembro 01, 2010

Cota Feminina

Enquanto Lula tenta nomear mais um integrante para a equipe de Dilma, desta vez Izabella Teixeira para o Meio-Ambiente, a Presidente eleita começa a se preocupar com o número de mulheres no primeiro escalão. Miriam Belchior foi o primeiro nome, mas outros ainda devem surgir.

Especula-se o nome de Manuela D`Ávila para o Esporte, dentro da cota do PC do B, que manteria o Ministério. Outra gaúcha, Maria do Rosário, do PT, pode emplacar na Secretaria de Direitos Humanos, enquanto Ideli Salvatti, também petista, derrotada em Santa Catarina e sem mandato, pode ir para a pasta da Pesca. Na verdade faltam nomes para Dilma. Este, no momento, é seu grande problema para fechar a cota feminina na Esplanada. Logo, Izabella, apesar não contentar setores petistas, pode ser mantida no cargo, já que além de ser mulher, tem apoio de Lula.

Outros nomes podem surgir no horizonte, como as senadoras eleitas Gleisi Hoffman do PT e Vanessa Grazziotin do PC do B. São nomes que chegarão fortes em Brasília, mas fora do Senado deixarão seus suplentes do PMDB e PP, respectivamente, com as vagas, o que não interessa ao governo.

Mas ainda existe espaço. Dilma pretende reservar boa parte da Esplanada para nomes femininos e ainda faltam outros que ela deseja ver no primeiro escalão, ou pelo menos em destaque, como Maria das Graças Foster, que já foi cotada inclusive para a Casa Civil.

Dentro deste desenho, o PMDB mais uma vez fica menor espaço, já que não conta com um número expressivo de mulheres para indicar. Esta seria mais uma justificativa para diminuir o poder do partido de Michel Temer na Esplanada. Mas é preciso primeiro acertar com os russos. Apesar das divisões, o apetite do PMDB não será contido com facilidade.

terça-feira, novembro 30, 2010

A Benção de Lula

Se diante das câmeras Lula diz que apenas aconselha Dilma Rousseff na formação do governo, não se pode dizer o mesmo sobre o que realmente acontece nos bastidores da gestação da equipe. As digitais do Presidente são identificadas em várias nomeações, em especial naquelas que indicam a permanência de nomes de sua equipe.

O mais novo contemplado pela benção de Lula foi Nelson Jobim. O Ministro da Defesa não era o nome preferido de Dilma, mesmo assim foi confirmado no cargo.

Depois de emplacar Jobim, Lula agora se empenha para manter Fernando Haddad na Educação. Pode-se considerar sua confirmação quase certa, visto que Jobim foi confirmado no cargo, Gilberto Carvalho irá para a Secretaria-Geral, Mantega foi mantido na Fazenda, Luciano Coutinho no BNDES e Sérgio Gabrielli na Petrobrás. Todos passaram pela peneira do ainda Presidente.

A benção de Lula é fundamental na composição do governo Dilma. Pelo menos é o que vemos até o momento. Mesmo aqueles que atingem a posição de Ministro neste momento ou aqueles que serão remanejados de pasta foram objeto da avaliação do atual Presidente. O Ministério está sendo construído a quatro mãos, juntamente com Dilma, mas Lula tem poder de indicação e veto.

Assim, aqueles que desejam fazer parte da equipe precisam, além da concordância de Dilma, a benção de Lula e a sondagem de Palocci, um verdadeiro périplo que passa pelo Alvorada, Granja do Torto e Palácio do Planalto. Se algum nome sondado passar pelas três casas, a chance de emplacar no primeiro escalão é quase certa.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Cota Pessoal

Depois de flertar com a inclusão de um grande empresário frente ao Ministério do Desenvolvimento, tudo indica que Dilma fará uso de sua cota pessoal e despachará para a último prédio da Esplanada seu amigo mineiro Fernando Pimentel.

O ex-Prefeito de Belo Horizonte não desfruta de grande popularidade entre seus pares petistas. Desgastado, cogitou-se que ele seria acomodado dentro do Palácio do Planalto, perto de Dilma, mas a falta de interesse de um nome forte do meio empresarial fez com que a Presidente eleita optasse por um nome "caseiro", por assim dizer.

O Ministério do Desenvolvimento não dará a Pimentel a visibilidade necessária para alçar vôos mais altos, como deseja, mas é um recomeço. Desgastado pela estreita relação com Aécio e pelos dossiês contra os tucanos fabricados dentro da campanha de Dilma, a pressão era para que ficasse de fora da equipe - os petistas preferem e pressionam por Patrus. Mas se Pimentel não terá lá uma visibilidade grande, será melhor do que ficar de fora.

Depois de ceder as pressões de Lula, que nomeia ministros com a desenvoltura de um Presidente eleito, Dilma mostrou, pela primeira vez, que pelo menos terá uma cota pessoal de nomeação de ministros na Esplanada.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Equipe Econômica

Já tem cara a equipe econômica de Dilma. Não tem o perfil que muitos gostariam, mas de qualquer forma fornece uma idéia clara dos rumos que o governo deve seguir.

Tombini, que assumirá no Banco Central, é mais flexível em certos aspectos do que Henrique Meirelles. O novo chefe do Banco Central, por exemplo, acredita que a instituição peca por uma espécie de cautela excessiva e acha que existe espaço para afrouxar as rédeas dos juros.

Isto é música para os ouvidos de Dilma, mas talvez possa não soar com a mesma levaza para o Real.

Se a política de expansão de gastos de Mantega se aliar ao aumento de investimentos no PAC turbinados por Miriam Belchior no Planejamento, será difícil segurar os juros, pois é neste ponto que se assenta a estabilidade do Real, na manipulação da economia pela taxa de juros.

Tombini disse que existem outros mecanismos para segurar a inflação, ou seja, que os juros podem continuar caindo, pois a inflação será contida em outras frentes. Se houver tal mecanismo, é uma ótima saída, entretanto, ninguém foi apresentado aos meios de concretização desta idéia em mais de 15 anos de Plano Real.

Ao fim e ao cabo, se Mantega e Miriam aumentarem o gasto público como se espera, considerando suas biografias e as políticas acenadas por Dilma, o Bacen precisará conter a inflação e defender a moeda, sob pena de colocar em risco a estabilidade. Até o momento, fora as reformas rechaçadas pelo PT, o único instrumento conhecido para conter a inflação e segurar o moeda, é por intermédio da taxa de juros. Se Tombini conhece outro mecanismo, deve apresentá-lo em breve. Do contrário, terá que seguir a cartilha de Meirelles, sob pena de o Real fazer água.

terça-feira, novembro 23, 2010

Os Outros

Definida a trinca Mantega-Tombini-Belchior para a área econômica, vem a parte mais difícil, a definição dos outros ministérios. A sede dos partidos aliados é grande e até candidatos avulsos vão surgindo pelo caminho.

Um dos grandes problemas de Dilma é a configuração das mais de 40 pastas que terão, em tese, novos donos a partir de 2011. Lula teve mais facilidade em 2002 porque trabalhava com um leque menor de partidos aliados. Dilma teve uma aliança muito maior, trazendo logo ali ao seu lado, como maior parceiro, o PMDB, que não fez parte da configuração inicial do primeiro governo Lula.

Dilma agora tem que abrir espaço para o PSB, que cresceu nestas eleições, além de prestigiar o PR, aliado de primeira hora do petismo em 2002, além de aliados tradicionais como o PC do B. A fatura fica maior, já que o PP tem que ser contemplado também, agora com uma bancada mais expressiva no Senado. Isto sem falar no PDT, partido de origem de Dilma, que tenta se agarrar aos postos de comando do Ministério do Trabalho e suas ramificações. É preciso abrir espaço para o PTB, que apesar de ter apoiado formalmente Serra, forneceu apoios regionais importantes para Dilma, além de contar com uma bancada fiel, se bem contemplada. Além de tudo isso, Dilma quer rechear o comando ministerial de mulheres.

Como vemos, é uma equação difícil, ainda mais sabedores de que petistas derrotados devem se acomodar sob o poder federal. Dilma, entretando, deve fechar a equipe palaciana e partir daí divulgar a solução para o quebra-cabeça que precisa montar. O silêncio, até o momento, tem sido uma estratégia eficaz.

segunda-feira, novembro 22, 2010

A Equilibrista

O anúncio do nome de Mantega para o Ministério da Fazenda gerou idéias controversas sobre o que deseja Dilma Rousseff. Como escrevi aqui, é preciso que sejam definidos os nomes para o Banco Central e o Planejamento, entretanto, as fortes pressões dos aliados tornam as coisas ainda mais nebulosas.

A saída de Henrique Meirelles do Banco Central é dada como certa. Isto sugere que talvez um nome mais próximo das idéias de Mantega seja escolhido. Para o Planejamento fala-se de Miriam Belchior, coordenadora do PAC. Vemos, dentro desta configuração, um perfil econômico mais do que desenvolvimentista, causando arrepios naqueles que defendem austeridade com o gasto público. Dentro desta configuração, baixar os juros, como disse ser prioridade, é tarefa impossível, especialmente sem gerar inflação.

Dilma, além de acomodar seu perfil pessoal na área econômica, precisa equilibrar-se entre as sugestões de Lula e as pressões dos aliados. Equilibrar-se neste xadrez é complicado. Além disso Lula sugeriu veto a alguns nomes, alguns próximos de Dilma, da sua turma de Minas, gente que ela queria levar para o Planalto. Isto aumenta o apetite do PMDB, que deve perder a pasta da Saúde e deseja ser recompensado mais do que na medida pela perda da jóia.

Assim, depois de levar sua cota pessoal para a área econômica, Dilma precisará de jogo político para montar o resto da equipe. Precisará atuar como uma equilibrista.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Mantega na Fazenda

Com a decisão de manter Mantega na Fazenda, Dilma enviou vários sinais sobre como será o seu governo. O ministro possui idéias e características muito peculiares. Tem um perfil muito diferente de Antônio Palocci, que dirigiu a pasta durante o primeiro governo Lula e por consequência, não pensa como o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Mantega se enquadra em um perfil desenvolvimentista, enxerga o Estado como propulsor do desenvolvimento e possui uma tendência clara em defesa de altos gastos públicos. Mantega, sem Meirelles ou Paulo Bernardo, que ocupa atualmente a pasta do Planejamento, terá mais liberdade para colocar suas idéias em prática. Muitos se questionam se isto seria um risco para o Real.

Politicamente, Mantega fica por um pedido pessoal de Lula. Aliás o atual Presidente tem disparado pedidos pessoais para a Presidente eleita no sentido de manter muitos nomes de sua equipe ministerial. Dilma não gosta de ser tutelada, mas pode mover-se com inteligência política.

Inicialmente a decisão por Mantega não faz muito sentido, especialmente pela influência que Palocci exerce sobre Dilma e pelo fato de Paulo Bernardo ser cotado para um cargo de grande influência no Palácio do Planalto. Entretanto, ao manter Mantega, Dilma atende um pedido imediato de Lula. O jogo político da escolha pode, neste sentido, ser um movimento orientado por Palocci. Mais do que uma decisão técnica, a escolha de Mantega pode ter um caráter político.

Saberemos de fato o rumo da economia com as escolhas para o Banco Central e Planejamento. No Bacen, tudo indica que Meirelles prepara sua saída, já que impôs condições para ficar, ou seja, a manutenção da autonomia do Banco Central. Ao colocar o assunto em pauta e a Presidente eleita na parede, enviou seu recado político: está de saída. Se Dilma insistir para que ele fique, perderá autoridade. Resta saber quem ficará em seu lugar para defender a moeda.

quarta-feira, novembro 17, 2010

O Bloco

É preciso analisar com cuidado para entender o que o PMDB pretende com o anúncio de seu bloco na Câmara dos Deputados. Mais do que um movimento, a articulação mandou um recado para o Planalto.

Antes disso, o PT flertava com a possibilidade de também presidir o Senado, em uma espécie de rodízio com o PMDB. A resposta veio rápida, com o lançamento do nome de Sarney. O segundo lance foi realizado mediante o anúncio do bloco de partidos na Câmara, que juntos somam 202 parlamentares. Apesar de o PP ter balançado, O PMDB mostrou que pode aglutinar, além dos progressistas, o PR, PTB e PSC. O objetivo, lógico, é juntar forças e poder fogo na barganha por cargos.

O PMDB mostrou os dentes e mostrou ao PT que existem limites no exercício do poder que não podem ser ultrapassados. Um deles é o comando do Senado. Além disso, na formação do governo, o partido se articula para ocupar espaços. Para isso, já se movimenta. O bloco, como disse, é mais um lance desse jogo.

O partido líder do novo bloco controla seis pastas, Defesa, Comunicações, Integração Nacional, Agricultura, Minas e Energia e Saúde, entretanto, apesar de possuir ministros filiados ao partido, em pelo menos dois deles não dá as cartas. São indicações de Lula e aliados.

Assim, diz que é possível abrir mão de pelo menos duas delas, que poderiam ser substituídas pelo Ministério das Cidades ou Transportes, jóias da coroa, pelo volume de investimentos. Se Dilma vacilar, o PMDB admite, por exemplo, assumir o controle do BNDES, Banco do Brasil, Caixa ou Petrobras. Joga alto para colher bem.

Mas nesta negociação não entra o Senado. Lá, o PMDB deve seguir soberano e por mais que não venha a dirigir a Câmara, o super bloco tende a dar trabalho.

terça-feira, novembro 16, 2010

A Fusão

Para quem achava pouco a idéia de incorporação do DEM pelo PMDB, ainda não havia pensado que o PPS pode fundir-se com o PSDB. Este é mais um resultado das eleições deste ano.

A idéia, em princípio, é o primeiro passo para o projeto de Aécio Neves refundar o PSDB. A chegada do PPS seria a oportunidade ideal de rever alguns pontos e partir para a fundação de uma nova oposição, certamente com a cara de Aécio, que assim busca credenciar-se para a sucessão presidencial em 2014.

Os tucanos saíram das urnas com 52 deputados e 11 senadores e o PPS com apenas 12 deputados e um senador. Roberto Freire não esconde que as conversas existem e que a possibilidade de fusão é real. Esta nova oposição, dotada de princípios claros, defenderia o legado de FHC, algo esquecido no ninho tucano nas três eleições presidenciais perdidas, duas por Serra e uma por Alckmin.

O curioso é que fala-se na criação de uma terceira legenda, resultado da fusão dos dois partidos. Isto, vale lembrar, desobriga os parlamentares dos partidos de origem, PSDB e PPS, a migrar para a nova agremiação. Pela legislação, os parlamentares ficam livres para escolher qualquer partido, sem o risco de perder seus mandatos. Seriam alvos óbvios de cooptação por legendas governistas, em especial o PMDB, que busca aumentar seu poder de fogo no Parlamento.

É preciso avaliar com muito cuidado estes movimentos, pois se partirem para a fusão, é possível que os partidos fiquem menores, exatamente o oposto de sua estratégia.

segunda-feira, novembro 15, 2010

A Incorporação

Tudo indica que o desejo de Lula, de extirpar o DEM da política nacional, está cada vez mais perto. Depois dos resultados eleitorais cogita-se seriamente uma incorporação do DEM ao PMDB. A estratégia visa de um lado a sobrevivência de muitos políticos da legenda, mas de outro acabará gerando uma guinada na política nacional somente imaginada por Lula até o momento.

O DEM venceu em dois estados, Santa Catarina e Rio Grande do Norte. Saiu vitorioso, mas também saiu seriamente abatido em outras frentes. Sua bancada de deputados federais minguou uma vez mais e o mesmo aconteceu no Senado. Como se não fosse o bastante, no Parlamento, os nomes mais significativos da legenda foram derrotados, com a exceção de José Agripino Maia.

A mais importante liderança do partido dirige a jóia da coroa, a Prefeitura de São Paulo. Justamente por isso, Gilberto Kassab tem sido assediado pelo PMDB. Ele seria um forte nome para disputar o governo do Estado em 4 anos. Se Kassab deixar o o antigo PFL, seria um enorme golpe para o partido. O Prefeito, entretanto, não tem muitas opções, uma vez que foi eleito pelo DEM. Para ele, ao invés de rumar sozinho para o PMDB, talvez fosse mais interessante chegar ao seu destino munido da força inteira do seu partido atual.

Daí surge a idéia de levar o DEM inteiramente para os braços do PMDB. Os argumentos não são fracos e podem seduzir muitos políticos do partido. Dono de uma parte considerável do governo, o PMDB pode abastecer os nomes do DEM que desembarcarem em seu projeto, de cargos relevantes na estrutura federal, algo que esses políticos, alijados do poder desde o fim do governo FHC, desejam muito.

O fato é que o DEM, depois de deixar o governo federal, não encontrou rumo, nem discurso. Já falei sobre isso aqui. Ao invés de se tornar um partido com um projeto alternativo de poder, tornou-se refém de seus erros, que levaram seus números a despencar nos últimos anos. Se o DEM realmente se incorporar ao PMDB, seus políticos podem ganhar sobrevida, entretanto, o Brasil perde uma alternativa política.

A chance do DEM mudar e não ser engolido pela realidade política nacional é refundar-se, mudando sua postura e aplicando suas políticas em seus redutos eleitorais, assumindo suas posições conservadoras, deixando de estar a reboque dos tucanos, fazendo surgir um projeto alternativo e viável, guiado por lideranças expressivas que poderiam fazer o partido renascer. De outro modo, o destino do DEM é tornar-se parte do PMDB e entrar para os livros de história.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Surra Eleitoral

Na política, cedo ou tarde se conhece o outro lado da moeda. Para Barack Obama este dia chegou logo, em suas primeiras eleições em meio de mandato, as midterms elections, que renovam parte do Congresso dois anos após a posse do Presidente.

Bill Clinton enfrentou uma situação semelhante em 1994, entretanto, como possui maior habilidade política que Obama, não podemos prever que o atual Presidente consiga dar a volta por cima com a mesma facilidade. Além do mais, o ambiente político na década de 90 era outro e a eleição de Obama levou a polarização exacerbada, que pode gerar um efeito inverso devastador nas próximas eleições para o Partido Democrata.

Os Democratas sentiram o golpe. Sua bancada despencou na Câmara e a folgada maioria no Senado virou pó. A Câmara passará a ser conduzida pelos Republicanos e sua agenda própria, o que trava a administração Obama em seus pontos centrais. Lembrei aqui que o Presidente deveria buscar suas reformas nos primeiros dois anos de mandato, pois a tendência era que perdesse a maioria nas midterms, entretanto, naquela época não esperava que a surra promovida pelo eleitorado americano em Obama fosse tão desconcertante.

Quem conhece política americana sabe que agora o trabalho de Obama é ainda mais difícil. Sem um Congresso favorável, suas políticas não avançam, precisará ceder em muitas questões para avançar em outras e pode ver ainda as conquistas políticas dos primeiros dois anos de mandato serem desfeitas pelos novos congressistas.

O massacre eleitoral, entretanto, não se limitou ao Congresso. Os Republicanos tomaram governos estaduais e elegeram lideranças calcadas no Tea Party, já sendo preparadas para a grande eleição presidencial que se avizinha em dois anos.

Obama precisará de muita habilidade política, até porque as poucas vitórias dos Democratas vieram impulsionadas pela ala de Bill Clinton. Obama inclusive foi orientado a não participar de muitas campanhas, já que sua imagem poderia prejudicar os candidatos de seu partido.

Com seu time de assessores, conselheiros e secretários se desfazendo pouco a pouco, com o partido alvejado pelas derrotas eleitorais e a falta de estratégia de comunicação eficiente, especula-se até que ele não seria o melhor candidato para conduzir os Democratas em dois anos. No momento, Obama é o adversários dos sonhos de todos Republicanos.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Dilma pós-campanha

Confesso que estou surpreendido positivamente com a postura e as declarações de Dilma no pós-campanha. Começou com a primeira declaração, no momento da vitória, um texto escrito a quatro mãos, auxiliado por Palocci. Seguiu-se a mesma impressão nas primeiras entrevistas, até na presença de Lula, que esteve ao seu lado para responder perguntas no Planalto.

Se durante a campanha, assim como Serra, a candidata não apresentou programa de governo, já o fez no primeiros dias. Forneceu diretrizes de suas ações e mostrou-se segura, sem tervergisar, ser vaga, brincar ou fazer metáforas sobre qualquer tema. Foi direta e objetiva. Ou seja, Dilma tem opinião própria, sem ser tutelada por Lula, sabe o que está dizendo e sabe como irá fazer. Pode-se até discordar do rumo que dará ao governo, mas seguramente seu governo terá rumo.

Dilma terá equipe própria. Sua idéia não é permanecer com a equipe de Lula, é ter o seu próprio time. Os nomes já circulam por aí. O caráter técnico será fundamental, aliado a competência e meritocracia. O critério político também será considerado.

Dilma falou da liberdade de imprensa: "Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras". Sobre a condenação da iraniana Sakineh, disse: "Acho uma coisa bárbara o apedrejamento da Sakineh. Mesmo considerando os costumes de outros países, continua sendo bárbaro". Na economia, defendeu o câmbio flutuante e o controle de gastos públicos. O governo, segundo ela, não pode gastar mais do que arrecada, deixando clara sua posição sobre a responsabilidade fiscal. Sobre invasões e MST, enfatizou: "Não compactuo com ilegalidades, com invasões e prédios públicos ou propriedades produtivas".

A Presidente eleita tem caráter técnico e assim será seu governo. Ninguém deve se surpreender se muitos ministros não forem nomes conhecidos. Entre os políticos, pode-se apostar em nomes como Paulo Bernardo, José Eduardo Cardozo, Antônio Palocci e Fernando Pimentel. O PMDB terá sua fatia de poder, negociada por Michel Temer, que deve deixar o comando do partido nas mãos do senador eleito Eunício Oliveira. No Itamaraty fala-se em José Maurício Bustani, Carlos Alfredo Lazary Teixeira e até nomes que não são de carreira, mas políticos experientes que sabem lidar de forma pragmática nas questões comerciais internacionais.

O governo Dilma não terá a cara de Lula, terá a cara de Dilma. Ela é egressa do PDT e apesar de estar no PT, não é petista de origem. Tem idéias próprias e sabe onde quer chegar. Suas primeiras declarações foram muito bem recebidas. Mostrou sensibilidade política, conhecimento técnico e sobretudo direção e segurança na condução do processo administrativo. Seu começo foi melhor do que qualquer dia de sua campanha.

terça-feira, novembro 02, 2010

A Vitória de Dilma

A vitória de Dilma tem muitos significados, mas talvez diferentes daqueles imaginados por todos. Ela venceu carregada pelo Nordeste, mas na verdade quem ajudou realmente Dilma a vencer foi o Sudeste. Ali José Serra nem chegou perto de abrir a vantagem que imaginava.

Dilma venceu no estado crucial para esta eleição, Minas Gerais. Venceu com folga. Serra apenas teve mais votos no sul do estado, na divisa com São Paulo. Nas fronteiras expressivas com Rio e Bahia, a candidata do PT teve muitos a frente do tucano.

Em São Paulo, ao contrário do que imaginavam os tucanos, Serra abriu pouca diferença. Sem o impulso de seu estado, seria impossível vencer. Muitos daqueles que votaram em Anastasia em Minas, votaram em Dilma no segundo turno. Em São Paulo ocorreu o mesmo. Muitos que votaram em Alckmin no primeiro turno, fizeram a opção nacional por Dilma.

No Rio de Janeiro o massacre do PSDB se consumou. Em um estado liderado por um ex-tucano, Sérgio Cabral, que tem apoio de praticamente todos os prefeitos fluminenses, Dilma levou uma vantagem descomunal.

Os aliados ainda fizeram diferença em três importantes estados, Bahia, Pernambuco e Ceará, que forneceram uma vantagem descomunal para a petista. Isto cacifa Jacques Wagner, Eduardo Campos e Cid Gomes. Terão um peso político muito mais denso do que se poderia projetar.

Dilma perdeu no Sul, mas no Rio Grande do Sul, por exemplo, teve força para praticamente empatar com José Serra.

Esta geografia do voto, em lugares importantes, explica a vitória de Dilma. Entretanto, enganam-se aqueles que acreditam tão somente no peso político para a formação do governo. Dilma, com seu perfil, tende a surpreender na montagem na equipe.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Derrota Tucana

Mais do que uma vitória de Dilma ou Lula, a vitória do PT foi uma derrota do PSDB. As razões são muitas e os tucanos deverão passar os próximos dias afirmando que o partido cresceu e qualificou o debate, mas o fato que é o PSDB perdeu a terceira eleição presidencial seguida para o PT.

O fato é que existiam condições para os tucanos vencerem a eleição. Foram reféns das estratégias de marketing e decisões políticas equivocadas, analisadas e lembradas aqui neste Blog muitas vezes. Um claro exemplo foi a escolha do vice, que recaiu sobre Índio da Costa, uma exigência do DEM. Ele fez seu papel com seriedade, mas sempre faltou-lhe densidade eleitoral. Existiam muitas outras opções melhores, que agregariam votos aos tucanos, com lembrei aqui, mas isto foi colocado em segundo plano por uma exigência de um partido que pouco a pouco fica menor, o DEM.

Serra foi refém de sua própria estratégia de marketing, dirigida por Gonzalez, o mesmo estrategista que levou Alckmin a derrota de 2006. A idéia de construir a imagem de Serra pouco a pouco na cabeça do eleitor mostrou-se equivocada, assim como a vergonha em assumir os feitos da administração FHC, o que se feito de forma diferente, tornaria o ex-Presidente um forte cabo eleitoral. Serra preferiu mostrar Lula em seu horário eleitoral.

A responsabilidade de virar o jogo no segundo turno, diante da pífia votação no primeiro turno, recaiu nos ombros de Aécio, que apesar de tucano, não tinha o mesmo interesse que os paulistas na eleição. Deu sua contribuição, com entusiasmo, mas sem atingir o objetivo de entregar uma vitória e margem de votos em Minas Gerais.

Para vencer, Serra precisava abrir boa vantagem em São Paulo e ganhar com boa vantagem em Minas. Ou seja, por mais votos que Dilma tivesse no Nordeste, se os tucanos viessem embalados pelos seus currais eleitorais, não haveria chance de vitória para o PT. Os tucanos perderam a eleição quando deixaram de abrir vantagem em seus redutos eleitorais. Reféns de seus erros, tiveram que contar no último momento com fatores como a abstenção, como lembrei aqui, para manter no horizonte a possibilidade de êxito.

A vitória dos tucanos era possível e tangível. Antes de perder para o PT, o PSDB perdeu para seus próprios erros. Terão quatro anos mais uma vez tentar vencer. Será a quarta tentativa.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Abstenção pode Decidir

A despeito da opinião unânime das pesquisas, acredito que a eleição não está decidida. Certamente há uma tendência, mas existem muitos fatores que precisam ser considerados em uma eleição e a abstenção no Brasil é um deles.

Enquanto a opinião corrente é no sentido de mostrar que Serra tem mais a perder com a abstenção, acredito que as coisas podem se mover em sentido contrário. O excesso de confiança nos índices de Dilma pode levar seus próprios eleitores a acreditar que a eleição já está decidida e afastá-los das urnas. Isto é um fenômeno natural em eleições.

Dilma tem contra si um outro fator. A ausência de pleitos proporcionais que, em especial no Nordeste, embalam a eleição majoritária. Faltam também pleitos majoritários de segundo turno para incentivar os eleitores de Dilma a chegar até as urnas. A eleição já foi definida na maioria dos Estados para os governos regionais onde ela precisa embalar e abrir vantagem.

A classe C, onde Dilma tem folga, tende a viajar no feriadão. Pacotes comprados há meses, viagem programada com a família e preços baixos são uma combinação explosiva para a abstenção. Em especial nas pousadas e hotéis do Nordeste, rumo natural do eleitorado de Dilma, espera-se uma ocupação recorde neste final de semana.

Do lado de Serra, a preocupação com seus números pode mobilizar seus eleitores, ao invés do contrário. Um refluxo de votos para o PSDB em suas bases, como em Minas Gerais e São Paulo, podem fornecer um embalo inesperado no dia da votação. O movimento nas estradas paulistas é fraco até o momento. Isto é um indicativo.

São movimentos que podem oscilar e, ao fim e ao cabo, fazer diferença alguma, entretanto, em política é preciso avaliar todos os cenários e possibilidades. Movimentos como os que relatei acima são possíveis e reais e, no passado, já foram responsáveis por mudar o curso de pleitos que pareciam decididos.

Entretanto, nesta eleição, acredito na máxima de que a abstenção pode decidir, tanto para um lado, quanto para outro.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Festa Marcada

A festa já está pronta com data marcada. É domingo, assim que se confirmar a vitória. Políticos já foram convocados para estar em Brasília e participar do grande evento. O PT prepara concentração no Hotel Nahoum e a festa será na Esplanada dos Ministérios.

Fala-se também em evitar o salto alto, mas diante da magnitude da comemoração, isso já foi deixado de lado. As pesquisas fornecem aquele grau de certeza que parece inegável. Dilma vencerá a eleição. Vencerá bem, com larga margem.

Será? Mas também era o mesmo que diziam as pesquisas de primeiro turno. Inclusive nas famosas enquetes de boca-de-urna. Até o tracking dos marqueteiros do PT confirmava. Faltou combinar com o eleitor.

Para o segundo turno o mesmo enredo se desenha. Por certo as pesquisas já trouxeram um dano para José Serra. Existe um grau de desmobilização natural entre aqueles que acham a eleição perdida. Estes deixarão de votar, para viajar especialmente. São estes que podem entregar ou virar uma eleição.

Em razão dessas e outras que Beto Richa evitou na justiça a divulgação de pesquisas na corrida pelo Governo do Paraná. Estava certo. As pesquisas estavam erradas e podiam direcionar o voto. Saiu vitorioso. Evitou que os eleitores do Paraná fossem induzidos ao erro.

Fala-se que no Rio de Janeiro Dilma pode ter uma surpresa. Foi captada uma tendência de enfraquecimento da candidatura no interior. Na mesma linha existem cientistas políticos que indicam vitória de José Serra, tendo como base o estudo das planilhas do Datafolha, assim como fizeram no primeiro turno. Estes foram os mesmos que acertaram a previsão da ocorrência de segundo turno.

Nesta etapa vale lembrar que faltam puxadores de votos nos estados para Dilma. Aliados que sofrem ainda a ressaca da vitória no primeiro turno e não se empenham como poderiam para a segunda rodada. Do lado dos tucanos, entre os vitóriosos no primeiro turno, a mobilização é maior e ainda existem bons tucanos puxadores de votos pelo menos em três estados importantes: Goiás, Pará e Alagoas.

Prudência em política é fundamental. Mas do lado petista, a certeza de vitória é tão grande que a tenda já está armada e os aliados convocados.

terça-feira, outubro 26, 2010

No Sudeste

Com a divulgação do Datafolha de hoje e da amostragem do GPP podemos ter uma noção mais clara da distribuição de votos e as chances de cada candidato.

O Datafolha traz resultados similares aos do Ibope e o GPP mais próximos aos do Sensus da última semana. Acredito que os dados do GPP aproximam-se mais dos trackings diários, que orientam as campanhas.

Ali existe uma vantagem de Serra no Sul e uma diferença pró-Dilma no Nordeste. Serra abre 18 pontos em sua frente e Dilma 26 no seu principal reduto eleitoral. Na frente Norte-Centro-Oeste, Serra perde por uma pequena margem. Não deveria. Ali, em função do cinturão do agronegócio deveria abrir a vantagem que hoje é de Dilma, de cerca de 7 pontos. Serra tem como puxador de votos Simão Jatene, que lidera no Pará, além de Marconi Perillo, que lidera em Goiás. De resto, Serra tem apoios expressivos e suporte do agronegócio para subir nesta região, afinal, já foi bem por ali no primeiro turno.

Assim, a eleição volta-se para o Sudeste. Nesta região há empate: 43% para cada um. É neste nicho que a eleição pode ser decidia e deveria pender com tendência para Serra, considerando as contundentes e expressivas vitórias obtidas por Geraldo Alckmin e Aécio Neves, respectivamente em São Paulo e Minas Gerais. Sem a transferência de votos de ambos para Serra, ficará muito difícil para o tucano. Os esforços de Serra devem focar-se, na reta final, no apoio maciço do agronegócio, que precisa estar mobilizado, além da frente tucana no Sudeste. Mesmo assim, será uma eleição apertada.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Semana de Pesquisas e Empate Técnico

Enquanto a campanha caminha para sua última semana, os institutos de pesquisa preparam suas últimas sondagens. Como foram os principais derrotados no primeiro turno, existe um grande ceticismo entre os analistas políticos quanto a sua confiabilidade.

Certamente é muito difícil fazer uma pesquisa certeira, que chegue a um resultado exato, entretanto, os erros apresentados no primeiro turno foram grotescos, especialmente para aqueles institutos que trabalham para partidos, como no caso do Vox e Ibope.

A primeira sondagem da semana foi divulgada pelo Vox. Mostra Dilma na frente com 49% e Serra com 38%. No primeiro turno, o mesmo instituto errou por uma margem maior que a diferença atual entre os dois. Fica a dúvida.

As sondagens internas dos partidos, chamados de tracking, que acertaram em cheio o resultado do primeiro turno, mostram empate técnico e uma disputa acirrada. Os números variam um e quatro pontos em favor de Serra, alternando com um e três pontos para Dilma, mantendo-se ambos no mesmo patamar entre 48% e 52%.

Muitas pesquisas sairão esta semana. Devem, mais para frente, aproximar um pouco os números dos candidatos, mas internamente existe a certeza de que a eleição está muito disputada e pode ser decidida no detalhe. Se não estivesse, convenhamos, os ânimos não estariam tão acirrados.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Agressões Políticas

A agressão sofrida por José Serra esta semana no Rio de Janeiro revela uma triste face da política brasileira. Quando o enfrentamento político toma o rumo das agressões e do jogo sujo, a política começa a perder seu encanto. A política é um instrumento superior, capaz de provocar mudanças de forma harmônica, produzir debates de idéias e ser propulsora de movimentos benéficos para a sociedade. Aqueles que fazem a opção pelas agressões e pelos golpes abaixo da linha da cintura, na verdade, revelam desprezo pela democracia.

Infelizmente o Brasil ainda é uma democracia em construção, demasiadamente tolerante com desmandos, destemperos e ilegalidades. Ao poder público caberia coibir as agressões e condenar os agressores. Mas tomada pela mais completa inversão de valores, vítimas passam a ser considerados agressores.

Esta campanha eleitoral possui farto material para ilustrar tais fatos, desde quebras de sigilo fiscal criminosas, passando pelo tráfico de influência no coração do governo e desaguando em agressões físicas e montagem de dossiês. Percebemos que a democracia brasileira sofreu retrocessos e torna-se urgente a restauração de atitudes republicanas e instituições fortes que zelem pelo respeito aos valores democráticos.

Cabe aqueles que dirigem ao Estado, atuar como magistrados de um processo, que no longo prazo, se exercido de forma equilibrada, justa e honesta, somente trará benefícios para o País. Enxergar a eleição como uma mera disputa de poder é diminuir o Brasil como nação. A falta de visão na construção de valores democráticos institucionais sólidos pode voltar-se contra o Rei. Neste dia, a brincadeira perderá toda a graça.

quinta-feira, outubro 21, 2010

O Peso do PMDB

O PMDB alcançou um grande trunfo neste segundo turno, ou seja, a própria realização de uma segunda etapa nesta eleição. O petismo, certo da vitória de Dilma, deixou os colegas de chapa em segundo plano. O PMDB somente esperou e agora chegou o momento de cobrar a fatura.

A equipe de Dilma sabe que, diferente das pesquisas divulgadas até agora, a disputa está muito acirrada e o peso do PMDB pode fazer a balança da eleição pender para um dos lados. Entretanto, sabe-se que o PMDB sairá vencedor deste pleito, seja qual for o resultado. O partido será importante para a vitória de Serra ou Dilma. O impacto está mais além, visto que o PMDB é o fiel da balança para maioria parlamentar, seja qual for o governo.

O PT, com exceção de Minas Gerais, deixou seu aliado de lado, desprezou o PMDB no primeiro turno. Pior do que isso, trabalhou contra alguns de seus candidatos, que agora insistem em não arregaçar as mangas para trabalhar por Dilma. Casos assim estão na Bahia, Pará e Mato Grosso do Sul. O PMDB gaúcho, por exemplo, já fechou com Serra. Em Santa Catarina, o senador eleito Luiz Henrique foi alvo de ataques pessoais de Lula durante a campanha.

Para evitar a sangria (e a derrota), o alto comando de campanha de Dilma trabalha firme, mobilizando o governo, com seus ministros e peso de seus orçamentos e pastas. Vários interlocutores foram despachados para diferentes estados para tentar reverter a resistência ao nome de Dilma.

Do outro lado, entretanto, os políticos bem informados do PMDB pró-Serra estão também recebendo os números de tracking que mostram um embate em total equilíbrio, com chances de vitória de ambas as chapas. Os tucanos estão atentos para não perder esses apoios, que podem fazer a diferença no dia 31 de outubro. Uma guerra de bastidores.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Pesquisas curiosas

Não deixa de ser curioso verificar os resultados mostrados nas pesquisas mais recentes. Os institutos de sondagem eleitoral foram os grandes derrotados do primeiro turno. Nada, entretanto, parece ter mudado para o segundo turno. As pesquisas certamente não evidenciam o movimento do eleitorado, que é acompanhado diariamente pelos partidos e analisado por cientistas políticos.

O tracking das campanhas mostra uma situação diferente. As sondagens dos partidos indicam as flutuações. Neste momento Serra aparece um ponto na frente de Dilma, em situação de empate técnico, entretanto ainda em viés de alta. Os motivos são vários. Serra ainda mantém seu momentum e Dilma não conseguiu reverter este movimento.

Os programas de TV de Dilma não foram preparados para o segundo turno, mantendo o estilo do primeiro, o que aponto como um erro estratégico. Já o programa de Serra evoluiu muito, acertando o eleitorado, até o momento, onde deve no segundo turno. Além disso, as sondagens mostram ele venceu muito bem os debates entre os indecisos.

Dilma enfrenta problemas em sua aliança, especialmente no PMDB. Líderes do partido liberaram a militância, como no Pará e outros aderiram a Serra, como no Rio Grande do Sul.

Podemos somar a isso os escândalos políticos que seguem gerando crise na campanha do PT. O caso das violações de sigilo voltaram ao noticiário. O caso Erenice teima em não ir embora e o caso Cardeal paira perigosamente sobre a candidatura Dilma.

A falta de mobilização em Minas Gerais e São Paulo, entretanto, é que tendem a se tornar, cada vez mais, a maior dificuldade. Com o partido rachado e desmobilizado em Minas, Aécio pode trabalhar sem adversários para entregar uma vitória retumbante em seu estado, assim como Alckmin pode fazer em São Paulo.

Considerando os fatos, o tracking diário é a fonte mais confiável e ela mostra a situação real, uma disputa acirrada e empatada, com pequena, muito pequena vantagem para Serra neste momento. As pesquisas, como no primeiro turno, erram feio, por incompetência ou leviandade.

terça-feira, outubro 19, 2010

Verdes e FHC por Serra

A decisão pela independência do PV no segundo acabou por liberar suas lideranças. Zequinha Sarney já aderiu a Dilma, entretanto, outros setores do partido optaram por Serra. O movimento em direção aos tucanos tem propulsão em São Paulo e por lá foi lançado. Fabio Feldmann, que tentou ser governador, anunciou sua opção por Serra, assim como do lado carioca, outro candidato ao governo, fez a mesma opção, com a adesão de Fernando Gabeira ao grupo. Entre os presentes ainda estavam deputados federais, estaduais e prefeitos da legenda de Marina Silva.

Tais apoios são importantes, uma vez que são de figuras basilares e históricas do PV, como Gabeira, mas que também não deixam de estar em sintonia com os eleitores de Marina, que em sua maioria, segundo mostraram as primeiras sondagens, ficaram ao lado de Serra.

Mas o ato de apoio dos verdes em São Paulo foi marcado por uma situação interessante, a volta de Fernando Henrique ao cenário político partidário. FHC, aquele que ganhou de Lula duas vezes no primeiro turno, esteve entre os presentes para incentivar a candidatura de Serra. Tudo indica que, juntamente com o PV, FHC finalmente chegou para a campanha. Visto inicialmente, de forma equivocada, como uma debilidade, poderá ser um dos grandes trunfos para os tucanos no segundo turno.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Marina Independente

Marina anunciou sua tão esperada indepedência em relação ao segundo turno. Nem Serra, nem Dilma. Marina optou por Marina, daqui há quatro anos, quando acredita que terá mais chances e poderá consolidar seu nome no cenário nacional.

A idéia é bonita, mas não é tão fácil como a candidata verde imagina. Ela não terá mandato pelos próximos anos e seu partido não tem o mesmo grau de penetração sob o qual se desenvolveu o petismo, como sindicatos e organizações de classe. Consolidar seu nome como uma alternativa viável e palpável para o Planalto é uma tarefa árdua.

Ademais, Marina precisa entender que o cenário que deve encontrar em quatro anos é outro. O mundo político movimenta-se em seu próprio ritmo. Se os tucanos vencerem, uma conjuntura começa a desenhar-se, com Aécio e Serra, assim como se o petismo sair vencedor, outra realidade consolida-se, neste caso já na expectativa da volta de Lula em 2014.

A candidata espera, com sua atitude, preservar seus quase 20 milhões de votos. Não conseguirá. Possui um eleitorado muito heterogêneo e que por diferentes motivos depositaram seus votos no número 43. Não poderá conservar todos, dos progressistas verdes aos conservadores evangélicos. Um eleitorado como este é de praticamente impossível manutenção.

A melhor saída para Marina seria fazer uma opção e impor sua agenda. Precisaria fazer parte do governo e de governos estaduais para estruturar o partido de forma consistente, sob uma idéia central e sua liderança, tornando-se uma opção viável para 2014.

Entretanto, inebriada por uma votação circunstancial, tomou a decisão da neutralidade ou suposta independência, que passa longe dos estadistas que assumem os riscos de suas escolhas e a opção do bom combate de idéias.

sábado, outubro 16, 2010

Aécio entrou no jogo

Se Aécio parecia distante no primeiro turno, assim como em 2002 e 2006, na segunda etapa da eleição de 2010, resolveu arregaçar as mangas. Sua máquina de votos está trabalhando a todo o vapor para José Serra em Minas Gerais.

Aécio sentiu-se especialmente atingido pelos comentários de Lula, que buscava impor uma derrota ao grupo de Aécio em Minas. As intervenções de Lula pegaram muito mal e acabaram por incendiar uma mobilização pró-Serra.

O Senador eleito reuniu 450 prefeitos, vice-prefeitos e líderes municipais, além governador Antônio Anastasia e do senador eleito Itamar Franco. A mobilização pró-Serra tem tudo para espalhar-se pelo interior sob os auspícios do padrinho da candidatura Serra, Aécio Neves.

A movimentação tucana continua. Os verdes que apóiam Serra farão evento similar no Rio de Janeiro e Alckmin articula um mega evento com prefeitos em São Paulo. O PMDB gaúcho fechou com Serra.

Mas é possível que a motivação de Aécio vá além de mostrar mais uma vez sua musculatura política em Minas Gerais. Em um eventual governo Serra teria mais protagonismo que com Dilma no Planalto. Mira, no momento, na Presidência do Senado e depois vôos mais altos.

Por enquanto, mostra seu protagonismo em Minas. Até prefeitos de siglas aliadas a Lula e Dilma compareceram ao evento de Aécio. Se ele entregar uma vitória importante no seu estado, dará mais uma resposta a Lula, depois da humilhante derrota dos governistas por lá, e chegará a Brasília, se Serra sair vitorioso, como a senha da vitória. É uma aposta e tanto. Pelo andar dos acontecimentos, Minas pode decidir a eleição.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Crise Vermelha

O crescimento de José Serra nas pesquisas fez soar um sinal de alerta no PT. Até o momento o partido não conseguiu se recuperar do impacto de não vencer no primeiro turno. A festa estava pronta e teve que ser desmontada. Dilma, em especial, foi surpreendida, pois esperava vencer.

A mudança de tom no debate, com uma Dilma mais agressiva, foi resultado disso. Lula incentivou sua candidata a ser, digamos, mais incisiva. Não adiantou. As pesquisas captaram que ela não foi bem e continuou caindo. Palocci, Dutra e Santana parecem não se entender e agora nenhuma decisão é tomada sem o aval da candidata. Franklin Martins, pelo que ouve, enfureceu-se diante do empate técnico mostrado nas pesquisas. Lula foi recrutado para emprestar sua imagem uma vez mais para a candidata. O efeito pode ser o inverso do desejado. É preciso cautela.

A questão do aborto segue na pauta do dia da candidata. Agora fala-se em uma carta aberta onde estariam dispostas promessas em não descriminalizar o aborto e vetar, se eleita, o casamento entre homossexuais. Perguntada por uma repórter, durante visita ao Piauí, se era homossexual, Dilma preferiu não responder. Resta sabe se sua Carta causaria algum impacto, especialmente depois do assunto estar sedimentado na cabeça do eleitor.

Mas também vieram boas notícias, como o apoio do PP, em sua maioria, para a candidata petista (Minas e Rio Grande do Sul ficaram com Serra). Apesar de algumas dissidências, o partido sucessor da Arena, apoiará Dilma. Ela apenas escorregou quando agradeceu o apoio do "Partido Popular". O verdadeiro nome do PP é Partido Progressista.

O fato é que Dilma e o PT pareciam tão certos da vitória no primeiro turno, que não foi traçada uma estratégia para uma segunda etapa. Ambos sentiram o impacto de ter que disputar o segundo turno. Se os programas de TV de Serra fossem tão bons como os de Dilma, a eleição já poderia ter virado. Dilma está abatida e precisa sair-se muito bem no domingo para estancar a sangria em seus números. A pressão é vermelha.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Empate Técnico

Depois do susto no primeiro turno, os institutos de pesquisa devem ter mais cuidado para não errar tão feio. Todo cuidado é pouco. Assim, é com ceticismo que recebemos as primeiras sondagens relativas ao segundo turno, entretanto, ao avaliar as informações de todos, é possível tirar conclusões sobre o momento eleitoral.

A primeira sondagem divulgada foi o Datafolha: 48% para Dilma e 41% para Serra. O Vox cravou 48% a 40%, com vantagem para a petista. Depois veio o Ibope, que apontou, 49% a 43% também com vantagem para Dilma. Por fim veio o Sensus, mais recente de todos, 46,8% para a petista e 42,7% para o tucano.

Serra foi quem mais subiu, pois vem de números mais modestos que Dilma no primeiro turno. Mesmo assim, seu avanço impressiona. Se enxergarmos o movimento do eleitorado na evolução dessas pesquisas, vemos que um crescimento nítido de Serra e queda de Dilma. Isto é o mais importante para os tucanos, o que chamamos de momentum político. Ele carrega a onda do momento.

Se levarmos em conta os erros cometidos pelos institutos no primeiro turno, aliado ao fato da onda Serra, vemos que o movimento leva já para um empate técnico pró-tucanos. Serra virou a eleição no Sul, Norte e Centro-Oeste, enquanto Dilma lidera no Nordeste. No Sudeste, Serra parece estar virando, mas ainda considera-se em empate técnico.

Por essas razões tudo indica que haverá um segundo turno cercado de expectativa. Aécio parece ter arregaçado as mangas em Minas Gerais, com reais mobilizações e virada já em curso. Goiás, único reduto do cinturão do agronegócio que não foi para Serra, tende a virar com Marconi no segundo turno. Ou seja, se Serra aproveitar seu momentum, tem reais possibilidades de vencer a eleição.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Fator Marina

O apoio de Marina Silva tem sido muito disputado entre Dilma e Serra. Alguns acreditam que ela possa dar um impulso que decida as eleições. Outros se preocuparam em descobrir quem é o eleitor de Marina. Uma equação complexa, entretanto, possível de ser feita. Quando finalizada, contudo, chegar-se-á a conclusão de que por ser um eleitorado heterogêneo, dificilmente se movimentará em conjunto e tampouco sob os auspícios da candidata verde.

Grande parte do eleitorado de Marina pode voltar-se para Serra. Estes foram os eleitores que votaram em Geraldo Alckmin em 2006. Serão impulsionados por uma segunda parte, guiado pelos principais dirigentes do PV que já apoiam ou tendem a apoiar Serra, como Gabeira no Rio de Janeiro.

Existe uma outra parte que pertence a Marina e dela esperará uma posição. A ex-Ministra de Lula, que nasceu com o coração no PT, foi preterida no embate contra Dilma Rousseff. No passado, enquanto Marina deixava o governo, Dilma comemorava do outro lado da Esplanada. Resta saber o que falará mais alto.

Marina, mais do que tudo, precisa entender sua votação e perceber que acumulou um capital político interessante, entretanto, fruto do momento e da novidade. Subiu de patamar na política nacional, entretanto, para chegar ao topo precisa participar dela. Ela tende a não enxergar o cenário desta forma e não me surpreenderia nem um pouco se ela optasse pela neutralidade, preservando, supostamente, seu "capital político". Se agir assim, errará.

O melhor para o PV é negociar programaticamente sua adesão. Neste caso os tucanos sairiam na frente, uma vez que são parceiros dos verdes país afora em muitos governos. Se o coração de Marina ainda bater pelo PT, é possível que o PV venha a rachar no segundo turno. Isto apenas traria retrocessos em relação a agenda verde, que entrou na pauta com os 20 milhões de votos de sua candidata.

terça-feira, outubro 05, 2010

Crescimento de Serra

Marina saiu-se melhor do que os institutos apontavam. Dilma foi pior. José Serra, entretanto, superou expectativas. Explico. Todos trabalhavam com a possibilidade real de vitória de Dilma no primeiro turno. Vox Populi falava em 12 pontos de vantagem sobre a soma dos outros candidatos. O Sensus apontava 54,7% dos votos válidos para a petista, enquanto o Ibope cravou 55%. O Datafolha registrou 50%. Todos erraram para cima.

Dilma alcançou 46,91%. Serra chegou a 32,61%. Marina foi a 19,33%. Em 2002, Serra chegou a 23,19% e Lula a 46,44%. Garotinho e Ciro somaram 29,83%. Vemos que Serra evoluiu em percentual e Dilma manteve os números de Lula em 2002. Em 2006, com Alckmin no lugar de Serra, o tucano alcançou votação expressiva, 41,64%, enquanto Lula foi a 48,61% e Heloísa Helena e Cristóvam Buarque somaram 9,49%. Vemos que Alckmin canalizou no primeiro turno de 2006 muitos votos que em 2010 foram parar com Marina. Cabe aos tucanos, resgatá-los. Se Serra reencontrar esses votos, sua possibilidade de êxito aumenta consideravelmente.

Serra venceu em 2010 no Mato Grosso, Rondônia, Acre, Roraima, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Serra foi muito melhor que ele mesmo em 2002, mas perdeu terreno em relação aos estados vencidos por Alckmin em 2006.

Na região Norte, Serra saltou de 22,7% em 2002 para 34,8 em 2010. No Nordeste, outro aumento, de 19,8% para 24,6%. No Sudeste aumentou de 22,7% para 32,2%. No cinturão do agronegócio, no Centro-Oeste, subiu de 26,2% para 37,5%. No Sul, em 2002 obteve 28,5% e em 2010 chegou a 43,3%. Em 2010, portanto, Serra venceu apenas no Sul, praticamente empatou no Centro-Oeste, mas precisa recuperar terreno no Sudeste e Nordeste. No Norte, chegou perto da concorrente.

O PSDB venceu muito bem em São Paulo e Minas Gerais. A vitória no Paraná também foi significativa. A possível vitória de Serra passa primeiro por dentro do PSDB, onde Alckmin, Richa e principalmente Aécio devem ter posições de destaque.

Serra mostou que pode vencer a eleição, mas para isso não pode errar. O PSDB precisa marchar unido e incorporar integralmente o programa de Marina para tê-la como aliada. Fora desse espectro, a vitória escapará.

As Derrotas de Lula

Lula acumulou vitórias nesta eleição, mas também colheu derrotas. A principal foi certamente Dilma. A priori não foi uma derrota, mas considerando a expectativa de vitória no primeiro turno, certamente, aliado ao viés de baixa de sua candidatura nas últimas semanas, deixou no ar um sentimento de fracasso.

No Senado, Lula travou sua guerra particular, como comentei aqui, mas sua coligação sofreu baixas. Netinho de Paula, por exemplo, já era festejado como eleito. Contrariando as pesquisas, o tucano Aloysio Nunes Ferreira cravou o primeiro lugar, seguido de Marta Suplicy.

Minas Gerais foi um golpe duro. Aécio Neves impôs uma forte derrota ao PT, que naufragou coligado a Hélio Costa. Patrus Ananias e Fernando Pimentel não terão cargo eletivo e se Aécio resolver arregaçar as mangas por Serra, Dilma pode perder votos importantes no segundo turno. A força mostrada por Aécio em Minas foi surpreendente.

A decepção também rondou o Distrito Federal, onde Lula esperava a vitória de Agnelo. Ele terá que enfrentar um segundo turno.

Ao fim e ao cabo, o governo assistiu a mais vitórias do que derrotas, aumentou sua bancada, no caso específico do PT, e conseguiu desarticular muitos nomes da oposição. Mas todas as vitórias terão um sabor amargo para Lula se ele não conseguir eleger Dilma como sucessora. Para isso, precisa deixar para trás os graves erros do final da campanha, onde a arrogância andou de mãos dadas com o segundo turno.

segunda-feira, outubro 04, 2010

As Vitórias de Lula

Dilma não venceu como Lula esperava. Para chegar ao Planalto precisará ainda de um segundo turno. A festa organizada em Brasília para comemorar a dupla vitória, de sua candidata e de Agnelo para o governo do Distrito Federal, foi cancelada. Agnelo tropeçou e enfrentará também um segundo turno.

Mas Lula obteve vitórias. Participou de uma cruzada pessoal para derrotar alguns políticos que fizeram oposição mais contundente ao seu governo. Obteve vitórias, portanto, de caráter simplesmente pessoal, que em nada fazem bem a democracia, pois independentemente da visão política, existem parlamentares que na construção do debate, são importantes para o Parlamento.

A lista de Lula era longa. Tasso Jereissati foi a primeira vítima. Presidente Nacional do PSDB, não alcançou a reeleição para o Senado. Ficarão fora do Senado também Heráclito Fortes, do DEM, e Mão Santa, do PSC, ambos da oposição. Lula disse que deseja "extirpar" o DEM da política. Empenhou-se nisso. Além de Heráclito no Piauí, em Pernambuco, Lula derrotou Marco Maciel, do DEM, que foi vice de FHC. Maciel não voltará ao Senado. O mesmo ocorre com Efraim Morais, do DEM da Paraíba. No Rio de Janeiro, César Maia, do mesmo DEM, perdeu o Senado. O mesmo aconteceu com o tucano Gustavo Fruet, que por pouco não conseguiu a vaga, perdendo para Requião. Lula ainda se empenhou para atrapalhar a vida de Heloísa Helena em Alagoas. Conseguiu. Ela não voltará como Senadora para Brasília. A coroação das vitórias de Lula foi dada pela derrota do tucano Arthur Virgílio, que perdeu sua cadeira no Senado pelo Amazonas.

Lula concentrou seu esforço no Senado, como já lembrei aqui. Derrotou muitos adversários que enxerga como inimigos pessoais. Obteve êxito. O PT pulará de 8 para 13 cadeiras. O parceiro PMDB vai de 17 para 19. O PSDB cai de 16 para 11 e o DEM despenca de 13 para 7. Dos 54 senadores eleitos ontem, 43 são de partidos que integram a atual base governista.

O registro da derrota de Lula em sua estratégia é José Agripino Maia, um dos mais ferrenhos críticos de seu governo. O Planalto se empenhou na sua derrota, mas não conseguiu. Maia, de quebra, ainda ajudou a eleger uma Governadora do DEM, Rosalba Ciarlini.

Lula não colheu somente vitórias, existiram derrotas amargas, que ainda comentarei aqui, mas sua estratégia em atingir ditos inimigos pontuais e pessoais foi vencedora. Ganha Lula, perde a pluralidade e o debate democrático, mas a vontade do povo foi soberana.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Anti-Debate

Quem assistiu ao debate da TV Globo esperando alguma reação de José Serra, ou pelo menos algum movimento que pudesse levar Marina Silva ao segundo turno, ficou decepcionado.

José Serra seguiu a orientação de González, que coordena o marketing da campanha. Preferiu evitar o embate e seguiu na estratégia de mostrar e consolidar sua figura na cabeça do eleitor no longo prazo. As urnas dirão se estava correto.

Marina teve sua grande oportunidade de transformar o movimento ascendente em seu favor em uma verdadeira onda que virasse o segundo lugar e levasse a eleição para um segundo turno. Perdeu esta oportunidade.

Assim, o debate foi fraco e devagar. Dilma aproveitou a folga dada pelos adversários para consolidar sua imagem de sucessora de Lula e nem seu principal deslize foi explorado, quando disse que "todas as doações oficiais estão registradas". Caberia a pergunta que ficou no imaginário de todos, sobre possíveis doações "não oficiais", ou seja estariam estas registradas? A oposição preferiu se fazer de surda e muda continuou.

Dizem que não houve "bala de prata" que salvasse a oposição. Discordo. Se a situação fez muito para perder, a oposição fez menos ainda para ganhar. O arsenal de balas de prata desperdiçados nesta campanha chega a impressionar.

Considerando a postura dos candidatos e a reação morna da oposição, inclusive sem o impulso esperado de Marina, o pleito corre sem alterações. Existe chance de um segundo turno, mas o debate da Globo diminuiu muito esta possibilidade. Na ausência de adversários, Dilma foi a grande beneficiada. O vencedor, se houve, foi William Bonner.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Quadro Nacional

As pesquisas, nesta reta final de campanha, tendem a uma acomodação. Vemos também viradas de última hora em alguns Estados. Tudo isso tende a tornar os resultados das eleições de domingo impressionantes em alguns lugares. Surpresas tendem a aparecer.

A tendência é Alckmin vencer em S. Paulo ainda no primeiro turno. Sua vantagem tende a se manter. A virada em Minas Gerais também é uma tendência consolidada e Anastasia pode vencer no primeiro turno. Se em São Paulo os dois senadores devem ser da coligação governista, em Minas, ambos devem vir da oposição. Ainda nas Minas Gerais, Aécio deve submeter o petismo a uma dolorosa derrota, deixando Patrus Ananais e Fernando Pimentel sem cargo eletivo.

Alagoas aparece no rol do imprevisível. Os três candidatos, Collor, Lessa e Teotônio Villela podem chegar ao segundo turno. Ali, Lula se esforça para derrotar Heloísa Helena na corrida ao Senado. Para tanto se aliou a Renan Calheiros e Benedito de Lira, que podem se eleger.

Os tucanos, além de São Paulo e Minas Gerais, devem vencer em Goiás já no primeiro turno e agora também no Tocantins, com Siqueira Campos virando o jogo e assumindo a ponta. No Pará, Simão Jatene pode confirmar também uma importante vitória. Beto Richa era uma aposta certa no Paraná, mas tudo indica que será uma disputa acirrada com Osmar Dias.

Ainda no terreno da oposição, o DEM pode levar Santa Catarina, talvez em segundo turno, e o Rio Grande do Norte, uma vitória importante de José Agripino Maia, que renovará seu mandato para o Senado.

O PT não deve fazer muitos governadores, já que optou por focar nas vagas para o Senado, onde deve obter forte êxito. Ainda assim pode levar no primeiro turno dois estados importantes, além do Distrito Federal: Rio Grande do Sul e Bahia. Tende a vencer também em Sergipe.

No mais, parceiros do PT devem fazer governadores, como o PSB, no Ceará, Espírito Santo e Pernambuco e com o PMDB, uns mais próximos, outros nem tanto.

terça-feira, setembro 28, 2010

Refluxo para Dilma

As pesquisam mostram que Dilma caiu de forma consistente, ou seja, em várias classes sociais e regiões. Chegou ao limite da vantagem para vencer no primeiro turno. Também fica claro que Marina cresce, também de forma consistente.

Será difícil para Marina chegar ao segundo turno. Sua chance está apenas na possibilidade de um movimento ascendente que retire, além dos votos da parte conservadora que apóia Dilma, como os evangélicos, votos também de José Serra. Uma espécie de voto útil que lhe catapulte para um segundo turno. Casos assim foram vistos no Rio Grande do Sul, que levou Rigotto ao segundo turno em 2002 e Yeda para a segunda etapa de 2006. Ambos venceram no segundo turno. Rigotto levou votos de Britto e Yeda do próprio Rigotto.

A onda, ou ainda uma espécie de marolinha, está a serviço de Marina. Vem na hora certa, mas com pouca intensidade. Precisa se alinhar com consistência até o dia da eleição. Para isso, o debate na Rede Globo será fundamental. Mas vejam, muitos prefeitos e líderes nacionais do PMDB "marinaram" e a candidata do PT evita o confronto com a candidata do PV. A cautela na campanha petista, depois de já estar discutindo cargos em um futuro governo, é lembrada a todo o momento.

Entretanto, a tendência é de segundo turno, pois Dilma desce de forma consistente e como disse aqui, em face de uma série de fatores, para vencer no domingo, ela precisa chegar com uma vantagem confortável, pois seu eleitorado tende a se atrapalhar com a urna eletrônica e precisa levar dois documentos para votar. A tendência, por mais que alguns institutos possam apontar em sentido contrário, é clara de um segundo turno. A pergunta é se Marina terá fôlego para transformar os votos de Serra em votos úteis a seu favor. Se mostrar que pode vencer Dilma, terá chances.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Risco para Dilma

A queda de Dilma na pesquisa Datafolha ainda precisa ser confirmada por outros institutos, como o Ibope, que deve divulgar seus números ainda hoje, entretanto, fez soar um alarme no front do PT.

A diferença caiu de 12 para 7 pontos de vantagem. É certo que Dilma ainda ganharia no primeiro turno, mas existem muitas variáveis que precisam ser consideradas quando se especula a possibilidade de um segundo turno. Para evitar uma segunda votação, Dilma precisa estar com uma vantagem confortável nas pesquisas. Explico.

Apesar de 58% dos eleitores de Dilma identificarem seu número com seu nome, existe um problema adicional, o acerto do voto na urna eletrônica. Esta é uma variável que precisa ser considerada e que certamente está na mente da coordenação de campanha.

Os eleitores de Serra e, principalmente Marina, são mais escolarizados e de renda mais alta, menos propensos a errar o voto na urna eletrônica. Em uma eleição em que é preciso digitar por último os números do candidato a Presidente, algum problema pode surgir e votos podem ser perdidos. Apenas vota-se para Presidente depois digitar os números para Deputado Estadual/Distrital, Deputado Federal, dois Senadores e Governador. É uma tarefa que pode parecer fácil, mas tende a ser difícil para muitos eleitores.

Assim, Dilma precisa chegar ao dia da eleição com uma boa margem de segurança. Por isso sua descida nas pesquisas preocupa. Por mais que não afete sua liderança, a perda de votos nas camadas mais escolarizadas (migrando para Marina) pode tirar votos importantes da candidata petista - votos que certamente não seriam perdidos na urna eletrônica.

Ainda é preciso considerar a questão da abstenção, que na eleição de 2006 foi amplamente favorável a Alckmin no primeiro turno. Ela é maior no Norte e Nordeste, onde Dilma é mais forte. No Norte, em 2006, a abstenção foi de 19%. No Nordeste, de 18%. No Sul ficou em 15% e no Sudeste em 16%.

Assim, se os números de Serra e, especialmente Marina, mostrarem reação, a chance de um segundo é real e possível. Para evitá-lo, Dilma precisa se mobilizar no Sul e nas camadas com maior escolaridade e renda - exatamente os nichos onde tem perdido votos.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Os Dias

Como se os tucanos já não tivessem problemas suficientes. Agora, aquele foi vice de Serra sem nunca ter sido, o tucano Álvaro Dias, declarou apoio ao irmão, Osmar, que disputa o governo do Paraná apoiado por Dilma e turbinado por Lula.

Álvaro Dias é um dos mais combativos senadores da oposição. Inclusive ouviu de Dilma, recentemente, que não aceita convite seu "nem para um cafezinho".

Do outro lado do palanque de Osmar Dias está Beto Richa, tucano como Álvaro. Dizem pelo Paraná que as últimas pesquisas, impedidas de serem divulgadas por decisão judicial, traziam já uma inversão de posição, com Osmar em primeiro e Beto logo atrás.

Osmar Dias perdeu a disputa pelo governo do Paraná em 2006 contra Roberto Requião, apoiado por Lula. Hoje, Lula apoia Osmar, que além de ter sido tucano entre 1996 e 2001, é irmão de Álvaro Dias, que por pouco não foi o vice de Serra nesta eleição. Para tornar tudo ainda mais inverossímil, o antigo adversário, Requião, agora concorre ao Senado pela chapa de Osmar.

Depois de dizer que "A campanha estadual abandonou a candidatura nacional (de Serra)", Álvaro Dias diz que tomou a decisão de não apoiar Beto Richa em respeito à memória de seus pais, e emendou: "tendo um irmão na disputa, meu voto para governador será para o Osmar".

A Onda

As eleições casadas, como as que temos este ano, acabam gerando o que chamamos na política de "efeito cascata", ou seja, o embalo que leva a candidatura mais forte a puxar votos para seus aliados.

É sem dúvida o caso de Dilma. Vemos que sua subida nas pesquisas gera um efeito cascata para os candidatos aos governos de estado apoiados pelo PT e também para o Senado. A escalada de Dilma foi benéfica de norte a sul para os candidatos petistas, como Tarso Genro no Rio Grande do Sul e Aloízio Mercadante em São Paulo, até outros como Roseana Sarney no Maranhão, filiada ao PMDB e Osmar Dias no Paraná, filiado ao PDT.

A onda segue para as candidaturas ao Senado, onde Lindberg Farias, do PT, apoiado pelo ex-tucano, atual Governador pelo PMDB, Sérgio Cabral, assume a ponta no Rio de Janeiro.

Este fenômeno desagua nas candidaturas proporcionais, para deputados federais e estudais. Tucanos e democratas vêem a possibilidade real de um brutal redução em sua bancada, perdendo um considerável número de parlamentares.

Isto ocorre, entre outras coisas, pelo fato de prefeitos e parlamentares locais desejarem estar ao lado do vencedor, para assim serem beneficiados com repasses mais robustos, tanto do governo federal, quanto dos governos estaduais. Apoiar aquele que vai vencer, rende dividendos futuros.

A melhor forma de reverter este quadro é uma reação de Serra, que seria já tardia para as eleições proporcionais, mas que poderia influenciar ainda as disputas pelo Senado e pelos governos estaduais.

De outro modo, a onda Dilma pode virar um tsunami petista e em caso de segundo turno, com Senadores e muitos Governadores, identificados com a candidatura oficial, eleitos já no primeiro turno, será muito difícil reverter a eleição presidencial em uma segunda etapa.

terça-feira, setembro 21, 2010

"Nem para um cafezinho"

A história mostra como o nível de tensão continua alto entre governo e aquilo que sobrou, pelo menos por enquanto, da oposição.

Convidada ao Senado para dar explicações sobre o Caso Erenice, por sugestão do senador tucano Álvaro Dias, Dilma respondeu: "Convite do Alvaro Dias eu não aceito nem pra cafezinho".

A resposta, que poderia ter sido outra, fornece uma idéia dos rumos que o País tomará a partir de janeiro de 2011. A oposição está sendo reduzida a pó pelas forças governistas e a preocupante ampla maioria idealizada por Lula para o Senado, cada vez toma formas mais definidas.

O tom de Dilma com o senador Álvaro Dias mostra que, em um eventual governo da candidata petista, as relações políticas tendem a não ter qualquer tom amistoso e isto será certamente ruim para os rumos da democracia no País.

Aliás, instado a controlar-se mais em suas declarações após os últimos incidentes, Lula, do alto de sua popularidade, avisou que não moderará seu ataques contra aquilo que ainda resta de oposição. Seu objetivo é, realmente, reduzí-la a pó.

Socialites do B

Percebemos que uma campanha vai bem quando os apoios começam a surgir de todos os lados. A escalada do PT rumo a hegemonia plena da política nacional tem movimentado diversos setores. Cientes dos rumos que o País toma e preocupados com seu próprio futuro, assim como de seus negócios, a high society brasileira curiosamente se descobre mais socialista (e vermelha) com o passar dos dias.

O mais novo expoente do petismo é Chella Safra, mulher do banqueiro Moise Safra. Em jantar de apoio a Marta Suplicy, disparou que mulher vota em mulher e declarou voto em Dilma. Aliás, os anfitriões do convescote eram Eleonora e Ivo Rosset, donos da Valisere.

Os Safra ainda foram representados pelo banqueiro Joseph Safra e sua esposa Vicky e classe ainda contou com a presença de Olavo Setúbal Jr., do Itaú-Unibanco. Ricardo Steinbruch, do grupo Vicunha, estava lá, além de Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, e Jack Terpins, das Lojas Marisa, entre outros.

O registro, feito na coluna de Mônica Bergamo, evidencia os rumos do País e deixa claro o resultado das eleições que se avizinham.

*A foto, que não foi realizada no evento, é da festa de 135 anos do Jockey Club de São Paulo, onde Dilma esteve presente com a alta sociedade paulistana.

sexta-feira, setembro 17, 2010

O Fim do DEM

Lula falou, do alto da sua popularidade e de um palanque, que quer extirpar o DEM da política nacional. A afirmação assusta a democracia, é verdade, assim como qualquer arroubo de flerte com idéias que cerceiam a liberdade. Rumamos para um governo praticamente sem oposição. Será o início da consolidação do projeto político, como afirmou José Dirceu. O DEM, de antigo protagonista, passará a partido nanico, em um processo digno de antropofagia.

O DEM, mesmo sem a mão pesada de Lula, caminha pouco a pouco para o cadafalso. Entretanto, ainda existem opções. Uma delas é a fusão com o PSDB, que diminuiria os partidos e não encontraria homogenidade. Se não seguir este caminho, perderá a condição de partido forte no Congresso Nacional que se avizinha, pois deve eleger menos do que 51 deputados. Os dois caminhos são sinuosos, para dizer o mínimo.

Faltou ao DEM um projeto político nacional e uma renovação nas bases. O partido tornou-se refém de uma segunda geração dos políticos que o fundaram, carregando em seus sobrenomes a missão de renovar a agremiação. Acontece que partidos políticos não são entidades hereditárias. Para seguir existindo com força, é necessário que seus quadros sejam renovados por nomes da base. Isto nunca ocorreu com o DEM. Colhe-se agora os resultados.

Um partido precisa estar perto das bases, onde surgem as lideranças. Um partido não se faz apenas de lideranças, mas de um ampla base, exatamente o que falta ao DEM. É necessário estar presente em Diretórios Acadêmicos, Associações de Moradores, Movimentos Empresariais. É preciso formar lideranças, possuir um forte instituto de formação, possuir uma oposição atuante, que ocupe espaços. É preciso realizar mobilizações regionais das bases semanalmente. É preciso sempre lançar candidatos formados e afinados com as idéias do partido. Aí está a base.

Na Espanha, trabalhei com José María Aznar, que juntando os retalhos dos pequenos partidos da direita espanhola, fez surgir um partido novo, calcado na estratégia que mencionei acima. É preciso, para o projeto de uma força política, três coisas, ele sempre me disse: Um Partido, Uma Idéia e Um Líder. Com base nisso, ele formou o Partido Popular e mudou a face da política espanhola.

Cabe ao DEM encontrar seu líder, alguém que leve a refundação do partido e talvez uma fusão com outros menores. Investir na base, em idéias claras e atuar como uma oposição combativa e leal. O trabalho é longo e difícil, mas possível.

Se nada for feito, o DEM caminha mesmo a extinção, sem precisar da ajuda de Lula. A provável derrota de seus barões nas eleições deste ano evidenciam a crise pela qual o partido passa. Se o DEM não encontrar um líder que tome as rédeas do partido, caminhará para o cadafalso.

quarta-feira, setembro 15, 2010

No Bolso

Como se um escândalo não fosse o bastante, veio outro, desta vez gestado no coração do governo, nas mãos de Erenice Guerra, indicada por Dilma para comandar a Casa Civil.

O que mudará este fato na eleição presidencial? Verdadeiramente nada. Dilma seguirá na frente e Serra continuará ladeira abaixo, como vemos. Os parcos votos que Dilma perde seguem para Marina. O candidato do PSDB, mesmo sendo vítima, não conseguiu fazer sua campanha sentir sequer um impacto positivo com todo o episódio.

Na verdade, nenhum dos fatos apresentados geram impacto negativo para Dilma por razões simples. Lula colocou em marcha um governo calcado na distribuição de renda para todas as classes sociais, seja via concursos públicos, investimentos estatais, bolsas auxílio e polpudos subsídios. Desta forma, não há como perder a eleição. Quase todas as famílias brasileiras recebem sua fatia de recursos do governo. Ninguém quer perder a sua. Para que mudar?

Esta política já existiu no passado. A alta intervenção do governo na economia e a farta distribuição de bondades e investimentos estatais geram distorções econômicas no longo prazo. A penosa década de 80 foi o preço que uma geração inteira pagou pela política econômica similar a de Lula, implantada no governo Geisel.

Mas quem pensa no longo prazo? Quem pensa nos possíveis retrocessos e riscos democráticos que uma anestesia inconsciente coletiva pode trazer? O País caminha para uma espécie de planificação mascarada, um socialismo moreno, na definição deixada por Leonel Brizola? Talvez, é bem provável. Mas quem se importa com isso? O importante é passar em um concurso e garantir a aposentadoria.

Como todos se beneficiam, poucos questionam, talvez só os 4,9% que desaprovam o governo Lula, ou seja, os que estão fora da festa. Mas um dia a festa acaba e todos terão que pagar a conta. Até lá, nenhum escândalo terá repercussão. Todos estão devidamente guardados no bolso. Não há porque questionar quando se participa da farra.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Os Números do Desgaste

Começam a surgir os primeiros números com o impacto das violações de sigilo fiscal que tinham como alvo o PSDB. Pode-se perceber pelo tracking de alguns institutos que a candidatura de Dilma sentiu o desgaste, descendo para 44%. Resta saber se ela reagirá ou se pode descer ainda mais.

Para evitar um desgaste maior, uma verdadeira operação de guerra foi deflagrada, desde insinuações por meio de Dilma, desmentidos do governo e desqualificação dos adversários. A ausência de punição dos verdadeiros mentores da operação parece ser a única certeza.

Lula, na estratégia de reação, foi para a TV e acusou os adversários tucanos. Estes, até o momento tem apresentado uma reação pífia, desproporcional ao tamanho do escândalo. Considerando isto e a eficiência da máquina governamental em criar versões diferentes, vemos que Dilma tem tudo para segurar sua queda.

Mesmo que Dilma mantenha os 44%, Serra ainda precisaria subir. O tucano não conseguiu criar um momento político favorável. Peças publicitárias fracas foram ao ar. Nada de impacto, nada que comova o eleitor e mexa com os brios e emoção. Ao invés de compor com Marina, tentando evitar a vitória de Dilma, Serra sofre ataques até do PV. A vítima virou vilão e o jogo virou. A política precisa ser exercida de forma profissional. O jogo eleitoral presidencial é muito pesado para uma estratégia tão fraca. Talvez o tucano tenha perdido sua grande chance de levar a eleição para um segundo turno.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Francenildos

A quebra dos sigilos fiscais de membros do PSDB é, até o momento, o único fato relevante de uma eleição que não tem mobilizado os brasileiros. O caso se torna ainda mais grave quando vemos que outros tantos cidadãos, sabe-se lá por qual motivo, tiveram também seus sigilos fiscais violados da mesma forma que os tucanos.

O PSDB mais uma vez não acerta na estratégia eleitoral. Deveria, face a situação de Serra nas pesquisas, explorar o fato politicamente. Mobilizou-se juridicamente, entretanto, na esfera política, pouco foi mostrado em seu programa de TV, por exemplo. Enquanto isso, editoriais, como vimos n'O Globo, são contundentes em reprovar o que foi chamado pelo jornal de "a partidarização do Estado, uma das últimas escalas na degradação da democracia rumo a um regime policial, personalista, autocrático". Do outro lado, os tucanos, principais vítimas deste jogo sujo e baixo, pouco fazem.

Serra deveria trazer, por exemplo, Francenildo dos Santos Costa, maior símbolo da violação de sigilos constitucionais, a dar seu depoimento. A violação de sua conta ocorreu sob a batuta do homem forte da candidatura Dilma, Antônio Palocci. Assim como Francenildo, outros tantos brasileiros que também foram vítimas da violência exercida pela Receita Federal, de uma celebridade como Ana Maria Braga até cidadãos comuns, pessoas sem qualquer notoriedade, que poderiam dar seu depoimento.

Mas como também foi escrito por analistas políticos, o País parece tomado de uma letargia coletiva que o impede de refletir. Se somarmos a este fato a inoperância da oposição, chegaremos a conclusão que cedo ou tarde todos seremos Francenildos.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Quebras de Sigilo

As quebras de sigilo fiscal de membros graduados do PSDB é um daqueles absurdos com os quais a população brasileira já ficou habituada. É um escândalo, sem dúvida, mas como todos os mais recentes que vimos na história brasileira, tem tudo para dar em nada.

Quais as implicações para a campanha eleitoral? Praticamente nulas. O assunto não tem capacidade de penetração em parte do eleitorado e tende a revoltar outros tantos que já tem consolidada sua opinião, assim como não importa para aqueles que já decidiram votar na continuidade do governo atual.

É, por certo, muito ruim para o País. Escândalos como esse, assim como vários outros, deveriam servir de punição exemplar. Em países com uma maior tradição de continuidade democrática e instituições fortes, que situam-se acima daqueles que ocupam o governo, as chances de punição são muito maiores e acontecem. O resultado é, diante da certeza da punição, a ausência de novos delitos. No Brasil fizemos o caminho inverso, infelizmente.

Quebrar os sigilos fiscais de membros da família de um candidato, assim como de dirigentes partidários com o intuito de intimidá-los, constitui-se em uma daquelas práticas que afastam o interesse dos bons pela política. Infelizmente parece que estas são as práticas políticas atuais e comuns em um País que não assiste um escândalo dessa envergadura pela primeira vez. O pior de tudo é que atos como este não chocam, nem influenciam mais o voto da população. Mensalões, mensalinhos, aloprados e caseiros, só para citar os mais recentes, estão aí para nos lembrar.

A investigação não dará em nada e o impacto eleitoral será zero.

terça-feira, agosto 31, 2010

O Peso do PMDB

Os sinais de que Dilma pode vencer no primeiro turno fez soar um sinal de alerta no PMDB. Isto indica que a onda Lula foi realmente o diferencial que trouxe a candidata até aqui e joga o partido de seu vice para uma natural situação de desvantagem na montagem do governo.

Para o PMDB seria até interessante a realização de um segundo turno, quando Dilma tivesse que olhar com mais atenção para seus parceiros e o PT enxergasse a real necessidade de juntar-se ao partido de Temer de formal integral e coesa. Assim o PMDB poderia mostrar força e entregar resultados eleitorais para Dilma dependentes de sua própria militância e importância.

No caminho atual, o PMDB parte para um eventual governo Dilma com uma importância menor do que a desejada. Deverá disputar poder com outras agremiações governistas, como PSB, PDT, PP, PR, PRB, PC do B e outros tantos que pularam no barco de Dilma. Por certo o PMDB é o aliado mais importante, entretanto, converter esta situação em poder real na política é outra história.

Para concretizar seu objetivo, o PMDB deve caminhar coeso. Coincidentemente o partido nunca esteve tão unido e deve seguir assim se pretende dar as cartas em um governo Dilma. De outro modo, a fome dos aliados, somada a patrola petista, pode reservar ingratas surpresas para os pares de Michel Temer. Mas o PMDB sabe fazer política no Brasil, como poucos.