terça-feira, novembro 18, 2014

Tempestade Perfeita

Logo após o período eleitoral ter se encerrado no Brasil, diversos institutos analisaram os resultados aqui na capital americana. Procurava-se saber o impacto do pleito nos destinos do Brasil. Durante um destes debates perguntei a um dos analistas sobre os possíveis cenários para 2015, afinal, a economia patina, a inflação passa da..

 Leia a íntegra em: goo.gl/OSd2Qu

sábado, outubro 25, 2014

Chegou a Hora

Tudo começou nas manifestações de 2013. A população se espalhou pelas ruas das principais cidades do País. Não havia um foco definido. Não havia líderes. Apenas um sentimento de indignação despertado na alma de cada brasileiro. Naquele momento, muitos acreditavam que poderia estar nascendo um novo país, especialmente diante de um povo que parecia ter abandonado a..


Leia a íntegra em: http://goo.gl/5SWaeY

terça-feira, outubro 21, 2014

Sobre o Datafolha

Poucos analistas e jornalistas políticos no Brasil se arriscam a fazer previsões, mas são mestres na arte de apresentar explicações. No caso da pesquisa Datafolha, apesar de praticamente ninguém prever a inversão entre Aécio e Dilma, no dia seguinte sobram explicações. Geralmente estas pessoas olham os dados divulgados e apresentam justificativas infantis, como "a queda de Aécio no Sudeste está relacionada ao problema da água em São Paulo". Sinceramente, os movimentos eleitorais estão muito distantes desta explicação simples e banal.

Em uma eleição muito disputada como a que estamos vivendo, inequivocamente a metodologia adotada, horário de abordagem e um outro número enorme de fatores contribuem para oscilações. Portanto, enquanto o Sensus apresenta um resultado, Datafolha chega a outra conclusão e outro institutos, como Veritá ou até mesmo Ibope, também apresentam variações.

Pesquisas não são quadros definidos. Muito pelo contrário. Pesquisas indicam movimento. Logo, é preciso olhar uma série delas para conseguirmos entender por onde está caminhando o eleitorado. Logo, puxar os dados de uma sondagem e tentar explicar movimentos, para usar uma palavra que está na moda, chega a ser leviano. É preciso mais de uma pesquisa, mais de um instituto apontar com clareza uma mudança.

O que o Datafolha nos mostra é um começo de movimento, de acordo com a metodologia usada pelo instituto, não captada pelos concorrentes. Estes, por sua vez, entenderam a intensidade de movimentos do primeiro turno ignorados pela dupla Ibope-Datafolha. De qualquer forma, dizer que Aécio enfraqueceu no Sudeste ou Dilma cresceu entre as mulheres e buscar as explicações para isso tendo como base tão somente uma simples sondagem é fazer jornalismo político pouco sadio dentro de um processo eleitoral.

O fato é que essas oscilações, em uma dinâmica eleitoral tão embaralhada e disputada, é algo perfeitamente normal. Não me surpreenderia se o mesmo instituto mostrar nos dias finais da campanha os dois candidatos rigorosamente empatados - aí será ouvido que isto ocorreu porque Aécio, por exemplo, concentrou esforços no Sudeste nos últimos dias. Balela. As oscilações em uma eleição aguerrida como esta são movimentos naturais e o resultado das sondagens, lembro mais uma vez, dependem da metodologia e até do material gráfico apresentado aos entrevistados. São muitos detalhes.

Na minha opinião, Aécio lidera por uma pequena margem, muito pequena, algo que não chega a 2%. É muito pouco e fácil de ser revertido. Do outro lado a mesma coisa. Qualquer vantagem é passível também de reversão. Apesar de acreditar que as condições são mais favoráveis para Aécio - 70% dos eleitores desejam mudança, não significa que ele vencerá. A campanha negativa em cima da candidata que personificava a mudança e favorita na minha opinião, Marina Silva, foi tão intensa que a tirou do segundo turno. Esta artilharia hoje mira em Aécio. Por mais que personifique a mudança, há um processo brutal de desconstrução de sua imagem em curso. A definição desta eleição está dividida entre o desejo de mudança e o potencial de desconstrução de imagem do marketing. Marina não resistiu. Caberá a Aécio provar que a política é mais importante que a propaganda.

segunda-feira, outubro 20, 2014

Na Record, Aécio levou os indecisos

No primeiro embate entre Aécio e Dilma neste segundo turno, na Band, o tucano foi surpreendido pelo preparo da petista. No segundo encontro, nos estúdios do SBT, o PSDB já havia decifrado a estratégia vermelha. Armou-se e surpreendeu. Mostrou que também poderia colocar a faca entre os dentes. O PT se assustou. Depois de dois debates surpreendentes, veio o duelo na Record.

O estúdio da emissora paulista transmitiu um debate normal, que não entrou pela esfera dos ataques pessoais, mas isso não quer dizer que não tenha sido tenso. Foi e muito. As farpas começaram a ser trocadas nas primeiras perguntas e Dilma seguiu o script de sempre: demonizar os anos de Fernando Henrique e dizer que os dados de Aécio não batem com a realidade. Ela, entretanto, evitou a estratégia de tentar a inversão do debate, algo que conseguiu com sucesso na Band, mas que não alcançou resultado no SBT.

Os ataques cruéis dos petistas cessaram dentro dos estúdios da Record. Dilma deixou o trabalho sujo para os comerciais de televisão, enquanto no debate mudou o tom. Isto tem duas explicações: ou os grupos focais mostraram que não estavam funcionando ou os tucanos fizeram chegar aos ouvidos petistas o tamanho da lama que Aécio tinha nas mãos para revidar qualquer golpe baixo ali mesmo. O fato é que houve uma mudança de estratégia do lado vermelho, que desta vez usou branco.

Aécio fez seu jogo. Respondeu com parcimônia o que precisa ser contraposto e não precisou defender-se de acusações pessoais revidando com mais lama, como fez no SBT - onde expôs o telhado de vidro da petista quanto ao nepotismo: ela possui um irmão que recebe e não dá expediente na prefeitura de Belo Horizonte.

O resultado ficou expresso nos grupos focais com indecisos que assistiram o debate: 55% disseram que preferiram Aécio, 15% optaram por Dilma, enquanto 30% permaneceram indecisos. Portanto, no embate da Record o tucano abriu espaço no grupo mais importante: entre os indecisos.

Muitos queriam que Aécio jogasse mais pesado, partisse para cima de Dilma. Calma. Eleição não se ganha sendo afoito. É preciso calibragem e inteligência. Isto Aécio mostrou de sobra. Defendeu-se com classe, deixou claras as contradições do governo, acuou Dilma de forma certa (chegou a gaguejar novamente) e venceu o debate entre os indecisos sem humilhá-la. Ganhou por pontos. Mas na política, como no boxe, é possível ganhar uma luta por pontos, especialmente se estes forem angariados entre os indecisos.

sexta-feira, outubro 17, 2014

Dilma e o Nocaute

no·cau·te (inglês knockout) substantivo masculino
1. [Desporto] Golpe decisivo que põe o adversário fora de combate. 2. Estado de inconsciência. 3. Avaria ou perturbação grave de funcionamento. 4. Posto fora de combate. 5. Sem sentidos.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013.

Voltamos ao estado natural das coisas. Dilma pode ter inovado no primeiro debate, quando veio com a faca entre os dentes e surpreendeu Aécio, tomando o controle da discussão. Mas vemos que foi um ponto fora da curva. No debate de ontem no SBT, promovido pela emissora de Sílvio Santos, mais UOL e rádio Jovem Pan, o tucano assumiu o comando do derby logo no começo e impôs mais do que um massacre, mas uma espécie de vexame para a candidata vermelha, que trajava verde.

João Santana preparou muito bem Dilma mais uma vez. Com dezenas de papéis e intermináveis anotações, tinha mais uma vez o script do debate em sua cabeça. Logo na primeira resposta tentou usar o mesmo artifício aplicado no debate anterior, ou seja, sem responder a pergunta, imputou acusações em cima de Aécio, tentando inverter a pauta. Veio o revés. A tática, já esperada pela equipe de Aécio, foi neutralizada e Dilma saía atrás no primeiro round. Perdia por pontos.

Enquanto Dilma tratava de imputar acusações em cima do tucano, Aécio pedia que se elevasse o nível do debate e propunha sempre um novo tema a ser discutido. Não importava. Dilma voltava ainda mais feroz, abusando de um semelhante nervoso e arrogante, lembrando o comportamento de uma diretora de escola primária do passado portando uma palmatória. Neste momento, quando as acusações desceram ao nível pessoal, Aécio devolveu na mesma moeda: o irmão de Dilma é funcionário fantasma da Prefeitura de Belo Horizonte, contratado sem concurso pelo governador eleito Fernando Pimentel. Ela arrepiou. Sentiu o golpe. Conheceu as cordas.

Dentro do ringue, Dilma já devia estar meio zonza quando os temas versavam sobre programas, dados do governo e a realidade brasileira. Ali o tucano nadou de braçadas. Ela parecia perdida no interminável mar de papéis e anotações feitas pelo seu marqueteiro. Ao final, depois do vexame, ela não conseguia sequer terminar um raciocínio diante da repórter do SBT. Atropelada duas vezes pela falta de foco, abraçou a desculpa dada pela jornalista e alegou que sentiu-se mal. Deu-se o nocaute. Recuperada, já tinha gastado seu tempo e perdeu a paciência e a esportiva com a repórter.

A audiência, espectacular para o horário, foi de nove pontos. Quem assistiu foi um público que não está acordado para ver os debates noturnos. Foram as pessoas que dirigiam seu carro de volta para o trabalho ou aqueles que, em bares, rodoviárias e ônibus, conseguiram sintonizar a internet, rádio e televisão.

Os grupos focais, base das pesquisas qualitativas, que reúnem especialmente indecisos, trouxeram ótimas notícias para Aécio. Tanto os grupos organizados pelo PT, quanto pelo PSDB, mostraram larga vantagem para o tucano. O debate de ontem, visto pelos indecisos, tende a trazer votos para Aécio.

Hoje, distante do inferno que foram os estúdios do SBT para Dilma, os petistas já responderam com a estratégia esperada: a vitimização da candidata. Seguem atacando o tucano, acusando-o de impiedoso. Mas como já disse aqui, neste embate, Dilma literalmente beijou a lona. O boxe eleitoral não conhece vitória parcial. Dilma conheceu a dor do nocaute.

quinta-feira, outubro 16, 2014

Pugilismo Eleitoral

As pesquisas trazem um empate entre os dois candidatos, Aécio e Dilma. Parece que depois do fiasco do primeiro turno, Ibope e Datafolha combinaram de divulgar as pesquisas no mesmo dia e com o mesmo percentual. Na verdade estão se blindando, um com a ajuda do outro, de eventuais movimentos do eleitorado perto da votação, como ocorreu no primeiro turno, com a transferência avassaladora de votos carregados pela onda Aécio Neves.

Mas os trackings dos partidos e do mercado financeiro trazem números que podem no indicar com mais consistência o movimento do eleitorado. Se avaliarmos todos, veremos que Aécio se mantém na frente, com algo em torno de 2 milhões de votos ou com uma pequena margem, ali entre 1% a 2% do eleitorado. É muito pouco para afirmar que ele vencerá. Movimentos perto do grande dia do encontro do povo com as urnas, geralmente encontrados no Rio Grande do Sul, provam que o eleitorado gosta de aprontar surpresas de última hora.

Portando, abstenção, votos nulos e em branco podem ser um fator decisivo. Dependendo da geografia de sua distribuição podem ser os responsáveis por decidir o páreo do dia 26. Talvez o leitor se pergunte, vamos ver como foram estes números no primeiro turno! Atroz engano. As planilhas dos últimos pleitos nos mostram que, de um turno para o outro, estes percentuais variam sempre, nunca são iguais.

O petismo aposta na militância vermelha e, claro, na guerra suja de sempre. A mesma pancadaria que vitimou Marina no primeiro turno já está em curso no segundo contra Aécio. O tucano chegou a ser surpreendido pelo grau de preparo da adversária para o debate da Band. Controlou o Dilmês e seguiu dentro do roteiro traçado pelo mago João Santana. O tucano não conseguiu pautar o derby.

Aécio até o momento se manteve na defensiva. Não ataca, nem agride. Os manuais dizem que o candidato que está na frente não deve bater, ou seja, não deve tomar conhecimento do adversário. A campanha do PSDB, por enquanto, não toma conhecimento dos ataques petistas. Mas vale um alerta: o adversário é o PT e esta é uma campanha de segundo turno, de tiro curto, sem espaço para erros. Aqui, a campanha negativa e a rejeição imperam - a de Aécio já subiu. Se o PSDB não reagir no nível do PT, pode conhecer o cadafalso. Marina desceu do Olimpo e conheceu a lona com a mesma estratégia.

Os tucanos tem no debate seu grande trunfo. Datafolha e Ibope não captaram o resultado do ringue da Band, que teve enorme audiência. Hoje, o pugilismo político se encontra na casa de Sílvio Santos, o SBT. Os trackings de final de semana darão a tônica para o debate da Record, no domingo. Aí entramos na reta final. Última semana. Pancadaria será pouco. Enquanto isso, o Ibope não quer se incomodar. Não divulgará pesquisa de boca de urna.

quarta-feira, outubro 15, 2014

O Debate e a Guerra

Depois de pesquisas confusas, uma semana de exposição de Aécio, de um petismo que busca forças para reagir, chegamos finalmente ao grande primeiro debate entre os dois finalistas da eleição presidencial.

Aécio iniciou o embate com a faca entre os dentes e foi para cima de Dilma. Cravou a palavra mentirosa na testa dela inúmeras vezes, afinal de contas, o PT continua com a mesma estratégia de empilhar dados fantasiosos, mentiras e ver o que cola. Aécio soube se defender bem, mas aí começou o problema para o tucano. Quando este perguntava, Dilma se esquivava de responder e passava a desferir ataques. Para não deixar a mentira virar verdade, o tucano passou a dar explicações.

Com esta estratégia Dilma passou a virar o jogo, no sentido de que passou a pautar o debate, ou seja, colocando Aécio na defensiva passou a escolher os temas que gostaria de debater, ou melhor, onde queira atacá-lo. Ela tinha um roteiro pré-estabelecido pela assessoria e sabia muito bem a intensidade, o tempo e o local de cada golpe. Foram desferidos ataques sem fim. Verdades tortas, mentiras deslavadas, coroadas sempre pela fixação petista no ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Repito, Aécio se defendeu bem, muito bem. Entretanto, em meio a tantos golpes, acaba por deixar passar uma acusação ou outra. Na verdade, o tucano precisaria manter o ritmo do começo do debate e confrontar Dilma com ataques de igual ou maior intensidade, jogando-a nas cordas. Quando ela listou uma série de denúncias de casos de corrupção contra o PSDB, faltou a Aécio tomar as rédeas e dizer que se o assunto é corrupção, então o PT tem muito a ensinar, como nos casos do mensalão, dólares na cueca, máfia dos sanguessugas, escândalo dos aloprados, gastos dos cartões corporativos, uso dos correios na campanha, além é claro do atual petrolão. Citei esses de cabeça. A lista é interminável.

O petismo mostrou para Aécio que também pretende jogar pesado. Uma das perguntas de Dilma sobre um tema que parecia fora do contexto foi um recado claro para o tucano de que o nível da campanha pode descer abaixo da linha da cintura. A usina de mentiras está trabalhando e o petismo jogará o jogo que for preciso para arrancar esta vitória. O tucano entendeu o recado.

Enfim, esta é mais do que uma disputa eleitoral. Se formos analisar a capacidade de cada candidato, a foto que ilustra este artigo explica tudo. Se Aécio deseja vencer, precisa manter a faca entre os dentes, usar o telhado de vidro do petismo e partir para a ofensiva. Dilma e sua turma não entregarão os pontos com facilidade. Como ouvi de um assessor de Marina, "É guerra". Sim, meu caros, é guerra. E como já alertei aqui: tirem as crianças da sala.

terça-feira, outubro 14, 2014

Conta Gotas

Aécio largou melhor para o segundo turno. Isto é um fato. Costurou suas alianças de forma eficiente e objetiva. Na medida que foram fechadas foram anunciadas. O apoio mais esperado, de Marina Silva, veio por último, como que para coroar uma semana praticamente perfeita.

É assim que se faz política, ajustando-se o timing e pensando em cada movimento para manter o "momento" do candidato o maior tempo possível. No caso de Aécio, começou-se pelos apoios de Eduardo Jorge e Pastor Everaldo. Logo depois veio o apoio do PSB, mesmo diante da contrariedade de seu Presidente, Roberto Amaral. O partido decidiu marchar unido para a candidatura de Aécio.

Mas o ápice da semana foi já em seu final. Depois de ocupar o tempo e o espaço somente com apoios e boas notícias, veio a chancela formal da família de Eduardo Campos, que durante ato no Recife proferiu seu apoio ao tucano. Tudo indica que Eduardo e Aécio, muito próximos, já haviam costurado algum tipo de acordo para o segundo turno. A família honrou o desejo e a amizade de Campos com Aécio e sacramentou seu apoio diante da leitura de uma carta escrita pela viúva, Renata, e lida por seu filho. Junto, veio a fundamental chancela também do governador eleito de Pernambuco, detentor de 3 milhões votos, Paulo Câmara.

Para coroar uma semana perfeita, Marina resolver aderir. Diante de uma carta de Aécio que assume em parte os compromissos solicitados pela candidata, a líder da Rede da Sustentabilidade decidiu levar seu apoio para Aécio. Apesar de muitos chamarem o apoio de Marina de irrelevante, pois 2 em cada 3 de seus eleitores teriam ido para o tucano, sua chancela é o que importa, pois consolida votos que poderiam ainda talvez migrar para a outra candidatura.

Enfim, os apoios, em conta gotas, deixaram Aécio ocupar a mídia durante toda a semana de forma positiva, dominar o cenário e construir uma grande frente anti-PT. Se conseguir vender bem esta idéia em seus programas, tem grande chance de chegar lá.

segunda-feira, outubro 13, 2014

Pernambuco: Vital para Aécio

Se São Paulo levou Aécio para o segundo turno, tudo indica que Pernambuco pode ser o local onde o tucano pode carimbar seu passaporte para a vitória. A terra de Eduardo Campos é o segundo colégio eleitoral do Nordeste, somente perdendo para a Bahia em número de eleitores. Paulo Câmara, candidato de Campos, obteve assombrosos 3 milhões de votos no estado, enquanto Aécio Neves obteve somente 285.000. O potencial de crescimento é enorme.

Somente em Pernambuco, Aécio pode colher uma vitória maiúscula, que lhe dará fôlego no Nordeste. A conta é simples. Aécio deve vencer no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, entretanto, o problema para os tucanos é sempre no eixo Norte-Nordeste, onde Lula e Dilma venceram com facilidade suas eleições. Na verdade, a diferença que vem do Sul em prol do tucano precisa ser grande para compensar a vitória avassaladora que o petismo consegue em seus bolsões no Nordeste. Não tem sido assim até esta eleição. Notem bem: até esta eleição.

Neste pleito, com o impulso de Eduardo Campos, Marina chegou a espantosos 2 milhões e 300 mil votos em Pernambuco. Dilma obteve 2 milhões e 100 mil. Aécio ficou fora do jogo com seus 285.000. Portanto, o apoio da família de Eduardo Campos, Marina e especialmente do governador eleito Paulo Câmara podem fazer os votos de Aécio serem multiplicados por 10 e chegarem no mesmo patamar que Marina, talvez até ultrapassando esta marca.

Equilibrar Pernambuco e até vencer por uma pequena margem no Estado, pode dar fôlego para o tucano usar sua "sobra" de votos de São Paulo e do Centro-Oeste para compensar as derrotas que devem vir da Bahia e Ceará, onde o PT pode abrir de 3,5 a 4 milhões de votos de dianteira. Paulo Câmara, hoje, é um dos mais importantes cabos eleitorais desta eleição presidencial. Um dos homens que podem ajudar o tucano a vencer. Pernambuco pode ser a salvação de Aécio no Nordeste.

domingo, outubro 12, 2014

A Governabilidade Trocou de Lado

Conversando aqui em Washington sobre os rumos da campanha com um grande amigo, economista Silvério Zebral, com que trabalhei em diversos processos eleitorais, surgiu um comentário espetacular. Ele cunhou a seguinte frase que retrata a mudança de rumo da eleição: "A governabilidade mudou de lado".

De fato, poucas coisas explicam tão bem os rumos da política nacional quanto o barômetro do PMDB. Conseguimos enxergar o rumo dos acontecimentos simplesmente prestando atenção nos caminhos que o "partido da governabilidade" toma a cada episódio eleitoral.

Na última semana, a bancada do PMDB na Câmara fez sua opção por Aécio Neves. Mas o partido estava rachado: 59% havia decidido por Dilma na convenção. "Ali ficou claro que o partido estava liberado" segundo o deputado Eduardo Cunha, líder da agremiação na Casa,

Além do mais, o PMDB da Câmara sabe quem é Aécio Neves. O tucano presidiu a Casa depois de vencer uma eleição dada como perdida por muitos pares. Aécio soube articular muito bem sua candidatura e naquele momento nasceu para a política nacional, tornando-se um tucano importante.

O PMDB da Câmara não gosta de Dilma, pois ela detesta negociar com políticos. Se reeleita, o embate com o provável próximo Presidente da Câmara, o próprio Eduardo Cunha (desafeto de Dilma) será intenso. Com Aécio, o PMDB sabe onde estará pisando, já que o tucano, antes de governar Minas e ir para o Senado, passou longa temporada pelos tapetes verdes da Casa.

O PMDB aponta para Aécio, afinal os ventos da governabilidade sopram cada vez mais fortes para o lado tucano.


segunda-feira, setembro 29, 2014

Candidatos miram classe C e maiores colégios eleitorais

Bela matéria do jornal "O Tempo", de Minas Gerais, sobre as estratégias finais de cada candidato na campanha presidencial.

Fui entrevistado para matéria ao lado do cientista político Antonio Lavareda e dos coordenadores de campanha do PT, Walfrido Mares Guia, de Marina Silva, Walter Feldman, e de Aécio Neves, José Agripino Maia.

Texto da competente jornalista especialista em política Denise Motta.

Link: http://goo.gl/KhJFw4

Socialista se aproxima dos EUA

Matéria do jornal mineiro "O Tempo" sobre a visita de Maurício Rands, coordenador da campanha de Marina Silva, em Washington.

Concedi entrevista depois do evento para jornalista Denise Motta, que gentilmente citou meu nome no texto.

Os Desafios de Aécio

Aécio Neves se preparou durante muito tempo para esta campanha. Ele sabia, desde que chegou ao Senado, no início do governo Dilma, que seu nome estava muito bem posicionado para ser o candidato do PSDB. Depois de Serra e Alckmin, Aécio surgia naturalmente na fila como o nome tucano para disputar a Presidência. Começada a campanha, o script estava definido: polarizaria levemente com..

Link: http://goo.gl/I3Soo4

Dilma e o Mago

Dilma Rousseff carrega um grande peso nestas eleições que atende pelo nome de rejeição. Os números daqueles que dizem não votar na Presidente preocupam, especialmente quando flertam com um índice perto de 40%, um nível que inviabiliza qualquer chance de vitória no segundo turno. Se de um lado a rejeição assusta, do outro existe a aguerrida militância petista que..

Link: http://goo.gl/MDDkKY

Se Não Errar, Vai Vencer

As pesquisas deixaram muito claro aquilo que havia explicado neste espaço. Marina tem seu patamar na casa dos 30%. Dilma, assim como qualquer candidato petista, também varia neste nível. Aécio segue na busca dos seus 30%. Chegou ontem a..

Link: http://goo.gl/IXM46s


quarta-feira, setembro 17, 2014

A resistência dos números de Marina

Marina continua a sofrer a pancadaria dos adversários. A munição, por menor que seja, está sendo despejada de forma impiedosa na candidata do PSB. As escoriações começam a aparecer, mas surpreende a..

Link: http://www.brasilpost.com.br/marcio-coimbra/a-resistencia-dos-numeros-de-marina_b_5804372.html

quarta-feira, agosto 27, 2014

"Eleiçōes Pós-Campos"

Desde a trágica perda de Eduardo Campos passei a divulgar algumas análises do cenário eleitoral. Minha ideia neste texto é compilar um pouco de tudo que aconteceu até aqui e os traçar análises sobre o que virá a partir de agora.

 Desde o princípio não duvidei que Marina aceitasse o...

Link: http://goo.gl/vAuxwI

"A campanha começa hoje"


Na nossa cobertura do Brasil Post / The Huffington Post Brasil sobre o trágico acidente que vitimou Eduardo Campos, coube a mim a parte de análise política. 
Eduardo fará muita falta.
Para Marina Silva uma grande oportunidade está sendo desenhada.
"A campanha começa hoje"

Link: http://goo.gl/5VK1PV

domingo, junho 29, 2014

As Lições do Iraque

Obama está diante de uma situação delicada. Diante de fracassos estratégicos no Iraque, o país se tornou novamente uma peça sensível no tabuleiro de forças do Oriente Médio. Os fatos são claros. A intervenção que retirou Saddam Hussein do poder acabou levando os xiitas ao comando do país, mudando a balança de forças que até então governava Bagdá. Com a eleição do atual Primeiro-Ministro, Nouri al-Malaki em 2006, saiu a minoria sunita e chegou a maioria xiita.

A estratégia dos Estados Unidos era retirar suas forças do Iraque aos..

Leia na íntegra: http://goo.gl/GRa1xj

segunda-feira, junho 23, 2014

Yes, os americanos gostam de futebol!

Muitos acreditam que os americanos não gostam de futebol. Em época de Copa do Mundo o tema sempre volta ao debate. Afinal, o país que chama o futebol de soccer poderia mesmo estar em um processo de assimilação do esporte bretão aprimorado e eternizado pelo Brasil?

Se analisarmos os números, veremos que..

Leia na íntegra em: http://goo.gl/AJFle2

sábado, junho 07, 2014

A Copa da sucessão

Os americanos podem ainda não ter um dos melhores times de futebol do mundo, mas Washington está de olho no que acontece no Brasil e os desdobramentos que a Copa do Mundo pode trazer tanto nos aspectos econômicos, quanto na esfera política. Por aqui nos reunimos no Wilson Center esta semana para tratar da recente pesquisa divulgada pela Pew Research Center sobre nosso país. Os resultados são interessantes e balizam muito do entendimento que a América tem sobre o Brasil nestes dias que antecedem o Mundial.

 A tabulação dos dados é nacional, portanto não é..

Leia na íntegra em.. http://goo.gl/NELnsM

Terremoto político na Europa

O recado dado pelos eleitores europeus foi claro. Existe uma desilusão crescente com a classe política que se espalha por todo o continente. O primeiro sintoma é o descaso com as urnas. Somente em Portugal, 66% dos eleitores simplesmente não apareceram para votar. Em segundo lugar, existe uma rejeição dos políticos e partidos tradicionais, como na Itália, que levou o MV5 a ter 20% dos votos. A terceira trincheira de resistência foi cravada com o crescimento dos partidos nacionalistas e isolacionalistas, como o Frente Nacional na França e o UKIP no Reino Unido, ambos vencedores em seus países.

Somados todos os fatores, a Europa sabe que..

Leia na íntegra em http://goo.gl/6fOTNi

A Saída de Joaquim

Joaquim Barbosa se despede do Supremo. Poderia ter deixado sua toga antes e ter sido candidato presidencial este ano. Decidiu não seguir este caminho. Seu ato deixa duas consequências imediatas e desgostosas para aqueles que inflaram sua popularidade. Ele entregou nas mãos de Dilma a decisão sobre quem será seu substituto e encaminha a Presidência da corte antecipadamente para seu desafeto Ricardo Lewandowski.

 Apesar de Barbosa ter sido um dos brasileiros que optou por..

 Leia na íntegra em http://goo.gl/bqxXKH

O Movimento Conservador

A política cria situações interessantes. Estamos vendo no Brasil o crescimento de um movimento de viés conservador nos últimos anos. Isto não quer dizer que o País esteja se descobrindo conservador. Pelo contrário, na minha opinião somos uma nação onde estes traços estão bem definidos, o que explica, em certa medida a cautela e o ritmo com que são feitas mudanças no cenário político. Conservadorismo nada tem a ver com intolerância ou radicalismo. Só defende isso quem desconhece o assunto. Para situar-se deveriam ser apresentados aos livros de Edmund Burke ou Russell Kirk.

Mas vamos adiante. O renascimento de um movimento consistente conservador no Brasil de hoje está diretamente associado a fadiga de material apresentada...

Leia na íntegra em http://goo.gl/qOKigF

quinta-feira, maio 15, 2014

Monica e Hillary

Quando todos esperavam que o assunto já tivesse entrado para a história, eis que Monica Lewinsky reaparece. Ela foi um dos assuntos mais comentados da semana passada aqui nos Estados Unidos e todos os analistas se prepararam para avaliar os possíveis impactos de seu texto para Vanity Fair na eventual tentativa de Hillary Clinton chegar ao posto já ocupado por seu marido em Washington. 

Muitos dizem que o timing foi perfeito, ou seja, este..

 Leia na íntegra em http://goo.gl/UaFeqG

O Centro e a Política

Um dos maiores problemas enfrentados pela política norte-americana atualmente é o fosso que separa republicanos e democratas. Com uma agenda sequestrada pelas alas mais radicais em ambos os lados, a antiga convergência, inclusive para uma agenda mínima, entre os dois partidos, praticamente sumiu. Os movimentos vão além. Qualquer moderação ou construção de ponte de entendimento entre os lados passou a ser considerada uma traição pelos seus pares. Isto contaminou a política partidária de tal forma que hoje o país está com a agenda paralisada e quem sai perdendo é a sociedade norte-americana.

O debate político é salutar, mas os radicalismos somente geram desgastes desnecessários que atrasam a agenda legislativa. O Brasil infelizmente foi..

 Leia o restante em http://goo.gl/HM20oc

Lula Vem Aí?


Apesar de muitos acreditarem no oposto, o Brasil não é um país de arroubos populistas. Nossa história mostra que aqueles líderes que adotaram esta postura geralmente não alcançaram os objetivos que traçaram, de José Américo de Almeida, passando por Jânio Quadros, Carlos Lacerda e Fernando Collor. Nossa democracia e instituições são profícuas em limitar o populismo no Brasil. Mas isto não impediu Getúlio Vargas de implementar o Estado Novo e suas primeiras políticas sociais, tornando-se um líder de massas. Surgia o queremismo e sua volta foi uma questão de tempo.

 O exercício da política democrática é a arte da acomodação de forças e implementação de uma agenda, um traço raro naqueles que optam pelo populismo, que..

 Leia o restante em goo.gl/KoKqxj

Tuítes de Obama, Discursos de Lincoln e os Filmes de Eisenhower

Os tuítes de Obama são muito populares. Com milhares de seguidores, o Presidente americano consegue enviar sua mensagem para pessoas no mundo inteiro. Assim como ele, muitos daqueles que ocuparam a Casa Branca fizeram uso dos mecanismos da época para se comunicar e também se informar sobre o que acontece no mundo. A influência que a cultura exerce sobre os moradores da Avenida Pennsylvania 1600 é peça fundamental para o exercício da política.

Reagan foi um mestre na comunicação pela televisão, assim como Kennedy, que usou esta mídia para vencer as eleições em um debate contra um Nixon que..

Leia o restante em http://huff.to/1iVAlCO

quinta-feira, abril 24, 2014

Jeb Bush Vem Aí

Depois de muitos movimentos e especulações, tudo parece ficar mais claro. Jeb Bush deve sair pré-candidato presidencial. Ele assumiu o fato de que tem pensado na disputa pela primeira vez em Nova York nesta semana. Na verdade, este era um anúncio esperado. Seus últimos movimentos deixaram isto muito claro, desde sua passagem por Las Vegas, na importante reunião da comunidade judaica de republicanos e consolidada pelos contatos e visitas políticas aos governadores do partido.

As pesquisas indicam de saída que Bush teria o mesmo patamar de intenções de voto de Chris Christie. Ambos teriam 42% contra Hillary Clinton, que chega neste momento a 50%. Os números gerais, ainda muito distantes, colocam Christie em uma posição mais favorável, uma vez que seu grau de desconhecimento é maior e portanto possui uma possibilidade de crescimento ainda grande. Bush também pode crescer, mas menos do que Christie.

Dentro do partido, entretanto, Bush tem uma posição mais confortável, uma vez que conhece os caminhos trilhados pela família para chegar a Washington. Mas Christie tem duas vantagens. Uma delas é que corre por fora na indicação do partido como o único moderado e a outra é que dirige a associação de governadores republicanos, o que lhe dá exposição e recursos para viajar pelos Estados Unidos.

Bush concorreria com um grupo mais conservador de republicanos, como Scott Walker, Ted Cruz, Rick Perry, Paul Ryan e Rick Santorum. Tem condições de vencer se adotar a estratégia correta. Marco Rubio teria que abandonar a disputa, pois ambos tem base na Flórida. No Texas, Rick Perry e Ted Cruz não devem dividir as primárias, diminuindo o número de candidatos. Neste cenário, está ente os três mais populares, com intenções entre 11% e 13%.

O fato é que Jeb desequilibra a campanha presidencial interna e gera um fato novo para as eleições gerais. Ele é capaz de vencer as primárias e mobilizar a base. Mais do que isso, diante de sua proximidade com a governadora do Novo México, já pode ter em mente inclusive sua companheira de chapa. Jeb Bush-Susana Martinez seria uma dupla muito competitiva e certamente esta idéia causa calafrios no estado-maior da candidatura de Hillary.

quarta-feira, abril 16, 2014

A Questão Marina

A candidatura está construída e divulgada. Marina Silva irá acompanhar Eduardo Campos na disputa presidencial. Tudo indica que realmente aceitou a vice e seguirá ao lado do líder do PSB. Digo isso porque as pesquisas mostram outra coisa. Marina segue firme em um consolidado segundo lugar forçando um segundo turno entre ela e Dilma. Quando o nome é Eduardo, a chapa despenca para um distante terceiro lugar, uma vez que, como vice, ela transfere apenas 35% do seu patrimônio eleitoral.

Apesar disso, Eduardo mostra-se confiante. Acredita que pode diminuir esta distância com o passar do tempo e a divulgação da chapa. Mais do que isso, será uma campanha em dupla. A estratégia do PSB é trabalhar com os dois juntos em todo material. Isto tende a colar a imagem de Marina na de Eduardo e aumentar a taxa de transferência de votos, hoje muito baixa. Se a estratégia funcionar, quem ficará em situação desconfortável será Aécio Neves.

Mas a entrada de Marina ainda não gerou o efeito desejado. Se de um lado não ajuda, do outro pode inclusive atrapalhar. Até a entrada dela na candidatura, Eduardo mostra-se como uma terceira-via, um político que enxergava o tabuleiro político com sabedoria e sabia mover-se com inteligência entre situação e oposição. Mantinha o eleitorado de esquerda, aproximava-se de setores mais conservadores, inclusive do agronegócio, e partia do Nordeste, com a chance de varrer os votos da região gerando problemas para o PT. Flertava com o PDT, PTB e inclusive o DEM para a formação da chapa. Com Marina ao seu lado, muita coisa muda.

Sua chegada, de saída, jogou o agronegócio para fora da campanha de Eduardo, jogando-o no colo do adversário Aécio Neves. Além disso, a maior qualidade do político do PSB, sua capacidade de articulação, trânsito e desembaraço com as alianças, pode ser podado pela chegada da postura purista de Marina. Caso ela continue a transferir apenas 35% do seu eleitorado, sua entrada pode ter gerado mais fraquezas que fortalezas para a campanha de Eduardo Campos.

Somente o tempo dirá se a aposta valeu a pena. Mas Eduardo sabe que a chegada de Marina mexeu nas estruturas de sua estratégia. O mantra repetido por Marina, que é melhor perder vencendo do que vencer perdendo, certamente não se aplica para o ex-Governador de Pernambuco, um político pragmático, mas que pode perder seu encanto tornando-se refém de Marina e suas convicções.

quarta-feira, abril 09, 2014

A Volta de Scott Brown

Quando Scott Brown foi eleito para a cadeira de Ted Kennedy em 2010, muitos republicanos se entusiasmaram, afinal ele era o primeiro membro do partido eleito senador desde 1972 em um estado dominado pelos democratas, Massachusetts. A alegria não durou muito. Logo depois, em 2012, enfrentou uma difícil reeleição e foi abatido pela democrata Elizabeth Warren, que inclusive possui sonhos presidenciais. Mas o fato foi que Scott Brown, fora do Senado desde 2013, começou a enxergar novas alternativas.

A mais clara estava ao seu lado, no estado de New Hampshire. Ainda no último ano escutei de alguns republicanos que Brown estava de mudança para o estado vizinho a fim de viabilizar sua candidatura ao Senado por lá. Este não é um fato comum na política americana, onde os políticos geralmente desenvolvem por anos um contato intenso com sua base eleitoral. Mas Brown pensou diferente e rumou para Rye, onde sua família agora tem residência.

O que se pergunta agora é se ele será aceito pelos eleitores do novo estado. Para isso ele alega que possui laços antigos com New Hampshire, ou seja, que seus pais se conheceram por lá e que passava suas férias desde criança na costa do estado. Mas será isso suficiente? O fato de que praticamente um em cada quatro moradores de New Hampshire tem origem em Massachusetts pode ajudá-lo, mas existe um outro fator que pode fazer diferença: comparado com o estado vizinho, tradicionalmente democrata, a nova casa de Brown conta com um maior contingente de eleitores republicanos e independentes.

Mas o caminho de Brown não será fácil. Ele enfrentará Jeanne Shaheen, um peso pesado dos democratas. Ela atualmente ocupa o assento em disputa este ano e traz no currículo a experiência de ter sido Governadora e ter trabalhado em três campanhas presidenciais. Suas credenciais como uma grande estrategista, contudo, não assustam os republicanos. Talvez o que mais assuste seja o desejo de Elizabeth Warren, que derrotou Brown em Massachusetts em 2012, em evitar que seu adversário volte para Washington. Warren está disposta a colocar seu exército de doadores de campanha em favor de Shaheen.

Mas os republicanos estão prontos para a briga. Brown já movimenta sua máquina de doadores conservadores de Massachusetts dispostos a desequilibrar a eleição em New Hampshire. O GOP também está focado em ajudar Brown, uma vez que sua vitória pode ajudar a virar a maioria no Senado. O campo de batalha agora é em New Hampshire.

terça-feira, abril 08, 2014

Duas Ucrânias

Começam os primeiros sinais de revolta na parte leste da Ucrânia. Os movimentos iniciais são similares aos ocorridos na Crimea e aquilo que escrevi algumas semanas atrás pode estar se concretizando pouco a pouco. Uma guerra civil, aquilo que deveria ser mais temido pelo Ocidente, está sendo gestada desde a queda de Yanukovych, o que pode encaminhar a cisão do país em dois territórios.

A Ucrânia é uma porção de terra dividida por um rio, o Dniper. Do lado oeste temos uma região de colonização e influência ocidentais, de países como a Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, de predominância cristã, que deseja se aproximar da Europa. Do lado leste, uma região que foi o berço da cultura russa, que possui, em decorrência disso, maior identidade com Moscou e predominância religiosa ortodoxa.

Diante disso, desde a independência da União Soviética, a alternância de governos nacionais ucranianos sempre agradou um dos lados e desagradou o outro, chegando ao ápice com a Revolução Laranja de 2004 e agora com os protestos que apearam Yanukovych do poder. Desta vez, os desdobramentos foram além de Kiev, chegando a Crimea e agora a parte oriental do país.

A Crimea foi apenas o primeiro episódio. Vivemos agora o segundo capítulo. Diante de um governo pró-Ocidente, que se instalou em Kiev após a queda de Yanukovych, o lado oriental começou sua própria revolta, pedindo auxílio dos russos. Do outro lado da fronteira, Putin, depois de ter anexado a Crimea, sente-se pronto para atender aos pedidos de ajuda com uma tropa de 40.000 homens, assim como fez em Simferopol. Os principais pontos de revolta contra Kiev dentro da Ucrânia estão perto da fronteira com a Rússia, em Donetsk e Luhansk, mas já chegam também ao centro, em Kharkiv.

As forças de defesa ucranianas não conseguirão fazer frente aos russos, que tendem a começar uma ocupação similar ao que foi realizado na Crimea. A única chance de Kiev resistir ao lento avanço russo, seria contar com apoio militar do Ocidente. Caso isso não ocorra, diante de uma guerra civil, veremos surgir a possibilidade de um acordo para partilha da Ucrânia. O que hoje parece inverossímil, diante dos vacilos do Ocidente, poderá tornar-se a única saída, com a Rússia levando metade do território.

segunda-feira, abril 07, 2014

Joaquim fora da disputa

O fato político mais importante do ano, até o momento, ocorreu na semana passada. Chegado o prazo para deixar o Supremo e concorrer nas eleições presidenciais, Joaquim Barbosa preferiu manter-se no cargo de ministro. Apesar do Presidente do STF ter dito que não deixaria sua posição para se candidatar, por vezes emitiu sinais dúbios, e o mais indicado seria esperar pelo fato.

As manifestações do último ano deixaram claro uma coisa: o eleitorado busca algo novo. Dois nomes despontaram nas pesquisas: Marina Silva e Joaquim Barbosa. Ambos foram os grandes beneficiados pela sucessão de protestos que tomou conta das ruas do Brasil. O Presidente do Supremo decidiu tirar seu time de campo e apostar em uma eventual candidatura em quatro anos. Se possui aspirações políticas, cometeu um erro. Vencer um pleito presidencial passa pelo momento e Joaquim estava vivendo o seu. Dificilmente chegará ao Planalto depois deste ano.

Se de um lado Joaquim perde o timing perfeito para buscar a cadeira de Presidente, do outro, sabemos que ele enfrentaria uma campanha dura. Os ataques já haviam começado e diante do temperamento de Joaquim, talvez sua falta de malícia em lidar com a política, sua maior fortaleza, poderia se transformar em sua maior fraqueza em uma campanha. Lembramos bem de como Ciro Gomes empinava em 2002 quando seu temperamento fez desmoronar sua candidatura em poucas semanas.

O eleitorado busca um Joaquim Barbosa. Na falta de sua apresentação para o jogo, procurará outro nome. Marina Silva na condição de vice, não consegue transferir votos para Eduardo Campos, que segue com a mesma rejeição de Aécio e Dilma. Existe um espaço para o novo. Existem dois nomes apontados pelas pesquisas, Joaquim e Marina, mas nenhum deles aparece como candidato neste ano.

Na falta de um nome novo, a tendência é de reeleição de Dilma, mesmo com as pesquisas evidenciando uma certa fraqueza momentânea. A política esperou por Joaquim até o último minuto, mas o ministro que preferiu a toga e adiou sua eventual entrada no ringue, pode ter desperdiçado sua maior, e até mesmo única, oportunidade de chegar ao Planalto.

terça-feira, abril 01, 2014

Jeb em Vegas

A coalizão judaica se reuniu no Nevada na última semana. Como escrevi em minha coluna no Diário do Poder da última semana, este é um evento fundamental para os pré-candidatos que possuem pretensões presidenciais. Dali surgem doações expressivas de campanha que podem reordenar os rumos dos pretendentes. Este ano, a coalizão resolver ouvir Chris Christie, o republicano mais bem posicionado nas pesquisas, mas também deixou a porta aberta para outros nomes.

A reunião foi fechada e segundo os comentários que circulam pelo mundo da política, Christie saiu-se bem, entretanto, o grupo ainda encontra-se cético em relação aos desdobramentos da crise política que se abateu sobre New Jersey diante do fechamento deliberado de faixas da ponte mais movimentada dos Estados Unidos. Os doadores gostaram de Christie, mas ainda precisam enxergar que o Governador saiu ileso deste episódio.

O orador mais esperado foi Jeb Bush, que falou na abertura. Segundo as informações dos bastidores, ele foi aquele que mais empolgou. Seria a melhor alternativa para os que estavam na reunião. Bush, entretanto, ainda não assumiu se deseja concorrer. Sou da opinião de que ele sairá candidato. Sua movimentação explícita em eventos de apoio a outros nomes do partido para as eleições deste ano e sua passagem por muitos estados evidenciam que algo está no ar. Somente por ter participado do encontro em Las Vagas, vemos seu interesse em concorrer.

Bush, portanto, seria o preferido. A coalizão, entretanto, deixou a porta aberta para outros nomes, caso o preferido não siga em frente em suas pretensões presidenciais. Christie segue sendo uma opção, mas precisa provar que venceu a crise. Diante deste quadro surgiram dois nomes: Scott Walker, presente no encontro, e Marco Rubio, que já deixou claro que deve entrar na disputa.

O fato é que o nome de Bush surgiu com muita força. Sua família tem as conexões necessárias para alavancar sua candidatura e o círculo mais importante de doadores deu seu aval. Resta ao ex-Governador da Flórida decidir. Se concorrer, larga com força dentro do partido.

sexta-feira, março 28, 2014

Rússia e Obama

A Rússia mexe com o brio dos americanos. Certamente ainda um resquício da Guerra Fria. Mas como lembrou Mitt Romney, durante a campanha de 2012, Moscou ainda representa uma ameaça aos Estados Unidos no tabuleiro geopolítico. Ridicularizado por Obama, perdeu a eleição, mas provou-se certo, enquanto o Presidente reeleito mostrou-se equivocado. A questão da Ucrânia e Crimeia veio justamente provar este fato.

Diante disso, muitos americanos se perguntam qual o real interesse de seu país no Leste Europeu. Ron Paul, porta-voz do movimento libertário, é contrário a qualquer tipo de ajuda ou intervenção, afinal, em sua concepção, o Ocidente ajudou a derrubar um governo...

Texto completo no Brasil Post: huff.to/1g3XYTZ

quarta-feira, março 26, 2014

A Batalha de Boehner

John Boehner, republicano que dirige a Câmara, já sentiu que sua liderança é contestada dentro do partido. Nos corredores do Capitólio escuto os deputados falarem abertamente sobre sua substituição depois das eleições legislativas deste ano. O adversário até já se apresentou. Eric Cantor é considerada aposta certa para o lugar mais importante do Congresso.

Os motivos para Boehner estar sendo rifado por seus pares é simples. Muitos não gostam de seu posicionamento mais pragmático e negociador. Apesar de muitas vezes ser inflexível, quando necessário ele sabe ceder pelo bem do país, afinal existe um limite razoável para tudo, entretanto, muitos dos seus colegas não concordam com isso, buscam um posicionamento mais assertivo e agressivo em relação aos democratas.

A liderança na Câmara é o cargo mais importante do Congresso, uma vez que o Senado é presidido pelo Vice-Presidente dos Estados Unidos e por lá acaba mandando quem tem maioria na Casa. Na Câmara é diferente, existem as lideranças, mas existe a presidência. Hoje, Boehner responde pelo comando da Casa, mas o líder dos republicanos é Cantor, que almeja o cargo do colega.

Os republicanos manterão o comando na Câmara, isto é um fato. A dúvida ainda é sobre a possível virada no Senado, fundamental para asfaltar o caminho dos republicanos de volta ao Salão Oval. Se o Senado também cair nas mãos dos republicanos, o controle da agenda legislativa ficará totalmente nas mãos do GOP e Obama terá dois anos para fazer as malas, pois perderá o controle político de Washington.

Portanto, os dois anos que estão por vir tendem a ser de enorme projeção para aquele que dirigir a Câmara e Cantor sabe disso. Os grupos mais conservadores já negociam parte da agenda do partido sem consultar Boehner, mais um sintoma de que existe uma rebelião em seu partido. Diantes de tantas manobras e movimentos internos, ele precisará de muita habilidade para manter seu cargo.

terça-feira, março 25, 2014

O Fator Rand Paul

Se os democratas olharem com atenção para Rand Paul, eles enxergam um adversário que pode assustar. O Senador republicano por Kentucky carrega uma conexão com a juventude e um discurso cheio de idealismo que lembra um Barack Obama no começo de seu percurso. Mas ao contrário do Presidente, Rand Paul carrega na herança genética as características de um libertário. Esta autenticidade tem levado principalmente um público jovem a se aliar ao seu desafio de chegar ao Salão Oval. 

Rand Paul tem um discurso que agride os ouvidos de muitos democratas e também de alguns republicanos mais conservadores, mas que empolga setores democratas e republicanos. É o tipo do candidato que se afasta dos extremos de ambos os partidos, mas consegue unir eleitores que convergem para o centro, além de trazer uma imagem interessante.

Ele ataca ferozmente a política de espionagem e o crescimento do aparato de vigilância do Estado, um processo iniciado na presidência de Bush e aprofundado de forma intensa durante os anos de Obama. Este posicionamento o afasta dos republicanos mais conservadores e dos democratas interventores, mas o aproxima de um movimento que vem se consolidando na medida que Obama se desgasta perante a opinião pública. 

Rand Paul pode ser a grande sensação desta eleição presidencial, mas também pode ficar de lado, sem apoio dentro do próprio partido para vencer as primárias, mesmo sendo uma estrela do Tea Party. Para isso, ele acredita na criação de uma onda, similar a estratégia de Obama em 2007 e 2008, ou seja, um movimento que neste caso pode ultrapassar as barreiras do seu partido e torná-lo viável. Um candidato republicano que se movimenta com naturalidade entre eleitores democratas é uma grande vantagem, mas Paul corre um risco: não conseguir tirar os conservadores de casa para votar. 

De uma forma ou de outra, pela primeira vez o movimento libertário encontra uma voz com liderança suficiente para desequilibrar a eleição. Mais do que um mensageiro, como seu Pai, Rand Paul pode ser o portador da mudança. Não exatamente aquela prometida por Obama, mas que seu eleitorado adoraria apoiar.

sexta-feira, março 21, 2014

Diplomacia Errática

A nova estratégia de Obama na guerra de nervos contra a Putin foi no sentido de atingir financeiramente Moscou com congelamento de ativos financeiros e estabelecimento de sanções. O Presidente americano acredita que, em sua concepção, como funcionou com os iranianos e isto os trouxe de volta para negociação, o mesmo pode acontecer com os russos.

Tudo isso chega a soar ingênuo, primeiro porque há sérias dúvidas se a estratégia realmente funcionou com o Irã. Diversos especialistas em política externa divergem de Obama e dizem que na verdade seu governo deu mais fôlego ao regime dos aiatolás. Mas ele acredita piamente que entrou pelo caminho certo e abriu canais de negociações importantes que podem evitar que os iranianos cheguem ao enriquecimento de material nuclear para a construção de uma bomba.

Além disso, é bom lembrar que a Rússia não é o Irã e mesmo que o Presidente estivesse tomando o caminho correto com os aiatolás, nada garante que a mesma estratégia funcionaria com Moscou. O russos possuem outra cultura e outra forma de pensar. É preciso haver diferentes mecanismos para lidar com nações de culturas e valores diversos. A falta de entendimento desta premissa por alguns líderes deveria preocupar a comunidade internacional.

A Rússia acredita que historicamente a Crimeia faz parte de seu território, assim como a porção da Ucrânia que chega até Kiev. É preciso estudar a história russa para abrir canais e mecanismos que possam ser efetivos. O raciocínio de Putin nada tem a ver com a Guerra Fria, mas com os valores culturais da grande Rússia da época dos czares. O vício em tratar a questão com olhos focados no passado recente não ajuda a desenhar mecanismos efetivos de contenção.

Resta aos americanos e europeus, antes de continuar por estratégias erráticas, entender o que realmente deseja a Rússia e assim antecipar seus próximos passos, afinal, como dizia o Embaixador Roberto Campos, "a diplomacia é a arte de ver antes, não necessariamente de ver mais, e nunca ver demais".

quarta-feira, março 19, 2014

Líbia: 3 anos depois

Hoje completam-se três anos da operação militar na Líbia que derrubou Kadafi. A decisão do Conselho de Segurança seguiu-se por pressão da Primavera Árabe, que se espalhava pela região em 2011, e havia chegado na Líbia, depois de passar pela Tunísia e Egito e seguir para outros países. Excluindo-se a Tunísia, os resultados das revoltas populares contra os ditadores da região não foram dos mais animadores. No aniversário do ataque a Trípoli, é momento de avaliação.

Já ouvi opiniões contrárias e a favor das ações das potências ocidentais. O objetivo das nações que atacaram o regime líbio era a derrubada de Kadafi. Mas assim como estava sendo feito na Síria, não havia uma alternativa clara de poder. A deposição levou a um conflito interno entre as diversas tribos que dividem o país e o controlam regionalmente. A produção de petróleo despencou e as perdas humanas foram e ainda são significativas.

Aqueles que defendiam evitar o ataque ao país africano enxergavam nuances claras de uma retomada do país pelo regime de Kadafi em pouco tempo. Durante a revolta, o governo de Trípoli nunca perdeu o controle da maioria do país e soube revidar, avançando e retomando cidades tomadas pelos rebeldes. Neste momento, as nações ocidentais resolveram entrar em cena e desequilibraram o jogo em favor dos opositores do regime.

As Nações Unidas, Estados Unidos, França e Otan argumentaram que um avanço militar era necessário, pois estariam se desenhando as condições para Kadafi encurralar os opositores e vingar-se de cada um deles, iniciando um banho de sangue para controlar novamente as fronteiras e todas as cidades líbias. Diante deste sinal, as nações ocidentais resolveram se mover. Sob abstenção da Rússia e China e comandadas pela Otan, as forças aliadas acabaram com o regime líbio.

Mas o que se viu depois foi a falta de uma liderança interna que pudesse dar equilíbrio ao país. Pensar em democracia em um país como a Líbia, nos dias de hoje, não passa de um sonho, para não dizer um delírio. Sem instituições e líderes nacionais fortes, os país virou um amontado de tribos que comandam diferentes cidades. Sem Kadafi, a Líbia tornou-se um local muito mais perigoso e instável - inclusive para o Ocidente.  

Kadafi estava longe de ser um santo, muito pelo contrário, tinha um histórico brutal de crimes e muito terrorismo, mas nos últimos anos vinha tentando mudar sua imagem, tornando-se um interlocutor com a nações da região, além de manter os extremistas líbios sobre controle. Considerando-se a realpolitik já é hora das nações ocidentais se perguntarem se todo os esforço realmente valeu a pena.

terça-feira, março 18, 2014

Open Race

Se você já ouvir falar de Bill Haslam, Bob Corker, Joe Scarborough e Mike Pence, seu conhecimento sobre política americana é exemplar. Todos são figuras do partido republicano e todos consideram entrar na corrida presidencial. O primeiro atende pelo governo do Tennessee, o segundo pelo Senado do mesmo estado, o terceiro foi deputado pela Florida e o último é o Governador de Indiana.

A presença de figuras pouco conhecidas na arena política nacional prova que não existe um claro favorito nas primárias republicanas. O quarteto se juntaria a Marco Rubio, Chris Christie, Ted Cruz, Rand Paul, Rick Perry, Paul Ryan, Rick Santorum e talvez Scott Walker e Jeb Bush, todos pesos pesados do partido.

As primárias são batalhas sucessivas e demoradas. Quem já passou por esta maratona entende o que estou falando. Não é uma corrida de velocidade, mas de resistência. Os oponentes vão caindo um a um, pouco a pouco e o menor erro pode fazer com sua própria candidatura naufrague. Manter o momento político vivo na medida que passam os meses é talvez a tarefa mais difícil.

Assim, os políticos do Tennessee, Flórida e Indiana, citados acima, possuem poucas chances, mas uma grande vitrine para subir um patamar na política nacional, consolidando seus nomes regionalmente. Se a tendência se confirmar, a primeira primária, em Iowa, reunirá um número recorde de candidatos.

Depois de Iowa, teremos Carolina do Sul, New Hampshire, até o processo embalar e os primeiros, vencidos pelo cansaço, falta de votos ou recursos financeiros jogarem a toalha. Os primeiros números são muito importantes, pois podem fazer os candidatos ganhar momento político, o que os impulsiona a levantar mais fundos e seguir a campanha.

Embolar as primárias de saída, com um sem número de candidatos, pode confundir o eleitor e deixar o partido sem favoritos, o que somente fortaleceria os democratas. Mas a disputa está aberta e as eleições deste ano devem indicar alguns nomes de destaque e outros que devem sair de cena.

segunda-feira, março 17, 2014

Obama e Ucrânia

A popularidade em baixa não é a única preocupação de Obama. Enquanto os problemas se acumulam, a confiança no Presidente também despenca. Os democratas, contaminados pela situação, podem perder o controle do Senado e a Câmara tende a ficar nas mãos dos republicanos. A política externa, que por vezes ajuda a salvar a imagem interna desgastada de um Presidente, também não ajuda Obama.

Repito o que já escrevi aqui. Obama tem conduzido a situação na Ucrânia da maneira certa para os Estados Unidos. Tem se mantido prudentemente distante e agido em conjunto com os europeus. O país intensificou sua agenda diplomática e tem usado os canais certos. Ao contrário do que muitos desejam, não despachará tropas para Crimeia ou qualquer outra parte da Ucrânia se não for em consenso com os europeus. Mesmo que tenha que fazê-lo, enfrentará enorme oposição interna.

Mas o posicionamento cuidadoso de Obama tem um custo. Os números mostram que os próprios americanos enxergam seu Presidente como um líder fraco a vacilante. Para ser mais exato, 55%. Do outro lado, os mesmo americanos vêem Vladimir Putin como um líder forte. Para ser mais exato 77%. Claramente Obama aparece em desvantagem, mas também colhe nestes números boa parte da impopularidade que vem semeando nos últimos meses.

O momento é de cautela. As medidas tomadas contra Rússia até o momento foram econômicas e políticas. As novas lideranças ucranianas foram recebidas em Bruxelas e Washington. O FMI movimentou suas engrenagens em favor de Kiev. Dentro da burocracia internacional, criada após a Segunda Guerra, existem inúmeros mecanismos que podem ser manejados. A utilização de força militar sendo o último deles.

Neste final de semana, a Crimeia falou pelas urnas que deseja ingressar na Rússia. Qualquer movimento via Conselho de Segurança será barrado pelo veto russo, como vimos. A China preferiu a abstenção. O Ocidente batalhará pela Crimeia, mas na verdade, aquele território é caso perdido. A suposta ênfase em defesa daquela parte da Ucrânia, apenas serve de escudo para a defesa da parte que realmente interessa: a porção oriental, altamente industrializada e base da economia do país. Ali é próximo foco russo. Ali é o verdadeiro foco de resistência do Ocidente.

Mas enquanto o tabuleiro da política internacional move-se no longo prazo, o da popularidade é movimentado no curto. Aí está o dilema de Obama.

quinta-feira, março 13, 2014

Presidente Radioativo

Estive no Congresso e ouvi de parlamentares democratas que a luta pelo Senado será difícil. Isto tem um significado amplo. Se realmente acontecer, os dois últimos anos de Obama na Casa Branca serão melancólicos em termos de iniciativa política, algo que começa a asfaltar a estrada para uma vitória de sonhos dos republicanos em 2016, vencendo as duas casas e levando a Presidência.

Tive acesso a pesquisas dos democratas em estados importantes para a batalha pelo Senado e em todos a popularidade de Obama está afetando de sobremaneira as chances de sua bancada. Vejamos o Arkansas, por exemplo. Ali Obama amarga uma desaprovação de 65%, o que afeta as chances do senador Mark Pryor ser reeleito. No Colorado onde o senador Mark Udall busca a reeleição, a situação também é preocupante. O Presidente tem apenas 44% de aprovação e 52% de desaprovação. Para piorar a situação, os republicanos vem com o competitivo deputado Cory Gardner, que deixará seu assento na Câmara para buscar a vaga de Udall no Senado.

A situação se repete na Louisiana, comandada pelo conservador Bobby Jindal. Ali Obama amarga 56% de desaprovação, o que deve varrer a senadora Mary Landrieu do mapa. Na Carolina do Norte não é diferente e Kay Hagan deve perder para Thom Tillis. No estado, mais de 50% desaprovam Obama. A impopularidade do Presidente é algo tão radioativo neste momento que o partido prefere que Michelle Obama, com índices muito melhores que o marido, seja escalada para levantar fundos e fazer campanha pelos democratas.

O leque se amplia. Montana e West Virginia também estão na lista tendem a virar para os republicanos, além do Alaska, sob os cuidados especiais de Sarah Palin. Resta saber como os republicanos irão lidar com esta maioria. Será preciso muita coordenação para que os embates internos não prejudiquem o partido. Sabemos, por exemplo, que o líder atual, Mitch McConnell está na lista de Palin, que deseja substituí-lo por um senador mais conservador. Ele enfrentará as urnas no Kentucky. Na Câmara, Eric Cantor deve tomar o Presidência de John Boehner. As disputas internas estão acirradas, mas se os republicanos souberem se posicionar, terão todos os instrumentos para tentar alcançar a Casa Branca em 2016.

quarta-feira, março 12, 2014

Duelo Republicano

Os dois são pesos pesados do partido republicano. Rand Paul, senador pelo Kentucky, e Ted Cruz, senador pelo Texas. Os dois estão no seu primeiro mandato no Senado e ambos foram eleitos com o apoio do Tea Party. Os dois ensaiam o óbvio, ou seja, irão tentar a indicação do partido para disputar a Presidência. Mas as semelhanças param por aí.

O estilo de trabalho e de fazer política é diferente. Rand Paul é mais discreto, sabe agir nos bastidores com mais desenvoltura e joga no longo prazo. Entende os mecanismos e as regras não escritas desta capital. Ted Cruz tem uma verve mais combativa, tem mais exposição, mas também age nos bastidores. Nem sempre da forma que se espera de um político em Washington, mas tornou-se, pelo estilo, um dos parlamentares mais conhecidos da cidade.

Rand Paul é um libertário, herdeiro do capital político de seu pai, Ron Paul, deputado diversas vezes eleito pelo Texas. Recebeu apoio do Tea Party desde o princípio, uma vez que o movimento nasceu pelo resgate dos valores fundamentais do partido. Seu discurso pela limitação dos poderes de Washington e a batalha contra o modelo de espionagem contra a imprensa e os próprios americanos pelo governo Obama impulsionaram seu nome.

Ted Cruz, ao contrário, é um conservador e chegou a Washington também impulsionado pela força do Tea Party. Cruz enfrentou primárias duras e teve um caminho difícil até o Senado. Apoiado por think tanks conservadores como a Heritage Foundation é um dos principais defensores da estratégia de concorrer com candidatos que mobilizem a base.

Nos últimos dias houve tensão em função de declarações de cada lado e um artigo escrito por Rand Paul, que não cita Cruz, mas deixa claro para onde são direcionadas as críticas. Esta fricção entre duas alas é perfeitamente normal e apenas expressam visões diferentes sobre determinados pontos. Mais do que isso, Cruz e Paul são próximos e sabem que não disputam o mesmo eleitorado nas primárias. Mais do que concorrentes, ambos são completares, inclusive no sentido de unir o Tea Party em uma eventual candidatura presidencial.

terça-feira, março 11, 2014

Virada Conservadora

Durante a conferência dos conservadores ouvi e conversei com muitas estrelas do partido republicano. O senador Ted Cruz, por exemplo, que deve buscar a indicação do partido para a disputa presidencial, me explicou como vencer. Sua estratégia é a mesma de Rick Santorum, outro líder dos conservadores, preocupado em como reconstruir a América depois dos oito anos de Obama. Mas a preocupação de todos é em vencer, algo expressado nas palavras do governador Chris Christe: "Nós não iremos governar nosso país a não ser que passemos a vencer eleições". Vencer, vencer, vencer. Este é o mantra repetido hoje por todos os republicanos, conservadores ou não.

Existem duas estratégias. Deslocar-se ao centro e tentar a vitória com um candidato moderado, opção adotada com a escolhas de McCain e Romney, ou buscar o êxito com um nome verdadeiramente conectado com a base conservadora do partido. Se o opção for pelos moderados, não há dúvida de que o nome escolhido será o de Chris Christie. Mas se os republicanos optarem por um conservador legítimo, o rol de pretendentes é enorme: Ted Cruz, Rick Perry, Paulo Ryan, Rick Santorum, Jeb Bush, Marco Rubio, entre muitos outros.

A tese dos conservadores faz sentido. Somente um nome da base é capaz de movimentar a espetacular máquina republicana de voluntários e doadores que levou Bush a duas vitórias difíceis e Reagan a dois triunfos históricos. Quando este grupo entra em movimento, as chances dos democratas diminuem consideravelmente. Na opinião deles, ao invés de buscar a base, as últimas duas candidaturas disputaram o eleitorado democrata e os republicanos mais conservadores resolveram ficar em casa. A "batalha das idéias", como lembrou-me o congressista e candidato a Vice Presidente em 2012, Paul Ryan, é necessária para mobilizar o partido de forma integral.

Mas a cruzada dos conservadores não irá esperar por 2016. Como disse Sarah Palin, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, de Nevada, será o líder da minoria ou croupier de uma mesa de black jack em Las Vegas.  Os republicanos estão determinados a tomar o Senado em 2014 e os conservadores garantem que caso seus candidatos concorram, a base será mobilizada. Já existe até uma agenda que tive acesso com os estados seminais para fazer a maioria. A ataque aos democratas será principalmente na Lousiana, Arkansas, Montana, West Virginia e Colorado. Para os conservadores, fazer a maioria no Senado é o primeiro passo para chegar ao Salão Oval. Se depender de Sarah Palin, Harry Reid pode começar a procurar emprego nos cassinos de Nevada.

domingo, março 09, 2014

A Cruzada de Palin

A conferência dos conservadores terminou no Dia Internacional da Mulher sob o comando de sua maior estrela: a ex-Governadora do Alaska, Sarah Palin. Oradora poderosa (vídeo ao lado) e agora uma líder influente nos destinos do partido, ela pode fazer a diferença nas primárias republicanas. Sarah não deve sair candidata, mas terá influência no processo. Ela defende a estratégia de candidaturas de republicanos conservadores como instrumento efetivo de chegada ao poder.

A ex-Governadora do Alaska vai além. Ela busca virar o partido republicano para o lado conservador em todos os estados possíveis. Sua cruzada hoje é no sentido de derrubar senadores moderados e substituí-los por candidatos verdadeiramente conservadores. Estão na sua mira, por exemplo, o líder no Senado, Mitch McConnell, do Kentucky, e Lindsay Graham, o experiente Senador da Carolina do Sul. Palin mobiliza a base e ajuda a levantar toneladas de fundos para os candidatos que apóia. Seu suporte pode determinar a vitória ou a derrota dentro do partido.

Os republicanos tem dois caminhos a seguir nas eleições presidenciais. Para vencer é preciso mobilizar a base e atingir as minorias. Se ambas estratégias forem completares, melhor ainda. Certos de que Hillary deve levar a indicação democrata, os republicanos mobilizam-se para responder. Entre os conservadores ouvi o nome da senadora Kelly Ayotte, de New Hampshire. Apesar de não possuir experiência administrativa, ela possui o trunfo de ter sido endossada em sua eleição por Sarah Palin e poderia compor uma chapa com outro nome do partido.

Mas se os republicanos desejam arrancar a vitória de verdade, o nome para compor uma chapa nacional é o da Governadora do Nova México, Susana Martinez. A primeira mulher hispânica a governar um Estado possui todas as credenciais da senadora Ayotte e vai além, pois tem experiência executiva e resgata o voto hipânico. Como se não fosse o suficiente, recebeu em 2010 o apoio explícito de Sarah Palin na corrida para o governo. É feita sob medida para ajudar a vencer a eleição de 2016.

Portanto, se a opção dos republicanos é buscar uma mulher para compor a chapa presidencial, não há dúvida, isto passará pelo apoio e a influência de Sarah Palin. Ela transbordava confiança nesta conferência. Seu projeto é maior do que 2016 ou 2014. Ela está ali para o longo prazo, para reorganizar o partido, o que não quer dizer que sua estratégia não passe por cada pequeno processo decisório interno. Durante uma conferência que começou com Ted Cruz e terminou com Sarah Palin, existe uma certeza: os conservadores desta vez vem para vencer, e sua primeira cruzada é dentro do partido.

sábado, março 08, 2014

A Influência do Tea Party

A Conferência de Ação Política Conservadora reuniu a nata dos líderes republicanos. Começou com Ted Cruz, a estrela ascendente entre os conservadores e terminará com sua heroína, a ex-Governadora Sarah Palin. Mas nem tudo é conservador entre os republicanos. Moderados e libertários dividiram também o cenário, convidados a dar o seu recado. Chris Christie e Rand Paul tiveram passagens memoráveis pelo palco da conferência.

Os republicanos passam neste momento por uma profunda transformação. Alguns anos atrás, cansados com os rumos do partido, um grupo mobilizou-se e fundou o Tea Party. O objetivo era forçar uma volta aos rumos originais, aos valores de sua fundação. O movimento foi importante e muitos candidatos, como Rand Paul, integrado com as idéias libertárias originais do GOP, foram eleitos.

O movimento conservador também chegou ao Tea Party e se fez ouvir, elegendo muitos de seus representantes, como o senador Ted Cruz no Texas e apoiando outros tantos, como o senador Marco Rubio na Flórida. Não há dúvida de que este grupo gerou uma renovação no partido, mas também estou certo de que os republicanos ainda estão no processo de assimilação de tudo que esta transformação representa.

A grande discussão no momento é no sentido da estratégia a seguir. Ouvi, por exemplo, do ex-Senador da Pennsylvania, Rick Santorum, pré-candidato presidencial derrotado por Romney em 2012, que a escolha de moderados não assegurou a vitória dos republicanos. Sua posição, apoiada pelo Tea Party, diz que o medo de perder leva o partido a escolher moderados, quando na verdade sua maior fortaleza está na mobilização, com a escolha de candidatos inteiramente identificados com os valores do partido.

Mike Huckabee, ex-Governador do Arkansas e pré-candidato presidencial em 2008, me disse hoje pela manhã que os republicanos perderam as últimas eleições porque seu eleitorado ficou em casa. Defendeu a tese de que candidatos moderados não mobilizam a base, que é a alma do partido republicano.

Se contarmos com o avanço do Tea Party, cada vez maior entre os republicanos, tudo indica que Hillary deverá disputar a eleição com um candidato verdadeiramente conservador. Mas o jogo ainda está aberto. Chris Christie, moderado, foi muito bem recebido entre os conservadores, quebrando o gelo que o separava desta ala do partido. Do outro lado, Rand Paul, também filho do Tea Party, vem com um forte discurso libertário que pode incendiar as bases e criar uma onda similar a de Obama em 2008.

Depois de dois dias entre os conservadores, fica uma certeza, o Tea Party mexeu com a alma e o brio dos republicanos e sua sede de vitória nunca esteve tão forte.

sexta-feira, março 07, 2014

Chris Christie entre os Conservadores

A conferência anual dos conservadores começou. A importância deste encontro é enorme, pois reúne uma importante ala dos republicanos, com cada vez mais peso na estrutura do partido. Para entender melhor a situação é preciso compreender que a maior parte do financiamento de campanha vem de organizações ligadas aos valores conservadores. Para ficar claro: uma plataforma pró-livre comércio arrecada muito menos fundos do que a declarações contra o aborto.

O pré-candidato republicano mais bem posicionado nas pesquisas, Chris Christie, não foi convidado para aparecer por aqui ano passado. A justificativa era simples. Por ser moderado, o Governador de New Jersey não era conservador o suficiente para fazer parte da conferência. Neste ano, os conservadores abriram espaço para Christie, ao lado de estrelas desta esfera política, como Ted Cruz e Rick Santorum. Chris Christie não decepcionou e abraçou a oportunidade com um discurso mobilizador e assertivo de suas credenciais conservadoras, como sua posição contra o aborto e uma crítica mais dura em relação aos democratas. Incendiou a platéia.

Antes dele, passaram por ali Ted Cruz, a mais nova estrela do Tea Party, Paul Ryan, candidato derrotado a vice na chapa de Romney, além de Marco Rubio, a esperança de trazer o voto latino de volta para as hostes republicanas. Diante de um time tão conservador, impulsionados pelo discurso eletrizante de Donald Trump, Christie saiu-se muito bem. Estive aqui em 2008 e vi McCain ser vaiado por não ser tão conservador como o público desejava. Para alguém taxado de republicano de fachada, Chris Christie deu um show e mostrou que é capaz de penetrar nas entranhas mais conservadoras deste partido.

Mas ele terá companhia. Rubio, Santorum, Perry, Ryan, Cruz e até Huckabee, que escuto neste momento, podem entrar nas primárias e embolar o meio de campo conservador, especialmente nas primeiras disputas, em Iowa e Carolina do Sul. Mas se esta turma decidir concorrer, melhor para Christie, que verá o voto conservador dividido. O horizonte pode sorrir para o governador de New Jersey. Seu primeiro grande teste diante de uma audiência, em tese, hostil, foi um sucesso e certamente o Governador voltou para Trenton com a sensação de dever cumprido.

quinta-feira, março 06, 2014

OTAN e Ucrânia

Putin está jogando com Obama. Isto é um fato. Caso o Presidente americano não tenha percebido, já faz um tempo. Faça sua lista: Síria, Irã e por aí vai. Na verdade, o baile que a diplomacia americana tem tomado na arena internacional evidencia erros passados. O Presidente dos Estados Unidos pode ter errado, mas o momento é de muita cautela e pouca soberba. Neste jogo, há pouca margem para erro. Vamos lá.

Não acredito que Obama esteja trabalhando de forma errada com a questão da Ucrânia. Até o momento parece ter optado pela paciência e o jogo diplomático. O problema são todos os fatores que levaram os Estados Unidos a chegar no estágio atual. Putin somente avançou sobre a Crimeia porque sabe como os americanos reagiriam.

Obama fez a opção mais correta até o momento, até porque enxerga as fragilidades dos Estados Unidos e da Europa. Os americanos, depois de duas guerras, não possuem credibilidade internacional para liderar uma operação militar. Nem deveriam. Além do mais, por mais que alguns clamem por uma intervenção durante arroubos de soberba, não é o movimento mais indicado.

A ONU está paralisada. O Conselho de Segurança, refém dos vetos da própria Rússia e talvez da China, não conseguirá aprovar qualquer tipo de resolução que movimente as peças em jogo de forma satisfatória. Neste quadro, a OTAN assume um papel de protagonismo que pode fazer a diferença. Vale lembrar que os países do Báltico, além de Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, tem receio de que o conflito na Ucrânia respingue em seus territórios - e todos tem verdadeiro medo dos russos.

Vivemos uma guerra de nervos. A situação na Ucrânia não se resolverá cedo e a tensão continuará por algum tempo. A resposta aos movimentos de militares russos na Crimeia passa pela OTAN neste momento. A sede da organização em Bruxelas recebeu os membros do novo governo formado em Kiev. Foi um primeiro sinal. Bulgária, Estados Unidos e Romênia deslocam força naval para o Mar Negro para exercícios militares. Foi o segundo sinal. A Polônia requisitou uma reunião especial da OTAN. Foi o terceiro sinal.

O mais importante neste momento é não personalizar a situação e tratar da questão no âmbito multilateral em uma organização com força militar. O jogo é um xadrez. É preciso muita parcimônia, pouca soberba e uma dose cavalar de paciência.

quarta-feira, março 05, 2014

Ucrânia em Perspectiva

A questão envolvendo a Rússia e a Ucrânia é muito mais complexa do que podemos imaginar. Argumentos existem de todos os lados. É preciso, portanto, colocar as coisas em perspectiva neste momento. A Ucrânia é de fato um país dividido. Precisamos entender que a cisão entre duas realidades é o ponto central. Este embate levou o país a se tornar frágil.

Ainda em 2004 escrevi sobre este tema. A Revolução Laranja explodia em Kiev depois de um candidato pró-Rússia, Viktor Yanukovych (o mesmo afastado agora) ter vencido eleições que suspeitavam-se terem sido fraudadas. O movimento levou outro Viktor ao poder, este de sobrenome Yushchenko, ao lado da bela Yulia Tymoshenko, sua aliada pró-Ocidente. Depois de um governo conturbado, Yushchenko e Yulia deixaram o poder e Viktor Yanukovych foi escolhido em eleições livres. Vemos que depois de um governo pró-Ocidente, um governo pró-Rússia assumia o poder o Kiev. Mas o líder apoiado por Moscou não terminou bem. Depois de muita pressão popular, deixou o poder, alegando ter sido vítima de um golpe.

Na verdade existem duas Ucrânias. Aquela que está na margem leste do rio Dniper é extremamente ligada aos valores russos, culturais e religiosos. Esta região é o berço cultural de muitos traços da Rússia atual. Ali foi criado Nikita Kruschev e nasceu Leonid Brejnev, dois dos mais importantes dirigentes soviéticos. O leste da Ucrânia tem forte presença cristã ortodoxa, o que aproxima muito a região das tradições russas.  

A Ucrânia que está ao lado oeste do Dniper já foi ocupada por poloneses, húngaros, eslovacos, bielorussos e romenos, além de outras nacionalidades. A confluência destas culturas formou esta parte da Ucrânia, hoje de maior tradição católica romana e muito mais próxima do Ocidente. A presença russa na parte oeste é menor e a influência cultural preponderante é a ocidental. De um modo geral, o país sempre foi um território fragmentado e passou a se tornar unificado com o controle imposto pela União Soviética. Por todas essas razões, quando se tornou independente de Moscou, em 1991, se tornou um país instável, permeado por embates que colocam hoje em oposição o lado leste e oeste.

O risco maior para qualquer um dos lados é a eclosão de uma guerra civil, que pode se tornar um fato na medida que crescer o embate entre os dois lados do país divididos pelo rio Dniper e surgir uma liderança nacionalista que tente sobrepor suas vontades sobre a outra metade, independente de qual seja. Vemos que o movimento de Yanukovych em direção aos russos resultou em sua queda, mas o governo pró-Ocidente de Yushchenko também terminou de forma melancólica.

Na falta de uma política que unifique o país, as diferenças entre as regiões passarão a ter mais importância. O nacionalismo russo latente na Crimeia é apenas o primeiro passo. Putin conhece a geografia da Ucrânia e está medindo seus passos. Existe um nacionalismo russo também do lado leste do país, que pode se movimentar para o lado de Moscou rachando o território. Conhecendo o perfil dos líderes mundiais atuais, acredito que pode surgir a alternativa diplomática de divisão da Ucrânia com a Rússia na tentativa de evitar a escalada de um confronto nas fronteiras da Europa.

A idéia é conveniente para a Europa, que mantém um país estabilizado em suas fronteiras. O impacto da eventual entrada de meia Ucrânia na UE seria menor, considerando a agricultura pujante que poderia afetar a França. A Alemanha manteria-se como o maior país da zona européia e a Rússia anexaria a parte perdida de território que considera berço de sua cultura. Evitaria-se a guerra e a aproximação de um conflito anunciado nas portas da Europa, o que mobilizaria a OTAN. Talvez seja esta a estratégia de Putin, que pensa sempre no longo prazo. Resta saber se o Ocidente está preparado para um acordo deste tipo, que lembra os movimentos de Neville Chamberlain em Munique. Por enquanto, é um jogo de nervos.